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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

UMA MORTE POLÊMICA

Por William Robson - editor geral

Na cidade que resistiu ao bando de Lampião (Mossoró), parece que tudo que se refere ao cangaço nos é interessante. A reportagem mostra a coleção de cabeças dos integrantes do grupo, que ficou exposta como uma forma de provar que eles realmente estavam mortos. A história oficial da conta que Lampião morreu em confronto na mata e que os policiais acharam melhor decapitar todos os cangaceiros mortos para mostrar ao povo que realmente eles foram derrotados. Mas, a mostra terminou durante muito tempo, numa exposição macabra - um misto de curiosidade mórbida com sensação de paz.

www.wandilsonramalho.com.br - jornalista Izaíra Thalita

A jornalista Izaíra Thalita sempre vem estudando este tema, há, aproximadamente meses. E conseguiu reunir importantes informações a partir do apoio de integrantes da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC) - entidade considerada a mais gabaritada quando o assunto é pesquisa acerca deste movimento.O

O fascinante deste assunto que o tema não mais se se restringe à ação de Lampião ou mesmo de resistência de mossoroense, ja dito e redito por muitos. A polêmica em torno da morte de Lampião permanece até hoje. Alguns pesquisadores contestam a ideia de que Lampião foi derrotado em confronto, diante de toda a sua perspicácia e visão estratégica na arte de guerra. Há um elemento que teria sido o responsável pelo fim do rei do cangaço, uma espécie de Judas em meio aos seguidores de Lampião. Este teria entregue o cangaceiro em troca de trinta dinheiro.

Um abraço,
William Robson - Editor-geral

Fonte: Jornal De Fato
Edição: 315
Ano: 2008
Data: 27 de Julho de 2008
Digitado e ilustrado por José Mendes Pereira

Este jornal foi a mim presenteado pelo pesquisador do cangaço e sócio da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço Francisco das Nascimento (Chagas Nascimento). 

Nota: Desculpem-me alguma falha na digitação, sou um pouco cego. Se faltar alguma letrinha na palavra, mas você entenderá o significado.

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NOTÍCIAS SOBRE O VELHO GUERREIRO LAMPIÃO


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IMAGENS DE CABEÇAS - ESTÁCIO DE LIMA

Fotografias do acervo Estácio de Lima - Acervo Rubens Antonio

Virgulino Ferreira da Silva - Lampeão


.Maria Gomes de Oliveira - Maria Bonita

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HISTORIADOR JOÃO DE SOUSA LIMA É HOMENAGEADO PELO EXÉRCITO BRASILEIRO


Nessa sexta feira, dia 07 de outubro de 2016, o Historiador João de Sousa Lima será homenageado pelo Exército Brasileiro, recebendo Diploma da 6ª Região Militar.


A condecoração será entregue na 1ª Cia. de Infantaria pelo General Juarez Alves Pereira Júnior, comandante da 6ª Região Militar, sexta feira, as 7:30 hs, na 1ª Cia de infantaria.

A 6ª REGIÃO MILITAR:

Ela teve como embrião o Governo das Armas da Província da Bahia, criado em 1821, com sede na cidade de Salvador, nascendo sob circunstâncias e em local que a levaram a participar, efetivamente da libertação do solo pátrio do jugo português.


A consolidação do Governo das Armas da Província da Bahia confunde-se com a luta pela Independência da Bahia, que foi palco dos mais violentos combates por nossa emancipação. Merece citação o envolvimento do Brigadeiro MANUEL PEDRO DE FREITAS GUIMARÃES, considerado o número 1 da galeria de Comandantes da 6ª RM, que, como Ten Cel, a 10 de fevereiro de 1821 liderou o movimento de caráter nativista inspirado na Revolução Constitucionalista do Porto e Lisboa. Vitorioso, foi aclamado Brigadeiro e Comandante das Armas. Entretanto, quase um ano depois, em fevereiro de 1822, o governo português, desconhecendo o sentimento brasileiro, nomeia para o mesmo cargo o Brigadeiro MADEIRA DE MELO, originando a crise que teria seu epílogo em Pirajá, livrando, em definitivo, o Território Nacional da ocupação lusa.

