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terça-feira, 22 de novembro de 2016

ACHADO EM ARQUIVO, PROCESSO CONTRA LAMPIÃO PODE VIRAR PEÇA DE MUSEU

Por Andrea Tavares Do G1 RN
Prontuário lista nomes dos 55 cangaceiros do bando (Foto: Andrea Tavares/G1)

Datado de 1940, prontuário lista nomes de 55 integrantes do bando. Peça inspirou à polícia técnica do RN a idealizar museu sobre o órgão.

Em meio a arquivos centenários do que hoje é o Instituto Técnico de Perícia do Rio Grande do Norte (ITEP), se esconde a história da polícia técnica do Estado. Em uma sala prestes a ser desativada, foi encontrado um prontuário datado de 29 de abril de 1940, cujo primeiro nome chama atenção: Virgolino Ferreira, vulgo ‘Lampião’. Agora, o chefe de gabinete do ITEP, Tiago Tadeu, quer que o documento se transforme em peça de museu. “Vai ajudar a contar não apenas a história forense em nosso Estado, mas do próprio instituto”, ressaltou.

Saiba mais

"Foram fotos antigas que começaram a despertar curiosidade aqui", conta Tadeu. Antigas fotos do prédio, câmeras que registraram locais de crimes, fichas de identificação, máquinas de datilografia também farão parte do acervo do museu, que ainda não tem data de inauguração nem local definido. O objetivo, no entanto, é claro: "preservar a história da instituição e possibilitar a divulgação do importante acervo documental que foi produzido ao longo deste período, como o documento que cita o mais famoso cangaceiro da história", explica o diretor geral do órgão, o perito Marcos Guimarães Brandão.

Foto antiga revela momento de Lampião e seu bando (Foto: Reprodução/TV Sergipe)

Lampião no RN

A passagem do 'rei do cangaço' pelo Rio Grande do Norte foi meteórica, tanto na rapidez quanto na devastação. "Ele passou 96 horas no estado, e por onde passou só deixou desgraça", conta o coronel da PM aposentado Ângelo Dantas, que também é pesquisador. A história já é conhecida: em 1927, Lampião e seu bando foram rechaçados pelos habitantes de Mossoró, cidade da região Oeste potiguar, que, liderados pelo então prefeito Rodolfo Fernandes, defenderam a cidade. Após a passagem dos cangaceiros, segundo o pesquisador Rostand Medeiros, foram abertos três processos contra Lampião e seu bando. "São de onde o bando deixou rastros. Em Martins, Pau dos Ferros e Mossoró", destaca.

Documento achado no arquivo do Itep, em Natal, é uma lauda escrita à fina caligrafia onde constam os nomes dos 55 criminosos mais temidos do sertão nordestino. Ao final, a informação de que os homens citados são enquadrados nos artigos 294 (Matar alguém) (Foto: Andrea Tavares/G1)

O documento achado no arquivo do ITEP, em Natal, é uma lauda escrita à fina caligrafia onde constam os nomes dos 55 criminosos mais temidos do sertão nordestino. Ao final, a informação de que os homens citados são enquadrados nos artigos 294 (Matar alguém) e 356 (Subtrahir, para si ou para outrem, cousa alheia móvel, fazendo violência á pessoa ou empregando força contra a cousa", como consta no Código Penal dos Estados Unidos do Brasil de 1890).

“Pouco se sabe sobre esse documento, mas tem ligação com o processo da comarca de Pau dos Ferros. O fato de estar em Natal pode ser apenas para deixar registrados os nomes e deixar alguma informação sobre o bando", explica o coronel Ângelo. Lampião foi morto em 1938, e o documento exibe a data de feitio em 1940, reforçando a ideia de que é uma ata dos processos contra o bando.

No Itep, o trabalho de apuração e restauração do material começou com o resgate de peças que estão em salas que serão desativadas em breve. Feito isso, seguem as etapas de higienização, reparo de documentos e classificação. Tiago Tadeu explica que as atividades também irão contemplar a digitalização de todo o acervo do instituto.

