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sábado, 10 de março de 2012

CONVITE

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Museu Casa de Maria Bonita

Por: João de Sousa Lima
Foto de Aderbal Nogueira

O Museu Casa de Maria Bonita, situado no povoado Malhada da Caiçara, em Paulo Afonso, Bahia, receberá nos próximos dias 120 alunos da rede estadual do estado de Pernambuco.
A visitação ao museu acontece todos os dias, das 08 às 17:00 hs, cobra-se uma taxa individual de R$ 2,00.
Extraído do blog do escritor e pesquisador do cangaço: João de Sousa Lima

VELHAS PRÁTICAS QUE NÃO MUDAM

Por: Rostand Medeiros
Photo

Na década de 1920 era normal que as pessoas de Natal ao viajarem para João Pessoa e Recife, utilizarem principalmente navios de passageiros e o trem.


Com a chegada dos automóveis os natalenses começam a seguir em direção sul por velhos caminhos utilizados pelos antigos almocreves e viajantes a cavalo, nada mais que estradinhas de terra batida. 
Não sabemos o ritmo do crescimento deste tipo de transporte, mas em 1921, a empresa Goodyear publicava em jornais potiguares uma propaganda de um dos seus representantes na cidade pernambucana de Goiana.

Seria uma informação para os que saiam de carro de Natal saberem a existência de um local de apoio no caminho para Recife? Com as estradas da época, certamente que os pneus sofriam bastante.
Goiana sempre serviu de ponto de apoio para os viajantes entre Natal e Recife. Até hoje é comum as pessoas pararem seus carros nos postos de abastecimento da região. Pessoalmente é o que vi meu pai fazer e o que faço até hoje.
Detalhe: na década de 1920 a capital da Paraíba tinha o mesmo nome do Estado.
Todos os direitos reservados
Extraído do blog "Tok de História",
 do historiógrafo Rostand Medeiros

Os primeiros habitantes e a história mossoroense

Ponte ferroviária sobre o Rio Mossoró. Lugar onde Lampião e seu bando cruzaram o rio em direção a Mossoró.

Os primeiros habitantes da região foram índios monxorós, que eram, segundo o historiador Luiz da Câmara Cascudo, da etnia dos cariris. Alguns historiadores assinalam como da família dos potiguares e até mesmo como tapuias.

Conforme o Mestre Cascudo, os monxorós eram de tipo baixo, ágil, platicefalo (que tem cabeça chata), com hábitos de guerra e espírito taciturno, características dos cariris. Ainda de acordo com Cascudo, no começo do século XVIII, os monxorós foram banidos para a serra dos Dormentes, em Portalegre.

Em 1749, vencidos pelos paiacús, auxiliados pelos bandeirantes Carlos Barromeu e Clemente Gomes de Amorim, os moxorós foram finalmente absorvidos por outras tribos mais fortes.

Cascudo diz que o topônimo provém dos cariris monxorós ou mossorós. Para Antônio Soares, Mossoró é corruptela de mô-çoroc, vocábulo indígena que significa fazer roturas, o que rasga, rompe ou abre fendas.

Em um texto explicando a origem do nome do município, Antônio Soares escreve: “Aplica-se bem ao rio Mossoró, que rasgou ou rompeu a terra marginal em diversos pontos, formando camboas”. No mesmo texto, o autor ainda cita a versão de Saldanhas Marinho, para quem "Mossoró" era corruptela de mororó, árvore muito flexível, resistente e vulgar no norte.


Divisa entre os Estados RN e CE, entre as praias de Tibau (RN) e Icapuí (CE)

Prédio da antiga União Caixeiral
Barzinhos e restaurantes do corredor gastronômico, na Avenida Rio Branco.
Castelo de Cinderela. Praça de brincadeiras para crianças, na Avenida Rio Branco.
Espetáculo teatral, realizado na Estação das Artes Elizeu Ventania.
Ponte cortando o Rio Mossoró, no centro da cidade.
Praça do Pax, centro de Mossoró.
Palácio da Resistência, sede da Prefeitura de Mossoró.
Memorial da Resistência, na Avenida Rio Branco.

