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sábado, 24 de novembro de 2012

Falando nisso... Luiz Cazuza

Por: Ângelo Osmiro Barreto

Luiz Cazuza e as rapaduras de Lampião

LUIZ CAZUZA

No ano de 1999 recebi convite do meu amigo Paulo Medeiros Gastão, primeiro presidente da SBEC (Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço) para participar d Tributo a Virgulino, evento a ser realizado em Serra Talhada, no Estado de Pernambuco, coordenado pelo escritor William. Combinamos de nos encontrar no sertão pernambucano, já conhecia Paulo de algum tempo, entretanto somente através de telefonemas ou cartas.

Paulo Medeiros Gastão

Até então, também não conhecia os locais onde aconteceram alguns episódios da história do cangaço, somente os livros eram minhas fontes de pesquisa.

Cheguei à Serra Talhada, ainda na sexta-feira, acompanhado de minha esposa, Socorro, grande incentivadora das minhas pesquisas.

No sábado pela manhã nos dirigimos à Fazenda São Miguel, reduto da família Saturnino/Nogueira, sem conhecermos ninguém. Saímos perguntando e acabamos encontrando o local do evento. Como estava ansioso para conhecer os locais que tanto me fascinavam nas leituras,    chegamos muito cedo à Fazenda São Miguel, local do Tributo a Virgulino naquele ano.


Estava entretido olhando as fotos expostas na parede do clube da fazenda, quando se aproximou de mim e de minha esposa, um senhor já bastante adiantado nos anos, mas de uma simpatia ímpar. Perguntou de onde éramos e o que estávamos fazendo ali. Quando respondemos de onde vínhamos e o que viéramos fazer em Serra Talhada, aquele senhor do riso fácil, disse não acreditar que havíamos viajado do tão longe para conhecermos aquelas histórias. Com sua espontaneidade não foi difícil para minha esposa à aproximação com as pessoas do lugar. Aquele senhor começou a nos mostrar os personagens daquelas fotos expostas na parede. Como principiante nas pesquisas em loco, fiquei encantado quando ele falou que era sobrinho de José Saturnino das Pedreiras, o primeiro inimigo de Lampião, estava convivendo com gente que fez da história, até então só conhecia as histórias dos livros, era fascinante.

Zé Saturnino - maior inimigo de Lampião

A empatia foi tão mágica que naquela mesma noite, dormimos na casa de uma filha sua, casada com um sobrinho, Ilma e João, dois irmãos que ganhamos nas veredas do sertão.

Havíamos nos hospedados no hotel em Serra Talhada, planejávamos voltar no final da tarde para dormirmos e retornarmos à Fazenda no dia seguinte para o encerramento da programação. Entretanto aquela gente que acabávamos de conhecer, simplesmente não nos deixou voltar, fomos acolhidos com uma simpatia e hospitalidade tão grande que não nos deixaram ir mais para o hotel, ficamos hospedados na casa de João e Ilma durante toda realização do evento. Foram dois dias maravilhosos que jamais se apagarão de nossas memórias, de vez em quando recordamos com uma saudade maravilhosa àqueles dias. Depois disso já estivemos várias vezes na Fazenda São Miguel, sempre muito bem recebidos, mas o encanto daquela primeira vez é inesquecível.

Luiz Cazuza

Esse preâmbulo é para falar na figura ímpar do seu Luiz Cazuza, aquele simpático senhor do começo dessa história, uma pessoa que desfruta do maior carinho de todos aqueles que tiveram o prazer de conhecê-lo, e eu sou um deles. 

Seu Luiz foi contemporâneo de cangaceiros, quando era adolescente, conheceu o jovem Virgulino Ferreira, o famoso Lampião.

Percorremos juntamente com seu Luiz Cazuza e João Nogueira, seu sobrinho e genro, toda aquela região onde ocorreram várias peripécias do cangaço, algumas vezes também acompanhado de seu filho o escritor José Alves Sobrinho.

Manoel Severo e João Gomes de Lira

Visitamos Neco de Pautilha e Tenente João Gomes de Lira, ex-volante que deram combate com cangaceiros, dona Minô (filha de Zé Saturnino) e outras pessoas da região, nos deliciávamos e aprendíamos com aquelas conversas impressionantes entre aquelas remanescentes de uma época tão rica de história para o nosso Nordeste. Era a histórias ali, passando na frente dos meus olhos. 

Em 1910, seu Luiz Cazuza completou século de vida, uma dádiva de Deus. Luiz Alves de Barros, o Luiz Cazuza nasceu no dia 06 de setembro de 1910, na Fazenda Pedreira no município de Serra Talhada, no sertão pernambucano, filho de José Gomes de Barros e Maria Alves de Barros. Era sobrinho de Zé Saturnino da Pedreira, o primeiro inimigo de Lampião. Casou-se com Dona Tereza Alves de Barros, sua prima, em 1935, com quem teve onze filhos. Na juventude era conhecido nas ribeiras do Pajeú como exímio tocador de harmônica, animador de festas nas ribeiras do sertão pernambucano.