Tiago Tadeu, chefe de gabinete do Itep (Foto: Andrea Tavares/G1)

"Aqui se faz ciência. Aqui se faz história", ressalta Tadeu sobre o instituto. Em 2016, o Itep comemorou 41 anos, mas sua história é mais antiga. Aqui no Rio Grande do Norte existem registros de laudos confeccionados já nos séculos XVIII e XIX. Mas esses exames eram sempre realizados por peritos e não existia órgão específico para tal. Somente em agosto de 1909, através de Decreto, foi que o governador, à época, criou dois cargos de médico, sendo: um de médico do Batalhão de Segurança (denominação da Polícia Militar) e o outro de médico da polícia. Este último recebeu as atribuições de médico legista. Mas como a carência desse tipo de profissional era muito grande, o mesmo médico foi nomeado para os dois cargos. Trata-se do Dr. Antônio Emereciano China, verdadeiramente, o primeiro médico legista, devidamente nomeado e empossado no cargo, de que se tem notícia aqui no RN. Em 1910, foi criado um órgão denominado Enfermaria de Urgência, cuja finalidade era funcionar em caráter ininterrupto para atender às requisições das autoridades policiais como exames de corpo de delito e perícias. E em 30 de abril de 1975 o órgão passou a ser o Instituto de Medicina Legal e Criminalística.

Coronel Ângelo Dantas - (Foto: Fernanda Zauli/G1)

Segundo o chefe de gabinete do ITEP, o trabalho de se criar um museu está sendo idealizado para contribuir com o fortalecimento de uma responsabilidade social. “Nesse projeto de resgate da memória técnica do instituto, pretendemos apresentar um acervo que contemple a devida importância do órgão no estado", explica. Já para o coronel Ângelo Dantas, a ideia do museu é promessa de sucesso. "Eu só tenho a aplaudir. Ele está no caminho certo, cultura é produtiva", comemora.

Morte de Lampião

Faz 78 anos que Lampião e seu bando foram mortos. Eles acamparam na fazenda Angicos, no Sertão de Sergipe, no dia 27 de julho de 1938. A área era considerada por Virgulino como de extrema segurança, longe das vistas das forças policiais. Mas, na manhã do dia seguinte, os cangaceiros foram vítimas de uma emboscada, organizada por soldados do estado vizinho, Alagoas, sob a batuta do tenente João Bezerra. De acordo com pesquisadores, o combate durou somente 10 minutos.

Prontuário lista nomes dos 55 cangaceiros do bando (Foto: Andrea Tavares/G1)

http://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2016/11/itep-do-rn-acha-processo-contra-lampiao-peca-de-museu-diz-diretor.html

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domingo, 2 de dezembro de 2012

Mossoró contra Lampião

Por: Ana Biselli
Memorial da Praça da Resistência, em Mossoró - RN
Brasil, Rio Grande Do Norte, Mossoró


Massilan conhecia as terras potiguares e estava cansado da vida no cangaço. Queria logo ficar rico e se aposentar, por isso escolheu uma cidade maior, como sua última grande tacada. Convidou Sabino e seu bando para se unirem a ele no planejamento e invasão à Mossoró. Uma cidade grande, porém com uma pequena força policial e quase nenhum apoio do Governo Estadual. Mesmo assim eles sabiam que seria difícil, por isso convenceram Lampião a entrar no plano. Lampião não conhecia muito bem as terras deste estado, mas estava ao lado de dois grandes conhecedores e seu orgulho falou mais alto, não poderia ficar fora dessa.

Lampião novinho, no bando do cangaceiro Sinhó Pereira, em foto do memorial da Praça da Resistência, em Mossoró - RN 
Lampião novinho, no bando do cangaceiro Sinhó Pereira, em foto do memorial da Praça da Resistência, em Mossoró - RN

