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terça-feira, 30 de junho de 2020

CANGAÇO E EU - CLIDINHO E NETINHO

Por Aderbal Nogueira - Cangaço

Cangaço e eu - Clidinho e Netinho Euclides de Souza Ferraz Neto - "Clidinho" e Hildebrando de Souza Nogueira Neto - "Netinho", descendentes diretos dos nazarenos, vão falar um pouco de suas raízes e de seus antepassados que participaram da campanha contra o cangaço. Link desse vídeo: https://youtu.be/-N3bVTzNfPs

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MINHAS INQUIETAÇÕES ASSIM DIZIA O ESCRITOR ALCINO ALVES COSTA

Por José Mendes Pereira - (Crônica 49)
Manoel Dantas Loyola (cangaceiro), Aderbal Nogueira (pesquisador do cangaço) e José Alves de Matos  ex-cangaceiro Vinte e Cinco.

Em um material que eu li ou em um vídeo não tenho muita lembrança e que no momento não disponho da fonte, que o bom mesmo é apresentar ao leitor a origem do fato registrado, mas que eu não estou criando isto, e não tenho segurança em afirmar que foi em um documento (Vídeo ou escrito) do cineasta e pesquisador do cangaço Aderbal Nogueira, que o Manoel Dantas Loyola o ex-cangaceiro Candeeiro afirma que Maria Bonita chegou a ter ciúmes da amizade dele com Lampião. Mas o facínora Candeeiro não explicou o motivo dos ciúmes.

Aí surgem as perguntas:

1 - Qual teria sido o motivo que despertou ciúmes de Maria Bonita sobre a amizade do cangaceiro Candeeiro com o perverso e sanguinário capitão Lampião?

2 - Será que Candeeiro sabia da vida amorosa do rei do cangaço com alguma mulher por este sertão sofrido e Maria Bonita suponhava isto? 

3 - Ou teria Maria Bonita colocada em sua mente que aquela amizade de Lampião com Candeeiro nada mais era do que trazendo bilhetes de futuras amantes do seu companheiro?

Não tinha nenhum problema que Candeeiro e Lampião mantivessem as suas boas amizades, porque, durante um ano e poucos meses que o cangaceiro fez parte do cangaço do velho guerreiro, era ele quem levava as solicitações de dinheiro às vítimas escolhidas pelo capitão Lampião, e também trazia os recados dos fazendeiros, informando que no momento não tinham condições de servirem ao facínora. 

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SERTÃO DESCOBERTO


Clerisvaldo B. Chagas, 30 de junho de 2020
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.335

     Igualmente à Floresta Equatorial, à mata Atlântica, o cerrado, os pinhais, manguezais e pampa, a caatinga continua perdendo a sua vegetação original.  A consciência de poucos vai perdendo terreno para os desrespeitosos da Natureza. Quando as quatro estações do ano eram regulares em nosso Sertão alagoano, o homem já perdia lavoura durante a primeira quinzena de agosto. Mesmo sendo julho o mês mais frio e chuvoso para nós, os primeiros quinze dias de agosto traziam o frio dobrado e, quando não era o frio que matava os feijoais, eram as pragas de lagartas. Atualmente a mudança do clima é tão sentida que o homem do campo e todos nós ficamos perdidos nas previsões.

Nostalgia da rolinha branca.  (foto: B. Chagas).

     O desmatamento mais acelerado ou mais lento faz com que os animais selvagens que não morrem de fome, morram pelas mãos dos caçadores ou migrem para as cidades em busca de comida e abrigo. Assim é que a capital paulista se encheu de tantos passarinhos em suas avenidas arborizadas com restos de comida por todos os lugares. Em Maceió houve aglomeração para apreciar um casal de tucanos em pleno logradouro público. Sibites, bem-te-vis e até rolinhas saem das matas periféricas e das grotas em busca de comida e abrigo. Fazem ninhos nas plataformas dos altos postes e até nas varandas ajardinadas da capital. A alimentação é farta no lixo dos terrenos baldios e até nas praças e meio de ruas.

     Em nossa cidade, não é diferente. Antes os pardais, viraram pragas. Andam em bando e botam os outros pássaros para correr. Nem cantam que preste, é somente um chilreado nervoso e irritante   de terras portuguesas. Caso invadam seu telhado, os abrigos das biqueiras, você estará sem sossego por uma infinidade de tempo. Mas o desmatamento é tanto que outros pássaros resolveram enfrentar a agressividade dos pardais e também ocupam territórios urbanos em Santana. Beija-flor (bizunga, colibri), bem-te-vi, sanhaçu e até rolinha, vão aparecendo. A rolinha é muito caçada pelo sabor da carne. Acontece mais por aqui, a presença da rolinha branca (branca e cinza); mas tem a rolinha azul, a fogo-pagou e a caldo- de-feijão que preferem lugares mais quentes do semiárido. São criaturas dóceis, delicadas, que inspiram tristeza e nostalgia.

     Não resistimos a sua presença solitária na fiação da rua defronte a nossa casa. E lá vai “flash” ao invés de bala. Amar as coisinhas do Criador dos Mundos


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LIVRO



O professor Francelino Soares memorialista Cajazeirense publicou este excelente livro: Portal da Memória: Um passeio pelo passado de Cajazeiras-PB. Passou em revista o cotidiano da cidade entre 1940 e 1960. O livro tem 546 páginas e custa 65,00 com o frete incluso.

