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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

LAMPIÃO NA FAZENDA CANHOBA

O ainda jovem guerreiro da caatinga do Nordeste Lampião

No início do ano de 1938, Lampião foi descansar na fazenda Canhoba, município de Poço Redondo, no estado de Sergipe, fazenda de Antônio Carvalho, pai do governador de Sergipe, Eronides de Carvalho. 

Casa da Fazenda Canhoba

Todos que estavam presentes perceberam que Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião estava "acabado, só os ossos de tão magro", e com envelhecimento precoce.

Eronides de Carvalho, Antonio Carvalho, esta última pertence ao acervo do pesquisador do cangaço Kiko Monteiro

Antonio de Carvalho conhecido como Antonio Caixeiro era pai do ex-governador do Estado de Sergipe Eronides de Carvalho.

ADENDO

ERONIDES DE CARVALHO

UM GOVERNO VOLTADO PARA A SAÚDE PÚBLICA !

Prof. Milton Barboza da Silva
 Conferência Apresentada no Conselho Estadual de Cultura, por ocasião do Centenário de nascimento de Eronides de Carvalho (1897-1997)  Abril de 1997.

O centenário do nascimento de Eronides Ferreira de Carvalho, (1997) cuja passagem pelo cenário político sergipano registramos de 1935 à 1941, abre-nos a possibilidade para uma reflexão acerca da atuação do sujeito na história, em seu espaço social, econômico e político. Por isso, acreditamos ser essa uma oportunidade singular para trazermos algumas análises sobre o político Eronides de Carvalho; sobre a conjuntura de seu tempo, à qual esteve sintonizado, e, por vezes, perfeitamente ajustado, e as implicações de sua atuação nos períodos subsequentes.


Faz-se necessário ressaltar que a maior dificuldade de se abordar a temática que nos foi proposta, deve-se ao fato de que o período de 1930 à 1945, se pôr um lado, é farto de documentação e pleno de uma bibliografia no cenário nacional, por outro, permanece um período pouco estudado no âmbito estadual, como de resto, a história política sergipana é ainda uma seara a ser explorada, podendo render boas colheitas, haja vista a farta documentação existente em acervos públicos ou privados, a espera de estudos e análises pautados em uma abordagem criteriosa, científica e, por isso mesmo, isenta de um emocionalismo estéril.

Assim, valemo-nos de fontes secundárias como os trabalhos do prof. Ibarê Dantas e da prof. Terezinha Oliva, entre outros, que se constituem em referências indispensáveis a quem pretende entender esse rico momento da história sergipana. Ressalto ainda que, concernente aos dados biográficos que pontuam aqui e ali nossa exposição, foram coletados, sobretudo, no Dicionário Bio-Bibliográfico de Armindo Guaraná. Quero deixar registrado os meus agradecimentos à profª Tânia Prado, pesquisadora do APES, que tendo realizado uma pesquisa, ainda inédita, sobre o Dr. Eronides de Carvalho, prestou-me valiosas informações sobre parte da vida do Interventor que me eram desconhecidas.

Eronides Ferreira de Carvalho nasceu em Canhoba a 25 de abril de 1897, filho de próspero fazendeiro da região, vai para Maceió, onde realiza seus estudos primário no Colégio 11 de Janeiro. Em seguida, transfere-se para o Liceu Alagoano, concluindo os estudos secundário em 1910. Entra na Faculdade de Medicina da Bahia, em 1911 e lhe é conferido o grau de doutor em 20.12.1917, com a tese “Do Ópio em Therapêuta Mental” ( 18.12.1917).

Ainda enquanto estudante foi auxiliar do Laboratório da Cadeira de Therapêutica; Diretor da Beneficência Acadêmica e membro da Sociedade Médica da Bahia, já formado. Foi nomeado interinamente, em 1918, diretor geral de higiene e saúde pública do Estado; dirigiu os serviços de profilaxia durante o período de pandemia da gripe; foi diretor interino do Posto de Assistência Pública do Estado. Em 28 de fevereiro de 1920 foi nomeado Inspetor Médico Escolar. No ano seguinte era nomeado por portaria do Ministério da Agricultura, veterinário do corpo de veterinários do serviço da indústria pastoril. Aprovado em concurso para o corpo de saúde do Exército, foi nomeado segundo tenente por decreto de 23 de fevereiro de 1923, indo servir no 10º Regimento de Cavalaria Independente na Cidade de Bela Vista no Mato Grosso e em abril do mesmo ano foi transferido para o 28º B.C., estacionado em Aracaju. Onde, então, começa suas atividades, inicialmente como oficial-médico, em seguida, como político. A compreensão do período em que Eronides de Carvalho esteve no poder, 1935 à 1941, passa necessariamente, pôr uma abordagem da estrutura de sustentação econômica e social do sistema republicano, tica pautada num conservadorismo, sob as benção de um liberalismo periférico.

A República, apesar de toda a propaganda deflagrada antes, durante e após a sua implantação, era nova apenas no plano jurídico/constitucional, pois, estruturalmente falando, o “novo” regime não significou uma transformação profunda das hostes econômica, política e social do Brasil, conservando um modelo que vinha do sistema anterior e que, mal ou bem, ajusta-se à nova ordem política, especialmente se olharmos do ponto de vista das massas e, sobretudo das massas camponesas ou rurais. Um dos arautos da nova ordem, o Presidente Campos Sales dizia:

“ O verdadeiro público que forma a opinião e imprime direção ao sentimento nacional é o que está nos Estados. É de lá que se governa a República pôr cima das multidões que tumultuam, agitadas, nas ruas da Capital da União” .

