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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Novo livro na praça - CANGAÇO

CANGAÇO


Autor: Melquiades Pinto Paiva 
Ano: 2012.

Enviado pelo escritor, poeta e pesquisador do cangaço:
Kydelmir Dantas

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Quem matou Delmiro Gouveia?

Autor: Gilmar Teixeira
http://1.bp.blogspot.com/-Pz9cFEesQOE/TopeX9lmpVI/AAAAAAAAH2k/iKs3pAvlnG0/s320/DSC06508.JPG

Não deixe de adquirir o seu, leitor!. É um excelente trabalho sobre o coronel Delmiro Gouveia


Edição do autor:
152 págs.
Contato para aquisição
Valor: R$ 30,00 + R$ 5,00 (Frete simples)
Total R$ 35,00 

O cantor João Mossoró fará Show no "Mercadão Cadegue"

Cantor João Mossoró

O cantor João Mossoró estará se apresentando neste sábado (dia 4), no Mercadão Cadegue, no restaurante
CANTINHO DAS CONCERTINAS
no Rio de Janeiro. 
UMA FESTA PORTUGUESA

Prestigie o artista participando desta grande festa

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Surge o Sinhô, o maior de todos os Pereiras

Por: Manoel Severo
Sinhô Pereira, sentado e Luiz Padre, de pé

O ano é 1915 quando vamos encontrar Né Dadu, retornando da cidade de Triunfo após ser absolvido de crime de morte de João Jovino. Naqueles dias uma volante se formava para capturar um dos maiores desafetos da família Carvalho. Sob o comando do Tenente Teófanes Ferraz Torres e contando ainda com os Carvalho: Antonio e José da Umburana e João Lucas das Piranhas, atacam São Francisco, mas não encontram Né Dadu, espancando fortemente uma negra de nome Antonia Verônica, governanta do lugar, conhecida por “Mãe Preta”  e prendem o mais novo dos filhos de D. Constança, irmão de Né Dadu: Sebastião Pereira, então com 16 anos.
A represália dos Pereira veio logo em seguida, quando é morto José da Umburana em emboscada de Vicente de Marina, o morticínio continua, desta feita mais um Pereira tomba, Né Dadu morre em 16 de Outubro de 1916, vítima de covarde traição de um ex-cabra dos Carvalho, Zé Rodrigues, Zé Grande ou simplesmente “Zé Palmeira” que o matou com seu próprio rifle no lugar Poço do Amolar, na fazenda Serrinha. Esse caboclo Zé Palmeira havia se aproximado de Né Dadu após ardilosa trama traçada pelos próprios Carvalho, simulando o rompimento do referido cabra com a família inimiga. Apesar de Atento e desconfiado Né Dadu acabou sendo ludibriado pelo audacioso golpe e acabaria sendo vítima fatal do mesmo.
A morte do irmão empurrou definitivamente o mais jovem da família para o mundo do crime, nascia ali aquele que seria o mais valente de todos os cangaceiros, segundo o próprio Virgulino Ferreira: Sebastião Pereira, vulgo Sinhô Pereira.

Sinhô Pereira em foto da década de 70

Partindo na sanha da formação de seu grupo, Sebastião Pereira partiu em busca do Coronel Zé Inácio, do Barro, conhecido coiteiro e protetor de bandidos, dali saiu com um grupo de 20 cabras, tendo como seu lugar tenente seu primo, Luiz Padre, rumo a Vila Bela, no Vale do Pajeú.


