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quinta-feira, 15 de novembro de 2018

ASCRIM/PRESIDENCIA – ENCAMINHAMENTO DAS CHAPAS CANDIDATAS ELEIÇÕES DA ASCRIM/2018 E DECLARAÇÃO DE CANDIDATOS APTOS - OF. Nº 067/2018.ENCAMINHAMENTO DE CHAPAS CANDIDATA ELEIÇÕES ASCRIM BIÊNIO 2019/2020.

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ASCRIM/PRESIDENCIA – ENCAMINHAMENTO DAS CHAPAS CANDIDATAS ELEIÇÕES DA ASCRIM/2018 E DECLARAÇÃO DE CANDIDATOS APTOS - OF. Nº 067/2018.

MOSSORÓ-RN, 14 OUTUBRO de 2018

PREZADOS COMISSÁRIOS DA CEA,

ANTONIO MARCOS DE OLIVEIRA.
EXPEDITO DE ASSIS SILVA.
FRANCI DANTAS.
MARIA GORETTI ALVES DE ARAÚJO.
REFERINDO-NOS AO EXPEDIENTE ASCRIM/PRESIDENCIA–RECEBIMENTO DAS CHAPAS CANDIDATAS ELEIÇÕES DA ASCRIM - OF. Nº 066/2018, DE 13 NOVEMBRO de 2018, REMETEMOS, ABAIXO, CÓPIA DA CARTA E SEUS ANEXOS, DE 13.11.2018, ONDE O SR. FRANCISCO JOSÉ DA SILVA NETO, SOLICITA REGISTRO DAS CHAPAS CANDIDATAS AS ELEIÇÕES ASCRIM/2018, RECEBIDAS DENTRO DO PRAZO contido no item 4 DA AGO Nº 01/2018, E AS REENCAMINHAMOS PARA ESSA CEA/2018, PORTANTO NO PRAZO E CONDIÇÕES LEGAIS.

   ESCLARECEMOS QUE, ATÉ O PRESENTE, AS SUPRAMENCIONADAS ÚNICAS CHAPAS CANDIDATAS QUE NOS FORAM ENVIADAS, NO PRAZO REGULAMENTAR, SÃO AS QUE CONSTAM NO ARQUIVO “ASCRIM CHAPA CANDIDATA PARA INSCRIÇÃO DE CANDIDATO”, ANEXO.

    OUTROSSIM, REMETEMOS ANEXO, O ARQUIVO “ASCRIM “DECLARAÇÃO DE CANDIDATOS APTOS AS ELEIÇÕES DA ASCRIM/2018”, PARA SUBSIDIAR A HOMOLOGAÇÃO E PUBLICAÇÃO POR ESSA CEA/2018, ATÉ O DIA 19.11.2018, DAS REFERIDAS CHAPAS CANDIDATAS, OBEDECIDOS AS NORMAS DOS  ITENS 4.1 E 4.2 DO EDITAL AGO 01/2018.

    ANTES DE REMETERMOS A RELAÇÃO ATUALIZADA DOS ASSOCIADOS APTOS A VOTAR, COMUNICAMOS QUE OFERTAREMOS NOVO PRAZO, ATÉ O DIA 20.11.2018, PARA QUE OS MDESMOS REGULARIZEM AS PENDÊNCIAS FINANCEIRAS E SOCIAIS NA ASCRIM E POSSAM EXERCER O DIREITO DO VOTO, NAS ELEIÇÕES ASCRIM/2018, QUE SE REALIZARÁ NO DIA 29.11.2018.

SAUDAÇÕES ASCRIMIANAS,

FRANCISCO JOSÉ DA SILVA NETO
-PRESIDENTE EXECUTIVO DA ASCRIM-






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De: FRANCISCO JOSÉ DA SILVA NETO <planesilva@msn.com>
Enviado: terça-feira, 13 de novembro de 2018 23:30
Para: ASSOCIAÇÃO DOS ESCRITORES MOSSOROENSES ASCRIM
Assunto: ENCAMINHAMENTO DE CHAPAS CANDIDATA ELEIÇÕES ASCRIM BIÊNIO 2019/2020.

Mossoró(RN), 13 DE NOVEMBRO DE 2018,
Sr. Presidente da ASCRIM,
   Solicito encaminhar à COMISSÃO ELEITORAL DA ASCRIM-CEA/2018, em atendimento ao expedienteASCRIM - EDITAL DE CONVOCAÇÃO DA ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA-AGO Nº 01/2018 – ELEIÇÕES PARA DIRETORIA EXECUTIVA E CONSELHO FISCAL DA ASCRIM DO BIÊNIO 2019-2020, de 31.10.2018, as CHAPAS CANDIDATAS PARA INSCRIÇÃO NAS ELEIÇÕES DA ASCRIM, anexas, com a relação dos nomes que concorrerão aos CARGOS.
   Na oportunidade, peço validar os nomes dos candidatos, INCLUSOS NAS CHAPAS ANEXAS, como aptos na forma do item 4.1 do EDITAL AGO Nº 01/2018, para concorrerem as ELEIÇÕES DA ASCRIM.
Na certeza do acolhimento, agradeço antecipadamente.
FRANCISCO JOSÉ DA SILVA NETO
RESPONSÁVEL PELO ENCAMINHAMENTO DAS CHAPAS CANDIDATAS
Enviado pela Ascrim

CHAPA CANDIDATA PARA INSCRIÇÃO NAS ELEIÇÕES DA:
DIRETORIA EXECUTIVA DA ASCRIM-BIÊNIO 2019/2020-

CARGOS DE:

