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terça-feira, 30 de abril de 2013

Cronologia do cangaceiro Antonio Silvino - 1875 - 1944 - Parte X

Por: Frederico Pernambucano de Melo

Em 1909, a 5 de Janeiro, o sargento José Pedro da Silva prende o cangaceiro Labareda em Bom Jardim. à imprensa o bandido revela o lado de negociante e agiota de seu ex-chefe. 

Ângelo Roque - O cangaceiro Labareda

A 19 de Fevereiro, ataca os povoados de Salgado e Cachoeira de Cebola, na Paraíba. A 7 de Abril, na Matinha, localidade entre Garanhuns, Canhotinho e São Bento,Pernambuco, é morto o célebre chefe de subgrupo Tempestade, pela força do tenente Bernardo Lucas de Figueiredo.

O fato é aproveitado por Leandro Gomes de Barros em dois folhetos de grandeza poética extraordinária: A morte de Tempestade e As lágrimas de Antonio Silvino por Tempestade. Alegando fazer coro com o povo, Leandro chama Silvino de rifle de Ouro e Governador do Sertão.

O cangaceiro Antonio Silvino

Em 1910, a 28 de Maio (Antonio Silvino), embosca e mata com um tiro no ouvido o famoso alferes Maurício, da polícia da Paraíba, que  o perseguia à frente de 14 homens e que alardeava que iria explodi-lo a dinamite. 

Após sangrar, findo o combate, o rastejador e um soldado que se achava ferido, mutila o cadáver do alferes, apossa-se da dinamite que este de fato conduzia e lhe esmigalha a cabeça com uma pedra.

O fato se dá num grotão de Taperoá, Paraíba, e repercussão é extraordinária. Maurício era considerado o mais tenaz perseguidor de Silvino naquele Estado. Refugia-se no Rio Grande do Norte, em visitas pacíficas a Currais Novos, Jardim do Seridó e São Miguel de Jucurutu.

Aparece folheto A vingança de Antonio Silvino - A morte de Maurício, de Francisco das chagas Batista. Conserva-se quase todo ano na Paraíba, área do sertão do Cariri, assinalando-se escaramuça com os alferes \ramalho e Mendonça, o último dos quais lhe arrebata uma túnica negra com galões de major e um crucifixo de ouro em combate verificado em São João do Cariri.

Nos meses de Maio, Junho e Dezembro, sua presença é assinalada no Rio Grande do Norte, novamente na área do Seridó. O cangaceiro Serra Branca foge do presídio de Fernando de Noronha e volta ao grupo de Silvino, que o eleva a "capitão-ajudante".

Em 1912, em Belmonte, alto sertão de Pernambuco, entra em combate em Julho, com o alferes João Luís de Carvalho, delegado de Vila Bela. A 11 de Julho, ataca o engenho do major João  Florentino da Cunha Azevedo, em Bom Jardim, que resulta ferido no tiroteio.

Encomenda de desafeto; um outro senhor de engenho... Prejuízos avaliados em 160 contos de reis. Em Setembro, volta ao Rio Grande do Norte e se estabelece em Serra Negra com casas de jogo e bilhar, atraindo para lá todos os seus grupos-satélite, chefiados por Antão Godê, Mãezinha, Pinta-Manta, Quinta-Feira, e Mariano, Cheio de respeito, visita a baronesa de Serra Branca, em Santana dos Matos.

A 25 de Novembro, celebra-se no Recife um convênio entre Estado anfitrião e os  da Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, no intuito de consertar planos conjuntos de repressão ao cangaço, sobretudo em questão o problema representado por Antonio Silvino, cuidando-se ainda de remover os embaraços político-jurídicos ao desenvolvimento de tal ação.

É preciso fazer com que as fronteiras interestaduais não mais continuem a ser aliadas do bandido. De  Guarabira, Paraíba, Silvino novamente telegrafa para o Governador do Estado, agora Dr. Castro Pinto, ridicularizando o acordo recém-celebrado.

Em 1913, em Fevereiro, é visto em Nazaré, Pernambuco. A 10 de Março enfrenta em Soledade, Paraíba, a volante do alferes Irineu Rangel, que lhe toma um rifle e caixas de munição.

CONTINUA...

Fonte:

Diário Oficial
Estado de Pernambuco
Ano IX
Julho de 1995

Material cedido pelo escritor, poeta e pesquisador do cangaço:
Kydelmir Dantas

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Cangaceiros Cariri : Novo Perfil no Facebook !


Por termos atingido o número limite de amigos em nosso primeiro perfil no facebook, foi necessário efetivarmos uma nova conta nas Redes Sociais. 

Agora temos dois perfis; Cariri Cangaço e o novo: Cangaceiros Cariri.

Se você ainda não é amigo do Cariri Cangaço, não perca tempo, faça sua conexão no facebook, localize Cangaceiros Cariri e envie seu convite.

 Será uma grande honra tê-lo em nosso família.

Até lá.

