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terça-feira, 17 de março de 2026

O FORRÓ DO JOÃO DE MOCINHA.

  Por José Mendes Pereira

Antônio Alexandre da Cunha Filho - Tota  - cantor do conjunto musical João de Mocinha.

Meus amigos que foram adeptos das inesquecíveis Casa de Menores Mário Negócio e a famosa Editora Comercial, Railton Melo, Jorge Braz, Pedro Nascimento, Manoel Flor de Melo e João Augusto Braz, sei que vocês não foram festeiros daquele clube “Forró do João de Mocinha” estabelecido à Rua da Harmonia em Mossoró, no grande Alto de São Manoel, fundado entre os anos de 1966 a 1967, por Francisco de Assis Lemos (o Chico), filho do homem que o forró recebera o seu nome, mas sabem que durante muitos anos, aos sábados e aos domingos à noite, algumas vezes, uma matinê no sábado, animou os festeiros do São Manoel e de outros bairros com o som da amada sanfona, triângulo e zabumba, onde lá, o cavalheiro pegava a sua dama, e só no bico do sapato, divertia a si mesmo e a sua morena, ali, aconchegado, e de ponta a ponta, o casal rodopiava o salão do ambiente.

O forró não tinha regras para se participar da festa, podia entrar quem quisesse, mulheres de bons modos, mulheres de vida livre, desde que pagassem a entrada de acordo com o preço estabelecido na portaria, e rigorosamente, os festeiros respeitassem o ambiente. Nada grátis, afinal, o dono fazia gastos e mais gastos com instrumentos musicais, e procurava manter o conjunto com bons músicos, para que o forró funcionasse nos finais de semanas, e fizesse mais ainda sucesso, e divertisse os festeiros.

O nome do conjunto era “Os Diamantinos” de propriedade do Chico, que começou com instrumentos improvisados, e aos poucos, foi se aperfeiçoando, e era administrado por seu pai João de Mocinha, tendo como componentes: Crooner Antônio Alexandre da Cunha Filho (vulgo Tota), cujo, foi meu colega  de trabalho da empresa do Governo Estadual, na Educação. No triângulo, João Batista (vulgo Doidelo), este é meu primo de 2º grau, porque, as nossas avós eram irmãs. Ainda no triângulo e bateria o Antonio Aírton de Carvalho (já falecido) e no baixo o Edilson de Teotônio, irmão de Alcimar dos Teclados, nosso grande amigo e primo dos meus primos. 

Alcimar dos Teclados e sua esposa - também é cantora. Grandes artistas musicais.

Quando Edilson saiu do grupo, quem assumiu o contrabaixo foi o Geniel, também meu primo de 2º grau, filho do Olegário Ismael Jácome e de Francisca de tia Adelaide Maria da Conceição. Na guitarra, era responsável pelo som um jovem com o vulgo de Chico Cascudo.

Com este nome, o conjunto musical “Os Diamantinos” permaneceu durante 13 anos, e foi uma homenagem a uma freira do Ceará, amiga do padre Sales, que por aqui vivia, e sugeriu aos proprietários este nome de fantasia, o qual foi muito bem escolhido e abençoado por Deus.

O proprietário do clube acreditou e com muito sacrifício, investiu, chegando a ser uma das casas de shows melhores da periferia de Mossoró. O forró do João de Mocinha era tradição na cidade, e conquistou a população fazendo grande sucesso. Esta foi a primeira fase do conjunto musical “Os Diamantinos” que durou de 1966 a 1979.

A segunda fase do ”Forró do João de Mocinha”, teve início logo a seguir, em 1979, quando o conjunto “Os Diamantinos” deixou de existir, recebendo o nome de “The Black Som” possivelmente, que seria considerada a fase de “ouro” do grupo, mas não foi, tendo sido comprado mais instrumentos com maiores potências no que diz respeito a decibéis. Nesse período, alguns componentes deixaram de fazer parte do conjunto, como por exemplo: Geniel, que abandonou o grupo, e que a sua vaga de baixista foi preenchida por um jovem chamado Neto. O crooner de “Os Diamantinos” o “Tota”, permaneceu até dois anos no “The Black Som”, mas posteriormente, ele deixou a banda, e a vaga foi preenchida pelos cantores Sales de Aleixo e uma jovem com o nome de Aledir.

A fama do forró fez com que o Chico investisse mais ainda, comprando instrumentos como teclado, caixas de som de alta potência, além de baterias e tumbas de alto curto.

O forró andava bem, obrigado, mas quando o proprietário resolveu colocar um empresário, que havia mudado o nome para “The Black Som”, e por ironia do destino, não se sabe se foi afastamento dos festeiros, porque já existiam outros clubes nas periferias de Mossoró, ou se foi administração do empresário que não chegou a satisfazer aos frequentadores, e a partir dali, o conjunto caminhou para a decadência.

E para ver se recuperava o sucesso que fez o conjunto antes, pai e filho resolveram convidar os antigos componentes, como o Tota, o Geniel, o Airton, o João Batista (Doidelo), o Edilson..., e como ninguém quis mais fazer parte do grupo, ele foi fracassando, sem mais ter casa cheia no ambiente, e assim foi de água abaixo, chegando a falência.

Se o grupo “Os Diamantinos” fez bastante sucesso, mais ainda fez o “The Black Som”, e com a entrada do empresário, o conjunto perdeu o rumo, chegando o proprietário encaixar os seus instrumentos, guardando-os, esperando por uma outra oportunidade, a qual, nunca mais existiu.

Que pena! Um clube que fez muito sucesso só restou a saudade a quem nele frequentou, e o prédio todo desmoronado que ainda tenta resistir em pé, lá na Rua da Harmonia, no grande Alto de São Manoel em Mossoró..

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ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!

Quando estiver no trânsito, primeiro, lembre-se de lembrar que tem que se lembrar deste lembrete, para não passar por coisas desagradáveis no trânsito. 

Muito chato para você me ver sempre chamando a sua atenção. Mas é para o seu bem.

 Cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, desculpa-o, faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional. Você poderá ser vítima. 

As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! 

Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo dentro de um caixão. 

Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância, e depois que o bicho é criado, o mais difícil é matá-lo.

Imagina bem, o sujeito diante de uma arma sem ter como se livrar dela, hein? Possivelmente irá morrer.

 https://www.metropoles.com/distrito-federal/na-mira/policial-civil-atira-na-perna-de-motociclista-apos-briga-de-transito-video 

Uma confusão criada entre dois ou mais indivíduos no trânsito, muito difícil de ser apaziguada. 

Cada um quer ter razão, e uma arma poderá surgir entre eles, e alguém apertará o gatilho, e outro irá morrer. 

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O HOMEM DE NAZARÉ. - CLÁUDIO FONTANA.

 Por José Mendes Pereira

Cláudio Fontana.