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OLHAR SOBRE O CANGAÇO

 Por:Guerhansberger Tayllor

Gostaria de esclarecer para o amigo leitor, que não tenho a pretensão de buscar a “origem” do cangaço, pois estaria caindo no que o célebre fundador da escola dos Annales, Marc Bloch, chamou de o “ídolo das origens” . Nesse primeiro momento do capítulo, através da historiografia do tema, objetivo compreender como o cangaço emergiu como campo de estudos. E como essas escritas teceram memórias sobre o cangaço e seus agentes históricos. Para isso, reflito a partir dos livros: O Cabeleira (1876), de Franklin Távora; Heróis e bandidos: os cangaceiros do Nordeste (1917), de Gustavo Barroso; Lampeão: sua história (1926), de Érico de Almeida; e Lampião (1933), de Ranulfo Prata .  

Escolhi abordar esses livros porque os dois primeiros foram pioneiros no estudo sobre o cangaço, proporcionando-nos notar como esse fenômeno passou a ser concebido no momento em que estava emergindo como campo de estudos. Já os dois últimos, criam inscrições negativadas para os corpos de Lampião e para o cangaço. A partir deles, tento pegar o fio condutor para compreender como vai ser produzida uma “memória maldita” para o cangaceiro aqui estudado. 

Em 1876, João Franklin da Silveira Távora, em um esforço de explicar o nacional pelo regional, publicou O Cabeleira. Considerado o primeiro romance histórico do cangaço, resultou da necessidade que o autor teve em apresentar o valor literário e a riqueza histórica e cultural da então região Norte. Cearense, nascido no dia 13 de janeiro de 1842, mudou-se dois anos depois para o Recife, onde residiu até 1874. Inserido em um contexto histórico de decadência econômica das elites da região Norte, que perdiam espaço no cenário nacional para a economia cafeicultora e a cultura sulista em ascensão, as províncias do Norte foram colocadas em segundo plano .



Diante desse panorama, Távora propôs uma forma literária que prezasse pelo que acreditava ser a reprodução fiel do cenário regional, apontando para a divulgação dos costumes, problemas e culturas nortista que perdiam espaço para os valores sulistas. Destacando a especificidade e a busca da autonomia literária do Norte em relação ao Sul, no prefácio do livro O Cabeleira, Távora afirma: Proclamo uma verdade irrecusável. Norte e Sul são irmãos, mas são dois. Cada um há de ter uma literatura sua, porque o gênio de um não se confunde com o do outro. Cada um tem suas aspirações, seus interesses, e há de ter, se já não tem, sua política (TÁVORA, 2010. p. 14-15).  

Na busca pela divulgação das histórias do Norte, Távora narrou o passado da então província de Pernambuco por meio das façanhas do jovem aventureiro José Gomes, o Cabeleira . Afamado bandoleiro e tendo seus feitos cantados por trovadores sertanejos anônimos, foi tomado como objeto inicial de representação da literatura do Norte, através da escolha de Távora. Segundo Dutra (2013), é notório perceber que o autor buscou nos ícones populares inspiração para personagens que geravam admiração devido à ambiguidade de suas histórias, possibilitando criar indivíduos que passariam a representar à região. Portanto, o cangaceirismo aparece pela primeira vez na literatura como elemento simbolizador da região Norte. 


Wescley Rodrigues, Reclus de Pla, Guerhansberger Tayllor e Iris Mendes em 
dia de Cariri Cangaço

De acordo com Araújo e Ferreira (1999), José Gomes nasceu no ano de 1751, em Glória do Goitá, Pernambuco, era filho de Joaquim Gomes e Joana. Teve sua infância e adolescência (de)formada pelos conflitos entre a educação materna e a paterna. Enquanto sua mãe tentava lhe catequizar com os ensinamentos religiosos e “humanistas”, seu pai o induzia a praticar crimes contra animais e depois contra humanos. Com isso, o Cabeleira oscilava entre esses dois polos, mas Joaquim Gomes arrastou o seu filho para o banditismo, transformando-o em um fora da lei sanguinário. Távora retratou o cangaço como sendo o lugar do terrível, do não humano, o polo oposto do bem. Segundo ele: “O cangaço é voz sertaneja. Quer dizer o complexo das armas que costuma trazer os malfeitores” (TÁVORA, 2010. p. 140).  