Presenciou quando adolescente as escaramuças entre seu tio e padrinho Zé Saturnino e o cangaceiro Lampião, Saturnino era irmão de sua mãe.

Morando naquelas ribeiras não poderia ficar à parte das brigas entre seu tio e o famoso cangaceiro, conversamos inúmeras vezes com seu Luiz Cazuza, sempre nos encantando com suas histórias sobre o cangaço, sobre o sertão, sobre o seu amor aquela terra que o viu nascer, crescer e envelhecer.

Deixaremos registradas aqui algumas dessas histórias relatadas pelo meu amigo Luiz Cazuza, a propósito, quando nos conhecemos ele me apelidos de Luiz Pedro do Retiro, o velho cangaceiro que acompanhou Lampião por longos anos, e que seu Luiz também conheceu.

No final da tarde daquele longínquo ano de 1927, quando seu Luiz já se preparava para o jantar, que no sertão daquele tempo era feito muito cedo, de repente aponta Genésio Vaqueiro, um sertanejo das redondezas, meio assustado e um tanto apressado. Trazia um recado de ninguém menos que Lampião, o terro do sertão. O chefe bandoleiro mandava dizer que precisava falar urgente com Luiz Cazuza.

O jovem Luiz ficou assustado, afinal seu tio era inimigo de Lampião, apesar dele pessoalmente, assim como seu pai, não haver se envolvido diretamente na briga, o recado era para meter medo. Não comparecer ao chamado era uma imprudência sem limite, apesar do medo o jovem sertanejo atendeu de pronto ao chamado.

Lampião o aguardava em lugar conhecido por Cacimba do Gado, local demarcado, dirigiu-se rapidamente para lá, encontrou uma cena que jamais esqueceria, Lampião acompanhado de mais quatro ou cinco homens, todos maltrapilhos e aparentando cansaço e fome.

Aquele pequeno grupo era o remanescente do numeroso contingente que havia atacado a cidade de Mossoró e apavorado o Rio Grande do Norte, os homens estavam em estado lastimável.

Lampião já conhecia Luiz e toda sua família, sabia do seu parentesco com Saturnino, afinal de contas haviam sido vizinhos, a propriedade de seu pai fora vizinha a fazenda dos Nogueira.

A primeira pergunta que Lampião fez, foi saber como andava Zé Chocalho, apelido depreciativo pelo qual tratava José Saturnino, por conta das brigas existentes entre eles. Luiz respondeu que fazia tempo que não o via, tentando não prolongar o assunto.

Lampião expõe seu problema, disse estarem vindo de longe, estavam com fome, precisavam de mantimentos, perguntou ao jovem sertanejo o que teria para comer.

O sertanejo das ribeiras do Pajeú, disse não saber se por sorte de Lampião ou sua, acabara de comprar uma carga de rapadura para vender, e traria logo, logo, era só o tempo de ir buscar. Junto às rapaduras Luiz trouxe também queijos à vontade, o que agradou muito ao rei do cangaço. Recebidos os mantimentos, Lampião tirou do bolso um maço polpudo de dinheiro, conta, reconta e põe novamente no bolso, pedindo a Luiz Pedro para pagar, alegando não ter dinheiro trocado para efetuar o pagamento.

Nessa hora seu Luiz disse que o medo aumentou, pois a reação de Luiz Pedro, o cangaceiro do Retiro, foi surpreendente, reclamou de Lampião pela sovinice e ainda perguntou para que Lampião queria tanto dinheiro, para levar para o inferno? 

O cangaceiro Luiz Pedro

Perguntou Luiz Pedro ao Chefe. Mesmo assim Luiz Pedro retirou um maço de notas do bolso e repassou para Luiz de Cazuza sem contar. Seu Luiz guardou o dinheiro, também sem contar, queria mesmo era deixar aquele lugar, sair do meio daquelas feras, qualquer minuto a mais era correr perigo. Lampião dispensou a presença de Luiz e agradeceu o serviço prestado pelo sertanejo.

Chegando a sua casa, já aliviado por sair do meio daquele covil de feras, Luiz Cazuza foi contar a quantia recebida e se surpreendeu, o dinheiro recebido dava para comprar pelo menos dez cargas de rapaduras, mas seu Luiz ainda hoje conta, o medo que teve naquela tarde, passada na companhia dos cangaceiros de Lampião, dinheiro nenhum pagaria aquela aflição.

Outra história curiosa que nos foi contada pelo seu Luiz Cazuza, aconteceu também na Fazenda São Miguel.

Estava em casa descansando da labuta diária, ao longe viu se aproximando uma volante, quando "a força" chegou, percebeu que a maioria dos soldados não eram da região, e sim do Recife, segundo seu Luiz, "cabras pé de moça", ou seja, não eram acostumados com a caatinga, estavam vestidos e calçados desapropriadamente para percorrer as veredas do sertão. Os soldados calçavam botas, o que chamou a atenção do sertanejo.