Quem desejar adquiri-lo entre em contato com o professor Pereira através destes endereços: 

Whatsapp 83 9 9911 8286. 
E-mail:
franpelima@bol.com.br


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NA LINHA DE FRENTE DURANTE A BATALHA CONTRA LAMPIÃO

Por Tomislav R. Femenick – historiador, membro da diretoria do IHGRN.
(...) 
Consta que o ataque de Lampião a Mossoró teria sido a ele sugerido pelo político cearense Isaias Arruda e pelo cangaceiro potiguar Massilon Leite Benevides. Como teste, o bando desse último invadiu com sucesso a cidade de Apodi. Então, vários grupos de cangaceiros se reuniram para, juntos, atacar Mossoró. O ambiente era confuso e havia mais de um comando, embora que Virgulino tivesse ascendência sobre todos. Pelo caminho, assaltavam vilas, povoados e fazendas, roubando, batendo, torturando e fazendo reféns, ao mesmo tempo em que destruíam, quebravam e incendiavam o patrimônio daqueles que não eram seus apaniguados ou acólitos. Mas todos esses casos eram preliminares da grande luta: Mossoró.

Lampião e seu bando em Limoeiro do Norte 

A cidade se preparou para fazer sua defesa. Foram organizadas trincheiras em diversos pontos da cidade. Segundo o historiador Vingt-un Rosado, no dia 13 de junho de 1927: “Treze horas. O padre Mota […] vai fazer um reconhecimento pela Cidade. Sozinho, de­sarmado, ei-lo percorrendo todas as trincheiras. O padre Mota e o cônego Amâncio seguem até a atual Pra­ça Rodolfo Fernandes. Começara a luta. […] Os dois sacerdotes, com extraordinário sangue frio, es­timulam os combatentes. Eram soldados desarmados, os únicos a percorrerem a Ci­dade, na hora difícil. […] Na Rua Idalino Oliveira, uma bala vinda da Praça da Independência, quase os atingia”.

O Padre Mota em reunião com lideranças política de Mossoró. O religioso foi prefeito da cidade por nove anos e nove meses.

A luta terminou às cinco horas da tarde. Nenhum defensor da cidade estava, pelo menos, ferido. Os cangaceiros se reuniram ao lado de um muro lateral do cemitério. Um dos atacantes fora morto, seis estavam feridos, quatro em estado grave. Derrotado, Lampião fugiu.

(...)

Parte do todo deste trabalho escrito por Tomislav R. Femenick sobrinho/neto do padre Mota. https://www.tomislav.com.br/padre-mota-mestre-de-mossoro/

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PRIMEIRA CASA DE JATI-CEARÁ - ONDE LAMPIÃO FREQUENTOU NO ANO DE 1926.



Nesse documentário vocês conhecerão a primeira casa construída em Jati no estado do Ceará a antiga Macapá. Casa que pertenceu ao senhor Manoel Cunha Moura, onde Lampião e seus comandados estiveram pouco antes da chegada ao Juazeiro, onde recebeu a polêmica patente de capitão dos Batalhões Patrióticos, formados para combater a Coluna Prestes-Miguel Costa. Na ocasião, Neco Cunha entregou à Lampião uma carta endereçada por Sinhô Pereira, antigo chefe de Lampião, cujo conteúdo acredita-se ter sido um convite para este abandonar o cangaço e o Nordeste, fato não comprovado. 

Vamos conhecer a casa e a história. 

Geraldo Antônio de Souza Júnior.


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FAMÍLIA FERREIRA



A Família Ferreira através de VERA FERREIRA (Neta de Lampião), a qual, junto com os herdeiros da ABAFILM, osquais detém, os direitos de imagens / autorais ( Lei nº 9610 de 19/02/1998 ), sobre as fotografias/filme dos cangaceiros, Lampião, Maria Bonita e outros, feitas por Benjamin Abrahão, em 1936, vêm a público esclarecer e solicitar, o seguinte.

a) Circula, atualmente, nas Redes Sociais Facebook, Whatsapp e outras, imagens /fotos dos cangaceiros, acima citados, alteradas para a forma colorida, sem respeitar sua cor original P & B ( preto e branco ), bem como, com aplicação de programas de photoshop, que alteram a fisionomia dos aludidos personagens.

b) As fotos que estão circulando, não estão respeitando as cores originais das roupas, apetrechos e armas dos cangaceiros.

c) Para que a estética do cangaço lampiônico, não seja alterada para as novas e futuras gerações, preservando-se, assim, a história e características dos personagens, solicito QUE PAREM, IMEDIATAMENTE COM ESSE desserviço (colorização, modificação de rostos e outros caracteres), alusivos aos entes do cangaço, já citados, acima, sob pena de serem tomadas outrasprovidências relativas ao referido fato. ( vide algumas fotos, abaixo).

Desde já, agradeço a atenção para o atendimento da solicitação em tela.

ARACAJU, 29 DE JUNHO DE 2020.
VERA FERREIRA (Neta de Lampião e Maria Bonita).


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PADRE MOTA MESTRE DE MOSSORÓ

Por Tomislav R. Femenick – historiador, membro da diretoria do IHGRN.