Para despertar o seu lado “humano”, o Cabeleira precisaria buscar romper com o cangaceiro que foi produzido pelos ensinamentos do pai. Não era possível expressar seu sentimento amoroso por Luisinha (o amor da sua vida) sem abandonar a “última arma do terrível cangaço de outrora” (TÁVORA, 2010. p. 130). Um personagem ambíguo, lutando entre o bem e o mal, foi assim que Távora apresentou o cangaceiro do Norte. As histórias e memórias dos “bandidos heróis” também foram objetos de estudo do intelectual memorialista cearense Gustavo Barroso. Em 1917, foi publicada a primeira edição do livro Heróis e bandidos: os cangaceiros do Nordeste.

Trabalho que se tornou uma espécie de paradigma explicativo para os estudos do cangaço, tendo em vista que diversos pesquisadores tomaram Barroso como ponto de apoio para reflexões posteriores sobre o banditismo. Por conseguinte, podemos dizer que Barroso se notabilizou como um tipo autor que Foucault denominou de: “fundador de discursividade”. Ou seja, o autor que possibilita a formação de outros textos a partir dos seus escritos. De acordo com Ferreras (2003), o principal aspecto do livro escrito pelo memorialista cearense é a função estabelecida pelo meio ambiente, sendo decisivo para a compreensão e explicação da forma cultural dos habitantes do sertão nordestino. 

Gustavo Barroso

A geografia exerceria uma influência ímpar para se perceber as formas em que a sociedade se desenvolve e transforma seus indivíduos. Portanto, a condição humana passaria a ser  definida pelo meio ambiente que, por sua vez, condiciona os seus comportamentos. O cangaceirismo se constituiria como o fruto do seu meio social, como afirma Barroso:  
O clima sertanejo tem a máxima culpa na produção da cangaceiragem [...] foi a alma do sertão que moldou e fundiu a do cangaceiro. 

A fim de viver nessa região agreste, batida pelo sol, é demasiadamente sóbrio. O eterno combate contra o meio inóspito desenvolve-lhe a coragem e a resistência. A ameaça continua de perceber dá-lhe o fatalismo e estóica resignação para todos os males (BARROSO, 2012. p. 23-24). O determinismo geográfico é lançado por Barroso como uma forma explicativa para a análise das causas e motivações do cangaceirismo no Nordeste brasileiro. Modelo que influenciará os trabalhos da temática de forma maciça, a partir da década de 1960, quando o interesse pelo estudo do cangaço adentou nas Universidades e recebeu forte influência do marxismo.  

A justificativa pelo meio social também será um dos pilares de sustentação no processo de construção do mito em torno do cangaceiro. Ao recorrer à historiografia do tema, é comum percebermos a repetição do discurso de vitimização pelas circunstâncias vivenciadas pelos indivíduos que passaram a usar o cangaço como forma de vida. O caso mais conhecido é o de Lampião, que justificou sua entrada no cangaço para matar Zé Saturnino e José Lucena: o primeiro, acusado de ser o causador das intrigas familiares com os Ferreiras; e o segundo, de ter matado seu genitor. Para Barros (2007), esse é o início do processo de mitologização da história dos Ferreira e de Lampião. 