1-PRESIDENTE EXECUTIVO: FRANCISCO JOSÉ DA SILVA
NETO.
2-VICE-PRESIDENTE EXECUTIVO: TANIAMÁ VIEIRA
BARRETO DA SILVA.
3-1ª SECRETÁRIA: MARIA GORETTI ALVES DE ARAÚJO.
4-2º SECRETÁRIO: (VAGO)
5-1º TESOUREIRO: EXPEDITO DE ASSIS SILVA.
6-2º TESOUREIRO: (VAGO)
7-DIRETOR DE COMUNICAÇÃO E RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS:
ELDER HERONILDES DA SILVA
8-DIRETOR DE ACERVOS: GERALDO MAIA DO NASCIMENTO.
9-DIRETORA DE ASSUNTOS ARTÍSTICOS: MARTHA CRISTINA
ELEUTÉRIO MAIA.
10-DIRETORA DE CERIMONIAL E DE EVENTOS: SUSANA
GORETTI LIMA LEITE.
11-DIRETORA DE CAPTAÇÃO DE RECURSOS: MARIA
CONCEIÇÃO MACIEL FILGUEIRA.
12-DIRETOR DE ASSUNTOS JURÍDICOS: LÚCIO NEY DE SOUZA
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CHAPA CANDIDATA PARA INSCRIÇÃO NAS ELEIÇÕES DO
CONSELHO FISCAL DA ASCRIM--BIÊNIO 2019/2020-CARGOS

DE:

1-PRESIDENTE: WILSON BEZERRA DE MOURA.
2-VICE-PRESIDENTE: MANOEL VIEIRA GUIMARÂES NETO.
3-SECRETÁRIA: MARIA DO SOCORRO DE ALBUQUERQUE
GURGEL.
4-SUPLENTE: (VAGO)

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CARTINHA DE AMOR A UMA MENINA DA ROÇA

*Rangel Alves da Costa

Não sei o que dizer. Juro que não encontro palavras que verdadeiramente expressem a minha intenção. É fácil escrever para uma menina urbana, citadina, acostumada com as leituras e os proseados. Mas não para uma menina da roça, tímida, acanhada, ainda que de boa leitura e boa escrita.
Na verdade, o que me faltam são os ajustamentos das palavras. Não quero ser poético demais nem frio em demasia. Não quero florear minha escrita nem lançar perante o seu olhar uma carta qualquer. Será flor do campo com feição de flor do campo, gosto de fruta por que com sabor de fruta madura. Uma escrita assim solenemente terna e apaixonante, ecoando um canto de passarinho e um murmurejar de folhagem ao entardecer.
Mas como eu queria que cada palavra tivesse cheiro de mato, que cada letra cheirasse a terra molhada, que todo o escrito tivesse cheiro e sabor de doce de panela, tivesse a feição e o gosto do araçá madurinho, tivesse a beleza de uma flor de mandacaru. Quem dera, minha amada, quem dera que o seu olhar, ao passear pelas linhas trêmulas e desajeitadas, encontrasse relvas, brotos, sementes e folhas. Quem dera minha menina, que a cartinha tivesse voz e dissesse: você é linda!
Mas não sei, não sei se vou conseguir. Sou da cidade demais, cheiro a cidade demais, tenho em mim metade de asfalto e metade de cimento. Ainda que eu sinta e viva o sertão, que tanto ame sua malhada e sua catingueira, sua janela e o bicho mugindo adiante, também sei que sou ruído e buzina demais. Compreenda-me. Não sou assim tão de ferro e ferrugem. Não sou assim tanta poeira e maresia. Dentro de mim eu guardo e levo o encanto das coisas belas, a magia das coisas que tanto bem fazem ao coração. Sou assim como você, minha menina. Não vivo a terra e o barro, nem sempre ouço o galo cantar nem o bicho berrar, mas também sou assim como você.
Um pedaço de papel qualquer. Não quero folha bonita nem caneta dourada. Não pingo um tiquinho de perfume sobre a folha porque não uso loção. Mas juro, e juro por tudo na vida, que não há coração mais apaixonadamente apreensivo do que o meu. Ora, escrever com palavra, escolher cada palavra como se fosse voz, escolher a voz ideal para ser ouvido. E, quem sabe, ao segurar nas mãos e lançar o olhar sobre os meus dizeres, você enfim sorria o mais belo sorriso do mundo e reconheça, no mais profundo do coração, que há alguém que verdadeiramente a ama. Então leia, por favor:
Boa tarde, boa noite, bom dia, meu amor... Sabe o que eu tô sentindo agora? Aquilo mesmo que os horizontes sentem quando o sol vai embora. Aquilo mesmo que o alvorecer sente quando a lua vai embora. Aquilo que mesmo que o lenço sente quando já não há vulto na curva da estrada. Saudade, saudade, saudade...
Ontem falei com você, meu doce araçá, minha fruta do mato, minha flor silvestre, mas foi como se sua palavra somente aumentasse minha vontade de voar, de ser passarinho, de chegar à sua janela e pousar no seu lábio. Lábio de mel sim, um favo na flor, um beijar beija-flor. E eu aqui, tão distante e tão sozinho, imaginando você tão bela com sua singeleza e simplicidade. No umbral da janela, mirando as distâncias ressequidas de sol, mas com olhar tão de mar que tudo parece encharcado de benção.
Meu amor, meu amor. Menina da roça minha flor. Chinelo no pé ou descalço pé, pulseira de cipó trançado, cabelos ao vento, a roupa mais simples que possa existir, mas sempre tão bela. A roupa, minha menina, é o corpo que faz, é o gosto que faz, e não a moda que manda. Seja sempre assim. Continue tímida, continue acanhada, continue com olhos fugidos, continue quase sem sorriso. Vá caminhar ao redor, conversar com a natureza, sentar numa pedra, riscar pelo chão. Desenhe um coração num tronco de pau e depois escreva nossos nomes entrecruzados.
Nada mais belo que esse encanto do simples, da ternura da vida. Compreendo que seja assim e peço que assim continue. Nada force ou leve pra dentro de si nada que não seja do seu jeito ou do seu agrado. O mundo lá fora é um mundo, mas jamais igual ao mundo que há em você e que a rodeia. Quero ouvir sua voz quase num sussurro, quero afagar o seu corpo de pétala e seu lábio de flor, quero dizer bem baixinho: amor, meu amor! Daqui, daqui dessa dolorosa distância, abro minha mão para um amado beijo e depois lanço em voo pelos horizontes do entardecer.
Beijo que chega já. Sinta o beijo em você. Sou eu!


