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sábado, 9 de setembro de 2017

LIVRO "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS"


Depois de onze anos de pesquisas e mais de trinta viagens por sete Estados do Nordeste, entrego afinal aos meus amigos e estudiosos do fenômeno do cangaço o resultado desta árdua porém prazerosa tarefa: Lampião – a Raposa das Caatingas.

Lamento que meu dileto amigo Alcino Costa não se encontre mais entre nós para ver e avaliar este livro, ele que foi meu maior incentivador, meu companheiro de inesquecíveis e aventurosas andanças pelas caatingas de Poço Redondo e Canindé.

O autor José Bezerra Lima Irmão

Este livro – 740 páginas – tem como fio condutor a vida do cangaceiro Lampião, o maior guerrilheiro das Américas.

Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.

Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

Destaca os principais precursores de Lampião.
Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço.

Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.
O autor aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e sugestões:

(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 

Pedidos via internet:
Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:
Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345
E-mail:  
franpelima@bol.com.br

Clique no link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.
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O TERCEIRO OLHO DE LAMPIÃO

Por Raul Meneleu Mascarenhas

Temos vários relatos de "repentes" que Lampião tinha, inclusive criar uma mística qualidade de prever algo ou receber avisos de forças estranhas.

Cristina Matta Machado em seu livro "As Táticas de Guerra dos Cangaceiros" segunda edição, à página 37 nos fala do inicio dele no cangaço, aos 21 anos, no bando de "Sinhô Pereira" que se tornaria chefe dois anos depois, teve uma dessas intuições que deixou a todos pasmos.

"Pouco tempo depois de ter entrado no cangaço, Sebastião Pereira estava acordado com seu grupo, na casa de um fazendeiro em Pernambuco. Querendo agradar aos cangaceiros, o proprietário ordena ao feitor:

- Vá estourar umas pipocas pros meninos...

Lampião, que estava passivo, olhar fixo numa só direção, como se estivesse meditando, retrucou:

- Estourar vão ser as balas, num demora mais que cinco minutos.

Houve risos e o fazendeiro confirmou a certeza de todos, de que na região não havia o menor sinal de volante.

Não demorou nem os cinco minutos, o cerco já estava formado e as balas cruzando o ar.

De outra feita, aconteceu lá para os idos de 1920. O grupo cansado da perseguição sofrida, chegaram em uma fazenda de um amigo e esfomeados pediram para matar um bode para comerem.

Os cangaceiros mataram o bode e quando estavam preparando-o fora surpreendidos pelas palavras de Lampião:

- Vamo saí daqui, porque a volante num leva 15 minuto pra chegá.

Não houve dúvidas e, num instante, todos entranharam na caatinga e foram embora, ouvindo a volante chegar em sua pista.

Daí então começou a crescer o respeito de todos por aquele jovem, não somente pelo seu grande poder de percepção, coragem, boa pontaria e disposição, mas principalmente pela capacidade de estratégia que já se manifestava desde cedo.

Quando o chefe de bando Sebastião Pereira deixou o grupo por achar-se velho e querer acabar seus dias mais sossegado, não foi por acaso que Virgulino Ferreira tornou-se chefe em seu lugar. Era um líder natural.


O terceiro olho, também conhecido como Ajna, o sexto chakra, situa-se no ponto entre as sobrancelhas. Conhecido como "terceiro olho" na tradição hinduísta, está ligado à capacidade intuitiva e à percepção sutil. Quando bem desenvolvido, pode indicar um sensitivo de alto grau. Acredita-se que a glândula pineal, localizada no centro do cérebro e no meio da testa, tenha relação com tais capacidades indutivas e percepção sutil. Essa glândula possui semelhanças com o globo ocular, ambos possuem membrana cristalina e receptores de cor. Segundo lendas, seres supra-humanos possuíam o terceiro olho como um órgão que era capaz de exercer faculdades de telepatia e clarividência. Até hoje, muitas pessoas trabalham, através da meditação e outras técnicas, psicologicamente essa glândula para recuperar tais poderes divinos que teriam sido perdidos ao longo da regressão da espécie. (Fonte: O Terceiro Olho)


Bem, voltemos então à Lampião e vejamos como podemos enxergar pelos exemplos de sua vida, a questão de sua enorme capacidade intuitiva.

Em seu livro, "Lampião: o homem que amava as mulheres : o imaginário do cangaço" Daniel Soares Lins diz que "ao pesquisador do imaginário enveredar tanto no campo dos discursos quanto na estrutura das práticas históricas, buscando encontrar nos "fatos históricos" os "resíduos" colados aos personagens. O sonho, a quimera, a mística, a paixão, o "tempo mágico" e os rituais deveriam ser compreendidos como práticas racionais, respondendo, contudo, a uma outra ordem simbólica, a uma outra organização dos signos e dos imaginários."

