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domingo, 6 de maio de 2018

DOIS LIVROS DO ESCRITOR LUIZ RUBEN BONFIM

Autor Luiz Ruben Bonfim
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Luiz Ruben F. de A. Bonfim
Economista e Turismólogo
Pesquisador do Cangaço e Ferrovia

http://josemendespereirapotiguar.blogspot.com.br
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CASARÃO NO RIACHO FUNDO


No casarão, abaixo, Lampião varava as madrugadas na jogatina com um famoso coronel. INDAGA-SE.


Resultado de imagem para Cel, AUDÁLIO TENÓRIO

1) Qual o nome da Fazenda?

2) Quem era o famoso coronel que, inclusive, chegou a ser deputado?

Parabenizo o Joel Reis. Ele foi o primeiro a acertar. Realmente, esse casarão (Riacho Fundo), está situado na Fazenda do Cel, AUDÁLIO TENÓRIO, lá em Águas Belas.

Resultado de imagem para Cel, AUDÁLIO TENÓRIO

Depois, veio, também, acertando o Beto Rueda, que sabe muito de cangaço.

Abraço a todos os que comentaram, curtiram ou só expiaram.. Eu não posso dar moleza que essa turma arrebenta.

Voltaseca

https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/

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O CIO E O AMOR QUE MATA

*Rangel Alves da Costa

O sexo é belo e divinal, tanto se apregoa. Para o ser humano sim, que não sai sem pedaços depois do prazer ou não se finda depois do gozo. A não ser por perversão, o ato sexual é tão belo quanto inspirador. Muito diferente do que ocorre com outras espécies de animais.
Passando a exemplificar. Quando estão com desejo sexual intenso, saindo de suas tocas em busca de acasalamento, ainda assim os escorpiões agem com extremo cuidado diante da parceria encontrada. Avistam-se, se querem, se buscam, mas num repente a fêmea pode injetar seu ferrão venenoso no macho e o que seria uma relação se transforma em tragédia.
Nos outros animais há muitas estranhezas também quando os desejos sexuais afloram e o apetite faz com que percam totalmente suas medidas de precaução. Até na selva, perante os bichos selvagens, essa busca pelo outro se reveste de atratividades perigosas e de traições amorosamente premeditadas ou ao acaso do jogo do prazer.
Nem tudo são as mil maravilhas por lá. Verdade é que há bicho que tem o acasalamento como último ato de sua vida. Morre ao namorar, namora para morrer, é traído pela armadilha do outro, se encanta tanto com o prazer da entrega que nem se dá conta do ferrão injetado, da venenosa mordida, do instinto assassino da parceria.
Certas espécies de aranhas morrem depois do sexo. Na fúria sexual, após o prazer, o órgão reprodutor da aranha macho pode se desprender quando tirado rapidamente de dentro da fêmea, o que lhe causa extrema fraqueza e morte pela perda excessiva de líquido correspondente ao sangue.
As estranhezas não param por aí. Como se observa no texto “10 rituais estranhos de acasalamento animal”, disponível no site Insoonia.com (http://www.insoonia.com/10-rituais-estranhos-de-acasalamento-animal/), a coisa pega fogo mesmo, e até com vítimas fatais. E diz o seguinte:


“Os chimpanzés pigmeus são uma espécie que se caracteriza por serem obcecados com o sexo. Para eles, acasalar-se é uma forma saudável de resolver problemas e celebrar quando encontram comida. Também participam de práticas homossexuais e orgias. O louva-a-deus fêmea costuma morder e comer a cabeça de seu parceiro durante a relação sexual, já que isto ajuda à entrega de esperma e incrementa suas possibilidades de conceber. Os ratos-marsupiais-australianos também são um pouco perversos. Uma vez que chega a temporada de acasalamento, estas pequenas criaturas se esmeram em encontrar parceiros e podem passar até 12 horas fazendo sexo. Ao final da temporada morrem. Para as girafas, sobretudo os machos, é um desafio acasalar-se devido a seu grande tamanho. Para saber se a fêmea está no cio, ele golpeará suas ancas a espera de que ela urine. Se isto ocorrer e a urina tiver um cheiro característico, então começará a cortejá-la. As lesmas da banana distinguem-se por ter um pênis que mede entre 15 e 20 centímetros, um tamanho impressionante se levarmos em conta que seu corpo mede praticamente o mesmo. Estes animais são hermafroditas. Para poder fecundar, devem escolher um parceiro do mesmo tamanho, caso contrário seu pênis ficará atolado durante o ato sexual e seu parceiro terá que arrancá-lo. Conhecida como Thamnophis sirtalis infernalis ou serpente garter, a fêmea desta espécie exala um feromônio que atrai centenas de machos para que se acasalem com ela. Até 100 serpentes macho participam nestas orgias. Os caracois são hermafroditas e seus genitais estão localizados próximos aos pescoços, bem atrás de seus olhos. Antes de que dois caracoles se acasalem, lançam “dardos de amor”, feitos de cálcio, o que permite armazenar mais espermas em seus úteros. Os casais do Amazona Albifrons ou papagaio da cara branca são muito românticos e se beijam muito durante o acasalamento. O curioso é que para dar um tempero a mais na relação e acender o fogo da paixão, vomitam dentro da boca do outro”.
Pelos exemplos citados, logo se depreende que a dança do cio, do acasalamento, da afloração sexual, pode não ser apenas um estado de receptividade amorosa com consequencias positivas, relaxantes, confortantes. A aranha, por exemplo, ao fim do ato sexual não poderá acender um cigarro nem se virar sorridente de lado para descansar. Vai morrer.
O cio, pois, não é somente o apetite sexual dos animais em determinadas épocas ou o desejo sexual intenso das fêmeas no período da fertilidade, cuja excitabilidade e alterações comportamentais despertam a excitação dos machos. É também a época de tornar o prazer em arma poderosamente fatal. E não se poderia duvidar que a aranha já estivesse pensando em injetar veneno no macho bem antes do apetite todo chegar.
Mesmo que o cio não seja conceito plenamente aplicado aos seres humanos - ainda que muitos não passem de verdadeiros mamíferos -, verdade que é no reino mundano onde ele melhor se caracteriza. E diferentemente do que ocorre com o período de fertilidade nos bichos, nas pessoas isso é o que menos importa. A fome é extrema, a disposição tremenda, a volúpia parecendo insaciável.
Se os homens tivessem as cabeças arrancadas ou veneno injetado pelas fêmeas, e se com isso morressem ou ficassem com visíveis seqüelas, certamente seria um problema grave e difícil de resolver. Mas não menos grave do que os desejos sexuais incontroláveis, a luxúria e a pecaminosidade que aumentam cada vez mais, e não há contínuo festim de acasalamento que seja suficiente e se baste.