Escritor
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E AGORA "MINISTRO" MORO?




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O PUNHAL DO ZUZA

Clerisvaldo B. Chagas, 15 de novembro de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2007

PARCIAL DA RUA ANTÔNIO TAVARES. (FOTO: LIVRO 230).
Voltando do geral para a terrinha, lembramo-nos da fábrica de colchões do senhor Júlio Pizunha. O nome pode ser pezunho ou de outro modo qualquer, mas o povo o chamava Pizunha e pronto (aquele que tem o dedinho pendurado ao Mindinho). O casarão da Rua Antônio Tavares ocupava a metade do quarteirão e, o quintal chegava à Rua Professor Enéas. Bem dez janelões ao longo do oitão. Quem teria morado naquela casa enorme, antes da fábrica? Ali trabalhava um preto alto e distinto e um baixinho troncudo chamado Zuza. Ambos, gente boa. Nunca nos incomodaram em nada em nossas brincadeiras de crianças por dentro do quintal e na sala de fabrico, de capim e junco.
Zuza era calmo e de voz macia. Entretanto, quando se embriagava era como se quisesse imitar o beberrão tão conhecido chamado “Coleta”. Coleta fazia de conta que procurava esfaquear alguém, sacando punhal inexistente e dizendo: “Olha o punhal véi enferrujado!”. Tinha medo do, então, delegado civil, Isaías Rego e falava ao avistá-lo: “Ave Maria, Seu Isaías!”. Zuza quando estava bêbado não pronunciava quase palavra alguma. Aquele homem doce se desfigurava e partia em direção a qualquer transeunte fazendo gesto semelhante ao de Coleta. Puxava de sob a camisa um punhal invisível e atacava o espaço. Assustava apenas quem não o conhecia, pois, fora esse patim, não ofendia ninguém.
Demolido o saudoso casarão, o espaço foi preenchido por novas residências, fazendo vizinhança à bodega do Carlos Gabriel, o seu Carrito. O proprietário da fábrica era pessoa bastante conhecida em Santana do Ipanema, mas em nossa infância já possuía idade bem avançada. Assim vem à tona, vez em quando, personagens da nossa rua que muito contribuíram com o desenvolvimento da cidade.
Mas quem nunca passou momentos de aperreios diante de certas circunstâncias e vontade de fazer? Fazer de verdade o que o Zuza – pacato cidadão – desejava fazer nas frustrações da vida...
Ah, Zuza! Valeu a psicologia!


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BRASILEIRO QUE MATOU PARENTES É CONDENADO À PRISÃO PERPÉTUA NA ESPANHA


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O QUE DISSERAM...


Por Antonio Corrêa Sobrinho

O QUE DISSERAM, após a sua morte, os jornais cariocas abaixo, do homem forte da “Sedição de Juazeiro” e do “Batalhão patriótico”, do amigo fiel, leal e devotado de padre Cícero Romão Batista - FLORO BARTOLOMEU DA COSTA.

O que disseram deste médico e político baiano-cearense, deste “guerrilheiro da política e estrategista das refregas que convulsionaram.


“O PAIZ” (RJ) – 09.03.1926

Faleceu ontem, nesta capital, às 17 horas, o deputado Floro Bartolomeu, representante do Estado do Ceará na Câmara Federal.

O parlamentar que ora desaparece era, sem dúvida, uma figura singular no senário político brasileiro.

Individualidade forte e combativa, homem afeito às mais extremadas lutas partidárias, dadas as circunstâncias que lhe envolveram sempre a carreira política, o Dr. Floro Bartolomeu era possuidor das energias viris e realizadoras, que tanto o caracterizavam nos momentos decisivos da sua vida pública.

Pode-se mesmo atribuir ao seu temperamento dinâmico a conquista das grandes simpatias e prestígio de que dispunha no seio de nossos sertões, onde, desde muito moço, se entregou ao exercício da sua profissão de médico.

Na firmeza dos seus princípios e na sinceridade da sua palavra partidária encontraram sempre os poderes constituídos um dos mais sólidos elementos de ordem e segurança legal.

Nasceu o Dr. Floro Bartolomeu em 17 de agosto de 1876.

Formou-se em medicina pela Faculdade da Bahia, em 1904. Da capital baiana seguiu, quando diplomado, para o interior cearense, depois de ter tomado parte, como influente fator da ordem, em 1907, no movimento repressivo ao banditismo então existente em Juazeiro.

No Estado do Ceará iniciou a sua carreira parlamentar, sendo eleito deputado estadual em 1913.

Em 1921 veio para a Câmara Federal tendo renovado o seu mandato em 1924 em cujo exercício acaba de desaparecer.
“O PAIZ” (RJ) – 11.03.1926

ECOS E FATOS

O amigo do padre Cícero

Com o falecimento do deputado Floro Bartolomeu, perde a Câmara uma de suas figuras mais interessantes. Era-o o representante do Ceará tanto pela sua fibra de lutador como pelo pitoresco de sua oratória, pois sabia enfrentar os inimigos, com igual êxito, nos campos de batalha e nos debates da tribuna.

Da mesma família política deste bravo pela ação e pela palavra, que é Flores da Cunha, não tinha, entretanto, os ímpetos magníficos e as arrancadas teatrais do deputado gaúcho. Os seus discursos eram antes verdadeiras palestras, em linguagem singela, quase sem gestos, ditos com uma voz anasalada, que lhes dava mais graça, imprimindo-lhes um tom de intimidade familiar.

Foi na sessão de 1923, se não nos enganamos, que o Sr. Floro Bartolomeu se fez ouvir com maior interesse pela Câmara. Um dos membros da comissão nomeada pelo Sr. Epitácio Pessoa, quando na presidência da República, para estudar as obras contra as secas, realizando em S. Paulo uma conferência sobre o assunto, criticara severamente o domínio do padre Cícero nos sertões do Ceará. Defendendo o famoso chefe do Cariri, o seu melhor aliado produziu uma série de excelentes discursos, ricos de narrativas e observações sobre a vida sertaneja do glorioso Estado nordestino.