Uma das letras mais bonitas, melodias e arranjos já feitos até hoje religioso, falando de Jesus Cristo, é "O Homem de Nazaré", composição do famoso cantor Cláudio Fontana, um nordestino de cor e raça iguais a todos nós do sofrido Nordeste brasileiro. Quem a ouve, ver que o compositor colocou todas as palavras que definam bem, "O Homem de Nazaré". 

https://www.youtube.com/watch?v=5qp1t2Ienu0

Ela foi interpretada com muito sucesso pelo próprio compositor Cláudio Fontana, e ainda  pelo saudoso cantor Antônio Marcos. que foi esposo de Ana Paula Rossi Braga, enteada de Roberto Carlos (filha de Nice, primeira esposa do cantor). Ela viveu com o cantor e compositor nos últimos anos de vida dele. Ela foi considerada uma de suas principais cuidadoras durante a fase final, marcada por grandes problemas de saúde e alcoolismo, e não o abandonou, permaneceu ao seu lado até sua morte. 

Infelizmente, Ana Paula Rossi Braga faleceu na madrugada de sábado do dia 16 de abril de 2011, com 47 anos de idade, em seu apartamento na capital de São Paulo. Ela sofreu uma parada cardíaca por volta das 3h da manhã. O cantor Roberto Carlos a acolheu como filha quanto tinha 3 aninhos de idade, e tinha profundo amor por ela, e sempre a  chamava de "filha do coração".

https://www.youtube.com/watch?v=1BbZGOf905U

-
https://www.youtube.com/watch?v=pFChxUJzzdE

Acho, não tenho certeza, que esta música "Ana", Roberto Carlos fez para ela, quando ele se separou da Nice. 

VAMOS VER UM POUCO SOBRE CLÁUDIO FONTANA

O cantor e compositor Cláudio Fontana nasceu em São Luís do Maranhão, em 14 de junho de 1945. Desde pequeno sempre gostou de cantar e freqüentava programas de auditório das rádios de São Luís do Maranhão. Depois de ganhar alguns concursos para cantor, passou a apresentar um programa de televisão pela TV Difusora - Canal 4, chamado "Bar de Melodias", onde dividia a apresentação com o locutor da época (1963/64), Leonor Filho e "Nonato e Seu Conjunto". Nessa oportunidade, cantava bossa nova e sucessos populares da época.

Em 31 de dezembro de 1965, partiu para o Rio de Janeiro com o sonho de conquistar todo o Brasil, cantando e compondo. Lá, conheceu e mostrou seu trabalho para pessoas do meio artístico da época, como: Carlos Imperial (descobridor de Roberto Carlos), Wilton Franco (produtor musical na TV Excelsior - Rio), Sr. Barros, assessor artístico de Cauby Peixoto e Osmar Navarro.

Mas foi o empresário Genival Melo, que numa tarde de sábado de 1967, no Programa “Festa do Bolinha" - apresentado por Jair Taumaturgo (TV Rio - Canal 13 ) - , que ao escutar as músicas Não posso controlar meu pensamento e Doce de coco (ambas com Robert Livi), quem lhe deu a primeira grande oportunidade, gravando esta música com o cantor Wanderley Cardoso, seu contratado na época. Estas canções alcançariam os primeiros lugares da parada de sucesso daquele ano, sendo então o pontapé inicial das canções que Cláudio Fontana gravaria daí para frente com muitos cantores.

Em 1968 foi para São Paulo, onde gravou seus dois primeiros discos pela Gravadora Copacabana. Mas foi em 1970 que estourou em todo o Brasil com a música de autoria de Geraldo Nunes, chamada Adeus ingrata. Além de mais de 100 mil cópias vendidas, ganhou também o Troféu Chico Viola, da TV Record, entregue pelas mãos do grande comunicador Kalil Filho. Com o sucesso desta música, chegou ainda a participar duas vezes do programa Jovem Guarda de Roberto Carlos.

Sua carreira acabava de "decolar" e seu empresário formava um novo trio de cantores populares de sucesso, viajando por todo o Brasil: Nelson Ned, Antonio Marcos e Cláudio Fontana. A consolidação do sucesso como cantor de Cláudio Fontana se deu, entretanto, quando passou a fazer parte do quadro de maior sucesso do comunicador Sílvio Santos na TV Globo, “Os galãs cantam e dançam aos domingos”, ao lado de outros cantores como: Paulo Sérgio, Antonio Marcos, Wanderley Cardoso, Tony Angely, Ari Sanches, Djalma Lúcio, Jerry Adriani, Arthurzinho e Paulo Henrique, entre outros.

Nas décadas de 70 e 80, fez muitos sucessos como compositor, além de participar de Festivais Internacionais, como por exemplo: o Festival Internacional de La Canción, de Piriápolis, no Uruguai, onde participou diversas vezes. A primeira vez foi com a canção Se Jesus fosse um homem de cor, defendida pelo cantor, hoje ator Tony Tornado, em 1973.

Em 1975, mais uma vez participava como autor e de parceria com Antonio Marcos, com a canção Amor pela primeira vez, defendida pelo cantor Cláudio Roberto, conseguindo o quarto lugar. Em 1976, a cantora Sonia Maia, colocaria a canção Vamos caminhar juntos em primeiro lugar, indo assim parar nas mãos do compositor o troféu do XI Festival Internacional de La Canción de Costa a Costa. No I Festival da Canção do Panamá (1976), com a canção Que seas feliz defendida e interpretada pela cantora brasileira Carmen Silva, Cláudio Fontana conseguiu a terceira colocação.

Foi líder do Grupo Chocolate ao lado da esposa e dos dois filhos. Atualmente continua compondo, residindo no bairro do Brooklin, na cidade de São Paulo.


https://cifrantiga3.blogspot.com/2009/02/claudio-fontana.html

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Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância, e depois que o bicho é criado, o mais difícil é matá-lo.

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 https://www.metropoles.com/distrito-federal/na-mira/policial-civil-atira-na-perna-de-motociclista-apos-briga-de-transito-video 

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JORNAL DO BRASIL, 11 DE MAIO DE 1977 A CONTAGEM REGRESSIVA PARA A MORTE DE LAMPIÃO.

 Uma Interessante Entrevista Com Joca Bernardo, o Homem Que em Agosto de 1938 Informou a Polícia Quem Conhecia a Localização do Esconderijo de Lampião e Foi o Responsável Pelo Massacre de Toda Uma Família, Perpetrado Pelo Cangaceiro Corisco, Que Buscou Vingar a Morte do Rei do Cangaço.


Autor do texto – Jornalista Roberto Vilanova – Maceió, Alagoas.

Fonte – O blog TOK DE HISTÓRIA informa que recebeu o material original dessa reportagem com o nome do autor, o número da página (12), mas sem a indicação de data de publicação e do nome do jornal, ou revista. Sabemos que o Jornalista Roberto Vilanova publicou reportagem semelhante no Caderno B do Jornal do Brasil, edição de 11 de maio de 1977, página 5, sugerindo uma época da publicação original desse texto, que agora apresentamos. Com Exceção das Fotos Originais da Reportagem, Todas as Outras Fotografias Aqui Publicadas, São de Responsabilidade do blog TOK DE HISTÓRIA.

