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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Ricardo Albuquerque lança Iconografia do Cangaço em Fortaleza Por:Manoel Severo

Ricardo Albuquerque autografa "Iconografia do Cangaço"

Foi uma daquelas noites que marcou; não só pelo grande lançamento da mais nova obra de Ricardo Albuquerque - "Iconografia do Cangaço" , sem dúvida um ponto alto dentro da literatura e iconografia sobre a temática; mas e acima de tudo pela oportunidade de abraçar um grande amigo, um grande carater, que é Ricardo Albuquerque.

O lançamento do Livro; acontecido na noite de ontem, 21 de junho, no Restaurante L'O na Praia de Iracema em Fortaleza; foi um presente para todos os que pesquisam, estudam e são afixionados pela história do Cangaço. Além do zêlo demonstrado pelo organizador, reunindo além de farto material, entre fotografias; muitas delas pertecente ao seu próprio acervo, resultado da ousadia de seu avô, Ademar Albuquerque juntamente com o árabe Benjamim Abrahão, também nos traz artigos que de forma lúcida e clara passam ao leitor um pouco do que representou o fenômeno do cangaço dentro da cultura de nosso nordeste.


A Obra


Ângelo Osmiro e Ricardo Albuquerque


Manoel Severo e Wilton Dedê


Afrânio Cisne e Antônio Tomaz


Casal Ezequias Aguiar

Ricardo Albuquerque é uma dessas pessoas que se guarda no lado direito do peito; pela retirão, cordialidade e principalmente pela generosidade com a qual trata seus amigos. Por ocasião do lançamento de seu livro, reuniu uma infinidade de amigos, confrades que pesquisam o cangaço, admiradores das coisas nordestinas, fotógrafos, cineastas, escritores, pesquisadores, enfim, todos reunidos para abraçar mais uma grande iniciativa de sucesso.

 

Ricardo Albuquerque autografa sua obra para Wolney Oliveira e Wilton Dedê


O evento contou ainda com a apresentação da obra e uma pequena amostra do que vamos encontrar no livro, sob a responsabilidade do Presidente do GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará, Conselheiro Cariri Cangaço e colaborador da obra, escritor Ângelo Osmiro. Ao final ficou a certeza da chegada às livrarias de mais uma grande obra que veio para engrandecer o universo do estudo e pesquisa do tema, valeu amigo Ricardo, parabens.

Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço

Até que enfim!

Por: Guilherme Machado
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Uma parte do mistério da liberdade do sargento Evaristo, da cidade de Queimadas, que teve a sua vida poupada por Lampião em 1929, quando a cidade foi invadida pelos cangaceiros. Sedentos de sangue dos macacos “policiais" baianos.

Cópia da Identidade do  Sargento Evaristo Carlos da Costa. 

 
Pesquisador Guilherme Machado e o amigo do Sargento Evaristo, o senhor Sinésio Simões.

Até os dias de hoje muitos pesquisadores se perguntam: Lampião tinha aversão aos macacos da Bahia? Em 1929, ao entrar na cidade baiana de Queimadas na Bahia, matando, espancando, humilhando e roubando a todos, principalmente os mais abastados, e bem providos, Lampião deu ordem suprema para os seus subordinados, para que não deixassem nem um macaco "policial" baiano vivo.  Imediatamente,  Lampião manda prender o chefe do destacamento da poderosa policia militar da Bahia, o Sargento Evaristo Carlos da Costa, prometendo degolá-lo em primeiro lugar.

Lampião sai para se divertir e juntar o balancete do assalto da pequena Vila de Santo Antonio das Queimadas. Inexplicavelmente em seu regresso de fúria mortífera, ele acaba com as vidas de todos os soldados baianos,  e  poupando a vida do sargento, que até hoje, ninguém nunca deu uma explicação convincente  para os historiadores do cangaço.

Passando pela cidade de São Domingos, conheci o senhor Sinésio Simões de Araújo, nascido a 18 de maio de 1929, na cidade de São Domingos.

Em conversas sobre o cangaço, com o senhor Sinésio,  este me contou que nos anos 30 trabalhava com o sortudo sargento, ambos moravam na cidade de Santa Luz - BA, cidade que Evaristo escolheu para morar.  Depois do ocorrido de Queimadas, Evaristo quando vivo, revelou a Sinésio o motivo de ter saído ileso do massacre de Lampião.