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com  

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MULHERES CANGACEIRAS NÃO ERAM FEMININAS...


Por Verluce Ferraz

A presença das mulheres no cangaço não alterou em nada o mundo dos cangaceiros, nem mesmo serviu para convencer que mulher não amolece homem. O tabu que havia de que as mulheres amoleciam os homens, de que eram frágeis e a ponto de não resistirem às condições climáticas do sertão? 


A mulher cangaceira também não há de ser mais feminina, pelo contrário, nada faziam para demonstrar suas feminilidades; não cozinhavam, não se davam à maternidade e as que pariam davam os filhos. Se engravidavam já planejavam entregar os filhos para que outras pessoas, o mais rápido possível. 


Assim, não faziam qualquer tarefa do mundo feminino tomavam chás abortivos; quando pariam não criavam os filhos. As mulheres cangaceiras viviam para servir aos homens apenas na sexualidade.


Aquelas que resolvessem abandonar o mundo cangaceiro eram brutalmente mortas; quem ousasse escolher seu parceiro, também morria. Ainda não tinham direito de escolha, eram escolhidas e levadas para servi-los. Todas as tarefas do mundo doméstico ficavam a cargo dos homens. Mais sobre o Cangaço leia em "Dos mitologemas na imortalidade do passado lampiônico..."

https://www.facebook.com/groups/179438349192720/?multi_permalinks=454990241637528%2C454539891682563&notif_id=1525549271551919&notif_t=group_activity&ref=notif

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ASSIM NOTICIOU O DIÁRIO DE PERNAMBUCO A MORTE DO TENENTE CORONEL JOÃO ANICETO RODRIGUES DOS SANTOS


Por Antonio Corrêa Sobrinho

ASSIM NOTICIOU O “DIÁRIO DE PERNAMBUCO” A MORTE, OCORRIDA NO DIA 12 DE MAIO DE 1959, NO MUNICÍPIO DE UNIÃO DOS PALMARES, DO TENENTE-CORONEL JOÃO ANICETO RODRIGUES DOS SANTOS, PERNAMBUCANO, 52 ANOS DE IDADE, UM DOS TRÊS COMANDANTES DAS FORÇAS POLICIAIS ALAGOANAS QUE, EM 28 DE JULHO DE 1938, EM SERGIPE, MATARAM O REI DO CANGAÇO, LAMPIÃO, SUA COMPANHEIRA MARIA E MAIS NOVE OUTROS CANGACEIROS.


NOVO CRIME AGITA ALAGOAS: O CORONEL ANICETO MORTO POR TRÊS PISTOLEIROS

Era um dos remanescentes da luta de Angicos, onde foi massacrado o bando de Lampião – O oficial, assassinado em União dos Palmares, teria sido vítima de políticos governistas, de inimigos pessoais ou de irmãos de um pistoleiro a quem assassinara.

MACEIÓ, 13 (Meridional) – Foi abatido ontem, a tiros, na localidade de Mundaú Mirim, município de União dos Palmares, o tenente-coronel da reserva remunerada da Polícia Militar do Estado, Aniceto Rodrigues. O crime ocorreu cerca das 18 e trinta, em um bar do referido povoado.

O coronel Aniceto antigo participante da volante da Polícia Alagoana que degolou o célebre cangaceiro Virgulino Ferreira, o Lampião, tombou varado por inúmeros disparos partidos das armas de três indivíduos cuja identidade ainda não foi apurada, estando o delegado de Ordem Política em diligências em União, a fim de apanhar os criminosos que fugiram para lugar ignorado.

Segundo informações ainda não de toda confirmadas, o coronel assassinado teria resistido a seus matadores, não logrando, no entanto, êxito, em face do alvo que se tornou para uma fuzilaria que teria constado de mais de trinta disparos.

Até o momento em que escrevemos estas notas, nada de oficial se conhece acerca da ocorrência, circulando variadas versões do crime, entre as quais a de que a esposa do militar teria abatido um dos pistoleiros.

O governador Muniz Falcão encontra-se no Rio de Janeiro, internado em uma casa de saúde. Em sua companhia, também seguiu, na semana última, o secretário do Interior, coronel Henrique Cordeiro Oeste. Por isso, sobre qualquer detalhe se negam as autoridades a informar.

Para Mundaú Mirim seguiu desde a manhã de hoje grande número de oficiais da Polícia, a fim de assistir ao sepultamento do coronel Aniceto.
Também no referido local já se encontram representantes dos jornais desta cidade, apesar de as estradas, com as chuvas caídas ultimamente, se encontrarem praticamente obstruídas.