Luiz Ferreira da Cunha Motta nasceu em Mossoró no final da última década do século XIX. Estudou em sua cidade, em Natal, Recife, João Pessoa e Roma, onde se ordenou Padre em 1922, às vésperas de completar 25 anos de idade. Sua tese em teologia, apresentada à Pontifícia Universidade Gregoriana, obteve a classificação de “bone probatus”; aprovada com excelência.

Regressou à sua cidade no dia 21.10.1922. Segundo reportagem do jornal “O Nordeste”, o novo sacerdote foi recebido na Estação da Estrada de Ferro pelo Padre Manuel Gadelha, Vigário da Paróquia de Santa Luzia, seus familiares e pelo povo, que compunha uma enorme multidão. Formou-se, então, um extenso cortejo em direção à Matriz. Soltaram foguetes e a banda do Grêmio Musical tocava músicas sacras e alegres. No altar-mor da igreja de Santa Luzia, o Padre orou demoradamente ao som de “Sacerdos Magnus” e palmas da multidão.

O Padre Mota em reunião com lideranças política de Mossoró. O religioso foi prefeito da cidade por novo anos e nove meses.

Quando do regresso à terra natal, o Padre Mota encontrou quase a mesma Mossoró que deixara. O município tinha pouco mais que dezesseis mil habitantes. A cidade possuía trinta ruas, doze praças, cinco travessas e uma avenida, com 1.872 casas, sendo 840 de tijolos e telha, e 1.032 de taipa. Havia menos de trinta escolas primárias, um Grupo Escolar e uma escola de nível ginasial – o “colégio das irmãs”, pois o Santa Luzia estava fechado. As vias públicas eram cobertas com barro e pedregulhos. Não havia calçamento. Quando chovia, as ruas ficavam lamacentas e escorregadias. Durante o dia, o sol imperava abrasador. A escuridão das noites era cortada apenas por poucas lâmpadas de 32 velas, instaladas pela Intendência Municipal. Para reduzir o breu da noite e afugentar os mosquitos, em frente das residências eram acesas fogueiras, misturando-se estrume de gado às brasas.

O PADRE

O novo sacerdote ocupou vários cargos eclesiásticos: capelão do Colégio Sagrado Coração de Maria, vice-diretor do Colégio Diocesano Santa Luzia (quando este reabriu suas portas), capelania do Sagrado Coração de Jesus, responsável pelo ensino da religião para cerca de 1.200 crianças, vigário da Paróquia de Santa Luzia de Mossoró (quando deu início à construção da Capela de São José) e vigário geral da Diocese, de 1936 até o seu falecimento. Na hierarquia da igreja, o seu posto mais alto foi o de Monsenhor.

Meses após tomar posse como vigário da Paróquia de Santa Luzia, o Padre Mota promoveu uma reunião na sacristia da Capela do Sagrado Coração de Jesus, com um número bem reduzido de pessoas. Além dele, apenas seu pai, Vicente Ferreira da Mota, e o comerciante e industrial Miguel Faustino do Monte. O motivo da reunião: a criação da Diocese de Mossoró. Muitas, muitas outras pessoas se agregaram a esse esforço.

Título Eleitoral expedido em nome do Padre Mota em 1956.

Miguel Faustino ficou encarregado de levar o assunto junto à Diocese de Natal, a qual a Paróquia de Mossoró estava subordinada. O coronel Mota junto às autoridades, comerciantes e industriais da cidade, e o Padre Mota, juntamente com o Cônego Amâncio Ramalho, se encarregariam de arregimentar apoio entre os outros clérigos locais. Entretanto, tudo isso deveria ser tratado com absoluto sigilo, para não melindrar as autoridades eclesiásticas da Diocese da capital do Estado. Se houvesse dúvidas quanto ao segredo, dever-se-ia recorrer ao sigilo confessional. O Padre Mota reconheceu: “Foi um recurso maquiavélico, mas a causa era nobre e divina”.

O passo mais importante foi dado por Miguel Faustino junto ao bispo de Natal, Dom Marcolino Dantas. A ele disse que estaria disposto a fazer uma generosa contribuição em bens e dinheiro, quando fosse oportuno transformar a Paróquia de Mossoró em Diocese. Essa contribuição visaria formar a sua estrutura material, para que ela pudesse funcionar sem percalços.

O trabalho durou mais de seis anos. No dia 14.09.1934, o Padre Mota recebeu um telegrama de Dom Marcolino em que este lhe comunicava a criação da Diocese de Mossoró, através de uma bula papal emitida por Pio XI, assinada em Roma e datada de 28 de julho daquele ano. No dia 18 de novembro de 1934, por deferência especial do Bispo de Natal, e em seu nome, o Padre Luiz Ferreira da Cunha Mota presidiu o ato inaugural da nova diocese, pela qual tanto lutara. A celebração teve lugar na Catedral de Santa Luzia e contou com a presença de autoridades e do povo da cidade.

NA LINHA DE FRENTE DURANTE A BATALHA CONTRA LAMPIÃO

Consta que o ataque de Lampião a Mossoró teria sido a ele sugerido pelo político cearense Isaias Arruda e pelo cangaceiro potiguar Massilon Leite Benevides. Como teste, o bando desse último invadiu com sucesso a cidade de Apodi. Então, vários grupos de cangaceiros se reuniram para, juntos, atacar Mossoró. O ambiente era confuso e havia mais de um comando, embora que Virgulino tivesse ascendência sobre todos. Pelo caminho, assaltavam vilas, povoados e fazendas, roubando, batendo, torturando e fazendo reféns, ao mesmo tempo em que destruíam, quebravam e incendiavam o patrimônio daqueles que não eram seus apaniguados ou acólitos. Mas todos esses casos eram preliminares da grande luta: Mossoró.