Manoel Severo


http://cariricangagaco.blogspot.com

Cariri Cangaço Lavras da Mangabeira - Programação

CARIRI CANGAÇO LAVRAS DA MANGABEIRA

PROGRAMAÇÃO COMPLETA


Dia 18 de Maio - Sábado
15:00 h - Chegada da Cavalgada Lêla Ferrer sob o Comando do deputado Heitor Ferrer

15:20h - Abertura Oficial - Câmara Municipal
Gustavo Augusto Lima Bisneto
Manoel Severo
Heitor Ferrer
Ângelo Osmiro
Juarez Leitão
Paulo Gastão


15:40h - Apresentação de Video Documentário
"Fideralina Augusto Lima"
Produção Tv Assembléia

16:20h - Conferência
Entre Canetas e Bacamartes
Dimas Macedo

17:30h - Apresentações Artística
Grupo Regional Xaxado
Cordelista José Teles da Silva

19:00h - Galpão das Artes
Reunião Extraordinária do Conselho Cariri Cangaço

Dia 19 de Maio - Domingo
8:30 h - Recepção pelo prefeito Gustavo Augusto Bisneto
no Pátio da Prefeitura

9:00 h - Visita Técnica à Casa de Dona Fideralina
Centro de Lavras da Mangabeira
  

9:30 h - Visita Técnica ao Sítio Tatu - Casa Grande do Clã Augusto
Dona Fideralina
Dr. Gustavo Augusto Lima Bisneto e Heitor Ferrer

Exposição Cariri Cangaço
promovida pelo SEBRAE

...E em breve,
17 a 22 de Setembro
Cariri Cangaço 2013!

http://cariricangaco.blogspot.com

Nossa gratidão a Dihelson Mendonça

Dihelson Mendonça, icone de nosso cariri...

Músico, compositor, produtor cultural, fotografo, artista plástico, web designer, bloqueiro, jornalista, radialista, etc, etc, etc, e o mais importante: uma figura humana sem igual, esse é Dihelson Mendonça. Responsável por um dos mais respeitados complexos de comunicação digital do nordeste; com o Blog do Crato, a TV Chapada do Araripe, o Jornal Chapada do Araripe e a Rede de Blogs do Cariri; Dihelson Mendonça é mais um dos valorosos parceiros do Cariri Cangaço, ao amigo Dihelson o nosso abraço de gratidão.

Manoel Severo

http://cariricangaco.blogspot.com

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Maranduba

Por:Alcino Alves Costa

Devido problemas na nossa página, por não conseguirmos a postagem completa, resolvemos colocar apenas o link, para você ler o que o escritor Alcino Alves Costa escreveu sobre Maranduba.

http://cariricangaco.blogspot.com.br/2013/04/maranduba-poralcino-alves-costa.html


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Centenário de João Gomes de Lira - Confira a Programação


Dia: 13 de julho de 2013 em Nazaré do Pico - Floresta /PE

14:00 - Mesa Redonda ( Clube Recreativo)
Tema: Nazaré do Pico: Historiando as Raízes do Cangaço

Palestrantes - Paulo Moura - Recife/PE
Antônio Vilela Souza - Garanhuns/PE
João de Sousa Lima - Paulo Afonso/BA
Lançamento da 3ª edição do livro "Lampíão - Memórias de um Soldado de Volante", de autoria do Ten. João Gomes de Lira

16:30 - Merenda

 17:00 - Inauguração do Busto / Apresentação de grupos culturais

19:00 - Missa (Capela Nª Sra. da Saúde)

22:00 - Festa na praça

Um agradecimento especial à Prefeitura Municpal de Floresta pelo apoio ao evento. 

Att.


Lemuel Rodrigues
Presidente

http://lampiaoaceso.blogspot.com.br

O Escravo Que Aterrorizou a Bahia

Por: Luiz Muricy Cardoso (*)

Lucas de Feira foi um insólito personagem de sua época. Fugitivo negro cometeu crimes atrozes durante o Brasil Colônia e entrou para o folclore da região sertaneja.

Feira de Santana é a cidade mais populosa da Bahia, depois da capital, Salvador. Chamada carinhosamente de Princesa do Sertão, boa parte de sua economia está baseada na criação de gado. Por volta do século XIX, as culturas do fumo e do algodão eram, além da pecuária, suas principais atividades econômicas. Ao contrário do Recôncavo – assim chamado por rodear a Baía de Todos os Santos – cujo solo de massapê se prestava à cultura da cana-de-açúcar, tão estreitamente vinculada à atividade escravocrata, a cidade está numa região de transição entre o litoral e o sertão (agreste). Foi nesse cenário um tanto inóspito, caracterizado pela vegetação de caatinga entremeada de trechos úmidos – os brejos – que nasceu Lucas Evangelista dos Santos, em 1807. Ele se tornaria famoso entre os escravos que se revoltaram contra sua condição e que fugiram dos engenhos da região (a rebeldia escrava na forma de contestação de massa foi uma constante no Brasil Colônia). Diferentemente de Zumbi e outros que a história reverencia como heróis, Lucas Evangelista – chamado de Lucas de Feira (ou da Feira) – não é tão conhecido pela historiografia, muito menos tratado como personagem heroico. Isso pelo fato de que Lucas, violento, foi um bandido que espalhou terror pelas plagas sertanejas atacando homens de negócio, fazendeiros, caixeiros viajantes e vaqueiros.