Grande painéis com fotos originais do gançaço, no Memorial da Resistência.

Extraído do blog:

Enquanto não vem cangaço - O Profeta Balaão e o Jumento nosso Irmão

Entrada triunfal de Jesus em Jerusalém (Domingo de Ramos)
Certo jornalista estúpido afirmou que um texto não presta quando obriga o leitor a consultar um dicionário. Tudo bem. Às vezes é preciso concordar com a estupidez. Dicionários também contêm disparates. A maioria deles, senão todos, dão à palavra “jumento” o significado de “indivíduo sem inteligência”. Que injustiça. O jumento é um animal santo. Montado num jumento, Cristo entrou na cidade de Jerusalém. Um jumento, ou melhor, uma jumenta salvou a vida do profeta Balaão. O episódio, como de costume, está na bíblia. No livro dos números. Capítulo 22. A história passa pelo pavor do povo moabita, governado por um poltrão, Balaque, filho de Zipor (os nomes bíblicos são escatológicos). Diz o quarto livro do pentateuco que Balaque, tendo conhecimento da fragorosa derrota que os judeus haviam imposto aos amorreus, resolveu contratar o profeta Balaão para amaldiçoar Israel.
Balaão, após uma inicial recalcitrância, aceitou a proposta, montou na jumenta e encaminhou-se ao acampamento judaico para fazer a bruxaria. No caminho, contudo, um anjo, de espada em punho, surgiu para matá-lo. Esse anjo houvera sido enviado pela divindade, que jamais admitiria que seu povo sucumbisse diante de uma nação apóstata. Sucede que Balaão não pôde ver o anjo. Mas a jumenta viu. Até nisso os jumentos são melhores do que os homens: enxergam mais. Daí, como a jumenta parou assustada, Balaão começou a espancá-la. Conseqüentemente, e diante de tamanha injustiça com a jeguinha, Deus fez como que ela falasse. Falou. E falou para repreender Balaão. Nisso também os jumentos são melhores do que os homens: na capacidade de dar conselhos. Balaão, incrivelmente, foi persuadido pela jumenta a não seguir; do contrário, morreria nas mãos do anjo.
Ora, na bíblia uma jumenta persuadiu um profeta. Como seria bom se a jumenta de Balaão ainda estivesse viva para dar aula de direito eleitoral a alguns políticos sergipanos. Não bastou o artigo da semana passada. E-mails, recados e telefonemas empaturraram a paciência deste sofrido articulista: um jumento. “Você está errado. Edvaldo, no primeiro mandato, substituiu Déda. Logo, ele não pode ser candidato em outubro”. Santa jumentalidade, como escrevera Otto Lara Resende, em 6 de abril de 1992, para a Folha de São Paulo. Obrigaram-me a retomar o tema. Obrigaram-me, ademais, a pesquisar a vida do Pe. Antônio Vieira. Não a do português, mas a do cearense. Aquele que nasceu em Várzea Alegre (Cariri). O sacerdote foi um dos maiores defensores do jumento. Pugnava pelo fim da sua matança, diante da sacralidade do animalzinho. Sua obra principal é “O jumento nosso irmão”, de 1964.
Mas o padre não parou por aí. Fundou o clube mundial dos jumentos. Para adquirir a carteirinha de sócio, explica Otto, o indivíduo deveria “reconhecer a própria burrice”. A evolução seria natural. Admitido na confraria, o novo associado faria um juramento: “até ontem fui burro; a partir de hoje, sou jumento”. O ianque William Teasdale chegou a traduzir a obra do padre para o inglês: “The donkey, our brother”. Mas para assimilar que Edvaldo pode ser candidato, não será necessário ler nenhum texto em inglês. Basta saber português, ainda que sem dicionário. Afinal de contas, não é preciso exigir tanto. O título não é de doutor, mas de jumento. Mãos à obra. Imagine o leitor que está no ano de 2002. Não faz muito tempo. 10 de setembro. Sala das sessões do TSE. Ali estão Nelson Jobim, Sepúlveda Pertence, Ellen Gracie, Sálvio de Figueiredo, Barros Monteiro, Luiz Carlos Madeira e Caputo Bastos.
