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sexta-feira, 23 de abril de 2021

A MORTE DOS CANGACEIROS MANÉ MORENO, SUA COMPANHEIRA ÁUREA E CRAVO ROXO

Por Archimedes Marques

O grupo chefiado por Mané Moreno estava arranchado há três dias na fazenda Jaramataia, em Gararu, propriedade essa pertencente a Antônio Caixeiro, o maior coiteiro de Lampião em Sergipe. Nessa ocasião Antônio Caixeiro ali não estava presente, entretanto, os seus empregados tinham ordem expressa para receber os cangaceiros quando eles bem lhes conviessem, tanto é que a Jaramataia também era um dos portos seguros desses bandoleiros, além de outras tantas fazendas de um lado ou doutro lado do “Velho Chico”, então pertencentes a esse tão importante coiteiro.

Assim, provavelmente por conta de informações de moradores circunvizinhos, Odilon Flor ali foi parar no encalço e rastro dos cangaceiros, oportunidade em que os mesmos já tinham “capado o gato”, ou seja, já tinham saído de Jaramataia. Diferente dos policiais sergipanos que não se atreviam a “apertar” os empregados de Antônio Caixeiro em virtude de ele ser o pai do governador Eronides Ferreira de Carvalho, logo, Odilon Flor “pressionou” um vaqueiro e este “vomitou” o trajeto tomado pelos cangaceiros que pararam na casa de Janjão, em Poço da Volta. Neste sentido o mestre Alcino Alves Costa nos ensina que o nome do vaqueiro que delatou a rota dos cangaceiros foi o Pedro Miguel. Tudo ocorreu da seguinte maneira:

Antônio Caixeiro

Era a tarde do dia 23 de junho de 1937, véspera de São João, e na fazenda vizinha, a Palestina, de propriedade de Nezinho Meia Lasca, fazenda essa situada à beira do rio Gararu, logo mais a noite haveria uma festança em homenagem ao santo mais comemorado do mês junino, entre nós, os nordestinos. Nezinho, além de ser um violeiro famoso era festeiro e assim o São João nas suas terras seria de primeira grandeza e o “arrasta-pé” prometia “pegar o sol com a mão”, ou seja, dança e muita animação até o raiar do dia.

A enorme fogueira acesa no meio do terreiro servia ao mesmo tempo para iluminar a para aquecer, pois o frio era intenso. O sanfoneiro não parava o fole, acompanhado de viola, surdo e pandeiro, um bom “Trio Pé de Serra”. Muita bebida, muitas jovens da redondeza e solteironas atiradas, foguetório, bombas, busca-pés. Mané Moreno dançava no alpendre da casa com a sua companheira Áurea.

Era por volta das nove horas da noite quando Odilon Flor guiado pelo exímio rastejador, o cabo Leonídio que também prestava serviços a tropa de Zé Rufino, ali chegou com os seus outros comandados que não se preocupavam em fazer silencio, vez que tudo era abafado pelo calor da festa, ademais a força policial estava em extrema vantagem, pois se encontrava na escuridão da noite enquanto os cangaceiros estavam no clareado da fogueira, alvos fáceis, além dos candeeiros postados na casa sede da fazenda, sem esquecer do fator surpresa, muito importante em qualquer combate, enfim, tudo estava a favor do bravo Odilon Flor naquela bela noite de São João. Assim, todos os policiais se postaram para o ataque surpresa, imprevisto para os animados festejadores, alvos bem visíveis. Alguns escolheram os seus alvos e com a ordem do comandante Odilon Flor “mandaram bala”, tiro que “só o diabo” e “pernas para que te quero” após o pandemônio da nova situação que quase não deu tempo de reação, apenas alguns tiros em revide contra o clarão que vinha da escuridão, enfim, o melhor era fugir e foi isso que o restante do bando fez, principalmente quando viram que o seu chefe já “alçava voo para se entender com São Pedro em pleno São João”, ou seja, o Mané Moreno havia sido atingido mortalmente. E o resultado desse tiroteio foi que ficaram estendidos sem vida cinco cadáveres: três cangaceiros e um casal de convidados que ali se divertia.

Mané Moreno e Áurea foram de logo reconhecidos. Quanto ao outro morto pensaram ser o Gorgulho. Depois o identificaram como sendo o Cravo Roxo. Além dos visitantes mortos, havia muita gente ferida, inclusive Nezinho Meia Lasca, dono da casa. Da força de Odilon Flor ficou ferido sem gravidade o soldado Luís Manoel Santos.


Dia seguinte o sargento Odilon Flor apresentou os seus “troféus”, as cabeças dos cangaceiros abatidos, na cidade de Gararu, onde foram fotografadas e de lá seguiu para Jeremoabo, na Bahia, onde esperava a devida promoção por bravura à patente de tenente.