Homem de muitos inimigos, em torno de sua morte pairam as mais variadas suspeitas, atribuindo-se a responsabilidade do seu assassínio, inclusive a personalidades políticas da situação, uma vez que Aniceto, muito amigo do deputado Oseas Cardoso, era considerado um dos mais perigosos homens da oposição no Estado.

MACEIÓ, 13 (Meridional) – Aniceto Rodrigues dos Santos, anteontem assassinado na localidade de Mundaú Mirim, município de União dos Palmares, contava 52 anos de idade, era pernambucano e oficial reformado da Polícia Militar deste Estado, como tenente-coronel, posto mais elevado que se pode atingir naquela corporação.

A sua carreira de soldado iniciou-se em novembro de 1932. Nos seis primeiros anos de vida miliciana, conseguiu elevar-se até o posto de aspirante, graças aos seus atos de bravura, em repetidas lutas contra o banditismo.

Entre as expedições de maior vulto, de que participou, salienta-se o combate de Angico, onde ajudou a eliminar Lampião e seu bando.

Fatos da sua vida privada, entretanto, interferiram desfavoravelmente na sua conduta de soldado. Em 1944 foi excluído da Polícia, como desertor, punição que coincidiu com o crime de morte que praticou em sua primeira esposa, dona Iraci Brito, em Piranhas.

Cinco anos depois, em 1949, foi reincluído nas fileiras da PM, com o mesmo posto de aspirante e, já um ano depois, era graduado 2º tenente. Após galgar normalmente os postos de 1º tenente e capitão, Aniceto Rodrigues reformou-se, como tenente-coronel, sendo beneficiado com as leis especiais da “praieira” e “do banditismo” que lhe conferiram duas promoções consecutivas – capitão e major.

OUTROS DETALHES

MACEIÓ, 13 (Meridional) – O tenente-coronel, reformado, Aniceto Rodrigues, abatido por três pistoleiros em Mundaú-Mirim, Distrito de União dos Palmares, bem na fronteira de Alagoas com Pernambuco, participou das lutas contra o bando de Virgulino Ferreira – o Lampião, estando presente no combate do qual saíram sem vida o Rei do Cangaço e alguns bandoleiros, degolados em Angicos, estado de Sergipe.

O assassinado participou também, em diferentes épocas, de outros acontecimentos sangrentos ocorridos em nosso Estado, dentre eles, o do dia cinco de maio de 1957, na cidade de Pão de Açúcar, quando se deu cerrado tiroteio, saindo ferido o senhor Cláudio Barbosa. Naquela ocasião o tenente-coronel Aniceto atribuiu ao seu inimigo, Elísio Maia, atualmente deputado estadual, a autoria da tentativa contra a sua existência.

Foi a julgamento, ainda, certa feita, sob a acusação de ter eliminado sua esposa dona Iraci Brito, quando ela se achava dormindo. Era filha do conhecido agricultor senhor Brito, do município de Piranhas, e prima-irmã da consorte do coronel João Bezerra, outro combatente do banditismo.

Existem várias versões sobre a autoria da morte do conhecido tenente-coronel Aniceto Rodrigues. Uma atribui ao deputado Elísio Maia o plano de extermínio do seu adversário. Outra a parentes da esposa assassinada. Uma terceira dá como matadores os três irmãos de Serafim de tal, pistoleiro conhecido como Pinga Fogo, morto barbaramente, pelo referido militar.

“Diário de Pernambuco” – 14/05/1959
“JÁ DEVIA TER MORRIDO ANTES...”

RIO, 14 (Meridional) – “Já devia ter morrido antes” – disse o senador Silvestre Péricles de Gois Monteiro à reportagem sobre o assassínio do coronel Aniceto Rodrigues, em Alagoas. Como foi noticiado, a vítima participava da oposição ao governo Muniz Falcão, sendo amigo íntimo do senhor Oseas Cardoso.

"Diário de Pernambuco" - 15/05/2018
AINDA O CRIME DO CORONEL ANICETO

SECRETÁRIO DA SEGURANÇA DE ALAGOAS QUER PRENDER OS CULPADOS: PISTOLEIROS FORAM RECRUTADOS EM GARANHUNS.

MUNDAÚ MIRIM, 15 (De Alberto Jambo, especial para o DIÁRIO) – Embora sem uma pista segura dos assassínios do coronel Aniceto Rodrigues, a polícia comandada pelo Dr. João Batista Acioli, prossegue nas diligências, enquanto, paralelamente, se desenvolve o inquérito.

O delegado já remeteu para a penitenciária da capital, com determinação expressa de mantê-los em incomunicabilidade, os suspeitos, Júlio de Aguiar Pessoa, cobrador da Prefeitura de União dos Palmares, e o cabo Dorgival Lucena, subtenente do distrito de Mundaú Mirim

Contra o primeiro, pesa a acusação de ser o responsável pela casa do vereador Augusto Cavalcante (no dia do crime fora ao distrito) onde se presume terem se escondido os bandidos, para a consumação do crime.

Em frente dessa casa tombou o coronel Aniceto. Sobre o segundo, maior autoridade policial do local, pesa a acusação de ter ido a Garanhuns buscar os pistoleiros, ao que se presume, chefiados por um proprietário ou comerciante de nome José Pinto. Além disso, circulam rumores, na cidade, de que um menor declarara, momentos após o crime, que vira o cabo “Doge” da varanda de uma casa de esquina da rua União dos Palmares (há 10 metros do local onde tombou Aniceto), atirando no coronel assassinado.

A propósito deste detalhe, conseguimos colher, com populares, em União dos Palmares, que o cabo “Doge” dizia, publicamente, que não temia o coronel Aniceto e que queria, inclusive, ser destacado para Mundaú Mirim. Dizia, ainda, que, no quartel, tivera uma “parada” com Aniceto e este recuara.