Do ponto de vista econômico, somente com uma abordagem temporal mais ampla é que conseguimos enxergar as mudanças que vão se operando no nível das estruturas produtivas do país, mas só sentidas, pôr certo, a partir dos anos 30, razão pela qual aludi anteriormente sobre a necessidade de se compreender o período que antecede ao governo de Eronides de Carvalho. Deste modo, o setor dominante na Primeira República, vai optar por um modelo arcaizante de Estado, mas que dará sustentação econômica e política aos grupos que se revezarão no poder da República: trata-se do sistema oligárquico que se apoiava no coronelismo, que, ao contrário do que muita gente imagina, ao chamá-lo de provinciano, tinha um pé no passado, marcado pela herança da oligarquia açucareira dos senhores de engenho, e o outro pé colocado em cima do mercado estrangeiro. Constatar isso, é constatar um paradoxo, digo, se era necessário à manutenção do poder, internamente, que se conservassem as estruturas ultrapassadas de dominação, por outro lado, para corresponder à dinâmica do mercado internacional, cobrava-se uma modernização do Estado Nacional. Como aliás, percebeu Terezinha Oliva:

“A análise do caso de Sergipe é bem ilustrativo desta colocação. Estado periférico não apenas no contexto nacional, mas regional, tem Sergipe especificidades muito próprias. Com uma economia basicamente dependente da exportação açucareira, responsável por 2/3 da receita estadual e lutando com dificuldades crescentes para colocar sua produção no mercado, Sergipe vai sentir, como poucos, o ônus da sua transformação em Estado federado, no quadro do avanço da acumulação capitalista e do processo de constituição do mercado nacional”.

Sob essa ótica, o período que estende de 1930 a 1945, e que, em Sergipe, vai alcançar o governo de Eronides de Carvalho (1935-1941), terá que conviver com esse paradoxo. De um lado, o patriarcado rural, preso as suas raízes históricas de um passado não muito distante; de outro, a tendência nacional vigente de modernização do aparelho do Estado para se ajustar à nova ordem internacional.

Essa situação, aparentemente paradoxal, permite-nos apontar aquela que é uma sutil, porém importante característica do sistema oligárquico: a sua independência em relação ao poder central. Nesse aspecto, a “política dos governadores” é a consagração deste princípio de independência das oligarquias frente ao poder da União. Mas a força das oligarquias dependia não só dessa independência em relação ao poder central (é preciso entender essa independência nos limites das boas relações), mas sobretudo da hegemonia que certos grupos conseguiram manter, por estarem ligados as atividades econômicas de peso, sobre grupos concorrentes. A centralização desse poder dependia “do controle exercido sobre os grandes coronéis municipais, condutores da massa eleitoral incapacitada e impotente para participar do processo político que lhes fora aberto com o regime representativo imposto pela Constituição de 1891 (Campelo de Souza: 1973) .

Portanto, a estabilidade oligárquica era, em última instância, questão circunscrita ao âmbito e natureza do coronelismo estadual. E essa natureza não é unívoca, quando cito Campelo de Souza, não estou querendo reforçar tal concepção de que o controle do voto explicaria o fenômeno do coronelismo. Mas acredito que essa problemática já foi suficientemente esclarecida- ao menos para mim- pelo professor Ibarê Dantas, quando lucidamente coloca:

“Se num primeiro período o coronelismo se fundamenta no controle das massas e na legitimação da sociedade política, a partir da força de sua milícia particular, num segundo momento, quando sua força coercitiva se torna desgastada, passa a explorar seu prestígio construído através de uma tradição de mando. Somente numa terceira fase o voto passa a ter papel primordial dentro do coronelismo”.

Corroborando com essa tese de Ibarê é que inserimos o caso específico do Dr. Eronides de Carvalho, pois a ausência dessa terceira fase, a do voto, em todo o seu mandato, não desconfigura a estrutura de dominação tradicional que servia de sustentação, embora nem sempre evidente, ao sistema da administração estadual do dr. Eronides. Parece evidente que não podemos classificar essa estrutura de sustentação nos mesmos moldes da oligarquias tradicionais no Estado, como a de Olympio Campos, mas em sua nova fase teremos o destaque dos dois pressupostos da tese do professor Ibarê Dantas.

É fundamental, portanto, para uma compreensão da dinâmica das oligarquias que se entenda a correlação de forças que se manifesta nas relações de classe que determinam toda a dinâmica do sistema. Essa correlação se dá no âmbito do fenômeno do sistema político do coronelismo.

A estréia do capitão Eronides Ferreira de Carvalho no cenário governamental, constituído governador em eleição na Assembléia Legislativa em 02.04.35, inaugura uma fase de orientação política contrária à orientação do grupo liderado por Maynard. Aparentemente, tratava-se de uma disputa entre duas lideranças que pretendiam se afirmar no comando político do Estado, mas só aparentemente, pois quando vamos na profundidade da questão, percebemos que a disputa é entre setores tadicionais da economia açucareira e algodoeira do Estado.

Legalista, Eronides De Carvalho não toma assento ao lado dos tenentes, cujo movimento ganhava corpo a nível nacional e, em Sergipe, já se insinuava no Quartel do 28º Batalhão de Caçadores “ (..) mas não sensibilizava o jovem oficial médico que permanece fieal às forças legais durante as revoltas de 1924 e 1926 e por toda a década de vinte”, afirma Dantas.

Seu apego à ordem e a sua sintonia com as forças detentoras do poder ( os revolucionários de 30), fato este atestado pela sua passagem, ainda que efêmera pelo Governo Provisório, pós Revolução, só é contrastada com a disputa que vai se iniciar entre o capitão Eronides de Carvalho e o Interventor Maynard (1930-1935). Durante essa Interventoria, Eronides de Carvalho se recolhe ao 28º BC, mas não é um recolhimento “obsequioso”, ao contrário, de dentro do quartel, o cap. aglutina em torno de si uma corrente de descontentes com o governo de Maynard, ao tempo em que vai se impondo como solução para a crise que enxergava existir dentro das hostes da interventoria de Maynard. Afirmava-se, assim, como uma liderança política viável.