Segundo Sinésio, o sargento era primo do cangaceiro Virgulino, o Sr. Sinésio me contou que o sargento que veio de Pernambuco ainda criança para a Bahia em companhia dos pais, que desceram nordeste abaixo, na esperança de arrumarem emprego na Estrada de Ferro ”leste brasileira" e o menino Evaristo ingressou nas forças baianas.

Interrogado por Lampião o sargento contou do seu parentesco com o cangaceiro,  relatou que era seu primo e se Lampião o matasse estava matando o próprio sangue.

Depois que o sargento falou o nome da sua mãe, e do seu pai, tios, irmão e primos de Lampião, o cangaceiro não teve dúvidas. E assim escapou de morrer e não teve dona santinha e nem trancelins de ouro.

Os meus sinceros agradecimentos ao senhor Sinésio, por ter paciência de me ajudar a desatar este nó, tão antigo e difícil de desfazê-lo.

Cangaço de Barro... - De pau, de biscuit...de Durepoxi... Final

Só pra deixar o coroné Ângelo Osmiro com água na boca

 



Esta belíssima peça do artista plástico Dagon é moldada em "estanho" está a venda pelo site OLX



Digam se o Lampião de cumpadi Edson não é massa?
O paranaense Edson Rosa, rastejador do blog, nos enviou um email com as fotos da sua escultura em Durepoxi. Ele confessa que não é escultor e que esta foi a primeira peça que produziu, fí duma iégua habilidoso. Notem os anéis, cabo do punhá etc . A estatueta do capitão tem 30cm.






Convite Missa 30º. Dia

Anathália Cristina Queiroga Pereira 

31/03/1990 - 25/05/2012

Júlio Batista Pereira, Edilza Queiroga Pereira e Jefferson Queiroga Pereira, convidam parentes e amigos para assistirem as Missas que serão celebradas em sufrágio da alma de Anathália Cristina Queiroga Pereira:

Pau dos Ferros - RN

Data: 24 de junho de 2012
Horário: 08:00hs da manhã
Local: Salão Nossa Senhora das Graças
Alto do Açude

Natal – RN

Data: 24 de Junho de 2012
Horário: 19:30hs
Local: Paróquia Nossa Senhora Aparecida
Neópolis.

Crônica 
Autora: Samila Marissa

Nossa menina de olhos pequenos partiu de repente, deixando-nos perplexos, sem querer acreditar na amarga realidade. Como uma estrela cadente que ilumina nossas vidas e muito cedo se vai, deixando-nos na escuridão. Você levou embora um pedaço de todos nós, mas também nos deixou um pedaço de si. Um pedaço chamado "saudade", um amor maior que resiste ao tempo e a distância.
O que nos resta é tentar preencher todo esse vazio com a lembrança de seu sorriso, seu abraço, sua companhia. A imagem de seu rosto de menina, e sua força de mulher.
Que o Senhor a receba em Seu colo como a criança embalada nos braços maternos.
Saber que agora você viverá na eternidade é o nosso grande alento.

Samila Marissa

"Agradecemos a todos que ao nosso lado permaneceram compartilhando da nossa dor e da nossa saudade.Eternas saudades de seus pais, irmão, familiares e amigos".

Cangaceiros, seus nomes e suas alcunhas

Por: Lúcia Gaspar


Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
pesquisaescolar@fundaj.gov.br
 
[...] Quando se fala em cangaço
Lembra logo Lampião
Como falar em forró
Lembra logo Gonzagão
Foi Cabeleira o primeiro
Chamado de cangaceiro
Nas paragens do Sertão
Seu nome era José Gomes [...]

(Trecho do cordel O bandido Cabeleira e o amor de Luisinha, Zé Antonio, 2006).


Na sua maioria os cangaceiros recebiam ou adotavam alcunhas ou apelidos, os chamados "nomes de guerra" que, de uma maneira geral, eram relacionados às suas características pessoais, habilidades ou fatos biográficos.

Existiam os que lembravam a vida de aventuras, marcas de crueldade, coragem, vingança (Jararaca, Besta Fera, Diabo Louro, Lasca Bomba, Pinga-Fogo), assim como os mais telúricos que lembravam elementos da natureza: Beija-Flor, Serra do Mar, Azulão, Asa Branca, Rouxinol, Lua Branca.

As alcunhas serviam para despistar e confundir inimigos e perseguidores. Alguns chefes de bandos do cangaço chegavam até a colocar nos 
novos companheiros apelidos de cangaceiros mortos em combate. Dessa forma, há muitos cangaceiros que receberam o mesmo nome duas, três e até quatro vezes, como é o caso de Azulão. O primeiro Azulão era integrante do bando de Antônio Silvino.