Tais informações coincidem com as declarações da viúva do coronel, quando afirma que Aniceto lhe dissera, várias vezes, que as coisas não iam boas, com o cabo-delegado, e quando este fazia viagens para Garanhuns, era, presumivelmente, para encontrar-se com José Pinto, inimigo rancoroso de Aniceto e amigo íntimo do deputado Elísio Maia.

REGRESSA OESTE

MACEIÓ 15 (De Alberto Jambo, especial para o DIÁRIO) –

Os acontecimentos verificados em Mundaú Mirim precipitaram o regresso do coronel Henrique Cordeiro Oeste, secretário do Interior, Justiça e Segurança Pública. Conforme já informamos, o coronel se encontrava no Rio de Janeiro, em companhia do governador Muniz Falcão. Até às 18 horas de hoje ainda não havia falado à reportagem, mas circulam rumores de que amanhã seguirá para Mundaú Mirim, para assumir a direção do inquérito policial.

Na capital, os comentários, do modo geral, dão o “caso Mundaú Mirim” como a primeira e mais forte “prova de fogo” do atual secretário da Segurança. Comenta-se que será um problema difícil para o coronel resolver, tendo-se em vista as ligações que se atribuem ao fato. Dada a formação do coronel, e também seu conceito, acredita-se que prenderá todos os implicados no crime, mesmo os possíveis autores intelectuais. Do contrário demitir-se-á.

REGRESSA O DELEGADO

MACEÓ, 15 (De Alberto Jambo, especial para o DIÁRIO) – Conforme fomos informados junto à Primeira Delegacia da Capital, ainda hoje, o Dr. João Batista Acioly regressará a esta cidade. Conforme conversação mantida com investigadores que participaram das diligências, o delegado estaria malsatisfeito com as providências tomadas pelo subdelegado do distrito de Mundaú Mirim, antes da sua chegada.

PENÚLTIMA EMBOSCADA

Rebuscando a memória, acrescentou: “Há cerca de seis meses, Aniceto, ao chegar em casa, soube da presença de quatro elementos suspeitos, que estiveram à sua procura. Pelos dados fisionômicos de tais elementos, e também pelas maneiras, disse a alguém: “Eles querem me jantar, porém, antes eu os almoço”. Imediatamente, conseguiu um Jeep emprestado, convidou três homens de sua confiança e saiu no encalço dos seus perseguidores. Pelas pistas obtidas, foi ter na capital sergipana, sem, todavia, encontrá-los. De volta, disse: “Elísio quer me matar. Vou morrer mais cedo do que pensava. Espero que eles não errem o primeiro, pois se eu conseguir girar numa perna, vão alguns comigo. Novo informante explicou como Aniceto – um dos homens afeitos ao crime e dos mais experientes do estado de Alagoas – baixava e levantava girando num pé só para ver em todos os ângulos”.

CONFISSÃO CONFIDENCIAL

“Aniceto numa ocasião disse: pode ficar certo de uma coisa: a morte de minha primeira esposa foi casual. Eu limpava uma arma quando a mesma detonou e atingiu-a”. E, para se fazer acreditar, acrescentou: “Se eu estivesse moribundo, já sem temer a ninguém, diria o que disse agora, não matei minha esposa”.

O CASO DE PINGA FOGO

Prosseguiu: “Dissera-me, em outra ocasião, o coronel Aniceto: “Também não matei Pinga-Fogo. Recebi ordem do chefe de conduzi-lo para Pernambuco, e a cumpri. Mas, já o encontrei morto, na subdelegacia de Pajuçara. Pinga-Fogo, numa sexta-feira à noite, estava em Jaraguá, com uma passagem aérea da Companhia Cruzeiro do Sul, despedindo-se de Maceió. Logo cedo, um amigo meu aconselhou-o a sair dali. Não ouviu o conselho: foi preso pela polícia e amanheceu o sábado morto”.

O CASO GERMINIO

Outra revelação do amigo de Aniceto foi sobre o crime feito na pessoa de Germinio Gonçalves. Criminoso perigoso e experiente, tinha Germinio, em Aniceto, o seu par. Após certos “serviços”, Aniceto recebeu ordem de aniquilá-lo. Aniceto era grande amigo de Germinio, mas recebendo ordem do governo, viu-se na alternativa: ou matar Germinio e manter o prestígio de valente de que gozava, ou ser vítima do próprio Germinio, após uma intriga que seria forjada entre os dois. O próprio Aniceto relatou; “ Bati na porta de Germinio, após a casa cercada e disse-lhe: É seu compadre Aniceto, Germinio. Entrei, tirei a camisa, pus as armas em cima da mesa e sai para o quintal, como quem vai satisfazer uma necessidade fisiológica. Chamei-o: Germinio, você ainda tem aquela arma? Germinio respondeu afirmativamente, enquanto puxava a arma para que eu examinasse. Na posição que recebi a arma de sua mão, acionei o gatilho, varando-o à queima-roupa. Caiu agonizante, fitando-me terrivelmente. Imediatamente, o pessoal que cercava a casa entrou e um sargento (o informante não se lembra o nome) sabe apenas que era o mesmo da cidade de Murici, deu-lhe uma rajada de metralhadora, de misericórdia”.

EMBOSCADA EM PÃO DE AÇÚCAR

Aniceto era um homem temido não só pela sua frieza, mas, sobretudo, pela sua experiência no crime, pelos seus conhecimentos de capangas de vários Estados e por ser hábil no combate e fugas em pleno mato. Tanto é assim que, há dois anos, quando foi emboscado pelos capangas do deputado Elísio Maia (isto, precisamente, no dia 10 de maio), logo que suspeitou da sorte que o esperava, caiu no mato e insultou os bandidos, gritando: “Vocês são capangas de castrar bodes. Se forem homens me persigam”. A verdade é que ninguém o perseguiu. Queriam matá-lo, mas temiam encontrá-lo frontalmente na “caatinga”.