UM HOMEM PERTINAZ

Carpinteiro de formação, Lucas de Feira reuniu um bando de oito criminosos, assaltando também feiras livres, matando e seviciando. A história tem se omitido sistematicamente a respeito dele. Porém, recentemente, a Universidade Estadual de Feira de Santana realizou um seminário para trazer informações sobre esse personagem. A professora Zélia Lima de Jesus escreveu a obra. A médica Nina Rodrigues, refletindo o preconceito dominante da época, credita o fato de Lucas ter sido mestiço a sua “superior inteligência”. Outras informações dão conta de que ele veio de uma linhagem nobre e, se tivesse nascido na África seria considerado rei. “Como hoje é uma figura muito badalada por causa dos movimentos reivindicatórios afrodescendentes, é possível que estejam comparando Lucas a Zumbi. Esse sim tinha antecedentes reais”, comenta Franklin Machado, da Universidade Estadual de Feira de Santana.

BANDIDO CRUEL


Lucas nasceu escravo – de propriedade do padre José Alves Franco – em Belém, perto de Cachoeira, contígua a São Félix, na fazenda Saco do Limão. Segundo as descrições da época era “alto, espadaúdo, tinha rosto comprido, barba e olhos grandes”. O historiador Melo Moraes Filho creditava a ele as qualidades da gratidão e da caridade, porém, que ninguém se engane com esse perfil. Lucas de Feira era um homem que muitas vezes tratava suas vítimas com requintes de perversidade. Chegou a pregar o lábio de um capturado a uma árvore, prometendo se vingar caso ainda o encontrasse ali em seu retorno. Numa ocasião, atacou uma família, ferindo o filho, matando o pai, seviciando a filha. Chegou a crucificar num pé de mandacaru uma virgem que se recusou a submeter-se ao estupro. Há quem diga que Lucas formou um bando de até 30 homens, mas o mais comum é encontrar referências de 3 a 8 componentes em sua quadrilha. O escravo começou sua atividade criminosa com cerca de 20 anos, e nela permaneceu até 1848, quando foi preso. Seu final de vida foi sofrido. Durante o cerco que resultou em sua prisão, foi ferido no braço esquerdo e teve que amputá-lo. “Ele foi traído por um coiteiro chamado Cazumbá, que revelou seus principais esconderijos”, diz Franklin. Conta-se que um escravo, tendo enfiado diversos espinhos no braço amputado, saiu às ruas exibindo-o como troféu sobre o bandido “que causou mal a tanta gente”. Entre homicídios e tentativas, roubos e estupros, alguns calculam – não sem contestação – cerca de 150 os crimes de Lucas de Feira, que foi enforcado em 25 de setembro de 1849 e morreu pedindo perdão pelos seus crimes. Sua vida foi cantada nos versos do poema ABC de Lucas, do oficial de justiça Souza Velho, que narra a vida do escravo sob o ponto de vista dos senhores.

Certamente Lucas não foi um revolucionário ou herói dos escravos – na sua sanha bandida não fazia distinção se atacava ricos, pobres, negros ou brancos, escravos ou libertos. “É um personagem bem pouco conhecido de nossa historiografia, até mesmo entre os baianos. É possível ainda que muitos dos crimes atribuídos a Lucas tenham sido praticados por outros escravos que se passavam por ele. Existem algumas obras que ajudam a desvendar o mito. Entre elas, Lucas, o salteador, de Alberto Silva; Lucas, o demônio negro, romance de Sabino de Campos; Flor dos Romances Trágicos, de Câmara Cascudo; A Verdadeira História de Lucas de Feira e o espetáculo músico-teatral Escravo Lucas, o Cristo Exu da Bahia, ambos de minha autoria”, afirma o professor Franklin Machado.

(*) Pesquisador. Escritor.

NE: As ilustrações desta postagem fazem parte do livro "Lucas da Vila de Sant'Anna da Feira", de Marcos Franco, Marcelo Lima e Hélcio Rogério.

http://lentescangaceiras.blogspot.com.br/

A Primeira dama do voto - 29 de Abril de 2013

Por: Geraldo Maia do Nascimento

A “Revista de História da Biblioteca Nacional”, Ano 8 – nº 91, de abril de 2013, na sessão “Almanaque” (pag. 88), traz uma nota sobre Celina Guimarães Viana que aqui reproduzo pela importância da matéria:
               
Celina Guimarães Viana

“A primeira mulher a ter o direito de votar no Brasil foi Celina Guimarães Viana. E isso bem antes do Código Eleitoral de 1932. Aos 29 anos, Celina pediu em um cartório da cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, para ingressar na lista dos eleitores daquela cidade junto com outras seguidoras, Celina votou nas eleições de 5 de abril de 1928.
               
