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sexta-feira, 5 de junho de 2020

PACIÊNCIA!


Por Francisco de Paula Melo Aguiar

A humanidade com paciência ou não sabe que há uma estação
para tudo na vida: nascer, viver, morrer...é impossível fazê-la
diferente.

Quando eu era pequeno ouvia meus pais dizerem que estavam
trabalhando para no futuro garantir os meios necessários para educar os filhos
para terem dias melhores do que eles.
O tempo foi passando, todos foram alfabetizados e a maioria deles
chegara a ingressar e a concluírem cursos de graduação e de pós-graduação:
especialização, mestrado e doutorado.
Foi uma grande aventura, perseverança e paciência por parte de
meus pais. Eles viviam sonhando acordados com o futuro dos filhos. O tudo e o
todo para eles eram os filhos e nada mais interessava. Para ambos os dois, em
primeiro lugar a família deles.
Lá em casa tinha hora para tudo, acordar, tomar banho, ir para a
escola, brincar, chegar da escola, almoçar, fazer os deveres de casa e prestar
contas das lições e deveres dados na escola à mamãe.
E assim se passaram os meus verdes anos e de meus manos, e até
porque ainda criança procurei brincar de professor fundando anexo à casa de
meus pais, uma escola de alfabetização em 1964 que com o decorrer do
tempo, ela ganhou adeptos e adversários também. Com paciência, o tempo
passou, o menino concluiu a Educação Básica e fez universidade, assim como
seus irmãos.
Ninguém nasce doutor.
Paciência, vá estudar.
Com paciência, nunca pensei em fracasso, porque a pessoa que
pensa em fracasso, através de pensamentos moribundos, negativos de que
tudo antecipadamente vai dar errado. Nunca vai calcar os graus visionários
futuros, diante do fato de ter a mente ocupada com projeto de vida fracassada.
Para muitos isso é um ponto de macumba que lhe fizeram, quando na
realidade o fracasso não é nada disso, é sim, a falta de confiança própria

naquilo que pretende conquistar e nada se conquista sem perseverança,
confiança, esperança, paciência e planejamento estrutural em terra firme, não
existe sabido sem estudo, intelectualmente falando.
Quem não quer frequentar uma boa escola, da Educação Básica e
bem assim a universidade? e fazer um curso universitário de proa e de grande
aceitação no mundo dos negócios liberais e ou empresariais? Isso é fato,
porque toda profissão leva necessariamente ao mundo dos negócios. Assim se
faz um curso que não tem utilidade alguma, o fracasso tem inicio, antes,
durante e depois de terminar o curso sem utilidade, porque em sendo assim,
nunca terá um bom emprego e muito menos um bom salário. Confiar em si é
melhor do que confiar no outro. Se conselho fosse bom não se dava, se vendia.
Vai ser sempre assalariado e ou desempregado durante o período fértil laboral.
O sucesso não é um presente é a recompensa da soma de tudo que foi feito
durante o período anterior ao ingresso na vida do trabalho para se conquistar a
independência pessoal em sentido amplo.
A paciência é semelhante à sabedoria de que o ser humano deve ter
quando planta uma semente e espera ela nascer, crescer e dar frutos. Sem
isso, o fracasso é a sentença existencial decretada antecipadamente na mente
humana. A semente precisa ser plantada, apodrecida naturalmente para puder
germinar, crescer e dar frutos. Tudo em cada estação temporal e sequencial.
Meus pais foram meus grandes professores e educadores da vida,
eles sempre me diziam que cada ser humano, depois de completar trinta anos,
começavam a adivinhar... ai eu perguntava: adivinhar o que? Ai eles caiam na
gargalhada... e me diziam: meu filho, quem não conseguiu fazer poucas coisas
até completar trinta anos, depois disso, fica difícil projetar e fazer muitas coisas,
tais como, realizar grandes sonhos, tendo em vista o fracasso de ter deixado o
tempo anterior aos trinta anos de plantar as sementes necessárias para
garantir as colheitas futuras para se chegar aos quarenta... cinquenta...
sessenta... anos de idade, de glória e vigor material e espiritual, porque depois
disso, o cabo das tormentas existencial, que não é o Cabo das Tormentas
[localizado ao sul da cidade do Cabo e a oeste da baía Falsa, na Província do
Cabo Ocidental, na África do Sul, descoberto e designado cabo das Tormentas,
quando foi dobrado pela primeira vez em 1488, pelo navegador português

