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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Bosco André, legenda viva de nosso Cariri

Por: Manoel Severo
João Bosco André e Manoel Severo

Rapaz; existem destas pessoas que são marcantes. Por onde vão passando deixam o rastro de camaradagem, coleguismo, retidão, alegria, confiança, enfim. Se este "cabra" for do sertão, ainda sobram muito mais adjetivos para elencar. Assim é João Bosco André; espetacular cidadão de Missão Velha e do Mundo... Só para vocês terem uma idéia o homem é primo do Dom Pedro II e amigo pessoal do Papa.
 
Ir ao Cariri e não tirar um ou dois dedos de prosa com o grande "Padre Bosco"; sim, ainda esqueci, o homem foi ordenado Padre no primeiro Cariri Cangaço; é o mesmo que ir a Roma e não ver o Pontífice... Bosco André é assim, uma alma boa e um coração do tamanho do Vale do Cariri. Pesquisador atento, curioso, de uma memória fora do comum; lembra de detalhes simplesmentes impressionantes. Impossível não andar pelas ruas de nossa querida Missão Velha ao lado de Bosco, sem que ele vá logo dizendo: "Ali mora fulano, que é irmão de beltrano que fez isso ou aquilo, acolá tinha um armazém que foi desse ou daquele, por aqui passou sicrano em 1923, etc, etc, etc".


Uma boa conversa com Bosco André é receita garantida de uma visita de sucesso para qualquer pesquisador das boas coisas de nosso cariri. Sem dúvidas, Bosco, ao lado de
 
 
Napoleão Tavares Neves e de
 
Aderbal Nogueira, Huberto Cabral e Jonasluis de Icapuí
 
Huberto Cabral, são os três maiores memorialistas de nosso amado Cariri.

Coronel Santana, Serra do Mato, Fonte da Pendência, Coronel Zé Dantas, Isaias Arruda, Joca do Brejão, Engenho de Santa Teresa, Fogo do Taveira, Fazenda Padre Cícero, Torno dos Linardes, Zé Gonçalves... menino, se puxar assunto o homem vai longe e nos encanta a todos com sua atenção, disponibilidade e cordialidade. João Bosco André, é vice-presidente do GECC , Conselheiro Cariri Cangaço, um grande pai de família e um dos maiores carateres que conheço.
 

A você que gosta das coisas do sertão, que ama o nordeste e que se apaixonou pelo Cariri Cangaço, não deixe de vir até aqui e travar um "bom combate" com esse grande amigo e grande companheiro , João Bosco André, ou simplesmente "Padre Bosco".

Manoel Severo
 

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Aprovado Título de Cidadão Missão Velhense para Manoel Severo

Por: Bosco André
 

Meus caros Severo e Dra. Danielle,


para minha satisfação, quero lhes avisar em primeira mão, que a honraria à pessoa de nosso amigo Severo;

 
" o reconhecimento do povo de Missão Velha pelos relevantes serviços prestados à nossa cultura popular" - através da Câmara Municipal de Missão Velha, foi aprovado nesta manhã do dia 09 de outubro; o Título de Cidadão
Missão Velhense ao senhor
Manoel Severo Gurgel Barbosa.

Posteriormente será marcada uma data para a solenidade oficial de entrega da referida honraria.
Saudações , João Bosco André

 
NOTA MANOEL SEVERO: Novamente nosso coração se enche de satisfação em receber tão maravilhosa honraria. Primeiro foi a Câmara de meu amado Crato; agora Missão Velha nos concede o imensurável prazer de me tornar membro efetivo dessa tão honrosa família. Aos amigos de Missão Velha, a toda família Missão Velhense, aos grandes companheiros que aprendemos a respeitar, admirar e querer bem, muito obrigado. Certamente não tenho os predicados necessários para ostentar tão grande honraria, mas desenvolverei todos os esforços para corresponder a esse inigualável presente.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Nos Porões de Izaias Arruda