Lampião e seu bando em Limoeiro do Norte 

A cidade se preparou para fazer sua defesa. Foram organizadas trincheiras em diversos pontos da cidade. Segundo o historiador Vingt-un Rosado, no dia 13 de junho de 1927: “Treze horas. O padre Mota […] vai fazer um reconhecimento pela Cidade. Sozinho, de­sarmado, ei-lo percorrendo todas as trincheiras. O padre Mota e o cônego Amâncio seguem até a atual Pra­ça Rodolfo Fernandes. Começara a luta. […] Os dois sacerdotes, com extraordinário sangue frio, es­timulam os combatentes. Eram soldados desarmados, os únicos a percorrerem a Ci­dade, na hora difícil. […] Na Rua Idalino Oliveira, uma bala vinda da Praça da Independência, quase os atingia”.

A luta terminou às cinco horas da tarde. Nenhum defensor da cidade estava, pelo menos, ferido. Os cangaceiros se reuniram ao lado de um muro lateral do cemitério. Um dos atacantes fora morto, seis estavam feridos, quatro em estado grave. Derrotado, Lampião fugiu.

LIÇÕES DE DEMOCRACIA NA CALÇADA DO PADRE

Padre Mota e o sobrinho Francisco, também prefeito de Mossoró.

Muito se fala e pouco se sabe o que realmente é democracia. Na verdade, a maioria a entende apenas como repetição do sistema em que vive ou desejam viver. Todavia, o fundamento maior da democracia é o entendimento republicano de que o indivíduo é “æquabilis in paribus”, igual entre os iguais.

A calçada do vigário era o espaço mais democrático da cidade. Era uma assembleia de amigos, à moda da democracia ateniense, onde todos podiam dizer o que quisessem, desde que ouvissem o que os outros falassem. Tudo de maneira pacífica e civilizadamente, sem discussões acaloradas. Nada foi planejado, apenas aconteceu. Na Mossoró de antigamente, cidade ainda pequena, havia o costume das famílias colocarem as cadeiras na calçada para mitigar o calor com o frescor dos ventos do final do dia. O Padre Mota também fazia isso e aproveitava o tempo para fumar seus charutos. Os vizinhos e as pessoas que passavam, sentavam-se para tirar alguns dedos de prosa. Como eram muitos, criou-se o hábito de todos irem buscar suas cadeiras na sala de visitas do reverendo e depois deixa-las no mesmo lugar. As mais ilustres figuras de todas as correntes políticas, inclusive alguns evangélicos, ateus e comunistas, frequentavam essas reuniões.

Antonio Capistrano, comunista desde 1960 e ex-vice-prefeito de Mossoró, diz que a calçada do Padre Mota era “o ponto de encontro de políticos, intelectuais e comerciantes da cidade, local suprapartidário, democrático, de papos sobre os diversos assuntos de interesses da coletividade, como também não deixava de ter as fofocas provincianas. Os que participavam dessas conversas lembram-se com muita saudade dos finais de tarde da calçada do padre; ele era espirituoso, piadista e conversador. Padre Mota parece que inspirou Che na sua famosa frase ‘ser duro sem jamais perder a ternura’. É essa a imagem que tenho do padre Mota. Severo nas suas convicções, mas extremamente humano nos seus atos. Isso é, para mim, a razão do bem-querer do povo mossoroense ao seu vigário geral. Homem pronto a servir, participando ativamente dos problemas da cidade”.

BRINCALHÃO, O PADRE ENSINAVA QUE DEUS NÃO É TRISTE

Uma das características do cidadão Luiz Ferreira da Cunha Mota, inseparável de sua condição de Padre ou Prefeito, era o seu humor ferino, brincalhão, travesso, com um toque de galhofa e de gracejo fino, sem ser grosseiro, nem nunca descambar para o impudor ou para a agressividade. O Padre Mota sabia rir e não gostava de lamúrias, tristezas ou lástimas. Dizia que “Deus não é Triste. Se o fosse, não teria criado o mundo e a vida tão belos. Não teria feito os passarinhos cantar, o amor dos jovens, o sorriso das crianças, o sol, a lua, o mar”. O jornalista Lauro da Escóssia reuniu vários “causos” do padre e publicou um livro com o título de Anedotas do Padre Mota (1986).

Em 1951 aconteceu um caso emblemático do seu humor sagaz. Manuel Leonardo Nogueira levou uma filha para ser batizada na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, cujo vigário era o padre holandês Cornélio Dankers, o qual se recusou a fazer o batizado, alegando que os padrinhos, João Café Filho e sua esposa, eram comunistas. Note-se que Café Filho era o vice-presidente da República. Manuel Leonardo recorreu ao Padre Mota e o batizado foi celebrado na igreja Matriz. Meses depois, o padre Cornélio falando com o Padre Mota trouxe o assunto do batizado à conversa, dizendo que não compreendia a atitude do seu colega. O Padre Mota respondeu: “Cornélio, eu conheço Café. Ele não é comunista coisa nenhuma. No máximo, é um oportunista. Além do mais, ele estava longe. E, mesmo se eles [Café Filho e a esposa] estivessem aqui e fossem comunistas, eu nunca vi comunista comer criancinha”.

