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domingo, 30 de novembro de 2014

VILA DE IPUEIRAS - PARTE I

Por Antonio Morais

A resistência heroica ao cerco de Lampião. Ali Virgolino Ferreira bateu em retirada diante da reação da família Xavier.

Em l973, estivemos na cidade pernambucana de Granito, para entrevistar José Saraiva Xavier, mais conhecido por Dezim Xavier, o homem responsável pela morte de Tempero, um dos mais valentes cabras do grupo de Lampião. Conversamos bastante com Dezinho, naquela época com os seus 68 anos de idade. Ainda lúcido e forte, cabelos grisalhos e face rosada de sertanejo habituado ao sol causticante do nordeste. Dezinho Xavier contou para o repórter de Região todos os fatos que envolveram a pequenina Ipueiras, na sua reação heroica ao cerco do mais temível grupo de bandoleiros em ação no nordeste. Na época tentamos fotografar os locais da cerrada luta. As condições das estradas prejudicadas pelo inverno de l973, não permitiram, entretanto, a nossa ida a Ipueiras.


Este ano, porém, passando pela pequenina vila, conseguimos o nosso intento, fotografar os locais onde atuou o grupo de Lampião e os prédios de onde mais de cem homens armados e bem municiados, sob a liderança do Cel. Pedro Xavier, pai de Dezinho resistiu, durante horas, ao cerco do temível rei do Cangaço.

A complementação que fazemos hoje da reportagem divulgada em 1973, se faz acompanhar dos trechos principais da referida matéria, por julgá-los imprescindíveis pelo tempo decorrido de sua publicação.

No ano de 1925, Lampião e seu grupo estiveram na localidade de Ipueiras, hoje município de Serrita.

Naquela época, o velho Pedro Xavier de Souza era homem de muito prestígio no lugar, rico fazendeiro, político de conceito, respeitado em toda região pelo seu caráter, e pelas suas atitudes coerentes e corajosas. O Cel. Pedro Xavier, nos idos de 1925, ocupava as funções de delegado de polícia de Ipueiras, cargo, na época exercido somente por homens importantes e de prestígio público.

Tudo corria em paz na tranquila Ipueiras dos Xavier, até que, numa certa manha, aquela tranquilidade foi quebrada com a inesperada visita de Lampião.

Dado o conceito que a família Xavier desfrutava pela sua tradição e o respeito que todos tinham ao Cel. Pedro Xavier, chefe do Clã, o grupo de Virgulino Ferreira não exagerou no seu comportamento belicoso. Apenas algumas arruaças caracterizavam a presença do grupo na bucólica localidade sertaneja.

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DOIS COITEIROS DE CANGACEIROS PRESOS E CONDENADOS

À direita da foto, Emiliano Novais, forte ligação com Lampião.

Juvino Martins Gomes e Emiliano Novaes, ambos negociantes sertanejos, aquele no município de Vila Bella e este no de Floresta, em Pernambuco. Eram "coiteiros", (escondedores de bandidos), protegendo-os por todas as formas. Foram presos, processados e condenados naquele Estado.

Fonte: facebook

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CONHEÇA OUTROS OITO ASSASSINOS MAIS JOVENS DO MUNDO - PARTE III

Por Marina Val
Dedrick Owens

3 – Dedrick Owens – 2000

Com apenas seis anos, Dedrick Owens foi a pessoa mais jovem a atirar em alguém dentro de uma escola. O garoto pegou escondido a arma de um tio, levou-a para a sala de aula e, na frente da professora e de 22 outros alunos, atirou em uma colega de classe, Kayla Rolland, de 6 anos.

Logo após o fato, Owens parecia entender que fez algo errado, mas não a gravidade do que havia acabado de acontecer. Ele jogou fora a arma e tentou se esconder em um banheiro da escola, mas foi logo tirado de lá por um professor e levado para a sala do diretor, onde aguardou pela polícia.

Por Dedrick Owens ter menos de sete anos, a corte americana entendeu que ele não tinha idade suficiente para ter a intenção de cometer um crime, e o garoto nunca foi punido. Entretanto, o tio de Owens, dono da arma, foi julgado e condenado por homicídio culposo, no qual não há intenção de matar, por deixar uma arma em um lugar de fácil acesso.

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UM ESTRANHO NO NINHO CANGACEIRO

Por Rangel Alves da Costa*

Certa feita, lá pelas bandas do Rachado do Xiquexique, em meio uma imensidão de quipá de ponta cortante, catingueira revoltosa, cobra e espinho valente, aconteceu de um estranho adentrar no ninho cangaceiro e ser preciso tempo e o tino de Virgulino Lampião para que o forasteiro arribasse de lá sem provocar problemas maiores.

Tudo começou depois que o Coronel Sinhô Bendegó enviou uma missiva ao Capitão, e com ela um rapazote. Na carta, o poderoso sertanejo, após afirmar que estava esperando a visita do amigo e se mantendo sempre de portas abertas para auxiliar no que fosse preciso, afirmou que ficaria deveras satisfeito se o grande senhor das caatingas aceitasse aquele portador no seu bando, ao menos por uns tempos, por experiência.