Por: Bosco André

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Meu caro amigo Severo e companheiros de Cariri Cangaço, há uns três meses recebemos aqui em Missão Velha a equipe de filmagem da mini-série "Sedição de Juazeiro". na oportunidade passamos alguns dias acompanhando a competente equipe que tem entre seus produtores o grande pesquisador e documentarista do cangaço Aderbal Nogueira.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhEy_h1eU6ygChTO_3UndXWfBOj4F2e7DtO9jwoaAysyV1EaBBHFBa2PleXKeZoffVbA8eiPIzQZ3SwysJWj1-OUN02kBzVcAp87SM2XTXGSM5XTVJuby-xcScFgEzyv2EgrBNrZKZW8A/s400/P6130777.JPG
Aderbal Nogueira

Entre uma gravação e outra acabamos fazendo uma nova visita a Casa de Izaías Arruda, bem no centro de Missão Velha. 

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhiry0zJJwrhFY7sPTWsr6v_EuP6xpxJr6721d2mfeBHrJrGg43bQlR88YIqJTsothG1UyjGvZD_d65CpQRHLJ1G3UieVdX0lHBD8cZWCyI2EspD0-YJ-Kb3OTG9RLlq-Y5Y8U0KJdmWA/s320/casa.jpg

Naquela ocasião Aderbal com a competência que lhe é peculiar realizou o registro histórico de um dos lugares mais inusitados da edificação: Os famosos porões da casa de Izaias.


 Certamente todos os amigos se deleitaram com a matéria que Aderbal enviou para este mesmo blog do Cariri Cangaço, quem desejar ver novamente é só procurar no índice lateral e conferir.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhAeJloE_0CCz5K-rrXZk930Dy10CTVSr4He191yh0OCagGk4BFaTyJdUQsmeRgRcTCT_Mc-2bFuUzpsQ5TpPoBEqa0QPPkN6A3ZqnlIzikNAHWcPHGyItvLR3zdnFvifH8jWfEM7lPoA/s320/foto+grupo+isaias+e+ze+gon%25C3%25A7alves.jpg
Grupo de Izaias Arruda, o segundo à esquerda Zé Gonçalves

Pois bem, após a maravilhosa postagem de Aderbal , aqui em Missão Velha já começaram a aparecer histórias e personagens que passaram ou fizeram parte da história dos famosos porões de Izaias.

http://www.aurora.ce.gov.br/images/conteudo/%7BA9CC1DAC-E77A-44D1-90E9-169E8A89A311%7D_Isa.jpg

Hoje trago um episódio verídico e que por questões éticas não poderia declinar nomes. Mas vamos aos fatos.

Pelos idos de 1940 quando ainda existiam e eram respeitadas as chamadas "mangas de solta de gado" em cima da Serra do Araripe, que eram respeitadas desde remotas datas, ainda em épocas do cel. Franscisco Mascarenhas de Quental; época em que quem tinha alguma propriedade ao sopé da serra, era o detentor supremo de suas frentes até o limite de seu município. Então um determinado senhor de terras, abastardo, rico e poderoso, cercou as frentes dos sitios Bodó, Varzinha e Santa Rosa, então propriedades do senhor José Gonçalves de Lucena, outrora lugar tenente de Izaias Arruda; que de imediato preparou a desforra.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhCG1l4gfr_6ISr0pAlQtKrowRdDuDXk-w6DRLfY-8l0KL31ZjysUUqI4SmDS54XDwyxjHMVRKEwkccXVNoUwXPbmhD_HE4tRDbhkhW5R2UewB7TZMVTKXFqYjoPByR__KbzXi7xCHGEQ/s1600/ze.jpg
Zé Gonçalves Lucena

Enviou um compadre de sua inteira confiança, sr. Zé Ruberto, até o município de Jardim e ali foram arregimentados cerca de 80 homens para a destruição da referida cerca e consequente queima da madeira da mesma, assim foram compradas 3 caixas de machado para a empreita da desforra, que deveria acontecer altas horas da madrugada e ao amanhecer do dia tudo estava consumado.