Reuniram os bandos e fecharam os detalhes da estratégia de invasão da cidade. Começaram a marcha por Apodi, primeira cidade a ser invadida e pilhada. Varreram todos os lugarejos no caminho, trazendo consigo prisioneiros coronéis e proprietários de fazendas na região. Um deles, Coronel Gurgel, ficou uma longa temporada em poder dos cangaceiros. Conta em seu diário que tinha longas conversas sobre política com Lampião e foi sempre tratado com respeito. A pedido de Lampião, antes da invasão, Gurgel escreveu o primeiro bilhete de guerra para o Prefeito Rodolpho Fernandes, propondo uma trégua. Dizia que o bando era numeroso, com mais de 150 homens armados até os dentes, indicando ser uma boa opção pagar o valor de 400 contos de réis e com a promessa de que Lampião nunca mais andaria por aquelas bandas. A saber, o valor inicialmente pensado pelo Capitão eram 500 contos de réis, mas o habilidoso coronel o convenceu a diminuir o montante. Ao final do bilhete ele ainda pedia que o Prefeito lembrasse ao seu sobrinho, gerente do Banco do Brasil de Mossoró, que enviasse os 21 contos de réis para o pagamento do resgate “deste pobre velho desvalido”. 

A resposta que receberam do prefeito não foi nada animadora, diziam que não tinham conhecimento do paradeiro do gerente do banco e muito menos dispunham do valor em questão, que viesse o bando que o enfrentariam como pudessem! Lampião ficou abestalhado com a resposta que havia recebido e escreveu um bilhete de próprio punho (foto). Sem retorno decidiu começar a marcha.

Segundo e derradeiro bilhete de Lampião para o prefeito de Mossoró, tentando extorquir os cofres da cidade, em memorial da Praça da Resistência, em Mossoró - RN 
Segundo e derradeiro bilhete de Lampião para o prefeito de Mossoró, tentando extorquir os cofres da cidade, em memorial da Praça da Resistência, em Mossoró - RN

Os boatos sobre a invasão de Mossoró começaram meses antes e desde então o prefeito começou a articulação política para conseguir reforços do Estado para a cidade, assim como armamentos e munições. A população estava em pânico e Rodolpho então mentiu sobre os fatos para manter a população tranquila até o último momento. No dia da invasão de Apodi a prefeitura avisou a comunidade que aqueles que pudessem deveriam deixar a cidade e solicitava homens aguerridos como voluntários para se unir à força policial em defesa da cidade. Muitos não acreditaram, pois já havia tempo que a boataria estava correndo e ficaram em suas casas. Houve ainda um clássico de futebol entre os dois times mossoroenses e um baile de comemoração do vencedor na noite do dia 12 de julho de 1927, noite anterior ao ataque.

Lendo sobre Lampião, no memorial da Praça da Resistência, em Mossoró - RN
Lendo sobre Lampião, no memorial da Praça da Resistência, em Mossoró - RN

Um conselho de segurança havia se formado pelos homens mais influentes e poderosos da cidade. Durante os meses de planejamento viram que não poderiam contar com a ajuda do governo estadual e federal, portanto fizeram um investimento conjunto (uma vaquinha) e compraram 21 contos de réis em armamentos, estratégia proposta pelo gerente do banco (sim o mesmo que não mandou o resgate ao tio).

Um tenente do exército que havia passado por Apodi, liderou a resistência. Mais armas chegaram de última hora do governo, barricadas foram armadas nos pontos mais estratégicos da cidade, para proteger os prédios públicos. Foram voluntários 200 homens, metade deles com armas de fogo e a outra metade com armas brancas. Nas torres das igrejas e telhado da prefeitura estavam atiradores de elite, até o padre estava empenhado, passando mensagens de fé e força em cada uma das trincheiras armadas. Todos com gana e sede transbordando para defender a sua cidade e famílias que haviam ficado.

Sabóia, diretor dos telégrafos, havia se voluntariado para ficar no posto até o último momento. Quando o dentista que estava na torre da igreja avistou o primeiro homem adentrar a cidade, deu o sinal combinado, badalou o sino desesperadamente. A cidade esvaziou, todos se abarrotaram em caminhões e carros e saíram da cidade, ainda sobrando alguns perdidos em busca de parentes ou algum lugar para se esconder. Sabóia avisou sobre a invasão e correu. Quando houve o retorno “alo, quem fala?”, receberam resposta: “aqui quem fala é o Lampião”.

A estratégia de defesa da cidade foi tão bem armada que o bando não teve chance alguma. Um dos atiradores de elite acertou em cheio o cangaceiro Colchete e na sequencia feriu Jararaca. Lampião tentou mudar a estratégia, entrando pelo cemitério, porém de nada adiantou, o bando já tinha baixas e viu que estava totalmente em desvantagem, teve de bater em retirada.