Fico a imaginar Lampião sentindo seu terceiro olho, enxergar o que seus comandados não viam. Era no canto de uma ave, era no rastejar de uma cobra. No piar do caboré e da coruja. Na borra do café. No voo rasante do urubu. No sonho que tivera. No cantar do galo em hora que não era dele. A correria de uma raposa. Uma aranha que visse. Um mocó cavando o chão. O cão uivando sem motivo. Tudo isso ensejava a Lampião enxergar algo, com esse olho extra que tinha e que lhe valeu muito quando perdeu um dos olhos, literalmente.

No livro "Lampião, senhor do sertão : vidas e mortes de um cangaceiro" de Elise Grunspan-Jasmin, nos traz o poema de Francisco das Chagas Batista intitulado "História do Capitão Lampeão, desde o seu Primeiro Crime até a sua Ida a Juazeiro'', que faz referência à cerimônia de fechamento do seu corpo. Segundo esse poema, Lampião permaneceria invencível enquanto o feiticeiro que o protegia estivesse vivo:

Foi a casa de Macumba
E ele fez o serviço, 
Fechou o corpo do rapaz
P'ra bala, faca e feitiço, 
Então disse a Lampeão: 
Não havera valentão 
Que pise no teu toitiço 

Primeiro ele sujeitou-se 
A um processo arriscado 
Em um caixão de defunto 
Passou uma noite trancado 
O feiticeiro lhe ungiu 
E quando ele de lá saiu 
Estava de corpo fechado. 

Disse-lhe o velho Macumba: 
Agora podes brigar, 
Bala não te fura o couro, 
Faca só faz arranhar 
Feitiço não te ofende 
E a polícia só te prende 
Depois que eu acabar. 

Porém depois que eu morrer 
Ficarás de corpo aberto, 
Tudo pode acontecer-te, 
Pelos maus serás vencido, 
Deves viver prevenido 
Que a morte terá por certo. 

Continuando com Daniel Soares Lins, que diz "...em síntese, ao contrário do historiador que não "ama os acontecimentos", o estudioso do imaginário reivindica, de certa maneira, sua vinculação ao campo das temporalidades e dos acontecimentos, da cultura e da subjetividade."

Isso é importante na criação do misticismo que envolveu Lampião, pois muitas estórias foram contadas e muitas foram também inventadas, por aqueles que o admiravam e reunidos em rodinhas de bodegas nas esquinas das cidadezinhas do agreste nordestino, falavam sobre suas peripécias, cujas aventuras e proezas admiravam.

A esse respeito, o tenente João Gomes de Lira, ex-oficial das Forças Volantes, contou que um colibri um dia se chocou com a aba do chapéu de Lampião que viu nisso um mau presságio e teria dito a seus companheiros que era preciso retroceder. No dia seguinte ele teve a confirmação de que uma Força Volante lhe tinha preparado uma cilada naquele local. Sabendo que se tratava de nazarenos, ele teria feito o seguinte comentário: "Se tivesse passado por lá, teriam acabado comigo" (Pedro Tinoco, "A Superstição Ronda o Cangaço", Jornal do Commercio, 8/7/1997, p. 2).

Por parêntesis quero registrar também, que não era só Lampião que tinha esses repentes e superstições. As Forças Volantes também atribuíam um grande valor aos sonhos e aos sinais premonitórios.

Numa entrevista que concedeu ao Diário de Pernambuco, João Bezerra evoca o recurso aos sonhos, ao sobrenatural e às premonições entre as Forças Volantes antes de iniciar um combate contra Lampião, tanto este lhes parecia ser dotado de uma dimensão sobrenatural: "Pela manhã, os policiais tinham cinco minutos para contar uns aos outros os sonhos da noite. Eram sempre historias de mulher bonita, de caboclas cheirando como flor de manacá. olhos beijando seus rostos queimados pelo sol, envolvendo-os de doçuras perigosas. Terminado o prazo, as bocas se fechavam a contragosto com vontade de comunicar ainda os detalhes esquecidos, dos cabelos das moças evocadas, das donzelas encontradas na beira das estradas."

"Às vezes, noite alta, ouvia-se um rumor, o chefe da volante percorria os subordinados um a um, no escuro, passando a mão pelo rosto para conhecer seus cabras, temendo pela vida de todos, isolados na caatinga bravia, longe de homens mais humanos. Na perseguição de cangaceiros. rastejavam horas seguidas. arrastando a barriga contra a aspereza da terra, olho atento e ouvido apurado, esperando a qualquer momento o soar da fuzilaria, rezando com medo de ensopar a terra com seu sangue já que a chuva não a queria molhar..." - (Afranio Mello, "Como Correu Sertão a dentro a Noticia da Morte de Lampeão". Diário de Pernambuco 5/8/1938, p. 5).