A história não reservou para Joca Bernardo, quase 80 anos de idade, uma linha sequer. Mas é bem melhor assim, porque ele entrou para a história intima do sertão como traidor de Virgulino Ferreira  – o Lampião, e, talvez por arrependimento, recusou receber o prêmio maior pela delação: a patente de sargento da Polícia Militar de Alagoas. Por causa disso sua esposa, desde essa época, lhe abandonou depois de argumentar e tentar convencê-lo de que não deveria jogar fora a sorte. Como jogou, ela preferiu ir embora para São Paulo no primeiro pau-de-arara que cortou as estradas secas do sertão, não lhe dando mais notícias.

Mas não é fácil encontrar Joca, apesar dele viver discretamente no distrito do Piau, pertencente a Piranhas, a mais de 350 quilômetros de Maceió, porque o sertanejo é, também, antes e tudo, muito desconfiado. Aliás, a sua própria existência só é sabida por quem conhece a fundo a história de Lampião, como o presidente da Arena de Piranhas, Antônio Rodrigues, que lhe descobriu para essa reportagem.

A bela cidade de Piranhas, Alagoas, a margem do Rio São Francisco  
– Foto – Rostand Medeiros.
Medo da morrer
A troca de identidade, complementada pelos cumprimentos à mão estendida, durou pouco, mas Joca Bernardo mantinha-se olhando por baixo dos olhos, como se estivesse diante de um Tribunal. À pergunta se escondia com medo de morrer, respondeu que não. E explicou que era para evitar comentários que, na certa, iriam lhe trazer recordações. E ele não deseja recordar as inconveniências naturais de um traidor. Nesse pé a conversa se expandiu e tomou gosto, porque se Joca se manteve, durante todo esse tempo, calado, chega mesmo um momento, principalmente na sua idade, em que o peso da consciência rompe a barreira do silêncio que se impõe por conveniências. 

O silêncio é quebrado também pelo conflito interno que Joca passou a viver logo depois da morte de Lampião, não porque traiu o bandido, mas porque, para escapar da morte que Corisco espalhou como vingança, acabou delatando um inocente. Ou seja, disse a Corisco, com quem se encontrou mais tarde, que o vaqueiro Domingos Silvino, empregado do sogro do tenente Bezerra, é quem havia delatado Lampião à polícia. Corisco foi à casa de Domingos e matou ele, a mulher, uma visita e três só deixou vivo apenas o de menor idade, Antônio Silvino, que mora hoje em Piranhas e não quer ver Joca na sua frente.

Joca Bernardo.
Foi o próprio Antônio Silvino quem relatou o massacre a sua família e, conforme Corisco disse a seu pai, Joca é o único responsável. Silvino falou que um dos cangaceiros chegou a puxar o punhal para matá-lo, mas Corisco o conteve. Nessa época, ele, Antônio, tinha 6 anos de idade e recebeu a missão de conduzir, de burro, as cabeças de toda a sua família que deveria ser entregue ao tenente Bezerra, em Piranhas, com um bilhete atrevido.

Silvino Ventura tinha seis anos de idade quando viu sua família ser covardemente trucidada pelo famigerado Corisco na Fazenda Patos e foi obrigado a transportar em um animal as cabeças cortadas de seus familiares para a casa do tenente José Bezerra, em Piranhas. Faleceu de um acidente em Piranhas, no dia 30 de julho de 1985, aos 54 anos de idade.
“Quando eu passei pelas ruas de Piranhas era dia de feira. O Corisco juntou as cabeças dentro de um caçuá e mandou eu tanger o burro. Nas ruas o povo pensava que o sangue que escorria era carne de bol. E quando eu parei na porta do tenente Bezerra foi que juntou gente”, conta Silvino.

A casa extremada era a residência do tenente José Bezerra, 
para onde a criança Silvino Ventura trouxe as cabeças 
ensanguentadas de seus familiares dentro de um caçuá, 
transportado por um animal – Foto -Rostand Medeiros.
Nega tudo
Joca Bernardo nega a delação ao vaqueiro Domingos Silvino, mas confirma que se encontrou com Corisco. Até o seu relato do encontro – surpresa e, até mesmo, as circunstâncias dele, Joca parece não mentir. Mas na reprodução do diálogo ele acaba revelando uma certa frieza:
“Eu tava juntando o gado quando o Corisco pulou de cima de um lajedo. O Corisco e mais uns cinco cabras, inclusive a Dadá, que foi a minha salvação. Aí o Corisco falou se era verdade que tinham matado Lampião Eu respondi que ouvi dizer. Até ele disse: vou matar muita gente para vingar a morte. E vou começar logo por você. Aí a Dadá ”ó xente, home. Que história é essa? A gente mata quem tem culpa, inocente não,” relatou.

Ruínas da propriedade Patos, onde a família Ventura foi trucidada 
– Foto – Rostand Medeiros.
A História, segundo se sabe através do Sr. Antônio Rodrigues, de tradicional família de Piranhas e político influente na região, é bem diferente. Corisco soube que Joca havia traído Lampião e foi procurá-lo. No encontro, disse que ia matá-lo e Joca, com medo, falou que se morresse, seria inocente. E lamentou que tivesse servido de coiteiro para Lampião e, agora, “qual o pagamento que recebia?”. Corisco titubeou, principalmente diante da interferência de Dadá, e resolveu tirar a história a limpo. Foi então que Joca Bernardo lembrou, maliciosamente, “onde Lampião teria passado antes de ir para Angicos”, seu até então inexpugnável esconderijo.

Lampeão, antes de atravessar o rio São Francisco, passou na fazenda do sogro do tenente Bezerra (o fazendeiro Antônio Brito). Com isso, Joca quis insinuar que o vaqueiro Domingos Silvino Ventura, sempre à disposição para cumprir ordens fazer recado do bando, teria denunciado os planos de Lampeão de se alojar em Angico por alguns dias. A verdade é que Corisco aceitou a justificativa, se não teria evitado o massacre da família Silvino Ventura, de quem sobrou, a propósito, apenas Antônio Silvino, o filho mais novo, na época, do vaqueiro.

Corisco.
Traição a Lampião
Na verdade, Joca Bernardo não tinha nada contra Lampeão – a quem ajudava, na medida do possível, para poder ir levando a vida sem ser molestado pelo seu bando, se bem que tivesse de enfrentar as inconveniências da polícia que sempre se confundia, pelas arbitrariedades cometidas, com os cangaceiros, às vezes, praticando horrores em nome da Lei que a bem da verdade era material, porque estava simbolizava na mira de um fuzil “bem azeitado e municiado”.

Assim, dentro do possível ou de acordo com os conformes, Joca e tantos outros coiteiros se prestavam ao serviço de acoitar Lampião e seu bando porque não tinha mesmo escolha. E entre ser morto pelos cangaceiros ou pela polícia, o que dá, no fundo, no mesmo, era preferível morrer tentando ser fiel a Deus e ao diabo, mesmo sem se saber quem era quem. Ou seja, quem era Deus e quem era Diabo.