Nascida em 1890 e formada pela Escola Normal de Natal, Celina aproveitou a Lei nº 660, de outubro de 1927, que estabelecia as regras para o eleitorado solicitar seu alistamento e participação. Em todo o país, o estado potiguar foi o primeiro a regulamentar seu sistema eleitoral, acrescentando um artigo que definia o sufrágio sem “distinção de sexo”.
               
O caso ficou famoso em todo o mundo, mas logo recebeu o balde de água fria do Congresso de Poderes do Senado, que não aceitou o voto. No entanto, a iniciativa da professora marcou a inserção da mulher na política eleitoral, numa época em que os homens dominavam esse ambiente. A legalização do voto feminino ainda demoraria um pouco mais. Somente em 1932, o Código Eleitoral definiria que o voto era extensivo a todos, sem distinção de gênero, tornando-se obrigatório em 1946.
               
A nota, que é assinada por Angélica Barros, tem o mérito de ser a primeira que reconhece Celina Guimarães Viana como pioneira no voto feminino, numa revista de circulação nacional, e ainda mais, numa revista editada pela Biblioteca Nacional. A autora não foi clara, no entanto, quando informou que o Congresso de Poderes do Senado não aceitou o voto. O correto seria informar que o voto feminino instituído no Rio Grande do Norte não foi aceito, de 1927 a 1932, a nível nacional, mas válido em todas as eleições estaduais. Vejamos como tudo aconteceu:
               
Há muito que as mulheres brasileiras aspiravam ao direito político e objetivavam a conquista de sua cidadania através da participação política. O primeiro dos projetos que visava dar direito de voto à mulher foi de Maurício de Lacerda (1917), depois Justo Chermont (1920), representante do Estado do Pará, e em seguida Moniz Sodré (1925). Todos eles redundaram no fracasso devido à timidez dos políticos. Contudo, o voto se impôs e aconteceu no Rio Grande do Norte, precisamente na cidade de Mossoró.
               
Em 1926, José Augusto, então governador do Estado do Rio Grande do Norte promoveu a reforma da constituição do Estado, tentando adapta-la à Constituição Federal. Elaborou nesse mesmo ano uma nova Constituição política pelo Congresso Estadual Constituinte.
               
E, assim, feita a revisão da Constituição do Rio Grande do Norte, por exigência do senador Juvenal Lamartine, junto ao Governador José Augusto, foi nela incluído um dispositivo “consagrando a igualdade de direitos dos cidadãos de ambos os sexos”. Nas suas Disposições Transitórias, lá estava o Art. 77, que dizia: - “No Rio Grande do Norte, Poderão votar e ser votados sem distinção de sexos, todos os cidadãos que reunirem as condições exigidas por esta lei.” Esse dispositivo foi apresentado pelo deputado e líder do governo, o mossoroense Adauto Câmara, por solicitação de Juvenal Lamartine.
               
Em 25 de outubro de 1927, quando da aprovação da Lei nº 660, ficou clara a permissão de direitos dados à mulher de interferir na política norte-rio-grandense.
               
Foi com base nessa Lei, que a 25 de novembro do mesmo ano, a professora Celina Guimarães Viana requereu sua inclusão no alistamento eleitoral. Seu requerimento preencheu todas as exigências da Lei e nesse mesmo dia, verificados os documentos que o acompanhavam, exarou o Juiz Israel Ferreira Nunes, então Juiz Eleitoral de Mossoró, em substituição ao Dr. Eufrásio de Oliveira, seu jurídico despacho, mandando incluir o nome da requerente na lista geral de eleitores. Esse despacho, hoje um documento de imenso valor histórico, encontra-se no Museu Histórico “Lauro da Escóssia”, em Mossoró.
               
Mesmo não sendo um feminista, José Augusto ingressou na história do desse movimento, tornando-se o primeiro a receber o voto feminino no Brasil com satisfação, o que não aconteceu com a Comissão de Poderes do Senado, que excluiu dos 10.612 votos considerados válidos, 15 votos femininos dados a José Augusto para Senador da República. José Augusto foi candidato a Senador da República na vaga aberta pela renúncia de Juvenal Lamartine de Faria, que saiu candidato a governador do Estado. A não aceitação dos votos das mulheres norte-rio-grandense nesse pleito deveu-se ao fato da Lei 660 ter abrangência apenas no âmbito do Rio Grande do Norte, sendo o voto feminino válido apenas para eleições no Estado. Esse fato de maneira alguma diminui o mérito de D. Celina Guimarães Viana. Afinal, só 5 anos depois, em 24 de fevereiro de 1932, é que as mulheres dos demais Estados brasileiros viriam a conquistar esse direito. E nem eram todas as mulheres que podiam votar, somente as casadas (com permissão dos maridos), as viúvas e as solteiras que tivessem seu próprio dinheiro. Em 1934, após grande pressão popular, o presidente Getúlio Vargas tirou essas restrições do Código Eleitoral.
Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Fonte:

Blog do Gemaia
http://www.blogdogemaia.com/

Autor:

Geraldo Maia do Nascimento

Postado por: "Blog do Mendes e Mendes"
http://blogdomendesemendes.blogspot.com/ 

domingo, 28 de abril de 2013

O CANGACEIRO VOLTA SECA

Por: Guilherme Machado

Este pacato cidadão de aparência frágil, com uma pequena saliência no olho direito, parece um morfino cidadão. Engana-se. Este é o terrível e sanguinário cangaceiro, “Volta Seca” que em 1928 sangrou 7 soldados na Praça pública, da cidade de Queimadas, no Estado da Bahia.