Descreveu os costumes dos seus habitantes, os aspectos de seus povoados, as manifestações de suas crenças, o movimento de suas feiras, o brilho de suas festas, tudo, enfim, que pudesse realçar a vasta região por onde aquele sacerdote estende a sua influência. E da tribuna parlamentar surge um novo padre Cícero, bem diverso do que se conhecia através das versões jornalísticas, de modo a reabilitá-lo no conceito dos que o julgavam apenas um caudilho de batina, explorando o fanatismo religioso de turbas ignorantes em favor de suas paixões políticas.

Nas rodas da Câmara e nas colunas da imprensa era comum chamar-se o Sr. Floro Bartolomeu de “afilhado do Padre Cícero”. Não sabemos se o era, de fato. Mas o que ele ficou sendo, depois da maneira feliz porque lhe recompôs a figura aos olhos da Nação; foi o maior protetor de quem consideravam o seu padrinho, porque o libertou do juízo errôneo que tanto lhe diminuía o valor. Daí a justeza do título com que registramos a sua morte, pois deve ser mais grato à sua memória que qualquer outro.

O Sr. Floro Bartolomeu morre com as honras de general de brigada, que lhe foram conferidas pelo governo do Sr. Artur Bernardes, em homenagem aos serviços que prestou à ordem constitucional, combatendo os remanescentes dos sediciosos de S. Paulo, quando de passagem pelo interior do Ceará, na sua fuga à perseguição das forças legais. Portador de antiga arteriosclerose, os seus padecimentos se agravaram com as emoções, o desconforto e as canseiras da luta armada. É, pois, mais um bravo, um bom e um legítimo patriota que tomba, em holocausto à defesa da República contra as hordas de rebeldes, que as ambições facciosas desvairaram ao ponto de convertê-los em bandoleiro da pior espécie.
“O PAIZ” - 10.03.1926

Realizaram-se ontem os funerais do deputado Floro Bartolomeu, representante do Estado do Ceará na Câmara Federal.

O cortejo fúnebre, composto de inúmeros automóveis, conduzindo pessoas da nossa mais alta representação, amigos e admiradores do extinto parlamentar, saiu da casa mortuária, à rua do Catete número 83, às 16 horas, para a necrópole de S. João Batista, em Botafogo, onde teve lugar o sepultamento.

O Sr. Presidente da República, que se fez representar nesse ato pelo coronel Vieira Cristo, seu oficial de gabinete, mandou fossem prestadas honras militares ao enterro do Dr. Floro Bartolomeu, em virtude do decreto assinado a 2 do corrente.

Obedecendo a essa disposição, assim foi distribuída a força do exército:
Uma companhia da 2ª brigada de infantaria, com banda de música e bandeira, no cemitério de S. João Batista; uma companhia do 1º regimento de artilharia pesada, na praia de Botafogo, próximo ao pavilhão Mourisco, e um pelotão do 1º regimento de cavalaria divisionário que escoltou o coche fúnebre durante o trajeto.

Ao baixar o ataúde foram dadas as salvas regulamentares.

“O JORNAL” – 09.03.1926

FALECEU O DEPUTADO FLORO BARTOLOMEU

TRAÇOS BIOGRÁFICOS DO EXTINTO

Vítima de uma afecção no fígado, faleceu, ontem, às 19 horas, à rua do Catete, 83, o deputado Floro Bartolomeu, que, em estado de saúde muito melindroso, regressara, há dias, do norte do país, onde fora em missão especial do governo.

Filho de dona Eufrosina Bartolomeu e do Sr. Virgílio Bartolomeu da Costa, funcionário público na Bahia, nasceu o deputado Floro Bartolomeu naquele Estado, em 1876.

Em 1904, com vinte e oito ano de idade, após haver-se formado em medicina, seguiu para o Ceará, onde exerceu a sua profissão, passando, depois, a atuar na política estadual.

Íntimo aliado do padre Cícero, pode dizer-se que foi um dos elementos mais vigorosos nas lutas fratricidas criadas no interior cearense pelas ambições políticas e os traços mais significativos de sua biografia de homem de luta e de ação, surdem dos movimentos de rebeldia que o partidarismo, de um lado, e o fanatismo, do outro, deram durante épocas diferentes e periódicas, um curioso ambiente de agitação aos sertões cearenses.

Evocamos, em rápidos traços, páginas de história local que ainda se conservam muito vivas na memória de todos, a fim de fixar de maneira mais sensível os principais fatores que deram ao extinto certa notoriedade no mundo político brasileiro.

Em momentos diferentes, quando as lutas do cangaço empolgavam a terra cearense, o nome do deputado Floro Bartolomeu, ao lado do padre Cícero – esse como o que outro Antônio Conselheiro do extremo Nordeste – enchia o noticiário dos jornais, onde aparecia sob um prestígio quase lendário, que a distância e o exagero desses instantes tumultuosos só em dar.

Dizia-se que, graças ao seu prestígio de herói nas zonas remotas dos sertões cearenses – prestígio capaz de conduzir centenas de homens às armas – ingressaria o Dr. Floro Bartolomeu na Câmara estadual cearense, em 1913, na qual figurou até 1918.

Em 1921, foi eleito deputado federal, cujo mandato até agora desempenhava

Temos ideia de que a sua eleição despertou comentários na imprensa carioca e de que o Dr. Floro Bartolomeu, da tribuna parlamentar, como das colunas ineditoriais da imprensa, procurou refutar os conceitos então em voga, produzindo a defesa do padre Cícero e legitimando sua ação nas lutas desoladoras dos adustos sertões do Ceará.

O seu falecimento ecoará, certamente, por todo o país, onde o seu nome se tornara suficientemente conhecido através dos múltiplos embates em que atuou de maneira notável.

