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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

SOBRE O MISTERIOSO VESTIDO DE MARIA BONITA.

Por Edna Araújo

" Após o ataque em Angico, e decapitação das onze cabeças, e exposição nas cidades, os responsáveis pela morte do bando entregaram alguns objetos a um repórter, que era do Rio de Janeiro, o Melchiades da Rocha, que trabalhava para o jornal ( A Noite ) e foi o primeiro repórter da Região Sudeste a chegar ao local, ficando por um tempo com esses objetos e depois entrega a uma amiga, a atriz Nádia Maria, que por sua vez entregou ao Museu Histórico Nacional. 

Por anos ninguém sabia onde estava esses objetos, até que o historiador Frederico Pernambucano de Mello, que estava organizando sua coleção do cangaço e foi em busca desses pertences, no museu, o vestido foi encontrado jogado numa sala que era usada para guardar objetos sem valor e que seriam jogados no lixo, eles nem sabiam que o vestido era da Maria Bonita, após a descoberta o vestido foi catalogado e colocado em exposição, mas isso quase 50 anos após os fatos. Infelizmente virou cinzas, no incêndio que houve no Museu Histórico. 

Há quem afirma que Maria Bonita trajava o vestido no momento do ataque e há quem diga que ele estaria no bornal dela. Estranho é que há marcas de tiros e sangue na peça! Vale lembrar que, o tenente João Bezerra, também presenteou o então presidente da época, o Getúlio Vargas e sua esposa, com pertences recolhidos dos cangaceiros ali em Angico.

O que realmente teria acontecido com esse vestido? Que marcas eram essas? Tiros Sangue?

Mais um mistério de Angico.

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LIVRO DO ROBÉRIO SANTOS

 Odilon Nogueira

Lendo o belo livro 77.15.32 do escritor sergipano e amigo Robério Santos Robério Santos II É um pouco de luz na história dos currais humanos do governo (Campo de Concentração) no nordeste brasileiro. 

O sistema tentou esconder o submundo da nossa história, entretanto, alguns escritores, entre eles o pesquisador Robério Santos e a romancista Rachel de Queiroz, abrindo as cortinas desse período (entre 1844 a 1932). 

A obra é um romance que vai se entrelaçando com a história, protagonizada por aproximadamente 2 milhões de brasileiros, vítimas das intempéries da natureza e das políticas nefastas de governos.

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LAMPIÃO VISITOU BOM CONSELHO E FOI AO CINEMA DA CIDADE

 

Lampião
Bom Conselho

No livro  "Cangaço em Perspectiva - O Sertão em Lutas", há um texto de Junior Almeida sobre a passagem de Lampião por Capoeiras e Bom Conselho, na década de 30.

Em Capoeiras, em 1937, Virgulino Ferreira esteve no Sítio Alto do Tejo, onde estava morando uma mulher usando o nome de Paulina, tida na época como tia do Rei do Cangaço.

Essa mulher conseguiu morada na zona rural de Capoeiras com a ajuda de Tereza Rosalina da Conceição, também conhecida como Tereza de Salu Vicente.

Miguel David, capoeirense que viveu perto de 100 anos, neto de Tereza de Salu, deu um depoimento a Junior Almeida narrando a passagem de Lampião e seus cabras pelo Sítio Alto do Tejo.

"Amanhecendo o dia, o rei vesgo agradeceu a Dona Tereza pelo acolhimento a seus parentes e lhe prometeu proteção. Disse à dona das terras que qualquer problema que ela tivesse era só mandar uma maneira de mandar lhe dizer, que ele resolveria", narra Junior.

NO CINEMA  - A visita de Virgulino a Bom Conselho, quando foi ao cinema da cidade, acompanhado de Lula Branco e Zé Abílio, por filhos do fazendeiro, que foi proprietário de terras na região de Garanhuns.

Em 1987, no Recife, Audálio Tenório confirmou o episódio, numa entrevista à neta do cangaceiro,  jornalista Vera Ferreira. Também ouviram o depoimento os professores Paulo Marques e Roberto Pereira.

O tenente João Gomes, numa obra publicada sobre o fenômeno do cangaço, também se refere a este fato, a presença de Virgulino Ferreira num cinema que existia em Bom Conselho. 