Mas não apenas Lampião, outros cangaceiros, juntamente com seus familiares, lançaram mão desse discurso da justificativa pelas circunstâncias do meio na tentativa de defesa ou de superação da memória negativa construída sobre os integrantes do cangaço, como é o caso do personagem estudado neste trabalho, Francisco Pereira Dantas (Chico Pereira). Voltando para Barroso, Heróis e bandidos não deixa de ser um livro que tece admiração pelos cangaceiros. Contudo, também de confronto com essa situação (atraso, desmoralização e incivilização das terras nordestinas). Dessa forma, Barroso construiu distintos arquétipos de bandidos, diferenciando as diversas possibilidades e ambiguidades do cangaço. Assim, podemos perceber bandidos com características particulares como psicóticos, nobres, selvagens, etc. 

É notório que o autor defende alguns e condena outros, justificando o título do livro: Heróis e bandidos (FERRERAS, 2003. p. 173). O cangaço que emergiu como um campo de contradições no “bandido herói” de Távora, e nos “Heróis e bandidos” de Barroso, foi reconstruído, pelas duas primeiras biografias de Lampião, como um espaço do infame, dos corpos e “memórias malditas”. A estigmatização e decodificação do corpo bandido de Lampião fomentou a construção de uma memória negativa em torno de outros cangaceiros em atuação na época, tendo em vista que Lampião passou a ser a figura que sintetizou o cangaço e todas as ações desse fenômeno.  

Segundo Dutra (2013), Virgulino é a figura que levou os indivíduos a fazerem uma relação automática com o cangaço. Portanto, falar de Lampião é falar ao mesmo tempo do cangaço. Embora reconheça a especificidade e complexidade de cada caso (cangaceiro), não resta dúvida que Lampião passou a representar o cangaceiro do Nordeste Brasileiro, a ponto dos escritos sobre seu corpo se estenderem para definir a conduta e as ações dos demais. Na medida em que as notícias jornalísticas abordaram com maior ênfase as práticas cangaceiras como vergonha nacional e a incapacidade dos governantes de estancarem tais condutas, os “donos do poder” começaram a produzir uma “memória maldita” sobre os cangaceiros, lançando mão de práticas discursivas em torno do combate ao banditismo, como meio para angariar recursos do governo federal. 


O livro de Érico de Almeida, Lampeão: sua história foi um marco dessa produção maldita. No ano de 1926, a Imprensa Oficial do Estado da Paraíba publicou a primeira biografia de Lampião, escrita pelo jornalista Érico de Almeida. Segundo Cardoso (1996), o texto foi encomendado pelo então Presidente João Suassuna e auspiciada pelo Deputado José Pereira Lima (Zé Pereira, de Princesa Isabel). Essa escrita tinha como objetivo denegrir a imagem de Lampião e exaltar o combate ao cangaceirismo pelo Estado, comandado por seus representantes: João Suassuna, no litoral; e José Pereira Lima, no sertão.

O livro de Érico de Almeida apresentou um claro projeto de memória: construir uma identidade de combate ao cangaceirismo pelo Estado da Paraíba, ressaltando os esforços de João Suassuna, a quem o autor tratou de “o anjo do bem”. Para esse fim, reservou o primeiro capítulo do livro, chamado: O bandidismo e a ação do presidente João Suassuna. Como toda memória é seletiva, permeada pela dialética da lembrança e do esquecimento, o escritor buscou lembrar que o Estado da Paraíba não media esforços para combater o cangaceirismo. Ao mesmo tempo, iniciou uma luta para que as acusações feitas a João Suassuna e José Pereira Lima, de serem protetores de cangaceiros, caíssem no esquecimento.  

O Governo de João Suassuna (1924-1928) vinha recebendo fortes críticas administrativas pela inércia no combate aos grupos de cangaceiros que atuavam no Estado, como também de possíveis relações de proteções aos mesmos. Acusações que se acentuaram depois que a cidade paraibana de Sousa foi invadida pelos cangaceiros, no dia 27 de julho de 1924. O acontecimento recebeu notável destaque pelos jornais de vários estados do Nordeste e do país. Nessa circunstância, o Governo do estado precisava dar uma resposta às críticas e recuperar a imagem que estava em estágio acelerado de difamação. 