Sim amigos, as estórias são muitas. A Saga Cangaço é muito rica e enseja inclusive a nós viajarmos nas ondas desse grande mar que se chama imaginação. A clarividência de Lampião, esse seu terceiro olho com sua capacidade de "ver" ou de "sentir" o perigo que o ameaçava, não era a única arma mágica de que dispunha para escapar aos seus inimigos. Lampião teria também o dom da invisibilidade, graças a proteções sobre-naturais, às orações fortes que trazia consigo e que podia invocar em situações extremas. Mas esse assunto, deixaremos para um próximo artigo.

http://meneleu.blogspot.com.br/2016/04/o-terceiro-olho-de-lampiao.html

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"O RAPAZ QUE ARRANCOU OS OLHOS OU O PREÇO DA PAIXÃO"


"O Rapaz Que Arrancou os Olhos ou O Preço da Paixão" é o segundo cordel de autoria do poeta piauiense Orlando Paiva, com capa do talentoso Rafael Brito, publicado pela Cordelaria Flor da Serra. O primeiro foi um folheto que tem como tema um alerta à prevenção ao mosquito transmissor da dengue e outras viroses. Orlando Paiva, por ser um poeta de seu tempo, tem trabalhado textos que tenham vínculos com seu cotidiano. O que vincula "O Rapaz que Arrancou os Olhos" com o cotidiano é a forma como o poeta teve contato com a história. Como ele mesmo ressalta, no início do poema, foi uma notícia que circulou na internet. Sabemos que na "rede", por ser democrática, já que todos podem publicar o que bem entender, circula informações duvidáveis. Verdade ou não, essa do "rapaz que arrancou os olhos" despertou no poeta o interesse em construir uma narrativa poética com o tema, dessa forma, dando continuidade a um tipo de construção textual muito importante no percurso histórico do cordel, que é o "folheto de acontecido", que outrora se chamou "jornal do sertanejo". Fiquemos agora com os versos inicias da história e para ler o folheto completo, compre diretamente com o autor ou faça seu pedido pelo E-mail cordelariaflordaserra@gmail.com ou pelo WhatsApp (085) 9. 99569091.


Aqui nesse meu cordel
Será um caso narrado
Do jeito que está sendo
Na internet divulgado.
Esse caso impressionante
Deixou-me emocionado.

Aconteceu com um rapaz
Que foi vítima da paixão.
O cupido lhe acertou
Com a flecha da sedução
E, para uma moça, ele
Entregou seu coração.

Sua paixão por essa moça
Era tão descontrolada
Que ele só pensava nela,
Não se concentrava em nada.
Passava o dia pensando
Nos olhos de sua amada.

Trabalhava o dia inteiro,
Tinha a rotina corrida.
No final do dia ia
Encontrar sua querida,
Dizendo, todo orgulhoso:
- Você é a minha vida.

Abandonou os estudos
Para poder trabalhar.
Seu maior desejo era
Um dia com ela casar,
Ganhar bastante dinheiro
E boa vida lhe dar.

Realizar os seus sonhos
Era tudo que queria;
Com ela ter muitos filhos
Numa bela moradia;
Viver em felicidade
Com paz, amor e harmonia.

Porem havia um dilema,
Esse era o seu tormento.
Esse empecilho era grande
E impedia o casamento.
A moça não enxergava.
Cega era de nascimento.

Devido à deficiência
Vivia a se lamentar.
Dizia para o rapaz:
- Eu só quero me casar
Quando fizer um transplante
E passar a enxergar.

Dessa forma, o namorado,
Angustiado vivia.
Penalizado por ela,
Pois ela muito sofria,
Aguardando um doador
Para sua cirurgia.

Assim transcorriam meses
E o seu triste padecer,
Pois sua felicidade
Só iria acontecer
Se conseguisse um transplante
Para a moça poder “ver”.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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O CANGACEIRO ERA UM CRIMINOSO COMUM, UM BANDIDO COM ÍNDOLE MARGINAL, OU APENAS FORA MAIS UMA VÍTIMA DO SISTEMA GOVERNAMENTAL DA ÉPOCA? “LABAREDA” – O CANGACEIRO QUE ‘TOPOU’ LAMPIÃO


Quem estuda esse Fenômeno Social denominado ‘Cangaço’, em determinada fase da ‘jornada de pesquisa’ começa a se perguntar sobre muitos atos, fatos e ações relacionadas sobre ele. Aparecem inúmeros ‘porquês’, infelizmente, sem encontrarmos respostas nas atuais literaturas sobre o tema. Parte, ou em parte, de algumas entrelinhas notamos tendências sobre determinadas personagens, assim como, em outras, as tendências ficam com a outra parte...

