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domingo, 4 de novembro de 2018

SONHOS DE PEDRA

Autor: José Ribamar Alves 


Os meus dias verdes
O sol do verão...
Do tempo escondeu,
Só me deixou marcas
Dos sonhos de pedra
Que a vida me deu.

Perdido no ermo
Do próprio destino
Caminho sem calma,
Das auroras vivas
Só lembranças mortas
Conduzo na alma.

No vale do nada
Nas tardes de angústias
Lanço o meu queixume
Ensaiando as sátiras,
Do meu infortúnio
Que não se resume.

A dor da revolta
De um expatriado
Não supera a dor
De quem tem mil sonhos
Mas nenhum dos mil
Dá sorte no amor.

Meus sonhos de pedra
Me desaproximam
Da realidade
Sou eu o poeta
Que deixando o mundo
Não deixa saudade.

Enviado pelo poeta José Ribamar Alves

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

ANTÓNIO SILVINO EM SANTA MARIA



Naquela época, Santa Mana era apenas um pequeno povoado pertencente ao município de Taquaritinga, onde todas as segundas-feira era realizada uma feirinha. O homem mais influente do lugar era o senhor José Braz, político, proprietário de terras e criador de gado.. Naquele tempo o Governador do Estado era o General Dantas Barreto. A pressão sobre os cangaceiros se intensificava, embora o Capitão António Silvino reagisse, como sempre fizera com outros governos. Considerava-se "Governador do Sertão" e não admitia comentários a respeito de sua pessoa. Apesar de viver ocultamente dentro das caatingas, sabia de tudo que se comentava ao seu respeito e do seu próprio grupo. Sabemos que o Capitão António Silvino e o Coronel José Braz eram amigos, porém, foi o Coronel obrigado a fornecer animais selados, redes, dormida e alimentação de primeira para a tropa de soldados, comandada pelo Sargento João Nunes e o cabo António Tetéu, que em perseguição aos cangaceiros haviam acampado em Santa Maria. Após iniciada a desavença o senhor José Braz não demonstrou medo de António Silvino, afirmando que se ele tivesse a audácia de vir a Santa Maria, não seria recebido com banda de música e fogos, como foi numa cidade do Rio Grande do Norte, mas seria sim, recebido à bala porque era o que merecia diante de sua prepotência e de todo o mal que fizera no Nordeste. Não demorou muito tempo para o Capitão António Silvino ficar sabendo das ideias e propósitos do senhor Braz a

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seu respeito. Mandou um portador saber se era verdade o que lhe disseram. A resposta do proprietário e criador de gado foi afirmativa. Então, o mesmo portador que levara a resposta voltou dizendo que a qualquer hora o Capitão visitaria o povoado, para ter certeza da valentia do chefe do lugar. Nesse povoado não havia soldados para manter a ordem e garantir a segurança dos moradores. Havia apenas um subdelegado civil e um inspetor de quarteirão. Depois que a notí. cia espalhou-se, o povo ficou bastante apreensivo, querendo inclusive abandonar suas atividades. Porém o chefe (Zé Braz) tranquilizou a todos dizendo que o senhor Pequeno, inspetor do povoado, era um homem muito disposto e que de modo algum tinha medo dos cangaceiros. Além disso, haviam contratado dez homens corajosos para defender o povoado. Diante das precauções tomadas, não havia razão para ninguém retirarse. O senhor Pequeno não iria permitir que bandidos desmoralizassem aquele povo. Os voluntários recebiam um salário acima do normal, naquele tempo, e em virtude de ser uma missão perigosa recebiam café, almoço e ceia. armas de fogo e munição para enfrentar os foras-da-lei. A expectativa era grande nos primeiros dias, mas os cangaceiros não deram sinal de vida durante meses. Ninguém dava notícia do Capitão. A feira que quase acabara estava voltando ao seu ritmo normal. Além do senhor José Braz, se destacavam ainda os senhores José Patrício e José Alvino de Queiroz, sem falar no senhor Pequeno que dizia a todos com plena convicção, que os cangaceiros não iriam cumprir o recado enviado pelo Capitão, garantindo ao senhor Zé Braz que "dois bicudos não se beijam". O senhor José Braz todavia, tinha suas dúvidas, e como chefe, repetia as mesmas instruções de sempre para o inspetor, perguntando se os voluntários enfrentariam mesmo os bandidos, correndo o risco de morrer lutando. O inspetor sempre respondia: "Vá dormir descansado, que cangaceiro só entra aqui depois que eu estiver morto com meus companheiros, o que é muito difícil". Entretanto, o senhor José Braz não duvidava da audácia de António Silvino e esperava-o a todo momento. Dizia sempre que António Silvino era audacioso e felino como um gato selvagem, e que a qualquer instante apareceria. Ficava de prontidão em sua residência. Seus colegas José Patrício e José Alvino, também aguardavam nas suas casas.