João Suassuna ao centro

Uma das primeiras medidas tomada por João Suassuna foi providenciar a elaboração de uma memória escrita sobre as suas ações frente ao cangaceirismo, buscando maquiar as relações coronelísticas que permeavam seu governo, em que era frequente o uso dos serviços de homens armados para garantir o seu poder e de seus correligionários, atacando grupos rivais no cenário político. Desta forma, a primeira biografia de Lampião pode também ser considerada uma estratégia do Presidente da Paraíba, na construção de uma memória governamental de combate ao cangaceirismo e, ao mesmo tempo, uma contra-memória a esse fenômeno e sua relação com o Estado e seus principais representantes. 

Portanto, Érico de Almeida não poupou palavras apologéticas para definir João Suassuna e seus serviços prestados contra o bandidismo. Foi assim que o autor começou o seu texto: "Publicando estas notas de reportagem, acerca do super-bandido Lampeão, não posso eximir-me ao dever de traçar algumas linha a propósito da extraordinária actuação do sr. dr. João Suassuna, honrado presidente do Estado, na grande campanha contra o banditismo. S. exc., mau grado a insuperável crise financeira que nos asphyxia, não tem recuado perante sacrifícios de qualquer especie, para jugular a terrivel praga que devasta e extermina as nossas fontes vitaes no alto sertão"(ALMEIDA, 2013. p. 7). 

Diante de uma linguagem afetiva e extremista a respeito do presidente João Suassuna, a autoria do livro foi colocada em questão ao longo dos anos. De acordo com Cardoso (1996), já em fins da década de vinte, chegava a Paraíba o poeta e escritor Mário de Andrade, em “missão cultural” para estudar as manifestações da chamada cultura popular. Ao ler a primeira biografia de Lampião chegou à conclusão que Érico de Almeida era o pseudônimo de João Suassuna. Essa hipótese é fortemente defendida e aceita por muitos pesquisadores da temática. Mas o que interessa aqui é que o livro construiu uma memória gerenciada pelo Governo de uma implacável perseguição ao cangaceirismo na Paraíba. Tese que muitos escritores reproduzem até hoje, sem levar em consideração os interesses e o lugar de produção dessa memória oficial. 

Com relação a Lampião e ao cangaço, o livro criou uma espécie de “gramática maldita”, adjetivando esses corpos como o lugar do infame, do sanguinário, do nefasto e de uma terrível praga que assolava o Nordeste. Homens de vidas infames desacreditados pela lei, com má fama, cujos corpos precisavam ser disciplinados pelo poder controlador do Estado. Foi trilhando essa mesma perspectiva e produção memorialista que a segunda biografia de Lampião veio reforçar a construção de um espaço negativado para o cangaço e seus personagens. 

Continua...


Guerhansberger Tayllor
Pesquisador de Lastro, PB
Parte de Monografia:

"Nas Redes das Memórias:As múltiplas faces do Cangaceiro Chico Pereira"

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A CIDADE É UMA CASA, PRECISA SER CUIDADA, AMADA...

*Rangel Alves da Costa

Aos filhos que nela nasceram e para todos aqueles que a ela escolheram como lar, minha sertaneja Poço Redondo e todas as demais cidades são como uma casa que precisa ser cuidada, amada, adorada.

E quem gosta de uma casa esquecida, abandonada, suja, feia, relegada ao descaso? Quem gosta de sentar em tamborete seboso, beber água em caneca suja, ter diante de si a mais péssima acolhida?

Por analogia do descalabro, Poço Redondo, infelizmente, é hoje casa que não pode receber absolutamente ninguém. O tamborete está seboso, a caneca está suja, não oferece nenhuma acolhida. E desejaria que pudesse ao menos dizer que resta alguma coisa a oferecer.

Falando mais de perto da sede municipal, desde a entrada à saída sequer uma placa existe dizendo que a pessoa chegou ou saiu de Poço Redondo. Uma casa que não dá boas-vindas a ninguém é casa que não merece nem deseja ser visitada.