A volante era comanda pelo sargento Domingos, aproximaram-se da casa da fazenda, e o comandante com toda arrogância que um ser humano pode ter, chamou o jovem Luiz aos gritos, e mandou-o arranjar água para tropa. Luiz foi sem pestanejar e muito menos sem protestar, não era doido para discutir com soldado, isso naquela época era assinar sentença de morte. Feito o serviço, pensando haver  cumprido o que o sargento havia ordenado, Luiz se surpreende com mais gritos do sargento Domingos, abusado ao extremo ordenou que o rapaz fosse buscar mais água, e não demorasse. Mais uma vez Luiz cumpriu as ordens sem reclamar. Entretanto, estava presente naquela tropa um soldado que era originário daquelas plagas, o soldado chamou a atenção do sargento quanto à família daquele rapaz, perguntou se o comandante da tropa sabia de quem aquele rapaz era sobrinho.

O sargento mostrando mais uma vez arrogância, respondeu que não sabia e nem interessava saber. O soldado advertiu ao sargento que ele deveria querer saber, afinal aquele rapaz o qual ele estava aos gritos, humilhando, era sobrinho do Sargento José Saturnino, se ele sonhasse que algum membro de sua família estava sofrendo qualquer tipo de humilhação, ainda por cima de companheiros das volantes, a coisa não iria prestar.

Nesse instante o sargento mudou logo de postura, e se dirigiu ao jovem Luiz perguntando porque ele não havia dito antes que era sobrinho de Zé Saturnino. Nesse instante seu Luiz disse que criou coragem, afinal agora tinha respaldo. E falou com toda confiança e certa soberba. "E ei hei de andar dizendo todo tempo: Sou sobrinho de Zé Saturnino, sou sobrinho de Zé Saturnino, sou sobrinho de Zé Saturnino..."

Seu Luiz Cazuza com o seu riso fácil, disse que naquele momento, após a intervenção do soldado, se sentiu seguro e resolveu tirar uma casquinha com o sargento.

No dia 28 de Março de 2011 Luiz Cazuza deixou esse plano, após mais de um século de existência, com aquele seu sorriso aberto, sua alegria contagiante, certamente encontrará o caminho da Luiz.

Só um capítulo do seu mais recente livro "ASSIM ERA LAMPIÃO e Outras Histórias ", pgs 169/174.

Escaneada por
IVANILDO ALVES SILVEIRA
Colecionador do cangaço
Natal/RN

www.lampiaoaceso.blogspot.com

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

"Assim Era Lampião e Outras Histórias"


Por: Natalício Barroso  -- Da Redação
Ângelo Osmiro Barreto

E tu, já aquiriu o novo livro do Coroné Ângelo Osmiro?

Formado em História pela Universidade Estadual Vale do Acaraú, há vinte anos que Ângelo Osmiro Barreto (Foto) estuda o cangaço no Nordeste brasileiro.

Amigo de Hilário Lucetti que, como ele, também se debruçava sobre o sertão e a vida difícil dos sertanejos, Osmiro Barreto, para publicar seus livros sobre o cangaço não se limitou apenas a ler sobre o assunto. Fez, segundo ele, mais de vinte viagens aos lugares onde os fatos realmente aconteceram.

Autor de três livros, dois deles sobre cangaço, “Assim Era Lampião e Outras Histórias”, o terceiro livro, foi lançado no ultimo dia 18 de setembro em Fortaleza

Publicado pela LC Gráfica e Editora, o livro traz, em seu interior, histórias das mais significativas sobre o cangaço. Dentre elas, aquela que tornou José Jesuíno Alves de Melo Calado em Jesuíno Brilhante, o cangaceiro, e fez de Cristino Gomes da Silva Cleto, o Corisco ou, como querem outros, o Diabo Louro.
Traz, também, depoimentos daqueles que conheceram Lampião, como o padre de Serra Talhada, terra onde o cangaceiro nasceu e que dizia que o Rei do Cangaço era “dotado de tantas qualidades superiores” que poucos homens eram como ele.

João Bezerra, comandante da volante que matou Lampião, também disse, tempos depois da morte de seu inimigo, que Lampião não era bandido. E não para por aí. “Assim era Lampião” também exibe fotos inéditas sobre o cangaço além de uma bibliografia que demonstra o quanto o autor leu sobre o assunto para, finalmente, escrever e publicar este livro.

PRECONCEITO

Para Osmiro Barreto, porém, muitas são as pessoas que têm preconceito com o tema abordado por ele neste livro. De início, Barreto imaginava que tal preconceito não existia no Nordeste.

Mas, com o tempo, percebeu que o Nordeste, onde tudo aconteceu, também tem preconceito contra o cangaço. Diz ele que não foram poucas as vezes em que teve que responder a uma pergunta capciosa: O que fez com que ele, como historiador, se interessasse pelo cangaço?