Em julgamento: recurso especial eleitoral nº 19.939/SP (caso “Geraldo Alckmin”). As coligações “São Paulo quer mudanças” e “resolve São Paulo” pretextavam “que o Sr. Geraldo Alckmin é inelegível para um terceiro mandato, a teor do art. 14, § 5º, da CF, uma vez que foi eleito por duas vezes consecutivas vice-governador de São Paulo, tendo substituído o titular do executivo no primeiro mandato e, por fim, o sucedido no segundo, em virtude de seu falecimento”. Situação idêntica à de Edvaldo, salvo por duas arestas. Em primeiro lugar, Edvaldo foi eleito duas vezes vice-prefeito, e não vice-governador; em segundo, Edvaldo sucedeu Déda, no segundo mandato, não porque este tenha morrido, mas porque renunciou para ser governador, isto é, está mais vivo do que nunca. No mais, é tudo igual: substituição no primeiro mandato e sucessão no segundo. Assim, o que decidiu, por unanimidade, o TSE?
A corte, sem qualquer reticência, definiu que “havendo o vice – reeleito ou não – sucedido o titular, poderá se candidatar à reeleição, como titular, por um único mandato subseqüente (Res./TSE nº 21.026)”. Além disso, a relatora, ministra Ellen Gracie, atual presidenta do STF, destacou que “conforme ressaltado pelo eminente ministro Sepúlveda Pertence, na consulta nº 689, o preceito insculpido no art. 14, § 5º, da CF é de redação infeliz quando trata de quem ‘houver sucedido ou substituído, no curso do mandato’ o titular do executivo”. “Naquela oportunidade”, prossegue a relatora, “ficou estabelecido que o instituto da reeleição não pode ser negado a quem só precariamente tenha substituído o titular no curso do mandato, pois o vice não exerce o governo em sua plenitude. A reeleição deve ser interpretada strictu sensu, significando eleição para o mesmo cargo”.
“O exercício da titularidade do cargo, por sua vez”, arremata a ministra, “somente se dá mediante eleição ou, ainda, por sucessão. O importante é que este seja o seu primeiro mandato como titular, como de fato o é, no caso do Sr. Geraldo Alckmin. Conforme destacado pelo ministro Fernando Neves, ‘o fato de estar em seu segundo mandato de vice é irrelevante, pois sua reeleição se deu como tal, isto é, ao cargo de vice’ (CTA 689)”. Alguém ainda vai questionar? Edvaldo, assim como Alckmin, foi duas vezes eleito vice, substituiu o titular no primeiro mandato e o sucedeu no segundo. Edvaldo, assim como Alckmin, pode ser candidato ao cargo principal, pois, só agora, está exercendo esse cargo em sua plenitude. No mais, é pura jumentalidade, ou melhor, burrice. Não é lícito, numa situação de brutal clareza acadêmica, ofender o jumento. O jumento e sábio. O jumento já percebeu que Edvaldo pode ser candidato.
Não se sabe, por outro lado, o que falar do burro, espírito menos evoluído, espécie ancestral, estado arquetípico outorgado àqueles que ainda não fizeram o juramento dos sócios honorários do clube internacional do jumento. Superado o imbróglio, ficam todos os que achavam que Edvaldo não podia ser candidato convidados a se associarem com rapidez. Não é necessário saber inglês e, tampouco, latim, língua em que vai impresso o certificado. O clube já tem até hino. Letra e música de Luiz Gonzaga: “é verdade, meu senhor/ essa história do sertão/ padre Vieira falou/que o jumento é nosso irmão/ a vida desse animal/ padre Vieira escreveu/ mas na pia batismal/ ninguém sabe o nome seu/ bagre, bó, rodó ou jegue/ babau, brechó ou Lopeu**/ andaluz ou marca-hora/ breguedé ou azulão/ alicate e berimbau/ inspetor de quarteirão/ tudo isso, minha gente/ é o jumento nosso irmão”.
* Publicado no Jornal da Cidade, Aracaju-SE, edição de domingo e segunda-feira, 10 e 11 de fevereiro de 2008, Caderno B. pág. 9.
** Segundo GUSTAVO BARROSO a origem do nome LOPEU vem da Guerra do Paraguai. Os soldados cearenses, com raiva do ditador paraguaio Solano Lopez, apelidaram o jumento de LOPEU.