Sangrava os soldados sem pena e sem piedade, e depois bebia o sangue no final. Mas após a crueldade que fizera, o cangaceiro vomitou toda a calçada da prefeitura de Queimadas. Na época, com apenas 14 anos de idade. E tinha como padrinhos da maldade,  Lampião e Maria Bonita.

Fonte: Facebook

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Incrível - Pessoas egoístas são mais felizes

Por: Carol Castro

Isso se você conseguir escapar do sentimento de culpa.

Uma pesquisa da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, convidou mais de 200 estudantes para diferentes atividades. Na primeira delas, os participantes receberam 3 dólares e foram divididos em três grupos: uma turma seria obrigada a gastar o dinheiro com coisas para si, outra teria de deixar a “fortuna” numa instituição de caridade, enquanto os outrospoderiam escolher entre doar ou não.

Em seguida, eles tiveram de classificar, numa escala de 1 a 7, o nível de satisfação que tiveram com a tarefa. Quem não teve opção, a não ser torrar o dinheiro com qualquer bobeira se sentia bem mais feliz.

O segundo teste foi parecido: alguns participantes tinham de comprar cartões de presente para si mesmo, ou para caridade ou podiam escolher uma das duas opções. Mais uma vez, o grupo mais feliz era aquele que não podia escolher e era obrigado a comprar os cartões para si.

No último estudo, os pesquisadores doaram 20 dólares para cada pessoa e perguntaram se gostariam de guardar ou doar a quantia. Em seguida disseram aos participantes que o computador decidiria o destino do dinheiro. Quem ficou com a grana, por escolha do pc, ficou bem mais feliz.

http://super.abril.com.br/blogs/cienciamaluca/pessoas-egoistas-sao-mais-felizes/?utm_source=redesabril_jovem&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_super

Cronologia do cangaceiro Antonio Silvino - 1875 - 1944 - Parte IX

Por: Frederico Pernambucano de Melo

Em 1907 preso em Bom Jardim o cangaceiro Barra Nova. A vila paraibana de Barra de São Miguel é tomada e saqueada. Um velho inimigo de Silvino é assassinado a punhal. Dois outros igualmente esfaqueados em Serra Verde, no mesmo Estado, pouco dias depois. Tempestade  passa a chefiar grupo próprio, sob controle mediato de Silvino.

A 27 de Maio, é preso em Limoeiro, Pernambuco, o cangaceiro Serra Branca, pelo civil Manuel Cláudio Ferreira. A pedido da Great Western, o Exército manda 100 soldados para as áreas de atuação de Silvino, na Paraíba, em duas colunas ao comando dos capitães Formel e Rego Barros, e sob a supervisão do general Rocha Calado. 

Após escaramuça em Queimadas, Paraíba, Silvino trata de evitar o Exército. Consta que os ingleses teriam promovido uma acomodação com o bandido por 15 contos de reis. 

Em dezembro, noticia-se a morte do cangaceiro Cocada, em Serrinha, Paraíba. Desde quando se separa de Silvino, atuava com Rio Preto, Relâmpago, Nevoeiro, Barra Nova e Pinica-pau. Suas orelhas são apresentadas ao chefe de Polícia de Pernambuco, Dr. Manuel dos Santos Moreira. 

Em 1908, sai o folheto jocoso A morte de Cocada e a prisão de suas orelhas, de Francisco das Chagas Batista. Em Março, invade o povoado Poço Comprido, de Timbaúba, Pernambuco, saqueia e sequestra a resgate de 1 conto de reis o conselheiro municipal Joaquim Tavares. Atacado pelo sargento José Pedro da Silva no engenho Maçaranduba, abandona o preso.

A 8 de Abril, "A Folha do Povo", de Limoeiro, declara que os cangaceiros de Silvino "há 10 anos infestam o interior  do nosso Estado, cometendo as maiores cenas de vandalismo". A 25 de Abril, toma Sapé, Paraíba, e de lá telegrafa ao governador do Estado com deboche.

A imprensa celebra, ao fim de Abril, a junção de esforços policiais acertada entre os Estados de Pernambuco e Paraíba, por seus governadores, Herculano Bandeira de Melo e Walfredo Leal.

O capitão Zacarias Neves, de Alagoa do Monteiro, Paraíba, é comissionado delegado volante em Pernambuco e organiza uma força especial com 21 paisanos selecionados para a ação contra Silvino.

