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sexta-feira, 28 de abril de 2023

SAUDADE!

 Por José Di Rosa Maria

Minervina Ferreira

Hoje bateu-me a saudade

De Minervina Ferreira,

Poetisa de Cuité,

Repentista cantadeira,

Que infelizmente fez

A viagem derradeira.

José Di Rosa Maria / 28-04-2023.

Meus pêsames a toda família.

Seu nome de batismo é Minervina da Silva Costa, herdando o 'Ferreira' da profissão do pai, que era ferreiro. Na infância e juventude, teve poucas chances de estudar, pois precisava ajudar a família na agricultura; mesmo assim, trabalhou também como professora primária e agente de saúde em Cuité.

Natural de Cuité-PB. Falecimento ocorrido na noite de quinta-feira, 27-04-2023.

José Di Rosa Maria

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GENEBRA – A BEBIDA DOS PRIMEIROS CANGACEIROS

 Por Dr. Epitácio de Andrade Filho

Hello Crisanto, Epitácio (segundo da esquerda) e Gilberto Cardoso.

“Então, senhor Jesuíno,

Presumindo o que deseja;

Tinha mandado comprar

Vinho, GENEBRA e cerveja;

Embora seu portador violento homem seja”.

A estrofe acima está contida no ABC DE JESUÍNO BRILHANTE, de autor anônimo, foi publicado pela primeira vez, em Cancioneiro do Norte, de Rodrigues de Carvalho, em 1903, na cidade de Fortaleza, Ceará.

No volume II da Revista Roteiros de Patu, lançada em novembro de 1979, ano do centenário da morte de Jesuíno Brilhante (1844/79), o editor Miguel Câmara Rocha publicou o texto “Brilhantes e Limões”, baseado no livro Solos de Avena(1964), de Alício Barreto, onde relata a insatisfação de Dona Felícia com as manchas roxas nas costas e barriga do moleque Zé Limão, feitas pela ligeira e o braço vigoroso de Jesuíno.

Depois de um minuto de silêncio, Dona Felícia lobo Maia perguntou: “ não quero saber de valentias que praticaram, porém quero saber se meu moleque fica mesmo apanhado, ou vocês tomarão uma vingança?”.

Fica não, senhora! Não tenha o menor cuidado que iremos responder a Jesuíno e sua família, que não somos covardes, nem ladrões, como eles andam propagando. Esta reunião ocorreu na Fazenda do major Lobo, 8 dias após a agressão de Jesuíno contra Zé Limão que aconteceu na noite de festa de 1875.

Para atiçar ainda mais os ânimos dos Limões, apareceram à mesa algumas garrafas de GENEBRA... A GENEBRA ou GENEVER é uma bebida destilada de alto teor alcoólico, fabricada na Holanda, a partir do álcool neutro com adição de especiarias, principalmente da planta zimbro. Sua história remonta ao século XVI. É considerada precursora do gin.

Nos Sertões nordestinos, ficou conhecida pela corruptela “ZINEBRA”. Em Patu, no médio-oeste potiguar, foram preservados dois recipientes desta bebida. Um deles é chamado de “Moringa de Jesuíno”. Estas peças históricas compõem o acervo do museu Rural.

Zinebra Bebida.

Noringa Amisterdã.

Jesuíno - Moringa

Roteiros de Patu

Museu Rural de Patu

A caminho da serra de Patu

Major Zé Lobo - Fazenda Dois Riachos

Felícia Lobo Maia aliada da família Limão.

Enviado pelo o autor

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NOS PRÓXIMOS MESES COMPLETARÃO 7 ANOS DO FALECIMENTO DO FOTÓGRAFO JOSÉ RODRIGUES DA COSTA.

 Por José Mendes Pereira


Nos próximos meses  completarão 7 anos que faleceu o meu primo fotógrafo José Rodrigues da Costa, do "Foto Rodrigues" em Mossoró. Por mais de 50 anos ele foi responsável pelos registros fotográficos da população de Mossoró e da própria cidade. 

José Rodrigues fez fotos de pessoas importantes tanto do Rio Grande do Norte como de outros Estados Brasileiros.