"Diário de Pernambuco" - 16/05/1959
DIVERSOS ATENTADOS

Inquerido sobre a atual situação política do Estado de Alagoas e, ainda a respeito do assassínio do coronel João Aniceto, disse o deputado Odilon Souza Leão que “realmente o ambiente faz preocupar”, se bem que a morte do coronel não surpreendeu aos que “conheceram sua vida pregressa”.

E acentuou:

- “Era um criminoso frio e premeditado, tendo assassinado a própria esposa. Serviu a diversos governos estaduais, unicamente com a finalidade de hostilizar políticos oposicionistas. Famílias inteiras sofreram sua perseguição, entre elas a do deputado Segismundo Andrade.

Criminalmente, respondia por diversos atentados de morte, se fosse vivo. É difícil dizer a razão do seu assassinato, pois muita gente em Alagoas tinha motivos para tal”.

ANICETO DIZIA SEMPRE: NÃO VOU CRIAR OS MEUS FILHOS

Depoimento da viúva do coronel assassinado – Acusa o deputado Elísio Maia.

MUNDAÚ MIRIM, 16 (Do enviado especial, Alberto Jambo) – D. Yolanda Rodrigues, esposa do coronel Aniceto Rodrigues, falando à reportagem, declarou que seu marido dizia sempre, principalmente, nos últimos meses: “Tenho certeza de que não vou criar meus filhos”.

Embora não contasse detalhadamente os acontecimentos que esperava ocorrer, o coronel Aniceto Rodrigues, dissera à esposa quando da nomeação do cabo Dorgival Cortes de Lucena:

- Esse jogo tem areia. Não é por acaso que nomearam o cabo Dorgival para Mundaú Mirim. Eles podem me pegar, mas vão ter trabalho”.
INIMIGO EM GARANHUNS

“Aniceto ficou mais apreensivo – continuou D. Yolanda – quando, ultimamente, o cabo Dorgival começou a fazer algumas viagens para Garanhuns, onde mora um sério inimigo de meu marido, um tal de José Pinto, também muito amigo do deputado Elísio Maia. Não se compreendia que o cabo Dorgival viajasse para Garanhuns, domingo último, quando sua esposa se encontrava em Maceió, numa maternidade. Ele foi a Garanhuns apanhar os assassinos do meu marido, chegando alta madrugada e escondendo-os, para a consumação do crime”.

VEREADOR ENVOLVIDO

Em outro trecho de suas declarações, D. Yolanda alegou também que a situação piorava, nos últimos tempos, após um desentendimento havido entre o coronel Aniceto e o vereador Augusto Cavalcante Lins. E, aduziu: “Os três bandidos que mataram Aniceto ficaram escondidos na casa do tal vereador, pois a propósito, ele deixou a casa abandonada, há vários dias”.

TESTEMUNHA OCULAR

D. Yolanda, que fazia declarações entrecortadas de acessos de choro, portanto, sem historiar os fatos cronologicamente, disse que fora informada de que uma criança vira o cabo Dorgival, da varanda de uma casa, a 15 metros do local do crime, atirando no coronel Aniceto Rodrigues.

Ante a insistência da reportagem, para que dissesse o nome da criança, afirmou que tal história lhe contaram num momento de desespero; por isto não recordava o nome da criança.

Perguntava se não suspeitava de alguma pessoa ou se pelas informações colhidas não conseguira identificar um dos três criminosos, respondeu: “Foram três indivíduos que emboscaram meu marido. Dois altos e um baixo. Um deles, não tenho certeza, mas pelas referências deve ser criminoso conhecido pelo apelido de Cabo Artur, homem de confiança de Elísio Maia”.

Disse ainda dona Yolanda que fora morar em Mundaú Mirim há cerca de 1 ano e 8 meses, sendo o seu marido, ali, querido por todos.

PRESUME-SE QUE OS PISTOLEIROS SE REFUGIARAM NAS PROXIMIDADES

MUNDAÚ MIRIM, 16 (Dos enviados especiais do JRONAL DE ALAGOAS) – Ao que nos informou o Dr. João Batista Acioly Sobrinho, primeiro delegado da capital, desde hoje, às 5 horas quando chegou a esta localidade, assumiu a delegacia de Mundaú Mirim. Disse-nos:

“A respeito dos esforços que desenvolvemos, até agora ainda não conseguimos apanhar os criminosos. Nas nossas diligências ultrapassamos a fronteira deste Estado, fomos até Pernambuco. Já prendemos três pessoas para averiguação. Há inclusive entre os presos, dois em estado de estrita incomunicabilidade: um é o senhor Júlio de Aguiar Pessoa, cobrador da Prefeitura de União dos Palmares, homem que tomava conta da casa onde se presume ficaram os criminosos aguardando a chegada de Aniceto.”

Quanto ao outro, o Dr. João Batista não quis declinar o nome, nem deixar que a reportagem mantivesse qualquer contato com o mesmo, “para não atrapalhar as diligências”. Está presa também, para averiguação, a senhora Josefa Lúcio Chaves, proprietária do hotel de Mundaú Mirim, que seria uma das testemunhas oculares do crime.

DESCOBRE O REPÓRTER

Malgrado os esforços da reportagem, o Dr. João Batista Acioly não revelou o nome do segundo preso. Todavia, a reportagem conseguiu apurar que tal indivíduo é o cabo Dorgival, subdelegado da localidade, que participou das diligências com o Dr. João Batista e, finalmente às 15:30 horas, no momento em que o corpo de Aniceto acabava de baixar à sepultura, recebeu, mesmo no cemitério, ordem de prisão, do tenente Durão, que acompanha o primeiro delegado.