E falou também sobre as qualidades do pretendente a cangaceiro. “É parente duma rapariga minha, mas que já se ajoelhou diante da botina e foi abençoado. Teve que fazer experiência em tocaia e só não derrubou um cabra porque o trabalho era muito importante pra ser feito por amador. É novo, mas já é muito estudado, tendo me falado dumas coisas que num entendo muito, mas que aí no bando tudo vai ser decifrado. Um negócio de guerrilha, de tática psicológica de enfraquecimento do inimigo, de estratégia camuflada e um monte de outras coisas. Sei que tudo aí é diferente, mas creio que se for aceito terá uma iniciação que o transformará num grande combatente. Mas é mandão. E se deixar ele vai querer ser mais esperto e importante que muita gente que já vive no rastro do espinho desde mais de dez anos. Desse modo, deixo ao seu entendimento sobre a aceitação ou não. De qualquer modo, tenha nesse velho senhor o amigo de sempre. Não só amigo como defensor de sua justa causa”.


A verdade é que Lampião não gostava de aceitar qualquer um no bando, principalmente quando não se tratava de sertanejo autêntico, conhecedor daqueles carrascais e veredas. Não dizia a ninguém, mas tinha predileção por aqueles que abraçavam a vida cangaceira porque tido como injustiçado ou revoltado com a opressão mantida pelos poderes frente ao pobre homem da terra. Estes sim, estes já chegavam com motivos para lutar. Mas a situação do rapazinho era diferente, pois enviado por um grande e poderoso amigo, fornecedor não só de armas e munições como do que fosse necessário à luta.


O rapazinho acabou sendo aceito, mesmo que a maioria do bando o olhasse com desconfiança desde sua chegada. Mas tudo começou a azedar já no dia seguinte, quando o novato tencionou ensinar como a cangaceirama deveria se comportar na iminência da chegada do inimigo. Teve cangaceiro que mirou no fundo dos olhos e, cuspindo fogo, perguntou quem ele achava que era pra querer ensinar a bicho do mato como esperar e enfrentar cobra ruim. E disse mais: Acho mió vosmicê aprender cum nóis ou vortá agorinha mermo pá donde num devia ter saído.

No dia seguinte mais um problema no bando, eis que o novato chamou dois cangaceiros num canto e disse que seria útil e necessário que aprendessem a fabricar bombas e abrir trincheiras. Falou em arma química, em artefato incendiário e gás venenoso. E também em engenharia de guerra e barricadas. Os cangaceiros ali presentes, sem entender nada do relatado, simplesmente perguntaram se tudo aquilo tinha validade quando o inimigo de repente surgisse detrás dum paredão de pedra ou de um tufo de mato.

Mas o rapazinho não se deu por satisfeito. Vendo um cangaceiro limpando a arma, chegou perto e quis ensinar como movimentá-la mais rapidamente e como renovar a munição sem perda de tempo. Era como ensinar ferreiro a forjar ferro. E o valente das caatingas deu sua resposta. Levantou sua tasca-fogo até as fuças do abusado e perguntou se queria que mostrasse como se mata um safado.

O mal-estar já estava espalhado, não havia jeito. Nenhum cangaceiro queria ter o novato por perto. Não somente isso, pois já procuravam um modo, mesmo sem o conhecimento do líder cangaceiro, de fazer com que o cabra arribasse dali. Contudo, precavido, alguém disse que seria de mais acerto relatar as ocorrências ao próprio Capitão.

Após ligeira conferência nos afastados do mato, Lampião disse que tinha conhecimento de tudo, desde o início e até já sabia o que fazer. Ou melhor, como aquela intriga chegaria ao fim. Afirmou, por fim, que bastaria o primeiro confronto com a volante e o rapazinho enviado pelo coronel encontraria seu verdadeiro destino.

Dito e feito. Quando na Ribeira da Égua a macacada foi avistada e o bando preparou-se para atacar, assim que o fogo começou, numa violência de não deixar toco de pau em pé, o novato se tomou de um medo tão grande que se danou a correr desembestado por outra direção. Corria que parecia um louco gritando que queria mamãe, queria papai, que queria o coronel. E nunca mais foi visto pelos sertões catingueiros.

Depois do fogo assentado, da chama apagada, um cangaceiro se deu conta da ausência do rapazinho e perguntou se teria sido baleado e ficado pra trás. Mas Lampião logo disse: Bastou o primeiro tempo ruim pra fugir de medo. Eu sabia que ia ser assim. Só é cangaceiro aquele que nasceu com o suor sertanejo na veia. Só suporta a batalha aquele que luta em nome do sertão como um parente que foi açoitado. E quem não se reconhecer assim não pode ser cangaceiro nem prosseguir nessa vindita de sangue debaixo da lua e sol.