Amo Poço Redondo como amo minha casa. Gosto de Poço Redondo como gosto da sala e da varanda. Quero o melhor para Poço Redondo como desejo o melhor antes e depois da porta. E por isso sofro em ter a minha e a casa de todos assim tão abandonada.

Ante o nada faz, perante o negligenciamento absoluto, pedir uma praça bonita que enfeite a casa parece até coisa do outro mundo. E também nem pensar em querer ou pedir absolutamente nada. Infelizmente, se administra para nada fazer. Ou fazer o que não deveria.

Creio não ser tão difícil assim administrar. Não precisa que a casa seja rica para ser bem cuidada. Casebres existem onde o asseio é tão grande que nada brilha mais que a panela de estanho ou nada é mais limpo que o piso de chão batido.

Por outro lado, não há mansão que fique asseada e acolhedora quando o seu dono é negligente por natureza. Assim também com a casa/cidade. Mas não há mesmo jeito a dar quando, pelo abandono, a casa inteira vai parecendo uma lixeira desde a porta de entrada.


E por que amo minha cidade a ela desejo o melhor. Quem dera eu ter as chaves da porta, ter uma vassoura à mão, ter um espanador, ter uma bucha de esfregar, ter um balde, ter muito a fazer. Quem dera depois eu poder abrir a porta e dizer que pode entrar sem espanto.

Sim, minha casa é Poço Redondo, e por isso mesmo que a quero assim bela, bonita, atraente, convidativa e que proporcione autoestima e prazer não só a mim como ao conterrâneo e a todo aquele que nela morar ou chegar.

Sim, meu lar é Poço Redondo, e por isso mesmo desejo que todo visitante possa encontrar aconchego e tenha vontade de retornar. Quero que fale coisas boas sobre o meu jardim, quero que aprecie a minha roseira, quero que diga que há um bom jardineiro.

Então, senhor prefeito eleito, faça de Poço Redondo uma casa. Não uma casa sua, mas um lar de todos. Não uma casa sua de brilhos e riquezas, mas um lar cuja beleza maior deverá ser a satisfação em todos ao dizer: Veja como é bela minha casa!

Então, senhor prefeito eleito, chame para si o desejo de realmente trabalhar, de ter à mão a vassoura e tudo o mais que necessite para uma verdadeira transformação. Se a maioria confiou-lhe as chaves da porta, então corresponda transformando a imundície num lar prazeroso a todos.

Senhor prefeito, fui seu adversário político. E novamente serei em nome de um melhor candidato, que seja parente ou não. Mas não sou cego, senhor prefeito. Não sou mesquinho, senhor prefeito. Não sou egoísta, senhor prefeito. Sou filho de Poço Redondo!

Nada, absolutamente nada, quero além que não seja o melhor para Poço Redondo. Fui seu adversário mas serei o primeiro a agradecer toda vez que eu olhar no olhar de minha cidade e senti-la feliz, toda vez que eu caminhar pelo meu município e senti-lo contente.

Então, cuide bem dessa casa, senhor prefeito eleito. Dentro dela há um povo que merece respeito e felicidade.
                                                                                                   
Escritor
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Pesquisador do Cangaço e Ferrovia

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O CANTOR JOÃO MOSSORÓ

Por Kydelmir Dantas

João Batista Almeida Lopes – nascido a 15 de janeiro de 1947, filho de Messias Lopes de Macedo e Joana Almeida Lopes. No início do Trio Mossoró, o zabumbeiro era conhecido por CIBITO, apelido colocado por Luiz Gonzaga.

Observe o nome CIBITO DA ZABUMBA

Devido o que fazia no palco, xaxando e pulando, o Canhoto, que era o grande nome do regional, colocou-lhe o apelido de “espalha brasas”. Mas o João, na intimidade do grupo e como compositor era conhecido por ALMEIDA LOPES.

https://www.youtube.com/watch?v=zyN0RDJCrNg

Quando o rei do Baião, uma das maiores atrações da Mayrink, precisou de acompanhamentos devido, a problema com seus músicos, pediu João e Hermelinda emprestados a Oséas Lopes. Na época ainda meninos(a) com pouco mais de 15 anos, eles assumiram a precursão do cantor Nordestino mais importante do país.