Pedro de Cândido.
Mas como a miséria só quer começo, um dos maiores coiteiros de Lampião, Pedro de Cândido – ninguém duvidava da sua ligação com Lampião, mas Pedro vivia imune em Piranhas, no dia em que os cangaceiros se arrancharam em Angico, foi comprar queijo que Joca fabricava. E apesar de sempre levar dinheiro suficiente, dado por Lampião acabava usurpando o chefe e não pagava as mercadorias, o que criava, naturalmente, um clima de animosidade não só para ele, como para o bando.

Tiro fatal

Naquele dia, porém, Pedro de Cândido, inadvertidamente, engatilhou a arma que desfechou em Lampião o tiro fatal. Utilizando-se da fama de valente, talvez imposta pela condição de coiteiro chefe de Lampião, Pedro bateu à casa de Joca Bernardo para comprar “todos os que queijos que tivesse na hora ou a fazer durante os próximos 15 dias”, que era o tempo de descanso dos cangaceiros.

– Foto – Rostand Medeiros.
Joca respondeu que tinha uma encomenda de queijo do Juiz de Pão de Açúcar e não podia ceder o volume já encontrado pronto. O argumento não foi levado em consideração, porque Pedro de Cândido retrucou abusado: – “Cabra safado, eu tou pedindo o queijo e não quero saber de história. Vou levar tudo agorinha mesmo”, recorda Joca.

Apesar de se saber que Pedro era coiteiro de Lampião Joca ainda duvidou para quem seria tamanho carregamento de queijo até que descobriu:

– “Eu pensei assim” – conta ele – “o Pedro não negocia e se quer tanto queijo só pode ser pra muita gente. se é para Muita gente, Lampião tá por aqui.”

Ruínas da propriedade Patos – Foto – Rostand Medeiros.
Joca não reagiu e Pedro de Cândido levou todo o carregamento de queijo que havia sido encomendado pelo Juiz de Pão de Açúcar. Mas naquele mesmo dia o sargento Aniceto, que tinha ficado em Piranhas, enquanto o coronel Lucena, o tenente bezerra e o aspirante Chico Ferreira saíram em diligência por Delmiro Gouveia, atrás de Lampião foi informado da situação. O relate ainda é de Joca.

“Eu fui procurar o tenente Bezerra, mas ele não estava. Encontrei o sargento Aniceto e lhe contei: sargento, saber eu não sei não senhor, mas o senhor quiser saber onde Lampião tá escondido, aperte o Pedro de Cândido que ele diz. Agora só digo uma coisa ao senhor: Lampião está aqui por perto e não veio com pouca gente não. Têm uns 100 homens com ele. E contei também o caso dos queijos que o Pedro me tomou.”

Muro formado por pedras na propriedade Patos. – 
Foto – Rostand Medeiros.
A partir daquele momento começou a contagem regressiva da vida de Lampião e seu bando. Mas como o próprio Joca admite a delação não tinha a intenção de trair Lampião porque, do jeito que até hoje alguém afirme que o cangaceiro não morreu, naquele tempo acreditava-se na sua imortalidade, pelo menos à bala ou à faca. Joca desejava que Pedro levasse uma surra, através do “aperto” da polícia, e não admitia que a polícia desse fim a Lampião, porque o bandido sempre escapava aos cercos ileso, Mas não foi assim: o cangaceiro morreu mesmo.

Recusa

O sargento Aniceto se encarregou de assegurar junto ao tenente Bezerra e ao coronel Lucena o trabalho decisivo de Joca Bernardo, ajudando à Polícia. Aí os dois oficiais chamaram Joca a Piranhas e anunciaram o prêmio: 5 contos de réis e a patente de sargento da Polícia Militar de Alagoas, que lhe seria dada pelo Governo do Estado. Joca recusou as divisas e aceitou apenas o dinheiro, que acabou não recebendo em toda sua totalidade.

– “Eu acho que o Governador mandou o dinheiro todo, mas o portador ficou com um pedaço. Eu só recebi 1 conto e réis,” relembra.

Bela região do Rio São Francisco – 
Foto – Ricardo Trigueiro Morais.
Ele recusou as divisas de sargento, porque teria de vir morar na Capital e um sargento, naquela época, não ganhava suficiente para sustentar uma família. Então, Joca preferiu continuar tangendo gado e fazendo queijo, sem pagar aluguel de casa e sem ter outros gastos que naturalmente teria de assumir se mudasse de cidade e de vida. Mas sua mulher não aceitou a argumentação e como não pôde fazê-lo receber a patente, preferiu abandonar a casa. Foi morar em São Paulo.

Por ironia, quem recebeu as divisas foi o Pedro de Cândido. Joca, que pensava em se vingar da sua violência, não só lhe proporcionou a reaproximação com as autoridades de Piranhas e de Alagoas, como lhe deu a própria chance de ser autoridade, porque logo em seguida ser incorporado à polícia como sargento, Pedro foi nomeado delegado no sertão. E morreu assassinado por culpa, ao que se sabe, de seus dotes de “dom Juan”, sem que lhe respeitassem, ao menos, a posição de delegado.

Joca amarga a fama de traidor – na verdade o traidor é ele mesmo e se não fosse a aposentadoria do Funrural, engordada pelo frete que consegue tangendo urro carregado d’água, estaria na miséria. Sequer conseguiu o intento de fazer Pedro de Cândido levar uma surra porque Pedro, ao ser preso, não reagiu e nem foi difícil contar o esconderijo de Lampião.

Pescado no Tok de História

Repescado no - https://lampiaoaceso.blogspot.com/search/label/1938

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Uma confusão criada entre dois ou mais indivíduos no trânsito, muito difícil de ser apaziguada. 

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CORREIO BRASILIENSE (DF) – 12, 13 E 14 DE MAIO DE 1966 UMA HISTÓRICA ENTREVISTA COM FERREIRA DE MELO.

 Transcrição de Antonio Correia Sobrinho


54 anos, neste maio de 2020, da publicação, pelo jornal de Brasília, o Correio Brasiliense, da histórica entrevista do Coronel Francisco Ferreira de Melo, concedida ao jornalista Antônio Sapucaia. Francisco Ferreira de Melo que, como sabemos, foi um dos comandantes das forças militares alagoanas que cercaram e mataram Lampião, em 1938, e se não escreveu livro para dizer deste impressionante e inesquecível acontecimento, como o fez o seu comandante, o Coronel João Bezerra, neste seu depoimento aos Jornais Associados, Francisco Ferreira de Melo apresenta suas impressões e diz sobre a sua participação em Angicos.

Registro que o amigo José Vanderli Silva é o maior responsável por esta postagem, a quem aqui agradeço, visto que foi ele que me consultou sobre esta entrevista, que me levou a buscá-la nos periódicos. E como sempre faço com o que leio e acho interessante, sobre cangaço, trago para os grupos, devidamente digitalizado, para conhecimento e deleite da gente.
__________
LAMPIÃO EM VERSÃO DEFINITIVA
PUNHAL CRAVADO NO PEITO LEVOU COITEIRO A DENUNCIAR LAMPIÃO


Texto de Antônio Sapucaia

Novas controvérsias sobre a figura lendária e quixotesca de Virgulino Ferreira da Silva – Lampião – levaram dois repórteres associados a percorrer o interior de Alagoas na busca do homem que comandou o ataque decisivo na destruição do bando que durante mais de 20 anos levou a intranquilidade e o pânico a toda região nordestina. Antonio Sapucaia e José Ronaldo localizaram o tenente-coronel da Polícia Militar de Alagoas Francisco Ferreira de Melo, numa fazenda do município litorâneo de Coruripe.