Maria Bonita, no memorial da Praça da Resistência, em Mossoró - RN
Maria Bonita, no memorial da Praça da Resistência, em Mossoró - RN

Não durou mais de uma hora toda a batalha. Jararaca foi preso, Colchete morreu e foi usado como troféu durante dias em frente à Igreja de Santa Luzia. Embora seja um ato um tanto quanto desrespeitoso com o defunto, o deixaram lá, pois ainda temiam que Lampião voltasse para vingá-lo. As trincheiras continuaram armadas, enquanto Lampião e seus cangaceiros se afastavam da cidade tentando ainda receber o resgate pelos seus prisioneiros. Um deles pagou resgate e foi liberado, contam que Lampião ainda lhe deu um dinheiro para que pudesse voltar para casa. Depois de dias andando pela caatinga, sem conseguir os outros resgates, sem dinheiro, comida escassa, tratando ainda de seus comparsas feridos, o capitão acabou liberando os raptados que restaram, dentre eles ainda o Coronel Gurgel. (sobrinho desabusado!)

Mossoró saiu vitoriosa e guarda até hoje a memória da resistência neste lindo memorial que visitamos hoje. Lá nos alimentamos de coragem e bravura, aprendemos toda esta história e muito mais do que o nosso poder de síntese (leia-se falta de memória) poderia expressar aqui. Fica o principal aprendizado do orgulhoso rei do cangaço, “não se deve invadir cidades com mais de uma torre.”

http://www.1000dias.com/ana/mossoro-contra-lampiao/

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O CISNE BRANCO NO PORTO DE NATAL – CONHECENDO A NAVEGAÇÃO DO PASSADO

Por: Rostand Medeiros

O Navio-Veleiro “Cisne Branco” atracou ontem  no  Porto de Natal e estará aberto à visitação pública até dia 20 de agosto, nos horários entre 14h e 18h.

Veleiro brasileiro Cisne Branco (U-20) no porto de Natal

A entrada é gratuita. A sua missão é representar o Brasil em eventos náuticos nacionais e internacionais, divulgar a mentalidade marítima na sociedade civil e preservar as tradições navais. 
O “Cisne Branco” é um veleiro de grande porte,e  foi construído em Amsterdã, Holanda.

Fonte – Jornal Tribuna do Norte, edição 17 de agosto de 2012, via

Visitar o Cisne Branco é extremamente instrutivo no conhecimento das antigas tradições da marinharia.

Entre as missões do Cisne Branco está a de representar o país em eventos náuticos nacionais e internacionais , divulgar a mentalidade marítima na sociedade civil e preservar as tradições navais. Esta nave é igualmente utilizada no complemento à formação marinheira do pessoal da Marinha do Brasil, a partir do embarque de aspirantes da Escola Naval.


Fonte – http://shipssantos.blogspot.com.br/


http://tokdehistoria.wordpress.com/tag/cisne-branco/

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

NATAL DE PONTE A PONTE

Por: Rostand Medeiros

Estas belas fotos são de autoria do competente fotógrafo Cláudio Abdon, colega de Salesiano e que mantém o blog “Cláudio Abdon-Repórter Fotográfico” (http://www.claudioabdon.com.br/).

Mostra a nossa bela cidade Natal, o Rio Potengi. As fotos foram realizadas apontando desde a popularmente conhecida Ponte de Igapó (oficialmente Ponte Costa e Silva), mostrando uma parte de Natal, até a moderna Ponte Forte-Redinha (oficialmente Ponte Newton Navarro).

Vale a pena conferir o seu trabalho.









Extraído do blog do historiógrafo e pesquisador do cangaço:
Rostand Medeiros

domingo, 10 de junho de 2012

Todos a Mossoró!!!