Bartolomeu Dias], já não terá o mesmo vigor físico e mental para muitos a partir
daí...
Isso envolve paciência e paciência envolve tempo.
Assim sendo, cada pessoa começa a confiar e ou desconfiar de si
mesma, ao olhar para trás e ver suas realizações e ou ver seus fracassos,
onde nada e ou quase nada dar certo e ou deu certo. Onde está o erro?
Todo ser humano ou não tem vivido e sobrevivido pandemias, as
mais diversas possíveis. Como doenças letais silenciosas, virais ou não ao
longo de sua existência. Então o mesmo vai acontecer com a passagem do
surto viral denominado Covid-19, mesmo sem que se saber como combater o
inimigo invisível, porém, presente pela contaminação aos olhos da
humanidade. Tudo isso porque a humanidade não pode plantar uma semente e
esperar "in loco" que ela floresça no dia seguinte, assim são os ciclos e/ou as
estações da vida.
Quem viver, verá...
Então, diante disso todos os seres vivos, direta e indiretamente
atravessam estações as mais diversas possíveis, pedras no caminho, algo
semelhante as estações do ano: inverno, outono, primavera, verão.
Assim como na natureza a estação da primavera nos dá e ou nos
apresentam novas possibilidades, algo excitante e fresco.
Já na estação do verão acontece a realização quase que plena, haja
vista que a humanidade neste período se apresenta cheia de energia e muita
criatividade. Força!
E durante o outono vem o desencantamento da humanidade que
começa a perder o interesse pelas coisas visíveis e invisíveis.
Impaciência!...
E por fim, vem o inverno que provoca o descontentamento na
humanidade e bem assim na natureza, diante do fato que nos sentimos vazios,
onde se tem medo de ter perdido o entusiasmo pela própria vida.
Depressão!...
A humanidade da estação de Covid-19 está no inverno estacional de
todos os ciclos da vida animal, sem lenço e sem documento, quando a ciência
não tem vacina e ou remédio para evitá-la e ou curá-la. Quem tem sobrevivido
é porque tem uma boa imunidade e lutou com o vírus, se fazendo ganhar dele.

É um Deus nos acuda para ricos, pobres e sem nada pelo mundo afora. Mortes
com força em todos os continentes terrenos da contemporaneidade universal.
A pandemia de COVID-19, assim como a Gripe Espanhola [1918-
1920], que por estimativa matou 50 milhões de pessoas no mundo. Aqui no
Brasil, ela matou 30 mil pessoas e inclusive o presidente da República
Francisco de Paula Rodrigues Alves, em 1919, que havia sido eleito presidente
pela segunda vez (não consecutiva). A peste bubônica [Peste Negra] entre
1343 e 1353 em plena Idade Média, onde morreu um terço da população do
Continente Europeu da época, segundo estimativa. A varíola, originária do
vírus Orthopoxvirus variolae, transmitido de pessoa para pessoa pelas vias
respiratórias, ela apresentou surtos diversos ao longo da história. Entre 1896 e
1980, cerca de 300 (trezentos) milhões de pessoas morreram no mundo por
causa da doença. Somente em 1980, a varíola foi erradicada após uma forte
campanha de vacinação. Os sintomas eram febre, dores no corpo e erupções
diversas na pele.  O tifo matou mais três milhões de pessoas no período pós
Primeira Guerra Mundial [1918 e 1922], originária da bactéria bactéria
Rickettsia prowazekii, e cujos sintomas eram: dor de cabeça e nas articulações,
febre alta, delírios e erupções cutâneas hemorrágicas. Uma das vítimas do tifo
ainda no século XIX, foi a princesa Leopoldina, com 23 anos de idade [irmã da
princesa Isabel], em Viena na Itália, filha do Imperador Dom Pedro II do Brasil,
fato ocorrido em 25 de maio de 1871 [BARMAN, 1999, p. 236; LYRA, 1977b,
pp.172, 174; CARVALHO, 2007, pp. 144-145].
Ainda se tem o cólera que segundo a Organização Mundial de Saúde
[OMS], cerca de 28 a 142 mil pessoas ainda morrem todos os anos no mundo
por causa desta doença e que tem como origem o consumo de água e ou
alimentos contaminados, e é também conhecida como doença que afeta países
subdesenvolvidos diante da precariedade e ou falta de sistemas de
saneamentos básicos para a população de baixa renda.
Outra pandemia que a humanidade conheceu e continua conhecendo
ainda em plena século XXI é a tuberculose, para muitos conhecida como a
doença provocada pela fome, que teve como período de surto entre 1850 e
1950, portanto, 100 (cem) anos de duração. É bom lembrar de que apesar da
tuberculose ser considerada controlada e não erradicada ou acabada, ainda
afeta inúmeras regiões consideradas mais pobres do mundo, inclusive no