Junior Almeida cita João Gomes, no artigo publicado no livro Cangaço em Perspectiva: "Enquanto a força procurava Lampião nas zonas do navio ele se encontrava nas caatinga do é da Serra do Pico. Com os irmãos Antônio Livino Ferreira e um cabra, todos armados, seguiu para o município de Bom Conselho, a fim de visitar os irmãos que ali residiam. Na cidade, Lampião assistiu a cinema, no dia 28 de agosto" (sic).

Em Bom Conselho, como na maioria das cidades do interior de Pernambuco, os cinemas fecharam. Deram espaço a igrejas e casas comerciais diversas.

Os que deram depoimento a Junior e os que escreveram sobre as visitas de Virgulino a alguns lugares, vestido como homem comum (como foi no caso de Bom Conselho) não informaram o ano exato, o nome do cinema, muito menos o filme visto pelo bandoleiro.

Pelo que conseguimos apurar Bom Conselho teve um cinema, bem no centro da cidade. Hoje no espaço funciona uma loja. Provavelmente foi nesse local que esteve o mais famoso bandido do Nordeste brasileiro, na companhia de amigos que cultivava, em suas andanças pela caatinga e pelo sertão.

https://robertoalmeidacsc.blogspot.com/2024/02/lampiao-visitou-bom-conselho-e-foi-ao.html?fbclid=IwAR3gI7SjXP9UPdP1ToyCxSIX1C3_HjdgSo-uG1bTsrq8eaOclSI2aITvR2g

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A MORTE DO CANGACEIRO CAIXA DE FÓSFOROS NA REVOLTA DE PRINCESA

José Tavares de Araújo Neto

Nada se sabe sobre as origens do cangaceiro Caixa de Fósforos, chamado pelos seus comparsas de “Caixa de Fósco”, apelido ganho em virtude do hábito de sempre estar portando em mãos este pequeno recipiente, necessário para atender o seu vício de fumante inveterado. Era um exímio batuqueiro neste tipo de instrumento musical improvisado.
Embora tenha se destacado ao lado de Lampião, Caixa de Fósforos algumas vezes integrou o bando de Luiz Leão e até chegou a comandar um grupo autônomo. Esteve presente em muitos eventos criminosos ocorridos naquela época, a exemplo do assalto a cidade de Sousa, o latrocínio que vitimou o fazendeiro de Piancó João Clementino e os sangrentos combates de Serrote Preto e Serra Grande.
A morte de Quintino Pereira, ocorrida durante o histórico combate da fazenda Patos, em 24 de março de 1930, causou enorme comoção junto as hostes rebeldes. O cabo João Paulino, que após o combate da fazenda Patos aderiu a causa do Coronel José Pereira, foi o grande incentivador da retaliação contra a força que havia matado o importante membro da família Pereira do Pajeú. Ele conhecia muito bem o local onde as forças policiais estavam acantonadas, nos arredores do povoado de Alagoa Nova, atual cidade de Manaíra.
Um grupo, constituído por cerca de 100 pessoas, se dirigiu a Alagoa Nova, a fim de atacar o acampamento da Coluna Oeste, mas lá chegando não encontrou mais ninguém. Precavidos, os militares haviam se retirado. No povoado, os libertadores se dividiram em dois grupos: Um iria permanecer em Alagoa Nova e o outro seguiria para Tavares, a fim de reforçar o contingente que se encontrava na defesa daquela vila.
Os homens que permaneceram em Alagoa Nova ficaram bem à vontade, não havia nenhum sinal de anormalidade que pudesse quebrar a monótona rotina do lugar. Era tanto a tranquilidade, que o grupo se deu ao luxo de disputar uma partido de futebol. Caixa de Fósforos, que não estava participando do jogo, decidiu ir a procura de cigarros e fósforos em uma venda, localizada nas proximidades.
Ao se aproximar do pequeno estabelecimento comercial, Caixa de Fósforos, surpreendido por uma saraivada de tiros, foi gravemente atingido. Após um intenso combate entre os libertadores e as forças oficiais, Caixa de Fósforos, ferido, foi resgatado e conduzido para Princesa, entretanto, não resistiu, falecendo no caminho.
O jornalista João Lélis, correspondente de “A União”, assim relatou o episódio em matéria pulicada em 6 de abril:
“Confirma-se por informações inequívocas, a morte do perigoso bandoleiro Caixa de Fósforos, criminoso muito temido em Pernambuco, e que era um dos lugares tenentes de confiança de José Pereira.