Poeta e cronista
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O POUSO DO “BUENOS AIRES” EM BARRA DE CUNHAÚ

Autor – Rostand Medeiros

No dia 24 de maio de 1926, decolava da base aeronaval americana de Miller Field, em Nova York, um hidroavião Savoia-Marchetti S 59, pintado com as cores azul e branco, sendo conduzido por três ocupantes e seguindo em direção sul, estava decolando o “Buenos Aires”. 


O Projeto de um Herói da Aviação na Primeira Guerra Mundial.

A ideia desta viagem tivera início em 1925 e tinha como objetivo abrir uma rota aérea para futuros voos com passageiros. Os autores desta ideia foram os pilotos Eduardo Olivero, e Bernardo Duggan.

Eduardo Olivero

Olivero nasceu em 2 de novembro de 1892, em Tandil, uma cidade argentina localizada na província de Buenos Aires, a cerca de 350 km da capital do país. Ele era filho de italianos emigrados para o país platino e durante a Primeira Guerra Mundial utilizou-se de sua segunda nacionalidade para lutar entres as tropas italianas, atuando na função de piloto de combate. Ascendeu ao posto de tenente na denominada “Esquadrilha Baracca” e completou 553 voos de combate. Destes voos 156 foram missões de caça, 262 patrulhas de combate, 61 escoltas de reconhecimento e de aviões de bombardeio. 11 missões de reconhecimento estratégico, 14 missões de ataque terrestre contra concentrações de infantaria austríacos e uma missão para derrubar um balão de observação do tipo Draken. Documentos apontam que Olivero participou de 25 combates aéreos, em que derrubou nove aviões inimigos. No fim da guerra é promovido a capitão.

Julio Campanelli, Eduardo Olivero e Bernardo Duggan

Entre o fim da Primeira Guerra e o ano de 1924 Olivero participa de diversos raids aéreos na Argentina e experiências de voo em grande altitude, visando um melhor aproveitamento aéreo sobre a Cordilheira do Andes. Em uma delas sofreu um grave acidente que lhe deixou sequelas. Em 1924 realiza diversas experiências com radiofonia aérea. Em 1925 inicia os preparativos, junto com Duggan, do Raid aéreo Nova York – Buenos Aires.

Por aqueles dias a incipiente rota Nova York – Buenos Aires era uma das mais difíceis, recheada de inconvenientes e problemas, principalmente diante das características técnicas dos aviões existentes na época. Olivero e Duggan, concluíram que, para terem um melhor êxito deveriam tentar repetir o trajeto realizado pelo tenente do Corpo de Aviadores dos Estados Unidos, Walter Hinton. Vale lembrar que Hinton, junto com o brasileiro Euclides Pinto Martins, haviam partido, em 1922, da mesma Nova York, em direção ao Rio de Janeiro, no hidroavião Curttis, batizado como “Sampaio Correa”, sendo esta a primeira aeronave a voar sobre o território potiguar. O americano, o brasileiro e mais três tripulantes conseguiram realizar o seu intento, mesmo com muitos problemas.

Na foto vemos o norte americano Walter Hilton e o cearense Euclides Pinto Martins, que possuía forte ligação com o Rio Grande do Norte – Fonte – Coleção do autor

Com os dados das viagens de Hinton, os argentinos começaram a traçar a sua rota. Decidiram, como a maioria dos aviadores da época, por utilizar um hidroavião. Concluíram que a aeronave ideal seria o Savoia-Marchetti S 59.

Na Itália, acompanham a construção e entrega de sua aeronave que contava com motores de 400hp de potência, a portentosa velocidade máxima de 176 km/h, autonomia de 1.400 km e uma carga de total de 900 litros de combustível. Isso tudo sem rádio e outras máquinas de apoio ao voo.

Finalmente o hidroavião é completado com as tradicionais cores nacionais argentinas e despachado através de navio para Nova York. Neste momento junta-se aos dois argentinos Julio Campanelli, executando o trabalho de mecânico. 

Partindo da Terra do Tio Sam 

Nos Estados Unidos são tratados com honras, recebendo apoio incondicional das autoridades locais, inclusive com liberação de aterrissagem em bases americanas durante o trajeto.

O hidroavião Buenos Aires

Realizam várias provas e no dia 24 de maio de 1926, decolam em direção sul, com a primeira parada será em Chaleston, no estado da Carolina do Sul, depois Miami, seguindo para Havana, em Cuba. Neste país passam ainda pelas cidades de Cienfuegos e Guantanamo. Depois seguem para Porto Príncipe, no Haiti, aonde são ovacionados por grandes multidões, depois Santo Domingo, na Republica Dominicana, seguindo na seqüência para San Juan (Porto Rico), Ilhas Virgens, Montserrat, Guadalupe, Martinica e Trinidad e Tobago. Neste ponto deixam de sobrevoar as paradisíacas ilhas caribenhas e atingem a América do Sul pela Guiana Inglesa (atual Guiana), chegando a capital Gorgetown, depois Paramaribo, na Guiana Holandês (atual Suriname), em seguida Caiena, na Guiana Francesa. A partir deste ponto ocorreria o incidente mais grave de todo o trajeto.