 Assim era o aspirante Ferreira na época do massacre

Pela primeira vez, desde o fatídico 28 de julho de 1938, o coronel Ferreira fala com franqueza e conta tudo sobre o morticínio do bando terrível que matou e saqueou sem piedade em sete Estados da Federação.

Esta, e a história inédita que o coronel Ferreira reteve por 18 anos.
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Durante mais de dois decênios, os sertões nordestinos viveram sobressaltados pelas truculências de Virgulino Ferreira da Silva, o famigerado Lampião, ao lado de outros cangaceiros que lhe obedeciam severamente às ordens recebidas.

Decorridos quase 30 anos do desaparecimento do mais perverso bandido que o Brasil conheceu, vemo-lo transformado em motivo inspirador da nossa música popular, romances, filmes, painéis, enquanto seus familiares vêm travando uma longa batalha: levar ao cemitério a cabeça dele e de Maria Bonita, que se acham insepultas no Museu Estácio de Lima, na Bahia. Ao lado de tudo isto, vem de surgir um fato curioso, envolvendo a “ressurreição” do “Rei do Cangaço” um velhinho paraibano radicado em Fortaleza, que conviveu, conheceu muito bem e até combateu Lampião nas caatingas”, divulgou recentemente que o desalmado cangaceiro não havia morrido e que a existência de Maria Bonita não passava de um mito, porquanto a mesma nunca existira a não ser na imaginação de trovadores e romancistas de feira. Disse ainda que Lampião “está mais vivo do que nunca, negociando gado em Campina Grande e vivendo como um nababo”. Chega a desafiar a qualquer “doutor” a provar o contrário.

Tais afirmações, bem como alguns pontos obscuros e controversos, que existem em torno do “Capitão” Lampião, levaram-nos a uma figura das mais autorizadas sobre o assunto, de vez que assistiu de perto o seu extermínio, lutando e comandando. Trata-se do tenente-coronel reformado, Francisco Ferreira de Melo, aspirante de então que comandara uma das volantes e que, em atenção ao tenente João Bezerra, seu compadre e amigo, e já na pista de Lampião, chegara a orientar o movimento das tropas que cercariam o cangaceiro e seus asseclas. Além disto, foi a sua tripa que primeiro se defrontou com os bandidos, abrindo fogo e os destruindo, na maioria.

A PALAVRA DO CORONEL

Fomos localizá-lo no Poxim, povoado pertencente ao município de Coruripe, estado de Alagoas, onde vive inteiramente voltado para o coqueiral que se estende ao longo dos fundos da sua residência, uma espécie de casa-grande. Durante aproximadamente 13 anos, em pleno vigor da sua mocidade, perseguiu Lampião, tornando-se um dos militares de grande confiança, o que é confirmado pelo fato de ter sido escolhido para comandar uma das volantes, as quais eram subordinas ao comando geral sob a responsabilidade do então coronel Lucena, um homem de fibra, bastante enérgico e vocacionado para a missão.

Homem de 61 anos, em cuja voz e traços fisionômicos percebem-se as pinceladas da velhice, o coronel Ferreira não se faz de rogado. Começa dizendo que retroceder a esse período da nossa história é nos deparar com uma série de atrocidades, lutas, fome, miséria, toda espécie de sofrimento. Fala com entusiasmo, gesticula e procura ser o mais fiel possível.

- “Para muita gente, que se mantinha distante dos acontecimentos, Lampião agia exclusivamente ao lado dos seus cabras, constituindo, todos, apenas um grupo. É puro engano dos que assim pensam. Do mesmo modo que a Polícia tinha as suas volantes, agindo em pontos diferentes, Lampião comandava também vários grupos, que se dispersavam pelas caatingas nordestinas, cometendo as piores misérias. Eu mesmo – prossegue o Coronel – cheguei a travar alguns combates com vários desses malfeitores, sem nunca ter me defrontado com o grupo em que se encontrava o perverso bandido. Com ele, travei apenas um combate – o primeiro e único – que foi o de Angicos, e que culminou com a sua morte.

O certo é que todos eram de uma perversidade extrema e, por onde quer que passassem, deixavam o rastro da sua periculosidade. Só mesmo com disposição, sangue frio e muito espírito de luta é que se poderia enfrentar e dar fim aqueles infelizes malfeitores.


 
 Aspirante Ferreira observa carro queimado por Corisco em 1938

HOMENS SELECIONADOS

- “Os nossos homens eram todos selecionados, escolhidos a dedo, e aquele que demonstrava sinal de fraqueza, não poderia figurar ao nosso lado. Muitos deles, bravos e destemidos, ainda estão por aí, relembrando os dias negros que vivemos, para vermos terminado um verdadeiro período de calamidade, que colocava em pânico todo o Nordeste. Afastados dos nossos lares – continua o Coronel – passamos muitas noites de olhos abertos, em meio à caatinga brava, e era comum passarmos muitos dias de estômago vazio. Se por vezes tínhamos as criações, bodes, carneiros, etc., às vezes nada tínhamos, a não ser a fome que nos deixava assustados.

Incrível que pareça, eu mesmo, certa vez, cheguei a comer pedrinhas, cuidadosamente catadas, tamanha era a fome que de mim se apoderava.

Em 1938, o aspirante Ferreira de Melo tinha o comando da sua tropa sediada em Pedra de Delmiro, a do tenente Bezerra em Piranhas e a do cabo Aniceto, em Mata Grande, enquanto o comando-geral situava-se em Santana do Ipanema.

No dia 27 de julho de 1938, uma quarta-feira, as tropas do aspirante Ferreira e do tenente Bezerra encontravam-se em Pedra de Delmiro, juntas, ocasião em que os seus comandantes traçavam planos para uma batida que julgavam de importância vital para o extermínio ou captura do adversário. Enquanto o tenente Bezerra deixara Piranhas para encontrar-se com o aspirantes Ferreira, na Vila de Pedra, o cabo Aniceto, deixava Mata Grande, sob a alegação de que teria faltado mantimentos que garantissem a permanência do seu pessoal ali, e demandara Piranhas, onde morava sua noiva, por sinal, filha do prefeito daquele Município.

Foi justamente nessa ocasião que, inesperadamente, segundo narra o coronel Ferreira, chegara a Piranhas um caboclo, meio assustado e tímido à procura do tenente Bezerra, manifestando o desejo de com ele se avistar. Interrogado sobre o que desejava, relutou em responder, posto que o sertanejo comumente é desconfiado. Depois de muita insistência, resolveu confessar então que, horas atrás, vira um grupo de cangaceiros em Entremontes, distante dali umas duas léguas.

