Seguidores

Mostrando postagens com marcador Seção: Geral. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Seção: Geral. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Bento Praxedes Fernandes Pimenta - 01 de Fevereiro de 2015

Por Geraldo Maia do Nascimento

Nasceu em Martins/RN a 31 de janeiro de 1871. Aos 19 anos deixou o rincão nativo onde iniciara seus estudos elementares, com professores que eram grandes expressões no campo do conhecimento e das letras, como foram os doutores Bainor Fernandes, João Antunes de Alencar e Manoel Moreira Dias, vindo para Mossoró em busca de oportunidades. Com inteligência, trabalho e dedicação, conseguiu formar a sua personalidade e conquistar seu espaço na sociedade mossoroenses.

Bento Praxedes Fernandes Pimenta - oestenews-mossoro.blogspot.com

Casou-se com dona Pautila Praxedes de Oliveira, filha do Cel. Francisco Gurgel de Oliveira, importante chefe político que tinha sido líder do Partido Conservador, com quem manteve sempre estreitos laços de amizade. Desse consócio nasceram quatro filhos, tendo falecido um deles.
               
A boa convivência que mantinha com o Cel. Gurgel, \\\"viria a se tornar uma das poderosas influências junto aquela destacada figura, cujo prestígio viera do Império e se projetara nos dias da República. Sua ação passou, assim, a tomar lugar nas mais importantes deliberações do velho chefe sertanejo, tornando-se individualidade marcante nas decisões do seu partido onde era ouvido com acatamento e considerações\\\", segundo as palavras do escritor Raimundo Nonato. Seu destino não poderia ser outro que não a carreira política, se tornando chefe político em Mossoró na sucessão, por morte, do seu sogro. Homem de talento, inteligente, de palavra fácil, deixaram fama os seus discursos, os vibrantes improvisos e os brindes que sabia levantar com elegância e comedimento de palavras e de elogios. 

A sua vida foi bem um exemplo de dignidade, de critério, de lealdade, de filantropia e muito especialmente como chefe de família. Foi administrador da Mesa de Rendas Estaduais de Areia Branca, primeiro escriturário do Tesouro do Estado e Coletor Federal de Mossoró. \\\"A tolerância foi seu escopo principal e não poucas vezes as aclamações que subiam até o chefe partiam de amigos e adversários\\\".
               
Como jornalista fundou e dirigiu o \\\"O Comércio de Mossoró\\\", que circulou de 17 de janeiro de 1904 a 17 de dezembro de 1917. Era um jornal de feição própria, de colaboração séria, com programa, orientação e rumo definidos. Mesmo no ostracismo partidário, sua influência era benéfica, tornando-se uma fisionomia indispensável na recordação social e política de Mossoró.
               
Faleceu em Mossoró a 29 de abril de 1922. E apesar dos cargos que ocupou, da sua influência política e até mesmo do jornal que tanta projeção lhe deu, morreu pobre. Não deixou mais que um passado honroso para sua família. Seus amigos construíram um túmulo para guardar os restos mortais daquele que inúmeros benefícios prestou à coletividade mossoroense. \\\"Alma boa, coração bondoso, viveu uma vida de homem pobre, deixando a sua morte a mais desolada saudade\\\" - dizia \\\"O NORDESTE\\\" na sua edição de 14 de fevereiro de 1928, publicando a relação nominal dos amigos de Bento Praxedes que contribuíram na construção do túmulo.
               
Pelas suas qualidades de homem honrado e prestativo, bem que poderia se aplicar aquela famosa frase latina: \\\"Perfransit benefaciendo\\\", que traduzindo explica bem o que ele fez de fato: \\\"Passou a vida praticando o bem\\\".
               
A Cidade de Mossoró o homenageou empestando seu nome a uma praça do centro da cidade.
                
Para saber mais sobre a História de Mossoró visite o blog: www.blogdogemaia.com.


Geraldo Maia do Nascimento

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Fonte:
http://www.blogdogemaia.com

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

domingo, 4 de agosto de 2013

Por: Geraldo Maia do Nascimento
Geraldo Maia do Nascimento e Kydelmir Dantas

Durante o período de 1869 a 1872 Mossoró foi administrada pelo tenente-coronel da Guarda Nacional Luiz Manuel Filgueira. Foi durante a sua gestão que Mossoró passou ao predicamento de cidade. Foi também durante essa fase que começou a circular, pela primeira vez, o jornal “O Mossoroense”.
               
Filgueira era comerciante em Mossoró e era casado com D. Herculana Gratulina Praxedes, irmã por parte de pai de Bento Praxedes. Era descendente dos Camboas, mas por outro lado estava ligada aos Carneiros de Freitas, família que nessa região teve a sua origem genealógica na figura do capitão Manuel Carneiro de Freitas, conforme nos informa Lauro da Escóssia.