Mas, obviamente, o projeto do capitão Eronides de Carvalho ia para além da reação aquartelada - creio mesmo que ele não cogitou da possibilidade do uso da força militar contra Maynard, apesar de seu prestígio ser grande no quartel. Seu projeto era mais ambicioso e exigia menos truculência, sendo um projeto cabível numa ordem legal, volta-se para a organização que a sociedade civil, em profundas transformações pós-30, lhe permitia: a conjunção de suas idéias em torno de uma agremiação política. Assim, participa da fundação da União Republicana de Sergipe ( URS). Essa agremiação aglutinava, em torno, os usineiros, representantes do setor açucareiro que, descontentes com a orientação política vigente, tinha na figura do coronel Gonçalo Rollemberg do Prado, seu mais destacado representante. Eronides de Carvalho, de início não era o nome aglutinador das expectativas e dos interesses do setor dominante, mas as suas raízes e suas manifestações o credenciaram a tanto, conforme Ibarê Dantas, “ o terceiro nome [ da agremiação] era justamente Eronides de Carvalho com influência na área rural, inclusive através do pai, o coronel Antônio Ferreira de Carvalho, próspero fazendeiro” . A Eleição do Dr. Eronides de Carvalho para o governo do Estado, pela Assembléia Legislativa (16 x 14), numa votação apertada, deveu-se a habilidade de Godofredo Diniz ( ligado a Júlio Leite e Secretário Geral da União Republicana de Sergipe), que através de uma costura política bem feita, conseguiu unir a URS com o PSD, grupo que seguia a orientação de Leandro Maciel, para que fosse apresentado um candidato único. Embora tenha sido derrotado na eleição para a Constituinte (03.05.33), ficando como suplente, estavam lançadas as bases para a sua eleição dois anos depois ao governo do Estado.

Foi o governo de Eronides de Carvalho, sem dúvidas, um governo de desestabilização do domínio de Maynard,

“Como se as represálias contra os correligionários de Maynard não bastassem, o governo Eronides de Carvalho investiu contra seus decretos, tornando sem efeito cerca de metade deles” .

Como era de se supor, houve uma apropriação do aparelho do Estado por parte do novo grupo que assumia o poder, sendo os cargos divididos entre os partidários das duas agremiações citadas. Era o retorno do domínio ruralista. No entanto, é complicado afirmar que  o patronato rural estivesse fora do processo político durante o período anterior a 35, vamos considerar apenas que não havia uma interferência ostensiva nos cargos e na máquina do Estado.

Contudo, o governo Eronides foi além, não bastava desarticular a atuação do Partido Republicano de Sergipe, sigla onde se abrigava Maynard, era necessário investir sobre a ação da classe trabalhadora que à época, manifestava-se com certa desenvoltura, sob orientação do Partido Comunista e, no mínimo, com a simpatia de Maynard - que de certo não era comunista-, mas estimulava o movimento operário. A composição do governo Eronides ( com uma sustentação marcadamente conservadora), provocaria uma decepção para as lideranças operárias que assistem inconformada a nomeação do corpo auxiliar do cap. Eronides de Carvalho de membros simpatizantes da Ação Integralista Brasileira, como é o caso do Chefe de Polícia Abelardo Cardoso.

Foi, sem dúvida, um governo forte, o do dr. Eronides de Carvalho. Mas a despeito dessa sustentação, não conseguiu manter uma hegemonia política. Em parte, apontamos como causa dessa dificuldade de hegemonia, os problemas que os senhores do açúcar encontraram para fazer valer seu domínio; em parte, atribuimos a uma oposição acirrada que o governo enfrentaria dos três partidos de oposição, principalmente do PRS e do PSP( Partido Social Progressista), que embora não tendo muita coesão entre sí, mas formavam um coro com o movimento dos trabalhadores urbanos. As críticas ao governo vinham de diversas frentes: dos tribunais de representação, da imprensa e do movimento operário. Com esse cenário, tinha Eronides de Carvalho um espaço diminuto de atuação, mas que era ampliado se pensarmos nas relações do governo estadual com o governo Federal.

Assim, torna-se imprescindível olharmos para a Intentona Comunista como um movimento inserido do contexto do comunismo internacional, mas que se diminuirmos o foco para as realidades estaduais, centralizando na paisagem sergipana, vamos enxergar que esse episódio de 1935, terminará por aliviar o estado de pressão, digo distensionar a pressão do governo de Eronides de Carvalho. No tocante a Intentona Comunista,

“Em Sergipe, o governo [ Eronides de Carvalho] que, desde julho de 1935, havia denunciado a Vargas a existência de agitação comunista, tendo como centro a “liga antifascista” e “antiguerreira”, ao tempo em que recomenda ‘enérgica repressão’ “. 

Percebe-se, portanto, que o governo não perde tempo de, pôr um lado, sintonizar-se com o endurecimento do regime no âmbito Federal e, pôr outro, livrar-se do foco de pressão imposta ao seu governo: reprime a imprensa, demite acessores ligados ao governo anterior e transfere civis e militares que lhes são incômodos. Naturalmente que Eronides de Carvalho não perdeu tempo em associar essas pessoas com a figura do Major Maynard e aproveitou a oportunidade para associar o major às “ idéias extremistas”, fazendo um relato completo ao Presidente Getúlio Vargas da atuação dos adversários aqui no Estado. Assim, satisfeito com a sua obra, escreve:

“tomadas essas providências, que reputo indispensáveis, posso garantir a V. Excia. que Sergipe nenhum motivo dará para preocupar o espírito do eminente Sr. Presidente da República no que tange à defesa da ordem” .

Até 1937, a situação do governo Eronides de Carvalho, em que pese os ventos estarem soprando ao seu favor no plano nacional, sua situação é de um incômodo generalizado com todas as medidas coercitivas, a oposição silenciada e a Assembléia Legislativa fechada, tudo lhe parecia favorável, mas era preciso construir uma imagem de um governo operoso e ordeiro. Desse modo, a manutenção do controle da máquina do Estado e da própria situação política, exigia que o cap. Eronides atuasse em duas frentes: continuar desmobilizando as forças oposicionistas (condição que os poderes constitucionais do Estado Novo lhes permitia), por um lado; por outro, intensificar a propaganda anticomunista, elevando à categoria de suspeita todas as ações de seus opositores.