Depois do covarde assalto aos 50 homens da polícia que estavam em Patos, o chefe dos trabuqueiros mandou esse famanaz salteador, com 30 homens, atacar Alagoa Nova. A nossa força, porém, teve aviso da vinda do grupo e entrincheirou-se nas casas do povoado, de modo que quando esse chegou a Alagoa Nova apresentava o aspecto de um lugar abandonado. Os bandidos puseram-se então à vontade, tendo até alguns deles começado a bater numa bola de futebol.

Foi quando a força rompeu fogo contra eles, de modo violento, obrigando-os a fugir em completa desordem. Alguns dos bandidos ficaram mortos no campo e outros correram com ferimentos.

Entre os que receberam lesões graves figurou o célebre Caixa de Fósforos, que foi conduzido com destino a Princesa, onde, todavia, não chegou, morrendo numa fazenda já perto da cidade.

Já não há, também nenhuma dúvida sobre a morte do conhecido cangaceiro Quintino, um dos ajudantes de ordens de José Pereira, e primo do não menos famoso bandido Luiz do Triangulo. Esse faleceu no ataque a Patos, caindo em consequência da heroica resistência da vanguarda do tenente Nonato.

Desta proximidade de Princesa é possível saber alguns pormenores sobre a situação da infeliz cidade transformada em Meca do cangaço pelos instintos ferozes de José Pereira.

A situação ali permanece igual desde que se colocou em pé-de-guerra o cangaceiro-mor. A cidade e os arredores não têm mais uma única família, porque todas se retiraram tomadas de pânico diante da horrenda catadura dos homens que acudiram ao toque de reunir do bandido para formação do seu enfático exército libertador.”
Em Princesa, Caixa de Fósforos foi sepultado no “Cemitério Campo Santo”, com direito a um travesseiro sob a cabeça, honra exclusiva dedicada àqueles que se destacaram por atos de heroísmo e bravura.

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𝙊 𝘾𝘼̃𝙊 𝘾𝙊𝙓𝙊

Acervo do JaoziJan Jaaozinn

Dois registros pouco divulgados do Ten. João Bezerra dando uma entrevista para o jornalista João Martins, quando tratava dos ferimentos que recebeu no combate em Ângico/SE, no hospital de Maceió/AL, 1938.
Dentre os volantes e cangaceiros que saíram baleados na Grota, o Coronel Bezerra foi um deles. Seria, segundo as informações, alvejado na coxa, mas não sendo grave, conseguindo ainda participar das inúmeras fotografias e entrevistas que ocorreram naquele 28 de julho. Segundo sua esposa, Cyra Britto, quando o mesmo chegou em Piranhas carregavam ele e a coluna as cabeças dos famigerados bandoleiros. Chegando em sua casa, mesmo ferido, ainda dava ordens para que informassem aos seus superiores sobre a tamanha feitoria do Tenente.

Enquanto estava sob os cuidados de sua noiva, as volantes e moradores comemoravam a morte do cego; cantarolando a famosa Mulher Rendeira e disparando tiros. Alguns militares usaram perfumes que foram encontrados nas barracas dos bandoleiros, misturando o cheiro com o suor, sangue e pólvora, exalando um aroma forte naquele momento.
𝐅𝐎𝐍𝐓𝐄: 𝑶 𝑱𝒐𝒓𝒏𝒂𝒍/𝑹𝑱 - 1938.
𝐎𝐁𝐒: Na reportagem cita que o registro foi tirado em um Hotel no Rio de Janeiro, em outubro de 1938. De fato, Bezerra esteve na antiga Capital nesse período, porém, a fotografia não foi feita por lá. Em comparação com a do mês de agosto do mesmo ano, período que João Bezerra esteve em tratamento, a mesma vestimenta e o ambiente se igualam. É claro que tem cerca de dois meses de diferença do mês de agosto para outubro e que o jornal estaria sim certo de dizer que esta foto foi registrada no Hotel, porém, não podemos esquecer que por muito tempo as reportagens utilizavam fotografias repetidas e antigas, além de identificações erradas. Temos exemplos de jornais de 1929 citando que estes cangaceiros foram registrados naquele mesmo ano, porém, utilizavam uma fotografia do ano de 1926.
.𝗖𝗔𝗡𝗚𝗔𝗖̧𝗢 𝗕𝗥𝗔𝗦𝗜𝗟𝗘𝗜𝗥𝗢.

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