Barreto, de início, não se preocupava muito com a pergunta mas, com o tempo, percebeu que, por traz dela, havia uma outra: “Com tanto assunto para pesquisar, informa ele, você foi se preocupar logo com este?” Osmiro Barreto não acredita que tal preconceito tenha qualquer conotação com a situação marginal na qual viveu o Nordeste por muito tempo. Para ele, o preconceito existe porque o cangaço foi uma manifestação cultural muito violenta. Mas se for por isso, argumenta um pouco incrédulo, ninguém estudaria Canudos, Caldeirão nem, muito menos, a Revolução Francesa ou a II Guerra Mundial.

Começando o livro com Lampião no Ceará e terminando com Curiosidades do Cangaço, Osmiro Barreto também trata das volantes, aquelas que perseguiam os cangaceiros, coronéis, beatos e vaqueiros. Todo um contingente humano que fazia parte do universo no qual Lampião estava inserido.

CURIOSIDADES

Nas Curiosidades do Cangaço, Barreto passa, para o leitor, algumas informações preciosas. Diz ele que em 1936 Lampião mandou confeccionar, em Fortaleza, ou, mais precisamente, na Abafilm (a mesma empresa que havia assumido, corajosamente, o projeto do sírio Benjamin Abraão de filmar Lampião e seu bando) cartões de apresentação com sua fotografia impressa sobre ele.

Maria Bonita também chegou a dirigir um carro nas proximidades da Vila do Pau Ferro, Pernambuco, e só não se tornou motorista porque, naturalmente, as condições não permitiam. O carro, no entanto, pertencia ao Coronel Audálio Tenório, chefe político do lugar. O instrutor de Maria Bonita, nesta façanha foi, segundo Ângelo Barreto, o senhor Antônio Paranhos.

Em 1933 surgiu, pela primeira vez na Bahia, um grupo musical que, a exemplo de Luiz Gonzaga, no futuro, também se vestia como cangaceiro. Como o grupo foi duramente reprimido, mudou a indumentária e o nome que, de “Lampião e seu Bando”, passou a se chamar “Cantadores do Nordeste”.

AMIZADE


O grande amigo do autor de “Assim era Lampião” durante os vinte anos de trabalho como pesquisador, foi Hilário Lucetti. Estava desfrutando com a família de um fim de semana no Sítio São Francisco em Pindoretama quando, lendo um jornal, soube que Hilário Lucetti estava lançando um livro sobre cangaço no Crato. Interessado pelo assunto, conheceu o autor do livro. Tempos depois, quando Hilário se mudou do Crato para Fortaleza, Hilário, como estava para morrer, disse para Osmiro Barreto, que haveria de doar parte de seus livros para ele.

Com a morte do amigo, Barreto não sabia como contar a promessa do outro para a família. Decidiu, portanto, ficar calado.

De repente, porém, recebeu o telefonema de uma das filhas de Lucetti dizendo que a família havia se reunido e decidido doar, para ele, parte dos livros do historiador cratense. Admirado com isso, Ângelo finalmente contou para a filha do amigo, a promessa que ele havia feito um pouco antes de morrer. Foi com os livros de Lucetti em casa, portanto, que Osmiro terminou este outro, “Assim Era Lampião”.

Matéria de O Estado


Interessou? Apois espie:

"Assim era Lampião e outras histórias"
Ângelo Osmiro Barreto
LC Gráfica e Editora
2012, 238 páginas
R$ 35,00 (com frete incluso)

Contato para aquisição
Email : angelosmirio@zipmail.com.br
Fone : (85) 9987 1646





sábado, 1 de setembro de 2012

Convite!!!


O coroné Osmiro se prepara para mais um lançamento
     Tu vai tá por Fortaleza? Entonce num perda!  Reserve o dia 18 de Setembro na agenda e prestigie.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

sexta-feira, 6 de julho de 2012

A AÇÃO NOBRE DE UM RUDE

Por: Ângelo Osmiro

Conta o escritor Ângelo Osmiro Barreto, que em 1910, durante o período da Semana Santa, o lendário Cassimiro Honório, um velho cangaceiro do alto sertão pernambucano, da afamada região do Navio, promoveu um formidável cerco a um dos seus inimigos José de Sousa.



Melânia, era filha de Cassimiro Honório, havia sido roubada por José de Sousa. O pai da moça, inconformado com a atitude do jovem sertanejo, arregimentou um grande contingente de cangaceiros e retomou a filha do jovem apaixonado. O episódio criou grande rivalidade entre os dois sertanejos, homens valentes e acostumados às lutas, numa época em que as divergências eram resolvidas à bala. A justiça, pouco ou nada fazia para resolver essas pendengas.

Durante um grande cerco promovido por Cassimiro Honório à fazenda de José de Sousa que durou sete dias, um fato interessante chamou a atenção de todos.