Extraído do blog: "Acorda Cordel"

Um trabalho ao alcance de todos

LAMPEÃO DE A a Z
Por: Paulo Medeiros Gastão
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Pulo Gastão e Aderbal Nogueira
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ABELARDO DUARTE

Por: José Ozildo dos Santos
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Nasceu na capital alagoana no dia 18 de maio de 1900. Diplomou-se pela Faculdade de Medicina da Bahia (1926), após defender a tese ‘Os grupos sanguíneos na Bahia’. Quando acadêmico foi auxiliar no Laboratório de Patologia Geral.
Volvendo à sua terra natal, ali iniciou suas atividades profissionais como médico. Em pouco tempo, tornou-se um dos nomes mais expressivos da capital alagoana.
Abelardo Duarte
Homem de reconhecida cultura, o Dr. Abelardo Duarte passou a colaborar na imprensa de Maceió. Assim, ingressando no mundo das letras, além de jornalista de grande talento, revelou-se crítico literário, ensaísta, folclorista, biógrafo e historiador.
Em 1935, publicou no Rio de Janeiro o livro         ‘Grupos sanguíneos da raça negra’ (Estudos Afro-Brasileiros), fruto de um trabalho apresentado ao ‘I Congresso Afro Brasileiro’, reunido no Recife, no ano anterior.
No final da década de 1940, o Dr. Abelardo Duarte lançou através da imprensa da capital alagoana a idéia de se fundar em Maceió uma faculdade de medicina. Aos 3 de maio de 1950, seu sonhou tornou-se realidade e a Faculdade de Medicina de Alagoas foi fundada, passando a ser mantida por sociedade civil.
Em janeiro do ano seguinte, abordando o referido fato numa entrevista publicada nas páginas do ‘Jornal de Alagoas’, afirmou: “sei que, por mim lançada, após madura reflexão, a idéia de fundar-se uma Faculdade de Medicina entre nós, encontrou eco, fez prosélitos, criou corpo e, por fim, forma jurídica. E de minha residência à Avenida Fernandes Lima, onde ocorreram as primeiras confabulações, os primeiros serões noite a dentro, em pouco, constituída a sua primeira Comissão Organizadora, acrescido o número de adeptos com novas adesões, surgia a nossa Faculdade”.
Professor-fundador da Faculdade de Medicina de Alagoas, anos mais tarde, tornou-se se o primeiro diretor do HU–UFAL. Considerado um dos mais destacados representantes do pensamento de Alagoas, Abelardo Duarte foi Secretário Perpétuo do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, Sócio Honorário do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, membro Academia Alagoana e da Academia Carioca de Letras, além de integrar de inúmeras outras instituições, publicou diversos livros.
Em 1975, durante as comemorações do sesquicentenário do nascimento de D. Pedro II, promovidas pelo Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, o professor Abelardo Duarte lançou o livro ‘Dom Pedro II e Dona Teresa Cristina nas Alagoas: A viagem realizada ao Penedo e outras cidades sanfranciscanas, à Cachoeira de Paulo Afonso, Maceió, zona lacustre e região norte da Província (1859/1860)’, que foi bastante aceito pela crítica provinciana.
Como folclorista, estreiou em 1957, quando publicou ‘Um folguedo do povo: o Bumba-meu-boi’(Ensaio de História e Folclore). No ano seguinte, publicou o estudo ‘Negros muçulmanos nas Alagoas: os Malês’, dando uma significativa contribuição à etnografia alagoana, abrindo pistas preciosas para futuras pesquisas.
Seu segundo livro no campo do folclore - ‘Folclore negro das Alagoas’ - apareceu em 1974. Este seu trabalho, é, sem dúvida, o mais consistente. A partir da publicação dessa obra, Abelardo Duarte passou a ser incluído na vertente de estudos sobre o folclore nacional.
Professor emérito da Universidade Federal de Alagoas, Abelardo Duarte faleceu no dia 3 de março de 1992, em Maceió, aos 92 anos de idade incompletos.