Sabemos de cor e salteado que, naquele tempo, a ‘situação administrativa regional’ quando de alguma forma estava ligada a ‘situação administrativa estadual’ o poder vinha “galopando ladeira abaixo”. O poder político e econômico regional que ajudava, sabe-se lá de qual maneira e com quais ações, a vitória do poder mais alto, estava ‘com a faca e o queijo’ nas mãos. Aqueles que tinham esse poder podiam condenar, absolver ou mandar matar qualquer um que em seu caminho se opusesse. Tinham também o poder de mudar, quantas vezes lhe fossem convenientes os representantes da “Lei”. Se a, ou as, autoridade(s) daquela comarca, aqueles que representavam a “Lei” não fizesse o que determinava o ‘mandatário regional’, com toda certeza seria transferido para outro município, comarca, quando não era destituído de seu cargo. O sertanejo nato, o morador, o roceiro, nunca, jamais pode ter, ou teve, opções nem liberdade. Nasciam sobre o julgo do opressor, só encontrando liberdade quando a morte lhe fazia uma gratidão.


Quantos foram obrigados, extorquidos, humilhados, surrados, suas famílias estupradas em nome do poder dos poderosos? E quando por ventura se arriscavam a pedir auxilio as autoridades, estas lhes viravam as costas deixando-lhes a própria sorte, quando eram sabedores que aquela falta de atitudes lhes condenavam a morte. Alguns não mais suportaram a ‘chibata do feitor’, ‘o grito do capataz’, ‘o cipó-de-boi dos mandados’ e o terrorismo imposto pela jagunçada. Preferiram, ou foram obrigados, a fazerem justiça com as próprias mãos. Mesmo que aquela ação o fizesse, doravante, ser um bandido fugitivo.

Em nosso texto procuraremos discorrer apenas uma dessas ocorrências. Não seremos tendenciosos. Tentaremos mostrar como as coisas, às vezes, acontecem sem que aja um culpado determinante ou voluntário, apenas está-se na hora errada, no local errado.


Bandido é classificado como um adjetivo e substantivo masculino. O termo tem origem no Italiano bandito, que significa “banido, afastado do convívio dos outros”, de bandire, que quer dizer “banir, proscrever”, do Latim bannire, que é “proclamar”. O significado de Bandido é o indivíduo que atua no mundo do crime. É um termo bastante utilizado como sinônimo de delinquente, criminoso, ladrão e até mesmo de um fugitivo.

Para que simples e honestos trabalhadores rurais, roceiros, matutos, entrassem para fazerem parte de um bando de cangaceiros, largando sua família, pois não podiam mais voltar a estar com seus entes queridos, até mesmo para protegê-los, com toda certeza, algo de muito ‘especial’, em sentidos variados, com certeza ocorrera. Mesmo assim, não voltando mais a sua casa, ou a casa de algum familiar, quando as volantes tomavam conhecimento onde à família de determinado ‘cabra’ morava, iam e faziam uma ‘visita’ bastante descortês. O cacete comia solto não importando idade ou sexo. Fosse quem fosse: tanto fazia ser irmão, irmã, pai, mãe, filho, primos ou ter outro parentesco qualquer, ia pra debaixo da chibata de cipó-de-boi, da palmatória ou mesmo de um simples cipó retirado no aceiro do terreiro da choupana onde moravam.


A coisa fica mais apertada para aqueles que moravam na zona rural dos Estados por onde ocorreu o Fenômeno Social estudado, depois do resultado de uma reunião entre os representantes destes, no Estado de Pernambuco, em sua Capital, Recife, que fora sede da reunião, tendo o ‘Chefe de Polícia’, uma espécie de Secretário Estadual de Justiça, Eurico de Souza Leão, substituto daquele que recebera a “Carta de Lampião”, o chefe de polícia Antônio Guimarães, onde o “Rei do Cangaço” sugeria, ou determinava, após a vitória cangaceira na ‘Batalha da Serra Grande’, em fins de 1926, a divisão do Estado em dois, a criação da “Lei do Diabo”.

“(...) A “LEI DO DIABO”