Sinhô Pereira, sentado e Luiz Padre, de pé 

Invadindo São Francisco, depredou e queimou a loja de Antonio da Umburana e tomou a pequena vila, partindo dali para as fazendas dos Carvalho, Umburanas e Piranhas, depredando, queimando, matando animais, destruindo cercas, arrasando tudo. Os Carvalhos diante de tanta fúria se retiraram para a cidade, finalizando assim a primeira grande investida do grande cangaceiro.
Sobre a eterna peleja entre os clãs vamos ter o episódio da invasão à fazenda Piranhas, narrado por inquérito na própria delegacia de Vila Bela, como segue: “... no dia 1º corrente apresentaram-se voluntariamente a prizão os indivíduos José Alves de Barros e José de tal conhecido por José Caboclo e Francisco Alves de Barros, Cincinato Nunes de Barros, Antonio Carvalho de Barros, conhecido por Antonio da Umburana, Antonio Alves Frazão, José André, Feliciano de tal, João Ferreira, Francisco Porphirio, Antonio Teixeira, Antonio Pedro da Costa Neto, Antonio Pequeno, José Flor e João Tapia todos denunciados neste município como incursos no artigo 294 por terem morto ao cangaceiro Paixão na ocasião em que os mesmos se defendiam do ataque feito a fazenda Piranhas pelo grupo chefiado por Sebastião Pereira e Luiz Padre dos qual fazia parte o referido Paixão (Informe ao Chefe de Polícia pelo delegado de Vila Bela, 5/9/17).
Algum tempo depois Sebastião Pereira mataria o assassino de seu irmão Né Dadu, o indivíduo Palmeira, na localidade de Viçosa em Alagoas, tendo Luiz Padre sangrado o matador de seu pai Padre Pereira, Luis de França, em São João do Barro Vermelho. Em outra oportunidade na localidade de Queixada, sob a proteção do Coronel Pedro da Luz, acabou encontrando Antonio da Umburana que foi sangrado, esquartejado e queimado, assim se configurava a vingança dos primos, Sebastião e Luis Padre.

Manoel Severo
http://cariricangaco.blogspot.com

Hoje na História - 04 de Agosto de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 03 de agosto de 1946 dava–se a posse do Dr. José Nicodemus da Silveira Martins como Prefeito de Mossoró, por nomeação do Interventor do Estado, cujo mandato se prolongou até 6 de marco de 1947. 
               
Em sua gestão foi realizado o congresso Eucarístico Nacional, numa promoção do então Bispo Diocesano, D. João Batista, Portocarrero Costa.

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Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fontes:

LAMPIÃO E O CHIQUEIRO VÉIO

Por: Clerisvaldo B. Chagas - Crônica Nº 834
Clerisvaldo B. Chagas

(Para Archimedes Marques e José Mendes Pereira)

Muito ainda se especula sobre a fortuna do bandido Virgolino Ferreira da Silva. É de fato impressionante o puxa-puxa dos que se dedicam à causa lampionesca, na tentativa adivinhatória documentada do paradeiro monetário virgoliniônico.

 
Bornal à cangaceira.

O grande mistério e desencanto para os pesquisadores, é que uma pessoa muita maldosa cortou a língua do dinheiro. Com o bichinho mudo, ficou mais difícil saber qual era o real poder de fogo dos embornais microbianos do chefão. Quanto tinha de fato no papo-de-ema que Lampião conduzia na cintura? E nos bornais? E nos bolsos? Qual o valor em joias e dinheiro que havia nas mãos dos seus coiteiros-bancários de confiança? Caso fosse de fato descoberto cem por cento esse enigma, outra interrogação ocuparia com muito mais força o lugar da primeira. Uma pergunta, sem dúvida, desdobrada em miríades. 


Teria sido mesmo Bezerra, o sortudo ganhador do papo-de-ema, dos bornais e bolsos do comandante cangaceiro? E o tanto de joias que daria uma bacia de rosto, correu para onde? As inúmeras fazendas compradas por Ferreira escolheram quais herdeiros? Quem se denomina “pesquisador de cangaço” e outros títulos, corram para investigar e nos dizer com a certeza dos cartórios, pois o leitor exigente quer saber.
Em 1938 ─ quando as cabeças dos cabras trucidados em Angicos viajaram a Maceió ─ houve questionamento. Após a exposição em Palmeira dos Índios, cidadãos do núcleo, nas praças, barbearias, bares e portas de igrejas, indagavam uns aos outros, onde estaria a verba deixada por Virgolino. No bate e rebate das discussões, segundo o escritor Valdemar de Souza Lima, saltou um velhote da cadeira de barbeiro e falou. Disse que após a carreira de Mossoró, destroçado, via Pernambuco, Virgolino foi bater no povoado ribeirinho Entremontes, do São Francisco. Ali em Alagoas, com a pressa da passagem, arrumou uma canoa para atravessar o rio, ele e seu reduzido grupo. Numa bodega miserável apresentou-se, deixando sem fala momentaneamente a dona da espelunca. Pelo mutismo da mulher, ele mesmo escolheu a mercadoria e indagou a conta, feita por ela, que importou em cerca de trezentos mil réis. 