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Quando a maioria já pensava que o Capitão desistira de invadir o povoado, num dia de segunda-feira, na hora em que a feira estava repleta de pessoas, surgiram por trás do cemitério os cangaceiros, fazendo alguns disparos para o ar, amedrontando os feirantes. O senhor Pequeno e seus homens romperam fogo contra os invasores. O Capitão António Silvino revidou com tamanha violência e rapidez que impressionou o inspetor, de maneira que o mesmo, tomado de medo, fugiu com os seus companheiros voluntários, enquanto os outros, sem comando, abandonaram o campo de luta. Os senhores Alvino e Patrício ocultaram-se diante do perigo, haja vista que naquele momento o povoado estava entregue aos "fora-da-lei". O senhor José Braz ficou sozinho, entrincheirado num prédio de primeiro andar que era a sua residência, sustentando o tiroteio até a munição acabar. 

DONA JOSEFA LUCENA HERÁCLIO RELATA ESSE FATO 

Dona Santa Heráclio conta que esse acontecimento ocorreu no dia 12 de junho de 1912. António Silvino invadiu o povoado de Santa Maria, acompanhado de vinte e quatro cangaceiros. Após dominar o lugar, ocupou o mercado público como se fosse legalmente um oficial do governo. O irmão de Dona Santa, Miguel Braz Pereira de Lucena, temendo ir pela rua, foi de telhado em telhado até conseguir chegar no mercado para conversar com o Capitão, na esperança de que ele mudasse de ideia e não matasse seu pai. Os cangaceiros ficaram admirados com a audácia do Dr. Miguel (era advogado), especialmente pela eloquência e maneira de falar com o Capitão, dizendo-se amigo e na certeza que pouparia, a vida do seu genitor. Soltando gracejos, os cangaceiros disseram que teria sido ótimo caso o tivessem visto andando por cima das casas, pois certamente receberia uma bala muito certeira. António Silvino ordenou que seus cabras terminassem as brincadeiras e disse para o Dr. Miguel: - "Foi até bom você vir se entregar, porque ficou mais fácil de sangrar seu pai. Você ficará aqui enquanto eu vou matar seu velho". Ordenou aos companheiros não fazerem nada com o advogado e nem deixá-lo fugir, o que os cabras cumpriram à risca, e foi com outros capangas matar o Coronel José Braz que se encontrava com a família, no primeiro andar de sua residência. O Capitão, aos gritos, perguntava se José

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Braz preferia morrer em cima, no sobrado, ou na calçada da rua. Nesse momento, José Braz desceu a escadaria acompanhado de sua filha Santa, dizendo: "Você só chegou à minha porta, porque as balas acabaram e já não tenho com que me defender". Os cangaceiros fizeram um círculo, dentro do qual ficaram António Silvino, o Coronel José Braz, Jararaca e Santa. O Capitão iniciou, dizendo: "José Braz, você sabia que não podia comigo e por que ficou contra mim? Agora vai morrer sangrado como um porco". Com um punhal chamado "bico de lavandeira" na mão, colocava a ponta do mesmo na garganta do Coronel. Santa, que de tudo participava, tomou posição entre o cangaceiro e seu pai, sustentando a lâmina da arma, e pediu: "Mate-me, mas deixe meu pai vivo, eu lhe suplico" O Capitão retirou o punhal, no entanto continuou torturando-o com sua arma, que encostava ora no peito, ora na barriga do seu inimigo, ouvindo as súplicas da moça. Já estavam sem condições de suportar tanto sofrimento e humilhação, quando António Silvino afastou-se um pouco e o cangaceiro Jararaca aproximou-se de Santa, dizendo baixinho no seu ouvido: — "Não tenha medo, moça. Seu pai não vai morrer. Quando ele quer mesmo matar, não judia". 

MOMENTO DE CORAGEM DA MENINA SANTA

Atualmente, ao relatar esse fato, D. Santa diz que as palavras de Jararaca, naquele momento, foram mesmo que uma injeção energética, tornando-a mais tranquila e ao mesmo tempo afoita, chegando a dizer ao Capitão: —"Você só mata Papai, porque o meu noivo não está aqui". Ele observando-a, sem maltratar o Coronel, perguntou: —"Quem é seu noivo, menina?". Ela respondeu: - "É Jerônimo Heráclio". O Capitão, muito sério, guardou a arma e disse para José Braz: "Você não vai morrer agora; agradeça à sua filha, que me impressionou com tanta coragem. E além disso, não quero encrencas com os Heráclios, Agora, tem uma coisa: mande para mim dois contos de réis, pelo Coronel António Farias". Naquele tempo, dois contos de réis era muito dinheiro, mas o Coronel foi obrigado a cumprir a palavra. O senhor Jerônimo Heráclio foi de opinião que o seu futuro sogro mandasse o dinheiro imediatamente, servindo ele mesmo de portador para entregar a importância ao Coronel

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António Farias (pai do senhor Severino Farias e avô do Dr António de Arruda Farias, ex-Prefeito do Recife) 