Brasil. A OMS acredita que mais de 1 (hum) bilhão de pessoas morreram pela
doença e é ainda a doença mais infecciosa do mundo e que mais mata na face
da terra ainda nos dias atuais. Tem como origem o Bacilo de Koch, uma
simples bactéria, e começou a ter tratamento após a descoberta da penicilina,
por Alexander Fleming [1928]. Ele afeta o sistema respiratório e tem como
 sintoma mais grave e letal a insuficiência respiratória. Pessoas infectadas
apresentam crises de tosse aguda com sangue e pus. 
O vírus HIV, a popular “aids”, que teve inicio na década de 80 do
século XX e desde lá até o presente momento já matou por estimativa cerca de
20 (vinte) milhões de pessoas por complicações da referida doença.
Recentemente o mundo acordou em pânico com a Gripe Suína
[H1N1], a popular “Influenza”, identificada preliminarmente em porcos em 2009
no México, in loco espalhou-se pelo mundo e se tem noticia que matou mais de
18 (dezoito) mil pessoas.
E mesmo assim a humanidade com paciência, ainda vive aprendendo
a lidar com tais vírus e bactérias letais, apesar dos prejuízos de toda ordem e
em todos os países por onde passaram e ainda existem.
Sem sombra de dúvidas, tais pandemias é um processo natural e que
todos os seres vivos [humanos ou não] em cada época vivenciaram assim
como os mortais atuais vivenciam a Covid-19, o medo maior acontece porque
mata, e ainda tem gente que não acredita, essa cultura faz o isolamento não
ser praticado em larga escala para evitar a disseminação viral entre a
população em geral, isso significa dizer que parte do povo não estar
acostumado em viver dissociado da natureza e por isso não se deixar perceber
o que realmente estar acontecendo em cada estação dela e por analogia a vida
racional e irracional, levando-se em consideração que o caso da covid-19 teve
origem detectada em morcegos existentes na China.
É bom que grande parte da população de cidades grandes e ou
pequenas, tente permanecer sempre na estação do verão, sem recorrer assim
a medicamentos, e sim ao isolamento domiciliar, lugar sagrado de distrações
diversificadas via a mídia e ou redes sociais que existem para todos os gostos,
e ou outros recursos que possam impedir em grande escala a volta
populacional as ruas, praças e avenidas, etc., etc., evitando assim entrar 
forçado no inverno e no outono da vida, diante da pandemia atualmente
existente e matando gente com força.
A humanidade precisa se harmonizar com as estações da natureza e
bem assim com as pandemias, porque não? Se isso não ocorrer jamais se tem
crescimento mental e paciência suficiente para enfrentar cada crise e ou
pandemia. É isso que se chama desenvolvimento pessoal da humanidade, sem
isso nada feito.
A Covid-19 não vai se acabar nunca, porque a gripe comum até hoje
nenhuma vacina e ou medicamento acaba com ela, porque é cíclica é
transmitida igualmente de ser para ser [animais em geral], diante do quadro de
imunidade de cada ser vivo, portanto, ela não será a última de todos os vírus
que terão vir depois dele, dai a necessidade do desvencilhamento grupal e
social da velha cultura e costume do convívio fora do lar, diante das prioridades
circunstanciais e preocupacionais, criadas pela humanidade que se chama
espaço para aderir ao novo, ficar em isolamento, fique em casa. O isolamento
tem sido uma questão de vida e morte para cada ser que é inevitavelmente um
portador, condutor, transporte e/ou transportador para contaminar e ser
contaminado.
O inimigo é invisível... Cuide-se!
A humanidade sabe que assim como um jardineiro os ciclos e ou
estações da natureza direta e indiretamente exige cautela, paciência.
A humanidade com paciência ou não sabe que há uma estação para
tudo na vida: nascer, viver, morrer...é impossível fazê-la diferente.
Por mais hábil que seja a humanidade, os governantes e governados,
todos estão debaixo das leis da natureza e segundo suas estações naturais e
pandêmicas, porque jamais se pode puxar as folhas de uma planta qualquer e
ou abrir as pétalas do botão como maneira de acelerar o desabrochar e ou
nascer de uma flor. Tudo precisa de paciência, de tempo.
Cuide-se! Fica em casa!
Ah! Não ficar em casa é disseminar e ser disseminado pelo vírus da
COVID-19.
A COVID-19 é invisível é não conhece razão para desistir de sua
finalidade letal e mortal em desfavor da humanidade.

REFERÊNCIAS

Barman, Roderick J. (1999). Citizen Emperor: Pedro II and the Making of Brazil,
1825–1891 (em inglês). Stanford: Stanford University Press. ISBN 0-8047-
3510-7
CARVALHO, José Murilo de (2007). D. Pedro II: ser ou não ser. São Paulo:
Companhia das Letras. ISBN 978-85-359-0969-2

LYRA, Heitor (1977b). História de Dom Pedro II (1825–1891): Fastígio
(1870–1880). 2. Belo Horizonte: Itatiaia
https://www.recantodasletras.com.br/artigos/6934386

Enviado por Francisco de paula Melo Aguiar

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CANGACEIRO MIRIM NO FARO PEDRO MOTTA POPOFF




Conheça a história de Pedro Motta Popoff o descendente de russo que é apaixonado pelo cangaço . Ator, cantor Pedro dá palestras sobre cultura popular em escolas, e entidades. Levando sua paixão nordestina para crianças e adultos.

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KYDELMIR DANTAS ESCRITOR DOA CORDÉIS PARA PEDRO POPOFF



Escritor e grande poeta de Mossoró RN, Kydelmir Dantas, grande incentivador do meu trabalho, meu mestre, fez mais uma vez doações para o Acervo da Cordelteca Gonçalo Ferreira da Silva de Bauru. Sempre nosso muito obrigado! A Cordelteca fica dentro do terreno da Elemento Natural Carla Motta.