PADRE MESTRE

Luis da Câmara Cascudo assim escreveu sobre Padre Mota: “Padre Mestre Luís Mota, Prefeito de Mossoró, gordo, atarracado, baixo, com um passo airoso de moço-fidalgo. Padre que viveu oito anos de Roma e conheceu três Papas, que viu a Itália guerreira, bolchevista e fascista, que aprendeu a olhar o povo como organização e jamais como figura de retórica, aí está tua Mossoró, um orgulho para os olhos e uma saudade para o coração. Ninguém se iluda com tua fisionomia espirituosa e plástica, com o humorismo de tuas graças, com o infalível charuto, com a ponteira incansável de tua bengala negra. Nem pelas anedotas que contas, pelos fatos que evocas deliciosamente. Tua história vibra nesse cenário tu­multuoso e moderno de existência sem desfalecimento”.

Tribuna do Norte. Natal, 18 jan 2015.


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segunda-feira, 29 de junho de 2020

2ª EDIÇÃO FLORO NOVAIS HERÓI OU BANDIDO?


Mais um livro na praça: FLORO NOVAIS: Herói ou Bandido? De Clerisvaldo B. Chagas & França Filho. Este livro estará disponível a partir de amanhã no Cariri Cangaço São José do Belmonte e segunda feira dia 15/10 Para todo Brasil. 

Preço R$ 40,00 com frete incluso. 124 páginas. Franpelima@bol.com.br e fplima1956@gmail.com e Whatsapp 83 9 9911 8286.

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LAMPIÃO E O CANGAÇO NA HISTORIOGRAFIA DE SERGIPE

Por Archimedes Marques

Esta obra foi escrita pelo pesquisador do cangaço Dr. Archimedes Marques e se você leitor, deseja adquiri-la, entre em contato com o autor através deste e-mail: 

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"Lampião Contra o Mata Sete"

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A MORTE DE ISAÍAS ARRUDA NA ESTAÇÃO DE TREM DE AURORA

Por José Cícero
Antônio Vilela, José Cícero, Ivanildo Silveira e Manoel Severo 
o Cariri Cangaço Piranhas 2014.

A tarde estava cinzenta naquela Aurora pacata e provinciana de 1928. Uma enorme sensação de tranqüilidade cobria os semblantes dos viajantes, assim como o coração e o pensamento da multidão que se aglomerava na pedra da estação. Uma cena comum a todas as cidades interioranas atendidas pelo velho trem da Rede Ferroviária Cearense(RVC). Nuvens cor de chumbo em formação pareciam prenunciar no céu daquela Aurora antiga e calma, algo diferente prestes a ocorrer: uma tragédia.

Naquela tardezinha quase insossa de sábado, dia 4 de agosto de 1928 quando muitos já se esqueciam dos episódios um ano antes relacionado à presença do rei do cangaço na terrinha; o velho aparelho do telégrafo da RVC de novo estava prestes a receber no código morse um telegrama diferente. Um comunicado estranho; digamos que chave, para todos os desdobramentos do acontecimento dramático que se seguira ao fato: "Antonio, algodão hoje sobe!". Uma missiva quase enigmática considerando que o algodão " o ouro branco d"Aurora faria sempre o sentido contrário, ou seja, descia. E o seu preço no mercado há muito era de todos conhecido.

Porém, aquela mensagem codificada não seria de todos estranha. Havia um destino e um desiderato certo: surpreender o coronel. Dizia muito mais do que ali estava escrito de modo lacônico...A estação de Aurora estava repleta de gente. Um acontecimento que se tornara comum deste a sua inauguração oito anos antes em 7 de setembro de 1920.

E a cronologia do momento seguinte, provaria depois para todos que era um crime. Um atentado violento à ordem e a vida em nome da vingança e da intolerância. Uma intriga passada à limpo, expressa na força da violência e da ignorância em detrimento da razão e da justiça. Sinais de uma época densamente marcada pelo poder de fogo do coronelismo oligárquico, engendrado pelos mais temíveis e truculentos líderes políticos que o Cariri cearense já experimentou. Um período onde a lei no mais das vezes era a do mais forte e a justiça quase sempre era feita pelas próprias mãos, em geral, dos poderosos.

Coronel Isaías Arruda

Naquele sábado, de tarde escura de agosto, a estação de Aurora não tardaria a ser palco de um episódio que marcaria à história do Cariri e do Ceará para sempre, vez que envolveria, aquele que foi certamente o mais famoso e temível chefe político da região: o coronel Isaias Arruda. Filho do lugar, ex-delegado, agora prefeito pela força da vizinha Missão Velha. De quebra, o maior dos coiteiros de Lampião no interior cearense. Um autêntico mantenedor de jagunços e hábil negociador político junto aos grandes da capital.

O relógio do prédio apontava 14h25min quando, finalmente, todos puderam escutar o apito estridente da máquina a ecoar no horizonte. Apenas Sabina entretida demais com o seu café não se deu conta do acontecido. Todos, de repente voltaram suas atenções na direção do corte-grande lá para as bandas do alto da cruz, do sito Frade. O trem da Fortaleza vinha ligeiro beirando o rio Salgado.

