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sábado, 16 de junho de 2012

LAMPIÃO, O REI DO CANGAÇO

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Benjamim Abraão apertando a mão de lampião, ao lado Maria Bonita

28 de julho de 1938. Chega ao fim a trajetória do mais popular cangaceiro do Brasil. Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, foi morto na Grota do Angico, interior de Sergipe. Por sua inteligência e destreza, Lampião até hoje é considerado o Rei do Cangaço. Virgulino Ferreira da Silva nasceu em 1897, na comarca de Vila Bela, região do Vale do Pajeú, Estado de Pernambuco. Dos 9 irmãos, Virgulino foi um dos poucos a se interessar pelas letras. Freqüentava as aulas dadas por mestres-escolas que se instalavam nas fazendas. No sertão castigado por secas prolongadas e marcado por desigualdades sociais, a figura do coronel representava o poder e a lei. Criava-se desta forma um quadro de injustiças que favorecia o banditismo social. Pequenos bandos armados, chamados cangaceiros, insurgiam-se contra o poder vigente e espalhavam violência na região.

Lampião e Antonio Ferreira (seu irmão)

Eram freqüentes, também, os atritos entre famílias tradicionais devido as questões da posse das terras, as invasões de animais e as brigas pelo comando político da região. Num desses confrontos, o pai de Lampião foi assassinado. Para vingar a morte do pai, entre outros motivos, Lampião entra para o cangaço, por volta de 1920.

Eram freqüentes, também, os atritos entre famílias tradicionais devido as questões da posse das terras, as invasões de animais e as brigas pelo comando político da região. Num desses confrontos, o pai de Lampião foi assassinado. Para vingar a morte do pai, entre outros motivos, Lampião entra para o cangaço, por volta de 1920.

Bando de Virgíno

A princípio segue o bando de Sinhô Pereira. Mostrando-se hábil nas estratégias de luta, assume a chefia do bando em 1922, quando Sinhô Pereira deixa a vida do cangaço. Lampião e seu bando vivem de assaltos, da cobrança de tributos de fazendeiros e de "pactos" com chefes políticos.

Praticam assassinatos por vingança ou por encomenda. Pela fama que alcança, Lampião torna-se o "inimigo número um" da polícia nordestina. Muitas são as recompensas oferecidas pelo governo para quem o capture. Mas as tropas oficiais sempre sofrem derrotas quando enfrentam seu bando.

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Enedina, companheira do cangaceiro Zé de Julião ou Cajazeira. Alguns escritores afirmam que o de óculos não é Azulão, e sim o cangaceiro Moreno. Dadá, companheira do cangaceiro Corisco e o últino é Sabonete, que era irmão do cangaceiro Borboleta.

Como a polícia da capital não consegue sobreviver no sertão árido, surgem as unidades móveis da polícia, chamadas Volantes. Nelas se alistam os "cabras", os "capangas" familiarizados com a região. As volantes acabam tornando-se mais temidas pela população do que os próprios cangaceiros.

Além de se utilizarem da mesma violência no agir, ainda contam com o respaldo do governo. Lampião ganha fama por onde passa. Muitas são as lendas criadas em torno de seu nome. Por sua vivência no sertão nordestino, em 1926, o governo do Ceará negocia a entrada de seu bando nas forças federais para combater a Coluna Prestes. Seu namoro com a lei dura pouco. Volta para o cangaço, agora melhor equipado com as armas e munições oferecidas pelo governo.

Em 1930, há o ingresso das mulheres no bando. E Maria Déia, a Maria Bonita, torna-se a grande companheira de Lampião. Em 1936, o comerciante Benjamin Abraão, com uma carta de recomendação do Padre Cícero, consegue chegar ao bando e documenta em filme Lampião e a vida no cangaço. Esta "aristocracia cangaceira", como define Lampião, tem suas regras, sua cultura e sua moda. As roupas, inspiradas em heróis e guerreiros, como Napoleão Bonaparte, são desenhadas e confeccionadas pelo próprio Lampião. Os chapéus, as botas, as cartucheiras, os ornamentos em ouro e prata, mostram sua habilidade como artesão.

Após dezoito anos, a polícia finalmente consegue pegar o maior dos cangaceiros. Na madrugada do dia 28 de julho de 1938, a Volante do tenente João Bezerra, numa emboscada feita na Grota do Angico, mata Lampião, Maria Bonita e parte de seu bando.

Suas cabeças são cortadas e expostas em praça pública. Lampião e o cangaço tornaram-se nacionalmente conhecidos. Seus feitos têm sido freqüentemente temas de romancistas, poetas, historiadores e cineastas, e fonte de inspiração para as manifestações da cultura popular, principalmente a literatura de cordel.  

Fonte 1: TV Cultura 
Leia mais no Jornal O povo

Sedição de Juazeiro

Por: Maristela Mafuz
Maristela Mafuz

Amigos, segue link do Making of completo da minissérie Sedição de Juazeiro.