Detalhadamente, dissera que, no momento em que tangia alguns bodes, observou que alguns bandidos se encontravam em um roçado, quebrando milho e roubando melancias. Reconheceu que pertenciam ao grupo de Lampião. Diante do que vira, estava desejando falar com o tenente Bezerra, a fim de que o oficial rumasse para aquele povoado. Inteirado do fato, sem perder tempo o cabo Aniceto não teve outro caminho, senão telegrafar ao Tenente Bezerra: “Venha urgente boi curral”.

Tão logo a mensagem chegou ao poder do seu destinatário, este acusara o recebimento do telegrama, ao mesmo tempo em que solicitava do seu subordinado que providenciasse uma condução, e os viesse apanhar, pois em Pedra não havia nenhuma condução motorizada naquele momento. Apesar disto, as duas tropas, de Bezerra e Ferreira, partiram com destino a Piranhas, a pé, porque não se poderia perder tempo. Afinal de contas, a condução poderia vir ou não!

Depois de enfrentarem, durante algumas horas, as terras comburidas e o solo causticante, encontraram um caminhão, procedente de Mata Grande, conduzindo alguns feirantes e suas mercadorias. O Tenente Bezerra determinou, assim, que fosse descarregado o caminhão, fizesse a volta e os conduzisse até Piranhas, o que foi feito incontinente, enquanto os passageiros ficaram aguardando o retorno da condução.

NO ENCALÇO DE LAMPIÃO

Em Piranhas, trataram de providenciar uma canoa, a fim de que, através do rio São Francisco, eles pudessem alcançar a localidade onde se encontravam os bandidos. Depois de grande esforço, resolveram ajoujar três canoas – diz o coronel –, única solução viável naquele momento, uma vez que, eram aproximadamente 45 homens e se tornava necessária a presença de todos. O percurso dessa arriscada viagem foi feito à noite, sob forte aguaceiro, tendo os policiais chegado em Entremontes, cerca das 22 horas.

- “Quando alcançamos aquele povoado, ficamos à margem do rio, tendo o tenente Bezerra, comandante das tropas, determinado que o cabo Bida fosse à casa de Pedro de Cândida, bem próximo dali, e o trouxesse preso. Pedro de Cândida – esclarece o coronel – era um dos inúmeros coiteiros de Lampião, vivendo exclusivamente às expensas deste e sempre afirmava que botaria a policial em cima de todos os grupos, menos no de Virgulino Ferreira. Retornando sem haver cumprido a missão, o cabo Bida informou que Pedro de Cândida havia dito que por obséquio, o tenente fosse falar com ele em sua própria casa.

O pior de tudo, é que não trouxe o homem. Ficamos tomados de grande revolta e o único pensamento que me veio à cabeça era de que o Pedro havia fugido e ninguém mais o encontraria. Mas, graças a Deus e à sua ousadia, que era demais, o homem não se arredara de casa e dois soldados foram buscá-lo, dessa vez com fortes recomendações. E o trouxeram, sem muito esforço. Diante do tenente Bezerra – continua o coronel – a despeito dos apertos que levou, o coiteiro-mor nada confessou, afirmando sempre não saber onde esse encontrava Lampião.

Persistindo no intento de arrancar a confissão verdadeira, fosse de que maneira fosse, uma vez que ninguém tinha mais dúvida de que ele poderia tudo esclarecer, o comandante das nossas tropas resolveu encaminhá-lo para mim, no sentido de que eu desse um “jeitinho” para desvendar o mistério em torno do paradeiro dos bandidos.

PEDRO DE CÂNDIDO CONFESSA

- “Chamei-o para um lugarzinho afastado, já tomado de forte cólera, e conclui que a única solução do assunto dependia de uma medida rigorosa que, de fato, pudesse assustar ao maldito coiteiro. Saquei de um punhal que conduzia e encostei ao peito esquerdo dele, e disse com voz firme: “você tem dois caminhos a seguir: ou confessa ou morre. Por duas vezes, encostei-lhe o punhal, furando-o sem grande profundidade. Na terceira vez, quando ele percebeu que eu estava realmente disposto a mandá-lo para o outro mundo, resolveu falar, insistindo para que eu não o matasse.

- “Eu vou contar tudo – disse Pedro de Cândido ao aspirante – mas vai morrer muita gente...”

- Cientifiquei o ocorrido ao compadre Bezerra e mandei que ele próprio ouvisse a confissão. Sem muita demora, foi logo dizendo que os cangaceiros de fato estiveram em Entremontes, porém já haviam atravessado o rio, estando em Sergipe, e que um seu irmão, que residia a margem do rio, no outro lado, sabia esclarecer detalhadamente sobre o paradeiro dos bandidos, principalmente porque, no dia anterior, havia levado um bode assado para o “capitão” Lampião e sua gente. Não é necessário dizer que custamos a acreditar naquela conversa. Mesmo assim, atravessamos o São Francisco, conduzindo entre nós Pedro da Cândida, ocasião em que nos dissera que, se porventura não fosse verdadeiro o que ele acaba de confessar, pudéssemos matá-lo. A partir daquele momento, criamos alma nova e ficamos na certeza de que estávamos nos calcanhares de Lampião. A chuva não cessava e era cada vez maior a nossa esperança de vermos terminada aquela jornada, que havia começado há vários anos, sem ninguém saber quando terminaria!

CORONEL CONFESSA: DEGOLA DOS BANDIDOS FOI LIDERADA POR MIM

Após a confissão de Pedro de Cândida, os “macacos” perceberam que estavam no começo do fim. Ouçamos o coronel Ferreira:

- “ Quando atravessamos o São Francisco, encostamos as canoas em um lajedo e rumamos para a casa do irmão de Pedro de Cândida, cujo nome não consegui gravar. Deixamos o coiteiro em poder de alguns soldados, e procuramos falar com seu irmão, sem dizermos que Pedro se encontrava conosco. Insistimos bastante e ele nada queria nos confessar, sempre negando, até que a nossa paciência se esgotou. Daí, procuramos fazer a acareação dele com o irmão, tendo este, tão logo se avistaram, pedido que confessasse tudo, pois já havia descoberto o que sabia e estava tudo perdido. Seria inútil qualquer tentativa em sentido contrário. Nada mais restava fazer. E o rapazote despejou tudo com facilidade, inclusive confirmou que no dia anterior havia levado um bode assado para Lampião. E acrescentou que ele havia dito que, se não partissem naquela tarde, partiriam no dia seguinte, cedinho.
O Coronel Ferreira respira fundo, esfrega as mãos e diz que a partir daquele instante estava iniciada uma verdadeira via crucis. Estávamos cansados, molhados como patos n’água, mas tínhamos uma missão a cumprir – confessou-nos calmamente.