Exímios chapeados transportavam com pressa e celeridade grandes caixotes, pacotes e outros fardos de mercadorias. Uns descian para o armazém da RVC outros subian para os vagões do trem com destino ao Crato. Animais, peças de madeira, artesanato, aguardente, rapadura, oiticica, panelas de barro. O trem acelerava a curiosidade, tanto quanto a economia daquela terra.

Mas de repente o som de um tiro seco ribombeou no ar. Quebrando a normalidade natural daquele acontecimento diário. Em seguida vários outros disparos puderam ser ouvidos no interior do segundo vagão da primeira classe. Talvez sete ou oito no total... Até hoje ninguém sabe ao certo. Um silêncio quase sepulcral se abateu na plataforma por alguns instantes que pareceram eternos. Somente o ronco da locomotiva estacionada deforfronte a caixa d"água. Em seguida uma correria...

Vozes diziam tratar-se de uma discussão. Três homens saíram atracados e em seguida correram no sentido contrário do vagão. Uma disparada em direção do armazém e depois para o beco da antiga rua que dava para o cemitério. Um quarto homem um tanto elegante, bem tratado, gestos aparentemente finos surgiu do segundo vagão da primeira classe. Vestindo impecavelmente um linho branco, ele pisou de modo esquisito e desaprumado o piso, a pedra da estação. Alguns passos apenas e cambaleando fitou a multidão como quem quisesse dizer algo. Não foi possível. Sangrando e com a mão direita colada ao peito chamava baixinho pelo primo. O linho branco do seu terno agora começava a se tingir de vermelho. Seus sapatos de cor marrom e bem polidos contrastavam com o vermelho escuro do seu próprio sangue formando porças na plataforma. Era o coronel Isaias Arruda, chefe político, prefeito da Missão Velha. Homem afamado em toda região e na capital do estado. Devagar caiu ao chão da plataforma ainda com arma junta ao cinto da calça. Não teve tempo de usá-la.

Alguém saindo de dentro do vagão posterior se aproxima dele e forra o chão da pedra com um jornal que lia; edição do dia 3. Seu braço esquerdo e parte superior do tórax estavam em frangalhos. Ferimentos gravíssimos provocados pelos sete balanços com que fora atingido.O coronel ferido seriamente pronunciava baixinho como que cansado:

- Os irmãos paulinos me acertaram! Mas como é que nem o Viana nem ninguém me avisou que meus inimigos estavam aqui?! Bando de covardes...

E de chofre emendou:

- alguém me chame o farmacêutico! Foram os Paulinos, eles me acertaram... Bando de covardes!

Outros mais ousados e corajosos aos poucos foram se aproximando da vítima que gemia deitada ao solo da pedra sobre as folhas do jornal "O Ceará". Enquanto isso, um pouco afastado da estação José Furtado(Nequinho de Milica) primo da vítima saíra em perseguição(ou fugindo) dos irmãos paulinos: Antonio e Francisco, responsáveis pelo atentado.

Levado para a residência de Augusto Jucá um antigo amigo na rua grande, Isaias foi socorrido, inicialmente por um farmacêutico - o único que existia na cidade. No dia seguinte dois médicos vindo de trole pela linha da RVC: Antenor Cavalcante e Sérgio Banhos atenderam o coronel. Porém, diante das gravidades dos ferimentos não tiveram como salvá-lo. Sendo que no dia 8 de abril uma quarta-feira às 6h da manhã, quatro dias após ser alvejado, Isaias Arruda faleceu como que por capricho do destino na terra em que nascera.

Rumores apontaram ter sido o assassinato uma vingança de Lampião pela traição do coronel um ano antes, durante a célebre tentativa de envenenamento do bando lampiônico e o histórico cerco de fogo do sítio Ipueiras, propriedade de Arruda em Aurora em cujo local Virgulino se arranchara por diversas vezes. Ocasião em que o rei do cangaço fugia das volantes após o fracasso da invasão de Mossoró, arquitetada sob as estratégias de Massilon Leite e financiada pelo próprio Isaias.

Mas o certo, segundo se provaria depois foi que os paulinos vingaram o assassinato do irmão mais velho João, morto numa emboscada no serrote d"Aurora pelos jagunços de Arruda no ano anterior.

Terminava ali de modo trágico, na estação ferroviária de Aurora a verdadeira saga de um dos mais temíveis e respeitados coronéis do Cariri - Isaias Arruda. Assim como sua rixa ferrenha contra os irmãos paulinos da Aurora.

Prof. José Cícero
Escritor, Pesquisador e Poeta.
Secretário de Cultura de Aurora
TEXTO NA ÍNTEGRA: jcaurora.blogspot.com


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O CÓDIGO DE CONDUTA DOS CANGACEIROS DE LAMPIÃO

Por Rangel Alves da Costa

Como é do conhecimento de muitos, Virgulino Lampião não era pessoa completamente analfabeta, um iletrado errante pelas caatingas nordestinas. Pelo contrário. Mesmo não tendo levado adiante com mais afinco seus estudos de meninice na pernambucana Vila Bela, verdade é que havia aprendido a ler e escrever o suficiente.