               
Luiz Manuel Filgueira foi o 5º governante de Mossoró. Alguns fatos importantes acontecidos na sua gestão:
               
A lei nº 620, de 9 de novembro de 1870, eleva a vila de Mossoró ao predicamento de cidade. O projeto foi do vigário Antônio Joaquim Rodrigues, deputado provincial pela sexta vez, apresentado à Assembleia Legislativa na sessão de 25 de outubro de 1870. Câmara Cascudo registrou um comentário que o vigário teria feito: “Fiz disso aqui uma cidade! Dizia ele abraçando os amigos no regresso à Mossoró que vira povoação e ajudara a fazer vila”. Nesse período Mossoró já era tida como “Empório Comercial”, já que as mercadorias chegadas a Mossoró através do seu porto, vindo de várias partes do mundo, eram distribuídas não só pelo Oeste potiguar, mas também por parte da Paraíba e do Ceará.
               
Jeremias da Rocha Nogueira funda a 17 de outubro de 1872 o primeiro órgão da imprensa de Mossoró, que se chamaria exatamente “O Mossoroense”. Esse jornal, em sua primeira fase, circulou até 1876, ajudado por José Damião de Souza Melo e Ricardo Vieira do Couto. Era um órgão ligado ao Partido Liberal de Mossoró, e como estampava em seu frontispício, “dedicado aos interesses do município, da província e da humanidade em geral”.
               
O comércio cresceu bastante nesse período. Em dezembro de 1872 Wilhem Defren, um alemão distinto, educado e de ameníssimo trato, abria casa de negócio e anunciava pela imprensa “que havia chegado uma remessa de prata em patacões para a compra de gêneros pelo que prevenia aos sertanejos que querendo-lhe dar a preferência nas vendas de couro e lã, pagaria na dita espécie”. Também já se confeccionavam roupas “no rigor da moda”. E quem desejasse uma calça bem feita ou um fraque “de gosto moderno”, ou uma sobrecasaca, era só procurar a “Casa de João Rodrigues Pará”, que ficava à Praça da Liberdade.
               
Raimundo Soares de Brito registrou em seu livro “Legislativo e Executivo de Mossoró – numa viagem mais que centenária”, um fato curioso havido nesse período: o delegado de polícia José Joaquim Seve foi preso “em nome da Opinião Pública” pelo abolicionista João Cordeiro.Segundo notícias que circulavam, o delegado “teria mandado dizer ao Chefe de Polícia que João Cordeiro havia proclamado a República em Mossoró”.
               
Luiz Manuel Filgueira faleceu em 1876. Desconheço a existência de alguma homenagem prestada pela municipalidade.
               
Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Fonte: http://www.blogdogemaia.com

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O Paraíso dos Mossoroenses III - 02 de Fevereiro de 2013

Por: Geraldo Maia do Nascimento

O mais antigo registro que existe sobre a Praia de Tibau data de dezembro de 1810 e foi feito pelo inglês Henry Koster no seu livro “Travels in Brazil”, que foi publicado em Londres em 1916. Esse livro foi traduzido para o português pelo historiador Luís da Câmara Cascudo em 1942, com o título “Viagens ao Nordeste do Brasil”. 
               
Henry Koster era um inglês nascido em Portugal que vivia, desde dezembro de 1809, em Pernambuco. Tuberculoso, fugiu do inverno europeu e veio a se instalar em Itamaracá, onde possuía um engenho. Lá ele era conhecido por Henrique da Costa. 
               
Em 1810 Koster realizou uma jornada fabulosa, de Recife a Fortaleza, ida e volta, a cavalo, varando o interior, olhando tudo e tudo registrando com clareza e verdade. É o primeiro e melhor depoimento sociológico e etnográfico da região. Diz Koster em seu registro: “A volta do meio dia, passamos perto de uma choupana onde residia o vaqueiro de uma fazenda e imediatamente deparamos o monte de areia, chamado Tibau, junto do qual se vê o mar”. E mais adiante: “Paramos para descansar ao meio dia numa pobre choça, erguida no alto da duna pelos moradores da fazenda e servindo para preparar o pescado. Tinham-na construído bem no cima, por estar completamente exposta ao vento. A descida para o mar era rápida, mas não perigosa, e a frouxidão do areial prevenia contra qualquer possibilidade do cavalo escorregar e rolar até em baixo”. 
               
Mas o que significa o vocábulo Tibau? Luís da Câmara Cascudo, na tradução do “Viagens ao Nordeste do Brasil” recorda Teodoro Sampaio, o autor do “Tupi da Geografia Nacional” TIBAU, TIPÃO – Entre duas águas. Em uma Acta Diurna, de maio de 1942, sobre “Praias do Rio Grande do Norte” o mestre Cascudo sugere que Tibau viria do TI-PAUM: “entre duas águas, entre dois rios”. Seria a localização do Tibau entre os rios Mossoró e Jaguaribe. 
               
O Dr. Carl Friedr. Phil. Von Martius no seu “Glossaria Linguarum Brasiliensium”. Erlangen, 1863, definiu Tibau:TIBÃO, TIBAU (RGN, Serra, Povoação) Itic, derribar, pabe tudo. Sylva tota caesa. 
               
TIBÃO Baixa mar, recessus maris TIM extremo, pabe todo. Aliis tupy extremo, opào acabou. Aliis tupy fundo, pabe de todo. Essa informação é do historiador Luís da Câmara Cascudo e foi registrada por José Lacerda Alves Felipe e Vingt-un Rosado Maia no livro “Tibau, Espaço e Tempo (Coleção Mossoroense, Série “C” – Volume 1215 – Março de 2002 – 3ª Edição – pag. 39). Para Cascudo, Martius se inspirou em Frei Onofre. O Dicionário Português Brasiliano é de 1795, na sua primeira edição, mas a edição completa, com a identificação do nome do autor, foi feita por Plínio Airosa, que publicou também o Dicionário Brasiliense Português. Para Frei Onofre, Tibau significa “baixa-mar”. 
               