Entretanto, ao invés de Odilon Flor ser promovido, fora severamente repreendido pelo capitão Manoel Campos de Menezes, comandante das F.O.N.E. (Forças em Operações no Nordeste) situada em território baiano. Odilon Flor fora repreendido por conta de interferência política do Estado de Sergipe com a Bahia, vez que além dos cangaceiros abatidos, sua tropa matara um casal de inocentes e ferira tantos outros que não tinham nada a ver com a bandidagem, apenas estavam em local errado, no horário errado, no dia errado, tão comum naquela época em que os cangaceiros intimavam as pessoas para as suas festas que se não fossem atendidos correriam risco de vingança. Vale ressaltar que o capitão Manoel Campos de Menezes nesse mesmo ano veio a falecer, aos 33 anos de idade, vítima de meningite que assolou aquela região baiana.

Aracaju, 03 de novembro de 2020
Archimedes Marques, Pesquisador

Presidente da ABLA e Conselheiro Cariri Cangaço 

NAQUELA MESA ESTÃO FALTANDO ELES...

 

Manoel Severo, Alcino Alves Costa e Paulo Gastão no Cariri Cangaço 2010 no SESC da cidade Crato, Ceará.
 

A SAUDADE. E quando o querido Manoel Severo novamente olhar para o lado, e em qualquer mesa sentir a saudade dos eternos amigos Alcino e Paulo Gastão, então certamente dirá: “E nessa mesa tá faltando eles, e a saudade deles tá doendo em mim. E nessa mesa tá faltando eles, e a saudade deles tá doendo em mim...”.

Rangel Alves da Costa

https://cariricangaco.blogspot.com/2021/04/naquela-mesa-estao-faltando-eles.html

BAIRRO PERDE O SÍMBOLO

 Clerisvaldo B. Chagas, 23 de abril de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.518 

Na última terça-feira (20) Santana do Ipanema perdeu um dos pontos de referência da cidade e o principal símbolo de origem de bairro. Com já foi historiado em outra crônica, vândalos derrubaram  um grupo de Cajaranas que davam nome ao lugar, na antiga rodagem, saída para Olho d’Agua das Flores. Tudo ficou por isso mesmo. O lugar tradicional “As Cajaranas”, caiu assim no anonimato histórico da cidade. Agora, por coincidência, longe dali a árvore Cajarana que deu nome as habitações da Cajarana, por trás do Hospital Clodolfo Rodrigues de Melo, tombou naturalmente, graças `a sua idade e os fenômenos da Natureza. A queda da árvore que originou o lugar Cajarana, danificou três casas vizinhas e teve, após, as ações do Corpo de Bombeiros.

Felizmente esse ponto de referência do Bairro Floresta, ficou imortalizado no livro “Negros em Santana”, de autoria nossa e parceiros. Agora só pode ser visto pela nossa foto imorredoura, pelas conversas de quem a conheceu ou pela memória dos que a vivenciaram. Cajarana (Spondias dulcis) é originária da Oceânia e, conforme a região tem outros nomes como Cajazeira, Cajá-manga e outros mais. Seu fruto é o cajá, azedo/doce, consumido in-natura e excelente para sucos, picolés e sorvetes. Sua madeira é mole e branca muito usada pelos artesãos em madeira. Em nossa juventude conhecemos o jovem filho do conhecido Ney Damasceno que fazia cabeças de piratas com o miolo da cajarana, à canivete. Uma perfeição.

Como a árvore foi cortada em pedaços, demos ideia ao Secretário da Agricultura e Meio Ambiente Jorge Santana, que oferecesse a madeira a um artesão de Senador Rui Palmeira e que tem seus trabalhos expostos na Feirinha Camponesa das sextas-feiras, em Santana do Ipanema. Lembrando também que, Cajazeira foi vulgo de um dos cangaceiros de Lampião que escapou do massacre de Angicos e chegou a ser prefeito da sua cidade, em Sergipe. O lugar Cajarana faz parte do Bairro Floresta, por trás do Hospital Clodolfo Rodrigues de Melo. É uma área muito sofrida e que recentemente foi contemplada com pavimentação em pedra. A Cajarana que lhe o título, já sofrera uma tentativa de incêndio por um morador local. Mas quis a natureza tombá-la pela idade centenária à base de chuva e ventania na parte alta da Floresta.

´CAJARANA EM PÉ (FOTO: LIVRO NEGROS EM SANTANA, B. CHAGAS). CAJARANA TOMBADA (FOTO: CORPO DE BOMBEIROS LOCAL).

http://clerisvaldobchagas.blogspot.com/2021/04/bairro-perde-o-simbolo-clerisvaldo-b.html

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