Dentre muitos homens valentes de ambos os lados, um iria se destacar pela sua atitude nobre. José Rajado, sertanejo rude com sangue no olho como se diz até hoje naqueles sertões, brigava entrincheirado ao lado dos comandados de Cassimiro Honório.

Passados três dias de luta renhida, José Rajado escutou um choro de criança vindo de dentro da casa sitiada. O choro persistente chamou a atenção do cangaceiro.

Aquela criança aos prantos só poderia estar com fome, pensou o cangaceiro naquele momento da luta. Em ato repentino José Rajado levantou as mãos, e aos gritos, pediu para que o tiroteio fosse suspenso.

Surpresos com a atitude pouco comum do bravo sertanejo, os contendores pararam os tiros, e o silêncio tomou conta do lugar por alguns momentos. O cangaceiro José Rajado, propôs aos sitiados que se prometessem não alvejá-lo, iria ao curral, ordenharia umas cabras e levaria o leite para a criança que estava chorando com fome.

José de Sousa prometeu todas as garantias a José Rajado, que confiando na palavra empenhada do inimigo, foi ao curral encheu um balde de leite e deixou-o em frente à porta da casa sitiada. Retornou ao seu local de combate e após estar novamente seguro, o tiroteio recomeçou.

O cangaceiro José Rajado, apesar de toda sua rudeza, acabara por praticar um ato da mais alta nobreza.

Esta informação é do escritor e pesquisador do cangaço, Ângelo Osmiro Barreto, com a colaboração do confrade natalense Ivanildo Alves Silveira, colecionador e pesquisador do cangaço.

 lampiaoaceso.blogspot.com

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Fique por dentro!



Para você que pesquisa a produção literária acerca do cangaço esta matéria deverá lhe ser útil. É o conteúdo da sublime apresentação do Coroné Ângelo no Cariri 2011. Como já citei em outro artigo ele se valendo de uma escada Magirus percoreu toda sua estante catou estes títulos e comentou sobre cada uma das obras produzidas na época em que o cangaço e as volantes "tocavam o terror".

É fato que Lampião conheceu pelo menos duas.

A apresentação estava em formato Power Point. Nós apenas ripamos o texto e sem o consentimento do homi acrescentei mais um livro que não figura como fonte de pesquisa cangaceira, porém traz um capítulo interessante e duvidoso sobre "O rifle de ouro" Antonio Silvino e seu encontro com um missionário evangélico.

No mais, inseri algumas informações, substitui umas poucas imagens para melhor ilustrar, além de indicar o link citado pelo Coroné que possibilita a leitura e até mesmo a impressão de "4" destes livros.

Bom proveito!

A Literatura na Época do Cangaço
Por Ângelo OSMIRO Barreto.

1876 - O Cabeleira

Autor: Franklin Távora. Typografia Nacional. A narrativa é baseada em pequeno relato contido em “Memórias Históricas de Pernambuco” de Fernandes Gama e principalmente na tradição oral. Em 1963 o livro foi adaptado para o cinema.  A imagem acima é a folha de rosto da edição de 1902 lançada pela H. Garnier.
1895 - Os Brilhantes 
Autor: Rodolfo Teófilo. Romance baseado na trajetória de Jesuino Brilhante. A segunda edição foi publicada em 1906 pela Typografia Minerva de Fortaleza. 3ª. ed. em 1972 Instituto Nacional do Livro/MEC, Brasília: organizada por Afrânio Coutinho e Sônia Brayner.

Capa da 6ª edição de 1962.
1912 - Terra de Sol, (Natureza e costumes do Norte).
Autor: Gustavo Barroso. Benjamim de Aguiar - Editor (RJ). Foram produzidas pelo menos sete edições, a última pela editora ABC de Fortaleza. O livro traz um capítulo intitulado “Cangaceiros e Curandeiros”.



1913 - Os Cangaceiros
Autor: Carlos Dias Fernandes. Imprensa Official. (Parahyba do Norte). E identificada uma terceira edição em 1932. Trata-se de uma ficção baseada no cangaço.

 

1917 - Heróes e Bandidos (Os cangaceiros do Nordeste)
Autor: Gustavo Barroso. Livraria Francisco Alves (RJ). Obra rara trata da trajetória de vários cangaceiros, entre eles Adolfo Meia- Noite, "Viriatos" e Antonio Silvino.


Capa da 1ª Edição.
1920 - Beatos e Cangaceiros
Autor: Xavier de Oliveira. Edição do autor - Rio de Janeiro. *A visita de Lampião à cidade de Juazeiro, considerada como sendo “a Babylonia do sertão do Nordeste “, entre os dias 4 e 7 de março de 1926, pode ser considerada como sendo uma obra de arte da estratégia político-militar. Num Nordeste convulsionado pela passagem da Coluna Prestes e seus combates quase diários contra as forças legalistas e os Batalhões Patrióticos, além da luta feroz travada entre os cangaceiros de Lampião e as volantes das polícias estaduais, o quadro era de uma guerra total. Disponível na Web pela página da Universidade da Florida
Clique aqui

Capa da edição de 1962.
1925 - Violeiros do Norte
Autor: Leonardo Mota. Editora Monteiro Lobato (SP). Livro reeditado pelo menos sete vezes, a última pela editora ABC de Fortaleza. Consta um capitulo intitulado “Os Cangaceiros e o Folclore.