Esta direção que toma o governo Eronides de Carvalho, como lembra o prof. Ibarê Dantas, “provinha do Poder Central”, mas de difícil assimilação pelos Estados, principalmente um Estado com as características rurais como Sergipe. Ademais, Eronides vai tentando como pode eliminar todos os focos de oposição ao seu governo, principalmente, quando ligado ao Major Augusto Maynard Gomes, cuja única possibilidade de fazer frente ao governo seria no comando do 28º BC, mas Eronides conseguiu impedir sua nomeação, pelo menos, conseguiu adiar quando ela já era tida como certa. Muito embora o grupo de Maynard, quer seja através da imprensa, quer na Assembléia Legislativa enquanto ainda funcionava, fazia bastante barulho ao ponto de seus ecos serem ouvidos no Rio de Janeiro. O PSD, através de sua liderança o Senador Leandro Maciel, foi a oposição que mais conseguiu desestabilizar o governo de Eronides. Os pronunciamentos de Leandro Maciel conseguem acertar bem no alvo do governo, causando alguns estragos a unidade do grupo governista, além disso Leandro fazia dobradinha com o deputado Melchisedeck Monte, tirando o sono dos correligionários do governo. A esse quadro, seguiu-se uma onda de prisões de líderes políticos e jornalistas e enquadramento na Lei de Segurança Nacional era uma constante, em que pese ter havido um acordo a nível nacional entre o PSD e o governo Federal, mas no âmbito do Estado os dois grupos ainda se rivalizavam. O clima era de terror, mas o Jornal O Estado de Sergipe, deixou registrado para a posteridade:

“Sergipe nunca viveu mais tranquilo, mais calmo do que neste momento. O governador vai administrando com visão superior, distribuindo justiça equidosamente”.

A situação do governo estava tão tranquila que as oposições estavam trabalhando com a possibilidade do impeachment do governador, que foi salvo pelo Golpe de 1937. Bem, assim e só assim, consolidou-se a dominação da facção açucareira ao aparelho de Estado, enquanto era empurrado para adiante os problemas sociais, sobretudo os da classe trabalhadora.

O Golpe de 1937 assinala nos Estados membros da Federação, cujas características se assemelham ao de Sergipe, um período de instabilidade e de suspensão de direitos e garantias do cidadão. De 1937 à 1945, Sergipe teve três interventores: Eronides de Carvalho (37 à 41), o cap. Milton Azevedo até 1942 e a volta de Maynard até 1945.

A identificação de Eronides de Carvalho com o Estado Novo foi tão perfeita que, em mais de uma vez, fez questão de deixar seu ardor para com o regime público e notório:

“quero consignar minha perfeita identidade com o Estado Novo criado na carta de 10 de novembro que V. Excia. houve por bem outorgar ao Brasil” (...) “ estou pronto a obedecer disciplinarmente as ordens que V. Excia. determina como chefe Nacional do partido da União que será uma instituição fundamental do Estado Forte criado pelo insígne Presidente”

É claro que o governador, agora Interventor, estava feliz com o golpe, afinal este havia removido de seu caminho os empecilhos que representavam os oposicionistas e setores organizados da sociedade. No entanto, Eronides não consegue evitar os arranhões em suas relações com Governo Federal, sobremodo no episódio de que ele teria avisado ao Juracy Magalhães do Golpe, posteriormente negado pelo próprio Eronides, mas com certeza explorado pelo seu arquirival Augusto Maynard.

Tendo seus poderes aumentados pela constituição Outorgada, Eronides de Carvalho procede a uma verdadeira “limpeza” nos setores administrativos, inclusive nomeando prefeitos (25), aposentando ou reformando seus desafetos e trazendo de volta ao cenário político o grupo do patriarcado rural que, na verdade, nunca saíram do controle econômico. Com a sociedade civil sob controle e suas organizações desestabilizadas, não lhe restava mais nada para fazer senão tocar o trivial do dia-a-dia administrativo e se dedicar de corpo e alma a propaganda doutrinária cujo programa vinha pronto, aos pacotes, do Governo Central. Seu engajamento nesta campanha de doutrinação nacional foi tão eficiente que recebeu elogios nacionais e fora recomendado como exemplo.

Diz, o prof. Ibarê Dantas: “Sergipe nunca assistiu a tanta exploração de civismo como no Estado Novo. No mês de abril então era um verdadeiro festival; no dia 2, comemorava-se o aniversário da administração do interventor, em seguida era lembrada a posse do prefeito, no dia 19 a data natalícia do Presidente da República, quando também se comemorava o dia da juventude e, no dia 25, o aniversário do Interventor (...) Como se esses dias fossem insuficientes, criou-se de 27 de março a 1º de abril a chamada Semana Eronides de Carvalho (...)” .
Ainda que reconheçamos que o período do Estado Novo, alcançou Sergipe em acentuada queda em alguns setores produtivos, como o declínio da produção algodoeira, e uma acentuada crise no setor açucareiro, os cofres do Estado aumentam sua arrecadação em função da reforma tributária levada a efeito pelo governo da União. Com essa margem de capitalização do Estado o Interventor realiza algumas obras, sobretudo na área da saúde: um centro de saúde ( Palácio Serigy), Hospital Infantil, casa para psicopatas e centro para menores delinquentes. Na área cultural, reformou a Biblioteca Pública, construiu algumas escolas e ampliou a rede de estradas e outras obras menores sem os vultos dessas mencionadas.

Sua entrada no circuito nacional. pela propaganda getulista, faz com que lentamente, Eronides de Carvalho vá se afastando da base rural de sustentação de seu governo desde os primeiros momentos nos idos de 1935, ajustando-se a uma administração mais voltada para o cenário de propaganda doutrinária do que das tendências interiorana. Assim, o setor açucareiro teve que sair das usinas e ir brigar junto ao IAA pelas suas reivindicações, reflexo da crise que vivenciavam. Mas, nem por isso representou um racha das relações entre Eronides e seus correligionários, ao contrário, em alguns momentos até favoreceu a aproximação com grupos de produtores rurais que antes lhes fazia oposição.