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OS CABARÉS DE FORTALEZA: DOS PRIMEIROS AOS ÚLTIMOS


Os cabarés, pensões altas ou alegres – como eram chamados nos idos dos anos 1940 e 1950 – eram locais de diversão garantida e bastante frequentados nas noites de Fortaleza. A maioria ficava no centro da cidade, nas ruas Major Facundo, Floriano Peixoto, Barão do Rio Branco e arredores, e funcionavam em antigos casarões, nos quais as pensões ocupavam o andar superior. Esses antigos casarões eram sobrados em que durante o dia, funcionavam estabelecimentos comerciais no térreo, e à noite, o andar superior tornava-se ponto de encontro dos amantes da diversão, da boemia, da música e da companhia de belas mulheres.

Sobrado do Barão da Ibiapaba, na esquina das ruas Major Facundo e Senador Alencar, onde, nos altos, funcionou durante  muitos anos, a famosa Pensão Ubirajara.

Quando o General Cordeiro Neto foi eleito prefeito de Fortaleza (1959-1963), proibiu a venda de bebidas no centro depois da sete da noite, bem como as orquestras depois das dez. A rigorosa medida, foi respondida com o deslocamento dos cabarés para os bairros. Os que permaneceram no centro passaram a adotar a música eletrônica, as radiolas e as máquinas de ficha.

Prefeito Manuel Cordeiro Neto (1959-1963)

Surgiram assim as boates da periferia. A mais importante delas foi a Margô, casa de diversão que se instalou primeiro na chamada “mata da Aldeota”, à altura da atual Avenida Desembargador Moreira. Depois no bairro Cachoeirinha, que corresponde hoje aos bairros São Gerardo e Parquelândia. Sua casa era frequentada pelo que havia de melhor da representação da boemia da cidade (juristas, deputados, comerciantes, radialistas, jornalistas). Era um lugar distinto, onde todos se sentiam seguros e respeitados. Não havia roubo, ou violência ou palavrões.

O Cabaré da Santa (Maria Santa Pereira) ficava no Benfica, na Rua Francisco Pinto, por trás do Dispensário dos Pobres. Suas “meninas” vinham de outros Estados e eram muito disputadas porque começaram a inovar as técnicas da prostituição de Fortaleza, com práticas sexuais antes nunca vistas por estas plagas. As novidades sexuais foram duramente condenadas. Como a cidade era pequena, a sociedade terminava tomando conhecimento dos que praticavam “estranhezas” nos cabarés.

 A famosa Casa do Português também acolheu um cabaré: a Boate Portuguesa 

A Casa de Natália estava localizada na Avenida João Pessoa e o seu público era, predominantemente, homens de meia-idade. A proprietária, conhecedora das fantasias e dos fetiches, recrutava mulheres novas e as vestia como estudantes, com fardas da Escola Normal e do Colégio da Imaculada Conceição. Ensaiava gestos e modo de falar, imitando a voz infantil e as meninas usavam tranças.

Também na Avenida João Pessoa funcionou na conhecida casa do Português, a boate Portuguesa, de pouca duração. Era bem frequentada e fingia ser um ambiente familiar. Apesar de ter seu próprio elenco de mulheres, os clientes podiam chegar já acompanhados. As acompanhantes eram profissionais, as denominadas “garotas de programa”.

A Gaguinha também era famosa. A casa de Irinete Cabral ficava nas Damas ou Vila Damasco. Seu apelido vinha naturalmente da deficiência da fala. A gagueira, porém, nunca foi empecilho para o bom relacionamento com a clientela, do qual faziam parte pessoas influentes da sociedade. Era mulher de muitos amigos. Os fregueses tinham nela uma confidente, relatando seus problemas. Alguns vinham a tarde, para beber uísque e conversar.

Quando a Gaguinha começou a declinar, instalou-se a boate Oitenta. O nome se devia ao número da casa, Rua Governador Sampaio, 80. Era uma casa de certo nível, com luz negra, suítes e bom serviço de bar. As mulheres eram atraentes, bonitas e já não tinham restrições ou tabus.

Já nos finais dos anos 1960 e por toda a década de 1970 o melhor cabaré de Fortaleza era a Casa da Leila, na Maraponga. Suas mulheres eram altas, elegantes, louras naturais de olhos claros, provenientes do sul do país. Eram pessoas finas, educadas, algumas se diziam universitárias e comentavam sobre política, música popular e variedades culturais. Dentre elas havia uma mulata, belíssima, chamada Mércia, que mostrava uma carteira de estudante de Ciências Sociais da UFMG.

Até a década de 60, o lugar hoje denominado Maraponga era uma região com muitos sítios e pouca urbanização.  Da década de 1970 até o fim dos anos 1980, a Maraponga passou a ser local de casas de veraneio.

Leila fora a mulher de maior sucesso na Oitenta. Ali ganhara bons e generosos amigos, o que lhe permitira abrir sua própria casa. Casarão amplo, com alpendres, arcadas, grande salão com dois ambientes, confortáveis sofás, mulheres com roupas habillès, falando baixo, sorrindo. Educadíssimos também eram os garçons, todos de smoking, servindo as bebidas em bandejas de prata. Um primor. Leila, a madame, reproduziu a distinção de Margô, adaptando-se ao tempo, climatizando as suítes que contavam com banheiros de mármore e torneiras niqueladas, além das camas redondas, uma delas com o recurso da trepidação. O baronato de Fortaleza se orgulhava de contar com uma casa de tão alto nível e quando aqui aportavam cantores, jogadores famosos e artistas de TV, todos, invariavelmente, eram levados à Leila.