Capa da 1ª edição.
1926 - Lampeão, sua História
Autor: Erico de Almeida. Imprensa oficial da Paraíba. Considerada a primeira biografia do Rei do cangaço. Escrita por encomenda do Presidente da Paraíba João Suassuna. Relançado em edição fac-símile pela UFPB - Universidade Federal da Paraíba em 1996.


1ª Edição.
1926 - Prestes e Lampeão
Autor: Adaucto Castello Branco. Gráfica Irmãos Ferraz (SP). Apesar do título, pouco ou quase nada traz sobre cangaço, a não ser por uma rápida comparação entre Lampião e Prestes nas últimas páginas.


1927 - Lampeão no Ceará
Autor: Moysés de Figueirêdo. Typographia Gadelha (Fortaleza). Defesa do Major Moysés da polícia do Ceará vitima de acusações feitas contra sua pessoa por oficiais das policias do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Um livro extremamente raro.


1928 - História do Banditismo da Família Santos Chicote
Autor: Joaquim Amaro. Typographia Diário da Manhã (Recife). Livro escrito com intuito de defesa da família Amaro contra a família Santos Chicote na época zona rural de Brejo Santo- hoje município de Porteiras CE. Enfoca vários fatos envolvendo jagunços e cangaceiros. Livro raro teve impressão limitada.


Edição promocional de 2002.
1928 - Sertão Alegre
Autor: Leonardo Mota. Imprensa Oficial de Minas Gerais (Belo Horizonte). Segunda edição em 1965 com prefácio de Rachel de Queiroz; A terceira edição foi editora: Cátedra ano de 1976 porém não citava o respectivo número. Então em 2002 foi oficialmente lançada uma terceira edição pela ABC de Fortaleza. O livro traz um capítulo intitulado “Alcunhas de Cangaceiros”.


Folha de Rosto , 1ª edição.
1929 - Cangaceiros do Nordeste
Autor: Pedro Baptista. Livraria São Paulo (Parahyba do Norte). O livro trata de lutas ocorridas na Serra do Monteiro no Sertão da Paraíba envolvendo a família “Terrível” que dominava aquela região. O conteúdo está disponível na Web pela página da Universidade da Florida (EUA) , inclusive para cópia
Clique aqui
1ª Edição.
1930 - No Tempo de Lampeão
Autor: Leonardo Mota. Oficina Industrial Gráfica (RJ). A segunda edição é de 1967 e a terceira saiu pela editora Cátedra em 1976. Em 2002 a editora ABC lançou mais uma edição indicando também como "terceira", o que na realidade seria a quarta.


Reprodução da Folha de Rosto, 1ª edição.
1930 - Os Dramas Dolorosos do Nordeste
Autor: Pedro Vergne de Abreu. Typografia do Jornal do Commércio (Rio de Janeiro). O livro traz em forma de reportagem, apanhados de crimes cometidos por Lampião no Sertão baiano.

1930 - Almas de Lama e de Aço
Autor: Gustavo Barroso. Companhia Melhoramentos - São Paulo. Um Livro raro, entretanto seu conteúdo também está disponível na Web pela página da Universidade da Florida (EUA) , inclusive para cópia.
Clique aqui

Fotocópia da capa da 1ª e única edição.
1931 - O Flagello de “Lampeão”
Autor: Pedro Vergne de Abreu. Typographia do Jornal do Commércio (RJ). O livro reproduz matérias publicadas nos jornais do Rio de Janeiro e Salvador denunciando a violência praticada por cangaceiros.


1ª edição, 1931.
1931 - A Wandering Jew in Brazil. "Um Judeu Errante no Brasil"
Autor: Salomão L. Ginsburg.  Convem ressaltar que a primeira edição é de 1922 Pela Southern Baptist Convention (EUA). No Brasil só foi traduzido em 1931 e impresso pela Casa Publicadora Batista, Rio de Janeiro. Depois reeditado em 1970 já pela JUERP. Uma autobiografia de Salomão Luiz Ginsburg um judeu convertido, (como o próprio título indica) que andou pelo interior do Nordeste abrindo igrejas Batistas na virada do século XIX para o XX, incluindo aí a Zona da Mata pernambucana. Em Nazaré da Mata, interior de Pernambuco, ele narra a história do encontro dele com Antonio Silvino, o cangaceiro disse ao pastor ter sido contratado por um padre para mata-lo...  
Clique aqui e conheça o tal episódio

Folha de Rosto, 1ª Edição
1932 - O Exercito e o Sertão
Autor: Xavier de Oliveira. Livro raro do mesmo autor de “Beatos e Cangaceiros”. Lançado por A. Coelho Branco Editor (Rio de Janeiro).