XIV Fórum do Cangaço

Caros Sócios e amigos, Confiram abaixo a Programação do XIV Fórum do Cangaço a ser realizado no periodo de 12 a 14 de junho de 2012 na Universidade Potiguar - UNP Mossoró/RN.O Tema desta edição é: "A violência nos sertões do Nordeste no tempo do cangaço"             

Coordenação Geral: 


Lemuel Rodrigues da Silva

Comissão Organizadora: 


Emanuel Pereira Braz; Francisco das Chagas Nascimento; Francisco de Assis Nascimento; Marcilio Lima Falcão; Lemuel Rodrigues da Silva; Paulo Medeiros Gastão, Rosimeiry Florêncio de Queiróz Rodrigues

Realização: 

Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço – SBEC

Organização: 

Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço - SBEC
Universidade Potiguar

Contatos: 

Lemuel Rodrigues da Silva (84) 8879 3893 - sbecbr@gmail.com

Cronograma de atividades

Dia 12/06/12 – Terça-feira.

19h15min
Local: Universidade Potiguar

Solenidade de abertura
20:00h
Conferência de abertura
Tema: "O código do sertão: violência e resolução de conflitos"
Conferencista: Prof. Francisco Linhares Fonteles Neto – Fortaleza/Ce
Coordenação: Paulo Medeiros Gastão

21:00h
Lançamento de livro:
Obra: "A outra face do cangaço": vida e morte de um praça.
Editora. Edições Bagaço     
Autor. Antônio Vilela de Sousa
Dia 13/06/12 – Quarta-feira

08:00h
Assembléia Geral da SBEC

19h15min
Mesa-redonda
Tema: "Violência contra a mulher no tempo do cangaço"
Debatedoras
Juliana Pereira Ischiara  - Quixadá/CE
Susana Goretti Lima Leite – Mossoró/RN
Moderadora
Rosimeiry Florêncio de Queiróz Rodrigues
Dia 14/06/12 – Quinta-feira

19h30min
Posse da nova diretoria

20h00min
Mesa Redonda


Tema: "Narrativas sobre o cangaço na imprensa"
Debatedores
Anildomá Willans de Souza – Serra Talhada/PE
Wescley Rodrigues Dutra – Cajazeiras/PB
Moderador
Marcilio Lima Falcão

Taxa de inscrição: R$ 20,00
Carga horária: 12h
12 de junho das 07:00h às 11:00 e 14:00 às 19:00: Credenciamento

Atenção!:


O sócio da SBEC terá direito a 50% de desconto na inscrição, conforme previsto no estatuto.
São considerados sócios todos aqueles que efeturaram o recadastramento na 1ª e 2ª fase. (2011-2012).
Consta em mãos dos monitores relação dos sócios que efetuaram o recadastramento.

Informações sobre hospedagens:


Hotel Valley
Av. Presidente Dutra, 360. Ilha de Santa Luzia Mossoró/RN
Fone: (84) 3315 1950
http://www.hotelvalley.com.br
Informações e reservas: hotelvalley@hotmail.com


Lemuel Rodrigues da Silva
Presidente

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A GRANDE VAQUEJADA DE NOVA CRUZ NAS COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA

Autor: Rostand Medeiros
Photo

A GRANDE VAQUEJADA DE NOVA CRUZ NAS COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA
Foto – Alex Gurgel
Você imaginaria que atualmente alguém conseguiria realizar uma vaquejada defronte à Igreja Matriz da cidade de Nova Cruz?
Mas já aconteceu.
A corrida de bois em Nova Cruz em 1922
Nas fotos que apresento é possível visualizar que no dia 7 de setembro de 1922, a cidade potiguar de Nova Cruz comemorou o centenário da independência do Brasilcom uma tradicional “pega de boi”, que hoje convencionamos chamar de vaquejada.
Este material foi publicado na clássica revista “O Malho”, do Rio de Janeiro, na edição de número 1.061, de 23 de janeiro de 1923, quatro meses depois da festa.
E corre a vaqueirama...
E tudo ocorreu em pleno centro da cidade, defronte a Igreja Matriz da Imaculada Conceição, na rua que já naquele tempo era chamada Pedro Velho.
Carro na Rua 13 de maio
Nesta foto é possível ver um antigo veículo entrando na cidade em rua que a revista denomina como 13 de maio e que se apresentava embandeirada.
Já em outra foto estão os vaqueiros montados em seus alazões e todos colocados lado a lado. A revista chamou pomposamente a vaqueirama de “Guarda de Honra”.
Vaqueiros perfilados
Provavelmente este material fo0tográfico foi enviada para o Rio por algum filho da terra que morava, ou estudava, na então capital do país.
Para os cariocas de “O Malho”, ao invés de terem colocado a referência como “Pega de Boi”, ou ”Corrida de Bois”, preferiram “Corrida de Touros”, em um termo que evoca as famosas touradas espanholas. Eu fico imaginando se alguém da redação achou que o povo de Nova Cruz era descendente de pessoas vinda daquele país da península Ibérica?
Foto conseguida do alto da torre da igreja, mostra a corrida de bois
No material de “O Malho”, temos uma foto que mostra uma cruz, ou cruzeiro, como chama o sertanejo, em meio a uma verdadeira multidão. A revista informa que a cruz era um monumento que estava sendo inaugurado devido às comemorações do centenário da independência.
Esta seria a inauguração do cruzeiro em comemoração ao centenário da independência do Brasil. Será?
Mas, segundo o material existente no site da prefeitura de Nova Cruz, informa que no início do século XVII quando surgiu um núcleo populacional às margens do Rio Curimataú, resultado da instalação de uma hospedaria pertencente aos primeiros moradores que ali chegaram.
A hospedaria destinava-se ao descanso dos boiadeiros quando passavam pela região com seus rebanhos. Com o crescimento da povoação esta foi chamada de Urtigal. Logo depois seu nome foi mudado para Anta Esfolada, em virtude de uma tradição que era narrada na localidade. Diziam que existia no território uma anta com espírito maligno, então um astuto caçador conseguiu prender o animal numa armadilha. Na ânsia de tirar o feitiço da anta, o caçador partiu para esfolar o animal vivo. Mas  logo no primeiro talho a anta conseguiu escapar, deixando para trás sua pele e penetrando mata adentro, tornando-se o terror daquelas paragens e o povo passou a denominar o arruado como Anta Esfolada.
Assim continuou até que um missionário, provavelmente percebendo que aquela história em nada ajudava aquele povo, fez uma cruz e a fincou no ponto mais alto da vereda por onde supostamente o animal costumava passar. Como este não apareceu novamente o povoado foi denominado definitivamente de Nova Cruz, e no dia 15 de março de 1852, pela Lei Provincial n° 245, foi criado o município de Nova Cruz.
A Matriz de Nova Cruz em reforma, ou ampliação em 1922
Seria aquela cruz existente na foto uma inauguração, ou uma “reinauguração” da antiga cruz ali fincada pelo padre para espantar o malassombro?
Não sei, mas é um interessante material sobre o nosso Rio Grande do Norte, publicado em uma revista de circulação nacional.
Infelizmente as fotos estão realmente em baixa resolução e foi que recebi, e assim vou passando.
Todos os direitos reservados
É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.
Extraído do blog: "Tok de História",
 do historiografo Rostand Medeiros

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

AS CORES NA RAMPA E NA BASE DE PARNAMIRIM DURANTE A II GUERRA

Autor: Rostand Medeiros

A grande maioria dos potiguares e os entusiastas da história da aviação no Brasil sabem perfeitamente o significado de Rampa e da Base de Parnamirim.

Grupo de militares americanos bebendo no Grande Hotel, defronte a igreja de Bom Jesus, no bairro da Ribeira, em Natal. - Fonte - Coleção do autor

A Rampa foi uma base de hidroaviões localizada no estuário do Rio Potengi, em Natal. Construída antes da Segunda Guerra Mundial foi utilizada durante este conflito principalmente como uma unidade de apoio a hidroaviões da Marinha dos Estados Unidos (U.S. Navy).

Área onde se localizava a antiga base de hidroaviões conhecida como Rampa, no Rio Potengi. É possível ver um hidroavião PBY Catalina pousado e amarrado - Fonte - Coleção do autor.

Já a Base de Parnamirim, ou Parnamirim Field, assim como a Rampa, foi primeiramente um empreendimento civil, na forma de um campo de pouso desenvolvido por franceses na década de 1920, que foi crescendo conforme a importância estratégica de Natal crescia para a aviação civil a nível mundial.
Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial o antigo campo foi ocupado por forças militares dos Estados Unidos, que ali desenvolveram uma das maiores bases aéreas de apoio ao esforço de guerra aliado em todo o conflito. Lá existiam unidades tanto da U.S. Navy, como da USAAF – United States Army Air Force, a força aérea do exército dos Estados Unidos.