O segundo do bando de Sinhô Pereira (primeiro e único chefe do rei Lampião). 


O terceiro e o quarto pertenceram ao bando de Lampião.
Havia também os que não adotavam esse subterfúgio, desafiando o mundo. Bradavam os seus nomes verdadeiros para mostrar valentia.

Segundo consta, o apelido de Virgulino Ferreira da Silva, Lampião era por causa da rapidez com que ele atirava, dando a impressão de um lampião que se acendia.

Se você quer conhecer os nomes e os apelidos dos cangaceiros, clique no link abaixo:

O cangaceiro Zé Baiano e sua companheira Lídia

Por: Juarez Conrado

O outro caso de que tem notícia aconteceu nos arredores do município de Frei Paulo. Em uma das costumeiras viagens de Zé Baiano à sede do município, Lídia, sua mulher, cabocla formosa e de corpo muito bonito, foi flagrada em pleno adultério por Coqueiro, cangaceiro que, havia muito tempo, tentava conquistá-la.

Desconfiado de suas ligações com Bentevi, um dos comandados do sanguinário matador, sempre cercava o coito de Lídia  com a esperança de encontrá-la traindo Zé Baiano.

O cangaceiro Zé Baiano

Passou a vigiá-la com mais frequência e viu confirmada as suas suspeitas: Lídia e Bentevi entraram sorrateiramente no mato e, sobre uma moita de capim brabo, iniciaram o ato sexual, sendo surpreendidos pelo perigoso indivíduo, que, para alcançar seu objetivo, tentou chantagear a jovem e bela mulata: ou satisfazia seus desejos ou Zé Baiano seria informado de sua infidelidade.
Lídia, entretanto não aceitou.

Correndo, entrou em sua tolda, onde permaneceu calada, imaginando o que iria lhe acontecer. Coqueiro, sem controlar seus bestiais instintos, continuava rondando o esconderijo. Cada vez mais, entretanto, perdia as esperanças de conseguir o que desejava, passando a alimentar o propósito de vingar-se da infiel mulher.

Se ela estava formicando com Bentevi, por que se negava a atendê-lo?
Ao retornar ao acampamento, tal como Coqueiro havia ameaçado, Zé Baiano foi informado, de maneira detalhada e em tom sarcástico, que “mesmo valente como era, não passava de um corno”.

O famigerado bandido estremeceu, querendo saber que história era aquela. Coqueiro não apenas confirmou como falou das suas desconfianças e a maneira como procedeu para vê-las confirmadas.

Inquirida pelo temível cangaceiro, quando arrastada para fora de sua tolda, se era verdade o que acabara de ouvir, Lídia confirmou o fato, mas fazendo outra revelação igualmente grave. “É verdade, sim. Tudo é verdade”, disse Lídia ao companheiro. Mas, sem deixar que ele lhe cortasse a palavra, acrescentou: “Já disse que é verdade, mais ele não falou que está lhe contando tudo porque também queria me comer e eu não quis nada com este negro imundo fedorento”, denunciou.

Um estampido, seguido da queda de Coqueiro, foi ouvido. O tiro, contudo, não partira da arma de Zé Baiano. Lampião, que a tudo assistia, sinalizou para


Gato, que imediatamente atirou na cabeça do cangaceiro. Por ironia do destino, Coqueiro caiu morto nos pés de Lídia.

Mas, sabendo-se perdida, a mulher de Zé Baiano dirigiu dramáticos apelos às companheiras, no sentido de contornarem a situação.


Só Maria Bonita, porém, tentou salvá-la, sendo repreendida por Lampião. Em alta voz – o que jamais fazia com a baiana de Paulo Afonso – disse que o problema era de Zé Baiano. A parte que lhe cabia fazer, já tinha feito: mandou matar o chantagista. (No caso, Coqueiro).


Zé Baiano, levando a companheira pelo braço, arrastou-a com um misto de ódio, humilhação e vergonha. Decepcionado com a infidelidade de Lídia, em quem confiava plenamente, matou-a a pauladas, deixando-a com as feições inteiramente deformadas, tal a violência dos golpes que nela aplicou.

Em seguida, cavou um buraco onde jogou o corpo da mulher, e só então, aparentando muita tristeza, pois era notório o seu amor por Lídia, recolheu-se ao esconderijo, para encobrir o desespero.