Muitas de suas cartas e bilhetes, missivas enviadas aos comandantes da polícia e aos coronéis sertanejos, bem como aos amigos com quem mantinha vínculo de proximidade, são por demais conhecidas. Museus e colecionadores guardam tais correspondências como verdadeiras relíquias. E certamente assim podem ser consideradas, verdadeiras preciosidades daquele que foi o maior combatente, o mais estrategista e o melhor comandante de todo o sertão nordestino.

Do mesmo modo, muitas fotografias amareladas mostram Virgulino, sozinho ou ao lado de sua Maria, folheando revistas ou lendo jornais. Numa dessas fotos lê um livro parecendo encadernado; noutra, tendo o seu cachorro de estimação entre Maria e ele, posa com uma revista na mão, até mesmo mostrando um retrato de mulher que estava apreciando; e ainda noutra, também feita por Benjamim Abraão, vê-se dois ou três cangaceiros de olhos voltados para alguns escritos.

Além desse rudimentar conhecimento da escrita e da leitura, certamente o Capitão enriquecimento o seu conhecimento com a própria vivência, no trato com os poderosos, com a experiência dos matutos, e principalmente daqueles que procurava quando precisava tomar uma decisão que fosse mais a respeito da realidade exterior do que do cotidiano cangaceiro. Neste último aspecto, era verdadeiro doutor.

Numa besta comparação, e até desnecessária, se poderia dizer que o conhecimento exterior adquirido pelo Capitão aparentava com a de um certo ex-presidente brasileiro. Rude, com pouco estudo, só possuindo exímia habilidade na estratégia de perseguição política, de maquiavelismos e de querer menosprezar os adversários a todo custo. Só que Lampião não vivia nem falando nem fazendo besteira quanto este, pois o comedimento era uma de suas características mais conhecidas.

Desse modo, Lampião não só sabia ler e escrever como foi adquirindo ao longo de sua caminhada um grande cabedal de conhecimentos. Além de ser mestre em tudo que dissesse respeito a sertão, seus labirintos, perigos, armadilhas, também era perito no conhecimento comportamental das pessoas. Conhecia o inimigo só no ouvir dizer; se lançava o olhar sobre um já sentia se o cabra prestava ou era falso; bastava ouvir alguém dizer alguma coisa para ter certeza do quanto de verdade havia ali.

Mas não ficava apenas nesse conhecimento próprio perante o outro, pois apreciava e muito ouvir as pessoas que confiava e gostava. Muitos se tornaram seus verdadeiros amigos e confidentes, aos quais o Capitão fazia confidências sem parcimônia. E um dos que mais gostava de prosear era o fotógrafo sírio-libanês, radicado nas terras agrestinas, Benjamim Abraão, que passou algum tempo acompanhando as andanças do bando e registrando tudo em fotografia.

Após conhecer Lampião em 1926, no Juazeiro do Norte, pelas bandas do Ceará, na casa paroquial onde estava reservado o famoso encontro entre o rei dos cangaceiros e o poderosíssimo Padre Cícero " homem da igreja, da política e do mosquetão -, Benjamim Abraão, então servindo como secretário do religioso, logo se mostrou interessado em imortalizar iconograficamente os passos do bando mais famoso de cangaceiros.

Nesse encontro com o Padre Cícero - ocasião em que Lampião recebeu a patente de Capitão num acordo firmado para combater a Coluna Prestes, e que não vingou porque os outros líderes nordestinos se negaram a apoiar o negociado entre o deputado Floro Bartolomeu e o presidente Artur Bernardes -, ao ser fotografado por Benjamim, e vaidoso como era, Lampião chamou-o num canto e perguntou-lhe se não estava disposto a tirar uns retratos de sua cangaceirada, principalmente dele e Maria Bonita.

Diante da pergunta do Capitão, o fotógrafo, num misto de medo e exultação, conseguiu forças para responder que por enquanto não podia abandonar os serviços que prestava ao religioso, mas assim que fosse possível nem pensaria duas vezes. E assim fez quando do falecimento do coronel milagreiro.

Mas ao chegar e ser cordialmente recebido por Lampião, Benjamim Abraão não ficou apenas incumbido de fazer os registros fotográficos, pois pesquisadores asseveram que o mesmo também servia, muitas vezes, como redator daquilo que lhe era mandado também registrar na escrita. Tudo no papel para não ser esquecido. Assim gostava de fazer o Capitão quando o assunto lhe interessava.

E numa bela tarde de sol sertanejo, enquanto o Capitão passava lenço na testa para afastar o suor encardido, olhou em direção ao fotógrafo que organizava seus equipamentos, mandou que pegasse um caderninho e o acompanhasse até uma pedra mais afastada, lajedo grande de onde se avistava uma paisagem seca e crepitante. E foi a partir desse momento que Lampião começou a registrar no papel aquilo que mais tarde passaria a ser conhecido como o Código de Conduta dos Cangaceiros de Lampião.

"Ninguém do bando deve se espelhar num mal para o mal cometer; ninguém se servirá de uma injustiça cometida para trilhar no caminho injusto. Para se cometer um mal ou uma injustiça, o cangaceiro não seguirá outro exemplo senão aquele que o momento de luta permitir".

"Qualquer arma que se carregue por cima do corpo não deverá ser usada para amedrontar ou para atirar em qualquer um. O assovio da morte ou da defesa só deve ser dado no momento preciso que o inimigo deseje assoviar o mesmo assovio".