Extraído do blog: "Construindo a História", do historiador José Ozildo dos Santos

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LAMPIÃO, CABRA MACHO:

POR JOSÉ BEZERRA LIMA IRMÃO

Sou um estudioso do tema cangaço. Causou-me profunda indignação a leitura do livro “Lampião, o mata sete”. Livro em que o seu autor, o senhor juiz aposentado Pedro de Morais, em instante de pura infelicidade, tenta de todas as maneiras possíveis e imagináveis desmerecer a honra masculina de Virgulino Ferreira da Silva – Lampião, com desastradas e injuriosas afirmativas que constam em praticamente todas as páginas de seu tendencioso livro.
A afirmativa de que Lampião era gay é tão absurda que não merece nem ser comentada. Bastando apenas conhecer as posições de dois dos maiores pesquisadores da história cangaceira, Alcino Alves Costa e João de Sousa Lima, sobre o desastrado assunto.
Em um primoroso artigo rebatendo os dizeres do juiz, Alcino escreveu: “Dizer-se que Lampião era homossexual e Maria Bonita uma adúltera, e os dois, Lampião e Maria Bonita, coabitavam com Luís Pedro, vivendo assim, em plena caatinga, um triângulo amoroso, é algo que em sã consciência ninguém tem o direito de acreditar”
E João de Sousa Lima, outro pesquisador sério e competente, escreveu em seu Orkut: “Para os homens e mulheres que estudam o cangaço com seriedade e imparcialidade, salientando que não se trata aqui de homofobia, ou qualquer tipo de preconceito, no cangaço não existiu casos de homossexualismo, nenhum estudo em todos os aspectos do fenômeno apontou essa prática”.
Portanto, não será preciso prosseguir neste assunto. No entanto, se faz necessário mostrar ao povo do Nordeste e do Brasil que o senhor Pedro de Morais, além da tão desqualificada tentativa de rotular Lampião como se fosse um boiola desses bem pervertidos, registrou em seu livro episódios e fatos que demonstram o seu total desconhecimento da saga cangaceira; Eis alguns desses medonhos erros:
No “Lampião, o mata sete” está nas páginas 83 e 84 que Lampião teria perdido a bolsa escrotal ao “tentar assaltar” a fazenda Tabuleiro, em 1922.
Se tivesse mais cuidado com a história, o Dr. Pedro jamais iria afirmar uma loucura desta. Dizer que Lampião iria assaltar a fazenda de Neco Alves é um absurdo.
Doutor, se o senhor não sabia fique sabendo que Neco Alves era casado com Mariquinha, uma sobrinha de Sinhô Pereira, portanto gente da família e mesmo assim a fazenda Tabuleiro ia ser assaltada por Lampião? Tenha paciência doutor.
Ora doutor, por ocasião desse acontecimento Lampião estava sob o comando de Sinhô Pereira e estava ao lado dele quando recebeu os três tiros. Um entre o peito e o braço, outro de raspão na cabeça, e outro acima da virilha – repito acima da virilha. 
E o tiro que esbagaçou a bolsa escrotal de Lampião?
O juiz diz essa asneira porque ele não conhece os depoimentos e entrevistas de Sinhô Pereira sobre este assunto.
Diz Sinhô que no instante em que Lampião recebeu os tiros estava ao lado dele e que o mesmo havia recebido uma bala “na altura do escroto, como ficamos sabendo mais tarde”.
Uma bala na altura do escroto. Portando não afirmando que uma bala havia mutilado o escroto. Vale reproduzir as palavras do Dr. Mota, o médico que cuidou dos ferimentos de Lampião, quando ele afirma: “Nunca vi tanta sorte; por um triz a bala não pegou a bexiga e a espinha. Se fosse de carabina a bala teria atingido esses órgãos.  Só não pegou porque era bala de fuzil, mais fina”.
Outros erros gritantes: Na página 219 de seu livro, o doutor registrou que o cangaceiro Penedinho matou “um companheiro” – na verdade, Penedinho matou o cangaceiro Canário – alegando que o assassinato aconteceu em 1932. Grosseiro engano: Penedinho matou Canário, na fazenda Cururipe, em 1938, logo após a morte de Lampião e foi se entregar a Zé Rufino na Serra Negra.