O desenvolvimento de Tibau foi bastante lento. A região foi descoberta pelo navegador holandês Gideon Morris de Jorge em fevereiro de 1641. Após constatar a existência de salinas do Rio IWIPANIM (hoje, rio Mossoró) e maravilhado com a variedade de areias, observadas através de uma luneta, chamou pela cor que predominava: Morro Vermelho. Em 5 de julho de 1708 foi dado um importante passo para a exploração e povoação do território. Foi nesse dia que Gonçalo da Costa Faleiro recebeu das mãos do Capitão-Mor do Rio Grande do Norte, Sebastião Nunes Colares, uma sesmaria compreendendo vasta extensão de terra a partir do Morro do Tibau. Com relação ao desenvolvimento da região, em 23 de dezembro de 1948, pela Lei número 146, o povoado chegou a condição de distrito. Mas a autonomia política só chegou muito tempo depois: exatamente no dia 21 de dezembro de 1995, pela Lei número 6.840, Tibau foi desmembrado de Grossos, tornando-se um novo município do Rio Grande do Norte. 
               
Hoje o município conta com uma população projetada de 4.000 habitantes, distribuídos numa área de 169 Km2. Mas no período de dezembro a fevereiro de cada ano, a cidade se enche de veranistas, principalmente de mossoroenses que elegeram Tibau como o seu paraíso.

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fontes:
http://www.blogdogemaia.com/#

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

sábado, 1 de setembro de 2012

Hoje na História de Mossoró - 01 de Setembro de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 01 de setembro de 1701 era concedida ao Convento do Carmo, de Olinda/PE, sesmarias de terras no rio Upaneminha. Dava-se ai o início da povoação do que seria o município de Mossoró.

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento
Fontes:

Informação:

Você que é leitor das crônicas e poesias dos escritores:

Rangel Alves da CostaClerisvaldo B. Chagas

Rangel Alves da Costa e Clerisvaldo B. Chagas, as mesmas estão sendo postadas no blog: 

"FATOS E FOTOS"

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Hoje na História de Mossoró - 31 de Agosto de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 31 de agosto de 1875 o Decreto n. 5881, oriundo do Gabinete do Visconde do Rio Branco, aprovando o regulamento do recrutamento para o Exercito e Armada, teve repercussão desfavorável na Província do Rio Grande do Norte, onde várias comunidades se levantaram em sinal de protesto.

Ninguém desejava que seus filhos fossem apanhados para o serviço militar, notadamente quando era sabido das intenções dos chefes políticos dominantes em darem sua preferência a filhos de adversários, como no caso em tela aconteceu nesta cidade. Assim é que, mirando em acontecimento idêntico desenrolado em municípios desta Província, as mulheres mossoroenses promoveram uma manifestação e conseqüente passeata pelas ruas da cidade, rasgando os editais afixados, na Igreja, indo à redação do jornal O MOSSOROENSE, destruindo cópias dos mesmos que ali estavam para ser publicados. Partiram daí para a Praça da Liberdade e se engalfinharam com um grupo de soldados da Força Pública, mandados para dominar a rebelião. Houve luta ente mulheres e soldados, saindo algumas feridas, não mais se agravando a situação, graças à interferência de outras pessoas.

O Juiz de Direito, Dr. João Antônio Rodrigues comunicou o fato ao Presidente da Província, Bacharel João Bernardo Galvão Alcanforado Júnior, que mandou instaurar inquérito contra as promotoras do Motim das Mulheres, cuja peça processual desapareceu do arquivo do Departamento da Segurança Pública. Estavam envolvidas no movimento das Evas mossoroenses, cujo número de participantes se elevava a 300, Ana Floriano, mãe do jornalista Jeremias da Rocha Nogueira, Maria Filgueira, esposa do Cap. Antônio Secundes Filgueira e Joaquina Maria de Góis, genitora do historiador Francisco Fausto de Souza.

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento 
Fontes:
  
Visite este site:
Crônicas e poesias dos escritores: 
Rangel Alves da Costa e
Clerisvaldo B. Chagas

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Hoje na História de Mossoró - 29 de Agosto de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 29 de agosto de 1926 falecia Delfim Freire da Silva, alto comerciante da praça de Mossoró, com seu empório de tecidos e calçados.
               
Delfim Freire manteve por longos anos sua casa de comércio em nível superior às condições comerciais da região, chegando a atrair representantes de firmas do sul do país, que vinham exclusivamente receber pedidos de compras de especialidade da Casa Delfino.
               
Homem de larga visão também no setor imobiliário, construiu sua residência, supervisionado por arquiteto contratado no Rio de Janeiro. Era um chalet que ficava na Praça da Matriz, hoje Praça Vigário Antônio Joaquim, no local hoje ocupado pela Câmara Municipal de Mossoró, dando-lhe fino acabamento com cimento inglês e tinta carton pierre de procedência francesa, de escadas de ferro, além de outras construções para seus filhos, em idêntico estilo.
               