Extraído do livro:
"Lampião Assaltos e Morte em Sergipe"
Publicado em Aracaju - Sergipe
Ano de publicação: 2010

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Cangaço de Barro... - De pau, de biscuit...de Durepoxi... Parte I

Só pra deixar o coroné Ângelo Osmiro com água na boca
Lampião

Maria Bonita e Lampião

Maria Bonita e Lampião

Morte de Antonio Ferreira - irmão de Lampião


Ese é produzido no meu Cratinho






O vingativo cangaceiro Zé Sereno

Por: Juarez Conrado
Conrado foi deputado estadual na Bahia e atuou por muitos anos no jornal A Tarde

Não se pode esquecer, nesta sinistra relação, a figura de ZÉ Sereno, marido de Sila, a bela cangaceira que arrastou para a borda de bandidos três dos seus quatro irmãos: Mergulhão, Novo Tempo e Marinheiro.

A ex-cangaceira  Sila - companheira de Zé Sereno

Além de ele próprio matar, geralmente determinava como chefe de um dos subgrupos de cangaceiros, que alguns comandados - naturalmente os mais violentos – o fizessem, sempre com a recomendação de, antes de liquidar, judiar bastante aqueles que estavam marcados para morrer.

Como foi o caso do coiteiro Zé Vaqueiro que, vendo Novo Tempo em estado gravíssimo, após o combate travado com a volante de Zé Rufino, quando ainda saíram feridos:

Tenente é Rufino

Elétrico e Amoroso, procurou ajudá-lo Pelo fato de não apresentar qualquer melhora, acabou se transformando em sério problema: descoberto aos seus cuidados, certamente teria assinado sua própria sentença de morte. Os militares não perdoariam. Preocupado, e para livrar-se do já incômodo indivíduo, resolveu eliminá-lo com um tiro no ouvido.

Novo Tempo, entretanto, apesar da bala que o atingiu, conseguiu sobreviver e, retornando ao grupo, narrou o fato ao seu cunhado Zé Sereno.

Indignado pela inconcebível ingratidão do coiteiro, sempre protegido e até, quando necessitando, auxiliado financeiramente pelo terrível bandoleiro, determinou a vingança.

Lampião e Juriti

Escalados por Zé Sereno para “justiça” o delator, Juriti, Sabiá, Mergulhão e Marinheiro foram ao encontro do mesmo, por eles amarrado, xingado e maltratado a bofetadas, chicotadas e pontapés. Obrigando a própria vítima a cortar xique-xique e mandacarus, fizeram com os espinhos desta vegetação uma cama na qual, depois de despido, Zé Vaqueiro foi jogado, morrendo pouco tempo depois.

O cangaceiro Zé Sereno

A vingança estava incompleta, mesmo cumprida a ordem de Zé Sereno no que se referia à grande judiação recomendada.

Seu corpo inanimado e sangrando bastante em virtude dos espinhos que lhe dilaceram as carnes e, ainda jogado na cama feita pelos bandidos, foi transformado em verdadeira tocha com a fogueira provocada por um dos cangaceiros que jogou fósforos acesos nos gravetos.

Extraído do livro:
"Lampião Assaltos e Morte em Sergipe"
Paginas: 43 e 44
Publicado em Aracaju - Sergipe
Ano de publicação: 2010  

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

O cangaceiro Corisco

http://4.bp.blogspot.com/_ba_9oq42c0A/TByki8iy0cI/AAAAAAAABDM/Su9ZSbdFpA8/s1600/Corisco....jpg

Quando aconteceu a chacina aos cangaceiros, na Grota de Angico, no Estado de Sergipe, Corisco, ou o Diabo Louro  estava na outra margem do rio São Francisco, e ouviu os tiros do combate, mas não pode reagir, pois estava muito longe. Posteriormente foi até a casa de um dos seus coiteiros, o Joca Bernardes, saber quem havia indicado onde o rei Lampião estava acoitado. Joca Bernardo que já vinha com ciúmes da frequência dos cangaceiros na casa do vaqueiro Domingos Ventura, morador da fazenda Patos, disse que tinha sido ele.

Corisco foi a casa do vaqueiro e matou quase toda a família e remeteu as cabeças em um saco para João Bezerra, cujo fora o assassino de Lampião, Maria Bonita... E como desaforo mandou um bilhete que dizia: "-Se o problema é cabeça, aí vai em quantidade".

Acompanhe o depoimento de Sílvio Bulhões, filho de Corisco, produzido pela Laser Vídeo do cineasta e pesquisador do cangaço - Aderbal Nogueira.




