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terça-feira, 5 de julho de 2016

É ROJÃO FIDERÁ

Por Clerisvaldo B. Chagas, 5 de julho de 2016 - Crônica 1.545

Pois foi, meu amigo! Na Fernandes Lima “a bocada é quente”, diz o taxista. Corredor de trânsito mais importante de Maceió é lugar onde acontecem as coisas. Mas quem foi Fernandes Lima? Lima foi governador de Alagoas no início da década de vinte. Certa vez adoeceu e passou seis meses afastado do cargo. Foi substituído nesse período pelo ex-intendente de Santana, padre Capitulino. Este aproveitou o aconchego da cadeira e promoveu a vila de Santana do Ipanema à cidade. Para complementar, Capitulino era filho de Piaçabuçu e veio a falecer já afastado da política, na Igreja de São Benedito, em Maceió, logo após a missa celebrada por ele.


Voltando a Fernandes Lima, tudo parecia tranquilo quando ouvimos pelo menos um tiro no meio do trânsito. Os passageiros do ônibus ficaram apavorados e muitos quiseram se estirar no piso do veículo. Da cadeira da frente, vimos um cabra escorregar da moto e se esparramar no asfalto. O motorista do ônibus grita: “é ladrão! É ladrão!” Mesmo assim não botou o busão por cima do bandido. O cabra, visivelmente apavorado, levantou-se da pista, conseguiu erguer a moto e a saiu empurrando por uns vinte metros. “óóó!...” exclamavam os passageiros. E o motorista repetia: “é ladrão, é ladrão”, mas nada fazia. O cabra da moto conseguiu montar, ainda de capacete branco, retornou um pouco e desembocou em rua transversal. Quem dera o tiro? Logo passou o carro da polícia, mas ninguém sabia para onde. Uma velhinha falou: “Devia matar essas pestes tudinho, ora já se viu!”.

Cada passageiro teve o direito de falar o que bem quis na linguagem bonita nordestina de revolta. Antes de descer do bichão ainda ouvimos um aposentado de bigode e chapeuzinho tipo “venha cá meu co...”, dizer como se a coisa não tivesse mais jeito no país: “É parada fiderá”...


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SALVO-CONDUTOS

Por Analucia Gomes
Tela de Portinari

Lampião empreendeu os famosos salvo-condutos, transformando esse expediente como altamente rendoso, a ponto de ele encomendar ao mascate-cineasta Benjamin Abrão a confecção de centenas de cartões de visitas, usados para esse fim. Investiu também numa frota de canoas que faziam a travessia do rio São Francisco, usando o mesmo processo de aliciar sócios. Pessoalmente, esses fatos diferenciam Lampião de seu grupo social de origem. Foi um cangaceiro-empresário bem-sucedido. Porém nada o distingue tanto desse meio, que hipoteticamente tinha nele o representante de sua revolta, como o fato sabido e consagrado de que ele jamais matou alguém realmente importante. Havia um compromisso observado entre cangaceiros e coronéis para que isso não quebrasse o pacto estabelecido entre eles. O deputado Floro Bartolomeu, falando na Câmara Federal, amenizou o cangaço destacando justamente o fato de que não matava gente de "posição": “... no sertão é raro um homem de posição ser assassinado, mesmo de emboscada, nas estradas desertas; sempre estes fatos ocorrem entre os cabras, cangaceiros ou não, gente que não faz falta." Em pronunciamento na Câmara dos Deputados. Civitas - Revista de Ciências Sociais.

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FEMININO CANGAÇO

https://www.youtube.com/watch?v=wsTCQ7LOeds&feature=share

Publicado em 27 de abr de 2016

O documentário “FEMININO CANGAÇO” dirigido por Lucas Viana e Manoel Neto, propõe uma reflexão crítica sobre a entrada das mulheres no cangaço, suas motivações, as superstições em torno delas, seus papeis dentro dos bandos, seus costumes, crenças e dramas pessoais. 

Trata-se de melhor compreender a importância das mulheres na construção do que hoje entendemos como o fenômeno do cangaço e as destacar como sujeitos ativos desta história, mulheres que transgrediram os valores sociais de sua época e cuja força surpreende ainda nos dias atuais.

Fonte: facebook
Página: Kydelmir Dantas 
Link: https://www.facebook.com/profile.php?id=100011331848533

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HÁ 100 ANOS, FIM DA SANGRENTA GUERRA DO CONTESTADO

Autora – Tatiana Beltrão
Grupo de vaqueanos (milícia armada privada) defende madeireira de ataques de revoltosos na Guerra do Contestado. Esta e as demais fotos desta galeria são do fotógrafo sueco Claro Jansson, que imigrou para o Brasil em 1891 e viveu na região na época da guerra Acervo Dorothy Jansson Moretti

Adeodato Ramos havia passado boa parte do gelado inverno catarinense de 1916 embrenhado na mata, fugindo de seus perseguidores. Depois de uma noite de geada, o último líder rebelde da Guerra do Contestado estava exausto. Ao sair da mata e sentar-se à beira da estrada para se aquecer ao sol, foi flagrado por uma patrulha. O “temido facínora”, o “sanguinário chefe dos fanáticos”, o “flagelo de Deus”, como o descreviam os jornais da época, entregou-se sem nem sequer esboçar resistência.