Para que se possa compreender o alcance e o que representou a chamada “Lei do Diabo” como instrumento de repressão do Governo de Pernambuco no combate a Lampião, tem que se analisar o que significou a participação dos coiteiros durante o ciclo do cangaço. Generalizando-se, pode-se afirmar que “ser coiteiro para a polícia é servir-lhe um copo d’água numa rápida parada de uma marcha incessante; é vê-lo passar ao longe e, não ir, pressuroso, delatá-lo; é topá-lo na estrada e responder as perguntas que lhe forem feitas; é, enfim, todo aquele que voluntária ou involuntariamente tenha com ele o mais leve contato”(...) a política de repressão estatal sempre foi pautada por uma ação violenta contra a população civil, pobre e indefesa. Alguns historiadores chegam mesmo a afirmar que o abuso das volantes militares encarregadas de combater Lampião constituiu-se num dos principais fatores de transformação de pacatos agricultores em violentos cangaceiros ou em perigosos coiteiros. Em outras palavras: a violência e a arbitrariedade policial produziam a metamorfose de transfigurar simples cidadãos em inimigos do Estado (...) Quando um agricultor ou vaqueiro era seviciado pelas volantes, era natural que a honra ultrajada fosse a qualquer custo. O ódio do sertanejo, com sua honra e dignidade pisoteada por botas dos militares, fazia com que este esquecesse “muitas vezes a afronta que Lampião lhe fez, bandeia-se para o seu lado e quando não cangaceiriza, transfigura-se em coiteiro perigoso(...)Não foi somente a Força Pública de Pernambuco que se destacou na tarefa de provocar transtornos entre os integrantes da população civil (...)Nestes Estados os membros das forças militares “portavam-se como legítimos facínoras, perversos e sádicos. Humilhando, estuprando, aterrorizando e até mesmo assassinando fria e covardemente! Agiam como o vilão com o poder na mão (grifo do autor) e a certeza da impunidade. Até parecia que espalhar a desordem, o pânico e a violência fosse a sua finalidade ou objetivo. Se se disser que as forças da polícia que o governo enviava aos sertões em perseguição aos cangaceiros, eram, de muitos casos, piores que estes, não estaremos exagerando” (...).” (“Sertão Sangrento: Luta e Resistência” – SOUZA, Jovenildo Pinheiro de. TCC).

Focaremos nossa pesquisa no agricultor Ângelo Roque da Costa, pernambucano que se tornara chefe de subgrupo de cangaceiros, pertencente ao bando de Lampião, de alcunha “Labareda”. Esse pacato cidadão entra nas hostis do cangaço por falta da justiça fazer justiça. Ele tinha uma irmã, uma criança com 14 anos de idade, que fora desvirginada por um soldado de policia de nome Horácio Cavalcanti, com antecedentes iguais, o qual já havia tido quatro mulheres, mas, com nenhuma morava. Como manda o figurino, os familiares, pais de Ângelo Roque, e o próprio, procuram as autoridades e prestaram queixa, porém, os representantes da “Lei” nada fizeram a respeito. Quando o processo chega às mãos do Juiz daquela Comarca, esse também não dá a atenção necessária, deixando o agressor seguir sua vida impune.


A família de Ângelo Roque sentiu-se desmoralizada. O ódio começa a ter lugar no coração daquele pequeno produtor rural, motivado pela ‘desgraça’ em que caiu sua irmã e, naturalmente, toda sua família. Naquela época, casos dessa natureza era uma coisa bastante séria, onde poderia levar a morte de várias pessoas.

Certo dia encontram-se em um vagão de um trem, os dois inimigos: o soldado Horácio Cavalcanti e o roceiro/adolescente Ângelo Roque. Ao se depararem, se travam numa luta corporal, portando cada um uma ‘lambedeira’, faca peixeira, ficando os dois bastante feridos. Após essa confusão, Ângelo Roque, já recuperado das feridas externas, dessa vez armado com um rifle, mata a tiros o soldado. Depois do crime, ele torna-se assassino foragido, pois, sabedor de como agia os representantes da “Lei” que lhe negaram fazer justiça, dar ‘linha na pipa’, cair de mata adentro. Quando esse caso ocorreu, o jovem roceiro tinha entre 16 e 17 anos de idade.

Não vendo uma luz no fim do túnel, Roque toma uma decisão, ou seja, a única que tinha naquele momento para continuar vivo, pois sabia que assim que fosse pego seria morto pelos companheiros de farda do soldado que matara.

Vivendo atrás de lajedos e por detrás das moitas, Ângelo consegue chegar a uma propriedade denominada Jurema. Os donos dessa fazenda eram colaboradores do “Rei do Cangaço”, Virgolino Ferreira, o Lampião. De imediato, enviam um mensageiro chamando o chefe cangaceiro para ver de perto o jovem que matara um ‘macaco’. Após vários dias de espera, Lampião chega à sede da propriedade e conhece Ângelo Roque. Escuta sua história e, imediatamente, consente que o mesmo passe a fazer parte do bando.

Desse encontro, surgiu um dos mais temíveis cangaceiros que atuaram ao lado de Virgolino Ferreira, o cangaceiro “Labareda”. Labareda destaca-se rapidamente entre os homens que conviviam com o “Rei do Cangaço”, dando combate às forças Públicas que os perseguiam. Depois de vários combates, vendo como se portava “Labareda” diante do perigo e, principalmente, como pensava antes de agir aquele jovem, Lampião o faz chefe de um subgrupo contendo, mais ou menos, 15 homens.


Conta-se que Labareda não temeu, nem abriu, para o chefe mor do cangaço. Não esmoreceu nem diante de Lampião, homem que aprendera a respeitar quando em luta. São poucos aqueles cangaceiros que peitaram o “Rei” cara –a-cara, frente-a-frente, de arma em punho e bala na agulha. Esse fato ocorreu, segundo escritores, devido a alguns potes de barro, que continham água, e que Labareda quebrara.