Barca paraense “Juruna”, vendo sentados, da esquerda para direita, Duggan, Olivero, Mestre Josino Campos (comandante do barco) e Campanelli, no porto de Belém em 1926.

Existem duas versões para o que aconteceu com o hidroavião ao sobrevoar o trecho Caiena – Belém.

Uma delas afirma que o “Buenos Aires” teve um problema no motor e teve que pousar no Oceano Atlântico, de frente as costas brasileiras, sendo resgatados por um pequeno barco pesqueiro, o “Juruna”, que os reboca para uma ilha, na qual o mecânico Camapanelli pode concertar a aeronave e seguirem para Belém.

A outra versão afirma que as faltas de mapas detalhadas da região para uma melhor navegação, além de chuvas torrenciais, fazem a tripulação do “Buenos Aires”, aparentemente, perder seu rumo, pois os mesmos se vêm com uma completa falta de combustível, tendo que pousar em um rio da região aonde os pilotos são resgatados pelo mesmo “Juruna”. O certo é que durante alguns dias o mundo desconhece o paradeiro dos três argentinos, preocupando todos que acompanhavam o raid, Após os sete dias de parada eles seguem para Belém e lá são recepcionados como heróis.

Visão atualizada do que os aviadores do Buenos Aires observaram de Natal

Na continuidade do seu trajeto no Brasil seguiram a costa norte brasileira em direção ao Rio Grande do Norte e no dia 11 de julho de 1926 pousam no Rio Curimataú, na região da Praia de Barra de Cunhaú. Mas apenas sobrevoaram Natal as 11:20 da manhã, do dia 11 de julho de 1926. 

A Segunda Aeronave em Céus Potiguares 

Qual teria sido a razão dos argentinos terem ido direto para Barra de Cunhaú e não para a capital?

Natal (30.000 habitantes na época) possuía razoáveis serviços de apoio e o Rio Potengi era uma ótima opção para pouso, mas provavelmente neste ponto de uma viagem já bem atrasada, os aviadores tenham decidido utilizar os mesmos locais de pouso e trajeto realizados no mês de janeiro do mesmo ano, pela tripulação espanhola do Dornier Val “Plus Ulta”, que concluirá seu raid Espanha – Argentina, em 10 de fevereiro de 1926. Apesar de Olivero e Duggan não estarem na Argentina no momento da chegada dos espanhóis, foi repassado a eles o roteiro dos pousos do aeroplano espanhol em terras brasileiras. Nesse caso Recife, e não Natal, era o destino normal após a decolagem do Ceará. Outra razão poderia ser creditada a falta de um conhecimento mais apurado das qualidades de Natal como destino. Recife, por ser uma cidade mais desenvolvida e conhecida no exterior naquele período, era o destino mais correta para os pioneiros aviadores. Vale lembrar que o raid dos aviadores portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, mesmo após os acidentes ocorridos no trajeto, seguiram direto para Recife.


Quem tem a oportunidade de voar sobre a costa potiguar, entre a Natal e a fronteira da Paraíba, percebe que além do Rio Potengi e da Lagoa de Guaraíras, o Rio Curimataú, que desemboca em Barra de Cunhaú, é um dos melhores pontos para o pouso de um hidroavião. Devido a estes fatos, parece-nos razoavelmente possível acreditar que, neste período (primeira metade do ano de 1926), Natal ainda não gozava de todo reconhecimento e prestígio no meio aviatório mundial. Fato que mudaria consideravelmente já no ano de 1927.


Na bela região de Barra de Cunhaú os aviadores receberam total apoio do coronel Luiz Gomes, chefe político da cidade mais próxima, Canguaretama, e só seguiram viagem na manha de 13 de julho. Eles partiram para Cabedelo, na Paraíba, depois Recife, Maceió e Aracaju. Na sequência realizaram um percurso mais longo até a cidade litorânea de Prado, na Bahia, pousando no rio Jucuruçu. De Prado, seguem para o Rio de Janeiro, Santos, Cananéia, Florianópolis e Porto Alegre.

Na capital gaúcha Olivero recebe a notícia que fora promovido a major do exército italiano. Apenas outra jogada de marketing do histriônico ditador italiano Benito Mussolini, aproveitando as manchetes mundiais sobre este voo.


Depois do Brasil, os argentinos seguem para Montevidéu e depois a Buenos Aires. São escoltados na chegada pelo hidroavião espanhol Dornier Val “Plus Ultra”, orbitam sobre a capital Argentina e pousam com suavidade no Rio da Prata, tendo percorrido 14.856 km, em 114 horas de voo efetivo. A cidade parou para receber os seus heróis, tendo muitas bandeiras nos edifícios e muitas autoridades presentes no desembarque dos aviadores.

Atualmente o Museu do Forte Independência, em Tandil, guarda peças históricas do mais importante raid argentino de longa duração. 

- Dedico este texto ao amigo German Zaunseder, compatriota dos aviadores do “Buenos Aires” e um grande pesquisador da aviação potiguar e da Segunda Guerra Mundial em Natal, cidade em que decidiu viver com muita satisfação.