Era possuidor de sólida fortuna que com sua morte foi aos poucos se extinguindo, sem nenhum proveito para seus descendentes. 
                

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fontes:

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Hoje na História de Mossoró - 28 de Agosto de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 28 de agosto de 1858 nascia em Maranguape (CE), Francisco Pinheiro de Almeida Castro, político mossoroense, médico, falecido a 22 de junho de 1922.

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fontes:

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Hoje na História de Mossoró - 22 de Agosto de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 21 de agosto de 1872 dava-se a instalação da Estação Telegráfica de Mossoró.

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fontes:

domingo, 19 de agosto de 2012

Jorge Freire de Andrade - Jornalista matuto - 19 de Agosto de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

“Muitas vezes é necessário que se passem muitos anos antes que o ouvido esteja maduro para determinada história”, disse Kafka. Conto pois, a história de Jorge Freire de Andrade. Já é tempo de contar sua história. É uma história simples, de um homem simples, que foi caixeiro de padaria, músico, bodegueiro, guarda-livros e jornalista; principalmente jornalista. Jornalista do interior, jornalista matuto como ele gostava de dizer.
              
Jorge Freire de Andrade

Nascido em Aracati/CE, a 11 de junho de 1903, numa fria madrugada de Quinta-feira, sendo filho de João Freire de Andrade e Olympia Caminha. Deixaria escrito no seu caderno de anotações, que tempos depois o seu filho e também jornalista 

Dorian Jorge Freire

Dorian Jorge Freire reproduzia: “Nunca fui criança. Fui um homem com 6, 10 ou 12 anos. Não fiz travessuras. Não tive brinquedos. Não conheci Papai Noel. A tal infância, cheia de encantos, repleta de episódios que se não esquecem nunca, eu não a conheci”.
               
Sua educação foi deficiente, segundo suas próprias palavras. Conheceu apenas professores de primeiras letras. Escola propriamente dita, com recreios, exames e férias, afirma que nunca conheceu. Adolescente, foi trabalhar na padaria de um irmão, na qual aprendia a embalar bolachas e a fazer pão, dividindo estas tarefas com os estudos. Era inteligente e talentoso. Foi estudar flauta para tocar na charanga 24 de Maio e na banda de música do Tiro de Guerra de sua cidade.
              
Em 26 de fevereiro de 1923, com 20 anos de idade, veio para Mossoró, “para trabalhar em Monte & Primo, ganhando 80 mil réis, com refeição por conta da casa”. Trabalhava e estudava sozinho, procurando aprender nos livros o que não aprendeu na escola. Tornou-se um grande leitor. Com a leitura adquiriu conhecimentos e livros. Formou uma grande biblioteca, a maior da cidade. Não demorou a aproximar-se dos intelectuais da cidade, homens de cultura como Joel Carvalho, Raul Caldas, Lauro da Escóssia, Raimundo Nonato da Silva, Martins de Vasconcelos e José Octávio Pereira, entre outros. Sobre essa fase da sua vida, depõe seu filho: “Começava a cidade a conhecer o prosador fino, o articulista, comentarista seguro. Organizava ininterruptamente seus conhecimentos. Lendo, estudando, escrevendo, rescrevendo, corrigindo.” O seu esforço, a sua dedicação aos estudos, a sua maneira refinada de escrever dá resultados. “Começa a ser convocado para todas as tarefas de escrevinhador. Secretário de entidades, redator de discursos alheios, fazedor de cartas”. Escreve para todas as publicações que aparecem em Mossoró. Mas escreve, inicialmente, escondido sob pseudônimos – Camilo Torres, S. Queiroga, Joviano Franklin e, finalmente, Dorian Jorge. Participou da abertura da terceira fase do centenário jornal “O Mossoroense”, que tinha como diretor Lauro da Escóssia e como redatores nomes como Vingt-un Rosado, José Augusto Rodrigues e ele. Escrevia a coluna “A Nota” e o artigo de fundo.
               
Era austero no vestir. Usava sempre roupa escura, chapéu preto, gravatinha borboleta e, na cintura revólver. Mantinha a rotina da conversa diária com os amigos, sempre os mesmos e nos mesmos lugares. E lia, lia muito.
               
Resolveu ir para São Paulo. Talvez a cidade grande oferecesse melhores oportunidades. Vendeu o que tinha, encaixotou os livros e partiu. Chegou a São Paulo no dia 13 de janeiro de 1955. “É contratado pela empresa distribuidora de notícias e artigos para toda imprensa do interior. Fez-se articulista da firma “Express”. E seus artigos passam a ser publicados em mais de uma centena de jornais do interior bandeirante. Artigos políticos ou sobre o Nordeste”. Aliás, um trabalho seu sobre o Nordeste escrito em fins dos anos 50, encantou o sociólogo Caio Prado Júnior, que o publicou na sua “Revista Brasiliense”.
               
Em 19 de agosto de 1962 falece em São Paulo. No dia anterior, confessava ao filho o desejo de voltar ao Nordeste com livros e passarinhos. À meia noite, disse que iria dormir. Quinze minutos depois era fulminado por um enfarte do miocárdio.
              