"Ninguém do sertão é inimigo de cangaceiro; nenhum sertanejo trai a confiança do bando; de lado a outro, o sertão é da mesma família dos que vivem em bando. Por isso mesmo todos devem ser respeitados, defendidos, sempre vistos como família de sangue que corre nas veias".

"Nem todo som da mata é de bicho, nem todo bicho faz barulho para ser ouvido. No meio da mata não se deve confiar em som algum, muito menos imaginar que um cancão está piando. Qualquer barulho ouvido é bom se preparar para matar passarinho".

"Que o sono seja pesado para o corpo ficar descansado, mas não tão carregado que não posso ouvir barulho estranho. E ao despertar ligeiro, nem pensar em primeiro olhar para agir, mas buscar proteção já de arma na mão".

"Quando receber ordem do Capitão, somente ao Capitão deverá obedecer. Quem desconfia no que ouve e procura outra ordem para seguir é porque não é obediente ao comando e precisa dizer a quem deve respeitar".

"Quem optou seguir pela vida cangaceira deve ter o mato como casa e os companheiros como irmãos. Seus pais são a própria vida, e o seu futuro o destemor. E tudo o que ficou para trás só deve ser olhado de frente, e quando fizer a volta para reencontrar".

"Com tanto inimigo no encalço, com tanta gente que verdadeiramente deve ser perseguido, jamais um cangaceiro que se honra deverá apontar sua arma ou desferir seu rancor contra um inocente, um desvalido, uma criança ou um idoso. Não se diz que um homem é valente pela maldade que faz, mas pelo mal que evita praticar".

E por aí vão outras inúmeras lições, regras de conduta e de comportamento cangaceiro. Uns dizem que nada do tal código jamais foi praticado, enquanto outros juram de pé junto que se não fosse o coração justo e bondoso de Lampião o cangaço teria sido uma guerra de um bando contra todo o sertão, indistintamente.

(*)Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
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A MORTE DE MANÉ MORENO !

Por Sálvio Siqueira

Em certa época, Mané Moreno com seu pequeno subgrupo, seguem pelos rincões sertanejos e vão com destino à Porto da Folha. Antes, porém, vão a Jaramataia, para descansarem em determinado coito.

Mané Moreno

O local em que estão é propriedade de Pedro Miguel, senhor que não está nada satisfeito com as aparições desse pequeno grupo de ‘cabras’, pois, já havia chamado a atenção das autoridades. Seo Pedro vai à busca do chefe mor, para comunicar-lhe que Mané Moreno está a abusar da estadia em suas terras. O “Rei dos Cangaceiros” diz para o coiteiro não mais preocupar-se, pois, falaria com o Mané Moreno sobre o caso. Se falou ou não, a verdade é que Mané com seu pequeno grupo, continuam a ‘abusar’ das suas acomodações.

O comandante Odilon Flor, já sabedor das ‘visitas’ que fazem os cangaceiros ao sítio Jaramataia, resolve ir lá e ter uma prosa com o senhor Pedro. Nessa conversa o senhor Pedro revela ao comandante que Mané Moreno e seus ‘cabras’ estão em Poço da Volta.

Havia, naquela noite, um samba, forró, na sede do sítio Palestina. Lá, dançando, bebendo e farreando muito, estavam Mané Moreno, que se divertia bastante com sua companheira, a cangaceira Áurea, e seus cangaceiros.

Informação: Na foto a legenda mostra que o cangaceiro do meio é Gorgulho, mas foi o cangaceiro Cravo Roxo que morreu nesse combate, segundo Alcino Alves Costa.

O comandante Odilon Flor, de longe escuta o toque da sanfona, o bater da zabumba e o repicar do triângulo. Alerta seus homens e vão tomando chegada com cautela... Em pouco tempo, o comandante distribui seus homens e cerca aquela localidade. A volante tem tempo de escolher posição e alvos. E é o que faz. O tiroteio começa e os gritos, palavrões e pedidos de socorro substituem o som da musica tocada. O chefe cangaceiro e sua companheira são os primeiros a tombarem na senda da escuridão eterna.

A coisa fica feia e o reboliço é medonho. Ninguém é de ninguém numa hora dessas. Correm para um lado e para outro, feito barata tonta, enquanto o fogo, tiroteio, toma conta da noite, numa melodia fúnebre.

Algumas literaturas, trazem como sendo o terceiro cangaceiro morto nessa investida, o cabra “Gorgulho”. Há, no entanto, registro que Gorgulho foi baleado, porém, consegue chegar em casa de amigos, um senhor chamado Lisboa, da família Félix. Ficando nessa casa até sua total recuperação. Depois, deixa o cangaço e lasca-se no meio do mundo, até voltar para sua terrinha natal, Salgado do Melão. Também, alguns livros trazem de como sendo o “Fogo do Poço da Volta”, ficando esclarecido que o embate deu-se na fazenda “Palestina”. (“LAMPIÃO ALÉM DA VERSÃO – MENTIRAS E MISTÉRIOS DE ANGICO” – COSTA, Alcino Alves.)

A volante do comandante Odilon Flor teve êxito total nesse embate. 

Adentram na casa e deparam-se com três cadáveres, Mané Moreno, Áurea, sua companheira e Cravo Roxo, um de seus asseclas... numa noite escura, em um forró, nas quebradas do Sertão.

Sálvio Siqueira - 
Fonte Ob. Ct.


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