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domingo, 20 de março de 2016

5 LIVROS PARA CONHECER O REI DO CANGAÇO

Maria Bonita, Lampião e seu bando. Foto: Benjamim Abrahão.

No último dia 28, alguns admiradores reviveram as tristes memórias da morte de Virgulino Ferreira da Silva, mais conhecido como Lampião, o Rei do Cangaço. Sendo o terceiro de nove filhos de José Ferreira da Silva e de Maria Lopes, Virgulino nasceu em Serra Talhada-PE no ano de 1898, e em sua infância já carregava a essência que mais tarde faria dele o Lampião do Cangaço.

Da almocrevaria  – condução de animais para o transporte de cargas – vinha o sustento da família. Os percursos eram bastante variáveis e foi a partir desse meio – usado desde a Idade Média – que o conhecimento das estradas do sertão se fundamentou tão bem e ajudou tanto a Lampião e o seu bando nas fugas.

Denominado paradoxalmente como herói ou bandido, Lampião e seu bando foram a representação concreta da realidade cruel do nordestino que vive oprimido pelos grandes latifundiários, mas que mesmo andando no fervor do chão quente, não perdia nunca a esperança de um mundo mais justo – como retratados pela obra de Graciliano Ramos, Vidas Secas.

Tendo isso como construção do lado herói do ícone nordestino, as acusações de estupro, assassinato e extorsão constituem a denominação de bandido atribuída ao cangaceiro. Casado com Maria Gomes de Oliveira – mais conhecida como Maria Bonita e primeira mulher a participar do Cangaço-, Lampião teve sua vida interrompida aos 40 anos, em 1938, no município de Poço Redondo-SE.
Para saber um pouco mais da história do famoso Rei do Cangaço, nós pedimos ao cangaceirólogo Kiko Monteiro para recomendar alguns livros que ajudam no entendimento da vida de Lampião. Confira:

Lampião: sua morte passada a limpo (2011)


Neste livro, José Sabino Bassetti e Carlos César Megale pegam o candeeiro da informação e vão em busca de esclarecimentos que vão além da morte do Rei do Cangaço. Sem nenhuma intenção de agradar, eles mergulham fundo nos verdadeiros fatos que circundam, inclusive, as relações de Lampião e põem à mesa o que realmente aconteceu durante o percurso da vida de Virgulino no Cangaço.

Lampião, entre a espada e a lei – Considerações biográficas e análise crítica (2008)


Indo mais além do que uma mera biografia, nesse livro o autor  segue os caminhos percorridos por Lampião e seu bando na natureza política, social e  jurídica. Através de depoimentos e diversas fontes documentais, Sérgio Augusto de Souza Dantas traz a fiel história do cangaceiro nessas três vertentes e se desprende da bagagem descritiva comumente atribuída a Lampião.

 De Virgulino a Lampião (2001 – 1ª edição)

Capa da 2ª edição. Reprodução.

Trazendo uma proposta diferente dos livros mencionados anteriormente, Vera Ferreira – que, inclusive, é neta de Lampião – e Antônio Amaury se prendem mais à vida do cangaceiro em seu percurso transitório de Virgulino para Lampião. Ao contrário dos outros que se fortaleceram mais em relatos documentais, este passa por pessoas que puderam conhecer o Rei do Cangaço e tenta desmistificar a ideia sombria que circunda a imagem de Lampião.

Guerreiros do sol: Violência e Banditismo no Nordeste do Brasil (2011)


Neste livro, o autor Frederico Pernambucano de Mello se debruçou em diversas fontes documentais e depoimentos de pessoas para trazer como foco o cenário e as manifestações comportamentais da época do Cangaço. O livro traz temas que vão desde o condicionamento socioeconômico pelo ciclo do gado à posição de justificativa por parte do cangaceiro em usar a violência como acobertamento ético perante ele mesmo e à sociedade.