A captura dele, na virada de julho para agosto, marcaria o fim da guerra, que se arrastou por quatro anos e transformou a região do Contestado (área disputada por Santa Catarina e Paraná) no palco da revolta mais sangrenta do século 20 no Brasil.


Os rebeldes chegaram a se espalhar por uma área equivalente ao tamanho de Alagoas. Entre 1912 e 1916, eles enfrentaram as forças policiais e militares dos dois estados e do Exército. Os insurgentes eram movidos por motivos que iam do messianismo à luta pela terra. Eram contra o poder público e os coronéis locais. Reagiam ao impacto da construção de uma estrada de ferro, que os expulsou da terra onde viviam.

Estima-se que pelo menos 10 mil pessoas pereceram na região do Contestado, tanto nos combates quanto de fome e de doenças como o tifo, que se alastrou pelas “cidades santas” erguidas pelos revoltosos. Entre os mortos, milhares de mulheres e crianças.

A guerra mobilizou metade do efetivo do Exército: mais de 7 mil soldados, nos momentos de luta mais intensa.

Messianismo

A indefinição dos limites territoriais entre Santa Catarina e Paraná vinha desde o Império, e até a Argentina pleiteava a posse de áreas dos dois estados. O Supremo Tribunal Federal deu ganho de causa aos catarinenses em 1904 e reafirmou sua decisão nos anos seguintes, mas a sentença era ignorada pelo governo paranaense. Nesse cenário de conflito, a revolta prosperou.

Curandeiro José Maria

A guerra começou pequena, com um grupo reduzido de sertanejos (moradores desses campos do Sul, chamados de sertão na época) que em 1912 reuniu-se em torno de um curandeiro. José Maria seguia a tradição de outros dois curandeiros que haviam passado por lá anos antes e eram considerados “monges” pelos sertanejos. Ele também fazia profecias: anunciava uma monarquia celestial em que todos viveriam em comunhão, dividindo bens.

Dos seguidores do novo monge, muitos eram posseiros, sitiantes e pequenos lavradores que haviam sido expulsos das terras em que viviam pelo grupo americano responsável pela construção da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande, do megaempresário Percival Farquhart.

Além da concessão, Farquhart ganhou do governo brasileiro as terras situadas às margens da ferrovia, uma vasta faixa de 15 quilômetros de cada lado.

Entroncamento da Brazil Railway, durante a construção de linha férrea entre o porto de São Francisco e São Bento, em Santa Catarina.

Depois da construção da estrada de ferro, a região, coberta de matas de árvores nobres como a araucária, começou a ser desmatada. O empresário ergueu lá a maior madeireira da América do Sul na época e uma companhia colonizadora que, depois do desmate, venderia as terras a imigrantes europeus. Famílias que viviam no local foram expulsas por milícias armadas da empresa, com apoio das autoridades brasileiras.

Primeira batalha

O monge José Maria e os fiéis se instalaram em Taquaruçu, nos arredores de Curitibanos (SC). Temendo que o grupo fosse usado por inimigos políticos, um poderoso coronel da cidade pediu ao governo catarinense tropas para dispersar um “ajuntamento de fanáticos” que supostamente queria proclamar a Monarquia no Sul do Brasil.

Ao saber que a força policial havia sido chamada, os fiéis fugiram para Irani (SC), localidade que na época estava na área do Contestado.

Barricada de madeira protege serraria dos ataques rebeldes em Três Barras (SC) Acervo Dorothy

A chegada do grupo foi vista pelo Paraná como uma investida de Santa Catarina para forçar a posse do território contestado. Em resposta, o Paraná enviou um destacamento policial para expulsar os supostos invasores. Em outubro de 1912, a ação terminou de forma trágica, com 21 mortos. Entre eles, o monge José Maria e o comandante das forças de segurança do Paraná, coronel João Gualberto.

Documentos históricos guardados no Arquivo do Senado mostram a reação dos senadores ao conflito. Dois dias depois da batalha, a morte do comandante foi anunciada no Plenário do Senado, sediado no Palácio Conde dos Arcos, no Rio.

Serraria Lumber, maior da América do Sul na época, pertencia ao empresário americano Percival Farquhar Acervo Dorothy Jansson Moretti

O senador paranaense Generoso Marques falou aos colegas sobre a “horda de bandidos e fanáticos” que havia invadido o Paraná e leu um telegrama enviado pelo governador do Paraná, Carlos Cavalcanti, ao Congresso. O governador comunicava que o estado havia pedido ao presidente da República, Hermes da Fonseca, a intervenção de forças federais.

O senador catarinense Abdon Batista apoiou o colega: — Esse acontecimento, ao mesmo tempo em que nos cobre de pesado luto, nos anima e nos incita na obrigação de secundar as forças do estado vizinho para que, de uma vez, sejam extirpados os elementos maus que procuram perturbar nossa vida de trabalho e progresso.

Trem carregado de toras enfrenta enchente do Rio Negro, em Três Barras (SC)

Ao longo do conflito, os dois estados trocariam acusações de incentivar os revoltosos e até de fornecer-lhes armas.