- “As tropas foram divididas. Cada grupo seguiu o seu rumo e coube à minha volante conduzir Pedro de Cândida, que nos mostraria o local onde se achava o assassino. Andamos de quatro pés, de joelhos, rastejamos, e quanto mais nos aproximávamos, em meio à escuridão, falávamos aos cochichos, evitando, assim, que algum barulho viesse a denunciar a nossa presença. Vivemos momentos de intensa apreensão. Ficou convencionado que o tenente Bezerra, tão logo se aproximasse do esconderijo, daria o primeiro tiro, no que seria seguido por todos nós. O correu, no entanto, que a minha tropa tanto se aproximou dos miseráveis, ao ponto de vermos, a poucos metros da nossa frente, um cangaceiro de cócoras, apanhando água, com uma cabaça, ou cantil. Mais tarde, viemos a saber que se tratava de Zé Sereno.

Ouvimos o chocalho dos animais, fortes gargalhadas, e naquele momento, entre o clarear do dia e a penumbra da noite, o soldado Abdon, viu-se tão perto de um cangaceiro, conhecido por “Quinta Feira” que, sem a menor demora, deu-lhe um tiro. Estava iniciado o tiroteio. Um minuto de indecisão, e naturalmente teríamos levado chumbo. Iniciada a batalha, confesso que nunca vi quadro tão horroroso, principalmente pelos gritos horripilantes que os cangaceiros davam. Eram gritos horríveis, que assustariam a qualquer cristão, mesmo preparado para o difícil momento. O tiroteio durou uns 20 minutos, aproximadamente, em meio a uma fumaceira terrível, onde se misturavam a neblina da manhã com a fumaça vomitada pelas armas, enquanto espirrava cangaceiro por todos os lados. Quando já havíamos derrubado seus bandidos, já a tropa do tenente Bezerra se aproximava, dando prosseguimento ao tiroteio, derrubando os que iam aparecendo.


 Volante do Tenente Ferreira de Mello Chico Ferreira, 
quando retornavam de Angico, dias após a chacina



LAMPIÃO E MARIA BONITA BALEADOS

- “Cessado o fogo, fomos dar balanço das vítimas. Dos nossos companheiros, o soldado Adrião fora baleado mortalmente. Lampião recebera apenas uma bala, atingindo-o no lado esquerdo da região umbilical. Ainda agonizava, quando um dos nossos soldados aproximou-se dele, e, apontando o fuzil em direção da sua cabeça, ia puxando o gatilho, no que foi obstado por um outro soldado, Sebastião Vieira Sandes, conhecido por Santos, meu compadre e um dos mais corajosos milicianos que conheci. Mesmo assim, a bala que se destinaria diretamente à sua testa, ainda o atingiu, embora de raspão.

Ao seu lado, Maria Bonita, com o fato todo de fora, pronunciava palavras incompreensíveis, arrancadas com esforço de moribundo. Luís Pedro, lugar-tenente de Lampião, ainda correu, tendo sido baleado a umas 10 ou 15 braças do local, acompanhado de um seu afilhado, o bandido “Vilanova”. Atingido por balas mortais, insistia com Vilanova para que este o acabasse de matar e que, como lembrança, ficasse com o seu mosquetão. Não resistiu, e o afilhado ficou com o mosquetão e o chapéu de como lembrança. No local – conclui o Coronel Ferreira – além de dois animais que eles conduziam, encontramos duas máquinas de costuras, manuais, comida de várias espécies, principalmente carne de conserva, jornais, medalhas, anéis de todo tipo, além de um verdadeiro arsenal.

DEGOLA: INICIATIVA DO CORONEL

Como se sabe, as vítimas da chacina de Angicos, excluindo o soldado Adrião, perfizeram um total de onze: Lampião, Luís Pedro, Quinta Feira, Mergulhão, Elétrico, Caixa de Fósforo, Cajarana, Diferente, Maria Bonita e Enedina, além de outro cujo nome não conseguimos reter. Cessada a batalha, jaziam alguns cangaceiros, enquanto outros ainda agonizavam.

 O cangaceiro "Diferente"

Tomado de ingente revolta, o aspirante Ferreira chegou a sangrar um dos bandidos, que, num gesto de represália involuntária, jogou-lhe algumas golfadas de sangue, em meio aos horríveis gritos que antecedem aos instantes finais da vida.

- “Qualquer homem de bem, por mais pacato que seja – justifica o coronel – faria o que eu fiz. Bastaria que conhecesse de perto, colocando diante dos olhos os quadros de misérias que as terras sertanejas estavam cansadas de nos expor tendo com responsáveis aqueles perversos e miseráveis bandidos. Certa vez, não pude me controlar e cheguei a chorar, quando cheguei a uma casa e vi toda família, inclusive alguns menores, todos amarrados e queimados, vítimas de Lampião e seus comandados. Em plena caatinga, era hábito encontrarmos esqueletos dependurados em árvores, iniciativa do terrível Virgulino Ferreira. Seria ocioso mencionar as suas perversidades, por demais conhecidas, embora não na sua totalidade.

MARIA ERA MESMO BONITA E O “REI DO CANGAÇO” NÃO MORREU DORMINDO

Dizíamos, no meio desta série de reportagem, que existiam muitos pontos obscuros e controversos sobre Lampião, sua gente, suas façanhas. Um deles, por exemplo, prende-se ao coiteiro-mor Pedro de Cândido, o homem que conduziu o Tenente Bezerra e os seus comandados até ao esconderijo em que se achava o perverso cangaceiro, de conluio com algumas dezenas de divorciados da lei.

Numa série de entrevistas concedias aos Associados, o ex-cangaceiro “Volta Seca”, atualmente Antônio dos Santos, pai de sete filhos, funcionário da Leopoldina, no Rio, dissera entre outras coisas que, após a degola dos cangaceiros, as tropas da polícia alagoana deram cabo de Pedro da Cândido.

- “Nada mais inverídico e falso – refuta o Coronel. Na realidade, quando o conduzíamos em demanda de Angicos, levando-o com certa cautela, eu havia autorizado a dois soldados que, tão logo fosse iniciado o tiroteio, acabasse com a vida dele. Entretanto, apesar de não ser lá nenhum bom coração, resolvi pensar de modo diferente, atendendo aos seus clamorosos apelos, sobretudo com referência à família, que ia ficar desamparada. Assim sendo, através de gestos, eu transmiti aos soldados que nada fizessem, deixassem-no ir embora. E assim foi feito. Não posso esclarecer como ele escapuliu e foi bater em casa, mas uma coisa posso afirmar: um mês depois da chacina, Pedro de Cândida ainda tirava espinhos do corpo, um tanto inchado, em consequência da carreira que dera, enfrentando os mandacarus, xique-xiques e todos os tipos de plantas bravas.

Para desfazer totalmente as informações de Volta Seca, o coronel diz que os governos de Bahia e Alagoas (o interventor de Alagoas era o Dr. Osman Loureiro), juntos, ofertaram cem mil cruzeiros, a serem distribuídos com os participantes da luta, tendo ele e o Tenente Bezerra recebido maiores parcelas, enquanto o restante recebeu quantias iguais, inclusive o próprio Pedro de Cândido. Diz, ainda, que o referido coiteiro ingressara na polícia alagoana, na qualidade de cabo, tendo ido destacar em Entremontes, local em que residia.


 O aspirante Ferreira de Melo e o soldado Noratinho 
mostram a Melchiades da Rocha o local onde Lampião foi decapitado.