João tocou com Luiz Gonzaga mais de dois anos e ainda chegou a pintar em seu zabumba o apelido  (CIBITO). O disco “Quem foi vaqueiro” tem a imagem do zabumba com o desenho da cara de João sob o apelido grafado em vermelho. Gravou dos CDs em homenagem ao Rei do Baião.

https://www.youtube.com/watch?v=jY-i9bFRhW4

Lançou, recentemente o CD “Conexão Nordeste” que contém 14 composições dos nordestinos que contribuíram para a música local. Além da poesia “Nordestinação”, de Daudeth Bandeira, a música em ritmo de forró fala de todos os Estados nordestinos e de sua cultura.

Kydelmir Dantas é da cidade de Nova Floresta no Estado da Paraíba; poeta, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano.

Fonte: “Luiz Gonzaga e o Rio Grande do Norte”
Autor: Kydelmir Dantas
Ano de Publicação: 2012
Páginas: 175 e 176

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A MORTE DE ANTÔNIO CANELA

Por Alcino Alves Costa

Certa vez, por e-mail, Alcino Alves Costa me disse que gostaria de ser lembrado através desta foto
José Mendes Pereira

O está alegre. A chuva tem caído com abundância. O inverno é bom e farto. Tudo é bonança e grandeza. O mimoso se espalha belamente pelas caatingas, balouçando, daqui pra ali, ao sabor gostoso do vento. O capim, a beldroega, o feijão brabo, a jitirana e a marmelada cobrem os loros das selas e as barrigas dos animais. Vaqueiros, animados e felizes, todos os dias ficam mudando a gadama, de uma fazenda pra outra, nos trabalhos de apartação.

Nas serras do Curralinho uma pequena fazenda – Camarões – está em festa. Alguns vaqueiros (Chiquinho de Aninha, Flávio, seu Alves, Libéu, Angelino, João Cirilo) ajuntam o rebanho para apartação. A ideia é levar o gado de Juvêncio Rodrigues para a Pedrata.

A cachaça rola e a chuva cai.

Lá, no início da malhada, desponta Antônio Canela. O caboclo está caçando um jumento. Soube do ajuntamento que ali estava acontecendo e com vontade de beber uma cachacinha seguiu para a fazendinha de Juvêncio.

Canela era um galho familiar da Caldeira. Nascido e criado nas Alagoas, num lugarzinho chamado Bonito. Carregava uma provação em sua vida. Um dia acompanhou alguns amigos que foram até o povoado “Entre Montes” esperar Lampião com o intuito de enfrenta-lo. O cangaceiro não apareceu mais a notícia dos preparativos para a reação contra ele se espalhou.

Tempo depois o rapaz se muda para Sergipe, indo residir no Curralinho. Jamais poderia imaginar que aquela sua aventura com as armas iria lhe trazer tão trágico dano. Mas, um mensageiro da desgraça assim não pensava, era ele “Zuza de Invenção”, cabra ruim e mal-intencionado que, levado pela maldade e vontade de agradar os bandidos, conta a história de Canela a eles.

O moço não sabia que estava na mira dos bandoleiros. Sem nenhum temor caminha por todos os arredores, mesmo sabendo que aquelas redondezas estão infestadas de cangaceiros.

Na fazenda do ajuntamento os vaqueiros aboiam e bebem. A chuva não para e cai com vontade. Grossas bátegas se esparramam pelo barro vermelho daquelas serras. Os grotões e riachos estão empanzinados e roncando. O sertão mais parece um paraíso.

Antônio Canela se demora. Gosta da farra e da cachaça. A chuva é forte e demorada. O melhor é esperar e beber.

A chuva diminuiu e foi embora. João Cirilo abre uma das janelas. Surpreso exclama:

 - Ói Cuma vem genti ali, e só podi ser cangaceiro.

