Seguidores

terça-feira, 20 de agosto de 2019

CANGACEIRO COBRA VERDE

Por Noádia Costa

Uma grande quantidade de jovens se tornaram cangaceiros com a ideia de ter uma vida melhor e viver em liberdade . Um desses jovens foi o alagoano Manoel Aureliano Lopes. Que no Cangaço foi o segundo cangaceiro a receber a alcunha de cobra verde. Natural de Piranhas , entrou no Cangaço participando do subgrupo de Pancada. Sobre a sua entrada no Cangaço em entrevista a Gazeta de Alagoas do dia 08/11/1938 falou: 

"A razão que o levou a fazer-se bandoleiro foi achar bonito o traje dos facínoras que encontrava, notar o temor e respeito que infundiam, e querer ser na vida alguma coisa".


Ao jornal carioca A Noite, do dia 14 de novembro de 1938, ao ser perguntado pelo correspondente do jornal o que o levou a se tornar cangaceiro respondeu: 

" eu era operário da fábrica da Pedra e ganhava de dez a quatorze mil réis por semana. Era um aperreio pra mim, rapaz novo e queria viver limpo com os outros. Era muito injustiçado na vida. Por isso resolvi ser bandido para ver se arranjava uns sobres. Achei boa a vida. Cheguei a possuir dois contos de réis, fora os "ouro ". Conta que nunca maltratou ninguém que vivia no Cangaço apenas para arranjar os "cobres".

Participou das entregas juntamente com o subgrupo de Pancada. Após se entregar passou a colaborar com a polícia entregando vários companheiros. Foi anistiado e libertado. Depois de libertado, não tivemos notícia de tal cangaceiro.

Bibliografia Consultada: Cangaceiros de Lampião de A a Z
Foto 1: Cobra Verde no dia da sua entrega.
Foto 2: Certificado de reservista de Cobra Verde
Créditos: Ciro Barbosa , grupo Viva Piranhas


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

O GLOBO – 19 DE ABRIL DE 1991 EX-CANGACEIRO DE “LAMPIÃO” PERDE SUA ÚLTIMA BATALHA “RELÂMPAGO”, 84 ANOS MORRE NO PRÉDIO DO INSS

Por Ronaldo Braga
Severino Garcia Santos - o cangaceiro Relâmpago

Quando o cangaceiro Severino Garcia Santos o Relâmpago, chegou ao Rio de Janeiro na década de 40 sabia que suas aventuras na caatinga, ao lado de Lampião e seu bando, haviam terminado. Mas o companheiro de Virgulino Ferreira da Silva não imaginava que, depois de lutar e ser perseguido pelos macacos (Polícia) durante vários anos morreria, aos 84 anos, longe de sua peixeira de estimação, e de uma maneira tão inglória: no INSS, tentando receber sua pensão de 15.100.

Um mês atrás, por estar muito doente Relâmpago pedira a um amigo, o pastor Feliciano Teixeira Filho, da “Igreja Pentecostal Cristo é a Resposta”, que passasse a receber a pensão do INSS em seu lugar.

Aposentado como ferreiro do “Estaleiro Caneco”, ele havia sido internado recentemente na “Casa de Saúde de Irajá”, e tinha dificuldades para se locomover.

O pastor Feliciano Teixeira, na porta da sala onde morreu Severino

Às 8 horas de ontem, o pastor Feliciano chegou ao prédio do INSS na Avenida Presidente Vargas, 418, a fim de receber uma autorização para sacar a pensão do amigo. Após passar por vários departamentos, foi informado de que era preciso apresentar o carnê de benefício e os documentos de Relâmpago.  Embora tenha explicado que o ex-cangaceiro estava doente em sua casa, no bairro as Saúde, aguardando que o amigo levasse alguns remédios que compraria com o dinheiro da aposentadoria, o pastor não conseguiu a autorização.

Ao tomar conhecimento das exigências do INSS “– que qualificava como uma casa de ladrões”..., Relâmpago levantou-se da cama e disse a Feliciano:

- Eles querem ficar com o meu dinheiro. Vamos lá para resolver essa parada.