Extraído do blog http://tokdehistoria.com.br do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros

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LUIZ GONZAGA – ENTREVISTAS – PARTE IV

Por Antonio Morais

Região - Quando aconteceu o primeiro encontro com Humberto Teixeira?

Gonzaga - Foi em 1945, no antigo "Café Belas Artes", na rua Almirante Barroso, onde hoje é a Caixa Econômica Federal do Rio de Janeiro. Ali eu conheci "o baixinho", "o socadinho" como minhas irmãs costumavam dizer. Realmente Humberto era simpático, mas era socadinho. Pescoço curto, mas muito insinuante, muito inteligente. Um intelectual de mão cheia.

Foi um notável bacharel e um inconfundível compositor. Ali mesmo, no Belas Artes, cantei o "pé de serra" para ele. A medida que ia cantando Humberto improvisava uma letra, um tipo de monstro, no dizer do grande compositor. Era uma tentativa em busca da quantidade de sílabas por linha. Quando terminei a música ele terminou o monstro. A seguir, pediu para que cantasse a música para que ele pudesse corrigir o monstro.

Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga - www.onordeste.com

Ao concluir, a quantidade de sílabas estava certa como ele desejava para fazer a letra posteriormente. Não sabendo, realmente, deste detalhe, ao concluir a apresentação do "pé de serra", perguntei entusiasmado: 

- Está boa, mestre? Tire uma copia para mim. 

- Calma, compadre, calma, compadre. Isto aqui é um monstro - uma letra provisória. Depois trarei a definitiva.

Era assim que ele costumava fazer. Muitas vezes passei músicas para ele até pelo telefone. Tudo dava certo depois. Estava longe de imaginar que ele também era um músico. A dupla funcionou tão bem que, tempos depois, ele trazia letra e música dele e eu assinava a parceria, porque achava ser um dever indeclinável e, caso eu assim não o fizesse, seria uma ofensa ao notável compositor.

Era como Humberto costumava dizer: o difícil, entre Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, é saber onde começa o musico e onde termina o poeta.


Assum Preto - Uma bela Interpretação.

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Fonte principal: - Andanças e Lembranças.
Fonte: 
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A VINGANÇA DO TENENTE ANTONIO - PARTE II


Corisco sangra Mizael e desfecha-lhe dois tiros na cabeça.

Primeiro veio a notícia: mataram Antonio Mizael. Corisco - Conta-nos o Tenente Antonio:

- Tocaiou o meu sócio Mizael. Ele tinha uma propriedade - O sitio Catinga. Deu feira em Inhapi, e depois foi empreitar umas terras para plantação de feijão. Em lá chegando deparou com Corisco, cabra do grupo de Lampião. Com a ajuda de outros três bandidos, Corisco amarrou o meu sócio, em seguida sangraram-no e depois deu dois tiros na cabeça. Recebi telegrama em Caruaru comunicando o fato. Meio tonto com a notícia fui a Inhapi e comuniquei ao Prefeito Antonio Moto, que iria fazer uma tragédia com a morte de Mizael. Mizael será vingado, custe o que custar. E preparei o plano.

Familiares do Tenente eram amigos de Lampião. Após um cafezinho servido as visitas, Antonio de Amélia continua seu relato: - Estando, certo dia, em uma firma comercial, em Inhapi, em companhia do meu amigo corretor Pedro Paulo, expliquei para ele o meu desgosto por ter sabido da grande amizade de pessoas de minha família com Lampião e seus cangaceiros. Sendo eu da família, prefiro ir embora a ver acontecer alguma coisa desagradável com elas. A uma pergunta de Antonio Paulo, que o maior relacionamento de Lampião era com o meu parente Sebastião. Soube até que ele tem um rifle do bandido para consertar, além de um cantil que eles mandaram fazer de zinco e tem ainda umas cartucheiras enfeitadas de metal, também para conserto.

Sem mencionar o sobrenome de Sebastião, Antonio de Amélia conta as providências tomadas na articulação de seu plano para vingar a morte do sócio Mizael. Protestando, de inicio, suas ligações com o grupo de Lampião, Sebastião findou concordando com Antonio de Amélia. No momento travou-se este dialogo, entre os dois:

- Sebastião, vamos liquidar esses cabras?

- Não, porque ninguém pode. Eles são muito desconfiados e valentes como cobras venenosas.

- Confie no meu plano. Garanto que dará certo.

- Estou até esperando por alguns deles para entregar umas encomendas.

Andanças e Lembranças.

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sábado, 29 de novembro de 2014

GUERREIROS DO SOL


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Fonte: facebook
Página: Cap Cangaceiro


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LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS

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CONHEÇA OUTROS OITO ASSASSINOS MAIS JOVENS DO MUNDO - PARTE II

Por Marina Val
Mary Bell

2 – Mary Bell – 1968

Em 1968, Mary Bell tinha apenas 10 anos, mas isso não a impediu de estrangular Martin Brown, de quatro anos, e deixar o corpo em uma casa abandonada. Como as mãos de Mary eram muito pequenas, a perícia não encontrou marcas que normalmente são associadas com estrangulamento, e a morte do pequeno foi considerada acidental.