É um vídeo com mais de 1 hora de duração, que está muito interessante, mostrando como ela foi feita.

Se vocês acharem interessante, por favor divulguem.

Att,

Maristela  Mafuz


Enviado pela pesquisadora do cangaço:
Maristela Mafuz


A ÚLTIMA CEIA DE LAMPIÃO (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

A ÚLTIMA CEIA DE LAMPIÃO

Era por volta da segunda dezena de julho de 38, na Gruta do Angico, nas beiradas do Velho Chico, nas terras da povoação sergipana de Nossa Senhora da Conceição do Poço Redondo, tendo o município alagoano de Piranhas do outro lado, um pouco mais à esquerda.

Ali ao redor da gruta se escondia o bando cangaceiro de Virgulino Ferreira da Silva, o Capitão Lampião, em desconfortante repouso depois de chegar de longa jornada pela aridez baiana do Raso da Catarina.


O Capitão achava o local um refúgio seguro, pois de difícil acesso pelo lado sergipano e podendo contar com o grande número de amigos que mantinha na região, gente humilde, da mataria, mas também portentosos senhores de terras. Do coronel ao matuto, era significativo o laço de amizade construído.

Mas para se manter naquele coito, naquele refúgio de espinho, ao abrigo do sol e da lua, Lampião precisava muito mais do homem do mato do que de outra pessoa influente. E para tal não existia amigo melhor, mais confiável e mais conhecedor das veredas sertanejas do que o coiteiro.

No respeitante ao cangaço, coiteiro era aquele sertanejo que servia de intermediário entre o bando e o mundo exterior, fazendo às vezes de correspondente, de mercador, de assistente de quase tudo. Assim, era responsável pelo transporte do alimento, do remédio, de dinheiro e tudo aquilo que os cangaceiros necessitassem.

Muitas vezes somente o coiteiro sabia o local onde o bando estava escondido. E aquele que soubesse e lhe fosse confiado a manutenção do segredo - um juramento que deveria ser inquebrantável - entre o bandoleiro e o matuto, suportaria até a morte para não trair a confiança do Capitão. E muitos foram presos, torturados, humilhados, mas mantendo sempre o silêncio da honra.

Por isso mesmo que Lampião nutria uma amizade especial por cada um desses sertanejos, cada coiteiro que arriscava a vida em nome da sobrevivência e subsistência do bando. Sabia que seria muito difícil sobreviver nos escondidos sem tão importante ajuda. Sabia que do seu silêncio dependia o amanhã do seu povo marcado pelo destino das perseguições.

Daí que estando refugiado no Angico e na tentativa de estreitar ainda mais os laços de amizade e a rede de proteção, lá pra cima do dia vinte, mais precisamente no dia 27 de julho, resolveu que seria a hora de convidar a coiteirama para um regabofe, para um café à base de muita carne de bode e farinha seca. Tal evento ficaria lembrado na memória nordestina como A Última Ceia de Lampião.

Denomina-se ceia a refeição da noite, a última de cada dia; a última refeição do dia, entre o jantar e o sono noturno, ou em lugar do jantar. A Bíblia também relata uma santa ceia, que foi a última refeição de Cristo com os apóstolos, por ocasião da qual instituiu a eucaristia, e antes de ser preso e crucificado. Foi também nesta ocasião que Jesus revelou que um de seus discípulos iria traí-lo.

Talvez predestinado, intuindo o que fatalmente lhe estaria prestes a acontecer, Lampião resolveu que nesta refeição sertaneja homenagearia os fiéis matutos e procuraria olhar bem nos olhos daquele coiteiro tentado a fraquejar e traí-lo, apontando covardemente à polícia alagoana comandada pelo Capitão João Bezerra onde o bando estava escondido.


Assim foi feito. Aproveitou que o mais famoso dos coiteiros apareceu por ali cedinho e pediu a Mané Félix que providenciasse tudo o que precisava para a janta do anoitecer. E por ele mesmo mandou avisar, de boca em boca, a cada coiteiro para comparecer. E cada cabra veio até de longe atendendo ao chamado do amigo Capitão.

Quando o entardecer começou a tomar outra cor a carne de bode era estendida por cima das fogueiras abertas no chão. Coiteiro chegava trazendo uma pinga, uma comida diferente e logo se reunia aos demais. Todos, coiteiros e cangaceiros, com semblantes alegres e festeiros, menos o Capitão Lampião.

O Capitão tentava, a todo custo, fingir o pressentimento ruim que sentia, fazia de tudo para não abrir logo a boca e perguntar quem havia cometido o pecado da traição, quem havia revelado o paradeiro do seu bando. Ainda não tinha certeza do nome, mas tinha quase certeza de quem seria capaz de tal atitude.