Os próximos passos ao fim do episódio foi uma representação judicial do rico proprietário contra Zé Gonçalves Lucena e seus homens, e dentre esses os principais cabeças, entre eles, o meu "entrevistado", que acabou sendo usado como uma espécie de bode expiatório, na época, pasmem, com apenas 12 anos de idade, mas escolhido como isca para pegar os "peixes graúdos". Fato consumado o garoto de 12 anos foi tocaiado em uma vereda que levada à sua casa pelo inspetor de quarteirão, Manoel Fidelis e mais 10 homens. O menino matreiro e vivido, apesar da tenra idade, ao ser conduzido a delegacia, disse que precisava pelo menos avisar a sua mãe. Assim foi feito, levado à presença da mãe no sítio Bodó, quando abriram a porta o menino foi impedido de entrar em casa, deu um salto para dentro e acabou derrubando o delegado, no que sua mãe trancou a porta e ameaçou aos homens do delegado para que entrassem para vir tirar o menino de sua casa.

Ato contínuo chega o pai do garoto, também homem de confiança de Zé Gonçalves e o inspetor e seus homens se retiram da propriedade. O resultado desse episódio todo foi que o referido garoto, meu "entrevistado" e seu pai precisaram passar mais de 15 dias escondidos da polícia e da justiça, adivinhem onde? Pois é, dentro dos famosos Porões de Izaias Arruda, na época já pertencentes a José Gonçalves.

Abração a todos e em setembro todos vamos fazer uma nova visita aos Porões durante o Cariri Cangaço.


Bosco André

 CARIRI CANGAÇO

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Legendas vivas da memória do Cariri

Por: Manoel Severo


             Sempre afirmei que o Cariri Cangaço é o resultado de uma grande construção coletiva. Sem dúvidas, é necessário a figura de um timoneiro, um animador, um articulador para ordenar as idéias e as ações; entretanto o conteúdo principal, que são o conjunto de abordagens, as possibilidades de aprofundamento, a adesão e a qualidade dos colaboradores, dentre tantos outros aspectos, são resultado do esforço de muitos.

Bosco André ao lado de Napoleão Tavares Neves

            Hoje presto uma homenagem a quatro destes grandes homens que ao nosso lado estão reescrevendo a história de nosso Cariri. Homens determinados, zelosos e acima de tudo apaixonados por essa terra maravilhosa, tão cheia de tradição, cultura e história.

Bosco André ao lado de Sousa Neto

            Napoleão Tavares Neves, uma verdadeira legenda, o mais festejado memorialista de nosso Cariri. Homem simples, humilde e de uma bondade sem igual. Médico humanitário e um pai de família exemplar. Napoleão Tavares Neves é uma das mais privilegiadas inteligencias de nossa região, escritor talentoso e um espetacular contador de histórias, com H maiúsculo, ao amigo Napoleão a nossa gratidão.
             João Bosco André é uma dessas personalidades que nos encanta "logo de saída"; de jeitão manso e matreiro, vai falando, falando e contando tudo sobre tudo de nosso Cariri, nada lhe foge a memória, um memorialista ímpar, conhecedor profundo da história de nossa região, principalmente de suas origens e toda a capilaridade que lhe é peculiar. Ao padre Bosco, a nossa homenagem.

Bosco André ao lado de José  Cícero

             O grande secretário José Cícero é daqueles que não mede esforços para chegar a seus objetivos; sua dedicação às pesquisas de nosso chão quente do sertão, chegam a espantar, diante da qualidade e da minúcia; a história de nosso Cariri passa também pelas linhas de José Cícero, a você amigo, o nosso abraço.
              Sousa Neto, de fala macia e serena, escondem a determinação dos abnegados pela busca das verdades históricas. A partir de Barro, a entrada de nosso Cariri, Sousa Neto nos traz uma das maiores sagas da região, é esperar para conferir.
              Aos amigos Napoleão, Bosco André, Zé Cícero e Sousa Neto; o nosso abraço fraterno e de gratidão. E que venha o Cariri Cangaço 2011, quando setembro chegar.
 

Manoel Severo
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quarta-feira, 15 de junho de 2011

A mangueira, a tesoura e a onça do coronel Santana

 Por: Bosco André


               .O Cel. Santana, homem de pulso, chefe político e respeitado no seu Clã familiar, certa feita foi chamado para árbitro de uma questão entre duas pessoas da sua família. A questão era um "pé de manga" entre vizinhos, localizado na cerca da estrema entre as duas propriedades, que a matrona, já viúva, exigia que as mangas que caíssem na propriedade do seu parente e vizinho, lhes fossem entregues.