Provavelmente a menina teria escapado impune se alguns meses depois ela não tivesse assassinado Brian Howe, de três anos. Com Brian, a garota foi especialmente cruel. Mary levou o garoto até uma fábrica e, após estrangular conforme tinha feito anteriormente, ela mutilou o corpo com uma tesoura quebrada, chegando até a desenhar um “M” na barriga da criança.

Quando finalmente foi pega pelo assassinato de Brian Howe, Mary Bell acabou confessando também o assassinato de Martin Brown. Ela passou um tempo na cadeia pelos dois crimes, mas foi solta em 1980. Desde então não há nenhum outro registro de crime que ela tenha cometido.

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Biografia de Mary Bell - http://pt.wikipedia.org/wiki/Mary_Bell

Mary Flora Bell (Newcastle upon Tyne26 de maio de 1957) é um mulher britânica condenada em dezembro de 1968 pelo homicídio doloso de dois meninos, Martin Brown (de quatro anos) e Brian Howe (de três anos). Bell tinha dez anos de idade quando matou Martin Brown e onze anos quando matou Brian Howe1 .

Infância

Filha de mãe solteiraprostituta e mentalmente perturbada, foi sexualmente abusada entre os quatro e oito anos de idade.

Mary era filha de Betty McCrickett e Billy Bell, embora não se possa afirmar ao certo sua paternidade. Durante a infância, sua mãe teria tentado assassiná-la pelo menos uma vez. Mary, apelidada May desde cedo, era a filha mais velha de Betty, nascida quando esta contava com dezesseis anos. Billy Bell e Betty foram casados, e acredita-se que Mary tivesse um bom relacionamento com seu pai - fosse biológico ou não. No entanto, Bell seria preso por assalto armado.

Condenação

Ela foi condenada por asfixiar Martin Brown de três anos de idade em 25 de maio de 1968 e jogá-lo do segundo andar de uma casa abandonada um dia antes de seu 11º aniversário. Matou ajudada pela amiga Norma Bell, que não era sua parenta.

Dois meses depois matou Brian Howe de quatro anos de idade em um local perto de uma linha de trem onde outras crianças costumavam brincar em meio a carros abandonados. A menina, após estrangular e perfurar as coxas e genitais do menino, perfurou a letra "M" em sua barriga.

Ela também foi acusada de tentar estrangular quatro outras meninas. Foi responsável pela vandalização da enfermaria escolar e de escrever ameaças nas paredes.

Foi considerada culpada de homicídio involuntário em 17 de dezembro de 1968. Em seu diagnóstico, psiquiatras descreveram sintomas clássicos da psicopatia.

Mary Bell foi liberada da custódia em 1980, aos 23 anos, e foi concedido anonimato para começar uma nova vida com sua filha, que nasceu em 1984, e o marido. Vinte e sete anos depois de sua condenação, em 2007 e após a morte de sua mãe, ela aceitou falar à jornalista Gitta Sereny sobre sua infância. O resultado é uma biografia chamada Gritos no Vazio.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Mary_Bell

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Lampião seria eleito Governador do Sertão?

Por Raul Meneleu Mascarenhas
Pancho Villa

A história nos mostra tantas estórias de pessoas destemidas e violentas que ao entrarem na política, tornaram-se ídolos para os pobres. Por exemplo, Francisco (Pacho) Villa foi fugitivo da justiça, por mais da metade de sua vida, ladrão de estradas e de gado. Uma pessoa que mal sabia ler e escrever, mas que se tornou governador de Chihuahua, no México, fundou mais 50 escolas para os filhos dos mexicanos pobres e tornou-se querido pelos campesinos. Através de seus roubos criou uma grande rede de contrabando a serviço de uma revolução. Era um homem tão odiado que o mataram com mais de 150 tiros. 

Pancho Villa e seus sequazes

A realidade mexicana é diferente da brasileira, apesar de também termos origens europeia, indígenas e africanas, a proporcionalidade dos povos difere bastante. O México é mais indígena do que o Brasil, que é mais negro.


Este fato se reflete na resistência dos dois povos, no sul do México o exército camponês, liderado por Emiliano Zapata, combateu a expropriação das terras comunais, herança dos povos indígenas. No Brasil a existência deste tipo de terras não é comum, pois sempre teve 'dono' se bem que arrendassem aos lavradores pobres em sistemas de cotas.


Outra dificuldade de compreensão é a própria heterogeneidade da realidade mexicana, enquanto no sul os camponeses lutaram para garantir à posse de suas terras coletivas, no norte a luta esteve centrada na reforma agrária e na divisão dos latifúndios para os trabalhadores. Além das diferenças regionais, saltam aos olhos as relações estabelecidas entre as forças políticas no contexto da Revolução.