Em 1935, estando à caterva de Lampião se divertir à sombra de algumas árvores, e nelas, havendo três potes cheios d’água, Virgolino manda que fechem, tapem, bem a boca dos potes com panos para que a poeira levantada pelas xô-boi dos cangaceiros que dançavam xaxado, não entrassem em contato com o líquido precioso. Alguns ‘cabras’ já estando ‘quentes’ devido à bebedeira, tomavam água, porém, esquecia-se de recolocarem o pano na boca dos potes. Vendo aquilo, Lampião começa a esbravejar, xingando quem perto dele estivesse. Naquele momento de descontração do bando, Labareda encontrava-se deitado na sombra de uma das árvores frondosas, tendo ao seu lado sua companheira, a cangaceira Mariquinha.

Em determinado momento o cangaceiro Zé Baiano, outro chefe de subgrupo, vem até a sombra da árvore para beber água. Quando está bem perto, nota que os três potes estavam quebrados. De imediato grita perguntando quem teria feito aquilo. Calmo, Labareda, deitado como estava, responde que tinha sido ele. Baiano vai direto onde estava o chefe e relata o que ocorrera. Lampião, soltando fumaça pelas venta, chega gritando, querendo saber se Ângelo Roque, o cangaceiro Labareda, não mais respeitava ele. Labareda responde que o respeita do mesmo tanto que era respeitado pelo chefe. Chegam a levantarem as armas na direção um do outro e, talvez, se não fosse pela intervenção do cangaceiro Moderno, algum deles, ou mesmo os dois, tivessem se matado naquele dia.

Labareda fora ‘convocado’ por Lampião para que se fizesse presente no coito do Riacho Angico, em julho de 1938. Ângelo Roque não comparece ao chamado do chefe. Após a morte de Lampião e mais dez cangaceiros, as coisas ficam ruins para aqueles que faziam parte do cangaço. Com a morte do “Rei do Cangaço”, os outros cangaceiros ficam feito ‘baratas tontas’: não sabem onde buscarem munição nem suprimentos. Começa então as entregas.


Aos poucos, vários e vários cangaceiros se entregam as autoridades fixadas em diversas cidades, sítios e fazendas. Alguns se entregam isoladamente, já outros, entregam-se em grupos. Um desses grupos é exatamente aquele comandado pelo cangaceiro “Labareda”, o Ângelo Roque”, que na primeira metade do ano de 1940, junto aos seus homens, entrega-se em Paripiranga, Bahia.


Todo aquele, ou a maioria, na ‘época das entregas’ que se entregavam, eram transferidos para a capital baiana, Salvador, onde ficariam presos numa Penitenciária. Algum tempo depois, sem importar quantos anos tinha que cumprir de pena, o Presidente Getúlio Vargas os solta através de indulto, menos o cangaceiro Volta Seca que permaneceria preso até o início da década de 1950, quando, também, recebe a benevolência de Vargas.

Não consta, em relato da imprensa, notícia oral ou nas entrelinhas da obra de algum pesquisador/escritor que os cangaceiros, após serem libertados, tenham voltado ao crime.

“(...) Entretanto é vasto, inclusive amplamente divulgado na imprensa brasileira das décadas de 1950 e 1960, que vários homens que andaram nas caatingas debaixo do peso do chapéu de couro e do “pau de fogo” (cangaceiro), ao deixarem a prisão se tornaram os ditos “cidadãos de bem”, totalmente regenerados. Muitos se tornaram pacatos funcionários públicos, pequenos comerciantes, caixeiros viajantes e outros exerceram simples e honestas atividades. Um dos casos mais emblemáticos na minha opinião é a recuperação do chefe cangaceiro Ângelo Roque(...).” (Pesquisador/historiador Rostand Medeiros)


Ângelo Roque, após ganhar a liberdade através de indulto, aprende a ler e escrever. Arranja um emprego como auxiliar do professor Estácio de Lima, no Concelho Penitenciário da Bahia, e passa a morar em Salvador.
As penitenciárias nas Capitais dos Estados nordestinos, naquela época, tinham serviços de aprendizagem, execução e produção das mais variadas categorias. Cada prisioneiro tinha que ocupar-se em algum trabalho. Exemplo disso fora à Casa de Detenção da cidade do Recife que, já na década dos anos 1920, formava grupos de trabalhadores com os prisioneiros.


Não seria essa a saída para o Sistema Prisional da atualidade no País? Acreditamos que sim. O preso tem que, de algum modo, com trabalho e serviço em estradas, marcenaria, lavoura, mecânica, etc., pagar por sua permanência na prisão em vez de receber benefícios do governo sem produzir nada.