OUTRAS PROVIDÊNCIAS

Informou-nos ainda o delegado, que prosseguirá nas diligências, “batendo” todas as circunvizinhanças, pois acredita que os criminosos não conseguiram afastar-se para muito longe. Como se sabe, os assassinos após a consumação do crime, saíram a pé, calmamente, em demanda da estrada para fora da cidade. Presume-se que estejam homiziados em alguma casa próxima.

DETALHE DO CRIME

Mundaú Mirim – A população da cidade de União dos Palmares, desde que tomou conhecimento da audaciosa emboscada em que perdeu a vida o tenente-coronel Aniceto Rodrigues, oficial da reserva remunerada da Polícia Militar de Alagoas, passou a comentar o sangrento ocorrido. Surgem várias versões em torno da maneira como foi abatido aquele oficial, numa rua central da Vila de Mundaú Mirim, distante da sede 37 quilômetros.

O crime ocorreu às 18:30, na rua União dos Palmares, naquela Vila, entre a casa residencial do Sr. Marcos Viana Portela, comerciante, e o armazém de compras e vendas do Sr. Artur Chaves. Os criminosos, em número de três, ao que nos informaram detonaram cerca de 20 tiros, sendo o tenente Aniceto Rodrigues atingido por cinco projéteis.

Um detalhe impressionante a reportagem registrou no local da emboscada. Nas paredes da residência do Sr. Marcos Viana Portela viam-se fragmentos da mão do trabalhador Luiz Felix da Silva alcançado por uma bala, juntamente com outro colega viajava ele na garupa de um burro, na retaguarda do tenente-coronel Aniceto.

FUGA TRANQUILA

Após constatarem que o oficial estava morto, os pistoleiros, de pé, saíram apressados, não sendo, entretanto, molestados por nenhum dos habitantes da Vila, inclusive o próprio subdelegado cabo Dorgival Cortez de Lucena.

Fato curioso é que, depois do crime, os matadores atravessaram a “corrente fiscal”, distante do local cerca de 120 metros e continuaram andando apressados, até apanharem um Jeep que estava a um quilômetro, na estrada da Vila, e que leva ao município de Correntes, em Pernambuco.

Em poder do coronel Aniceto Rodrigues foi encontrado um revólver 38, carga dupla, municiado. A vítima não chegou a puxar da arma, uma vez que todos os ferimentos recebidos foram de natureza grave, notadamente o projetil que alcançou a nuca, saindo na região superior orbitária esquerda, afundando-a e deixando irreconhecível a vítima.

Minutos depois, toda a vila de Mundaú-Mirim estava em polvorosa. O tenente-coronel Aniceto Rodrigues possuía ali um vasto círculo de amizades e era temido por muitas pessoas, que sabiam de sua fama de homem valente, autor de várias mortes. Pertencera à célebre volante que abateu “Lampião” no ano de 1938, na fazenda Angicos, em Sergipe.
A reportagem falou com o capitão Mário Correia de Albuquerque, delegado de União dos Palmares e responsável pelo inquérito ali instaurado, em torno do crime.

Disse, inicialmente, que estava no cinema na cidade de União dos Palmares, quando aproximadamente às 20:30 horas chegou o cabo Dorgival Cortez de Lucena, subdelegado da Vila de Mundaú Mirim e lhe comunicou haver, às 19:30, sido assassinado de emboscada a tiros o tenente-coronel Aniceto Rodrigues dos Santos. Acrescentou que saíra gravemente ferido o trabalhador Luiz Felix de Souza, que já se achava internado no Hospital São Vicente de Paula.

“Imediatamente, prosseguiu o capitão Mário Correia, pus todo o destacamento sob o comando do referido cabo, para que ele retornasse a Mundaú Mirim, a fim de realizar diligências, enquanto providenciava comunicações ao secretário do Interior e comandante da Polícia Militar. Procurei o escrivão da Polícia para seguir com o cabo até o local dos fatos. Chegando a Mundaú Mirim, procurei inteirar-me do fato e providenciar as testemunhas para o desenrolar do inquérito, que já estava sendo feito, na forma da lei.

Foram ouvidos, então, D. Josefa Lúcio Chaves, proprietária do Hotel que fica nas proximidades do local onde ocorreu a emboscada; senhores Otavio José da Mata, Miguel Guilherme de Azevedo, José Ferreira de Lima e João Tavares de Araújo. Esse último, no momento do tiroteio passava nas proximidades e refugiou-se na casa comercial do senhor Artur Chaves.

As testemunhas acima disseram que estavam próximas ao local, ouviram os tiros, que foram inúmeros, mas não reconheceram os criminosos, apesar de verem os mesmos fugir, a pé, pela estrada que demanda ao município de Correntes, no estado de Pernambuco.

A reportagem ouviu o senhor Luiz Souza Barros, comerciante em Mundaú-Mirim, e sogro do tenente-coronel Aniceto Rodrigues, que disse haver o seu genro saído, como habitualmente fazia, às 6 horas da manhã, com destino à fazenda de sua propriedade, de nome Ingazeira. Cerca das 12 horas mandou-lhe o almoço, pois Aniceto estava ali trabalhando com doze homens, no serviço de campo. Às 18:30, como sempre acontecia, aguardava a sua chegada juntamente com sua filha, a esposa do Aniceto, senhora Yolanda Barros Nascimento.

Perguntado se ouviu os tiros disse que sim, e poucos minutos depois recebeu a desoladora notícia da morte, por emboscada, do seu genro.

A Vila de Mundaú Mirim, que pertence ao município de União dos Palmares, até a hora em que regressamos, continuava em alvoroço.