Lampião – O Rei dos Cangaceiros (1980) 


Tendo como recorte biográfico a atuação de Virgulino Ferreira como Lampião, Billy Jaynes Chandler faz desse livro uma especialidade em ordem cronológica quando se pretende apresentar a versão completa e real da história do líder cangaceiro, considerado por muitos um grande bandido.

http://bagaceiratalhada.com.br/5-livros-essenciais-para-conhecer-o-rei-do-cangaco/
http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Maria Bonita, Lampião e seu bando. Foto: Benjamim Abrahão.
No último dia 28, alguns admiradores reviveram as tristes memórias da morte de Virgulino Ferreira da Silva, mais conhecido como Lampião, o Rei do Cangaço. Sendo o terceiro de nove filhos de José Ferreira da Silva e de Maria Lopes, Virgulino nasceu em Serra Talhada-PE no ano de 1898, e em sua infância já carregava a essência que mais tarde faria dele o Lampião do Cangaço.
Da almocrevaria  – condução de animais para o transporte de cargas – vinha o sustento da família. Os percursos eram bastante variáveis e foi a partir desse meio – usado desde a Idade Média – que o conhecimento das estradas do sertão se fundamentou tão bem e ajudou tanto a Lampião e o seu bando nas fugas.
Denominado paradoxalmente como herói ou bandido, Lampião e seu bando foram a representação concreta da realidade cruel do nordestino que vive oprimido pelos grandes latifundiários, mas que mesmo andando no fervor do chão quente, não perdia nunca a esperança de um mundo mais justo – como retratados pela obra de Graciliano Ramos, Vidas Secas.
Tendo isso como construção do lado herói do ícone nordestino, as acusações de estupro, assassinato e extorsão constituem a denominação de bandido atribuída ao cangaceiro. Casado com Maria Gomes de Oliveira – mais conhecida como Maria Bonita e primeira mulher a participar do Cangaço-, Lampião teve sua vida interrompida aos 40 anos, em 1938, no município de Poço Redondo-SE.
Para saber um pouco mais da história do famoso Rei do Cangaço, nós pedimos ao cangaceirólogoKiko Monteiro para recomendar alguns livros que ajudam no entendimento da vida de Lampião. Confira:
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– Lampião: sua morte passada a limpo (2011)

Neste livro, José Sabino Bassetti e Carlos César Megale pegam o candeeiro da informação e vão em busca de esclarecimentos que vão além da morte do Rei do Cangaço. Sem nenhuma intenção de agradar, eles mergulham fundo nos verdadeiros fatos que circundam, inclusive, as relações de Lampião e põem à mesa o que realmente aconteceu durante o percurso da vida de Virgulino no Cangaço.
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– Lampião, entre a espada e a lei – Considerações biográficas e análise crítica (2008)

Indo mais além do que uma mera biografia, nesse livro o autor  segue os caminhos percorridos por Lampião e seu bando na natureza política, social e  jurídica. Através de depoimentos e diversas fontes documentais, Sérgio Augusto de Souza Dantas traz a fiel história do cangaceiro nessas três vertentes e se desprende da bagagem descritiva comumente atribuída a Lampião.
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– De Virgulino a Lampião (2001 – 1ª edição)

Capa da 2ª edição. | Reprodução.
Trazendo uma proposta diferente dos livros mencionados anteriormente, Vera Ferreira – que, inclusive, é neta de Lampião – e Antônio Amaury se prendem mais à vida do cangaceiro em seu percurso transitório de Virgulino para Lampião. Ao contrário dos outros que se fortaleceram mais em relatos documentais, este passa por pessoas que puderam conhecer o Rei do Cangaço e tenta desmistificar a ideia sombria que circunda a imagem de Lampião.
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– Guerreiros do sol: Violência e Banditismo no Nordeste do Brasil (2011)

Neste livro, o autor Frederico Pernambucano de Mello se debruçou em diversas fontes documentais e depoimentos de pessoas para trazer como foco o cenário e as manifestações comportamentais da época do Cangaço. O livro traz temas que vão desde o condicionamento socioeconômico pelo ciclo do gado à posição de justificativa por parte do cangaceiro em usar a violência como acobertamento ético perante ele mesmo e à sociedade.
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– Lampião – O Rei dos Cangaceiros (1980)

Tendo como recorte biográfico a atuação de Virgulino Ferreira como Lampião, Billy Jaynes Chandler faz desse livro uma especialidade em ordem cronológica quando se pretende apresentar a versão completa e real da história do líder cangaceiro, considerado por muitos um grande bandido.



A MORTE DE SABINO DAS ABÓBORAS


Após ter sido baleado durante um tiroteio ocorrido na Fazenda Piçarra localizada na época do acontecimento no município de Macapá/CE e atualmente no município de Jati/CE, a qual pertencia ao senhor Antônio da Piçarra, por volta do oitavo dia após o tiroteio, Sabino pediu a um dos homens seu Parabellum, pois queria ver a arma.

O negro Doutor (que era seu comandado) entregou-lhe a arma, tomando antes o cuidado de descarregá-la. Sabino, inopinadamente, levou a arma sem balas à cabeça, acionando o gatilho. Ouviu-se somente o seco estalido.