Mas se conteve e procurou palavras de agradecimentos para os destemidos sertanejos, ainda que a todo instante tivesse vontade de apontar a arma em direção a um deles e dizer que era melhor falar a verdade para não morrer. Não fez assim, e por isso entristecia-se ainda mais. Sabia, pois, que o seu fim estava muito próximo, sentia isso por dentro.

Com pedaços de bode assado passando de mão em mão, Lampião enfim pediu silêncio e disse que infelizmente tinha algo a dizer que lhe cortava o coração. Um dentre vocês me traiu. Um dentre vocês que se serve do bode dessa refeição me traiu. Foi o que disse o Capitão. Todos se olharam assustados e começaram a se perguntar quem seria capaz de fazer tal absurdo.

Mané Félix, que estava sentado ao lado do rei dos cangaceiros, perguntou-lhe se podia dizer quem havia feito isto. E Lampião simplesmente respondeu que não adiantaria, pois ainda que dissesse o nome este negaria três vezes trezentas vezes. E completou dizendo que o remorso tomaria conta do coração traidor.

E contam que Pedro de Cândido, um dos coiteiros ali presentes, saiu de lá chorando. Nesse mesmo dia, mais cedo, na feira de Piranhas, ele havia contado à volante do capitão João Bezerra que Lampião e seu bando estavam refugiados no outro lado do rio, ali na Gruta do Angico.

E horas depois dessa última ceia, na madrugada do dia 28 de julho, a polícia atravessou o rio e cercou o bando, matando Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros.


Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

Às vezes... (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa(*) 

Às vezes...


Às vezes
o vento passa
a folha esvoaça
sem ninguém à janela

às vezes
caminha o poeta
leva flor e poesia
sem ninguém à janela

às vezes
a flor quer sorrir
a manhã quer se espelhar
mas ninguém está à janela

às vezes
fico em pé no jardim
ensaio uma palavra de amor
mas ninguém ouve à janela

às vezes
fico entristecido demais
e adormeço ali adiante
sem vê-la saindo à janela

e às vezes que sonho
sonho com ela na janela
chamando para o seu quarto
e ser o sonho do sonho dela.


Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

(Cangaço na Bahia) - Mergulho nas Trevas... Os mortos do Mandacaru, Tucano...

Por Rubens Antonio

Depoimento de Rubens Rocha, historiador.

“Percorri os caminhos de Lampião, em Tucano, em setembro de 2007... Ele esteve aqui várias vezes, ma so que eu destaquei foi o que levou ao Mandacaru. Esta antiga fazenda atualmente é um povoado perto da divisa entre os municípios de Tucano e Quijingue... A casa da fazenda em que um vaqueiro coiteiro mentiu ao informar a Geminiano que Lampião não passara por ali ainda está de pé... O local em que Geminiano e os demais caíram está a cerca de 400 metros da povoação de Mandacaru... Ainda é mata... Ao visitar o sítio, só foi identificável o local em que foi enterrado por um menino indicar... A este menino foi solicitado que me acompanhasse e mostrasse onde fora pelo seu Juquinha, então com 92 anos, e que já morava aí na época do combate. Ele disse:


“Quando o tenente foi morto, com o pessoal, Lampião mandou recado dizendo que o pessoal de Tucano podia ir pegar o porquinho... Eu fui ver... Nunca vi nada parecer mesmo mais com banha de porco como a do tenente... que era um moreno muito forte... O sargento teve os olhos arrancados... Ele foi enterrado e no lugar em que ele estava fincaram um pau com o quepe na ponta de cima... no alto.. Depois o povo do governo veio e exumou, pra ver como ele tinha morrido... Levaram todos e enterraram no cemitério de Tucano... No lugar deixamos uma cruz... Depois a cruz caiu e ficou só um pau marcando... Agora, nada mais marca... Quem sabe onde foi fomos só nós...”

Professor Rubens Rocha mostrando o lugar em que caiu morto o tenente Geminiano, em Tucano.

Segui para o cemitério de Tucano e dei busca na sepultura dos militares... Não se acha nada... Foram todas as sepulturas reutilizadas há muito tempo... Perdeu-se tudo...
Os mortos, além do tenente Geminiano, foram um de pré-nome Argemiro... André de Souza e Manoel Aragão, o sargento Miranda...
O Argemiro Reis, que apontaram como morto neste combate não morreu, na verdade, nele... O contratado Manoel Araújo, que foi baleado no braço, foi salvo pelo Argemiro Reis, que o arrastou para o mato... Conheci os dois já com idade avançada, em Tucano...”

Rubens Rocha nasceu em Tucano, em 1939, sendo licenciado em História pela Universidade Católica do Salvador.
José Hermelino, o Seu Juquinha, última testemunha dos eventos, faleceu a 30 de março de 2012.

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço:
Rubens Antonio 
Cangaconabahia.blogspot.com