O seu sepultamento terá lugar hoje, às 16 horas, saindo o féretro da rua do Catete, 83, para o cemitério de S. João Batista.

“O JORNAL” (RJ) - 10.03.1926

O Dr. Artur Bernardes, além de fazer-se representar nos funerais do deputado Floro Bartolomeu, pelo tenente-coronel Vieira Cristo, seu oficial de gabinete, mandou colocar sobre o féretro uma coroa com a inscrição: “Ao Dr. Floro Bartolomeu, o presidente da República. ”

“O JORNAL” (RJ) - 17.03.1926

Rezou-se ontem, às 10 horas, no altar-mor da igreja da Candelária, a missa de 7º dia do falecimento do deputado federal pelo estado do Ceará Dr. Floro Bartolomeu, mandada celebrar por seu irmão Otávio Costa e família do extinto.

Esse ato religioso foi muito concorrido, notando-se, entre o grande número de pessoas presentes, o dr. Artur Bernardes, presidente da República, representado pelo coronel Vieira Cristo, oficial de gabinete da Presidência; Dr. Alaor Prata, prefeito do DF, representado pelo Dr. Edmundo Machado; Dr. Miguel Calmom, ministro da Agricultura, representado pelo Dr. Paulo Vidal; Dr. Francisco Sá, ministro da Viação; padre Cícero Romão Batista, representado pelo Dr. Milton Prates; senadores, deputados, outras altas autoridades da República; famílias, representantes da imprensa e da agência americana, além de muitas outras pessoas.

“O JORNAL” (RJ) - 23.03.26

O GOVERNO CEARENSE NÃO DEMONSTROU PESAR PELA MORTE DO SR. FLORO BARTOLOMEU.

FORTALEZA, 22 (O JORNAL) – O falecimento do deputado Floro Bartolomeu não mereceu nenhuma manifestação de pesar por parte do governo deste Estado.

GAZETA DE NOTÍCIAS (RJ) – 09.03.1926

DEPUTADO FLORO BARTOLOMEU

SEU FALECIMENTO, ONTEM, NESTA CAPITAL

Depois de longos padecimentos, faleceu ontem, nesta Capital, à rua do Catete n. 83, onde residia.

Figura de relevo na política nacional, o deputado Floro Bartolomeu era, sobretudo, um temperamento combativo, assinalando-se a sua rápida, mas brilhante carreira pela campanha movida no Ceará, não há muito, contra o coronel Franco Rabelo, então chefe do governo cearense.

Amigo leal do padre Cícero, uma das mais prestigiosas forças políticas do interior, o deputado Floro Bartolomeu, assumindo a direção dos correligionários daquele sacerdote, esteve no campo da luta, chegando mesmo a exercer a posição de governo revolucionário, com a queda do coronel Franco Rabelo, como presidente da Assembleia Legislativa.

Naquele posto se manteve dignamente, cercado sempre da confiança dos seus conterrâneos, até que se normalizou a situação, em a vitória dos ideais que o animava e aos seus amigos, pela felicidade da terra que o viu nascer e que sempre contou nele um dos seus mais sinceros e ardentes defensores.

Morre o deputado Floro Bartolomeu, que era diplomado em medicina, aos 50 anos de idade, deixando o seu nome bem gravado na gratidão dos seus conterrâneos, pela firmeza das suas atitudes.

Eleito deputado federal, a sua ação na Câmara serviu para comprovar, mais uma vez, os seus muitos dotes pessoais, tendo ali se destacado como um parlamentar consciente da elevada missão de que fora investido pela vontade dos seus coestaduanos.

O enterramento do saudoso político e médico cearense será efetuado hoje, às 5 horas da tarde, saindo o féretro da rua e número acima citados para o cemitério de S. João Batista.
“GAZETA DE NOTÍCIAS” (RJ) – 10.03.1926

FLORO BARTOLOMEU

Por decreto de 2 do corrente, ontem divulgado, foi, pelo Sr. Presidente da República, nomeado general de brigada o deputado Floro Bartolomeu, que ontem, exatamente, falecia de moléstias que o vinham, de há muito, combalindo.

A homenagem, que se pode dizer póstuma, a esse chefe sertanejo, é das mais merecidas. Ele, que a havia conquistado, jamais a reclamara e, pode-se dizer mesmo, jamais pensara em prêmio tão significativo e tão alto.

O deputado cearense, que ontem desapareceu, era, em verdade, uma dessas figuras que nascem, naturalmente, de um estado de civilização. Domiciliado no alto sertão cearense, entre gente belicosa por natureza, a sua missão consistiu em aproveitar, política, econômica e militarmente, todas aquelas energias desvirtuadas por falta de orientação. Amigo do padre Cícero, fez do Cariri, com esses elementos, um centro de trabalho, de atividade e de riqueza. E trilhava esse caminho pacificamente, quando, no movimento contra o governo Franco Rabelo, lhe coube chefiar a avançada sobre a capital, onde, afinal, entrou, depois de derrotar a polícia estadual em todos os encontros que teve.

Comandando forças irregulares, contingentes enormes de jagunços do mais alto sertão, era natural que se temesse essa gente, sabidamente sanguinária. Os jagunços de Floro Bartolomeu portaram-se, entretanto, de tal maneira, com tal honestidade e tamanho respeito, que não se teve notícia de uma única depredação praticada por eles, num percurso de oitenta léguas, que percorreram combatendo.

Esse homem disciplinador, temido pelos mais valentes, era, contudo, na cidade, a mais atenciosa das criaturas. Na Câmara, todos o queriam, todos o estimavam. Sabia comandar, porque sabia, também, obedecer.

O sertão perdeu, em Floro Bartolomeu, uma das suas figuras prestigiosas. O seu nome ficará, entretanto, na terra em que viveu, cujas energias soube domesticar paulatinamente, e utilizar em proveito da pátria, sempre que foi preciso.
“GAZETA DE NOTÍCIAS” (RJ) – 12.03.1926

O deputado Floro Bartolomeu, cuja personalidade só agora passou a ser discutida, deixou vaga, na Câmara Federal, uma cadeira que ocupou, sem grande brilho, mas também sem deslustre, durante quase duas legislaturas. Exerceu bem o seu mandato?