 
1ª Edição, 1933
1933 - Lampeão
Autor: Ranulpho Prata (Mais tarde teve grafia alterada para Ranulfo). Ariel Editora Ltda. (RJ). A segunda edição é de 1934, uma terceira em 1956 e entre as mais recentes a que saiu pela Editora Traço, São Paulo, em 1982. Essa obra tem uma história particular porque Lampião teve um exemplar em suas mãos.

1934 - Factores do Cangaço
Autor: Manoel Cândido. Editora não identificada (Pernambuco). Um outro fato curioso é que Lampião tinha conhecimento deste livro e em uma certa emboscada encontra o autor que era promotor de justiça e o obriga a ler o livro na integra para ele (segundo o autor Bezerra e Silva em seu livro “Lampião e suas Façanhas”) A respectiva obra não só faz criticas aos cangaceiros como também as forças volantes.
Clique aqui e conheça este episódio

(Fotocópia) capa da 1ª Edição
1934 - Sertanejos e Cangaceiros
Autor: Abelardo Parreira. Editorial Paulista (SP). Com prefácio do historiador Affonso de Taunay, traz capitulo sobre "os Carvalhos" e a destruição do povoado de São Francisco.


Capa, 1ª Ed. 1935
1935 - Coiteiros
Autor: José Américo de Almeida. Cia. Editora Nacional (SP). Trata-se de um Romance, curioso é que a segunda edição também é de 1935 (portanto duas edições no mesmo ano). Conteúdo disponível na Web pela página da Universidade da Florida (EUA) , inclusive para cópia
Clique aqui

Capa 2ª ed. 1970
1937 - O Outro Nordeste
Autor: Djacir Menezes. Editora José Olympio (RJ). Teve a segunda edição em 1970 pela Editora Artenova do Rio de Janeiro, traz o capítulo “O binômio violento e místico”.


Capa Reedição em 2006.
1939 - As Coletividades Anormais
Nina Rodrigues. Editora Civilização Brasileira (Rio de Janeiro). Reeditado pela Gráfica do Senado em 2006. Este livro traz um capítulo sobre Lucas da Feira.


Capa da 3ª edição 1983.
1940 - Como dei Cabo de Lampeão
Autor: Capitão João Bezerra. A terceira edição de 1983 vem a ser a mais conhecida. Foi lançada pela Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana (Recife) com prefácio de Frederico Pernambucano de Mello.


* Pesquei trecho no blog
Philolibrorum

E eu repesquei do site:

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A história resguardada

Memorial da PM Cearense recebe doação de uma arma que pertencera ao Rei do cangaço.

Por Ângelo Osmiro
Ângelo Osmiro, Cel. Jarbas Araújo, Cel. Gutemberg Liberato e Dr. Osmar Diógenes.

No dia de ontem quarta-feira, dia 28 de setembro de 2011, estivemos em nome do GECC (Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará) na companhia do Coronel Gutemberg Liberato e do Dr. Osmar Diógenes no Comando da Polícia Militar do Ceará, onde fomos recebidos pelo Subcomandante Geral da Corporação Coronel Jarbas Araújo dos Santos (fotos) no intuito de fazer a doação para o Memorial da Polícia Militar do Ceará de uma arma que um tio-avô do Dr. Osmar recebeu de Lampião quando o bando do rei do cangaço retornava do malogrado ataque a Mossoró no Rio Grande do Norte em 1927.


Segundo o doador a arma foi entregue pelo próprio Lampião ao seu parente Otíio Diógenes que serviu como guia do bando naquela oportunidade. A arma foi dada por Lampião ao Sr. Otílio como forma de gratidão pelo serviço prestado como guia.

Segundo ainda depoimento do Sr. Otílio Diógenes ao seu sobrinho-neto Dr. Osmar, Lampião teria dito ainda que a arma, ele (Lampião) havia tomado em combate da polícia do Ceará. O fato se verificou na Fazenda Prado/Palhano, nas proximidades da serra da Micaela no município de Jaguaribe, Sertão do Ceará.
Att Ângelo Osmiro Barreto

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

João Saturnino

Por: Aderbal Nogueira
 
Paulo Gastão, Severo, Lemuel e Aderbal Nogueira
 
Mais uma vez temos a satisfação de trazer outra pérola do grande e espetacular acervo de Aderbal Nogueira.
Desta vez temos a inédita entrevista de João Saturnino,
filho do primeiro inimigo de Lampião,
 
 
José Saturnino.
 
Neste vídeo vamos ter depoimento do amigo Zé Alves, filho do senhor
 
 
Luiz de Cazuza, nos trazendo a passagem do ataque de
 
 
Virgulino a fazenda de Zé Saturnino.