Até o dia em que começou a entrar em decadência. Envelhecida, foi abandonada pelos amantes ricos e terminou por se apaixonar por um de seus garçons. O cabaré resvalou rapidamente para o fim.

Os últimos estertores dos velhos cabarés se deram nos anos 1970, com o Senadorzão, Barba Azul e Motel 90. No centro instalou-se o Senadorzão, na Rua Senador Alencar. O proprietário era um sujeito simpático, mas cheio de autoridade, mantendo tudo sob controle.No centro, numa galeria que liga a Rua Senador Pompeu à Barão do Rio Branco, montaram uma boate da pesada, o Barba Azul. Lá dentro, luz negra, uísque falsificado e muitas brigas.

Extraído do livro

“Sábado, Estação de Viver – histórias da boemia cearense”,
do Poeta, Escritor e Historiador cearense Juarez Leitão – (Todos os Direitos Reservados).

https://tuliomonteiroblog.wordpress.com/2018/11/24/274/?fbclid=IwAR11v4OGl7lEC0R9oYH5EBmLpEJW6zddl2TZ_fGtTKUu0Dv6mAMXIXl4VO4

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NA JANELA DO TEMPO

Clerisvaldo B. Chagas, 5 de junho de 2020
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.318
FEIRA EM SANTANA, PARCIAL (FOTO B. CHAGAS).
Quem passa em Massagueira percebe uma sequência de barracas à margem da rodovia. É ali o lugar certo de agradar às crianças. Doces, sonhos, broas e muitas outras coisas à base de goma. Parece até que o lugar levou tudo isso das feiras antigas de Santana do Ipanema. Mas não, é das mulheres ancestrais lacustres conservadoras.  O povoado Pé Leve, município de Arapiraca, também é lacustre e, por coincidência, tem um local em que vária barracas e casas de alvenaria oferecem ao viajante inúmeros daqueles produtos da Massagueira e mais outros dos costumes agrestinos e sertanejos: Bolos, pé-de-moleque na palha da bananeira e tantos outros que até esquecemos os seus nomes. Em Santana do Ipanema, o tempo foi modificando a feira livre e essas coisas citadas mais quebra-queixo com amendoim ou castanha, tijolo (doce de raiz de imbuzeiro), broa e tantas outras guloseimas foram rareando e, hoje, são quase inexistentes. Esses produtos perseveraram no Pé-Leve, em toda Arapiraca e em Massagueira de Marechal Deodoro.
Também desapareceram das nossas feiras, os emboladores que animavam a multidão com seus repentes maravilhosos. Limparam o interior, sumiram... Atualmente os emboladores estão nas ruas de São Paulo, Rio de Janeiro e em outras capitais, nas ruas, mas também nos metrôs, nos ônibus e bradando alto nas redes sociais, alguns têm até canal organizado. São os    homens do pandeiro e do improviso rápido, seguidores dos mais famosos, Caju e Castanha que por sua vez vêm das tradições dos versejadores de feira. Objetos, artistas, vão desaparecendo das feiras sertanejas, sendo substituídos ou não por produtos industrializados, feirantes e nada mais. É certo que” cada coisa no seu tempo”, porém, nem todos observam as mudanças sociais em torno de si. É no dia a dia que as coisas acontecem formando novos cenários no mundo, percebidos pelos cronistas, curiosos, pesquisadores...
Você acredita que feira livre pode ser deletada no interior? O supermercado vende muitas mercadorias da feira, mas não conseguiu extirpá-la. Nem o shopping, nem os mercadinhos. As feiras não acabam enquanto houver pobreza e analfabetismo; todavia, acompanham as manobras do cameleão; bicho que muda de cor conforme o ambiente. Concorde, discorde.
Lembremos os emboladores: “Levanto cedo/boto a sela no porco/vou à feira do Caboclo/ antes do galo cantar...” (Povoado Caboclo). Resposta: “você não dá/pra dançar no gabinete/nem cabra velha dá leite/nem bode dá de mamar...
                                                                                                            

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HISTÓRIAS DE TUPARETAMA, PE

Quando o cangaceiro Zezé Patriota assombrou Assombrou Bom Jesus

Por Tárcio Oliveira

Nas primeiras décadas do século passado grupos de homens armados, justiceiros e ao mesmo tempo saqueadores amedrontavam o sertão nordestino. Eram os chamados cangaceiros sendo Lampião e seu bando o mais famoso deles. Na nossa região, sertão do Pajeú na divisa com a Paraíba tiveram atuação mais recorrente dois bandos, o do cangaceiro Antônio Silvino e o comandado por Zezé Patriota.

O grupo chefiado por Zezé Patriota teve curta duração e também ganhou fama pela perversidade que praticava. Um exemplo da crueldade com que atuava Zezé Patriota e seu bando aconteceu na zona rural de Tuparetama, na estrada entre o sítio Seixo e a Liberdade.