O pastou ainda tentou fazê-lo desistir, argumentando que o dinheiro de que dispunham, Cr$ 700, mil dava para o táxi. Relâmpago insistiu, afirmando que iria de qualquer maneira, a pé ou de carona. Acabaram se decidindo pelo táxi e restaram apenas Cr$ 30 de troco. Ao chegar ao prédio do INSS, os dois amigos percorreram diversas salas, subindo e descendo as escadas entre a sobreloja e o segundo andar. Eram 12h30m.

De repente ele começou a sentir falta de ar. Então, decidimos subir até o décimo-terceiro andar, onde funciona a Unidade de Assistência de Recursos Sociais, na esperança de resolvermos o problema. O Severino (o ex-cangaceiro Relâmpago) disse que provaria de qualquer maneira, que ele era uma pessoa de confiança e que podia receber o benefício em nome dele. "- Quando, finalmente, estávamos sentados em frente à assistente social, ele deu o suspiro e morreu" – contou o pastor Feliciano.

Embora aparentemente o ex-cangaceiro tenha sido vítima de uma parada cardíaca, o Delegado da 1ª DP (Praça Mauá), Plácido Moreira, registrou o caso como morte suspeita, e ouvirá Feliciano e as pessoas que atenderam Severino nos próximos dias.

Apesar de sua idade, há um ano Relâmpago fora preso por esfaquear o agente de trânsito do Detran Jorge de Oliveira Ribas, de 66 anos, após uma discussão sobre o preço de uma cabeça de peixe num bar na Praça Tiradentes. Na época, o ex-cangaceiro se vangloriara dizendo que, quando vivia no sertão, tivera 12 mulheres e matara mais de 20 pessoas com Lampião.


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

LIVRO “O SERTÃO ANÁRQUICO DE LAMPIÃO”, DE LUIZ SERRA


Sobre o escritor

Licenciado em Letras e Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduado em Linguagem Psicopedagógica na Educação pela Cândido Mendes do Rio de Janeiro, professor do Instituto de Português Aplicado do Distrito Federal e assessor de revisão de textos em órgão da Força Aérea Brasileira (Cenipa), do Ministério da Defesa, Luiz Serra é militar da reserva. Como colaborador, escreveu artigos para o jornal Correio Braziliense.

Serviço – “O Sertão Anárquico de Lampião” de Luiz Serra, Outubro Edições, 385 páginas, Brasil, 2016.

O livro está sendo comercializado em diversos pontos de Brasília, e na Paraíba, com professor Francisco Pereira Lima.
franpelima@bol.com

Já os envios para outros Estados, está sendo coordenado por Manoela e Janaína,pelo e-mail: anarquicolampiao@gmail.com.

Coordenação literária: Assessoria de imprensa: Leidiane Silveira – (61) 98212-9563 leidisilveira@gmail.com.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

AS CUECAS DE LABIRINTO

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de agosto de 2019
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.166

RIACHO DO NAVIO. (FOTO: BLOG ROBÉRIO SÁ).
A tradição teve início quando alguns pescadores de Santana do Ipanema foram pescar no alto sertão de Pernambuco, precisamente no riacho do Navio. Com o tempo e novos adeptos, foi formado um grupo de cerca de vinte pessoas que anualmente ia à pesca no Navio. Uma feira bem sortida para passar três dias e uma longa viagem que parecia não ter fim. Em um poço do riacho, cercado de pedras e árvores frondosas, a turma fazia acampamento e dormia em redes ou em barracas. Havia o cozinheiro, mas qualquer um podia comer o que quisesse a qualquer hora do dia ou da noite. As mantas de carne ficavam expostas no lajeiro à disposição e o restante da feira em engradados. As brincadeiras eram grosseiras desde cortar os punhos da rede alheia aos cabeludos palavrões.
Durante a noite alguns cantavam, outros ralavam lata para não deixarem o companheiro dormir. Algumas vezes o pescado ficava exposto no areal e no pedregulho por falta de tratadores. A força da cachaça não deixava.
Depois essa tradição foi arrefecendo, os enfrentantes foram rareando e parece que hoje não mais existe. A distância também contribuiu contra a adesão de novos adeptos.
Naquele fuzuê todo, encontrava-se o senhor Sebastião Gonçalo, apelido “Labirinto”. A sua idade avançada não se incomodava com as brincadeiras sobre si. Cidadão decente e querido, sempre estava presente nas viagens a Pernambuco. Em Santana, companheiros começaram a dizer que Sebastião Labirinto só possuía uma cueca. Bastião afirmava que não, possuía doze, mas que eram todas da mesma cor. As lorotas continuaram até que um dia Sebastião chegou à roda de amigos com um pacote debaixo do braço. Conversa vai, conversa vem, quando os companheiros voltaram a brincar com o mesmo assunto. Sebastião entregou o pacote a um deles, dizendo olhe aí. Aberto o pacote, para surpresa de todos, havia onze cuecas iguais.
Sim senhor, exatamente o estoque de cuecas de Sebastião Labirinto.
Matou a pau.