Visita a Natal do então presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt - Fonte - Coleção do autor.

Para o povo da terra estes dois locais são simplesmente a “Rampa” e a “Base” e a história destes locais está intrinsicamente ligada ao desenvolvimento de Natal.
Bom, quem está acostumado a ler sobre a história destes locais em inúmeros livros, trabalhos acadêmicos e outros tipos de publicações, está basicamente acostumado a ver a sua iconografia histórica através de fotos em preto e branco.

Tripulantes de um avião da marinha americana,utilizado na caça e destruição de submarinos inimigos. Tinham como base Parnamirim Field - Fonte - Coleção do autor.

Isso não significa que no período da Segunda Guerra não foram realizadas fotos coloridas destas unidades militares, de Natal, ou de outros pontos do Brasil. Ou estas fotografias foram feitas em pequenas quantidades, ou não aparecem muito para o público.
Recentemente obtive aceso as fotografias da Library of Congress (Livraria do Congresso dos Estados Unidos) e descobri uma interessante coleção com mais de 1.600 imagens coloridas, em um período que compreende as décadas de 1930 e 1940, com muito material sobre a Segunda Guerra Mundial.
Ao observar as belas fotos, algumas com extrema nitidez, comecei a imaginar como nossos antepassados (no meu caso os meus avós maternos) viram ao vivo e a cores a movimentação militar aérea dos americanos em Natal e região. Daí eu me questionei quais daquelas fotos estaria mais próximo do que os natalenses da época tiveram oportunidade de ver?
Comecei então a classificar as imagens e trouxe para vocês um pouco do que seriam estes visuais.
Junto às fotos coloridas originais da época da Segunda Guerra Mundial, trago algumas fotografias atuais de aviões históricos que foram preservados, onde muitos dos exemplares apresentados estiveram na nossa região naquele período.


Vamos começar com fotos que mostram atividades similares as que ocorriam na base de hidroaviões da Rampa, no Rio Potengi.
A foto acima mostra o característico formato do hidroavião, ou “Aerobote”, PBY Catalina. Utilizado em missões de busca e destruição de submarinos, resgate de náufragos, esta aeronave se tornou um ícone da aviação mundial e foi utilizado pela FAB – Força Aérea Brasileira. Os primeiros Catalinas que chegaram a Natal pertenciam a esquadrilha VP-52 e amerrissaram no Rio Potengi poucos dias após ao ataque japonês a base aeronaval americana de Pearl Habor, em dezembro de 1941.


Aqui vemos uma rampa que servia, tal como a existente em Natal, para baixar e recolher hidroaviões da U.S. Navy da água. Na foto é possível ver detalhes da operação.


Detalhes da estrutura da fuselagem, da asa e dos motores do Catalina, em uma operação de abastecimento.


Forma de abastecimento do grande PBY Catalina.


Um provável teste de motores em um Catalina. Fico imaginando o nível de ruído dentro da cabina de pilotagem.


Linhas clássicas de um Catalina preservado na atualidade.


Agora vemos fotos coloridas que bem poderiam ser da base de Parnamirim, a “Parnamirim Field” dos americanos.
Aqui temos exemplares do quadrimotor Consolidated C-87 Liberator Express, uma versão de transporte do conhecido bombardeiro pesado B-24.


Tripulantes de aeronaves, membros da USAAF, recebendo instruções com seus tradicionais uniformes.


Fotografia atual de um caça monomotor P-40, com marcações da China Nacionalista. Construído em várias versões, foi igualmente utilizado pela FAB.


Um bimotor Douglas A-20C Havoc, em 1942. Este era um avião de ataque e bombardeiro médio que também veio a ser utilizado pela nossa FAB.


Um sargento da USAAF posando diante de um motor radial. Nas unidades militares aéreas dos Estados Unidos em natal, a questão da manutenção das aeronaves era um dos pontos fundamentais das atividades dos militares ali baseados. principalmente na questão da travessia do Atlântico Sul.