LAMPIÃO E SEUS CANGACEIROS


No caso de Lampião, ele não tinha motivação política para combater as forças públicas representadas pela Polícia Militar. Mas Getúlio Vargas, um caudilho acostumado na lida com o povo, sabia que isso poderia descambar para um movimento de massas, que seria quase impossível ser combatida, pois as estratégias dos cangaceiros fundava-se na luta de guerrilhas, atacando onde não esperavam e o aprendizado da derrota do ataque cangaceiro à cidade de Mossoró no Rio Grande do Norte, seria visto como "lição aprendida".


O governo Getulista não poderia se dar ao luxo de aceitar com tranquilidade esse movimento pois governos passados já tinham como "lição aprendida" o ataque a Canudos, onde foi preciso desprender maior contingente e força. Vejamos que os fanáticos de Antônio Conselheiro não tinham esse poderio bélico todo, assim como Lampião e seus cangaceiros, que possuíam armas mais modernas da época e sua munição era sempre nova.


Estava se tornando perigoso, pois Lampião cada vez mais se aproximava da política e mesmo sendo contestado pelos comandantes das principais forças dos estados, poderia iniciar um movimento de contestação maior, onde envolvesse a luta campesina de reforma agrária. Próximo a Lampião, já tinha pessoas esclarecidas, como o Mascate Líbio Benjamim Abraão, que bem poderia abrir os olhos mais ainda de Lampião para a política. O próprio Lampião já se arvorava em Governador do Sertão. Só estava faltando sua formação política e isso poderia se dá se não tivesse sido morto no sertão sergipano.

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LUIZ GONZAGA – ENTREVISTAS – PARTE III

Por Antonio Morais

O primeiro encontro com o famoso compositor Humberto Teixeira:

Região - O que representou, em vida, Humberto Teixeira para o Rei do Baião?

Gonzaga - Olha: Humberto, o grande Humberto Teixeira, representou um Luiz Gonzaga de regresso ao Nordeste. Através da música, porque antes dele eu era um sanfoneiro, um cantador sem um galho certo. Eu desejava decantar o nordeste, mas não me considerava o poeta que pretendia interpretar. Apesar de ser músico, musgueiro mesmo, de ter a pretensão de cantar, tinha igual desejo de que surgisse aquele poeta que me colocasse dentro do sertão, nos caminhos, nas estradas, nas veredas, nos troncos de pés de serra, finalmente num encontro com meu povo, através da poesia.

Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga - www.onordeste.com

Continua Luzi Gonzaga: - Foi aí que surgiu Humberto Teixeira, por uma ideia de seu cunhado, o saudoso Lauro Maia, que naquela época era compositor. Procurei, inicialmente, o Lauro Maia, porque achava ser ele a figura ideal. Houve uma espécie de recusa do Lauro que alegou, naquele momento, não ter muito jeito para botar letra em músicas dos outros. Todavia, acrescentou Lauro Maia, tenho um cunhado e vou levá-lo até lá. Era Humberto Teixeira. O primeiro tema que lhe dei foi: "Lá no meu pé de serra", relembrando o Exu, isto aqui, este cantinho de onde agora estamos falando e para o qual regressei, inspirado nas músicas que cantei tantos anos com Humberto. Interessante: Quanto mais eu decantava o nordeste, mais vontade tinha de regressar, de fixar-me no meu chão. Tudo isso aconteceu. Tudo isso representa, para mim, o grande Humberto Teixeira.


Qui nem Jiló - Homenagem ao "Centenário do Rei"- Até a próxima.

Fonte - Andanças e Lembranças.
Fonte principal: http://blogdosanharol.blogspot.com.br

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Primeira biografia erudita do "Rei do Cangaço" - Livro " LAMPEÃO " de Érico de Almeida - Será que ele foi escrito pelo Dr. Suassuana, á época Presidente do ESTADO DA PARAÍBA ?... (Série : Grandes artigos)

Por Romero Cardoso*

Publicada no ano de 1926, pela Imprensa Oficial do Estado da Parahyba, o livro "Lampeão, sua história", de autoria do jornalista Érico de Almeida, é a primeira biografia erudita do "rei do cangaço".

Almeida militou anos a fio no Jornal paraibano "O Norte". Quando da ênfase às inovadoras políticas públicas encabeçadas pelo governo Epitácio Pessoa na presidência da República (1919-1921), engajou-se como funcionário do Ministério da Agricultura, lotado no Escritório deste órgão em Princesa (PB), cujo objetivo principal consistia em combater a lagarta rosada, a qual era sério problema para a cultura algodoeira, principal produto da pauta de exportações do Estado da Paraíba na época.

Quando do término do triênio Epitacista, houve total desestímulo dos esforços, empreendidos por parte do sucessor, o mineiro Arthur Bernardes, que escandalizado com a onda de corrupção que marcou o período anterior desestruturou as obras de açudagem e outros projetos importantes, incluindo a campanha contra as pragas que atingiam os algodoais.

Com o fechamento dos Escritórios do Ministério da Agricultura espalhados pelo Estado da Paraíba, inclusive o posto estabelecido em Princesa, Érico de Almeida ficou desempregado, como muitos outros, tendo gerado a sensibilidade do "Coronel" José Pereira Lima, que resolveu unir o útil ao agradável, talvez levando em conta o consórcio do jornalista com mulher da localidade, da família Duarte, de nome Rosa.