Para seu azar, o agricultor e pai de família Francisco Fidélis topou com Zezé Patriota e parceiros quando se dirigia para a casa onde morava, no Sítio Melancias. Francisco Fidélis foi reconhecido pelo cangaceiro, que o tinha entre os desafetos. É que anos atrás, numa festa junina, ao disparar um tiro de bacamarte durante as comemorações no terreiro em torno da fogueira (tradição muito presente nas festividades da época) um menino parente de Zezé Patriota fora atingido e falecera. A tragédia foi acidental, mas o cangaceiro jurou vingar a morte do parente. E a oportunidade surgiu naquela tarde no caminho da Liberdade.


Antes de matar o agricultor Francisco Fidélis, os cangaceiros arrancaram suas unhas e seus olhos a ponta de faca, O crime chocou e deixou assustada a população do povoado(***).

Por motivo das investidas dos bandos da cangaceiros na região, por essa época, em 1926 as senhoras Francisquinha Venâncio, Clara Véras e Ritinha Gabriel doaram à Capela do Sagrado Coração de Jesus, na Vila Bom Jesus (hoje Tuparetama) a imagem de Nossa Senhora do Desterro, como pagamento antecipado de uma promessa para ‘desterrar os revoltosos, jagunços e bandidos que revolucionavam a região’. Segundo os mais antigos¹, a comunidade considerou de muito êxito tal promessa, pois com a chegada da imagem da santa, eles se afastaram da região.

Cruz marca o local onde Zezé Patriota foi morto

De fato em 1927 foi morto o cangaceiro Zezé Patriota aos 31 anos de idade na divisa entre Pernambuco e Paraíba. O fato ocorreu em 30 de agosto, pela volante do tenente Alencar.

Há um bom tempo o tenente Alencar fazia diligências para pegar o cangaceiro e a oportunidade finalmente surgiu no dia de feira de Umburanas (hoje, Itapetim) quando encontrou os irmãos de Zezé Patriota, chamados de Caboclinho e Levino Patriota. Caboclinho conseguiu escapar do interrogatório mas Levino foi espancado e forçado a informar o paradeiro de Zezé Patriota.

Vila de Bom Jesus

O tenente seguiu com o policiamento ao encalço do cangaceiro. No caminho cercaram e trocaram tiros com parte do bando de Zezé na fazenda São Pedro indo em seguida para o Sítio Mocambo. Avisado da aproximação do tenente Alencar e sua volante, Zezé Patriota não fugiu. Havia sido baleado na perna num confronto dias antes noutra fazenda e estava com o membro granguenado.

Ao chegar no local onde estava o Zezé Patriota ferido e debilitado, o tenente Alencar certificou-se de que se tratava do cangaceiro procurado e deu ordem para os soldados atirarem. Zezé morreu no local, sem reagir. Contam que ele só foi enterrado dois dias depois, por familiares, no cemitério de Umburanas.

Com informações orais coletadas de Elias Souto (Tuparetama)
e via internet, atribuídas a Bernardo Garappa Ferreira (Itapetim).
(¹) As informações foram dadas por Eutrópia Perazo (Tofinha) e Valfredo Leite,
durante a pesquisa para o Tuparetama, Livro do Município, em 1998 e 1999



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DUAS IMAGENS PROVÁVEIS DE PAE VELHO.

Por Rubens Antonio
1925
em 1937
.
O morto com Marianno e Pavão, em 1936, seria outro Pae Velho, apelido comum à época.
.
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LIVROS SOBRE O CANGAÇO

Por Rubens Antonio

"Uma boa parcela dos frequentadores dos blogs que divulgam a História e Cultura Nordestina, especialmente do Cangaço, têm interesse em adquirir livros que tratam desse fenômeno, mas não sabem como e onde.

O meu trabalho é facilitar e contribuir para que mais pessoas possam ter acesso a essas obras.

Venho conseguindo bons resultados como o apoio vital de muitos amigos que tenho espalhados por todo o Brasil. Faço esse trabalho com muito prazer."

prof. Pereira

Contato: franpelima@bol.com.br

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DAS CORES DAS VESTES

Por Rubens Antonio

Uma questão que se elevou é em relação às cores das vestes dos cangaceiros.
Afirmou-se muito pelo kaki e muito pelo azul.
Um mergulho na documentação da época, aponta, finalmente, uma luz para o caso, sendo este o estado atual do conhecimento documental da época.
Ambas cores foram usadas, conforme as conveniências e necessidades.
Os registros da década de 1920, em fases de caatinga predominantes, seguem este padrão:



Já um registro de um momento da década de 1930, quando o grupo estava encoitado nas matas de Sergipe e Alagoas, surge este registro:


As antigas vestes dos cangaceiros, em suas fases baianas, foram guardadas pelos auxiliares do professor Estácio de Lima, quando das suas prisões, no final da década de 1930 e início de 1940.

Mais tarde, estiveram expostas no Museu Estácio de Lima, no Instituto Lima Rodrigues.

O professor Lamartine de Andrade Lima, testemunha que eram todas bege - kaki.

O que parece ser a melhor referência a ser seguida, neste momento, é que
- para os momentos e as ações nas áreas de caatinga, o kaki era o registro dominante.

- para os momentos vividos em Alagoas e Sergipe, quando em matas de outras características, o azul emergiu como opção mais camufladora, muitas vezes superando o antigo padrão.