O Coronel António Farias era amigo do Capitão, e párente do senhor José Braz, que forçado pelas circunstâncias, continuou amigo do Capitão, que recebeu o dinheiro, dizendo: "Só perdi a amizade de José Braz por causa daqueles macacos safados", referindo-se ao Sargento João Nunes e ao Cabo António Tetéu. Por ter dado pousada aos soldados, o Capitão achou que o Coronel havia se tornado inimigo seu, daí os recados desaforados e os preparativos que culminaram com o encontro e invasão do povoado por vinte e quatro cangaceiros, juntamente com seu chefe, quando incendiaram quase todas as casas comerciais, após retirar e fazer entrega ao povo de tecidos, géneros alimentícios e tudo que encontraram. Somente o dinheiro em cédulas António Silvino guardava. Níquel, prata e cobre eram distribuídos com os curiosos que já haviam invadido o lugar a chamado do "bandido-chefe". Foi verdadeiramente um dia de juízo para os moradores do povoado. Os amigos do Coronel José Braz, que tanto o incentivaram, sem falar no senhor Pequeno, se omitiram de aparecer na hora difícil. Eram eles José Patrício e José Alvino de Queiroz que, tempos depois, demonstraram tanta audácia sob o comando do alferes Teófanes Ferraz Torres. O senhor Pequeno, ex-inspetor, com vergonha de apresentar-se ao chefe político (o único a enfrentar os cangaceiros) , demorou muito tempo a aparecer, e quando voltou não era mais o valentão de antes. O senhor José Braz (que também ocupava o posto de sub-delegado) demitiu-o. 

DONA SANTA NÃO ESQUECEU A BOA AÇÃO DO CANGACEIRO JARARACA

Após afastar-se da senhorita Santa e do Coronel, Antonio Silvino foi para o mercado público onde o Dr. Miguel Braz Pereira de Lucena se encontrava sob a guarda incómoda de vários cangaceiros. Ao chegar, chamou seus companheiros para irem embora, dizendo ainda: "Não matei José Braz, nem vou matar o Dr. Miguel". Enquanto o Dr. Miguel esteve com os cangaceiros aguardando o desfecho daquele triste dia, não demonstrou muito medo, mas o contrário, conversando com eloquência, impressionando aos bandoleiros.

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O Capitão disse ao Dr. Miguel: "O seu pai sabia que não podia comigo". Após esse encontro, retirou-se com seu grupo, deixando os habitantes do povoado sofrendo os prejuízos material e moral por muito tempo. Santa ficou muito grata ao cangaceiro Jararaca e ainda hoje tem gravado na mente o perfil do mesmo: homem preto, de estatura elevada, timbre de voz bonito e olhos verdes. Apesar de sua cor preta não era feio, e pareceu-lhe até bonito naquela hora tão amargurada. Ainda hoje ela comenta: "agradeço e ainda ouço aquelas palavras de esperança, pronuncia, das por um bandido num momento tão difícil. Diariamente, faço preces a Deus por sua alma". Era um verdadeiro inferno na época de António Silvino, naquelas regiões. Naqueles dias ela contava com apenas 16 anos de idade. No ano seguinte, em 1913, com 17 anos casou-se com o senhor Jerônimo Heráclio do Rego, homem azogado, muito trabalhador e honesto.

Infelizmente por motivo de internet perdi a fonte.

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FAZER CULTURA É O QUE O BRASIL PRECISA VALE CONHECER A ARTE DE SILDOMAR GOMES


Por Luiz Serra

O artista popular Sildomar Gomes é de Serrinha dos Pintos, sertão do Rio Grande do Norte. Nos espaços culturais de seu pequeno município, iniciou suas exposições que tiveram a alegria e a plena atenção de todos.Um seguidor da iconografia sertaneja de Mestre Vitalino.

A Mostra no meio da rua em Ceilândia, Brasília, detalhes da vida no sertão...Sildomar Gomes (2018)

Nestes dias a Mostra de Sildomar Gomes está na cidade-satélite de Ceilândia, próximo de Brasília, mesmo sem apoio substancial, sua mostra de uma casa do sertão está despertando a atenção dos visitantes (fotos).

Reciclados que viram arte do povo... Sildomar Gomes

Ideia da reciclagem

Sua estratégia está no reaproveitamento de materiais de sucata, o barro de rebocos, ferro, azulejos, a ideia da reciclagem é a sua marca criativa, e, nesta exposição aberta, pois está sendo exibida na rua, compõem-se de 37 peças. Numa faixa estão os dizeres:

“Recicle Tudo Aquilo Que Pode Se Tornar Arte”.

A Mostra no meio da rua em Ceilândia, Brasília, detalhes da vida no sertão...Sildomar Gomes (2018)

Notícias

“O artista plástico utiliza uma série de técnicas para criar obras que transmitem emoções para outras pessoas. Com o intuito de embelezar o nosso setor O, o artista plástico Sildomar Gomes, construiu uma réplica de uma casa de pau a pique, também conhecida como taipa de mão. Em tamanho real, típica do sertão brasileiro, também é dele a decoração e ambientação com peças que casam com o conjunto da obra”.  Diário Literário da Sally

Vale a pena prestigiar essa arte de inegável valor humano e cultural.

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