Exército encantado

Depois da morte do monge, os devotos se dispersaram. O messianismo, porém, permaneceu. No ano seguinte, difundiu-se a crença de que José Maria voltaria do céu, acompanhado do “Exército Encantado de São Sebastião”. Uma criança de 11 anos dizia ver o monge em sonhos pedindo aos fiéis que se preparassem para uma guerra santa. O grupo rebelde voltou a se reunir em Taquaruçu.

Agora não eram apenas os antigos seguidores do monge José Maria que se prepararam para a luta.

Somaram-se a eles descontentes em geral: mais colonos expulsos, fazendeiros que se opunham aos coronéis, tropeiros sem trabalho, desempregados da obra da ferrovia e até ex-combatentes da Revolução Federalista (1893–1895), que tinham experiência com armas e contestavam a República.

— Num determinado momento, torna-se uma guerra de pobres contra ricos — diz o historiador Paulo Pinheiro Machado, autor do livro Lideranças do Contestado. — Uma guerra daqueles que queriam formar suas comunidades autônomas, onde todos viveriam em comunhão de bens, o que era uma negação da própria ordem republicana, da concentração fundiária, do poder dos coronéis da Guarda Nacional e da força da polícia, do Exército e da companhia norte-americana ferroviária sobre eles.

Milícia armada de um coronel em Canoinhas (SC), em 1914 Acervo Dorothy Jansson Moretti

Machado contesta a visão de que o fanatismo religioso de sertanejos pobres e ignorantes foi o principal combustível da revolta. O pesquisador sustenta que, paralelamente à crença na guerra santa, os rebelados haviam desenvolvido uma nítida consciência de sua marginalização social e política e de que “lutavam contra o governo, que defendia os interesses dos endinheirados, dos coronéis e dos estrangeiros”.

“Novo Canudos”

Na época, porém, a visão predominante na imprensa, refletida no Congresso Nacional, ignorava os problemas que motivaram a insurreição sertaneja. Em setembro de 1914, o senador Abdon Batista desqualificou no Plenário denúncias do deputado federal Maurício de Lacerda, do Rio de Janeiro, que afirmava que a usurpação de terras era a principal causa do conflito: — É uma lenda. Essa gente não tem terras nessas zonas, o que querem é viver sem trabalhar.

Uma das poucas vozes dissonantes no Congresso, Lacerda disse à imprensa que o Contestado era “um novo Canudos” e defendia os revoltosos, “brasileiros donos de suas terras e que foram usurpados por uma empresa estrangeira”.

Messianismo presente – Na foto vemos Nhá Emídia, famosa curandeira que morava em uma grata em Três Barras, SC. Fanatismo nascido da miséria.

— As vítimas, como era natural, defenderam-se. O que se devia esperar? Que o Estado fosse em socorro daqueles homens, mas verificou-se o contrário — declarou aos jornalistas.

O deputado denunciava que dois influentes políticos paranaenses, “protetores da empresa estrangeira que havia se apoderado à força das terras dos sertanejos”, conseguiram que o governo mandasse forças para “defender os ladrões e matar brasileiros que licitamente defendiam suas propriedades”.

Esses políticos eram o senador Alencar Guimarães (que havia governado o Paraná) e o vice-governador Affonso Camargo.

Guimarães defendeu-se no Plenário do Senado. — Nunca fui homem de negócios, jamais advoguei interesses de qualquer companhia nacional ou estrangeira que colidissem com interesse do Estado.

“Pavor e pena”

Expedições militares tentaram desmobilizar o movimento, atacando Taquaruçu. Depois de várias tentativas, o reduto foi destruído em fevereiro de 1914. A força militar bombardeou a comunidade de longe. Atingiu principalmente mulheres, crianças e idosos, pois a maior parte dos homens havia partido para formar outro reduto, o de Caraguatá.

Comandante João Gualberto (montado) a caminho da batalha, pouco antes de morrer em combate Acervo Dorothy Jansson Moretti

Foi um massacre. Metralhadoras, canhões e até granadas foram usados no ataque. No livro A Campanha do Contestado, o militar Demerval Peixoto, que participou dos combates como soldado, reproduz o relatório do médico que acompanhou a expedição: “Pernas, braços, cabeças, casas queimadas… Fazia pavor e pena o espetáculo que se desenhava aos olhos. Pavor motivado pelos destroços humanos; pena das mulheres e crianças que jaziam inertes por todos os cantos”.

A revolta da população contra o massacre só fez fortalecer o movimento, e os sertanejos começaram a expandir suas ações. Milhares de novos adeptos se mudavam para os redutos. Novas “cidades santas” surgiam. A maior delas, Santa Maria (que não tem relação com o município gaúcho homônimo), tinha 25 mil pessoas.

Ao mesmo tempo, o movimento se militarizou, com líderes “de briga” aliados aos religiosos. No inverno de 1914, os sertanejos começaram a saquear fazendas, roubando gado e comida e arregimentando pessoal (até sob ameaça) para reforçar os redutos. Passaram a atacar e ocupar cidades. Nos ataques, estações de trem e repartições públicas eram queimadas.