Fonte “Sertão Sangrento: Luta e Resistência” – SOUZA, Jovenildo Pinheiro de. TCC)
Blog tokdehistoria.com
Foto blog Ct.
Cangaçonabahia.com
“Fim do Cangaço: As Entregas” – BONFIN, Ruben Ferreira de Alcântara. – 1ª Edição. 2015.

https://www.facebook.com/groups/1617000688612436/permalink/1825398431105993/

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FESTA DO ROSÁRIO: DEFINIDA PROGRAMAÇÃO DO ENCONTRO DOS FILHOS E AMIGOS DE POMBAL

Por Marcelino Neto

A Festa do Rosário mais uma vez será marcada por um dos momentos mais esperados: o Encontro dos Filhos e Amigos de Pombal.

O evento será aberto oficialmente na noite da sexta-feira (29) na parte externa do Pombal Ideal Clube, tendo prosseguimento no interior do sodalício.

A realização chega aos seus 26 anos e em meio à fé e religiosidade a certeza de que refazer o caminho de volta é necessário ainda que por um momento breve.

O tema da edição 2017 é “Pombal te abraça... venha!”

Segundo os organizadores mais uma vez o encontro pretende reunir grande número de pombalenses e simpatizantes para a tradicional confraternização.

A ideia nasceu de alguns amigos com o propósito de reunir universitários da época, fato esse que ganhou projeção deixando de ser um “encontro universitário” para se transformar no encontro dos “filhos e amigos da Terra de Maringá”.

Hoje se define como um evento sociocultural e apolítico durante a Festa de Nossa Senhora do Rosário.

A estrutura deste ano está orçada em R$ 13.500,00, valor que mais uma vez será levantado junto a colaboradores e patrocinadores, oportunizando o reencontro de centenas de pessoas ao som da boa música, atrativo especial para matar saudades em solo pombalense.

A programação deste ano já foi elaborada ficando assim definida:

29/09 (Sábado) - 21h00 ABERTURA
- Marcos Vinicius e Banda
- Damião e Banda
30/09 (Domingo) – 14H00 (PRIMEIRO TEMPO)
- Banda toca Raul Seixas
- Sonda 18
30/09 (Domingo) – 21h00 (SEGUNDO TEMPO)
Banda Tuareg’s
Nova Banda

Marcelino Neto 


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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ICOP E CÂMARA DOS VEREADORES, IRÃO FESTEJAR, SOLENEMENTE, OS 60 ANOS DA FUNDAÇÃO DO INSTITUTO CULTURAL DO OESTE POTIGUAR

Por Franci Dantas
Benedito Vasconcelos Mendes


O Prof. BENEDITO VASCONCELOS MENDES, Presidente do ICOP - Instituto Cultural do Oeste Potiguar esteve com a Vereadora 

Izabel Montenegro

ISABEL MONTENEGRO, Presidente da Câmara Municipal de Mossoró e com o Vereador 

Francisco Carlos de Medeiros

FRANCISCO CARLOS DE CARVALHO, trocando ideias sobre a programação da Sessão Magna que ocorrerá às 9 horas, do dia 6 de outubro próximo (sexta-feira), 


no Plenário da Câmara de Vereadores, para comemorar os 60 anos da mais antiga instituição cultural da região oeste do Rio Grande do Norte. Os detalhes e os principais pontos da referida sessão solene serão discutidos e aprovados pelos demais vereadores. 


Espera-se que seja uma grande festa cívica, que contará com o apoio das Academia de Letras e outras instituições congêneres, Universidades, Entidades de Classe, Maçonaria, Clubes de Serviços, Meios de Comunicação, Prefeitura de Mossoró, Conselho Estadual de Cultura e Fundação José Augusto (Secretaria Estadual de Cultura), com a participação efetiva dos estudantes, professores e do povo em geral.

Benedito Vasconcelos Mendes

MOSSORÓ, como a Capital Cultural do Semiárido Brasileiro, saberá reconhecer os méritos dos abnegados intelectuais do passado, que no dia 30 de setembro de 1957 fundaram este instituto cultural. 

João Batista Cascudo Rodrigues e Jerônimo Vingt-un Rosado Maia

O Fundador do ICOP, Prof. JOÃO BATISTA CASCUDO RODRIGUES, auxiliado por JERÔNIMO VINGT-UN ROSADO MAIA, JOSÉ LEITE, DALVA STELLA NOGUEIRA FREIRE, MANOEL LEONARDO NOGUEIRA, LUIZ FAUSTO DE MEDEIROS, CÔNEGO FRANCISCO DE SALES CAVALCANTI, JOSÉ OCTÁVIO PEREIRA LIMA, JOSÉ MARIA GONÇALVES GUERRA, MONSENHOR RAIMUNDO GURGEL DO AMARAL, GILBERTO TAMYARAMA DE SÁ BARRETO E MOACIR DE LUCENA, por ocasião dos festejos da Abolição dos Escravos do dia 30 de setembro de 1957, presentearam Mossoró com a primeira instituição cultural de nossa região. 