Lampião passou-lhe uma nota de quinhentos, a dona alegou que não tinha troco e mandou o bandido levar tudo como oferta da casa. O homem, estando tremendamente mal-humorado, rosnou que “não queria favor, não!”. A dona da bodega, com um medo triste, perguntou como ficaria, pois troco não tinha. Foi aí que Lampião, num gesto brusco da peste, empurrou a nota para cima da mulher e falou com orgulho, soberba e grosseria do mundo todo: “Pois fique com toda essa porcaria pra você, que eu tenho mais dinheiro de que bosta de cabra em chiqueiro véio!”.
Os entendidos calculem, então, com auxílio de um matemático, a quantidade de rolinhos pretos, como quixabas, em chiqueiro velho de caprinos, por metro quadrado. Talvez aí tenha início à solução do mistério de quanto era em contos de réis, a fortuna de Ferreira. Ê... Cabra macho sabido, medite aí sobre LAMPIÃO E O CHIQUEIRO VÉIO.


Enviado pelo escritor romancista e cronista Clerisvaldo B. Chagas

JORGE AMADO, EU SÓ QUERIA UM CAIS, UM CACAU, UMA FLOR AGRESTE... (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

Que Deus me perdoe o que vou fazer. Que eu não seja castigado por remoer sobre o nome de quem já se tornou apenas saudade, mas não podia, de jeito nenhum, deixar de dizer umas poucas e boas a Jorge Amado. Esse mesmo, o Amado Jorge, o escritor de cais, de cacau, de flor agrestina.

Há muito que gostaria de ter enviado uma carta raivosa endereçada à Rua Alagoinhas, 33, no Rio Vermelho, e dizendo tudo. Mas deixei simplesmente o tempo ir passando. E o tempo passou demais. Daqui a poucos dias, mais precisamente no dia 10 de agosto, estará completando cem anos de nascimento. E nascido em meio ao cacau de Ferradas, distrito da baiana Itabuna. Fruto de amor e ódio, de riqueza e morte, como tantas vezes escreveu.


O mundo literário estará em festa, toda a Bahia, do recôncavo ao sertão, também; o Brasil inteiro mais uma vez homenageará sua obra. Ora, foram 38 livros publicados e inúmeras traduções mundo afora. E só não recebeu o Nobel pelo conservadorismo daqueles velhotes da academia que jamais avistaram a beleza da flor no meio das coxas de Gabriela nem o sexo pastoril de Tieta.

Verdade é que as comemorações serão muitas, mas infelizmente, de minha parte, não posso fazer o mesmo. E não posso por muitas razões. Que digam que é inveja, raiva, ciúme, covardia, animosidade barata, coisa de gente que não tem o que fazer. Tudo bem, aceito, até mesmo porque sei que não deveria fazer isso. Mas faço.

Seu Jorge, o senhor não tinha o direito de partir assim, ainda tão cedo, devendo a cada apreciador de sua pena mais uma síntese da história brasileira a partir do fazer verdadeiro do povo. Um povo mulato, negro, branco europeu, imigrante, de religiosidade diversa, sincrética, com suas estórias de amor, paixão, ódio, vingança, piedade, descendo ou subindo a ladeira, cortando vereda, entrando na igreja, sendo recebido pelos orixás.
Isso não se faz, Seu Jorge. Os seus livros, personagens, estórias, tramas, enredos, não fizeram outra coisa senão esgotar minha criatividade. Como posso criar se tudo já foi criado e dito pela boca do coronel, da prostituta, do proxeneta, do pai e da mãe de santo, do jagunço e do servil nordestino, da matrona balofa, da mocinha sonhadora e almofadinhas forniquentos?