 O que podemos dizer mais sobre Jorge Freire? Apenas repetir Shakespeare: “A natureza se diverte, às vezes, formando seres raros.”
                

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fontes:

sábado, 18 de agosto de 2012

Hoje na História de Mossoró - 18 de Agosto de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

No dia 18 de agosto de 1950, Mossoró foi visitada por uma grande comitiva da União Democrática Nacional – UDN, em propaganda das candidaturas do Brigadeiro Eduardo Gomes e do Ministro Odilon Braga à sucessão presidencial da República, além do Senador José Ferreira de Souza, Deputado José Augusto Bezerra de Medeiros, Manuel Varela de Albuquerque e Duarte Filho, estes candidatos ao Governo do Estado. O comício seria naquela mesma noite, na Praça Bento Praxedes, onde haviam armado um palanque de grandes proporções.

Da construção do palanque, ficou encarregado o Sr. Francisco Sales dos Santos Bezerra (Sales de Avelino, como era chamado), um construtor com bastante experiência naquele tipo de estrutura. Mas dada a urgência dos trabalhos, Sales de Avelino resolveu simplificar: montou todo o tablado do palanque apoiado em tambores metálicos vazios, do tipo que ainda hoje é usado para coletar lixo.

Naquela noite, a Praça se encheu de gente para o grande comício, e o palanque foi recebendo candidatos, senhoras e personalidades locais, em número de quase 100 pessoas. E quando os primeiros oradores se preparavam para o início da falação, o palanque desabou. Generalizou-se o pânico, houve correrias e provocações, tendo Sales de Avelino, por precaução, abandonado o local.

O historiador Raimundo Soares de Brito foi testemunha ocular do evento. Segundo suas palavras, o palanque não caiu: afundou. Não resistindo o peso de tanta gente, os barris foram se deformando e o piso foi baixando, fazendo com que as pessoas sumissem da vista do público, já que as laterais do palanque ficaram intactas.
               
Não houve feridos. Passado o susto, o comício pode ter início com discursos de alguns dos nossos oradores, além do major André Fernandes de Souza, em nome da UDN, do Dr. José Augusto, Odilon Braga e por fim do Brigadeiro Eduardo Gomes.
               
Mas o trágico da história é que quase todos que subiram ao palanque da Praça do Codó, como ficou sendo chamada a partir de então, foram derrotados nas urnas. Eduardo Gomes e Odilon Braga perderam para Getúlio Vargas e o nosso conterrâneo Café Filho; Manuel Varela e Duarte Filho foram suplantados pelo mossoroense Dix-sept Rosado Maia e Silvio Pedrosa. José Augusto não conseguiu ser reeleito para a Câmara Federal, com a particularidade de não ter obtido nem um voto em Mossoró. Além de outros deputados estaduais e vereadores que também não foram eleitos. Foi mesmo um codó aquele comício da noite de 18 de agosto de 1950, pois codó, é uma palavra originária de um dialeto africano e o seu significado se aproxima do que em português entendemos como azar ou carma negativo. Há quem diga que o autor do batismo da praça como codó foi o Dr. Vingt Rosado, como uma forma de diminuir o ânimo dos adversários.
               
E a maldição do codó tomou corpo no imaginário popular. Nenhum candidato queria usar a Praça que já tinha sido palco de grandes embates políticos. Até que em 1960 o “cigano feiticeiro”, apelido pelo qual era conhecido Aluízio Alves , então candidato a governador do Rio Grande do Norte, num golpe de marketing sem igual na região, anunciou que iria exorcizar, como cigano, o feitiço que havia na praça. E mobilizando o eleitorado de Mossoró em memoráveis passeatas, cujo percurso varava a madrugada e o final era sempre na Praça do Codó, saiu-se vitorioso, acabando assim com a maldição.
               
A maldição da praça foi tirada pelo “cigano feiticeiro”. Mas na memória popular, a Praça Bento Praxedes será sempre a Praça do Codó.

 Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fontes:

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Hoje na História de Mossoró - 07 de Agosto de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

07 de agosto de 1955 – Comício de propaganda do Sr. Ademar de Barros, chefe e candidato do Partido Social Progressista à Presidência da República.
               
O referido político procedia de Fortaleza, viajando de avião com pequena comitiva. Foi saudado em palanque armado na Praça Rodolfo Fernandes pelo Dr. Waldemar Cavalcanti, falando em seguida o candidato e outro componente da comitiva.
               
O Dr. Ademar de Barros foi hóspede do Dr. Lavoisier Maia, seu colega de turma na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fontes:

domingo, 5 de agosto de 2012

A Matriz de Santa Luzia de Mossoró - 05 de Agosto de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Encontramos registros em velhos livros amarelados pelo tempo onde se ler que a 5 de agosto de 1772 a Provisão das Dignidades do Cabido de Olinda concede a Antônio de Souza Machado, Sargento-Mor da ribeira do Mossoró e sua mulher Rosa Fernandes, autorização para construir uma capela na fazenda Santa Luzia, de sua propriedade, em cumprimento de promessa feita por sua intercessão. E a capela foi construída com os cruzados do Sargento-Mor e o auxílio dos devotos circunvizinhos, sendo o primeiro ato litúrgico celebrado em 25 de janeiro de 1773, quando foi batizada uma criança do sexo feminino, cerimônia essa oficiado pelo padre José dos Santos da Costa. A criança que havia nascido no dia 15 do mesmo mês, recebeu na pia batismal o nome de Maria, e era filha de Miguel Soares de Lucena e de Páscoa Maria da Encarnação, primeira neta paterna do Alferes Manuel Nogueira de Lucena.