Tem mais: Na página 216, o doutor confunde Santo da Mandaçaia, assassinado por Corisco, com Zé Vaqueiro, da fazenda Paus Pretor, e confunde Novo Tempo, irmão de Sila, com o cangaceiro Criança. Também erra feio quando diz na página 283 que o cangaceiro Criança morreu no combate do Cangaleixo e tendo ficado gravemente ferida a cangaceira Adelaide.
Infelizmente, não se pode dar crédito a um trabalho pretensamente literário que dentro dele constem tantas aberrações. Criança não morreu no combate do Cangaleixo, esse é um dos cangaceiros que após “as entregas” arribou no mundo e foi residir em São Paulo até o dia final de sua vida. Adelaide não estava no combate do Cangaleixo. Ela já estava em outro plano de vida, pois havia morrido de parto em um umbuzeiro nas proximidades do povoado Curituba, em Canindé de São Francisco. Quem estava no Cangaleixo era Rosinha, companheira de Mariano, e irmã de Adelaide, porém não “ferida gravemente”. Estava apenas grávida. Será que gravidez é ferimento grave, doutor?
Sem citar um autor sequer que lhe socorra nesse sentido, ele diz que por ocasião da morte de José Ferreira seus filhos estavam presentes e tirotearam com a polícia (p. 68-69).
Doutor! Tenha paciência: como é que se faz História sem ler, sem pesquisar, simplesmente inventando os fatos?
Esse moço descreve Maria Bonita – que ele chama de “D. Deia” e de “Sinhá Maria” – como se fosse uma mulher vulgar (p. 185/195).
Seguramente, esse moço nunca leu nada sobre a Mulher do Capitão. Maria Bonita jamais foi chamada de “Sinhá Maria”, doutor. E embora o livro se refira a ela várias vezes como “D. Deia”, dona Déia não era Maria Bonita – dona Déia era a mãe de Maria Bonita!
Ele diz que o nome de Maria Bonita seria “Maria Adelaide” (p. 186). A afirmação é destrambelhada. Adelaide é outra pessoa: trata-se da primeira mulher do cangaceiro Criança, que era filha de Lé Soares, irmã de Rosinha, companheira de Mariano, e prima de Áurea, mulher de Mané Moreno.
Por não sair de casa, escrevendo as coisas com base no que lhe vem à cabeça, esse moço, ao descrever a morte de Antônio Ferreira, confunde a fazenda Poço do Ferro com Poço do Negro, e diz que “Poço do Negro” ficava na localidade Pipoca (p. 118).
Poço do Negro, doutor, fica ao sul de Nazaré do Pico, na divisa de Serra Talhada com Floresta.
Por sua vez, Poço do Ferro, onde morreu Antônio Ferreira, duas léguas ao poente de Ibimirim, não fica em Pipoca – a fazenda Pipoca fica a 56 quilômetros do Poço do Ferro, no município de Betânia!
Sem nenhum conhecimento, confunde o coronel João Sá, de Jeremoabo, com o tenente João Maria, este sim, o manda chuva da Serra Negra - página 170. Idêntico erro se repete mais adiante, confundindo João Sá com João Maria – página 174.
Ele se equivoca ao dizer que o combate de Maranduba teria sido em “fevereiro de 1932 – página 225.
Este combate, doutor, ocorreu na tarde do dia 09 de janeiro de 1932.
Esse moço diz que Corisco foi enterrado em Jeremoabo – pagina 295.
Mais um erro, doutor. Corisco foi enterrado em Djalma Dutra, atual Miguel Calmon. Seus restos mortais foram depois levados para Salvador, e encontram-se inumados no Cemitério Quinta dos Lázaros.
Ele afirma, erroneamente, que Benjamin Abrahão foi morto em Vila Bela – atual Serra Talhada (p. 273). Todo mundo sabe que Benjamin Abrahão foi assassinado na vila de Pau Ferro, atual Itaíba.
Nas páginas do “Lampião, o mata sete” existem muitas outras aberrações. Mas, prefiro parar por aqui. Não é meu desejo roubar o tempo dos senhores e senhoras que gostam de Histórias sérias. Tenho que poupar os pesquisadores e leitores desse tão conceituado blog Cariri Cangaço. Sei que é uma perda de tempo se ler tanta besteira de uma pessoa que não se tocou de ter sido detentor de uma atividade profissional que requeria tanto cuidado e zelo, para depois de aposentado registrar em um livro tanta sandice.