A 13 de Maio, Zacarias alcança Silvino na fazenda Arara, de São João do Cariri, Paraíba, e mata o cangaceiro Bicheiro após tiroteio violento, apossando-se de troféus de valor.

Silvino, ferido, escapa embolando pelo chão. Morre o cangaceiro Pedro Brasilino  no alto sertão da Paraíba. Descem presos para a Detenção, no Recife, os cangaceiros Jaçanã e Reboliço.

Em Julho, a imprensa dá conta de que o Exército tinha por finda a sua intervenção na campanha, cujos resultados ficam aquém do que a opinião pública esperava.

CONTINUA...
Fonte:

Diário Oficial
Estado de Pernambuco
Ano IX
Julho de 1995

Material cedido pelo escritor, poeta e pesquisador do cangaço:
Kydelmir Dantas

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Lavras e a Invasão de Lampião

Por: João Tavares Calixto Júnior

Assunto de importância histórica que não se mensura; as passagens de Lampião e seu bando por estas bandas não muito foram investigadas, e nos dias de hoje, não abundantemente se veem historiadores escrevendo com este cunho. Nas vésperas da realização do Seminário Cariri Cangaço, que brilhantemente remonta as passagens do período lampiônico, pouco se sabe sobre as peripécias do cangaceiro mor e seus cúmplices por terras lavrenses.

Apesar da inexistência de comprovação histórica, mas vivamente cravada no imaginário popular de poucos resilientes, conta-se que exatamente no ano de 1927 existia uma contundente pretensão de Virgulino Ferreira da Silva e seu bando, arranchados momentaneamente no Tipi - Aurora, de invadir a próspera Lavras da Mangabeira. Diante do exposto, o neto de Fideralina, Raimundo Augusto de Lima, homem de muita disposição e abnegação diante de mutricas vindouras, juntamente com seu irmão, o também Coronel João Augusto (prefeito na época), resolveu atacar antes de ser atacado.

Fideralina Augusta Lima

Fato contado ainda, e que se fez cômico pelo seu destrinche, foi que antes da junção das tropas, os dois grupos trocaram tiros ao pensar já ser o conluio invasor do rei do cangaço, que nas terras já estaria a acampar (Fazenda Ilinhado - hoje Santa Inês). Grita-se de um extremo um capanga comandado por Assis Viana do Cel. Raimundo Augusto: - Aqui são os homens de Raimundo Augusto! Do outro polo, enquanto um silêncio passageiro permanecia diante da fumaça que saia dos bacamartes, grita um comandado por Vicente Leandro: - E aqui, os cabras de João Augusto! Depois do intenso ricochetear, que atingira de raspão o braço de um dos homens de João Augusto, fizeram a procura por Lampião em meio à mata branca e seca, e saindo da Santa Inês e Água Azul, já não tão facilmente alcançariam a hábil quadrilha que já atravessava de volta a Serra do Bordão de Velho... Dias depois dessa expulsão, na Serra do Mato, onde costumava-se esconder, cantava ao som de sanfona:

Lampião bem que eu te disse,
que deixasse de asneira.
Que passasse bem por longe
de Lavras da Mangabeira.

João Tavares Calixto Junior
Fonte:http://lavrasce.blogspot.com

NOTA CARIRI CANGAÇO: O simpático e acolhedor município de Lavras da Mangabeira, fica a 434 km de Fortaleza, na região centro-sul do estado do Ceará, porta de entrada de nosso amado Cariri; Lavras é o berço de uma das mais tradicionais família de nosso estado e que tem como Matriarca a famosa Fideralina Augusta Lima, personagem principal de nosso Cariri Cangaço - Lavras da Mangabeira "Entre Canetas e Bacamartes" nos dias 18 e 19 de maio de 2013. 



http://cariricangaco.blogspot.com

Novos Horizontes...

Por:Juliana Ischiara
Juliana Ischiara ao lado de Alcino Costa, foto do Cariri Cangaço 2010

Maio, Cariri Cangaço em Lavras da Mangabeira no Ceará;
Junho, Cariri Cangaço em Sousa e Nazarezinho na Paraíba;
Julho, Cariri Cangaço em Canindé, Sergipe e Piranhas em Alagoas e 
em Setembro no Cariri do Brasil... 

Uffaaaaaaaaa!!! Só de ler a agenda já fiquei se fôlego, que maravilha, rever amigos, fazer e reforçar laços de amizades, crescer em conhecimento, descobrir novos horizontes, abraçar velhos conhecidos, se ver-se refletido no espelho d'água do velho Chico... matar a saudade de cheiros, de paisagens, de sons e principalmente dos amigos queridos... só tenho a agradecer, que Deus me permita participar de toda a agenda, pois não tenho dúvidas de que voltarei transformada de cada viagem, trazendo na bagagem a certeza de deixamos um pouco de nós e trazemos um muito de tudo e de todos.