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

LIVRO "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS"


Depois de onze anos de pesquisas e mais de trinta viagens por sete Estados do Nordeste, entrego afinal aos meus amigos e estudiosos do fenômeno do cangaço o resultado desta árdua porém prazerosa tarefa: Lampião – a Raposa das Caatingas.

Lamento que meu dileto amigo Alcino Costa não se encontre mais entre nós para ver e avaliar este livro, ele que foi meu maior incentivador, meu companheiro de inesquecíveis e aventurosas andanças pelas caatingas de Poço Redondo e Canindé.

O autor José Bezerra Lima Irmão

Este livro – 740 páginas – tem como fio condutor a vida do cangaceiro Lampião, o maior guerrilheiro das Américas.

Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.

Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

Destaca os principais precursores de Lampião.
Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço.

Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.
O autor aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e sugestões:

(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 

Pedidos via internet:
Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:
Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345

Clique no link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.

http://araposadascaatingas.blogspot.com.br

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

CANGACEIROS SOLTOS


1 - Vítor Rodrigues, o Criança, após o combate na Grota de Angicos, fugiu para São Paulo, adquiriu casa própria e mercearia naquela cidade.  Casa-se com Ana Caetana de Lima e tem três filhos: Adenilse, Adenilson e Vicentina. 


2 – Antenor José de Lima, o Beija-Flor - continuou pobre, analfabeto e desassistido.


3 – Manoel Dantas, o Candeeiro - segue o mesmo rumo, mas consegue se alfabetizar e negociar onde mora.    

Dos cangaceiros homens ele era o último e faleceu no dia 15 de Junho de 2014

4 – José Alves de Matos, o Vinte e Cinco - vai trabalhar como funcionário do Tribunal Eleitoral de Maceió e casa com a enfermeira Maria da Silva Matos e tem três filhas: Dalma, Dilma e Débora.                

5 - Antônio dos Santos, o Volta Seca - passa muito tempo preso na penitenciária da Feira de Curtume, na Bahia. É condenado, inicialmente, a uma pena de 145 anos, depois comutada para 30 anos. Através do indulto do presidente Getúlio Vargas, porém, em 1954, ele cumpre uma pena de 20 anos. Volta Seca casa e tem sete filhos e é admitido como guarda-freios na Estrada de Ferro Leopoldina.


6 - Ângelo Roque, o Labareda - consegue se empregar no Conselho Penitenciário de Salvador.  Casa e tem nove filhos.

         
7 - Saracura - E, intrigante como possa parecer, o ex-cangaceiro Saracura torna-se funcionário de dois museus, o Nina Rodrigues e o de Antropologia Criminal, os mesmos que expuseram as cabeças mumificadas dos velhos companheiros de lutas.

                          
8 - Bernardino, vulgo Canário - ele foi morto na cadeia por Penedinho, por ter entregado a sua cabeça à polícia em troca de redução da pena. Penedinho era primo de Adília, que era esposa de Canário. 

Português e sua companheira Quitéria

9 - Português - assim que Lampião foi morto, ele se entregou à polícia, mas foi assassinado na cadeia.


10 - João Marques Correia, vulgo, Barreiras - não consegui informação sobre ele.


11 - Antônio Luís Tavares, o Asa Branca era Paraibano. Viveu até falecer em Mossoró, em companhia dos 4 filhos e sua esposa Francisca da Silva Tavares, que ainda mora na mesma casa em que viveu o Asa Branca.