- Vocês não podem fazer isso comigo... já tô quase morto e só atrapaiando... disse o moribundo.

- A gente não vai abandonar ocê! – disse Lampião.

- Capitão, se o sinhô é meu amigo, acabe com esse sofrimento! – disse Sabino.

- Não, eu não faço isso com um amigo!

Ninguém se prontificava a atender ao pedido de Sabino. Exceto Mergulhão, que acabou aceitando o papel de executor. O ferido pediu alguns minutos, rezou, colocou um pano sobre os olhos e disse:

- Tô pronto!

Mergulhão aproximou a arma do ouvido de Sabino e disparou.

ADENDO - http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Morte do cangaceiro Mergulhão
 Por Rubens Antonio
No detalhe, cangaceiro "MERGULHÃO" (Antonio Juvenal), quando posava para a câmera de Alcides Fraga, em 17/12/ 1928, no lugarejo Ribeira do Pombal/BA.

A 07 de Janeiro de 1929 travou-se o combate de Abóbora, povoado de Juazeiro, BA, lembrado pela morte de Mergulhão, cujo nome era Antonio Juvenal da Silva, mas que aparece citado também, na literatura sobre o Cangaço como Antônio Rosa. Da visita ao local pode colher alguns depoimentos e bater algumas fotos.

Antecipando algo do material, observo que a povoação está muito mudada, em relação ao contexto de então, mas há muitos elementos reconhecíveis e outros identificáveis através de testemunha ainda viva dos eventos.

Sabemos que o fogo se deu quando a volante chegou e os cangaceiros dançavam em uma casa, num forró.

A causa do forró, na verdade, era alheia aos cangaceiros. Era festejo local pela construção de uma nova "armação" para a feira do povoado, que, na verdade, não passava de uma arranjo descontínuo e desordenado de casas mais esparsas.

O cemitério local foi o sítio de maior destaque, onde morreram os dois policiais, soldados José Rodrigues e Manoel Nascimento.

Segundo a autópsia:

"José Rodrigues, com um ferimento com orificio de entrada na região dorsal superior e orifício de saída sobre o mamillo direito; Manoel Nascimento com três tiros; um que penetrava entre a 6ª e a 7ª lombar, com destruição das anças intestinais e orifício de saida sobre a crista illiaca com fractura; outro na região anterior direita do thorax e outro na região cervical esquerda." 

Rochedo em que Lampião e Ezequiel se apadrinharam para disparar contra a volante, que se encontrava no Povoado de Abóboras. A posição da volante era aproximadamente a da caixa d'água vista ao longe, entrincheirada no antigo cemitério. 
Edilson dos Santos, proprietário do terreno, aponta a localização da sepultura do cangaceiro Mergulhão.
Pequenas pedras restantes da sepultura do cangaceiro Mergulhão.
 Sítio da sepultura de MERGULHÃO
João Alves Guimarães apontando localização da entrada do antigo cemitério.

As pedras diante dos seus pés são do antigo portal.

A terraplenagem e a pavimentação foi feita somente com a retirada das lápides. Portanto, os restos dos sepultos ainda estão aí.

Próximo à quina branca que se vê à esquerda estão sepultados os restos de um dos soldados mortos no tiroteio. Seguindo-se em frente, em direção à rua, encontram-se os restos do outro soldado.Abraços!
Rubens Antonio

(*)Professor e palestrante sobre História Geológica da Bahia, Antropologia, Geologia, Epistemologia, Metodologia do Trabalho Científico, História da Ciência .Fonte da Matéria: Comunidade do Orkut - Cangaço, Discussão Técnica do amigo Ronnyeri .PARABENIZO O AMIGO " RUBENS ANTÔNIO " PELA EXCELENTE MATÉRIA, BEM COMO, PELO SEU DESEJO DE PRESERVAR, DOCUMENTALMENTE, A HISTÓRIA DO 
CANGAÇO E DE SEUS PERSONAGENS, ALÉM DE PARTILHAR COM TODOS, O GRANDE ACHADO. VALEU AMIGÃO !! .Um forte abraço a todos

IVANILDO SILVEIRA

Colecionador do cangaço

Natal /RN



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Fonte: Livro LAMPIÃO – A MEDICINA E O CANGAÇO de Antônio Amaury Corrêa de Araújo e Dr. Leandro Cardoso Fernandez

Fonte: facebook - Página: Geraldo Antônio de Souza Júnior 
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SOCIEDADE AMIGOS DA PINACOTECA


SALÃO DORIAN GRAY DE ARTE POTIGUAR
INSCRIÇÕES ATÉ 31 de MARÇO 

em:amigosdapinacoteca@gmail.com
EDITAL: https://onedrive.live.com/redir…

http://josemendespereirapotiguar.blogspot.com

CANUDOS "UMA VILA FLORESCENTE E RICA"


SINOPSE

Sob a destacada liderança de Antônio Vicente Mendes Maciel, o arraial de Canudos foi a tentativa bem sucedida de implantação de uma nova ordem social, em contraposição a todas as formas opressoras de poder.