ASSASSINADO ANOS DEPOIS

E o coronel revela:

- “Destacando em Entremontes, Pedro de Cândido, que era muito mulherengo, habitualmente deixava aquele distrito, conduzido em uma canoa por ele mesmo remada, em demanda de Piranhas. Naquela cidade, Pedro tinha as suas aventurazinhas amorosas. Nessa época, começou a aparecer um boato de que existia “bicho” naquelas redondezas, chegando a ser “visto” por muitas pessoas. Certa noite, quando um rapazinho de 15 a 16 anos transitava nas imediações do rio São Francisco, e tendo que passar por um caminho que se localizava bem a sua margem, inesperadamente deparou-se com um vulto, braços abertos, dando a ideia de que iria abraçá-lo. Já ciente do boato que circulava em Piranhas, ficou na certeza de que estava fielmente diante do lobisomem. Deste modo, talvez impulsionado pelo próprio medo, puxou do bolso uma “faquinha de cabo preto”, que conduzia, e a cravou no peito esquerdo do suposto fantasma, saindo a gritar dizendo que havia morto o “bicho”.

Com grande surpresa para os habitantes dali, verificaram, depois, que se tratava de Pedro de Cândido, trajando um capote escuro, na época distribuído pela polícia de Alagoas.

LAMPIÃO NÃO MORREU DORMINDO

Outra inverdade divulgada pelo ex-integrante do grupo de Lampião, refere-se à morte do seu ex-chefe, quando afirma que o “rei do cangaço” morreu dormindo, sem tempo para acordar. E acrescenta que “foi encontrado no chão, mas já caiu da rede morto e ensanguentado, com o corpo crivado de balas”.
- “Lampião, diz o coronel Ferreira, sem dúvida alguma foi tomado de surpresa e longe estava ele de acreditar que àquelas horas, naquele seu infeliz amanhecer de 28 de julho de 1938, nossas tropas estivessem, ali, ao seu redor. A bem da verdade, torna-se necessário esclarecer que o fato de termos o agarrado inesperadamente, ajudou-nos bastante, visto que, bastaria uma simples falha nossa, ou até mesmo uma simples indecisão ao abrir fogo, e talvez poucos soldados das nossas volantes viessem a descrever aqueles instante de ferocidade e agonia. Apesar de o termos cercado de surpresa, afirmo categoricamente que Lampião não morreu dormindo, nem foi crivado por várias balas.

Todos os cangaceiros já se encontravam de pé, naturalmente se aprontando para a partida, pois o dia já estava amanhecendo e Lampião, conforme é sabido por todos, não era homem de dormir até tarde, principalmente com os seus subordinados acordados. Isto não passa de conversa mole, que não tem nenhuma razão de ser. Lampião já estava de pé e recebeu apenas uma bala, conforme eu já disse, empunhada pelo cabo Honorato, conhecido por Honoratinho. Todavia, ninguém poderia precisar, em meio ao fumaceiro, às apreensões e a balbúrdia do momento, que esse ou aquele policial tivesse atingido ao nosso terrível adversário. O verdadeiro, no duro, é que foi a minha tropa que exterminou Lampião. Esta é que é a verdade – diz energicamente o Coronel Ferreira.

 


ANTÔNIO FERREIRA É UM PSICOPATA

A entrevista está no fim. “Seu Antônio Ferreira, declarou que Lampião não havia morrido e que Maria nunca existiu, de vez que ele participava também do bando e nunca viu mulher ou mulheres entre eles.

Lemos para o Coronel as ousadas declarações do velhinho paraibano, ouvidas sobre forte gargalhada.

- “Só mesmo um psicopata, poderia fazer tão imbecil afirmativa, sem pé nem cabeça, decerto procurando um início de levar o nome às páginas dos jornais. Se Lampião não morreu, como é que os membros da sua família vêm lutando para sepultar a cabeça dele e de Maria Bonita? Se Lampião não morreu, como é que os próprios sequazes seus, que lado a lado viviam com ele, constantemente se referem ao seu desaparecimento, muito embora nem sempre historiando a verdade dos fatos? Existira prova mais fiel do que a existência da sua cabeça, já mumificada, no museu Estácio de Lima, na Bahia?

- “Não consigo entender como é que uma pessoa afirma que não existiam mulheres no bando de Lampião. Eu mesmo fiquei com algumas fotografias, pertencentes ao desgraçado cangaceiro, retiradas de uma lata que se achava em seu poder, onde se constata a existência das mulheres.

Folheia um álbum, que nos deu para examinar, no qual, dentre várias fotos, encontra-se uma do bandido “Pancada”, ao lado a sua companheira, cujo nome desconhece. Mais adiante, lá estão Lampião e Maria Bonita, esta sentada, entre dois cachorros, e aquele de pé, ao lado, em um jornal. da fotografia, vê-se que Maria Bonita era bonita mesmo e dona de umas lindas pernas.

 Ferreira e o jornalista

 HOMEM DE CONSCIÊNCIA TRANQUILA

Aos 61 anos de idade, o tenente coronel Ferreira de Melo é um homem que diz viver de consciência tranquila, não obstante algumas malvadezas que teve de praticar, forçado pelos ossos do ofício, nem sempre ossos bons de roer. Respeitado e admirado, vive sob a glória de haver concorrido bravamente para o extermínio do maior bandido que o Brasil conheceu e reconhece que o triunfo coube a todos que participaram da chacina e outros que direta ou indiretamente, deram a sua parcela de sacrifício, em defesa da tranquilidade da nação. Cita os nomes do coronel Lucena Maranhão, do Tenente Bezerra, do ex-cabo Aniceto, que morreu baleado em Santana do Mundaú, no de 1959, e não esquece, entre vários outros, o Dr. Osman Loureiro que, na qualidade de Interventor, muito fez para a extinção daquela praga social.

Ainda hoje, na tranquilidade em que vive, fala de Lampião com ares de revolta e ódio.

Bônus:

Francisco Ferreira de Melo em dias de paz.

A Ilustração ficou por conta do Blog Lampião Aceso

https://lampiaoaceso.blogspot.com/search/label/1938

ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!

Quando estiver no trânsito, primeiro, lembre-se de lembrar que tem que se lembrar deste lembrete, para não passar por coisas desagradáveis no trânsito. 

Muito chato para você me ver sempre chamando a sua atenção. Mas é para o seu bem.

 Cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, desculpa-o, faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional. Você poderá ser vítima. 

As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! 

Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo dentro de um caixão. 

Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância, e depois que o bicho é criado, o mais difícil é matá-lo.

Imagina bem, o sujeito diante de uma arma sem ter como se livrar dela, hein? Possivelmente irá morrer.

 https://www.metropoles.com/distrito-federal/na-mira/policial-civil-atira-na-perna-de-motociclista-apos-briga-de-transito-video 

Uma confusão criada entre dois ou mais indivíduos no trânsito, muito difícil de ser apaziguada. 

Cada um quer ter razão, e uma arma poderá surgir entre eles, e alguém apertará o gatilho, e outro irá morrer. 

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