Alcino... Meu amado mestre, meu pai e  amigo... Sentiremos falta da felicidade de seu sorriso, doce, acolhedor, amável... Nele vou dizia tudo aquilo que não verbalizava, enfim, sei que vai está lá, nos protegendo e cuidando para que tudo seja um sucesso, para que tudo aconteça como você gostava e gosta, com muito amor...

Obrigada querido Severo, Jairo e Salatiel, além de toda a equipe que está cuidados para que tudo aconteça e eu sei que será um sucesso, por que está sendo feito com ética, amor e determinação.

Bem... tô parecendo Paulo Gastão devaneando...rsrs
Um beijo, estamos juntos e misturados.

Juliana Ischiara

http://cariricangaco.blogspot.com

sábado, 27 de abril de 2013

MOTO CLUBE CAVALO DOIDO - MOTO ENERGIA: Um dos eventos de maior sucesso de Paulo Afonso.

Por: João de Sousa Lima

UMA BOA IDEIA...

Era noite, próximo das vinte e três horas, chovia bastante quando Nelsinho e Gago saíram do bar de D. Dulce.

Nelsinho falou para o Gago: Aqui está chato, vamos botar os Cavalos na Rua. E, sem procurar explicação, os dois juntos saíram cantando a música CAVALO DE PAU de Alceu Valença. A letra diz o seguinte:

 Cavalo Doido por onde trafegas, depois que vim parar na capital, me derrubastes como quem me negas Cavalo Doido, Cavalo de Pau...

Aí vieram Rubão e Moacir e falaram: Isso é bom, é muito bom!

Em Paulo Afonso, algumas pessoas acharam esquisito. Cavalo Doido? O que é isso?

Nelsinho, Gago, Moacir e Rubão fizeram a primeira viagem em grupo. Destino? Campina Grande – PB, para prestigiar o I Motorcycle, em 1996.

Tempos depois, com a entrada de Antonio Dias Neto no grupo, eles oficializaram o moto clube e agora como instituição e organizadora do encontro anual, tornaram-se referência entre os moto clubes do Brasil.

PROGRAMAÇÃO MUSICAL MOTO ENERGIA 2013
Dias 03 e 04 de Maio de 2013

03/05 - SEXTA-FEIRA

1º - 18:00hs - DUDA RODRIGUES e BANDA (BA)
2º - 20:30hs - D-ROCK (BA)
3º - 23:00hs - QUINTETO OARA (PE)
4º - 01:30hs - CLÁSSIC ROCK (BA)

04/05 – SÁBADO

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3º - 23:00hs - JOÃOZINHO E BANDA 7 (PE)
4º - 01:30hs - MÁQUINA TOTAL (BA)











Enviado pelo escritor e pesquisador do cangaço: João de Sousa Lima

Lampião e seus protetores no Agreste Pernambucano

Por: Antonio Vilela de Souza

Antes de abraçar o mundo do crime, o jovem Virgulino Ferreira da Silva andava pelo agreste meridional de Pernambuco como almocreve, pois comprava vários produtos, em especial o café, para vender na ribeira do Pajeú. Após o assassinato de José Ferreira, Lampião encontrou um lugar seguro pra seus irmãos em Bom Conselho do Papa Caça. Mesmo inocentes, eram perseguidos pelos inimigos de Lampião. Em Bom Conselho a família Ferreira encontra a proteção do coronel José Abílio de Albuquerque Ávila, que por incrível que pareça era parente do tenente José Lucena Albuquerque Maranhão, o assassino de José Ferreira. A família Ferreira fixa residência na terra do Papa Caça até 1924, quando vão morar em Juazeiro do Norte-CE. Outro grande protetor de Lampião no agreste pernambucano era o coronel Audálio Tenório de Albuquerque, me Águas Belas.

O seu refugio era a casa grande da fazenda nova, no riacho fundo. Ali, Lampião se refugiava por dias, protegido pelo coronel Audálio Tenório, um dos homens mais influentes na política do interior de Pernambuco. 

Na propriedade do coronel Audálio, os cangaceiros descansavam em um abrigo com cinco quartos, duas salas e uma grande cozinha, e que permitia uma visão total do seu entorno. Mas as volantes nunca passaram por aquelas bandas. O coronel foi considerado um dos grandes coiteiros de Lampião em Pernambuco, e responsável, segundo alguns pesquisadores, pelo contato de Lampião com o Sírio-Libanês Benjamin Abrahão que resultou nas imagens registradas em 1936 no Capiá da Igrejinha – AL, há poucas léguas de Águas Belas.

Cel. Audálio Tenório de Águas Belas

Já o coronel Abílio tinha uma grande amizade com Lampião e era fornecedor de armas e munição. Em 1923, Lampião viajou com seus irmãos para Bom Conselho, ao povoado, nesse entremeio, chegou o coronel Abílio, procedente do Recife trazendo de automóvel muito armamento e munição envolvidos numa lona, destinados a Lampião, a quem entregou. 