Perdido em meio à vasta caatinga, o povoado tornar-se-ia, em pouco tempo, um dos maiores aglomerados populacionais do estado da Bahia, chamando a atenção do Brasil inteiro. Seu caráter de comunidade autônoma e autossuficiente logo despertou a ira das elites brasileiras, culminando no maior confronto armado já ocorrido em território nacional.

Era a epopeia de Canudos.

Os efeitos da guerra foram de tal modo devastadores que, por décadas sucessivas, os moradores da região recusaram-se a tratar do ocorrido. Reféns do trauma e do medo, muitos sertanejos preferiram permanecer em silêncio, tornando-se indiferentes ao seu passado de luta.

Mas, algumas iniciativas voltadas para o resgate da memória sertaneja têm procurado superar o conceito errôneo e deturpado a que fora relegada a memória de Canudos e devolver ao povo do sertão o verdadeiro significado da comunidade fundada por Antônio Conselheiro.

Autor: José Gonçalves do Nascimento
Editora: Lura
Assunto: história do Brasil-Canudos
ISBN: 978-85-86261-89-3
Ano: 2016
Nº de páginas: 144
Preço:  R$ 35,00
Atendimento pelos Correios
Contato: whatsapp: 11-959736802

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O ARSENAL DOS CORONÉIS. (Série grandes artigos)

Por Fabio Carvalho , compilado por Cangaceiros Cariri

Evidente que os coronéis possuíam muitos desafetos e inimigos devido aos crimes que cometiam e a política acirrada, tinham de manter suas propriedades e rebanhos, bem como se defender dos assaltos de bandoleiros e cangaceiros (que o digam os potes e botijas enterrados e repletos de moedas e jóias que aparecem nas histórias de assombração, mudas testemunhas da riqueza desses homens...). Suas casas eram verdadeiras fortificações (já vi uma até com seteiras). Meu finado tio Zeca lá pelos anos 40 trabalhou na fazenda de um rico fazendeiro na fronteira da Bahia/Minas Gerais. Ele me contou que na casa da sede tinham caixas fechadas com dezenas de carabinas Winchester e 8 pistolas Parabellum, além de outras armas curtas!! Para economizar tempo na hora de limpar eles simplesmente jogavam óleo por cima e fechavam a caixa.



O mosquetão Mauser (e por vezes o fuzil) realmente existia em grande número, inclusive podia ser comprado por encomenda, bastava um telegrama para a FN ou a DWM e caixas destas armas aportariam em Santos, Salvador ou Recife. Fuzis Mauser inclusive, são itens constantes em um catálogo de afamada casa paulista no início do Séc. XX. Fuzis e mosquetões Mausers Oviedo espanhóis aparecem com certa raridade também. Como detentores de arsenais governamentais, diversos fuzis oficiais estavam em sua posse, como os Comblain 11 mm de tiro único (a “combréa” da guerra de Canudos). Estes são citados no combate de Brotas de Macaúbas/Ba de 1914, usados por jagunços do Cel. Militão Coelho. Mas as preferidas mesmo eram as armas de repetição por alavanca (lever action), pois eram leves e rápidas, como são as Winchester (sendo “repetição” uma das alcunhas desta arma, que em diferentes versões, parecia uma praga por aqui), existiam também carabinas Marlin, e outras menos famosas no mesmo sistema.

Carabinas Colt, e Remington por ação de bomba ou deslizante (pump action) também aparecem.Quanto aos fuzis além dos de ferrolho como o Mauser e um ou outro Mannlicher perdido por aqui, aparecem outras armas longas exóticas, mas em menor número, se vendo praticamente um pouquinho de tudo. Os revólveres na sua maioria eram de origem americana (principalmente Colt e SW), além de seus clones espanhóis, sendo que destes os mais famosos eram os populares “H.O.” (o correto é “O.H.” - Orbea Hermanos da cidade de Eibar), mas se encontram muitos outros espanhóis como os Tanque, os Corso, BH, GH. Etc. Etc. Etc. Para mais umas 20/30 marcas espanholas.