Em 9 de maio de 1773 foi feito o primeiro sepultamento na Capela de Santa Luzia. Era de uma menina de 9 anos de idade, filha de Manuel Bezerra de Jesus e Maria Madalena Teixeira. Dessa data em diante, os mortos de Mossoró passaram a ser sepultados no interior da capela, visto que anteriormente as pessoas que morriam no povoado eram sepultadas na Capela de Mata Fresca, comunidade distante 72,0 Km de Mossoró.

Em 6 de outubro de 1778 é realizado o primeiro casamento na Capela de Santa Luzia, sendo os nubentes Gregório da Rocha Marques Filho e Francisca Nunes de Jesus, tendo como testemunhas o português coronel regente Francisco Ferreira Souto e Antônio Afonso da Silva, o primeiro sendo morador de Mossoró e o outro do Panema. A solenidade realizada pelo carmelita Frei Antônio da Conceição.

Da fazenda Santa Luzia de Mossoró surgiu o povoado e do povoado a cidade, tudo se passando ao redor da Capela. Em 13 de julho de 1801 dona Rosa Fernandes, viúva do Sargento-Mor Antônio de Souza Machado, faz doação do patrimônio da Capela de Santa Luzia.
               
Em 30 de dezembro de 1830 é inaugurada a primeira reforma da Capela, reforma essa para a qual se mandou buscar no Assu o mestre pedreiro Manuel Fernandes que veio com um escravo e um mestre de obras. A imagem de Santa Luzia de Mossoró, pequena e de madeira, foi mandada buscar em Portugal.
               
Em 27 de outubro de 1842, pela resolução número 87, a Capela de Santa Luzia era elevada à categoria de Matriz, desdobrada assim da freguesia do Apodi a que esteve ligada durante setenta anos.
               
Mas a primitiva Capela já não era suficiente para atender as necessidades da população e é assim que em 24 de março de 1858 foi iniciada a reconstrução da Igreja, no mesmo local da anterior, tendo o vigário Antônio Joaquim Rodrigues aproveitado algumas paredes de pedra e cal da primeira construção. Foi uma longa reforma que durou dez anos, sendo utilizados auxílios dos paroquianos e verbas da província. Mesmo assim, as torres não foram concluídas nessa reforma.
               
Em 1910 era vigário da Catedral o Padre Pedro Paulino Duarte da Silva. Esse Padre promoveu na época, uma meritória campanha em prol da conclusão das torres da Igreja. Para isso concitou os fiéis às romarias durante as tardes de Domingo, quando seriam transportados tijolos, pedras, areia e cal para o adro da Matriz, de forma a não pararem os serviços por deficiência de material. O povo atendeu ao chamado do Vigário e as torres foram concluídas.
               
Em 28 de julho de 1934 foi criada a Diocese de Mossoró, com solene missa celebrada na Matriz de Santa Luzia pelo padre Luís da Mota, vigário da paróquia, quando o mesmo dá conhecimento aos fiéis, através da Bula PRO ECCLESIARUM OMMIUN, do Santo Padre Pio XI, criando a Diocese e elevando a Matriz de Mossoró à categoria de Catedral Diocesana. A Matriz se enfeitara toda para esse ato. Dentre os presentes, estavam todas as autoridades municipais, vários sacerdotes e religiosos da região.
               
O primeiro Bispo da Diocese de Mossoró foi dom Jaime de Barros Câmara, que tomou posse em 26 de abril de 1936. O segundo Bispo foi dom João Batista Portocarrero Costa que tomou posse no dia 8 de dezembro de 1943. Dom Eliseu Simões Mendes toma posse em 20 de fevereiro de 1954 como terceiro Bispo da Diocese de Mossoró. O quarto Bispo foi Dom Gentil Diniz Barreto e o quinto e atual Bispo de Mossoró é Dom José Freire de Oliveira Neto, empossado em 01 de abril de 1984.
               
Um fato curioso ocorrido em Mossoró e que envolve a Capela de Santa Luzia é que em 1867 morre em Mossoró Álvaro Marreiro, apelidado de \\\\\\\"Cocão\\\\\\\", que por não querer perdoar a um inimigo, não recebeu confissão e por isso o Padre Antônio Joaquim recusou-lhe a sepultura no sagrado. Enterraram-no por detrás da Igreja, num local que na época era coberto de mato. Acontece que com a reforma da Igreja em 1878, a mesma foi aumentada, ficando a dita sepultura debaixo do altar da mesma Igreja. Por ironia do destino, Álvaro Marreiro a quem foi negado sepultamento no sagrado, acabou tendo-o em local de honra do templo.
               
Santa Luzia foi proclamada padroeira de toda Diocese no dia 18 de novembro de 1984, no cinqüentenário da Diocese, pelo seu quinto Bispo, D. José Freire de Oliveira Neto.
                


Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fontes:

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Hoje na História - 02 de Agosto de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

No dia 02 de agosto de 1912 deu–se a inauguração do Colégio Sagrado Coração de Maria, com afluência de famílias e populares, além de autoridades do município, dentre estas o Tent. Cel. Cunha da Mota, vice-Presidente do Conselho Municipal, em exercício, Padre André de Araújo, diretor do Colégio Diocesano Santa Luzia, Cel. Bento Praxes e Tércio Rosado Maia.
               
A direção do referido estabelecimento de ensino destinado ao sexo feminino foi entregue às Irmãs Franciscanas Hospitaleiras Portuguesas, refugiadas e expatriadas de Portugal pela perseguição religiosa de 1910.
               
As Irmãs Maria Leocádia do Menino Jesus (primeira Diretora) e suas auxiliares, Irmãs Rosária de São Francisco, Maria do Divino Coração, Maria da Visitação e irmãs Helena e Rute, estavam já dois meses em Mossoró, hóspedes do industrial Raimundo Fernandes, delineado planos que adotariam para a edificante missão que tomariam de responsabilidades.
               
O prédio do Colégio, construído em precária situação em 1904, passou por reformas por iniciativa e às expensas do poder público municipal. 
              
Sua capela, de invocação a S. Francisco de Assis, foi construída em 1917.

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.


Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento
Fontes:

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Hoje na História de Mossoró - 13 de Julho de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 13 de julho de 1955 dava–se a inauguração do serviço d’Água de Mossoró, com a presença do governador 

[prefe+silvio+pedrosa.bmp]

Silvio Pizza Pedroza e do Engenheiro Saturnino de Brito, chefe da organização construtora.
               
Grande número de pessoas e autoridades esteve presente ao ato, quando o Governador Silvio Pedroza, ao inaugurar importante obra para a cidade de Mossoró, exaltou a personalidade do Governador Dix-sept Rosado, morto quando procurava recursos para empreender o melhoramento que estava sendo entregue ao povo.
Adendo
http://oestenews-natal.blogspot.com.br/2009/11/silvio-pizza-pedroza.html

SILVIO PIZZA PEDROZA, natural de Natal, nascido a 12 de março de 1918. Em 3 de outubro de 1950 foi eleito vice-governador na chapa de 

Ficheiro:Estátua-Dix-Sept-Rosado-Mossoró.jpg

Jerônimo Dix-huit Rosado Maia, tomou nesse cargo em 15 de janeiro de 1951. Em 16 de julho de 1951, com a morte inesperada de Dix-sept Rosado, assume o comando do governo do Rio Grande do Norte, governando até 31 de janeiro de 1956, quando passou o cargo para 


Dinarte de Medeiros Mariz (23/08/1903 – 06/07/1984). Silvio Pedroza faleceu no Rio de Janeiro a 19 de agosto de 1998.

Aos 26 anos, por indicação do empresário João Câmara, presidente do PSD, Sylvio Piza Pedroza* chegou a prefeitura de Natal, sob os olhares desconfiados dos coronéis e dos conservadores, na gestão do interventor Ubaldo Bezerra. Um prefeito que usava roupa esporte e saía em cima de um caminhão fazendo concertos com Oriano de Almeida, em instituições públicas, falando sobre Mozart, Chopin e Verdi era realmente um fato novo. Pelo menos, inusitado para a época.

Sylvio Pedroza resolveu, como prefeito, investir na orla marítima. Natal tinha apenas três praias: Ponta Negra, Praia do Meio e, do outro lado do rio, Redinha. Ele insistiu e construiu a Avenida Circular, um escândalo para a época. Chegaram a chamá-lo até de vândalo. Sylvio iria destruir as dunas. Ele fez as obras e concluiu o trabalho em apenas seis meses, com a ajuda de máquinas americanas no tempo da guerra. Foi sua maior obra em Natal, a qual ficou para o futuro, podendo ter sido a precursora da Via Costeira de hoje. 

Desbravador - Ele destaca outra grande obra sua: “A integração das Rocas à Cidade. Era tido como um bairro marginal, mas que, infelizmente, foi integrado à cidade. Eu me orgulho disso. Abri ruas e avenidas, permitindo essa integração”. Construiu na praça da Jangada o “banco dos namorados”, onde existia um interruptor para apagar a luz nos momentos mais românticos. Ao sair, o namorado podia acendê-la. Somente alguém com mentalidade britânica seria capaz de tal concepção. 

A mentalidade liberal e democrática do ex-governador Sylvio Piza Pedroza apressou o encerramento da sua carreira política promissora. Ao assumir o governo, após a tragédia do rio do Sal, em Sergipe, onde morreu o ex-governador Dix-sept Rosado, em julho de 1951, ele afirmou que o Rio Grande do Norte, a partir daquela data, não estava mais dividido entre vencidos e vencedores. Entre os que estavam no “poder” e os que estavam “debaixo”. Os direitos de todos seriam respeitados, e assim cumpriu a palavra até o final do seu governo. Chegou ao poder com apenas 33 anos, pinta de galã, com formação escolar em Londres, uma mentalidade nova e aberta, na província pacata e tradicional. Sylvio era olhado com desconfiança pelos velhos coronéis, que não admitiam um governador “batendo” pelada na praia, jogando tênis e “puxando” boi nas vaquejadas no interior do Estado. O “menino” de Fernando Gomes Pedroza.


Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:

Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Primeiro Código de Postura da Vila de Mossoró - 12 de Julho de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 15 de março de 1852, através da Lei Provincial de nº 246, o povoado de Santa Luzia de Mossoró passou a categoria de Vila. Essa medida estabeleceu a criação da Câmara, emancipando-se politicamente da cidade de Açu. O primeiro governante a assumir a Intendência da Vila de Mossoró foi o Pe. Antônio Freire de Carvalho, cargo esse equivalente ao de Prefeito, para o período de 1853 a 1856. Entre as realizações desse período, destacamos: a criação de um distrito de paz na povoação de São Sebastião, atual Gov. Dix-sept Rosado, uma cadeira de primeiras letras para o sexo masculino, também na mesma povoação, criação de uma mesa de rendas provincial e a fundação, a 2 de fevereiro de 1855, da irmandade de Santa Luzia. Foi também nesse período, que através da Resolução nº 305, de 18 de julho de 1855, foram aprovadas as primeiras posturas da Câmara Municipal da Vila de Mossoró. Era um documento bastante rígido, que disciplinava a convivência dos moradores da vila, prevendo multa e prisão para quem deixasse de observar os seus artigos.
Com relação a edificação de novos prédios, previa:

Artigo 1º - Pessoa alguma poderá levantar casas, ou qualquer edifício dentro do quadro da vila sem licença da Câmara, e assistência do fiscal, obtendo bilhete de aforamento do terreno, afim de ser este alinhado; os contraventores sofrerão a multa de 6$ rs., ou 8 dias de prisão.

Artigo 2º - As casas, que se erigirem, terão as portas com 10 palmos de altura e 5 de largo; a frente com 14 de altura, e as calçadas com 6 de largura, sendo umas e outras de pedra ou tijolo; os contraventores sofrerão a multa de 10$000 rs., ou 4 dias de prisão.

Artigo 3º - As ruas terão entre si a distância de 60 palmos, os becos e ruas travessas 30, e os quintais, além de serem de tijolo ou madeira, terão de comprimento até 80 palmos; os contraventores sofrerão a multa de 8$000 rs., ou 4 dias de prisão.

Artigo 4º - Os proprietários e inquilinos desta vila, serão obrigados todos os anos no mês de agosto a mandar limpar o terreno das frentes e dos fundos dos quintais de suas casas. No espaço de 3 braças, deixando nesta limpa o capim, sob pena de 2$ rs. De multa ou 4 dias de prisão.

Com relação a assuntos de ordem geral:

Artigo 11º - Igualmente proíbe-se cães e porcos soltos dentro da vila, ficando o fiscal incumbido de matá-los em correição.

Artigo 13º - Toda a pessoa que consentir em sua casa jogos proibidos, entrando neles filhos, fâmulos ou escravos, será multada em 4$ rs., ou sofrerão 8 dias de prisão, e os jogadores recolhidos à cadeia por 24 horas.

Artigo 18º - Os lojistas, taberneiros, donos de açougues e lavradores, são obrigados a ter pesos e medidas aferidas na forma do padrão da Câmara, e verificada a falsidade deles, pagarão os donos das medidas ou pesos 4 $ rs., de multa, ou 2 dias de prisão.

Artigo 19º - São pesos e medidas da Câmara;

§ 1º - vara e côvado, segundo o padrão geral

§ 2º - Terça na razão de cinco tigelas ordinárias e proporcionalmente meia quarta, quarta, etc.

§ 3º - Meio quartilho, metade e contra-metade, segundo o padrão geral.

§ 4º - Meia libra na razão de $360 rs., em dobrões: uma libra, 2 libras, proporcionalmente.

Artigo 23º - É proibido lançar-se animais mortos, ou outra qualquer cousa de natureza corruptível, nas ruas desta vila, alagoas, poços e cacimbas, sob pena de 4 $ rs., de multa, ou dois dias de prisão.

Nem a igreja estava fora do Código, pois no mesmo previa:

Artigo 5º - O administrador dos bens patrimoniais de Santa Luzia desta vila mandará, no mês de agosto, limpar no espaço de três braças, os matos que estiverem em roda da igreja, sob pena de ser multado em 4$ rs., todas as vezes que faltar a sua obrigação.

Artigo 24º - É igualmente proibido dar-se ritos a qualquer hora dentro da vila e povoações do município, salvo nas festividades da igreja, devendo em um e outro caso proceder licença da autoridade respectiva. Os contraventores sofrerão 4$ rs., de multa ou 2 dias de prisão.

Foi esse, em resumo, o primeiro Código de Postura sancionado por Bernardo de Passos, presidente da Província do Rio Grande do Norte, por S.M. o Imperador a quem Deus guarde, etc., no Palácio do Governo do Rio Grande do Norte na cidade do Natal, com data de 18 de julho de 1855, trigésimo quarto da Independência e do Império.

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:

Jornalista Geraldo Maia do Nascimento


http://www.blogdogemaia.com/imagens/seta.jpg