Aderbal Nogueira
Laser Vídeo

SAIR POR ESSA VIDA AVENTUREIRA (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

SAIR POR ESSA VIDA AVENTUREIRA

Lembro de você toda vez que ouço a música Toada, com Cláudio Nucci ou Boca Livre. Aquela mesma que diz:

“Vem morena ouvir comigo essa cantiga/ Sair por essa vida aventureira/ Tanta toada eu trago na viola/ Pra ver você mais feliz/ Escuta o trem de ferro alegre a cantar/ Na reta da chegada pra descansar/ No coração sereno da toada, bem querer/ Tanta saudade eu já senti, morena/ Mas foi coisa tão bonita/ Da vida, nunca vou me arrepender/ Morena ouve comigo essa cantiga/ Sair por essa vida aventureira/ Tanta toada eu trago na viola/ Pra ver você mais feliz/ Escuta o trem de ferro alegre a cantar/ Na reta da chegada pra descansar/ No coração sereno da toada, bem querer...”

É como se eu segurasse na sua mão e mostrasse a estrada adiante. Já fiz isso muitas vezes, mas tive de partir sozinho. Ao menos imaginei que parti.


Como diz a outra música, nossa linda juventude, página de um livro bom. E tento reler ainda sem sofrer demais de saudade. Página já rasgada, já solta no tempo, já perdida no mundo, já levada no vento.

Nossa linda juventude, nunca mais esquecerei. Sem o ideário hippie, sem o esvoaçante pensar do jovem, ainda assim não há como esquecer a roupa descuidada, folgada, da calça jeans desbotada, da camiseta anarquista, do cabelo ondulado e crescido demais.

Um dia sonhei em segurar sua mão e partir. Sei que me acompanharia se soubesse a direção. O problema é que só tinha a estrada, só possuía o chão e os pés por cima dele, mas sem destino, sem lugar pra chegar, sem porta alguma que pudesse bater.

Na mochila o sonho, o caderno de poesia, o livro de Neruda, o mundo retorcido de um certo eu. Ou de nós, com nossa voz embrulhada em papel jornal e doida pra sair pelo mundo afora gritando palavras de ordem contra a solidão, o desamor, a tristeza. Somente a felicidade, a busca da paz, um amanhã e um sol.

O sonho de viagem eterna, de liberdade sempre, não passava da reafirmação de que o homem não nasceu para viver entre quatro paredes, dentro de uma casa ou de qualquer coisa que implica em porta ou em tranca. Ser livre por natureza, era no meio do mundo, embaixo do tempo, caminhando sempre, que o destino seria cumprido.

E nas distâncias do mundo, no doce percurso da vida aventureira, dois seres num só sem medo de nada. Bastaria a certeza de estar juntos, a força da mão segurando na mão, o mesmo passo na mesma direção, o compromisso apenas com o chegar. Mas onde?

Pouco importa aonde chegar se o amanhã ainda será construído. Quem caminha atrás de um número na porta esquece que a casa do homem é na estrada, na contínua busca por outras estradas. E outras estradas que nunca terão fim, pois parar para descansar não significa ficar.

Meu sonho era esse, meu amor, era sair por aí com você de mãos dadas, seguindo adiante na aventura da existência. Jovens, sadios, cansados da mesmice da realidade, não havia saída senão abrir a porteira levando somente a mochila nas costas.


Mas quando arrumei o embornal, guardei dentro meu Neruda e meu caderno de poesias, você disse que sua calça jeans estava suja demais para enfrentar o mundo. Eu disse que daria a minha e seguiria nu. Mas você não aceitou. Disse que seu cabelo estava curto demais para ser espalhado pelo vento. Eu disse que sopraria pertinho. Mas você não aceitou.

Quando saí porta afora você apenas lançou o olhar; quando caminhei pela rua você foi até o jardim se entristecer com uma flor; quando virei a curva da estrada você estava chorando. Não podia ver, mas sabia. Eu também chorava.

Mas não podia voltar, como não voltei. Jamais voltei. Jamais pensei em voltar. Caminhei sempre adiante, seguindo em frente sem olhar pra trás. Mas no dia que olhei encontrei você.

Percebi que não havia saído do lugar. Saí de casa, caminhei, enfrentei destino, mas não consegui sair do lugar. Sonhei viajar, sonhei voar, sonhei com a liberdade de outras paisagens. Mas por amor jamais saí do lugar.

E cada vez que te beijo, abraço, faço um carinho, é como se estivesse saindo por essa vida aventureira.


(*)Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com