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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Em 1929 jornais baianos registravam...

Por: Rubens Antonio
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O mais antigo filme sobre Lampião

Aproveitando a puxada dos nossos amigos Guilherme Machado e Robério Santos no grupo cangaceirólogos, aqui cenas do mais antigo filme realizado sobre o Cangaço... 1ª matéria Publicado em 27 de novembro de 1929, no “Diario de Noticias”, Salvador, Bahia..
Ele procurava mostrar ações do bando de Lampeão já ocorridas, até então, na Bahia. A equipe de filmagem e atores se deslocaram até os locais dos eventos e, com base nos testemunhos locais, filmaram. Não sei onde foi parar, mas parece que chegou a ser apresentado em Salvador.

A Cinematographia grava os crimes do Bandido

Nesta imagem, à esquerda, a câmera, à direita, reconstituição de um tiroteio.

Estamos numa epocha em que factos de tamanha sensação não podem ter a sua descripção limitada ao registro da imprensa; elles, graças á divulgarização da cinematographia, são mostrados, ao vivo, ao povo.
Em todo o mundo civilizado assim occorre, com a modernização dos novos processos de reportagem. Todo o mal que o bandoleiro faz ás nossas populações sertanejas é salientado, mediante uma reconstituição de scenas verdadeiras, honestamete feitas, nos proprios locaes onde ellas se verificam e mediante o testemunho de pessoas sabedoras dos factos. A empresa Nelli–Film, bahiana, se incumbe da organização dessa pellicula sensacioal.
É dificil distinguir–se qual o crime mais perverso
O reporter soube da confecção desse “film” e tranto investigou que acabou encontrando o sr. José Nelli, chefe da empresa. Palestraram. O industrial relatou as difficuldades que teve de vencer, da deficiencia de personagens aos trabalhos de reconscituição.
– Qual o crime de maior sensação?
Fica–se na duvida. Virgolino tem cem requintes de malvadez. E não é um valente nem um heroe. Assassina covardemente, para roubar ou por mero prazer.
– Posso, porém, dissenos o sr. Nelli, dizer–lhe que a morte da mulherqueimada que se avantaja a tudo. Pretendera ella envenenar Lampeão, que, desconfiado, descobriu o ardil e ordenou que, amarrada a uma arvore, della fizessem uma tocha humana. Realizou–se, assim o homicidio. No cinema, isso é de grande effeito.
 A enguia da caating
– E por onde andou filmando:
– Pela zona do Rio do Peixe, Queimadas, Serrinha, etc. Apanham–se os factos “in loco”, sob o rigor da verdade.
– Que diz da acção da policia?
– Que procura atacar o grupo.
Essa caça faz–se com grandes sacrificios, porque Lampeão é como a enguia: some–se sempre na caatinga, fugindo.
– Tem reproduzido combates?
– Oh! diversos, bem como passagens curiosissimas, a que serve de moldura uma excellente natureza, prodiga em scenarios. E claro que teremos de solicitar o auxilio da Policia. Mostrado o bandido, é indispensavel divulgar o que tem sido a acção dos seus perseguidores implacaveis."
 27 de novembro de 1929, no “A Tarde”:
No Rastro dos Bandoleiros. As proezas de Lampeão e de seu sinistro bando num film

O sr. José Nelli, conhecido operador cinematographico, resolveu fazer um grande film de divulgação das façanhas de Lampeão e do seu terivel bando.
O intuito do sr. Nelli é, revivendo os moticinios e scenas de vandalismo do faccinorara apresental–o tal qual elle é: simplesmente um animal senguinario. Para isso o sr. Nelli esta percorrendo todo o nordeste reconstituindo os crimes de Virgulino. Os clichês acima mostram a estação de Rio do Peixe e uma scena do film.


Os clichês acima mostram a estação de Rio do Peixe e uma scena do film.

Adendo Lampião Aceso 

O título deste filme não foi citado na matéria do jornal pois estava em fase de produção. Concluído, ele foi batizado de LAMPIÃO, A FERA DO NORDESTE e outra remetência foi LAMPIÃO, O TERROR DO NORDESTE. Tratou-se de um longa-metragem silencioso.
Chegou a ser exibido em São Paulo no ano de 1931: de 20 a 22.de novembro no Royal; 1º de dezembro no Colombo; 2 de dezembro no São José; a 03.de dezembro no Cambuci; 04 de dezembro, no Glória. e nos dias 22 e 23.março de 1932 no Oberdan.