Com apoio dos governadores de Santa Catarina e Paraná, em 1914 o governo federal decidiu empreender uma grande operação militar para aniquilar a insurreição. Sob o comando do general Setembrino de Carvalho, 6 mil soldados rumaram para o sul do país. Além deles, 2 mil civis (chamados vaqueanos), a maioria integrantes das guardas privadas armadas mantidas pelos coronéis da região, foram contratados para auxiliar o Exército. A ordem do governo era clara: “acabar com os fanáticos”, como contou o próprio general Setembrino em suas memórias.

Artilharia das forças paranaenses que seria usada nos ataques contra os sertanejos Acervo Dorothy Jansson Moretti

Quando o cerco aos redutos se apertou, começou a faltar comida, remédios e munição para os rebeldes. Sobreviventes relataram que, no final, comeram até couro de cintos e arreios para não morrer de fome. Para evitar deserções, alguns líderes, como Adeodato, impuseram um regime de terror nos redutos, executando os suspeitos de traição.

O reduto de Santa Maria foi destruído na Páscoa de 1915. Em telegrama a Setembrino, o capitão responsável pelo ataque detalha: “Tomei e arrasei 13 redutos com enormes sacrifícios do meu heroico destacamento. Matamos em combate perto de 600 jagunços, não contando o grande número de feridos. Arrasei perto de 5 mil casas e 10 igrejas”.

Guerra do Contestado: forças legais acampadas às margens do Iguaçu em Porto União da Vitória (PR).

Os últimos combates ocorreram em dezembro de 1915, e os rebelados, derrotados, se dispersaram. Houve rendições em massa das famílias sertanejas.

Os vaqueanos começaram então uma caçada aos últimos líderes rebeldes. Muitos deles foram mortos em execuções sumárias, mesmo depois de rendidos. Alguns vaqueanos ganharam fama por retirar sertanejos da cadeia para executá-los.

Acordo de limites

Com a captura de Adeodato Ramos, o último e mais temido líder dos rebelados, a guerra foi encerrada de vez, naquele inverno de 1916. Logo em seguida, em outubro, finalmente veio a assinatura do acordo de limites entre Santa Catarina e Paraná. Pressionados pelo presidente Wenceslau Braz, cada um dos dois estados teve que ceder um pouco. A partilha, porém, foi vista como favorável aos catarinenses, que ficaram com 28 mil dos 48 mil quilômetros quadrados da área contestada.

Em janeiro de 1915, um dos chefes rebeldes, Bonifácio Papudo, se rende às forças policiais. O militar que conversa com o rebelde era o tenente Castelo Branco. Acervo Dorothy Jansson Moretti

Na assinatura do acordo, no Palácio do Catete, no Rio, o governador de Santa Catarina, Felipe Schmidt, comemorou a paz, encerrando um “passado amargo” que fazia os dois estados se olharem com desconfiança, como “dois povos estranhos que aguardassem, de arma em punho, a hora da peleja”.

O governador do Paraná, Affonso Camargo, também exaltou a paz, mas deixou claro o ressentimento com um desfecho que considerava injusto. Ele justificou sua decisão de assinar o acordo mesmo assim citando a necessidade urgente de encerrar uma “luta fratricida sem precedentes”: — Ali caíram sem vida oficiais do Exército, bravos soldados das forças nacionais e estaduais e milhares de sertanejos, na sua maioria laboriosos, em uma confusão desumana que dolorosamente impressionou todo o país.

Ao citar os sertanejos “em sua maioria laboriosos”, o governador reconhecia que o movimento, hoje visto como uma das maiores revoltas camponesas do Brasil, era mais que uma combinação de fanatismo e banditismo.

Essa consciência se ampliaria a partir dos anos 1970, explica o historiador Paulo Pinheiro Machado. Com a redemocratização do país, criou-se um ambiente favorável para a retomada da memória e dos estudos sobre a Guerra do Contestado.

Família de sertanejos se rende às forças oficiais em Canoinhas (SC), em 1915 Acervo Dorothy Jansson Moretti

No Senado, essa releitura histórica ficou patente numa sessão especial realizada em agosto de 2009 para lembrar a guerra. No Plenário, os senadores ressaltaram o caráter de revolta social do movimento, as injustiças cometidas contra a população pobre do Contestado e a ausência do Estado.

“Quando o Estado falta, não cumpre com seu dever, se omite, o resultado é este: as pessoas reagem”, disse o senador Raimundo Colombo, hoje governador de Santa Catarina.

O então senador Flavio Arns, do Paraná, afirmou que o governo desconsiderou uma população pobre para privilegiar empresários e fazendeiros.

Guerra do Contestado – Sertanejos após a rendição. Canoinhas (SC), janeiro de 1915

Na época da guerra, uma rara visão lúcida do conflito veio justamente de um comandante do Exército, o jovem capitão Mattos Costa. Idealista, ele defendia uma solução pacífica e morreu em combate, em 1914. Ficou registrada em relatos militares sua concepção da guerra: “A revolta do Contestado é apenas uma insurreição de sertanejos espoliados nas suas terras, nos seus direitos e na sua segurança. A questão do Contestado se desfaz com um pouco de instrução e o suficiente de justiça, como um duplo produto que ela é da violência que revolta e da ignorância que não sabe outro meio de defender o seu direito”.

Guerra do Contestado: Adeodato Ramos, o último líder rebelde (entre os dois policiais), é preso, em agosto de 1916.