Que importaria sabê-lo agora quando, contra ele, quaisquer recriminações “post mortem” seriam serôdias, senão selvagens pela desumanidade de que se revestiriam?

Representava o sertão agreste do Brasil. E como sertanejo era bem o tipo do caboclo destemeroso, rebelde aos requintes da civilização metropolitana, sabendo arremeter contra os perigos, desdenhoso da vida, com a coragem característica da gente sertaneja. As eventualidades da política fizeram-no, certa vez, revolucionário. Dizem que foi leal na peleja e generoso na vitória. Depois do triunfo, consolidou o prestígio, graças ao qual, mais tarde, havia de ser deputado. A cadeira de legislador, porém, lhe não pertencia, exclusivamente. Tinha-se a impressão de que ela era sua e do padre Cícero – essa personalidade de complexa psicologia, que os sertões encobrem e a lenda tanto tem deturpado. O padre Cícero é o oráculo. Nos sertões do Cariri quem manda é ele. Nem as pedras rolam das montanhas altas se não for ao impulso da sua vontade quase onipotente. Há multidões que pensam pela sua cabeça e legiões de guerrilheiros audazes que se movem aos acenos de suas mãos. Floro Bartolomeu era o aliado e amigo de todas as horas: completavam-se. Quem dispõe de votos no Cariri e adjacências é o padre Cícero. Quem faz eleições e deputados é ele. Os seus domínios são um Estado, praticamente autônomo, dentro do estado do Ceará. Lá, a política dos outros não entra nem medra. Logo quem vai decidir da escolha de substituto de Floro Bartolomeu, na Câmara, não são os partidos: é o padre Cícero. E, em primeira mão, podemos informar que já ele designou o seu candidato: é o Dr. José Geraldo Bezerra de Menezes, sertanejo também, seu compadre e seu amigo.

Está eleito. Nem haja dúvidas sobre isto. Falou o padre Cícero e, nestas cousas, quando ele fala... “Roma locuta est”.

“CORREIO DA MANHÔ (RJ) – 07.03.1926

O deputado Floro Bartolomeu havia regressado do sertão cearense, no fim do ano passado, muito doente. Reconhecia que se lhe impunha um tratamento rigoroso. Entretanto, o Sr. Floro Bartolomeu se viu na contingência de voltar ao seu Ceará, para prestigiar os amigos. O deputado cearense acaba de volta dessa missão, e ainda mais doente...
“CORREIO DA MANHÔ (RJ) – 09.03.1926

Otaviano Costa participa o falecimento, ontem, de seu irmão deputado FLORO BARTOLOMEU e convida a todos os seus amigos para o enterro que se realizará hoje, às 5 horas da tarde, saindo da rua do Catete, 83, para o cemitério São João Batista, pelo que antecipa seus agradecimentos.
“CORREIO DA MANHÔ – 10.03.1926

O deputado Floro Bartolomeu teve honras militares.

Para prestar honras fúnebres ao deputado Floro Bartolomeu, formou ontem em frente à sua residência, à rua do Catete, um pelotão de cavalaria, que escoltou o coche até o cemitério de S. João Batista.

Em frente à necrópole uma companhia de guerra do 3º regimento, prestou honras, tendo uma bateria dado as salvas regulamentares, por ocasião de baixar o corpo à sepultura.
“JORNAL DO BRASIL” – 20.03.1926

UM OBSERVADOR DO SERTÃO

Não houve nenhum favor nas honras militares que acompanharam o enterro do Sr. Floro Bartolomeu. Na sua existência de lutas, ele mereceu os bordados do generalato. Basta considerar que chegou a comandar uma força de cerca de 8.000 homens, na revolução de 1914, quando o general Pinheiro Machado resolveu derrubar o governo do Sr. Franco Rabelo. E a influência pessoal que exercia nos meios sertanejos era o melhor testemunho de suas qualidades belicosas. Sem bravura e sem atitudes guerreiras não se impressiona, nem se domina a população nordestina. Floro Bartolomeu empunhou, também, um rifle de guerra e soube usar o chapéu de couro e as cartucheiras de combate. A ação de suas tropas teve a eficiência bastante para destroçar a polícia estadual e encurralar o Sr. Franco Rabelo na cidade de Fortaleza. É certo que, daí por diante, a parte militar desapareceu para que se exercesse a pressão política, a que devia Floro Bartolomeu, desde os primeiros momentos, o apoio, para a campanha guerreira, desde o fornecimento de munições, até os telegramas com que entibiar a resistência dos rabelistas. Nem por isso se dissimula o relevo da atuação militar, não obstante as críticas e as reservas apaixonadas do ilustre Sr. Rodolfo Teófilo, no livro em que descreve.

Suspeito, porém, de que os melhores títulos do Sr. Floro Bartolomeu não são esses merecimentos militares, a que se deu no último instante, o prêmio de um generalato e a honra, de alguns tiros de canhão. No Brasil, devemos considerar, nas vitórias guerreiras, menos o merecimento dos triunfadores do que a falta de mérito dos derrotados. Parece que vencem as tropas menos abnegadas e costuma haver extraordinária boa vontade em ceder o terreno. Acresce que a documentação a respeito desses episódios deriva de fontes apaixonadíssimas, desde que as pessoas serenas não escrevem, por isso mesmo, as suas impressões. Os valorímetros mais aperfeiçoados fracassam na apreciação das virtudes militares e não chegam a apresentar resultados, se não os maneja o partidarismo.

O Sr. Floro Bartolomeu tem outras virtudes, com que se impõe a atenção pública. Ele foi um dos melhores observadores do sertão nordestino. Quando teve oportunidade de explicar, na Câmara, fez um discurso magnífico, pelo que disse do Juazeiro. Raramente se terá visto o sertão sob uma luz mais clara do que nas páginas desse volume, que foi a melhor e mais eficiente defesa até hoje feita em benefício do Padre Cícero.