Sinopse

"... Meia dúzia de apanhados da capital (Salvador) atoamente. Uma vista de Ilhéus da mesma forma. Um horrível apanhado da feira de gados em Feira de Santana. Um cafezal. Um canavial. Uma locomotiva chegando a Juazeiro. Um apanhado do Rio São Francisco. Uma vista péssima de Bom Jesus da Lapa. (...) Lampião ataca um rancho qualquer. Ataca Riacho Seco. (...) Outra cena Lampião cerca uma fazenda. Aparece a casa do 'coronel'. O coronel e a filha estão na sala de visitas. Ele de pés descalços, assentado num frangalho de cadeira, lê um retalho de jornal. A moça lava roupas num caixão de gasolina. Lampião entra na sala. O coronel protesta. Assassinam-no pelas costas. Lampião entra para um quarto. Vem lambendo os beiços...".(Cinearte, 16 de Abril de 1930)

As locações foram: Salvador; Ilhéus; Feira de Santana; Juazeiro; Rio São Francisco; Bom Jesus da Lapa; e Riacho Seco cidades do estado da Bahia.

Observações e resenha:

A revista Cinearte de 30 de Abril de.1930 informa que o filme estava programado para o Teatro Olímpia, de Salvador, mas teve a sua exibição proibida pela polícia. "Filme de enredo e cenas documentárias, com um ator no papel do Capitão Virgolino". muito provavelmente o primeiro filme de enredo rodado na Bahia".

A revista ainda publicou o seguinte comentário:

“Tudo filmado com a pior fotografia do mundo, sem noção alguma de arte e realidade. A interpretação é pavorosa! Tudo horrível! Como filme Lampião é mais prejudicial à Bahia que o próprio bandoleiro”.
As pesquisas de Dídimo em seu livro "O cangaço no cinema Brasileiro" não apontaram referências aos nomes dos atores que trabalharam na obra. Em alguns sites há uma referencia de direção para Guilherme Gáudio porem o Dicionário de Filmes Brasileiros (longa-metragem), de Antônio Leão Neto, traz apenas a menção de José Nelli como produtor e Antônio Rogato na fotografia.

Pioneiros do tema cangaço

Quem pesquisar sobre os primórdios do cinema de cangaço vai identificar o filme Filho sem mãe, de Tancredo Seabra no ano de 1925, o primeiro em que aparece um grupo de cangaceiros e alguns de seus sinais de identidade, tais como trajes, armas, acampamentos etc.
Sangue de irmão de Jota Soares em 1926.

Segundo Luiz Felipe Miranda em “Cinema e Cangaço – História” (1997), houve ainda um curta,chamado  Lampião, o banditismo no Nordeste, “do qual se desconhecem autoria e procedência [...] apresentado por volta de 1927” (1997, p.93).
Em Lampião, A fera do Nordeste, uma ficção com cenas documentais. o rei cangaceiro já teria o papel de protagonista e, provavelmente, é o primeiro filme a abordar o cangaço como tema central. O filme relata o episodio da chacina do Rio do Peixe, na Bahia, mostrando Lampião monstruoso e sanguinário que matava ate criancinha, lançando ao ar e aparando com seu punhal.

Estes quatro títulos citados estão infelizmente desparecidos.

Fontes:

1) Cinemateca.gov.br
2) NORDESTE: MISERABILISMO LOCAL/SUMMA NACIONAL
Estudo de Sebastião Guilherme Albano da Costa.
Disponivel no: Razony Palabra
3) Revista Fenix O cangaço no cinema brasileiro: Um olhar panorâmico estudo de Anderson R. Neves - Universidade Federal de Uberlândia – UFU.Disponível na: Revista Fênix

http://cangaconabahia.blogspot.com.br
http://lampiaoaceso.blogspot.com

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Relançado um clássico da HQ


Aventuras no cangaço n.1 traz de volta antigo personagem de Gedeone Malagola

A cooperativa de Quadrinhos Júpiter II tem como uma de suas propostas resgatar estilos e personagens das Histórias-em-Quadrinhos do passado, alegrando os velhos fãs e apresentando o personagem a jovens e novos leitores, tornando-o mais conhecido – ou menos desconhecido – do público brasileiro. 

 

Por isso este lançamento que relembra uma temática muito corriqueira no passado: na literatura, no cinema, nas HQs, as histórias tendo o cangaço como pano de fundo, histórias por vezes realistas, por vezes aventurescas – não que ainda não seja um tema apreciado por muitos artistas e historiadores, mas muito menos do que era nas décadas passadas.


Aventuras No Cangaço n.1 (no formato 21 cm x 15 cm, capa couchê colorida – autoria de Edu Manzano – com 24 páginas preto & branco) começa mostrando em seu primeiro número um personagem criado por Gedeone Malagola na década de 50 do século passado: Milton Ribeiro, baseado no ator, mais precisamente num personagem interpretado por este ator no filme "O Cangaceiro", de Lima Barreto.