Viúva do cangaceiro Asa Branca paraibana mas reside em Mossoró.

Ele faleceu no dia 02 de novembro de 1981, e está enterrado no Cemitério São Sebastião em Mossoró, nos fundos da cova do cangaceiro Jararaca. 


12 - Juriti - após a chacina de Angico ele se entrega à polícia e foi liberado, mas covardemente foi queimado numa fogueira dentro da mata pelo Sargento DE LUZ, que fora delegado de São Francisco.

Sargento De Luz

O escritor Alcino Alves Costa diz em seu livro "Lampião Além da Versão - Mentira e Mistérios de Angico” que uma das autoridades mais perversa e sanguinária foi Amâncio Ferreira da Silva, que os cangaceiros já com documento de Soltura, ele os perseguia só para ter o prazer de matá-lo. 

Diz o escritor: "Amâncio Ferreira da Silva era o verdadeiro nome do sargento De Luz. Nascido no  dia 11 de agosto de 1905, este pernambucano ainda muito jovem arribou  para o Estado de Sergipe, indo prestar os seus serviços na polícia militar sergipana. Os tempos tenebrosos do banditismo levaram De Luz para o último porto navegável do Velho Chico, o arruado do Canindé Velho de  Baixo. Por ser um militar extremamente genioso, violento e perverso, ganha notoriedade em toda linha do São Francisco e pelas bibocas das caatingas do sertão. Dos tempos do cangaço ficou na história, e está  registrada no livro “Lampião em Sergipe”, o espancamento injusto que ele deu no pai de Adília e Delicado, o velho João Mulatinho, deixando-o  para sempre aleijado". 

Continua o escritor: "Um de seus maiores prazeres era caçar ex-cangaceiro para matá-los sem perdão e sem piedade. Foi o que fez com Juriti, prendendo-o na fazenda Pedra D`água e o assassinando de maneira vil e abjeta jogando-o em uma fogueira nas proximidades da fazenda Cuiabá. Foi em virtude de desavenças com o seu sogro, o pai de Dalva, sua esposa, que naquele dia 30 de setembro de 1952, quando viajava de sua fazenda Araticum para o Canindé Velho de Baixo, se viu tocaiado e morto com vários tiros. Morte atribuída ao velho pai de Dalva, o senhor João Marinho, proprietário da famosa fazenda Brejo, no hoje município de Canindé de São Francisco".

Continua o escritor: "Diz a história que João Marinho foi o mandante, chegando até ser preso; e seu genro João Maria Valadão, casado com Mariinha, irmã de Dalva, portanto cunhado de De Luz, ainda vivo até a feitura desse artigo, com seus 96 anos de idade, completados no mês de dezembro de 2011, foi quem tocaiou e matou o célebre militar e delegado que aterrorizou Canindé e o Sertão do São Francisco. Foi o sargento De Luz o matador de Manoel Pereira de Azevedo, o perverso e famoso Juriti. Manoel Pereira de Azevedo era um baiano lá das bandas do Salgado do Melão. Um dia arribou de seu inóspito sertão e viajou para as terras do Sertão do São Francisco, indo ser cangaceiro de Lampião, recebendo o nome de guerra de Juriti”.

Informação: Lembrando ao leitor que todos estes cangaceiros e o delegado De Luz já faleceram,apenas está viva a viúva do cangaceiro Asa Branca. 

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

CANÁRIO, LOCAL DA MORTE E DO SEPULTAMENTO DO CANGACEIRO

Por Rangel Alves da Costa

Em 2018, como parte da programação do Cariri Cangaço Poço Redondo, seis marcos históricos foram construídos ao longo das margens da Estrada de Curralinho (atual Estrada Histórica Antônio Conselheiro), sendo estes o marco da nova denominação da estrada e os marcos de Canário, da Cruz dos Soldados, de Zé de Julião, de Antônio Canela e da Igreja do Conselheiro (Igreja Nossa de Nossa Senhora da Conceição de Curralinho).
Como bem assinalado na ocasião da inauguração, o Marco Histórico de Canário não fora construído no exato local de seu assassinato, no ano de 38, supostamente à traição pelo também cangaceiro Penedinho (Teodomiro dos Santos), e após a Chacina de Angico, mas distando cerca de 300 metros do local da tragédia. E assim pelo fato de que após a cerca há uma propriedade particular, denominada Fazenda Coruripe, sob o comando dos herdeiros de Seu Odon, e a construção do marco dentro da propriedade demandaria a aceitação de todos, o que certamente não ocorreria.