Ao nível das lutas sociais, o quadro da classe trabalhadora, enquanto movimento operário não mudou muito. A desconfiança era mútua. A figura do Interventor estava associada à repressão e o movimento dos trabalhadores aos comunistas. Mas Eronides procura modificar esse cenário: cooptando algumas lideranças sindicais, bem ao gosto da prática getulista, comparecendo em cerimônias dos trabalhadores ao lado dos líderes sindicais e convidando estes a aparecerem em cerimônias oficiais, passando uma imagem à opnião pública de uma convivência pacífica. No terreno da imprensa, destacamos o Correio de Aracaju e o Sergipe Jornal que sobreviveram com uma relativa autonomia em relação ao governo do Interventou, apesar da rigorosa censura.

No entanto, mesmo com tudo a seu favor, Eronides de Carvalho inicia seu fastígio e declínio junto ao governo central. As denúncias chegavam diretamente ao Presidente da República, expediente comum e que era estimulado nos Estados, que não raro interpelava o interventou sobre a procedência destas. Maynard e seu grupo não exitavam em lançar mão desse expediente, assim haviam denúncias de compra de fazendas; fornecimento de gado de modo irregular aos matadouros; utilização de terrenos públicos para permanência de gado da família do Interventou e outras denúncias similares. O próprio Maynard fez chegar ao conhecimento do Governo Federal irregularidades, tais como: a participação da polícia em jogo no Estado, o desvio de dinheiro depositado no Banco do Brasil, venda clandestina de algodão, etc.

Face a essas acusações, o Presidente da República forma uma comissão para investigar a veracidade dos fatos e Dr. Carlos Mário Faveret é indicado como presidente da mesma. Em Sergipe, Carlos Faveret ouve várias personalidades, registrando em seu relatório a veracidade de muitas acusações. Apesar de Eronides de Carvalho ter tentado impedir os trabalhos dessa comissão, Vargas não estava mais disposto a tolerar a improbidade de alguns de seus auxiliares e de nada valeu a intervenção do General Góis Monteiro, padrinho e protetor de Eronides de Carvalho, para mantê-lo no Poder.

Finalmente, em 1941, março precisamente, o cap. Eronides de Carvalho vai ao Rio de Janeiro em busca de uma audiência com Getúlio Vargas, porém, sem sucesso, lá permanece até os fins de maio, sem, contudo, ser recebido pelo Presidente da República. Ali mesmo escreve uma carta ao Presidente colocando seu mandato à disposição e se dizendo “na paz da consciência e na tranqüilidade de espírito de haver servido a V. Excia. com lealdade (...)”. Vargas, responde-lhe em cartas datada do mês de junho do mesmo ano, dizendo-se de seu apreço pelo “patriótico desprendimento que evidenciam da sua parte, depois de haver prestado a Sergipe e ao seu Governo meritório e reais serviços”. Com a renúncia do Dr. Eronides de Carvalho, estava consumada a sua queda.

O cap. Milton Azevedo assume, em um mandato tampão, até o retorno do major Augusto Maynard Gomes.

Após a renúncia em 1941, fixa residência no Rio de Janeiro. Foi nomeado para Juíz do Tribunal de Segurança Nacional e, em 1944, é nomeado Tabelião do 14º Ofício de Notas e Notas do Rio de Janeiro. Morre em 18 de março de 1969.

Fonte: facebook

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PROFESSOR MANOEL ASSIS - 06 DE AGOSTO DE 2015

Por Geraldo Maia do Nascimento

Era natural do antigo município de Santana do Matos, hoje pertencente a Ipanguaçu. Nasceu a 01 de julho de 1883, sendo filho de Francisco Assis Cabral e dona Joaquina Maria da Conceição. Chegou a Mossoró em 31 de dezembro de 1919, “tornando-se mossoroenses através de 50 anos de vivência útil a terra e a sua gente”, segundo as palavras de Raimundo Soares de Brito. Foi professor do Ginásio Santa Luzia, ensinou particularmente em sua residência e nas próprias residências de alunos; lecionou ainda nas cidades de Assú, Jucurutu, Ipanguaçú e Mossoró na Liga Operária, na União de Artistas, no Centro de Artistas. Foi orador do Centro Sportivo e Presidente da citada agremiação e foi também orador e presidente do Sport Club de Mossoró. Colaborou na Revista “Palavras Cruzadas”; nos jornais “O Nordeste” e em “O Mossoroense”. 


Casou-se com Maria Tibúrcia da Câmara Assis, com quem teve 11 filhos.
               
O escritor Walter Wanderlei, que era seu amigo, assim o descreveu:
                
“... Vejo-o, assim, nesta ressurreição pela saudade, amigo de todos, bonachão, fumando o seu cachimbo sarrento, deitado na sua espreguiçadeira, mestre das palavras cruzadas, fazendo versos, adorando acrósticos, charadista, professor de tantas gerações, homem de letras. 

               
Fomos amigos. E entre nós existia algo de afinidade que fazia com que nossos encontros fossem marcados pelo sinete de uma amizade sincera, a despeito mesmo da distância da faixa etária em que nos achávamos situados. E isso é o que ele procurava me explicar em carta que me fez no ano de 1964; na qual dizia a certa altura: “... Entretanto, às vezes a gente vê pela primeira vez um indivíduo e sente nascer em nossa alma uma amizade e uma confiança recíproca tão positiva e completa, tão sincera, como se já fôssemos velhos conhecidos. Este fenômeno eu notei entre nós, desde o momento em que tive a oportunidade de conhecê-lo...”.
               
O Boletim do C.N.R, em que escreveu Raimundo Nonato, sobre o nosso homenageado, destacamos alguns trechos, que vão inseridos nesta pesquisa:
               
“Manuel Assis é um retrato na vida de Mossoró, que marca a intensidade de uma geração, talvez de várias gerações. É um idealista, quase utópico. Um sonhador. Amante das letras e da presença dos seus amigos. Jornalista da velha-guarda, que vendia nas ruas do Açu o “jornaleco domingueiro” para ganhar o pão da semana, amargo e ingrato pão, que nem ao menos era o de cada dia.
               