Mais informações sobre este personagem: AQUI

São reapresentadas nesta edição duas HQs lançadas originalmente na revista Vida Juvenil, editada por Mário Hora Júnior no ano de 1957. E aguardem mais surpresas nos próximos números! Personagens memoráveis a caminho! Pedidos para smeditora@yahoo.com.br (JS)

sábado, 14 de julho de 2012

Canudos nas telas


Um filme poético e delirante sobre a epopéia da Guerra de Canudos. Um mosaico sobre o maior acontecimento histórico do país.

ANTÔNIO CONSELHEIRO - O TAUMATURGO DOS SERTÕES (de José Walter Lima) é o encontro de Antônio Conselheiro, ressurgindo nos sertões da Bahia, com seu próprio mito no imaginário popular. O filme é uma metáfora sobre os sertões, uma epopeia da saga desse peregrino.

O filme se desenvolve seguindo duas linhas: a do sagrado ou apostolado, e a da campanha militar. A confluência dessa narrativa se dá no reencontro dos mitos do Cel. Moreira Cezar e do Antônio Conselheiro, o primeiro como Anticristo e o segundo como Iluminado.

Em comum ambos têm a morte que os transformou em mito no imaginário popular, tal como o Demônio e o Santo. Um vive pelo outro. Ambos morrem, mas o mito, atemporal, sobrevive.

 
Confira trailer:



HISTÓRICO - As primeiras imagens deste filme foram realizadas com o ator Carlos Petrovich (Idade da Terra/Glauber Rocha) no final de 1987. Esperamos três anos para o projeto ser aprovado e, quando a primeira parcela dos recursos foi liberada, o governo Collor de Melo confiscou.

Em seguida, uma tragédia se abateu sobre o cinema brasileiro com a extinção da Embrafilme. Os recursos confiscados foram liberados em 18 parcelas, o que resultou em um grande prejuízo para produção do filme. Além disso, um incêndio ocorrido no incío da década de 90 consumiu 40% dos negativos e 100% do som original.

Em 2009 retomamos o processo de finalização do filme. Fizemos uma imensa garimpagem e restauração do material de audio e vídeo. Promovemos soluções criativas, realizando filmagens complementares para enfim deixar pronto esse longa-metragem que documenta um importante momento da história do Brasil. 


Mais informações:
 Pesquei in Luz de Fifó 
E eu pesquei no lampiaoaceso.blogspot.com

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Vai um filminho aí?

Pra quem não troca o aconchego do lar pela folia de Momo!

A morte comanda o cangaço, 1961.

Sinopse: 

Em 1929, um cangaceiro é protegido por um coronel latifundiário, o homem forte da região. Mas é dado como morto por seu bando, que organiza uma desforra. O filme mostra com impressionante realismo o cenário de horror e ódio pelo qual passou o Nordeste brasileiro na época do cangaço.

Elenco:

Alberto Ruschel, Milton Ribeiro, Aurora Duarte, Ruth de Souza, Leo Avelar, Edson França, Lyris Castellani. - Faustão, 1971.


Sinopse:

Henrique, filho do coronel Pereira, é salvo pelo cangaceiro Faustão, um negro feroz e generoso, beberrão e amante das mulheres, quando o rapaz é atacado pelos jagunços do Coronel Araújo, inimigo tradicional de sua família. Faustão estipula um resgate para o rapaz, mas desiste, resolvendo adotá-lo. Henrique desenvolve o conhecimento da vida de cangaceiro no bando de Faustão. Os companheiros deste são todos dizimados pelo Coronel Araújo e por seu capanga Anjo Lucena. Sobram apenas Faustão, Henrique, Silêncio e Ponto Fino. A chance da desforra surge com o ataque do coronel Araújo à fazenda do coronel Pereira. Faustão luta ao lado deste, mata o coronel Araújo, mas perde, para sempre, seus amigos Silêncio e Ponto Fino. O coronel Pereira também morre, e Henrique assume o controle da fazenda e casa com sua antiga namorada, Vaninha. Os caminhos dos dois ex-amigos agora são diversos. Faustão forma novo bando e é perseguido pela volante do agora coronel Henrique. No final, os dois têm de se enfrentar em duelo, onde nenhum pode sair vitorioso.

Direção: Eduardo Coutinho
Produção: Leon Hirszman

Elenco: 

Eliezer Gomes, Jorge Gomes, Anecy Rocha, Gracinda Freire, José Pimentel, Valquíria Mamberti, Roberto Ney, Antônio Albuquerque, Taise Costa, Cosme dos Santos, Valquíria Mamberti, Roberto Ney, Rubens Teixeira, Samuca, Leandro Filho, Cleiton Feitosa, Chico Couro, Damião José, Josué Euzébio, Laércio Alves, Paulo Guimarães, Kátia Mesel, Maria Áurea, José Cláudio, Walter Mendes, Rafael dos Santos...

Fonte: 
TV Cangaço, YouTube

Créditos para: 


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