Roberto Carlos e José Rodrigues

Jiosé Rodrigues, Frei Damião e Câmara Cascudo

Da esquerda para direita: Hermelinda Lopes, Ozeas Lopes (Carlos André), José Rodrigues da Costa (Dedé do Foto Rodrigues) e João Lopes (João Mossoró)

Os homenageados por indicação do vereador foram: José Rodrigues da Costa (Mérito Fotográfico); Edmilson Jales (Mérito Educacional); José Maria Dantas e José Francisco Tavares (Título de Cidadão Mossoroense); Romualdo e Jeane “JR Petro” (Reconhecimento da Câmara Municipal de Mossoró). - http://genivanvale.blogspot.com.br/2011_09_01_archive.html

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POEMA MUDO

Autor: José Di Rosa Maria


Nas páginas do livro do meu invisível
Encontrei sabença num poema mudo,
Que com letras mágicas nos versos anônimos
Sem me contar nada me dizia tudo.
Li no horizonte do silêncio dele
Um recado triste com letras risonhas...
Chorarás nos braços das desilusões
Após o alcance do que tanto sonhas.
Nos futuros passos dos últimos passeios
Verás a imagem dos primeiros passos,
E dores virão a ti como frutos
Da realidade dos sonhos devassos.
Beberás das lágrimas dos teus olhos cúmplices
Sentirás saudade das doces saudades,
Perderás nas curvas das penúltimas horas
As últimas noções das próprias vontades.


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DAVID JURUBEBA DESAFIA LAMPIÃO PARA UM DUELO NO PUNHAL O TIROTEIO DAS BAIXAS

Acervo do José João Souza

Em uma entrevista perguntaram a Davi Jurubeba, qual o momento mais difícil e marcante que tivera nos confrontos com Lampião?

Davi respondeu:

"- Foi no tiroteio das Baixas - onde morreu meu irmão Olimpio - e o de um lugar denominado Jacaré, onde constatei a bravura e resistência de Lampião, vendo a hora eu e minha gente partir desse mundo pelas balas dos cangaceiros. Mas que mesmo assim, botamos os bandidos para correrem".

Continua David Jurubeba:

" - Fazia um tempão que ninguém ouvia falar de Lampião. As noticias eram as mais desencrontradas possíveis. Falar se falava, mas ver o homem mesmo, pra peitar, isso não.

Até que um dia ele apareceu de supetão, próximo a Nazaré, na fazenda Paus dos Leite, onde, no momento, um prente meu, Pedro Tomáz, estava dando uns mergulhos no açude. O coitado saiu na maior carreira, nú, debaixo de pilherias e galhofas dos cangaceiros, em direção a Nazaré.

Ai se juntou um punhado de homens armados, inclusive eu, Tomáz e seu pai, Tomáz Gregóorio. Seguimos os rastros. Constatamos pelas pegadas serem quinze homens que rumaram em direção da fazenda Baixas, uns doze quilômetros do povoado. Chegamos na frente da casa da fazenda, nos posicionamos nos currais que ficavam depois do grande terreiro.

Esperei um pouco, nenhum movimento ou voz, aí gritei:

" - Lampião, filho da puta!".

Aí foi tiro pra todos os lados. Nós eramos apenas cinco. Mas mostramos que nazareno que se preza, um vale por dez.

Enquanto a gente amolegava o dedo no gatilho, gritava impropérios. Aí comecei a puxar um assunto que apoquentava Lampião:

" - Lampião, bem que Zé Saturnino dizia que você não é homem bosta nenhuma".

Menino, o cabra ficou mais azedo ainda! Aí gritava mais alto:

" - Num fale daquele cabra safado. Aquele sim, é um ladrão de bode, desordeiro e mentiroso".

E tome bala. Tome gritos. Desaforos. Já eram duas horas da tarde quando resolvemos cair fora do local da luta. Estávamos com muita sede, pouca munição, os olhos ardendo com o fedor e o fumaceiro da pólvora, e a vantagem era dos cangaceiros.

Eles, dentro de casa, com mais homens. Nós, protegidos pela cerca do curral e com apenas cinco nazarenos. Saímos de fininho. Um a um.

A certa distância nos encontramos todos os companheiros no ponto previamente combinado e íamos em direção a Nazaré, com muita fome e sede, mas com vontade de brigar. De repente vimos chegando ao nosso encontro sete homens, eram eles: meu tio Gomes Jurubeba, Manoel Flor, Manuel Jurubeba, Euclides Flor, Inocêncio, meu irmão Olímpio e outro parente. Meu tio foi logo dizendo:

" - Vamos brigar! "

Comemos uns pedaços de queijos e rapadura. Tomamos bastante água. Reabastecemos as armas. Criamos alma nova e partimos mais uma vez pro palco das brigas. Já havia se passado quase duas horas do primeiro fogo. Agora éramos doze nazarenos.

Ninguém percebia nossa presença se arrastando rente ao chão, tomando as posições no mesmo curral para liquidarmos com os cangaceiros que continuavam ocupando a mesma casa como se nada tivesse acontecido.