Coronel Santana
            O Cel. Santana, tentou por todos os meios sanar a briga, mas sem êxito. Resolveu colocar um terceiro na história e o peitou para que toda noite colocasse uma lata d'agua quente e urinasse no pé da mangueira. Ao cabo de um mês, a mangueira estava morta, caso solucionado, sem deixar mágoa a nenhum dos seus parentes e seus eleitores e o mais importante, sem que aparecesse aquela estratégia do ardiloso coronel, o local ainda hoje é conhecido como: “A MANGUEIRA MIJADA” ...

OUTRA HISTÓRIA DO CEL. SANTANA
          
             Certa feita o Cel. Santana, chegou a casa de uma sua parenta nas redondezas de Missão Velha, a qual se encontrava chorando muito, ao que foi interpelada pelo coronel, o que estava acontecendo? Ela, lhe disse que havia desaparecido uma tesoura de ouro, que fora herança da sua avó, e que suspeitava de umas mulheres que estavam apanhando um feijão na sua roça, em número de oito trabalhadoras rurais.            
             O Cel. Santana, pediu calma e perguntou a que horas aquelas mulheres voltariam da roça, tendo a sua parenta dito que ao final da tarde; lá para as quatro e meia da tarde.
             À hora marcada, o coronel chegou a casa da sua parenta e mandou que as mulheres desocupassem os lençóis, jogando o feijão ao pé da parede e mandou que pegassem quatro lençóis daqueles e cada uma, pegasse numa ponta do lençol e tentassem rasgá-lo, a certa altura o Cel. Santana, disse: “a mulher que roubou a sua tesoura minha prima, não vai conseguir rasgar o lençol! ao que uma das circunstantes, disse: “não Coronel eu vou conseguir!”, então aí o Cel. Santana, mandou que ela fosse buscar a tesoura e entregasse a sua legítima dona. Terminando assim o segredo do roubo da tesoura.

a famosa tesoura de ouro

MAIS OUTRA DO CORONEL SANTANA
            
            Numa de suas fazendas o Cel. Santana, mantinha um criatório de bodes e começou a desaparecer os bodes e o coronel chamou ao seu encarregado e disse:
            - Compadre, isso é a onça que está pegando estes bodes e vamos pastorar a onça para matar”, lhe entregando um rifle.
            Debalde aquela ordem do coronel, pois o compadre sempre alegava que não conseguia matar a onça e os bodes sumindo.
             Um dia o Cel. Santana, manda chamar o compadre a Serra do Mato e conversa vai, conversa vem, escureceu e o Cel. Santana diz ao compadre:
            - Você hoje vai dormir aqui e pode amarrar o seu cavalo perto daquela cana que replantei  a poucos dias, mas amarre bem seguro para não estragar a cana e ainda porque lá perto tem uma bola de capim que dá para o cavalo alimentar-se bem durante a noite".
            O compadre preparou um torno, fincou ao chão e amarrou o burro com uma corda nova.
             Por tras, o Cel. Santana, manda um seu cabra a noite velha, cortar a corda com pedras, para que o compadre de nada desconfiasse.          
            Madrugada cedo, o compadre levantou-se e foi até onde estava amarrado o seu cavalo e para seu espanto o mesmo estava dentro da cana tão recomendada pelo coronel.
            Ao retornar a casa grande, o Cel. Santana, já estava de pé e perguntou:
            - como foi compadre, o cavalo estava amarrado no lugar que você deixou?”
            E o compadre disse:
            - Compadre, o burro soltou-se e deu um estrago muito grande na sua cana, isso eu não posso negar”.
           Então o Cel. Santana, disse:
           - Pode ir para casa compadre, pois o homem que não mente, também não rouba”.
           Tirando a limpo a história de que a onça, realmente era quem estava comendo os bodes do Coronel e não o compadre, como ele desconfiava.

Extraído do blog "Cariri Cangaço"