- para os momentos das ações na Bahia, predominantemente em áreas de caatinga, sempre o kaki permaneceu como o registro dominante, mesmo nos estertores com Cangaço.
.
E esta adaptação às matas de Sergipe e Alagoas, profundamente diferentes da caatinga do Raso da Catharina, também passou a ser seguida pelas volantes. Em jornal de 1933:


Extraído do blog Cangaço na Bahia do professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio.]

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O TRAVESSÃO


Por Francisco de Paula Melo Aguiar

— O que é o travessão [ — ] ? Segundo o Dicionário Priberam [2008-2020]:
— É um substantivo masculino.
— É a junção da palavra travessa + ão.
— É travessa grande.
— É a peça usada para sustentar ou reformar uma estrutura [trave].
— É a trave horizontal da balança de pratos onde está o fiel.
— No esporte é a peça horizontal que delimita a parte superior de um gol
[trave].
— Na Tipografia é o sinal gráfico horizontal [—], mais comprido do que o hífen,
usado para separar as falas dos interlocutores e que supre também o
parêntese.
— Na música é o traço perpendicular à pauta musical, e que, atravessando-a,
separa os compassos rítmicos.
— É também o utensílio alongado usado para prender o cabelo.
— É o adorno prenso na roupa. [broche].
— É queda-d’água no Brasil.
— É a parte mais larga do cincho e que, quando se encilha o cavalo, fica sobre
o lombilho no Brasil.
— É travesso + ão.
— É adjetivo. Por exemplo.: Ex.: Muito travesso. [atravessado, desinquieto].
— É adjetivo e substantivo masculino. Ex.: Diz-se de ou que vento contrário e
forte.
— Tem ainda diversas palavras relacionadas ao termo: travessão, dentre as
quais: travessia, filame, transfogueiro, trasfogueiro, tresfogueiro, bimbadura,
boçardas.
— Sem querer, querendo, observei que no meio do meu cartão de visita de
advogado tem um travessão — mencionando o endereço completo do
escritório de advocacia e outro travessão — indicando o número do telefone.

— Assim sendo é o nome do que sei fazer como advogado, o meu secular
negócio como profissional liberal.
— E não vai ser diferente com o meu cartão de empresário do ramo
educacional, como professor e gestor, minha profissão secular desde 1964,
isso por si só explica a minha própria vida pessoal e profissional.
— Ante o exposto, o travessão afirma quem na realidade eu sou em sua
essência, pura e simples.
— Por outro lado, tomei conhecimento da existência das regras gramaticais,
dentre as quais o travessão, ainda na escola primária nos fins dos anos 50 e
inicio dos anos 60 do século XX, onde a professora fazia ditados envolvendo o
termo travessão, ditando as orações e frases, dizendo, escreva na outra linha,
afastada margem, com letra maiúscula e com travessão [...].
— Tenho saudade do meu tempo infanto-juvenil, quando estudei da primeira a
quarta série do curso primário com o livro de capa dura, costurada e colada —
Infância Brasileira, do autor Ariosto Espinheira, da Companhia Editora
Nacional. Da capa do livro, tenho lembrança que tinha um menino com boné,
debruço sobre o livro aberto.
— Concluído o quarto ano do curso primário, passei um ano fazendo o curso
preparatório para os exames de admissão ao ginásio — um verdadeiro
vestibular para ingressar no curso ginasial, uma vez que o art. 3º da
Portaria/MEC nº. 325, de 1959, consta que são matérias de exame de
admissão: Português, Matemática, História do Brasil e Geografia,
especialmente do Brasil — e a referida portaria citada em seu Parágrafo 1º
determinava a realização de provas: escrita e oral de Português, etc.
— É importante lembrar de que tais exames de admissão ao ginásio — eram
verdadeiros vestibulares e foram instituídos por meio da Reforma da Educação
Brasileira chamada de Francisco Campos, em 1931 [Fruto da Revolução de
1930] e vigoraram até o ano de 1971, sendo obrigatórios nas escolas públicas
e dificultaram assim o acesso ao ensino secundário de milhares de jovens de
todas as classes sociais, uma vez que era um vestibular seletivo.
— E assim dei sequência aos estudos — concluindo nos anos seguintes a
Educação Básica e a Educação Superior de graduação e de pós-graduação —
por onde andam os meus colegas de caminhada escolar? O tempo é o
testemunho do que somos e fizemos.