A malhada está coalhada de cangaceiro. O grupo é chefiado por Mané Moreno. Todos estão com as roupas encharcadas. Chegam ao telheiro. Os presentes são saudados com um aperto de mão. Quando chega a vez do rapaz de Alagoas, Mané Moreno é que pega na sua mão e para espanto de todos diz:

O cangaceiro Mané Moreno

- Você tá preso!

A afronta a Lampião iria ser vingada.

Angelino e João Cirilo tentam pedir pelo condenado. A sentença já estava consumada.

Mané Moreno encerra a conversa dizendo:

- Não adianta pidido ninhum pra este cabra Ele vai morrer pruque merece.

Canela era um homem destemido. Mesmo não desconhecendo o seu fim tem forças para perguntar:

- E o qui foi qui eu fiz?

Pancada é quem responde:

- Se esqueceu qui andava armado pra atirá im Lampião?

- Foi mesmo. Só tivi pena porque ele num apareceu.

Alecrim cabra perverso, arranca um canivete e com desmedida fúria enfia a arma várias vezes no corpo do prisioneiro. Um outro bandido – Cravo Roxo -  não deixa por menos, com o coice de seu mosquetão bate com furor desmedido no rosto de Canela. A cabroeira está irritada com a ousadia do rapaz.

Os cangaceiros Áurea,  (errado Gorgulho) é Cravo Roxo e Mané Moreno

O cangaceiro era a personificação da desgraça e da morte. A fazendinha e os vaqueiros agora estavam envoltos num manto de tristeza e dor. Acabara-se a festa e a alegria. Agora tudo havia se transformado em horror e agonia. O povo sertanejo não pode ser feliz enquanto aqueles malsinados bandoleiros dominarem o seu sertão. Impossível se ter paz e sossego naquele mundo dominado pelo cangaceiro e pelas volantes.

Antônio Canela estava sendo supliciado. Amarram-no na garupa do animal e alecrim e viajam. Canela pergunta a Áurea, companheira de Mané Moreno e filha de Antonio Nicácio, se os cangaceiros vão mata-lo. A bandida acena com a cabeça que sim. Desesperado, ao receber a confirmação de seu fim, o rapaz, num ato extremado, tenta escapulir. Consegue pular do animal e corre loucamente serra abaixo. É perseguido pelo bando e rapidamente alcançado.

Mané Moreno está possesso. Obriga o infeliz abria a boca e comprovando o monstro que era puxa sua arma e atira. Canela teve tempo apenas de virar sua cabeça para um lado e, então, em vez de atirar na boca, atirou no ouvido do moço.

Canela não caiu e recebe o segundo tiro. Este no rosto. Desaba por cima das macambiras. É ainda sangrado por Pancada.  Acontece, então, a grande prova do negrume daqueles seres que não eram humanos e sim verdadeiros monstros. O cangaceiro Cravo Roxo se acerca da cor inerte de Canela, fica ao seu lado acocorado e como se fosse um monstro, e mostro ele era – bebe o sangue que borbulha da veia do pescoço do infeliz que está estirado no chão duro daquelas serras.

Do telheiro da fazenda, Juvêncio, seu Alves João Cirilo, Angelino Libéu e Chiquinho de Aninha abobalhados, observam a triste e aterradora cena. Lá embaixo, na serra, mais um sertanejo acaba de ser ceifado deste mundo por força do flagelo que há tantos anos vem assolando aquela região antes tão pacata e feliz.

Desolados e temerosos os vaqueiros soltam o gado e retornam para Curralinho.

Fonte: “livro Lampião Além da Versão Mentiras e Mistérios de Angico”
Autor: Alcino Alves Costa
Páginas: 195, 196 e 197.
Edição 2ª. Edição
Ano: 2011

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

INFORMAÇÃO!


A INTERNET HAVIA NOS ABANDONADO, QUE COISA HEIN! (MALVADA). 
Só agora é que ela aparece, desconfiada!
Agora sim, estamos no ar!

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