Saudações,

JOSÉ BEZERRA

Enviado pelo escritor e pesquisador do cangaço: Alcino Alves Costa 

Visita anunciada...

Por: Fernando Lima Verde
Padre Cícero o patriarca de Juazeiro do Norte
Acompanhando as últimas postagens do Cariri Cangaço sobre Padre Cícero gostaria de manisfestar também minhas impressões; que não nascem de uma profícua pesquisa, pois pesquisador não o sou; apenas de leituras cotidianas uma vez que sou um apaixonado pelas coisas do Juazeiro e também do período da velha república.
Vendo a matéria de Alcino Costa e principalmente a do professor Wescley Rodrigues 
sobre a natureza e a estrutura política da época do santo padre do Juazeiro, quando a maior de todas as oligarquias mandava no Ceará;
Noqueira Acioly, é nítido que para se manter no poder, era necessário estar afinado com a politica aciolina; e sabemos que Padre Cícero juntamente com seu braço forte,
Floro Bartolomeu, era um franco defensor dessa oligarquia, inclusive sendo esse zelo, a razão maior da criação do Pacto dos Coronéis; dito isso, não cabe em minha cabeça a idéia de que algo pudesse acontecer ou "se aproximar" de Juazeiro do Norte sem o prévio conhecimento de Padre Cícero.
Os tentáculos do poder dos coronéis era muito grande, entretanto não seria responsável afirmar ou sugerir que havia proteção deliberada de padre Cícero a Lampião, não há sinais fortes nessa direção nem tão pouco a presença da família Ferreira em Juazeiro credencia tal afirmação; mas para mim está claro, apesar da versão contida em Nertan Macedo, que padre Cícero tinha conhecimento das intensões de Virgulino Ferreira. Padre Cícero era um dos homens mais bem informados de sua época, trocava correspondencias com as maiores autoridades do nordeste, recebia um cem número de pessoas por dia, e Virgulino não apareceu em Juazeiro como num passe de mágica, veio percorrendo estradas, entrando e sendo recebido inclusive em algumas cidades pelos seus principais líderes, daí teria sido sem dúvidas "uma visita anunciada".
 
Obrigado ao companheiro Severo por nos permitir fazer parte dessa família e trazer também a nossa opinião sobre tão polêmico tema, ao mesmo tempo em que parabenizo a todo o pessoal da SBEC e do Cariri Cangaço pelo excelente trabalho realizado.