Contudo, ao amanhecer deste último domingo 18 de agosto, exatamente um dos herdeiros, o amigo Ailton, até lá se dirigiu em minha companhia para fazer doação das peças de uma antiga casa de farinha, logo reclamou da construção do marco fora da cerca, afirmando que o correto seria sua construção no local exato da morte do cangaceiro. Expliquei os motivos - os quais foram aceitos -, mas prontamente pedi que seguisse comigo até o local onde Penedinho atirou e matou Canário (Bernardino Rocha), já que ficava nas proximidades da velha casa de farinha e da antiga sede da fazenda.
Fazenda esta que no passado já havia sido até mesmo de Zé de Julião, pois recebida como parte da vultosa herança deixada por seu pai Julião do Nascimento. Pois bem, seguimos pelas veredas. Paisagem deslumbrante, tipicamente sertaneja, agora tomada pelo verdor das últimas chuvas, mas que no passado cangaceiro certamente se mostrava como verdadeiro labirinto de difícil penetração. Mais adiante, logo apontou Ailton: “Foi ali naqueles lajedos!”.
Com efeito, após a mata há uma formação mais funda, parecendo um pequeno leito de riacho, onde de um lado se avista alguns lajedos, ou placas pedregosas que divisam com o terreno abaixo. Logo adiante um tanque entre pedras de construção mais recente, mas que no passado servia como fonte de água para os sertanejos que por ali passassem. Então, divisando o contexto da paisagem, logo avistei o cenário preferido pelos cangaceiros nas suas estadias após o cansaço das lutas: um local pedregoso, cercado por vegetação fechada, onde houvesse água pelos arredores e meios de proteção contra os repentinos ataques.
Ali no Coruripe eu estava perante este cenário perfeito. E certamente Canário, na companhia de seu acompanhante Penedinho, imaginava estar protegido do ataque de Zé Rufino e outros que continuavam no encalço dos cangaceiros após a morte de Lampião e parte de seu bando. Protegido estava, mas não da traição, pois foi seu companheiro Penedinho quem lhe alvejou pelas costas. Alguns afirmam acerca de uma punhalada desferida, mas não vejo como acertada tal hipótese. Ante o valente Canário, certamente ninguém iria atacá-lo de punhal tendo à mão uma arma. O dia era 6 de setembro de 1938.


Naqueles lajedos o companheiro de Adília (que já não estava com ele, pois já na região de Propriá para se entregar) tombava sem vida. Após a traição e morte, como macabro troféu, Penedinho arrancou a cabeça de Canário e seguiu até Serra Negra, quartel-general de Zé Rufino, na tentativa de salvar sua própria cabeça. Prontamente o temido comandante se dirigiu até o local do assassinato para saber se naqueles arredores havia dinheiro e ouro escondidos pelo cangaceiro morto.
Por fim, o restante de seu corpo foi enterrado nos arredores, debaixo de um umbuzeiro. Segundo Ailton, não faz muito tempo que ali, debaixo da velha árvore, um pequeno relevo de terra assinalava o local da sepultura. E se por ali houvesse alguma escavação, certamente que logo surgiria alguma ossada do famoso cangaceiro. Mas deixai que os mortos descansem em paz.

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

CABRAS MACHOS DO SERTÃO: CANGACEIROS, CORONÉIS E VOLANTES

Por Raul Meneleu

orta, se bandidos ou não, Vou falar de cabras machos do sertão, Um deles foi Virgulino Ferreira, O famoso Lampião.

Eita Nordeste danado! 
Tantas estórias da história de gente guerreira,
Pelo lado da mulheres tem Anésia Cauaçu,
Em Jequié na Bahia foi cangaceira,
Muito primeiro que Lampião.
 