Os revólveres Nagant em calibre 440, de dotação do Exército Brasileiro foram extremamente comuns entre os civis no nordeste do Brasil (e como relíquia até os dias de hoje se acham muitos). Creio que nada impede que alguns deles tenham sido desviados de quartéis na época do coronelismo. Os calibres mais comuns nos revólveres da época eram o 32 SWL, 38 SPL, .44 SW russo, 44-40, e em regiões do mato-grosso o .44 SPL. Evidente que sempre se pode ver algum em calibre mais raro ou exótico. Ouvi falar de pelo menos um exemplar de Colt Peacemaker 1873 em calibre 44-40 que estava e mãos de um rico fazendeiro, arma bem rara por estas plagas. Dentre as pistolas, as alemãs da casa Mauser, notadamente a C-96 de 7,63 mm alcunhada de “caixa de pau” por causa do coldre-coronha de madeira, arma predileta do Cel. Horácio de Matos que febrilmente usou uma nos combates de 1918 em Brotas de Macaúbas/Ba contra o também Coronel Militão Rodrigues Coelho, num entrevero onde quase 500 jagunços lutaram, cavando trincheiras e sitiando várias fazendas e povoados, e desafiando e entrando em combate com uma expedição da Força Pública Estadual que havia ido em socorro de uma das partes.

A contenda (nome inclusive de uma das cidades da região: Contendas do Sincorá, batizada segundo contam em lembrança as freqüentes rixas entre os poderosos nesta área) durou cinco meses, com um saldo de centenas de mortos.Curiosamente a cara e bem feita Mauser C-96 era bem popular no Nordeste. Um aparte deve ser feito ao sistema de municiamento destas armas, que usavam um carregador fixo municiado por uma lâmina, e quando estava cheio com os 10 cartuchos o povo via nele os dentes de um pente, surgindo assim a expressão leiga “pente” usada até os dias de hoje para denominar qualquer tipo de carregador de armas semi ou automáticas. Como as Mauser foram as primeiras semi-automáticas a chegar por aqui, seu nome por muitos anos foi sinônimo de pistola, “fulano tem uma mausa”, se fosse grande era uma “mausona”, se pequena ”mausinha”.

Fato pouco estudado é que dizem que a Força Pública de Pernambuco usava um clone espanhol das Mauser, a pistola Royal com seletor de fogo automático, sendo inclusive arma das tropas “volantes” que combatiam o cangaço. As pistolas Parabellum mod. 1906 (a maioria do contrato militar brasileiro, raras eram comerciais) e 1908 de 7,65 mm e 9 mm Luger, também foram muito apreciadas, várias fotos de época mostram seu uso, inclusive de variantes raras destes modelos. De outras pistolas se vêem principalmente as Belgas (FN-Browning, Jieffeco, Pieper, e outras marcas menos famosas), e cópias espanholas do tipo Ruby, e americanas a maioria da Colt, aparecem ainda algumas austríacas como as Steyr em diferentes modelos, inclusive as 1911 militares. A maioria esmagadora era em calibres 6,35 mm e 7,65 mm, mas algumas que calçam munições incomuns também são vistas. Raras são as pistolas semi- automáticas inglesas, mas de quase todas as marcas e modelos mundiais se vê um pouco. Espingardas existiam em profusão para a caça, a maioria eram “cartucheiras” belgas, inglesas ou espanholas, sendo que algumas ganharam fama e notoriedade entre a população (como as espanholas Victor Sarasqueta).

A justiça dos coronéis era rápida e brutal, os adversários eram eliminados nas infames tocais, emboscadas feitas por jagunços ou pistoleiros “avulsos” contratados para tal fim, quando não eram as escondidas em alguma estrada deserta, eram a luz do dia mesmo para que todos vissem e temessem. Como até o judiciário era engessado pelo poderio político, pouco podia fazer o populacho no caso de uma ofensa perpetrada por um destes poderosos (além dos assassinatos, se ouve falar principalmente em casos de abuso sexual e surras).