Último líder dos rebeldes ganhou fama de “demônio”

A Guerra do Contestado começou com um líder considerado santo — o monge José Maria — e terminou com outro tido como o próprio diabo — Adeodato Ramos.

“O demônio está encarcerado”, anunciou em agosto de 1916 o jornal O Imparcial, de Canoinhas (SC), referindo-se à captura de Adeodato, que tinha fama de assassino e era temido pelos próprios companheiros.

O repórter do jornal O Estado, de Florianópolis, porém, se surpreendeu ao entrevistar Adeodato na prisão.

General Setembrino de Carvalho (de quepe branco) em estação em União da Vitória (PR)

 “Nós, que esperávamos ver o semblante perverso de um bandido, cujos traços fisionômicos estivessem a denotar sua filiação entre os degenerados do crime, vimos, pelo contrário, um mancebo em todo o vigor da juventude, de uma compleição física admirável, esbelto, olhos de azeviche [pretos], dentes claros, perfeitos e regulares, e ombros largos”, escreveu, destacando a postura recatada do “célebre bandoleiro”.

O jornal O Dia, de Florianópolis, relatou que ele respondia aos policiais de forma serena e “tinha o olhar suave”.

Adeodato era uma figura controvertida. “É evidente que ele cometeu muitas atrocidades nos redutos, mas não era muito diferente de outros líderes rebeldes”, escreveu o historiador Paulo Pinheiro Machado, ressaltando que houve uma “demonização” do último líder rebelde, alimentada pelos próprios sertanejos.

Milícia armada (vaqueanos) protege serraria de ataques, em Três Barras (SC)

Conta-se que, no julgamento, após a ouvir a sentença de 30 anos de prisão, o réu declamou no tribunal versos irônicos:

“Para tirar o mal do mundo / Tinha feito uma jura / Ajudei nosso governo / A quem amo por ternura / Acabei com dez mil pobres / Que livrei da escravatura / Liquidei todos os famintos / E os doentes sem mais cura / Quem é pobre neste mundo / Só merece sepultura.”

Adeodato foi morto em 1923, numa suposta tentativa de fuga da prisão.

Autora – Tatiana Beltrão
Fonte – AGÊNCIA SENADO –http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2016/07/01/ha-100-anos-o-fim-da-sangrenta-guerra-do-contestado

Extraído do blog Tok de História do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros https://tokdehistoria.com.br/2016/07/04/ha-100-anos-fim-da-sangrenta-guerra-do-contestado/

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É TUDO VERDADE

Por *Rangel Alves da Costa

Quando se diz que o poder tiraniza as pessoas, as embrutece e as torna mais arrogantes, não tenha isso como mero argumento opositor. É tudo verdade. Assim também com os governantes, os mandatários e todos aqueles que se imaginam num pedestal e em posição superior aos vassalos. É um distanciamento entre o mando e a submissão, entre a ordem e o fiel cumprimento. Não sabe, contudo, que é mais fácil cair da escada quem está no topo do que aquele que permanece no chão. E uma queda com consequências inimagináveis, e bem ao lado dos pés do quem tanto foi escravizado.

A solidão, o silêncio e a tristeza, são aspectos por vezes úteis e necessários ao ser humano. É tudo verdade. A pessoa não precisa estar passando por momentos difíceis para se revelar entristecida. Não se mantém recolhida dentro do quarto ou num cantinho da sala porque necessariamente esteja cheia de amarguras, angústias e desilusões. Não procura se afastar do convívio dos demais, e na solidão se manter escondida, porque o mundo não mereça sua presença. A pessoa necessita de instantes somente seus, de momentos de reflexão interior, de recolhimentos imprescindíveis ao reencontro consigo mesma. Não significa estar solitária, silenciosa ou triste, mas tão somente mais perto de si.

A fé é remédio infalível, pois tem o dom da cura e do renascimento. É tudo verdade. A pessoa que se apega na crença inabalável do poder divino sobre os males do seu corpo e de sua alma acaba alcançando verdadeiros milagres. A ação da fé é tamanha no ser humano que supera toda ciência, toda medicina, todo remédio, toda fórmula. Muito já se comprovou que o diagnóstico da medicina, quando não encontra no medicamento laboratorial uma cura ou diminuição dos males, é silenciosamente combatido pela fé. A pessoa tem tanta confiança que a força divina trará sua cura, e a essa crença se apega com toda força ainda existente, que os males se dissipam e a vida prossegue como verdadeiro milagre.


Personagens fictícios surgem e passam a ter existência tão reconhecidamente viva que, muitas vezes, se tornam mais humanizados que muitos humanos da vida real. É tudo verdade. Saídos dos livros, novelas e filmes, os personagens passam a ter vida mais longa que o próprio homem. Gerações passam e eles permanecem vivos nas estantes, nas telas, nas reapresentações das novelas. Contudo, é na memória coletiva que possuem existência e moradia, que se fazem presentes em todos os instantes de recordação. Quem poderia dizer que Scarlett O’Hara e Rhett Buttler, de E o Vento Levou, não tomaram formas humanas e existiram de verdade. Gabriela, Dona Flor, Teresa Batista, Sargento Getúlio, Sinhozinho Malta, Porcina e Roque Santeiro, são reconhecíveis como pessoas ou não?