16 TIROS DISPARADOS

MACEIÓ – Segundo colheu a reportagem, logo ao chegar a Mundaú Mirim, cerca de 16 tiros foram disparados pelos três pistoleiros, contra o tenente-coronel Aniceto Rodrigues dos Santos e o lavrador Luiz Felix da Silva, que o acompanhava. Dos projetis, 6 fulminaram o militar.

RESULTADO DO EXAME CADAVÉRICO

A autopsia foi feita pelo Dr. Benedito Lessa, médico da cidade de União dos Palmares. Constatou o seguinte: um orifício com entrada na nuca e saída na região supra orbitária esquerda, ferimento na região infra escapular esquerda, com orifício de saída na região infra-axilar esquerda, havendo perda de tecidos celulares subcutâneos e fratura da nona costela; ferimento ao nível da região lombar esquerda, com orifício de entrada e orifício de saída no hipogástrio, com hérnia de tecido celular subcutâneo; ferimento ao nível da face interna do terço superior da coxa esquerda, sem apresentar orifício de saída. Ferimento ao nível da fossa ilíaca direita, com saída de excreções urinárias; equimose do terço superior do braço esquerdo.

Segundo o legista, esta foi a “causa mortis”: lesões dos centros cerebrais e hemorragia interna.

"Diário de Pernambuco” - 17/05/1959
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Imagem de ANICETO RODRIGUES, utilizada pelo jornal para ilustrar a publicação.

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"RUBRO"

Por Franci Dantas

Técnica mista (100 x 80)
Doação à ALAM-Academia de Letras e Artes de Martins.




Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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ENTREGANDO OS DIPLOMAS DE HONRA AO MÉRITO. CARIRI CANGAÇO DE FORTALEZA.






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UM PLANO COM TECNOLOGIA PARA MATAR LAMPIÃO EM 1938!!!


Por Guilherme Machado Historiador Machado

Toda uma tecnologia para darem cabo a Lampião e Maria Bonita com mais nove cangaceiros, em 1938 na divisa de Sergipe e Alagoas na Fazenda Angico no ano de 1938.

http://www.estacoesferroviarias.com.br/alagoas/piranhas.htm

Da Estação Férrea de Piranhas Alagoas! A Mando do Cabo Aniceto, um Telegrama cifrado "Boi no pasto" Para ser entregue ao Tenente João Bezerra. E quem recebeu o telegrama foi o famoso telegrafista George Lisboa, na Cidade da Pedra hoje Delmiro Gouveia Alagoas. 

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1508214002615853&set=pcb.1508214059282514&type=3&theater&ifg=1

Foto acima tirada em 1938 no mesmo ano da morte de Lampião... Foto Fonte: Lampião e a Maria Fumaça, Antônio Amaury Correia de Araujo e Luiz Ruben de A. Bonfim.

https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/

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CAMINHOS DO PAJEÚ


O livro "Caminhos do Pajeú" é de autoria do escritor Luiz Cristovão dos Santos uma bela obra prefaciada pelo escritor de nome e renome José Lins do Rego. 

Escritor José Lins do Rego

Eu já o li, e é um excelente trabalho, presente que recebi do professor Pereira lá da cidade de Cajazeiras, no Estado da Paraíba. 

Adquira-o o quanto antes através deste e-mail: 

franpelima@bol.com.br

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UM RARO REGISTRO DAS MINHAS PASSAGENS PELO ARARIPE EM EM EXU PERNAMBUCO...

Por Guilherme Machado
Esta fotografia foi tirada em 1989 meses depois da morte do rei do Baião Luiz Gonzaga.

Um raro registro das minhas passagens pelo Araripe em Exu Pernambuco. Na fazenda dos Alencar onde o pai de Luiz Gonzaga morou como arrendador. 

Luiz Gonzaga com o pai seu Januário, e os irmãos, Maria Ifigênia e Aloísio.

O caboclo ao meu lado (acima) é o velho João Praxedes vaqueiro de Luiz Gonzaga! Foi o velho Praxedes que ajudou Luiz Gonzaga a fugir para o Crato CE., depois de levar uma surra da dona Santana sua mãe. 

Luiz tinha jurado um fazendeiro de morte... Eu fiquei arrepiado com os causos contado a mim pelo velho vaqueiro Praxedes. 

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1508504322586821&set=a.420488464721751.1073741899.100002818033461&type=3&theater


POR DJ IVAN

*Texto enviado pelo Léo Rugero

A sanfona de oito baixos é um dos instrumentos matriciais do forró, sendo o instrumento que marca a infância de Luiz Gonzaga e a fundamentação do estilo da sanfona nordestina.

De acordo com o musicólogo paraibano Batista Siqueira, a sanfona de oito baixos teria substituído a viola de arame, se tornando o principal instrumento solista nos bailes rurais da região Nordeste na virada do Séc.XX.

Nesta região, este pequeno acordeon de origem vienense, composto por vinte e um botões para a mão direita e oito botões para a mão esquerda, seria mais conhecido como “harmônica de oito baixos”, “fole de oito baixos”, “pé de bode”, “concertina” ou, simplesmente, “ fole”.

De acordo com Luiz Gonzaga, seu pai, Januário, “tinha duas habilidades, pegava no bacamarte e tocava sanfona, para divertir a cabroeira nos dias de sábado e domingo”. Conseqüentemente, também foi o primeiro instrumento do rei do baião. Em 1920, quando contava com apenas oito anos de idade, Gonzaga adquiriu sua primeira sanfona, um fole de oito baixos da marca alemã Koch. Portanto, embora este instrumento tenha se difundido por toda a região Nordeste, foi mais precisamente na Fazenda Caiçara, no sopé da Serra do Araripe, em Pernambuco, que o fole de oito baixos entraria definitivamente para a história da música nordestina.