Alguns coronéis no Nordeste e norte de Minas Gerais chegavam até a usar a seu serviço bandos de cangaceiros e bandoleiros, bem como lhe davam guarida e suporte. É fato mais do que sabido que Lampião conseguia seus víveres e munição através de extensa rede de coiteiros, inclusive alguns coronéis, e até com a polícia que o perseguia! Para ilustrar tais desmandos cito certa feita em 1920 e alguma coisa em Vitória da Conquista/BA, quando duas importantes famílias rivais em pleno centro da cidade chegaram, como em um bom western spaghetti que se preze, ao meio-dia a trocar intensa fuzilaria encastelados em suas fortalezas, parando por completo a cidade. Evidente que ninguém foi preso.Com tanto poder assim que peitava governos e desafiou as forças da lei mais de uma vez, só restava a Getúlio “quebrar a espinha dos coronéis”, minar seu poder e evitar obviamente a contra-revolução.
Assim, logo após a revolução houve o famoso desarmamento iniciado em 1930, com a promulgação do regulamento 105 (o famoso R-105 do exército nacional, uma lei draconiana que regula a fabricação, o comércio, e a posse de armas de fogo no Brasil, em vigor até hoje com algumas mudanças). As milícias dos coronéis foram dispersadas, chefes políticos presos, humilhados e levados as capitais. Assim foram presos alguns dos grandes coronéis da Bahia como Horácio de Matos (assassinado com um tiro pelas costas em Salvador no dia 13 de Maio de 1931, no Largo 2 de julho, pelo Guarda Civil Vicente Dias dos Santos, num crime de mando segundo consta encomendado pela viúva do Major Mota Coelho), Marcionillo Antônio de Souza (me informa seu bisneto Luiz Fernando, que ele morreu em 1943 aos 84 anos e não aos 75, e que não deixou os 3 filhos do segundo casamento na miséria, isso é uma informação errônea espalhada hoje de forma virtual.), Anfilófilo Castelo Branco de Remanso, dentre muitos outros nomes menos famosos historicamente, mas igualmente poderosos.

O desarmamento levado a cabo na década de 1930 foi bem profícuo na Bahia, sendo apreendidos nas fazendas e cidades da região da Chapada Diamantina (as famosas “lavras”) segundo consta cerca de 30.500 fuzis!!!, 376 kg de munição, 236.000 cartuchos, 2 fuzis-metralhadores e 2 máquinas de recarga de munição (creio que provavelmente eram as máquinas de carregar os pentes dos fuzis metralhadores FMH, pois não se praticava recarga naquela época). Os números certamente parecem absurdos, mas deve-se lembrar que não havia uma legislação rigorosa a época restringindo tipos de armas, nem tampouco havia controle sobre as importações e o comércio. Via de regra os coronéis importavam de maneira direta com encomendas nas grandes casas que vendiam armas de fogo ou a caixeiros viajantes (inclusive muitos sírios e libaneses apelidados indevidamente de “turcos”) que levavam estas armas e munições de porta em porta. Há até relatos confiáveis que dão conta de coronéis que possuíam além de boa louça inglesa, metralhadoras Lewis, da mesma origem, bem como de outros modelos.

Só do Cel. Horácio de Matos e seu clã, as tropas do governo tiraram 3.000 armas longas de tipos variados, além das armas curtas (pistolas e revólveres, até mesmo as “facas de ponta” foram apreendidas). A chapada era um local pródigo - muito antigamente - para se “garimpar” e achar armas raras. Da Região de Maracás/Ba, sob a influência de Marcionillo, dois batalhões federais recolheram cerca de 2200 armas longas e curtas, e 50 mil cartuchos.

De Vitória da Conquista-Ba, fui informado em conversas com moradores mais antigos que conheceram de perto aquela época violenta (o chamado “tempo do carrancismo”) onde a “política” terminava seguramente em tiros, que se retirou um caminhão e um automóvel lotados de armas de fogo variadas apreendidas. Um velho armeiro me falou certa feita que trabalhando como encanador, ao entrar num porão de tradicional família conquistense na década de 70, achou num canto ao lado da tubulação de ferro, um caixote de munições de diversos calibres, totalmente “zinabradas” (oxidadas), e certamente imprestáveis.

Exemplos que corroboram a lenda corrente de que quem não queria perder sua arma a enterrou em porões ou em locais seguros, onde a “gente do governo” não andava. Cito um velho revólver S & W DA nº 3 cal. .44 totalmente carcomido que se achou no porão de uma antiga fazenda que foi de uma “coronela”, localizada próximo ao sul da Bahia, bem como outro achado embrulhado em um couro em MG, ou uma carcomida carabina FN-Mauser 1922 enterrada no mesmo estado. Há boatos até de uma metralhadora pesada (Hotchkiss 1914) abandonada em uma fazenda de MG pela coluna prestes, bem como de fuzis achados em diversos locais de MG, SP e RS, todos abandonados por revolucionários ou tropas governamentais.