 Tem Maria Bonita, outra baiana,
tem Enedina, alegre e bonitona,
Lídia e tem Dadá de Corisco,
A Suçuarana valentona,

Inacinha do cangaceiro Galo,
Sebastiana de Moita Brava,
Cila de Zé Sereno, 
 
 

 Maria de Labareda,
Lídia de Zé Baiano,
Neném de Luís Pedro,
Durvinha de Moreno,

Tantas mulheres arretadas,
enfeitavam os cangaceiros.

 Do grupo dos “cabra” macho,
Tem Virgulino Ferreira, O Lampião,
temos Corisco, o diabo louro,
tem Labarêda

 Tem também o Azulão.
A perder de vista homens machos,
Cabras da peste do sertão.
Espie só seu moço, quanta gente vô te dizê:

Zé Gomes, O Cabeleira, 
Antônio e Ezequiel, irmãos de Lampião
Teve Lucas da Feira, Jesuíno Brilhante e Meia Noite,
Antônio Silvino, Sinhô Pereira, Bem-Ti-Vi,
Criança, Jararaca, Colchête,

Antônio Pereira, Antônio Marinheiro,
Ananias, Alagoano, Andorinha,
Arvoredo, Ângelo Roque, Beleza,
Beija-Flor, Bom de Veras, Cícero da Costa, Cajueiro,

Cigano, Cravo Roxo, Cavanhaque,
Chumbinho, Cambaio, Delicadeza,
Damião, Ezequiel Português, Fogueira, Juriti,
Luís Pedro, Linguarudo, Lagartixa,

Moreno, Moita Braba, Mormaço,
Ponto Fino, Porqueira, Pintado,
Sete Léguas, Sabino, Trovão,
Zé Baiano, Zé Venâncio, Vinte e Cinco,
Volta Seca, Barreiras, Zabelê,
Asa Branca, Candeeiro, Beija-Flor,
Mas muitos se entregaram pra não morrer,
 
 
mas cabras machos eram...

Tem também os coronés,

José Pereira, de Princesa na Paraíba,
tido com cangaceiro perigoso,

Homens valentes das volantes,
que perseguiam Lampião,

 José Lucena, Teófanes Torres,
José Caetano, Zé Saturnino,
e o famoso João Bezerra,
na época tenente quando matou Lampião,
Embora sendo o matador mesmo,
tenha sido um comandado seu.


 
Tem também essa tropa toda que merece lembrança,
e se por acaso eu esqueci algum, 
quando você lembrar, faz de conta que na lista está.

Pernambuco: 

Vila Bela (atual Serra Talhada) 
Antonio Pereira, padre José Kehrle, Antonio Alves do Exu e Cornélio Soares. Floresta – Antonio Serafim de Souza Ferraz (Antonio Boiadeiro). Belém – Manuel Caribe (Né Caribe). Tacaratu, Jatobá e Espírito Santo – Ângelo Gomes de Lima (Anjo da Jia). Flores – José Medeiros de Siqueira Campos, que se revezava com o Major Saturnino Bezerra, este do distrito de Carnaíba. Triunfo – Deodato Monteiro, Lucas Donato. Afogados da Ingazeira – Elpídio Padilha. Custódia – Capitão da Ribeira de Contindiba e Ernesto Queiroz. Moxotó – Antonio Guilherme Dias Lins. Buíque – Antonio Cavalcanti. Pedra – Francisco de França (Chico de França). Rio Branco (Arcoverde) – Delmiro Freire. Águas Belas – Constantino Rodrigues Lins. Cabrobó – Antonio André e Epaminondas Gomes. Salgueiro - Veremundo Soares. Belmonte – Luiz Gonzaga Ferras. Bom Conselho do Papacaça - José Abílio de Albuquerque Ávila e Francisco Martins. Leopoldina (Parnamirim) – Antonio Angelino. Serrinha (Serrita) – Frâncico Figueira Sampaio (Chico Romão). Petrolina – João Barracão e família Coelho.