Dos intelectuais fundadores somente a Professora Dalva Stella Freire está viva. A Câmara Municipal de Mossoró vai homenagear "in memoriam", com a MEDALHA DE HONRA AO MÉRITO CULTURAL, os Sócios Fundadores que já faleceram e com o Título de CIDADÃO DE MOSSORÓ a Professora Dalva Stella.

FOTOS
01 - Logomarca do ICOP
02 - Prof. Benedito Vasconcelos Mendes (Presidente do ICOP)
03 - João Batista Cascudo Rodrigues - Jerônimo Vingt-Un Rosado Maia
03 - Dalva Stella (Musicista - Compositora)
04 - Isabel Montenegro (Vereadora - Presidente da Câmara Municipal de Mossoró)
05 - Logomarca da Câmara Municipal de Mossoró
















Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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CAPA DO LIVRO GONZAGA VIVE, DE AUTORIA DE FRANCISCO ALVES CARDOSO E AMIGOS



Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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CADA CIDADE TEM O CANGACEIRO QUE (NÃO) MERECE?

Por Professora Rozelia Bezerra

Nem só de Lampião e Maria Bonita viveu o cangaço. Nem só os sertões tiveram seus cangaceiros.

No século XVIII, apareceu, no Recife, um de nome José Gomes. Ficou conhecido como “O Cabeleira”. Filho de Joaquim Gomes e Joana. Joaquim, segundo a percepção de Franklin Távora, era sujeito de “má entranha, dado à prática de crimes hediondos”. O filho, José aprendera e praticara com o pai, toda a sorte de vilanias e crimes possíveis. A mãe, tentou salvar o filho.

Era dezembro de 1773, quando resolveram atacar e roubar no Recife. A cidade comemorava a expulsão dos jesuítas de todas as colônias portuguesas. “Assim se passou na vila do Recife a noite do primeiro de dezembro de 1773, noite memorável que principiou pela alegria e terminou pelo terror público. ” 

Como Lampião, “O Cabeleira” teve uma mulher que o amou. Mas, ela não o acompanhou nas ações de crimes. Chamou-se Luisinha. Tentou dissuadi-lo da vida de crimes. Acabou morrendo em consequência das queimaduras provocadas por um incêndio criminoso, promovido pelo bando. 

Cangaceiros. Esboço, Paulinho do Amparo.

Após ser preso e levado para Goiana, “O Cabeleira” foi condenado à morte, por enforcamento. Era muito jovem: 22 anos. No romance “O Cabeleira”, da autoria de Franklin Távora, consta que o Largo das Cinco Pontas, no Recife, foi o local escolhido para erguer o patíbulo onde se montou a forca. Dentre as pessoas que assistiram ao enforcamento, estava Joana, a mãe que tentara salvar o filho: “Meu filho vai morrer enforcado! Ah! Meu Deus, Vós bem sabeis que ele não teve culpa” – dizia ela numa voz entrecortada de soluços”. 

Ao subir ao patíbulo, José declara-se arrependido dos crimes praticados. “Meu filho, meu filho” gritou a mãe. Ao ouvir os gritos da mãe, O Cabeleira exclamou, com voz trêmula “Adeus, mamãezinha do meu coração”. 

No mesmo instante que José era enforcado, morria Joana, a mãe, cujo coração não resistira e parou de bater. 

Isto entrou na cantoria popular:

“Adeus, ó cidade
Adeus Santo Antão,
Adeus, mamãezinha
Do meu coração”.

Hoje, passados séculos, temos outros tipos de cangaceiros: os justiceiros, os linchadores, os que, no exercício de seu ofício, executam, a sangue frio e com requintes de crueldade, qualquer pessoa que não se encaixe nos parâmetros da norma. Da norma deles.

Rozelia Bezerra é graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (1988). Mestra em Epidemiologia Experimental Aplicada ás Zoonoses, pela Universidade de São Paulo (1995). Doutora em Educação, com ênfase em História da Educação e Historiografia. Tese sobre a História do Ensino da Higiene na instrução pública de Pernambuco (1875-1930) É professora Adjunta do Departamento de História da Universidade Federal Rural de Pernambuco, ministrando a disciplina História Cultural das doenças: as representações literárias. Professora de História da Alimentação, no curso de Graduação em Gastronomia – UFRPE. Pesquisa sobre História do ensino da Medicina Veterinária. Desenvolve pesquisa na área da História das Ciências e História das Doenças e dos Doentes no Brasil (séc. XVI-XX). Pesquisadora do Grupo de História Social e Cultural da UFRPE (GEHISC). A professora Rozélia escreve todas os sábados no nosso blog. 

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