Devido ao ataque cangaceiro a Sousa (PB), pois antes Lampião desfrutava de proteção integral na região, graças ao acordo firmado com o "Coronel" Marçal Florentino Diniz e seu filho Marcolino, Zé Pereira se viu na contingência de desviar a atenção dos fatos através da ênfase à literatura voltada para a negação do óbvio.

O ofício de jornalista auxiliou bastante Érico de Almeida quando foi contratado para escrever o que seria a primeira biografia erudita de Lampião, pois o costume de anotar tudo quando do exercício de suas funções como funcionário do Ministério da Agricultura foi de fundamental importância para a elaboração de sua obra.

Os objetivos do livro são claros, pois negar a melindrosa relação de coiterismo que existia há tempos imemoriais na região de Princesa não era tarefa fácil. Lampião, sentindo-se traído, passou a berrar aos quatro cantos as facilidades e as serventias de sua "profissão" aos que estavam lhe perseguindo tenazmente devido à forma como se efetivou o ataque cangaceiro à cidade de Sousa.

No livro "Lampeão, sua história" há a defesa que as perseguições aos cangaceiros datavam de antes do "rei do cangaço" decidir enviar seus homens para levar avante a vingança pretendida por humilde bodegueiro da localidade de Nazarezinho (PB), então distrito de Sousa, contra importante oligarca local de nome Otávio Mariz.

Episódios conhecidos da história do cangaço, como a morte de Meia-Noite nos grotões ermos do saco dos Caçulas, foram deturpados propositalmente a fim de eximir de culpas importantes personagens que fizeram a história do movimento, como Manuel Lopes Diniz, conhecido por Ronco grosso, homem da inteira confiança dos "Coronéis" José Pereira Lima, Marçal Florentino Diniz e de Marcolino.

O livro de Érico de Almeida não cita que Lampião passou meses sendo cuidado nos Patos de Irerê por dois médicos, depois que foi ferido gravemente no tornozelo pelos disparos feitos pelos volantes comandados pelo Major Teófanes Ferraz Torres, da força pública pernambucana.

João Suassuna, presidente paraibano na época, é elevado à categoria de verdadeiro santo protetor, exponencializando consideravelmente a campanha deflagrada pelo gestor paraibano contra os cangaceiros. A forma como Érico de Almeida trata Suassuna em seu livro levou literatos de peso a afirmarem categoricamente que se tratava de um pseudônimo utilizado pelo presidente paraibano para se autopromover.
Elpídio de Almeida afirmou que era Suassuna o real autor do livro, enquanto Mário de Andrade, sutilmente, em "O Baile das Quatro Artes", enfatizou que havia comentários de que realmente era Suassuna o autor da primeira biografia erudita de Lampião.

Em contato com pessoas que conheceram o jornalista, quando de sua estadia em Princesa, a exemplo dos senhores Zacarias Sitônio, sua esposa Hermosa Goes Sitônio e Belarmino Medeiros, todos residentes em João Pessoa (PB) na época do resgate do livro de Érico de Almeida, encontramos provas suficientes sobre a real existência do autor, como a certidão de casamento e fotografia em que aparece discretamente o jornalista.

Entrevistado em Limoeiro do Norte (CE), quando da fuga alucinada depois da tentativa de ataque a Mossoró (RN), no ano seguinte à publicação do livro de Érico de Almeida, Lampião destilou ódio contra o "Coronel "José Pereira Lima, chamando-o de falso e mentiroso, pois havia se beneficiado com todos os favores de sua "profissão" e depois o havia traído.

Após a revolução de trinta, o livro de Érico de Almeida foi sendo gradativamente esquecido, colocado entre os malditos, fruto de uma estrutura carcomida que precisava ser apagada em prol da edificação de uma nova ordem econômica, política e social.

Com o apoio indispensável do senhor Zacarias Sitônio, que apresentou-nos o livro raro escrito pelo jornalista Érico de Almeida, conseguimos resgatá-lo, no ano de 1996, após matéria publicada no jornal paraibano "Correio da Paraíba", datado do dia 12 de agosto de 1995, sendo reeditado, setenta anos depois, pela editora universitária da UFPB, que se responsabilizou pela terceira edição em 1998.

Não obstante os profundos vínculos com as estruturas de poder dominantes na República Velha, era imprescindível que o livro "Lampeão, sua história" saísse do ostracismo ao que foi relegado pelos novos mandatários que assumiram o poder com a vitória dos revolucionários em outubro de 1930, pois cessando os exageros existem informações preciosas sobre o ciclo épico do cangaço e sua época que não podem ficar ocultas dos historiadores e dos que apreciam as velhas coisas sobre o semiárido do nordeste brasileiro.

(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo (UFPB). Professor-adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, Campus Central, Mossoró/RN. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente(PRODEMA/UERN)


Fonte: facebook

Página: Voltaseca Volta

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