Respondia o Sr. Floro Bartolomeu ao Sr. Paulo de Moraes Barros, quando este ilustre engenheiro realizou uma conferência sobre o Nordeste, no regresso da viagem que fizera em inspeção às obras contra as secas. O Sr. Moraes Barros dissertou como um viajante apressado e cheio dos prejuízos de nossos costumes litorâneos. Disse o que havia de diferença entre o sertão e os centros semicivilizados que se estenderam às margens do Atlântico. As notas, que trouxe, tiveram o vício e o defeito de semelhante paralelo, com que tanto se vem deturpando o sertão e mentindo às realidades.

O Nordeste não é para ser visto sob a estreiteza de semelhantes preconceitos. Ele cresceu lentamente, sob a influência de fatores próprios. E assim se veio formando, pouco a pouco, uma população perfeitamente autônoma nos seus traços característicos e na sua mentalidade. O Nordeste é um país, que deve ser estudado nas suas peculiaridades, observando-se o seu povo dentro do ambiente em que vive e não através dos costumes de centros litorâneos, desenvolvidos sob a atuação de outros elementos e de outras causas.

Euclides da Cunha fez sobre si mesmo o esforço enorme dessa investigação, mas lhe faltou, ao trabalho ingente e glorioso, a contribuição de um fator indispensável: a sua maior identificação com o ambiente sertanejo, por meio de uma longa permanência no Nordeste. Por isso, o quadro em que nos descreveu o sertão, tem a altiloquência das epopeias e vale, no fixar os heróis, como um alto-relevo de Pantheun.

Mas, na sua vida bravia, o sertanejo tem o mesmo merecimento com que nós outros levamos a nossa existência pacífica. No Nordeste e aqui, todos nós cedemos ao ambiente, adaptados às circunstâncias que nos rodeiam e às necessidades da vida comum. São destinos diversos traçados sob a mesma força da adaptação.

O Sr. Floro Bartolomeu, no seu discurso, descreveu o Nordeste sem espantos e sem desprezo. Observador perspicaz, a realidade surge completa e espontânea, sem pompas de estilo e sem exageros de conceito. E se fosse necessário comprovar a agudeza com que ele compreendeu o Nordeste, aí estaria a sua vitória, no prestígio conquistado e mantido em toda a zona que tem no Juazeiro a sua capital.

Esse homem experiente e lúcido recebeu no seu espírito as lições que a vida reserva para os que a respeitam: “Como homem prático – disse ele – entendo que, sobre umas tantas cousas não devemos falar conforme pensamos; ao contrário, somos forçados a obedecer a um critério especial, encarando-as de acordo com as circunstâncias que as cercam. ”
Eis aí um programa de filósofo, digno dos que mais se aprofundam nas sutilezas da sociologia. E foi esse preceito que o conduziu, na sua observação do Nordeste. O Sr. Floro Bartolomeu não se deteve na aceitação aparente do princípio. Ele fez daquela norma uma das diretrizes do seu pensamento e tanto nela se abeberou, que os seus olhos depois puderam ver, na sua realidade, o sertão, que só se desvenda aos que se sujeitaram aos rigores dessa educação prévia.

A sua explicação da influência do Padre Cícero sobre o sertanejo e o modo como nos expõe o renome da Santidade do sacerdote ficam no domínio das coisas compreensíveis e naturais. Os fanatismos enfileiram-se na sua narrativa sem demasias de descrição, perfeitamente justificados na ambiência em que se revelam. Não abusa da sugestão, nem da loucura, no explicar os fenômenos e vê, lucidamente, o que há de normal nesses episódios, se se atende no meio sertanejo.

O Sr. Floro Bartolomeu soube escapar do exagero desses pseudos saltos, que fazem da analogia o fundamento de seus volumes. Ele retratou, em narrativas simples e exatas, o sertão e o sertanejo. Compreendeu a normalidade das vinganças, como processo de justiça; disse da honestidade e da bravura do nordestino; relatou as suas virtudes domésticas, com que se formam solidamente as famílias; não escondeu a crendice fácil e a ignorância.

No termo da leitura, não sabemos como julgar o Nordeste e, nem o absolvemos, nem condenamos. Mas o próprio sertão, no seu desenvolvimento espontâneo, entre circunstâncias ásperas e difíceis, sob o castigo das secas, de certo que não pensou em se orientar para o bem, ou para o mal...

Barbosa Lima Sobrinho
“O PAIZ” - 12.05.1926

O governo, tendo na mais alta conta os serviços militares dos nobres deputados Flores da Cunha e Floro Bartolomeu, no Ceará, concedeu a esses bravos compatriotas as honras do posto de general de brigada, para lhes significar o seu reconhecimento pela dedicação, denodo e desinteresse com que defenderam a ordem legal, pondo à prova as mais eminentes qualidades no comando de tropas em operações.

Praz-nos sobremaneira fazer constar aqui, como uma demonstração de virilidade moral de nossos compatriotas, afeitos à luta honesta pela vida, a formação de batalhões patrióticos constituídos de cidadãos desejosos de servir dignamente ao país para preservá-lo da ação funesta dos egressos da ordem.

Imagem de Floro Bartolomeu

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JOSÉ HOMERO DESPARECEU DO NOSSO CONVÍVIO HÁ 5 MESES


Hoje, 15 de novembro está completando 5 meses que o nosso amigo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano desapareceu do nosso meio. Ele foi morar em outra esfera.

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SÃO MUITAS HISTÓRIAS E CAUSOS DO PADIM CIÇO. ENTRE ELAS UM ACERTO FEITO COM UM GRANDE AMIGO.

Padre Cícero e Padre Felix - o acerto.