"Se eu morrer e não matar Zé Saturnino antes de morrer eu vou pro inferno pra dentro em três dias de viagem..."

 
"No dia em que encontrar com Zé Chucalho ou eu ou ele tem que morrer"...

NOTA CARIRI CANGAÇO:
 
A peleja entre Virgulino Ferreira da Silva e José Saturnino, durou por longos vinte e dois anos. Ao Rei do Cangaço e seu bando são atribuídas mais de duas mil mortes, entretanto, Lampião nunca conseguiu cumprir a promessa de matar seu primeiro inimigo.

Produção Cariri Cangaço
Acervo Laser Vídeo / Aderbal Nogueira
 
 
 

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Nas bancas

Caros amigos
Na edição deste mês da "Revista de História da Biblioteca Nacional"



tem uma nota sobre o cangaço, na verdade um questionamento da leitora Wanessa Campos sobre a matéria "A Sedução dos Bandidos" na (RHBN n. 68) com resposta de Lorenzo Aldé (autor da referida matéria). Bastante interessante.


Abraço
Angelo Osmiro Barreto
Fortaleza-CE

sexta-feira, 13 de maio de 2011

CANGACEIRO JARARACA

Por: Ângelo Osmiro


           No famoso ataque de Lampião e seus cabras à cidade de Mossoró no Rio Grande do Norte, dois cangaceiros morreram, um no calor do combate, “Colchete” baleado quando tentava tomar de assalto um dos pontos de defesa da cidade. O outro foi José Leite de Santana o cangaceiro Jararaca.

O cangaceiro Jararaca

           O grupo chegou às imediações de Mossoró com cerca de cem homens muito bem armados. O bando foi dividido em três grupos, cada um atacando por um lado diferente.

            O grupo que o cangaceiro Jararaca fazia parte já se aproximava bastante das defesas da cidade, quando em um ato de ousadia, o cangaceiro Colchete avançou quase sem proteção, sendo atingido mortalmente pelos tiros dos homens da resistência; vendo seu companheiro caído, Jararaca correu para “desarriar” o companheiro baleado.

            No linguajar dos cangaceiros, isso significa retirar todos os seus pertences, só que sua ousadia também lhe custou caro, quando ele já ia saindo foi atingido por um tiro, mesmo assim continuou andando, tendo sido alvejado mais uma vez, agora em uma das pernas, ainda assim conseguiu fugir se arrastando. Alcançou uma casinha perto da estrada de ferro, onde bateu a porta e pediu socorro, prometendo todo o dinheiro e ouro que carregava ao dono da casa, o homem abriu a porta e o deixou entrar, dando-lhe os primeiros socorros, deixando-o deitado para que se recuperasse dos ferimentos.
 
Jararaca quando se encontrava preso, na cadeia de Mossoró/RN.
Notar o ferimento, em cima do tórax.
 
           No outro dia pela manhã o sertanejo resolveu ir até a cidade sem que o cangaceiro percebesse, e o denunciou a polícia, que o prendeu sem a mínima resistência, em virtude do estado em que se encontrava o jovem cangaceiro. Jararaca foi levado preso para a delegacia, onde foi fotografado e entrevistado pelo jornalista Lauro da Escóssia do jornal O Mossoroense.

           Depois de alguns dias preso, as altas horas da madrugada, alguns militares chegaram à delegacia com intuito de levar Jararaca, a justificativa seria a transferência do cangaceiro para a capital. Jararaca foi colocado dentro de um carro e conduzido, não para Natal, mas sim direto para o cemitério da cidade, onde já havia sido cavada uma cova lá no seu final. O cangaceiro Jararaca entrou sem dá uma palavra e caminhou escoltado pelos homens até a cova.

           O cangaceiro do grupo de Lampião foi assassinado pelos policias, seu corpo foi jogado na cova, que na pressa para cavar, tinham feito o buraco menor que o defunto, no lugar de alargarem a cova, preferiram quebrar as pernas do prisioneiro, estava consumado o ato macabro dos defensores da lei.

Túmulo do cangaceiro, situado no cemitério de Mossoró/RN.

            Hoje a cova do cangaceiro Jararaca é a mais visitada no cemitério de Mossoró, inúmeras velas são acesas em sufrágio de sua alma, promessas são pagas à beira do túmulo do cangaceiro, o fim trágico de Jararaca transformou um cruel cangaceiro, pelo menos na memória popular na incrível história do “cangaceiro que virou santo”.
 
Prefeito Rodolfo Fernandes

 
Túmulo de Rodolfo Fernandes - Cemitério de Mossoró/RN.
 
Ângelo Osmiro é Escritor/Pesquisador do cangaço e membro da SBEC

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Ivanildo Alves Silveira
Escritor, pesquisador e colecionador do cangaço
OBS: As fotos foram acrescentadas ao texto, pelo reverendo Ivanildo Alves da Silveira, no sentido de enriquecê-lo.