A escravidão foi a mais abjeta forma de sujeição humana, a mais horrenda manifestação do homem para com o seu próximo, e a mais bestializada tentativa de transformar pessoas em bichos, em animais, em reles sombras de existência. É tudo verdade. E uma verdade que ainda dói pela sua maldade, pela sua dureza e desumanidade. Uma verdade que, de tão covarde, nunca foi e nem jamais será justificada. Não se pode, senão pela vergonha e arrependimento, justificar que o homem se arvore da cor para submeter outra cor, se hasteie numa raça para humilhar e mortificar outra raça, que sustente sua ação pelo ódio não do outro, mas do seu próprio coração, supondo-se que existisse. E o tempo ainda não apagou, não silenciou, nada enterrou de tamanha vileza. Ainda vagam os fantasmas do banzo, ainda ecoam os gemidos de dor, ainda são ouvidas as chibatadas, o sangue ainda respinga da pele negra. E há toda uma sociedade ainda escravizada pela cor que continua sendo açoitada, perseguida e humilhada pela sociedade senhorial.

Os anjos existem e neste momento estão guardando e protegendo todos aqueles que os acolhem no coração, na fé e na obediência aos ensinamentos sagrados. É tudo verdade. Anjo da guarda, anjo guardião, ser sublime e afetuoso enviado dos céus para estar ao lado, prover, interceder, proteger e guardar seu protegido perante as forças nefastas do mundo. Amparo e escudo, é a voz silenciosa ecoando, é a motivação de repente surgida. Aponta a estrada, guia os passos, faz renunciar às escolhas. Mesmo não sentindo, o anjo sopra aos ouvidos, diz sobre o melhor a ser feito, sugestiona o coração, provoca disposições para o bem, tudo faz para evitar a ocorrência do mal. Também age como o ser consciente ao lado do ser duvidoso. É presença que aconselha o espírito, predispõe a alma, fortalece a vida.

O poeta já disse que há mais coisas entre o céu e a terra do que possa imaginar nossa vã filosofia. O mundo, a vida e a existência, são todos entremeados de mistérios e desconhecidos. Daí que muito do que se reconhece como existente e verdadeiro, de repente se mostra na outra face, negando o acreditado. Contudo, coisas existem que jamais podem ser negadas, seja pelos exemplos vivos da história, seja porque interiorizadas como crenças absolutas, seja porque, mesmo qualquer explicação, acabam acontecendo. E são estas as verdadeiras verdades.

Escritor
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O CASARÃO HISTÓRICO EM FELIPE GUERRA QUE SERVIU DE QUARTEL GENERAL PARA O CAPITÃO LAMPIÃO

Por Alzira Silva

Casarão histórico do sítio Santana (Felipe Guerra-RN), era a casa de Manoel Valentim de Oliveira e serviu de quartel general de Lampião em 12 de junho de 1927, antes do ataque a Mossoró. Esse é mais um lugar de memória, sendo apagado pelo tempo. Minha cidade também fez parte dessa história do cangaço.



Fonte: facebook
Página: Alzira Silva
Grupo: ‎O Cangaço
Link: https://www.facebook.com/groups/ocangaco/?fref=ts

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SILA E O CANGAÇO QUE TODOS CONHECEMOS

Por Alfredo Bonessi

O Cangaço foi um fenômeno social que teve como berço o Sertão Brasileiro. Originou-se no descobrimento do Brasil e germinou nas cidades interioranas do Nordeste Brasileiro, onde a lei era a vontade do mais forte, o senhor donos das terras. Esse fenômeno surgiu como um grito de revolta e indignação aos desmandos desse poder absoluto,  que estava acima de todos e até mesmo da própria lei pode-se dizer que o Cangaço foi uma revolta de homens valentes contra as formalidades  sociais da época insurretos insubordinados contra as normas vigentes de uma sociedade em transição entre a burguesia portuguesa escravocrata e preconceituosa  e o pobre sertanejo de enxada na mão, escravo da fé, do dogma religioso,  da superstição,  vítima da natureza inclemente que não aceitava a intromissão  de pessoas frágeis, sem vontade de viver e fáceis  de matar.   

O Cangaço foi composto por gente sertaneja, da terra, que nada temia, nem mesmo a morte. Não se tem notícias que  um Cangaceiro não tenha se comportado com valentia e dignidade na hora da morte, mesmo ferido e sabendo que a hora derradeira havia chegado.

Na guerra contra o  Cangaço valia  tudo, e nunca na história das sociedades a fofoca matara tanta gente. Bastava falar mal de um inimigo, inocente ou não, tanto para a polícia como para os cangaceiros, que seria morte certa dessa pessoa.

O Cangaço como todo o movimento social fora-da-lei cometeu exageros e crimes hediondos, a maioria injustificáveis, às vezes contra pessoas inocentes, algumas delas a serviço da lei, como prova de desacato e provocação a corporação a que serviam.