Homem simples e bom, interiorano, nascido na bacia das águas que se espraiam na gleba da ribeira do Açu, do Piranhas mais remoto. Representa, no seu mundo, o milagre da libertação do autodidata. Um milagre luminoso, que os deuses arrancaram das trevas, onde tudo era o nada. Portador de uma cultura invulgar. Dono de uma memória que fazia inveja àquele grego miraculoso, que a certa época sabia pelos nomes, todos os habitantes de Atenas.
               
Mais do que tudo, no entanto, um grande sertanejo, um espírito banhado pelo entusiasmo da brasilidade, que sonha o magnífico Brasil.
               
Enfim, Manuel Assis é um homem que sabe viver a vida.
               
Ainda agora, vivendo seus 84 janeiros, diz, risonho, para o tempo: - Quando eu ficar velho, vou escrever minhas memórias.
               
Um adorável filósofo.”
               
O professor Manuel Assis faleceu em Mossoró a 24 de julho de 1969. Mossoró o homenageou emprestando o seu nome a uma artéria da cidade e como patrono de uma escola municipal. 

Geraldo Maia do Nascimento

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Fazenda Picos e a Prisão de Inacinha no Cariri Cangaço Piranhas 2015


Logo cedo da manha a Caravana Cariri Cangaço parte do centro histórico de Piranhas no terceiro dia de evento, rumo a uma das trilhas mais sangrentas do cangaço. Destino: Fazendas, Picos , Pau de Arara e Cachoeirinha, locais da prisão de Inacinha e depois da saga sangrenta do cangaceiro Gato rumo a Piranhas. Novamente cerca de 200 confrades, entre pesquisadores, escritores, alunos e professores, participaram da jornada que teve seu primeiro momento na fazenda Picos.

A fazenda Picos, hoje pertencente ao Dr. Jorge Forte, nos recebeu em grande estilo. A sinalização histórica e o acesso a todos os cenários do marcante episódio do cerco da volante do tenente João Bezerra ao grupo de Gato, providenciados pela municipalidade de Piranhas, tendo a frente as secretarias de Cultura e Turismo com Patricia Brasil Rodrigues e Agricultura com João Lopes, facilitaram sobremaneira a visita técnica do Cariri Cangaço Piranhas 2015.

 Paulo Britto, Seu João, Manoel Severo e Patrícia Brasil Rodrigues 
Patrícia, João de Sousa, Celsinho, Manoel Severo, Dr. João Forte, Seu João, Reginaldo e Sonia Jaqueline
Manoel Severo e as boas vindas à fazenda Picos 
Dona Cláudia, Manoel Severo e José Cícero Silva

Era o mês de Setembro, o ano:1936; quando a volante comandada por João Bezerra cercava e trocava tiros com o grupo de Gato, que se encontravam acoitados na Fazenda Picos. Inacinha, gravida de oito meses acabou sendo foi baleada e capturada por João Bezerra. A companheira do cangaceiro Gato foi levada pela volante para Pedra de Delmiro para logo em seguida seguir para a cidade de Piranhas. 

Durante as explanações o senhor João Lopes, mostrou aos convidados Cariri Cangaço o mapeamento da rota do grupo de Gato, onde estavam e o cerco e por onde se aproximaram os homens de João Bezerra, depois foi mostrado o rumo que o bando tomou, para libertar Inacinha, na frustrada invasão de Piranhas, que teve final trágico para Gato, que na ruas de Piranhas seria baleado e perderia a vida logo depois.

 Abreu Mendes, Romero Cardoso, Jose Joventino, Josue Macedo, Neli Conceição, Manoel Severo e Alan Pernambuco
 Dr Lamartine Lima e Neli Conceição
Antônio Amaury Correa de Araujo...
 Archimedes Marques, Getúlio Bezerra, Elane Marques e Renato Bandeira
 Aderbal Nogueira e Francisco Correia
Afranio Gomes, Manoel Severo e Wescley Rodrigues

Recorremos ao pesquisador João de Sousa Lima sobre o perfil do cangaceiro Gato: "Santílio Barros era o verdadeiro nome do cangaceiro Gato e não se tem na história do cangaço, outro homem que tenha sido tão sanguinário, perverso e frio como foi este cangaceiro. Era filho de Ana (Aninha Bola) e Fabiano, um dos sobreviventes da guerra de Canudos, seguidor do reverenciado beato Antonio Conselheiro. Era índio da tribo Pankararé.

Alem de Gato, duas irmãs sua foram pro bando: Julinha, amante de Mané Revoltoso e Rosalina Maria da Conceição, companheira de Francisco do Nascimento, o cangaceiro Mourão. Mourão mesmo sendo cunhado e primo de Gato, acabou sendo morto por ele, depois que Mourão e Mormaço acabaram uma festa, acontecida no Brejo do Burgo, onde deram alguns tiros colocando a população em pavorosa fuga, Gato sendo cobrado por Lampião que pediu providências por ser o pessoal de sua família, perseguiu e matou os dois companheiros, enquanto eles pegavam água em um barreiro, em um dos coitos no Raso da Catarina. Mourão deixou Rosalina grávida e desta gravidez, nasceu Hercílio Ribeiro do Nascimento, ainda vivo e residindo no Brejo do Burgo."
 Dr Lamartine Lima
 Manoel Severo e Celso Rodrigues
 Kiko Monteiro, Narciso Dias, Jorge Remigio e Ivanildo Silveira
 Juliana Pereira e o local do tiroteio
Rostand Medeiros, Paulo Britto e Ane Ranzan

E continua João de Sousa Lima, "Gato por pouco não matou sua própria mãe por esta ter feito comentários sobre as constantes passagens dos cangaceiros por sua casa. Gato foi até a casa da mãe com a finalidade de corta sua língua, quando foi dissuadido por alguns familiares do macabro intento, mostrando pra mãe dois facões e dizendo: Este aqui é o cala boca corno e este é o bateu cagou!" A partir desse perfil traçada pela história do sanguinário Gato, é fácil compreender a sina macabra acontecida logo após a fazenda Picos.