Como posso escrever sobre a desfeita, a ferrenha disputa entre afamados coronéis do cacau, se não me resta mais nenhum jagunço, nenhuma cartucheira pendida na sela, nenhum rifle ou mosquetão, nenhuma covardia na emboscada, nenhuma frieza na tocaiagem? Não há nem mais jeito de mandar apertar o gatilho, de fazer chegar ao ouvido do velho mandante de terno de linho que o seu inimigo havia ficado estrebuchado na curva da estrada.

Como posso descrever a vida no cais, a vida no porto, a vida marinheira, a saudosa vida, se todas as vidas já foram descritas por sua pena? Queria descrever o pescador partindo pra luta do dia, a noite chegando e nem vulto ao longe; a companheira chorosa esperando, o tempo passando e a notícia de dor. E todo o cais velando o amigo, e todo o mar chorando o conhecido, e todo homem do mar temendo não voltar no dia seguinte. Tudo já está nos seus livros, tudo isso já foi escrito.

Seu Jorge, que falasse sobre os meninos de rua, as crianças abandonadas, os pivetes de mão estendida, de mão desvalida, de mão de furto e de roubo, e também sobre aqueles capitães da areia levantando bandeiras para a revolta, mas deixasse ao menos um pouquinho dessas vidas imensas e tão pequeninas para serem descritas por outras mãos. Eu mesmo, por exemplo, queria falar sobre o menor que faz da rua um microcosmo para lutar contra as injustiças. Mas posso?

Desculpe-me dizer, mas não passaste, Amado Jorge, de um egoísta, de um inveterado larápio das coisas boas da vida e, de forma também coronelista, juntado tudo no seu feudo romancista. Comeu todas as francesas dos cabarés, fez amizades suspeitas com as maiores cafetinas, alisou as coxas lisas e branquinhas das filhas dos coronéis, emprestou a juros absurdos o sustento dos bêbados e noctívagos, trouxe a menina flor sertaneja pra cidade e depois ofereceu casa e roupa de chita.

Meu sonho maior, Seu Jorge, era ter tido oportunidade de passar a perna na sua incomparável criatividade. Quando pensasse em escrever sobre um cavaleiro e sua esperança de transformar o mundo, eu já teria escrito sobre a liberdade como luz no fim do túnel; quando tencionasse escrever sobre uma fogosa pastora de cabras, eu já teria escrito que ela não passava de uma cabra servindo de pasto para os moços carentes do agreste. Mas tem nada não Seu Jorge, tem nada não.


Fique com raiva se quiser, mas juro que bem antes eu já tinha pensado em escrever sobre o adultério fantasmagórico de Flor, a tocaia que o coronel mandou preparar para o inimigo de mesma patente, os olhos da clientela nas ancas da jovem e doce Gabriela, os sonhos revolucionários de Malvina, a safadeza de Tonico Bastos, o cajado ignorante do velho pai descendo no lombo safado da filha Tieta, o adultério mais deslavado, a fé mais verdadeira, os santos africanos comandando os terreiros e as vidas, os barcos voltando cheios de frutas olorosas, e um lenço aberto na mão à beira do cais.

Agora vou confessar uma coisa, segredo que escrevo em marca d’água e digo baixinho: li e releio seus livros todos os dias; a cada dia me encanto mais com seu maravilhoso mundo, e juro que jamais abdicarei de ser um fiel amante dessas páginas que maravilhosamente pulsam no meu sangue nordestino.

Mas peço um favor: Quando eu vender minha safra cacaueira e junto com dois capangas for fazer uma visitinha ao Bataclan, que Maria Machadão feche as portas do recinto e mande à minha presença as moças novas da casa: Gabriela, Dona Flor, Tieta e Tereza Batista. Juro que de lá sairei cansado de guerra.

Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com