O Cangaço começou a definhar quando atrapalhou o comercio, impedindo o progresso local, e quando surgiram as estradas e o rádio de comunicação, quando veículos motorizados foram empregados em sua perseguição e quando sertanejos foram colocados como guias a frente das volantes a procura dos cangaceiros. Podemos afirmar que Lampião, principal chefe de bando e considerado o Rei dos Cangaceiros, morreu sem saber da tática principal da polícia que acabaria o levando a morte:

-  a intriga entre um coiteiro e outro;

- quando a polícia descobria um coitero, o deixava de molho, a espera de uma boa oportunidade para agir contra ele, normalmente o aliciava como informante, ao invés de puni-lo com a chibata e a tortura;

- o cerco de várias volantes ao mesmo tempo, se reunindo em um lugar pré-determinado pelo comandante - chegando ali recebiam novas ordens e novos itinerários de busca;

Essa estratégia, essa nova forma de combater, longe dos olhos dos coiteros, faziam com que os informes dos movimentos da polícia que chegavam a Lampião eram aqueles que a polícia desejava que ele  soubesse, mas não eram verdadeiros,  o único objetivo era deixar transparecer que a força estava inativa, inoperante, estava acomodada, quando na verdade mais de 3 mil homens se movimentavam sem cessar, diuturnamente, fechando o cerco contra o bando.

Muitos chefes de bando e historiadores culpam a mulheres como o principal fator de extinção do Cangaço na minha ótica a mulher favoreceu ao afrouxamento das regras de sobrevivência do cangaço, por questões obvias: elas não combatiam, não cozinhavam, eram mais sensíveis e delicadas, simplesmente eram mulheres mesmo do pessoal e por tudo isso o bando precisava sempre andar beirando a água, sejam nascentes ou rios ou caldeirões de água depositadas pelas chuvas.

A presença da mulher foi marcante no bando dos cangaceiros porque o número de estupros de sertanejas diminuiu, muitas mulheres do bando mandavam mais que os homens, davam as suas opiniões pessoais nas questões internas do grupo, salvaram pessoas da ponta do punhal, e foram algozes na condenação de outras cangaceiras a morte nos casos de saídas do bando. Pode-se dizer que com a chegada das mulheres a tenacidade guerreira do grupo de cangaceiros arrefeceu um pouco, os homens se acalmaram mais o bando virou um feudo do crime, onde havia rei e rainha, quem mandava e quem obedecia, todos os olhares e toda a consideração eram para as mulheres, principalmente a mulher do chefe. Os homens eram ferozes, valentes, justiceiros, guerreiros, altivos, prepotentes, arrogantes, mandões, para os de fora do bando, mas dóceis, afáveis, atenciosos, cortejadores, galantes para com as suas mulheres as mulheres eram para eles um precioso objeto, um bem valioso, mais que a sua própria vida a mulher representava  a  honra, o  status, o  poder de seu dono -   por isso era  coberta de joias - era o centro de todas as atenções  por parte dos membros do grupo por causa disso  a cangaceira  era o alvo preferido das piadas e descompostura dos policiais durante os combates.

Sila era uma criança quando se comprometeu que seguiria com o cangaceiro Zé Bahiano, mas acabou fugindo de casa com Zé Sereno, primo desse. Em termos de sanguinário e violento não se sabe quem era o maior, mas quando os comparamos ao dinheiro e  a agiotagem,  Zé Bahiano é infinitamente mais rico que Zé Sereno. Sila alegou sempre para a imprensa que a entrevistava que seguiu ZÉ Sereno porque esse ameaçou toda a sua família não acreditamos nisso. O fato é que esses cangaceiros deixavam transparecer uma riqueza e um poder que só existia na mente deles, simplesmente impressionava as mocinhas da época, que viviam em completa servidão na casa dos pais, longe de tudo e que precisavam sobreviver da roça queimada pelo sol, da escassa chuva quando havia, nutrindo a esperança de ver qualquer um   homem que raramente passava pela frente de sua casa. Normalmente a vida da sertaneja se resumia entre a roça e o curral, a cozinha e as noites enluaradas, onde contemplava as estrelas do firmamento, deixando-se embalar pelos devaneios dos causos e das historinhas contadas pela avó e pela mãe até que o sono as separavam em mais uma noite de sonhos e de ilusão.

Acertada a fuga, Sila saiu pela janela e logo adiante, na primeira noite, foi estuprada em cima de uma enorme pedra -  foi mulher como devia ser a mulher de um cangaceiro escolha feita por ela, fato esse marcante para sua mente juvenil e que nunca mais saiu de sua memória. Daí por diante foram correrias, fugas espetaculares da polícia, noites mal dormidas, chuva, frio, fome, sede e abortos provocados, algumas raras vezes o sossego a beira de uma fogueira, os encontros com os outros bandos, a carne assada nas trempes, o café delicioso e o dedo de prosa com as amigas, as costuras e os bordados das roupas do pessoal e o preparo do enxoval do novo filho. Mas amor de sonho de menina nunca houve Zé Sereno tinha muita coisa para se preocupar precisava viver daquilo e sobreviver como fera em um ambiente hostil e ainda ludibriar a polícia dependia do coitero para tudo o cangaço era movimento e o grupo de cangaceiros chefiado por ele não podia ficar parado em um só lugar. Viver aquela vida, que não era vida e que não podia deixar de vive-la, foi um tormento para Sila.