O coronelismo foi uma chaga. A marca viva de uma época de desigualdade social e econômica, de violência, de impunidade, de atraso e falta de cultura, onde a maioria da população era vítima de homens que manipulavam a sociedade a seu bel prazer através de uma política baixa, interesseira, corrupta e descompromissada socialmente... Peraí! Mas de que época afinal estamos falando, do início do Séc. XX ou do XXI ? MUDA BRASIL!!!!

Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta

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JORNAL "O GLOBO" - 29/04/1930 FLAGRANTES DE UMA VERGONHA NACIONAL

Material do acervo do pesquisador Antônio Corrêa Sobrinho

O chefe da polícia baiana confessa, em documento público, que as populações do interior acolhem “Lampião” e hostilizam as forças legais!
Onde se encontram algumas razões do fenômeno.

Lampião não é, para nós, um simples caso, isolado e corriqueiro, do banditismo nordestino. Tem, infelizmente, mais profunda e mais triste expressão: - encarna o fenômeno pungentíssimo de uma raça forte, cujo caráter se esboroa, rapidamente, no tumulto dos instintos irrefreados. Só por isso tem fugido ao noticiário seco dos casos policiais, vindo figurar por mais de uma vez na seção opinativa do GLOBO. Bem assim o Dr. Madureira de Pinho não nos interessa precisamente por ser o secretário de Segurança Pública da Bahia, senão porque nele vemos, através de uma ação inútil de dois anos contra o bandoleiro, um símbolo da inabilidade com que tem sido tratado, por todos os governos, o cruciante problema do cangaço no Nordeste. Desse modo, o seu recente relatório ao presidente Vital Soares, sobre os negócios daquela pasta administrativa do Estado, passaria imune de comentários, a não ser os que fossem, porventura, inspirados pelo aticismo da forma e pureza da linguagem, se, como de tantas outras ocasiões ao tratar do bando facinoroso, não houvesse S. Ex. se referido com amargura mal dissimulada, aos “rincões sertanejos onde a mentalidade das suas gentes por fatores múltiplos, facilita o acesso do bandoleiro, entravando como pode a ação das forças perseguidoras”. Não o negamos. Antes, mesmo, de qualquer palavra oficial, já o afirmáramos, claramente destas colunas, frisando que o caso com certeza “uma alarmante inversão de sentimentos”. Entretanto, o Sr. Madureira de Pinho parece ignorar – porque os não cita – quais sejam os tais “múltiplos fatores” de proteção dispensada pelos sertanejos aos cangaceiros, em vivo contraste com a hostilidade votada à tropa. É, de resto, a cantilena de todos os governos do Nordeste e do Norte, em relação ao assunto. E, para que não continuem em tão feia ignorância, aqui os instruímos convenientemente.

Tome o Sr. Madureira de Pinho um número da “Tarde”, órgão oficioso do situacionismo baiano, por isso que de propriedade do líder Sr. Simões Filho, e leia o que na edição de 28 de janeiro escreveu o Dr. Xavier da Costa, médico das forças lançadas no rastro de bandido que tem sido, sempre, uma voz serena e sincera no jornalismo local: - “Lampião distribuía prodigamente muito dinheiro pelos que dele se aproximavam, como aconteceu na noite em que este em Barro Vermelho”.

Depois pegue o mesmo vespertino oficioso de sua terra, de 25 do mesmo mês, e sinta o choque desta desumanidade: “O corpo levou insepulto oito dias, quando mandaram enterrá-lo”. “O corpo”, a que se refere ainda o Dr. Xavier, era o de “Gavião”, cabra de Virgulino, morto em combate. “Levou insepulto oito dias”. Então, “mandaram enterrá-lo”. “Mandaram”... alguém, alguma alma caridosa... Não a polícia, que é uma entidade definida não cabe referência tão vaga...

À vista desses paradoxos estonteantes, não havia, pois, porque se espantar o oficial que encontrou na capanga de Lampião, abandonada durante a luta, um livro com a expressiva dedicatória que o oficioso vespertino de propriedade do líder Sr. Simões Filho transcreveu, também: - “Ao intrépido forasteiro capitão Virgulino Ferreira, vulgo Lampião, com um abraço do amigo Jackson Alves”. Ora, aí estão, para o governo do secretário da Segurança Pública da terra que Lampião escolheu para seu atual “veraneio”, alguns dos tais “múltiplos fatores” que levam “a mentalidade” das “gentes” dos “rincões sertanejos” a facilitar “o acesso do bandoleiro, entravando como pode a ação das forças perseguidoras”!...