Fotos: Felipe Montargil / Ingrid Rebouças / Narciso Dias

Cariri Cangaço Piranhas 2015
Fazenda Picos, 27 de Julho
Piranhas, Alagoas

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COLÉGIO SAGRADO CORAÇÃO DE MARIA - PUBLICADO EM 03 DE AGOSTO DE 2015

Por Geraldo Maia do Nascimento

Em 2 de agosto de 1912 dava-se a inauguração do Colégio Sagrado Coração de Maria, com a presença de grande número de populares além de autoridades municipais, das quais podemos destacar o Tenente Coronel Cunha da Mota, que era vice-presidente do Conselho Municipal, em exercício, do padre André de Araújo, diretor do Colégio Diocesano Santa Luzia, do Coronel Bento Praxedes e de Tércio Rosado Maia. A cerimônia foi também embelezada pela apresentação de números musicais executados pela Charanga Mossoroense e pela Irmão Divino Coração, que ao piano, executou lindas “página musicais”, como se falava na época. 


A direção do referido estabelecimento de ensino destinado ao sexo feminino foi entregue às Irmãs Franciscanas Hospitaleiras Portuguesas, refugiadas e expatriadas de Portugal pela perseguição religiosa de 1910.
               

A primeira Diretora do colégio foi a Irmã Maria Leocádia do Menino Jesus, que teve como auxiliares as Irmãs Rosária de São Francisco, Maria do Divino Coração, Maria da Visitação, Helena da Cru e Maria Ruth da Conceição. Ao chegarem em Mossoró, essas religiosas foram acolhidas carinhosamente pela comunidade e apoiadas pelas autoridades, tendo sido hóspedes dos Senhores Raimundo Fernandes, Miguel Faustino do Monte, Antônio Couto e do Padre Pedro Paulino, vigário da época. Mas já na metade do mês de julho, as Irmãos passaram a morar no prédio onde estava sendo instalado o colégio.
               
Uma das dificuldades enfrentadas na época foi que o imóvel onde estavam se instalando não pertencia a Congregação e sim a Diocese de Mossoró. Mas sob a proteção carinhosa e paternal de S. Excia. Revma. Dom Jaime de Barros Câmara, que viria a ser o 1º Bispo de Mossoró, o prédio foi cedido para que ali se instalasse o “Colégio Sagrado Coração de Maria”.
               
Foi difícil o início, pois apenas 57 alunas se matricularam no primeiro ano. Mesmo assim, as atividades transcorreram de forma normal. A solenidade de encerramento do 1º ano letivo foi marcado pela realização de um sarau dramático musical, em conjunto com o Teatro do Colégio Santa Luzia.
               
Em 1913, com a ajuda da Prefeitura, o prédio foi ampliado, tendo se construído um espaço para dormitório das internas e uma cisterna, o que era de primeira necessidade. Houve melhorias também no ensino, com a introdução de novas disciplinas, como língua estrangeira e noções de contabilidade, além de atividades curriculares que permitiram um encerramento do ano letivo com encenações dramáticas, números de arte e exposições de trabalhos manuais. Ainda nesse ano se estabeleceu, no Colégio, a Pia União das Filhas de Maria, como uma ação missionária das irmãs. O regime escolar para as alunas externas era de semi-internato.
               
Em seu longo percurso as vicissitudes foram surgindo. Em 1920, já sob a direção da Madre Maria do Rosário de São Francisco, uma acentuada crise financeira abalou a estrutura do Colégio, em consequência de uma considerável baixa de matrículas. Foi um ano de seca e flagelo para o Nordeste brasileiro. Em 1936 é feita a 1ª reforma da fechada do Colégio, é inaugurado o Jardim da Infância e construído o seu auditório. Nos anos 40 foi implantado o ciclo ginasial e com isso houve a mudança da denominação de Colégio para Ginásio. Na década de 50 é implantado o curso pedagógico, com autorização governamental. A década de 60 é marcada pela acentuada repressão à liberdade de pensamento e de muita efervescência cultural. Na década de 80 o Ginásio Sagrado Coração de Maria, que originalmente era só para meninas, passa a aceitar também meninos, trabalhando com a educação mista, o que favoreceu a um grande aumento de matrícula. E assim, ano a ano, década a década, o Colégio vai se consolidando, tornando-se referência no ensino de Mossoró. É preciso que se diga também, que em sua história, o colégio foi grande celeiro de vocações religiosas, principalmente Franciscanas Hospitaleiras.
               
Hoje, ao completar 103 anos de sua fundação, prestamos homenagem às Irmãs Franciscanas Hospitaleiras, que aceitaram o desafia de fundar no interior do Rio Grande do Norte um colégio com orientação religiosa cristã, e que tiveram uma presença tão marcante que ainda hoje o educandário é conhecido como “Colégio das Freiras”.

Geraldo Maia do Nascimento

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O CANGACEIRO BARREIRA


Esse homem da foto é o cangaceiro BARREIRA, que matou o colega "ATIVIDADE", e levou a cabeça do mesmo para a polícia. Era repudiado por todos por causa dessa atitude. 


O cangaceiro Barreira quando ainda era jovem. Estas fotografias pertencem à Coleção do escritor e pesquisador do cangaço Frederico Pernambucano de Melo.

Fonte facebook
Página Voltaseca Volta

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O MAIS NOVO LIVRO DO POETA E ESCRITOR JOSÉ EDILSON DE A. G. SEGUNDO


O livro "NAS TRILHAS DE MEU AVÔ" pode ser adquirido: Em Mossoró na Livraria Independência. Em Natal na Livraria Nobel, da Avenida Salgado Filho. 
O valor do livro é 30,00 reais. 