Muito interessante a história que nos é contada pelo autor do livro "Documentos para a História de Missão Velha", nosso amigo historiador, memorialista, escritor João Bosco André, que nos fala sobre o Padre Félix Aurélio Arnaud Formiga que foi Vigário de Missão Velha durante 47 anos, que abrange de 28 de dezembro de 1855 a 28 de fevereiro de 1902 quando faleceu.

Esse Vigário foi muito querido na cidade de Missão Velha, trabalhando para os mais pobres e para a comunidade em geral. No tempo da grande seca de 1877 o amigo Bosco André nos conta que em suas pesquisas encontrou uma referência de um auxílio dado pelo referido Padre Félix a uma senhora que chegou em sua casa com seus filhos, todos com fome, chorando e o padre olhando para essa senhora e para os seus filhos e vendo que não tinha mais dinheiro nenhum para ajudar, desamarra sua rede retirando-a do armador entregando para aquela senhora e dizendo que ela fosse no comércio tentar vender aquela rede e comprasse comida. Quando essa senhora chegando na casa comercial do Senhor Aurélio Zabulon, comerciante naquela cidade, sua esposa, senhora Rosinha Parente, comprou a rede. Reconheceu que aquela rede era do Padre Félix Aurélio e depois de adquirida, entregou novamente ao padre. 

O Padre Félix teve grande participação em ajudar os doentes de cólera morbus que veio a abater-se sobre a cidade de Missão Velha. Fazendo papel de enfermeiro tentando ajudar de todas as formas aqueles que padeciam sobre essa perigosa doença, transmitida no menor contato que se tivesse, chegou ao ponto em que os cadáveres eram tantos que não tinha mais pessoas para carregar para o cemitério e o próprio Padre em carros de boi ia passando e amontoando os cadáveres para levar para o cemitério porque não tinha mais pessoas para fazer isso e no relato os carros de bois levavam de 15 a 20 corpos, transportados pelo próprio Vigário Félix.

Ainda nos conta o escritor Bosco André que Padre Félix integrou a comissão de sindicância enviada a Barbalha pelo segundo Bispo do Ceará Dom José Joaquim Vieira, para investigar os fatos que foram envolvidos o Padre Cícero e a Beata Maria de Araújo no famoso milagre de Juazeiro em que a hóstia transformou-se em sangue por diversas vezes quando recebida pela citada beata.

Sobre o Padre Félix também o autor do referido livro nos conta que um sobrinho do padre, o Senhor Pedro Juscelino de Aquino por ocasião das comemorações do primeiro Centenário da Conferência do Sagrado Coração de Jesus da Sociedade de São Vicente de Paulo de Missão Velha, no ano de 1986 contou uma história que foi testemunhada por diversas autoridades do município inclusive autoridades eclesiásticas sobre a morte do Padre Félix. Quando ele estava agonizante caiu uma forte chuva, era inverno e choveu por toda a noite e o Alferes Cândido da Cunha Camelo, sabedor de um trato feito entre o Padre Félix e o Padre Cícero que era um assistir o outro durante a morte, mandou que fosse selados dois animais para que ele mesmo fosse comunicar ao Padre Cícero em Juazeiro, da gravidade do Padre Félix, ante o compromisso entre os dois, Padre Félix e Padre Cícero, de um assistir a morte do outro. Chegando o senhor Cândido à margem do rio Missão Velha este já se encontrava caudaloso, com um grande volume d'água e mesmo assim ele conseguiu a duras penas atravessá-lo em uma pequena embarcação improvisada pelos sertanejos chamada couche. Ao chegar à outra margem do rio, mais precisamente no sítio Camelos, ali já se encontrava o Padre Cícero, sendo abordado pelo Alferes Cândido Camelo, da enfermidade do seu colega Padre Félix, este disse-lhes: "Compadre Cândido o Padre Félix faleceu a poucos instantes!" Notem que o Padre Cícero estava do outro lado do rio Missão Velha à cerca de três Km da Igreja Matriz o local onde o Padre Félix se encontrava e já sabia que o velho colega havia falecido. E atravessaram então o rio e ao chegarem, o Padre Cícero e o Alferes Cândido à sacristia da igreja, lá se encontrava uma grande multidão em grande comoção, pelo falecimento do querido Vigário, que tinha acontecido há poucos instantes. O Padre Cícero ao se aproximar do corpo do colega já sem vida, disse, porém pausadamente, com o sentimento da perda: "Félix! Félix! Nós não tínhamos um compromisso de um assistir a morte do outro? Aquele que morresse primeiro? Estou aqui!" disse o Padre Cícero e neste instante o Padre Félix abrindo os olhos caíram duas lágrimas e voltou a fechar os olhos para não mais abrir-los. Foi quando nesse instante o povo acorreu às ruas dizendo que o Padre Cícero havia vivenciado o Padre Félix, ressuscitado seu querido amigo.

Após esse episódio e tudo consumado, foram providenciadas as exéquias do ilustre Vigário de Missão Velha e o Padre Cícero na cidade até o sepultamento do colega, que ocorreu no final da tarde do mesmo dia 28 de fevereiro de 1902. Tamanha amizade entre os dois Levitas que o Padre Félix firmou Testamento contemplando o seu colega de Juazeiro quando afirmava que por sua morte alguns bens remanescentes que porventura houvesse seriam entregues ao colega Padre Cícero Romão Batista, bem assim como um Bilhete de Loteria que fora ganhador e que o seu produto seria revertido em favor do Padre Cícero do Juazeiro.

Estive recentemente com o amigo João Bosco André na cidade de São José do Belmonte, em encontro de pesquisadores, historiadores e escritores das Sagas do Nordeste, o famoso Cariri Cangaço, onde visitamos muitos locais históricos da vida de Lampião e das grandes querelas entre os Carvalho e Pereira, nesse caudal incrível de histórias, inclusive a da Pedra Bonita, local que Ariano Suassuna imortalizou como Pedra do Reino. Conversamos muito pois nos hospedamos na Fazenda Alto do Guerra, pertencente à dona Olímpia Novaes. Muitas histórias e causos revividos. O amigo Bosco é uma fonte inesgotável delas.

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