Fernando Cesar Lima Verde
Fortaleza-Ceará

Cariri Cangaço

FILOSOFIA DA SOLIDÃO (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa
FILOSOFIA DA SOLIDÃO
Concebo a filosofia como atitude de reflexão, como ato mental de introspecção, através do exame íntimo da própria condição de ser humano perante a realidade existente, e da extrospecção, através da observação e análise mental dos fenômenos do mundo exterior.
Como observado, minha concepção de filosofia é puramente intimista, calcada na experiência própria perante a realidade circundante. E para praticar tal filosofia não se exigiria métodos, disciplinas, rigores metodológicos. Ora, todo ser humano é filósofo potencial, bastando a ação ou inação para tornar sua filosofia em ação.
Diante de tais premissas, onde o conhecimento da natureza das coisas surge no ser e diante do ser, ouso afirmar que a solidão é a manifestação comportamental e espiritual mais adequada, propícia mesmo, para a expressão filosófica do ser humano, ainda que o mesmo nem se atenha a tal fato.
Mas o que será a solidão, condição humana tão propiciadora à expressão filosófica? Por solidão logo se tem a ideia de estágio que envolve alguém que se acha ou se sente desacompanhado ou só; isolamento social, profunda sensação de vazio, busca de refúgio para expulsar os fantasmas da alma e trazer tantos outros. Solidão é, pois, esse não ser, ainda que sendo; o não estar, ainda que presente demais; o não ter, ainda que possuindo demais.
Mas a solidão filosófica, ou aquele estágio onde melhor a filosofia se expressa, não ocorre no isolamento para o mundo exterior nem no vazio interior, mas naquilo que é permitido pelo simples fato de se estar sozinho. É, pois, nesse momento de distanciamento que a mente se abre para a reflexão, para o pensamento, para a busca de tantas indagações e respostas.
Considerando-se que é na ação filosófica que o indivíduo procura conhecer e resolver problemas relacionados à existência, ao conhecimento, à verdade e aos valores morais, dentre tantos outros, logicamente que tais problemas, e tantos outros, parecem surgir com maior visibilidade exatamente nos momentos de solidão. Então, o ato de se estar sozinho pode não ser de solidão, mas de pura expressão filosófica.
Ora, quem de repente se isola para viver seu momento de dor, de angústia ou de aflição, ou mesmo pelo fato de pretender fugir às recorrências da realidade, não tomará tal atitude apenas para fugir do mundo, voltar-se a si mesmo, privilegiar tão-somente o encontro consigo mesmo. Esta solidão não apaga o pensamento, não refreia a mente, não estanca a ação mental do indivíduo.
Por exemplo, alguém que de repente resolve entrar num quarto, fechar a porta e recolher-se a um cantinho para ali sentar e, mirando a vidraça da janela que deixa entrar uma tênue luz, esquecer o mundo e não pensar em nada, jamais conseguirá tal objetivo. E isto por um motivo muito fácil de responder: ainda que repleto de pesadelos e sofrimentos, o pensamento continuará em intenso estágio produtivo naquela pessoa que se acha vazia.
Tomando ainda o exemplo dado, à mente desse solitário surgirão reflexões, perguntas, as mais diversas situações. Se está naquele estado por uma decepção amorosa, logo indagará porque as pessoas amam tanto, se entregam apaixonadamente e depois se veem tão decepcionadas. Se está naquele condicionamento pela saudade de alguém, pela dor de alguma perda, pela tristeza repentina que se abateu, logicamente que sua mente criará cenários, paisagens, buscará entender o porquê disso tudo existir assim e ter o poder de provocar tão profunda dor.
Como afirmado anteriormente, cada passo mental da solidão, ou cada percurso daquele mundo visualizado pelo solitário, nada mais é do que uma construção filosófica. E não deixará de ser filosofia ainda que se diga que daquele momento não sai um postulado ou uma explicação para determinada realidade. Mas ora, não precisaria, pois as respostas são interiores, o conhecimento que surge é interior, o que se está sendo explicada é a realidade propiciadora e circundante da solidão.
Portanto, antes que veja o solitário como alguém digno de pena, e a solidão como estágio dos excluídos, será preciso ver em todo esse processo uma ação filosófica. O solitário um filósofo, e a solidão o silêncio de onde a filosofia tira seu olhar e voz.

Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

Onde mora a felicidade (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

Onde mora a felicidade

A felicidade
mora bem ali
não aqui
aqui é imenso
aqui é cidade
cheia de tudo
menos felicidade

a felicidade
não aceita vintém
um milhão
e ainda aquém
do preço
da liberdade
que mora ao lado
da felicidade

a felicidade
talvez nem more
seja feito raiz
já ser do lugar
algo assim
como eternidade
existente num povo
sertão de verdade

ali mora a felicidade
no sertão matuto
não aqui na cidade
no povo honrado
e sua verdade
por isso vou embora
sigo sem demora
pra felicidade.


Rangel Alves da Costa
Poeta e cronista
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