— Não é por acaso que escolhi um travessão — para provocar a pergunta e
dizer algo por onde estive antes de aqui chegar a presente data.
— Então não é por acaso mesmo que o travessão [—] é um dentre os sinais
de pontuação, usado no inicio de cada discurso e/ou fala direta, porém, existem
sem sombra de dúvidas outras formas de usos e/ou de utilizações do termo. De
modo que o travessão é necessariamente usado nos casos: para indicar a
mudança de interlocutor e/ou o inicio da fala e/ou discurso de um personagem
envolvido no diálogo.
Assim sendo, invoco e faço minhas palavras, ainda que por analogia, o
enfatizar e o vivenciar contidos nos termos do poema:

O travessão
Leio sobre um homem que se pôs de pé para falar no enterro
de uma amiga. Referiu-se sobre as datas em seu túmulo do
principio ao fim. Percebeu que primeiro vinha a data do
nascimento e falou da data seguinte com lágrimas, mas disse
que o que mais importava era o travessão entre aqueles anos.
Porque o travessão representa todo o tempo que ela passou
viva na terra. E agora só aqueles que a amaram sabem o que
vale aquele pequeno sinal. Porque não importa o que
possuímos: os carros... a casa... o dinheiro. Importa como
vivemos e amamos e o que fizemos no espaço do travessão.
Pense então nisso longamente, intensamente... Há coisas que
você gostaria de mudar? Porque nunca sabemos o tempo que
nos resta (podemos estar na metade do travessão).
Se pudéssemos apenas diminuir o ritmo para avaliar o que é
verdadeiro e autêntico e tentássemos sempre compreender
como os outros se sentem. E termos menos rapidez na raiva, e
demonstrarmos mais apreço e amarmos as pessoas da nossa
vida como nunca amamos antes.
Se tratarmos uns aos outros com respeito, e sorrirmos com
mais frequência... lembrando-nos que este travessão especial
pode durar só mais um instante, assim quando lerem seu
louvor, e o que fez na vida for revisto... você sentiria orgulho
daquilo que fosse dito sobre como viveu seu travessão?
[LINDA M. ELLIS].

É o outro lado da moeda simbólica gramatical a que me referi desde os
meus tempos de criança quando ainda estudava as primeiras letras na escola
primária.
Vejam por exemplo, que depois de cinquenta e seis anos plenos em sala
de aula do magistério da Educação Básica e Superior, me vi obrigado pelas

circunstâncias da pandemia: Coronavírus – Covid-19, em parar a labuta diária
por trinta dias, isso faz parte do meu travessão profissional e empresarial.
Acredito que daqui mais uns dias tudo voltará à normalidade e voltarei
para dar continuidade ao meu travessão do magistério — e também não será
diferente para os colegas professores e para os pupilos letivos do corrente ano.
E até porque, o poema “O travessão”, acima transcrito, que é uma aversão
ao termo “travessão”, gramaticalmente falando, me faz lembrar de que, quando
uma pessoa morre, é tradição no Brasil e quiçá no mundo inteiro, se escrever
sobre sua lápide, sepultura, túmulo e/ou cenotáfio, não importa o nome que
seja dado, a data de nascimento e a data de falecimento do falecido e/ou da
falecida, valendo salientar de que o risco e/ou símbolo que fica entre ambas as
datas, o travessão — data de nascimento e data de falecimento é
simplesmente ignorado, isto é, ninguém vai mais se lembrar...
Ah! Isso quer dizer que a partir do momento do fim da vida, ninguém vai
mais se lembrar da data de meu nascimento e muito menos da data de meu
falecimento, vão sim, se lembrar do meu travessão — todos e/ou quase todos
conhecidos e meios conhecidos, irão se lembrar do que eu fiz no decorrer do
tempo de minha estada aqui entre eles, isso é inevitável, uma espécie de juízo
final, morre o homem, acaba-se em lama, desaparece a grana e fica a fama de
ruim e/ou de bom a juízo de quem assim contar.
É por isso que o meu travessão — foi e será sempre voltado para o
cumprimento dos meus deveres pessoais e profissionais. A ética em primeiro
lugar, corro com medo de corruptos que sabem que a corrupção fede, porém
não se incomodam, desde que o bolso, a cueca e/ou o cofre esteja estourando
de tutu...
A minha vida é a maior riqueza que detenho e será o maior legado que
deixarei quando aqui não mais existir, porque o ar que respiro para viver é o
mesmo ar que respiro para morrer se os governos e os governados não
erradicarem o coronavírus, o meu travessão — e a maneira de viver
respeitando e/ou não a natureza, terminará antes da época. Por analogia, não
será diferente para os demais que fazem parte da humanidade.
Todo ser vivente tem o seu travessão — pessoal, profissional e agora o
coronavírus, o travessão do eu, tu, ele, nós, vós e eles — governos e
governados — da humanidade.

REFERÊNCIAS
AZEVEDO, Haroldo de; SILVA, Joaquim; PENTEADO, José A.; CRETELA JR,
José; SANGIORGI, Osvaldo. [Organizadores]. Programa de Admissão.
Companhia Editora Nacional, 1960.
DICIONÁRIO PRIBERAM DA LÍNGUA PORTUGUESA [2008-2020].
Travessão. In.: <https://dicionario.priberam.org/travess%C3%A3o .Consultado
em 27-03-2020.
DICIONÁRIO AURÉLIO ONLINE DE PORTUGUÊS. Travessão. [2009-2020].
In.: <https://www.dicio.com.br/travessao/> Consultado em 27-03-2020.
ESPINHEIRA, Ariosto. Infância Brasileira. Companhia Editora Nacional, 1959.
ELLIS, Linda. M. - O travessão. [Pensador: 2005-2020].
In.:<https://www.pensador.com/autor/linda_m_ellis/>. Acessado em, 27-03-
2020.

Enviado por Francisco de Paula Melo Aguiar.

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