Era normal e aceito pelos comandos militares, que as tripulações pintassem o nariz dos aviões com imagens características, únicas e extremamente interessantes, que ficaram conhecidas como “Nose Art”. Era também aceito que estes aviões fossem batizados com nomes escolhidos pelos tripulantes. Para muitos membros da aviação americana dava azar não batizar o avião.


Este avião de caça, o North American Aviation P-51 Mustang. Eu acho que este tipo de aeronave não esteve em Natal, mas decidi colocar a foto  pois ela é muito interessante.


Esta aparente confusão de aeronaves na porta de um hangar nos Estados Unidos, bem que poderia ser uma cena vista em “Paranamirim Field”, pois o tráfego aéreo era intenso.


Um caça bimotor Lockheed P-38 Lightning sobrevivente, clicado em um show aéreo nos Estados Unidos. Existem indicações que este tipo de aeronave esteve em Natal. Se for correto, a sua travessia em direção a África só poderia ser feita com uma escala na ilha de Ascensão. Esta é uma pequena porção de terra vulcânica no meio do Oceano Atlântico, pertencente ao britânicos, que também foi utilizada como ponto de apoio de aeronaves que seguiam de Natal em direção a África.


Outro avião que frequentou nosso espaço aéreo, considerado um clássico e que também fez parte do inventário da FAB; o North American B-25 Mitchell.


Este é outro clássico – o Douglas C-47 Dakota. Foi o verdadeiro “burro de carga” do transporte aliado durante a Segunda Guerra Mundial e fez parte da nossa FAB ao longo de décadas. Este é um C-47 conservado até os dias atuais.


Caças P-51 Mustang, dos primeiros modelos, provavelmente destinado aos ingleses.


Este é o conhecido caça monoplano Republic P-47 Thunderbolt, em um recente show aéreo. Construído aos milhares, não tinha a mesma beleza esguia do P-51, mas era um verdadeiro tanque de guerra no ar. A nossa FAB utilizou este tipo de aeronave nos céus da Itália. Inclusive vale ressaltar que o Brasil, foi até hoje o único país Latino-Americano a enviar tropas e aviões de combate para efetivamente participar de um conflito em solo europeu.


Manutenção em um B-25.


Torre de metralhadoras dianteira de um B-24 conservado nos Estados Unidos.


Instrução a um grupo de pilotos do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, os conhecidos “Marines”, que lá possuem sua própria frota de aviões de combate. Natal não possuiu um grupo de aviação destes militares, mas havia uma unidade para proteção das áreas da U.S. Navy. Em Recife também havia um grupo destes militares.


Manutenção em motores.


B-25.


Embarcando para o voo.


Um bombardeiro pesado Consolidated B-24 Liberator. O projeto era simples no conceito, mas foi avançado para seu tempo. Muitos passaram por Natal em direção a África, mas igualmente muitos deles atravessaram o Atlântico saindo de Fortaleza.


Natal não teve muitos “Marines” e nem sequer planadores. Mas para cá vieram muitos jipes. Infelizmente o que transportou o presidente F. D. Roosevelt, durante a sua famosa visita a nossa cidade em 1943, se perdeu e já deve ter virado sucata.


Um belo B-25 muito bem conservado.


Um tripulante da USAAF e seus tradicionais óculos “ray-ban”.


Vários B-25 saindo da linha de montagem.


Um C-87 visto de frente.


Outro peso pesado da USAAF, o clássico bombardeiro quadrimotor B-17, ou Boeing B-17 Flying Fortress, mais conhecido aqui como “Fortaleza Voadora”, avião que a FAB chegou a possuir algumas unidades baseadas em Recife. Um destes se espatifou estrondosamente em Cajupiranga, Parnamirim, no primeiro semestre de 1942.


Manutenção em um A-20.


Caminhões militares americanos. Muitos destes circularam em nossa cidade.


O inconfundível B-17.


Manutenção de um C-87.

Quero deixar bem claro que nenhuma destas fotos possui ligação com a ação dos americanos em Natal durante a Segunda Guerra Mundial. Mas é quase certo que foi desta forma que milhares de pessoas desta terra viram esta época tão intensa e diferente.


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Extraído do blog: 
Tok de História do historiógrafo Rostand Medeiros