De cara vi logo Lampião.

Estava meditativo, encostado na janela, alheio ao tempo, com a cabeça nas nuvens.

Fiquei olhando pra ele e vi, não apenas o cangaceiro meu inimigo, mas o cabra macho que ele era, altivo, jamais dobrou o lombo pra quem quer que seja.

Tinha palavra.

O que falava era lei.

Cumpria o prometido.

Acima de tudo, era valente.

Ele continuava vagando nos pensamentos. Aí me organizei pra atirar. Pus a cabeça dele bem dentro da alça da mira do meu rifle.

Era o fim de Lampião.

Quando espremi o dedo no gatilho, vi que estava travada.

Mentalmente soltei um palavrão.

Fui destravar a arma silenciosamente, mas teve o " clic "inevitável.

Nesse exato momento Lampião deu uma cambalhota pra trás, correu zinguezagueando, e nós atirando no homem que mais parecia um gato acuado fazendo todo tipo de pirueta, quando chegou no pé da porta da casa, pulou pra dentro numa velocidade impressionante.

A estas alturas os cangaceiros respondia o tiroteio.

Por um instante pensei ter eliminado com Lampião. Perdi a ilusão quando escutei sua voz:

" - Tá vendo David, todos os homens de Nazaré não vale um só de minha marca".

Aí respondi:

" - Mas ainda hoje mando você roubar bode no inferno".

Era tanto palavrão com a gente e com nossas mulheres, que muitas vezes não vale a pena repetir.

Mas o tiro corria frouxo. Era uma barafunda infernal.

Os cangaceiros tanto atiravam como gritavam arremedando os animais, cantando, parecia até que não tinham medo e a coragem pra brigar ia às bordas da insanidade.

De repente Pedro Tomáz me puxou pelo braço e mostrou-me meu irmão Olímpio, ferido, com um tiro na espinha, mesmo no meio das costas. Foi um banho gelado em mim, fiquei mudo, com medo do pior acontecer.

Sentei-me ao seu lado, pus sua cabeça na minha perna. Nunca pensei na minha vida vê um irmão meu naquele estado, deitado no chão, se esvaindo em sangue, dizendo coisa por coisa. Cada vez mais pálido e gelando. Para desfechar com mais dor este momento, uma bala lhe atingiu a cabeça, quase me ferindo também.

Fiquei louco.

Não enxerguei mais nada.

Cego de dor e ódio, gritei:

"- Lampião, Olímpio morreu! "

Todo mundo parou de atirar. Tanto os cangaceiros como nós.

Saltei de peito aberto pro meio do terreiro, gritando pra o sertão inteiro escutar:

" - Lote de cangaceiros filhos da puta! Lampião, seus tiros acabou com a vida do meu irmão. Vamos agora, nós dois, decidir nossas vidas na ponta do punhal. Venha Lampião, vamos disputar num duelo".

Lampião calmanmente respondeu:

" - Sinto muito pela vida de Olímpio. Conheci bem de muito tempo. Era um menino, noivo, trabalhador. Eu, David, comecei a lutar mais novo do que ele, mas nunca disse que era novinho e bonzinho. Quando mataram meu pai eu tinha a idade do Olímpio... Quem sai pra chuva vai se molhar. Quem parte pra briga, corre o risco de morrer".

Voltei a insistir:

" - Vamos decidir na faca, só nós dois".

Mais uma vez recuou:

" - David, não brigo com quem está querendo morrer.

Você está desesperado.

Se está querendo morrer, empurre a faca na sua barriga.

Agora mesmo estou com dois refles apontados pra você. Se mandar os meninos atirar, eles atiram. Volte para seu lugar e recomecaremos a briga".

Sair andando para minha posição, cada passo que dava era um tiro que disparava em direção a porta que Lampião estava. Ao chegar no local que me entrincheirava, recomeçou o tiroteio.

Pouco mais de vinte minutos depois, tomba morto outro dos nossos, foi Inocêncio. Jovem como Olímpio.

A partir daqui estávamos com gosto de derrota na boca.

Os tiros não tinham piedade.

A tarde estava cedendo lugar pra noite, quando saímos da Baixas levando os dois corpos dos companheiros, mais do que isso, um irmão e um primo.

Foi luto em Nazaré e na minha alma, até hoje. Isso foi no ano de 1924, o mês não me recordo direito, tenho anotado, no óbito e nos documentos, mas não me lembro assim de cor, só sei que era tempo de safra de umbu.

Do livro: Lampião, nem herói nem bandido, a história

De: Anildomá Willans de Souza

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