O velho Januário, não era apenas um afamado sanfoneiro, também sendo reconhecido como um requisitado afinador de sanfonas. Então, durante sua infância e adolescência, o menino Gonzaga cresceu entre os pequenos foles de oito baixos e seus intrincados sistemas de botões. Luiz Gonzaga descreve em suas memórias que se “aproveitava das velhas harmônicas” que seu pai consertava, e, aos poucos, já era capaz de tocar “qualquer marca, qualquer tipo, fosse simples, si bemol ou semitonada”.

Naquela época, no Nordeste, ainda não haviam se difundido os modernos acordeões com teclados de piano para a mão direita e 120 baixos para a mão esquerda, que se tornariam o instrumento principal do forró pé de serra, sobretudo a partir da consagração fonográfica e radiofônica de Luiz Gonzaga, anos mais tarde, no final da década de 1940.

“Si bemol” ou “transportada” é a designação popular para a afinação específica que se consagraria como a maneira nordestina de afinar as sanfonas de oito baixos. Até hoje, a origem deste sistema é algo que se perde na noite dos tempos. Examinando sanfonas remanescentes da época de Januário, foi possível constatar que esta afinação já estava presente na região Nordeste ainda nas primeiras décadas do séc. XX, como atesta a história oral relatada por Luiz Gonzaga.

O repertório tradicional da sanfona de oito baixos da região Nordeste se constituiria basicamente de música predominantemente instrumental relacionada às danças praticadas nos bailes rurais nos albores do séc.XX. Parte considerável destas danças eram de origem européia, tal como a scottish – que se transformaria em xote, e a quadrilha – que se tornaria o arrasta-pé. Porém, também surgiriam danças de possível origem autóctone, como o xaxado e o baião – este último, presenciado por Euclides da Cunha em seu relato sobre a Guerra de Canudos, no final do séc.XIX. O poeta e jornalista Bráulio Tavares reforça esta perspectiva, ressaltando que os “forrós sertanejos eram animados quase sempre por música instrumental.(…) Além dos temas instrumentais, também surgia um grande número de canções folclóricas, que estavam na memória de todos, e eram cantadas em conjunto”.

Para muitos, o repertório de sanfona de oito baixos corresponde ao que há de mais antigo e tradicional no baile nordestino. Provavelmente, esta crença reforça a impressão de que a sanfona de oito baixos esteja constantemente associada ao passado rural e arcaico, ainda que se considere que tenha substituído instrumentos predecessores como a viola, o pife e a rabeca.

Em 2012, por intermédio do Prêmio Centenário de Luiz Gonzaga da FUNARTE, pude realizar um sonho, que foi a filmagem de um documentário de media metragem sobre a sanfona de oito baixos na região Nordeste. A ideia deste filme era refazer o percurso de minha pesquisa de campo que havia permeado a dissertação de mestrado intitulada “Com Respeito aos Oito Baixos”, realizada na Escola de Música da UFRJ, entre 2009 e 2011.

Através do incentivo da FUNARTE, pude, ao lado de dois cinegrafistas – Débora Setenta e Marcílio Costa, um assistente de câmera – André Fontes e um motorista – Silvério Candido, retornar à Paraíba, Ceará e Pernambuco, em alguns dos principais cenários por onde a sanfona de oito baixos continua a ser tocada e reinventada, através das mãos de hábeis tocadores. No filme, se destacam as participações de Joquinha Gonzaga, representando a dinastia da família Gonzaga; de Nego do Mestre, sábio conhecer do passado musical da região Nordeste; de Zé Calixto, Luizinho Calixto, Geraldo Correia e Arulindo dos Oito Baixos, importantes sanfoneiros reconhecidos por suas atividades profissionais como grandes solistas deste difícil instrumento; de jovens tocadores como Antonio da Mutuca e Ivison Santos, prova viva de que o “roncado” dos oito baixos ainda ressoam forte no solo nordestino.

Para mim, o maior trunfo deste projeto foi ter sido realizado o lançamento oficial deste documentário na Praça da Matriz, em Exu, cidade natal de Luiz Gonzaga, no dia 12 de junho de 2013, graças a Lello Santana e Helenilda Moreira. Foi como retornar ao solo sagrado, “de onde veio o baião” e levar a história ao caminho de volta para o cenário de onde surgiu aquele ser iluminado chamado Luiz Gonzaga do Nascimento, que, caso não tivesse existido, provavelmente, não estaríamos dançando, cantando, tocando, escrevendo e falando sobre forró, tal como fazemos hoje em dia no Brasil.

Assim, “Com Respeito aos Oito Baixos” é uma viagem ao âmago, ao cerne que sustenta e fundamenta os primórdios da sanfona na região Nordeste.
2 Comentários
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Postado março 20, 2015 at 4:28 PM
Muito bom o texto enviado pelo Léo Rugero, inclusive chamando a atenção para o fato de alguns sanfoneiros de oito baixos serem também afinadores do instrumento, como o citado Zé Calixto e o saudoso Arlindo, este considerado um dos melhores afinadores.

Aliás, o Léo merece de todos nós, amantes da Música Nordestina, as mais sinceras congratulações pelo bonito documentário acerca do instrumento, como também pela dissertação de mestrado versando sobre o tema.


Em meu caso, foi o documentário do Léo, através do depoimento de um sanfoneiro, que chamou minha atenção para a dificuldade técnica na execução do “pé de bode”. Confesso que sequer calculava que, apertada uma tecla, se o fole estiver aberto, a nota é uma e, se fechado, na mesma tecla, a nota é outra.


Tudo isso prova o talento dos nossos sanfoneiros, muitas das vezes a nível de virtuoses do instrumento.

http://www.forroemvinil.com/texto-com-respeito-aos-oito-baixos/

http://blogdomendesemendes.blogspot.com