Um grande abraço,
Edilson Segundo

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Grandes Lançamentos na Segunda Noite de Cariri Cangaço Piranhas

Manoel Severo e Edvaldo Feitosa

A noite do segundo dia do Cariri Cangaço Piranhas teve como palco o Centro Cultural Miguel Arcanjo. Antes mesmo das conferencias da noite, os pesquisadores e escritores, Edvaldo Feitosa de Água Branca e Luiz Ruben de Paulo Afonso, realizaram os lançamentos de suas mais novas obras; Água Branca - História e Memória e Fim do Cangaço - As Entregas.

Manoel Severo e Edvaldo Feitosa em noite de Lançamento

Em seu livro Água Branca - História e Memória, o pesquisador e escritor Edvaldo Feitosa, filho de Água Branca traz em suas linhas a história dessa que sem dúvidas é uma das aconchegantes cidades das Alagoas; anteriormente o território de Água Branca fazia parte das sesmarias de Paulo Afonso,depois foi denominada Mata Pequena, Matinha de Água Branca, até se tornar atualmente no município de Água Branca. 

Água Branca entrou para a historiografia do Cangaço, a partir do ataque de Lampião, ainda em 1922, o ataque foi o primeiro do rei do cangaço liderando pela primeira vez seu próprio bando, outrora bando de Sinho Pereira; ao Casarão da Baronesa de Água Branca. Recorremos ao pesquisador Raul Meneleu :"O livro do amigo Edvaldo traz fatos pitorescos como por exemplo, em terras da Vila de Viçosa e Anadia, Raimundo José Vieira, antepassado da família Vieira Sandes, escravizou uma índia Caeté e quando saía do vilarejo costumava trancá-la em uma gaiola feita de bambu, para que ela não fugisse pois seu intento era casar-se com ela, o que aconteceu no ano de 1815 onde a índia recebeu o nome de Maria Barbosa de Jesus."

Casa da Baronesa de Água Branca e Foto da cidade em 1919

Para o autor, escritor e pesquisador Edvaldo Feitosa, "Neste universo literário descobrimos que um livro é um mundo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, e um morto que vive! O livro Água Branca: História e Memória, foi contemplado com mais um cerimonial de lançamento, desta vez aqui na cidade de Piranhas, Alagoas, reunindo escritores, pesquisadores e historiadores de todo Brasil. As edições do Cariri Cangaço, além do contexto histórico-cultural nos proporciona a construção de um novo ciclo de amizades. Essa é a família Cariri Cangaço que conheço...de corpo e alma nordestina!"

O outro momento da noite de lançamentos foi com Luiz Ruben, pesquisador e escritor de Paulo Afonso lançando seu mais novo livro que reúne em sua obra "Fim do Cangaço - As Entregas", episódios marcantes dos últimos dias do ciclo cangaceiro de Virgulino Ferreira logo após Angico, entre os anos de 1938 e 1940. A obra é resultado de uma longa pesquisa realizada pelo autor nos jornais baianos e na Biblioteca Pública do Estado da Bahia. 


De acordo com Luiz Ruben, "buscava saber tudo que foi publicado sobre o cangaço, especialmente sobre Lampião nos jornais daquela época. Daquele trabalho mais abrangente, fiz um recorte que apresento agora, tratando especificamente do fim do cangaço, através das entregas dos grupos cangaceiros, mostrando tudo que o jornal A Tarde, Diário de Notícias,Diário da Bahia, Estado da Bahia, O Imparcial, A Noite, Correio da Manhã, Diário da Noite, Jornal de Alagoas, Gazeta de Alagoas e O Globo, publicaram sobre o assunto."

E completa: "Esse trabalho é dividido em quatro partes. A primeira mostra as entregas dos cangaceiros liderados por Zé Sereno, Ângelo Roque e o grupo do cangaceiro Pancada. Os primeiros se entregaram na Bahia, e o último em Poço Redondo estado de Sergipe, para as polícias alagoanas e sergipanas.A outra parte deste trabalho foi realizada no Quartel dos Aflitos, atual QG da Polícia Militar, também em Salvador. São os documentos oficiais dos Boletins da Polícia Militar da Bahia sobre o combate ao banditismo, obtidos graças à gentileza do amigo, na época tenente Marins, que me deu total acesso aos arquivos da Polícia Militar da Bahia do período de 1928 a 1940."
 Manoel Severo e Luiz Ruben em noite de Lançamento

E por fim revela Ruben: "Na Biblioteca Pública do Estado da Bahia, localizada no bairro dos Barris em Salvador, fiz o levantamento dos jornais locais a partir da morte de Lampião em julho de 1938, mostrando o que a imprensa baiana publicou sobre as entregas dos cangaceiros à Polícia Militar da Bahia, com menor destaque ao grupo de Zé Sereno, ao contrário do grande destaque dado a rendição do grupo de Ângelo Roque, com fotografias e páginas inteiras sobre o fato.As entregas à Polícia alagoana obtive o material da imprensa Caetés, como troca de documentos com o pesquisador David Bandeira e Marcos Edilson. Também de pesquisa feita por Ana Paula Arruda, por mim contratada para essa missão em Aracaju, onde foram pesquisados os jornais tanto sergipanos quanto alagoanos."

Apresento neste trabalho uma série de fotografias, entre outras, mostrando aspectos urbanísticos de algumas das cidades que tiveram alguns fatos ligados às visitas dos cangaceiros, na área de atuação dos grupos que andavam com Lampião no cangaço. Quero deixar registradas minhas homenagens à imprensa alagoana e baiana pelos seus profissionais anônimos e os que estão identificados neste trabalho.

Cariri Cangaço Piranhas 2015
Piranhas, Alagoas 26 de Julho 
Lançamentos - Centro Cultural Miguel Arcanjo

NOTA CARIRI CANGAÇO: Para adquirir as obras em tela, entrar em contato direto com os autores através dos emails - Edvaldo Feitosa:ed-valdofeitosa@hotmail.com /

Luiz Ruben:graf.tech@yahoo.com.br

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