Observações:
1.O cangaceiro "Gavião", referido no artigo, é o de nome João de Maria de Pedro, do grupo de Lampião, tendo participado dos ataques às cidades de Dores e Capela, em Sergipe, e Queimadas, na Bahia. Foi morto pelo civil Domingos da Costa.

2.O livro citado é o que Lampião recebera de presente, do senhor Jackson Alves de Carvalho, comerciante de Capela, na investida deste bandoleiro contra esta cidade sergipana, no dia 25 de novembro de 1929.

A imagem é ilustração do Jornal.

"Trata-se do crânio de “Gavião”, o cangaceiro que levou oito dias insepulto, vendo-se, na parte inferior da gravura, o chapéu que usava aquele bandido, quando foi morto, a faca, por um vaqueiro."

Fonte: facebook
Link: https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/permalink/455389731336643/

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CANGAÇO LAMPIÃO NA SERRA GRANDE PARTE 2

https://www.youtube.com/watch?v=Qv8mSwXp2Ok&feature=youtu.be

CANGAÇO LAMPIÃO NA SERRA GRANDE PARTE 2

Publicado em 10 de junho de 2013

Este Vídeo Mostra o Verdadeiro Local do Combate da Serra Grande, Nele Veremos que Tudo Aconteceu No Município de Calumbi, e Não e Serra Talhada Como Se Pensava.

Pesquisador - Lourinaldo Teles.
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ADEUS, MEU AMIGO ÂNGELO MACÁRIO (ANJINHO)!


Adeus, meu amigo Ângelo Macário (Anjinho)! 

Obrigado por nos presentear com o seu tesouro, a história do seu pai, Elói Macário, e do seu avô Macário (sequestrado por Lampião em 1930). 

Desde pequeno sempre tive grande admiração pelo senhor, por sua honra, sua honestidade. Tínhamos combinado que estaria no lançamento do livro. 

Esse era um sonho nosso, mas infelizmente Deus te levou para um plano superior. Anjo ou Anjinho, a dor da sua partida nos pegou de surpresa. 

A todos os familiares, meu amigo Geovane (filho), os sentimentos de quem jamais esquecerá esse grande amigo e sertanejo honrado. 

Vá em paz grande guerreiro.

Fonte: facebook

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LAMPIÃO E A MULHER RENDEIRA

https://www.youtube.com/watch?v=5NLxlmvJS2Y&feature=youtu.be

Publicado em 10 de fevereiro de 2014

MEMÓRIA MUSICAL DO CANGAÇO - Mulé Rendeira na voz de Assisão
Fotografias do Grupo - O CANGAÇO

"O Cangaceiro deve ser desconfiado e ardiloso como uma raposa, ter a agilidade de um gato, saber rastejar como cobra e desaparecer como o vento" (Lampião)

ESTE É O DEPUTADO AFONSO FERRAZ, UM DOS LÍDERES DA FAMÍLIA FERRAZ EM FLORESTA-PE.


Este é o deputado Afonso Ferraz, um dos líderes da família Ferraz em Floresta do Estado de Pernambuco.

 Página: Carlos Mendonça e Cristiano Ferraz

Link: https://www.facebook.com/cristiano.ferraz.5268?fref=ts

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CANGACEIRO ANTÔNIO SILVINO NA FAZENDA MAXINARÉ PEDRA LAVRADA PB

https://www.youtube.com/watch?v=D42Cl1p4Mmg

Publicado em 28 de julho de 2014

Hellyo Viturino-Nesse vídeo você ver Manuel Belo e Graciliano,Neto e Bisneto de Zé Gato Amigo do Cangaceiro Antônio Silvino Falam pela primeira vez e mostram o local do combate em 1913 Gravado dia 26 de Julho de 2014 Na Fazenda Maxinaré em Pedra Lavrada PB.
https://www.youtube.com/watch?feature...

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CANGAÇO LAMPIÃO NA SERRA GRANDE PARTE 1

https://www.youtube.com/watch?v=A2_61Q51p8g

CANGAÇO LAMPIÃO NA SERRA GRANDE PARTE 1

Publicado em 10 de junho de 2013
Este Vídeo Mostra o Verdadeiro Local do Combate da Serra Grande, Nele Veremos que Tudo Aconteceu No Município de Calumbi, e Não e Serra Talhada Como Se Pensava.

Pesquisador - Lourinaldo Teles.
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