Da Paraíba: 

Princesa – José Pereira Lima. Conceição – Jaime Pinto Ramalho. Misericórdia (Itaporanga) – José Bruneto Ramalho e a família Nitão. Piancó – Felizardo e Tiburtino Leite. Cajazeiras – Famílias Rolim e Cartaxo. Alagoa do Monteiro – Augusto Santa Cruz.

De Alagoas:

Água Branca – Ulisses Luna (Ulisses da Cobra). Santana do Ipanema – Manuel Rodrigues. Mata Grande – Juca Ribeiro, família Malta. Pão de Açúcar – Joaquim Resende, Augusto Machado e Elísio Maia.

Do Ceará:

Missão Velha – Isaías Arruda. Porteiras – Raimundo Cardoso. Milagres – Domingos Furtado. Barbalha – Mousinho Cardoso. Aurora – Família dos Paulinos. Juazeiro – Padre Cícero e Floro Bartolomeu. Bravo – José Ignácio. Lavras da Mangabeira – Raimundo Cardoso. Jardim – Coronel Dudé. Brejo Santo - Antonio Teixeira Leite (Antonio da Piçarra).

De Sergipe:

Francisco Porfírio de Brito, João Ribeiro, Antonio de Carvalho (Antonio Caixeiro) e Eronildes de Carvalho.

Da Bahia:

Glória – Petronilo de Alcântara Reis (Coronel Petros). Jeremoabo – Saturnino Nilo.

Do Rio Grande do Norte:

Mossoró - Coronel Antonio Gurgel e Rodolfo Fernandes.

CANGACEIROS – Os cangaceiros viveram no nordeste por aproximadamente setenta anos. De 1870 até 1940, com seus ícones: José Gomes (Cabeleira), Lucas Evangelista (Lucas da Feira), Jesuíno Alves de Melo Calado (Jesuíno Brilhante), Adolfo Meia Noite, Manoel Batista de Moraes (Antonio Silvino), Sebastião Pereira da Silva (Sinhô Pereira), Virgolino Ferreira da Silva (Lampião) e Cristino Gomes da Silva Cleto (Corisco). Viviam em grupos, saqueando cidades, vilas e fazendas, enfrentando o poderio dos coronéis e fazendeiros, desafiando a polícia e todo aparato do Estado. A palavra vem de canga, peça de madeira que prende os bois ao carro. Os cangaceiros carregavam a arma sobre os ombros, lembrando uma canga. Quem se sentisse injustiçado, sempre procurava um meio de torna-se um cangaceiro. No cangaço o ganho era bastante superior ao de qualquer outra profissão estabelecida. Além do dinheiro e jóias, frutos dos saques, tinham fama, liberdade e respeito da população, admiração das mulheres, simpatia das pessoas e rompimento com a submissão dos donos do poder. No cangaço havia respostas urgentes para as necessidades materiais dos mais pobres.



Alguns tipos de cangaceiros:

O meio de vida: Que agiam por profissão.

O Vingança: Por ética.

O Refúgio: Por defesa.

O fim do cangaço é dado com a morte de Corisco, em 1940.

Os mais destacados chefes de cangaceiros do tempo de Lampião que agiram com ele em diversos momentos, foram: Virginio (Moderno), Sabino Gomes, Luiz Pedro, Antonio de Ingrácia, Cirilo de Ingrácia, Sinhô Pereira, Antonio Rosa, Cassemiro Honório, Antonio Matilde, Azulão, Gato (de Inacinha), Zé Sereno (José Ribeiro), Pancada, Chico Pereira, Curisco, Zé Baiano, Labareda (Ângelo Roque), Massilon Leite, Sabino das Abóboras, Jararaca (José Leite), Antonio Rosa, Balão, Meia Noite, Tubiba, Bom Deveras e Baliza.


Fonte da pesquisa: Lampião Seu Tempo e Seu Reinado de Frederico Bezerra Maciel; Lampião O Rei dos Cangaceiros de Billy Jaynes Chandler; Cangaço A Força do Coronel de Júlio Chiavenato; Lampião em Sergipe de Alcino Costa; No tempo de Lampião de Leonardo Mota; Lampião Cangaço e Nordeste de Aglae Lima de Oliveira; Lampião na Bahia de Oleone Coelho Fontes; O Fragello de "Lampeão" de Pedro Vergne de Abreu