Ao romper do dia naquela manhã de 28 de julho de 1938 estava acordada quanto um tiro isolado despertou a natureza na Grota de Angicos Sergipe. Em seguida mais tiros, levantou-se rapidamente e saiu correndo em uma direção seguida de alguns companheiros. Balas ricocheteavam por todos os lados, a macega espinhenta se dobrava a sua frente pelo corte dos projéteis. Não teve tempo de olhar para atrás. Viu uma amiga cair morta, amparou um cangaceiro que estava com o braço dependurado e quando os tiros ficaram mais longe se reuniu com os sobreviventes do grupo de cangaceiros para tomar um fôlego estava milagrosamente salva, mas toda lanhada nas pernas pela ação dos espinhos da caatinga.  
  
Depois vieram as entregas rendição para a polícia a viagem a São Paulo o encontro com a cidade grande, berço de recolhimento de todo retirante nordestino. Seria nova vida? Não foi. Apesar de ir fazer aquilo que mais gostava costurar sofreu os efeitos que uma cidade grande provoca em todos os seus habitantes: a indiferença. Em um aglomerado urbano de milhões de pessoas, a atenção, o carinho e a afeição passam despercebidos, de nada valeria gritar para a multidão que foi cangaceira.  Restou criar os filhos e netos e conviver com o marido feroz e violento.

Em dado momento ressurgiu para as notícias de jornais, rádios e TVs onde tentava explicar o inexplicável: como foi que entrou para o cangaço. Viajou para muitos lugares, encontrou-se com outros remanescentes do cangaço todos tinham algo a contar e a explicar, mas a grande maioria confundia datas e fatos, alguns escondiam mal feitos, outros não se lembravam de nada, mas grande parte deles guardavam silencio, ainda receosos da ação da justiça e da vingança por parte dos familiares das vítimas do cangaço.

Muito se tem escrito sobre a guerra cangaceira muito ainda se há de escrever o tema é inesgotável. Sobreviveu a terra, o sol, a caatinga. Ainda hoje o chão está marcado pelo  sangue dos policiais e dos cangaceiros ainda hoje se pode ver as marcas das balas encravadas nas pedras e nos matos ainda hoje os espíritos desses guerreiros se encontram nos caldeirões, nas aguadas,  para trocarem pensamentos dos feitos da guerra cangaceira  vivida na  terra.

Para o sertanejo nada mudou. A terra é a mesma, a política é a mesma, o gado morre do mesmo jeito, o sertanejo anda de moto, usa iPhone e possui computador. Em cada sertanejo de hoje existe um pouquinho de cangaceiro e um pouquinho de volante e o pior bandido de todos que existe nesse momento são os políticos com uma grande diferença dos guerreiros daqueles tempos agem em nome da legalidade e são protegidos por lei.

Resta-nos trazer aqui as palavras finais do grande chefe volante, Coronel João Bezerra, que eliminou o Rei dos Cangaceiros, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião:

Hoje eu não perseguiria Lampião. Hoje eu acho que ele não era bandido. Hoje existem bandidos bem piores do que ele. (João Bezerra)
Tarde demais.

Fortaleza, Ce, 03 de janeiro de 2016
Alfredo Bonessi GECC - SBEC 

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso. 

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A METRALHADORA que o policial nazareno ODILON FLÔR emprestou ao Tenente João Bezerra e, que foi usada no combate de Angico, em que morreram LAMPIÃO, MARIA BONITA e mais 09 cangaceiros, além do soldado Adrião...
Observa-se, ainda, na foto, LUIZ , garoto de 14 anos, filho de Odilon e, que participava da famosa volante ...


Foto cortesia: Marilourdes Ferraz, in "O canto do Acauã ".
Adendos na foto: Volta Seca.

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“OH! VIRGULINO... OH! JOSÉ. VOCÊS FORAM ABENÇOADOS PELA MESMA MULHER”.

Por Geraldo Júnior

Mas nem isso foi capaz de impedir que se transformassem em inimigos mortais e um atentasse contra a vida do outro. Dois Cabras que cuja desavença desencadeou uma das histórias mais sangrentas e fascinantes da história brasileira e sem dúvidas, mundial. Uma história que transcorre através das décadas e que viverá através dos séculos e milênios vindouros.

Ferreira Anjos Geraldo, impressionante como os buracos de balas e as paredes, certamente centenárias, resistem ao tempo.

Ferreira Anjos Provavelmente buraco de rifle cal 44. Infelizmente, os governantes não se interessam para restaurar a antiga casa de Zé Saturnino que foi o começo de tudo.

Ferreira Anjos As ruínas do antigo casarão que a poeira do tempo ainda não apagou.

Ferreira Anjos A placa identificadora contrasta com a solidão das ruínas do velho e histórico casarão.

Ferreira Anjos Aqui nasceu a maior parte do cangaço.

Nas paredes da casa (Escombros) de Zé Saturnino ainda hoje é possível ver as marcas de balas deixadas por Lampião e seu grupo, nas poucas paredes que ainda resistem ao tempo, contrariando as leis da natureza.

Zé Saturnino

Acima, fotografias dos escombros da casa da Fazenda Pedreira de Zé Saturnino que foram registradas recentemente pelo amigo/membro Ferreira Anjos.

“ERAM DOIS DOIDOS DE PEDRA”. (Assisão)

Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador do Grupo)

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