O coronel era uma espécie de banco particular de Lampião, guardando parte da fortuna. Teve a ousadia de levar o Capitão cego para Recife para fazer o tratamento oftalmológico com o Dr. Isaque Salazar. Disfarçado de fazendeiro, cabelo e barba crescidos, óculos escuros, Lampião chegou à capital pernambucana em outubro de 1926. Andou de bonde, passeou pela Veneza brasileira e chegou até a assistir um filme. Esta viagem foi feita de trem, Garanhuns-Recife.

O rei vesgo ainda tinha também a amizade e proteção do coronel Gerson Maranhão, em Itaiba. O que me chama a atenção nesses protetores era a ligação de parentesco com José Lucena de Albuquerque Maranhão. Acredito que Lampião, José Abílio, Audálio, Gerson Maranhão e José Lucena eram “farinha do mesmo saco”.

Antônio Vilela de Souza - Garanhuns
Sócio da SBEC

Fonte:
http://cariricangaco.blogspot.com

A FESTA DA MENINA NUA (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa(*)

A FESTA DA MENINA NUA 

Alguns sinais anunciavam a festa da menina nua. O vento começava a soprar diferente e de modo mais apressado, as plantas farfalhavam murmurando, um bicho corria daqui e dali, a natureza ao redor ficava mais perfumada, o tempo parecia preguiçoso demais pra passar. E olhos passeavam pelos arredores.

E quando ela abria a porta de casa, começava caminhar pela rua e virar no beco do riachinho, então tudo parecia que ia desandar de vez. Com passos lentos, formosura no andar, corpo tão singelo que parecia uma flor, ela seguia sorrindo bonito, balançando a flor no cabelo e encantando aquele momento da vida.

E o lugar, cidadezinha pacata, de pessoas empobrecidas e lutadoras, nas suas janelas e calçadas de todo dia, parecia completamente transformado quando ela saía de casa ao entardecer e seguia para tomar seu banho no riachinho. Tomava outro em casa, assim que retornava, mas parecia promessa pra ser assim.

O banho era de roupa mesmo. Nem pensar em ficar na pele de nascimento diante dos tantos olhares mirando seu corpo. E não apenas os olhos dos meninos danados, dos molecotes traquinas, mas também dos bichos, das plantas,  das pedras, da própria água. Tudo tinha olhar espichado pra bela flor.

Ora, dizem que a beleza quando se expressa em toda sua pujança faz a pedra ativar seus sentidos. E certamente não haveria gente ou qualquer outro elemento da natureza que não se encantasse quando ela surgia, passava caminhando, mostrava suas formas divinais. E quase nua então, tomando banho então, com aquele vestidinho fino rente ao corpo molhado então.


Linda, linda, era a menina. Menina no modo de dizer, mas mocinha cheirando a leite, como se dizia por lá, nas distâncias do fim do mundo onde vivia. Na idade da espiga de milho rompendo da palha, da fruta amadurecendo, do café coado tomando cheiro e sabor. O nome dela? Ah, o nome dela sei não. Flor. Talvez flor. Outro nome não assentaria.

Mas a meninada a chamava de outro jeito. Brisa para uns, Mimosa para outros, ou simplesmente Linda Donzela. Ela não se importava com nada disso, pelo contrário. Respondia com um leve sorriso de qualquer jeito, deixando o mundo ainda mais feliz e apaixonado. Foi por isso que silenciosamente a pedra a tinha por Anjo.

Ao chegar sempre sozinha na beirada do riachinho, a menina tirava o chinelo, guardava a flor do cabelo e dava uns cinco passos até alcançar as águas. Abaixava-se, tocava a água com a mão direita, em seguida fazia o líquido se derramar pela testa e pela face. Estava benta e pronta para o seu banho.

Após colocar o pé direito, arremessava-se de corpo inteiro. Mergulhava solenemente, fazia a água borbulhar de prazer. E ao levantar, com pele e pano numa forma só, parecia estar completamente nua. E realmente nua era como os olhos ao redor a avistavam. O passarinho chegava até a ponta da pedra mais próxima, uma folha chegava no vento e se deixava cair bem ao lado.

Os meninos quase caíam dos galhos das árvores aonde subiam para se esconder e presenciar a deusa nua e molhada. Alguns molecotes disputavam com os bichos e as próprias pedras a melhor visão que pudessem ter. E coisa incrível acontecia, pois as águas paravam de correr para se avolumar e fazer festa ao redor da mocinha.

Mas um dia ela mergulhou e ficou mais tempo que o costume. Os olhares, preocupados, cresceram, só faltaram correr até o ponto borbulhante na água; palavras de espanto e temor ficaram forçosamente silenciadas; tudo sem saber o que havia acontecido. E de repente ela surgiu. E ao levantar estava completamente nua. Em pelo e pétala.

Um menino despencou de cima  da árvore nesse momento; uma algazarra imensa na mataria. As águas pareciam em turbilhão. E impossível descrever quando ela, assim todo nua, deitou numa pedra e assim ficou até o surgir da lua.

Foi o dia que a lua abriu caminho no por do sol e brilhou mais cedo. Apaixonada. Também.

Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos seguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Bulamarqui  nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE.

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com