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quarta-feira, 15 de maio de 2013

Quem é o cara?

Por: Ivanildo Alves da Silveira
Manoel Severo, Dr. Napoleão e Ivanildo Silveira

Chegamos a uma conclusão

Amigos que opinaram ou que aguardavam o resultado de nossa investigação. Após realizar uma pesquisa, acho que encontrei a solução para o nome  do cangaceiro, o qual nós queremos identificar, na foto postada,  semana passada.


Após o celebre Benjamin Abrahão realizar as filmagens com o bando de Lampião no ano de 1936, o mesmo fez uma série de reportagens para um grande jornal de circulação no nordeste, no caso o "Diário de Pernambuco ".
Em uma dessas matérias ( vide, logo abaixo), datada de 27 de dezembro de 1936,  o mesmo fez a identificação do "cangaceiro" (inclusive, conviveu com ele), como sendo o "Marreca " que na foto publicada no jornal, posa ao lado do famoso "Jurity".


Uma outra foto dos dois cabras em boa resolução para melhor comparação.

Jurity e o cangaceiro Marreca

A  matéria completa.


Quanto à cangaceira que aparece na foto, me inclino a achar que se trata da "Inacinha", companheira do famigerado cangaceiro "Gato".

Marreca

Inacinha

Abraço a todos, e respeito quem pensa de forma diferente, portanto estamos disponíveis para o debate se necessário.

Rostand Medeiros, João de Sousa Lima e Juliana Ischiara

Obs.: Na pesquisa desse foto, agradecemos ao amigo Rostand, pelo envio do material.


Ivanildo Alves  da Silveira

Colecionador do cangaço

Membro do Cariri Cangaço e da SBEC

Natal/RN


http://lampiaoaceso.blogspot.com
http://blogdomendesemendes.blogspot.com

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Atividade - O cangaceiro "capador"

Por: Ivanildo Silveira(*)

Manoel Pau-Ferro, conhecido pela alcunha de “Atividade", era  alagoano do município de Pão de Açúcar, sendo irmão do cangaceiro "Velocidade". 


O cabra "atividade”, inicialmente, pertenceu ao grupo de "Corisco”, posteriormente, com a criação de subgrupos, passou a integrar o de "Pancada”, que passou a ser seu líder...

Esse cidadão tinha uma grande habilidade na castração de pessoas, que o fazia, com a maior eficiência e naturalidade....

Foi assassinado pelo, também cangaceiro “Barreira”, que influenciado pela promessa de anistia acabara de aliar-se aos Volantes, e, como prova de submissão, entrega ás autoridades  a cabeça de "Atividade". Fato ocorrido em 05 de junho de 1938, na região de Caboclo, Pão de Açúcar, Estado de Alagoas.


O cangaceiro  "Barreira", e a cabeça dependurada de "Atividade"
...seu ex-“companheiro”

FONTE: Foto de Frederico Pernambucano de Melo
INFORMAÇÕES: Livro “O Cangaceirismo no Nordeste ", do autor  Bismarck Martins de Oliveira

Abraço a  todos
Ivanildo Alves  Silveira
Colecionador do cangaço
Natal/RN


 (*) É promotor de justiça, escritor, pesquisador e colecionador do cangaço.



Faça uma visitinha ao blog: "FATOS E FOTOS". Ele é filho do blog do Mendes e Mendes

http://sednemmendes.blogspot.com 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Limões X Jesuino - Achados do Cangaço da Família Limão

Por: Epitácio de Andrade

“José Rodrigues de Barros ficou considerado como o patriarca dos Limões, porque se casou com Maria Rosalina da Conceição, irmã de Preto Limão”, assim afirmou José Alves Rodrigues, conhecido como “Zé Limão”, neto do “patriarca”, em entrevista a Epitácio de Andrade Filho, autor de “A Saga dos Limões – Negritude no Enfrentamento ao Cangaço de Jesuíno Brilhante”, no último dia 15 de dezembro, em sua residência no Bairro Paulo VI, na cidade de Caicó, na região do Seridó do Rio Grande do Norte.
No final do Século XIX, o Cearense José Rodrigues de Barros assumiu a liderança do Grupo étnico representado pela família Limão, principal algoz dos “Brilhantes”, ao se casar com uma irmã de Preto Limão, único sobrevivente masculino da família remanescente do conflito cangaceiro e comandante da emboscada fatal contra Jesuíno Brilhante, na Comunidade Santo Antônio, na zona rural de São José de Brejo do Cruz, na fronteira paraibana, em dezembro de 1879.
O Patriarca aos 100 anos. Reprodução: Epitácio Andrade
A primeira imagem do “Patriarca dos Limões” foi resgatada pelos pesquisadores Emanoel Amaral e Alcides Bezerra de Sales, em 1981, quando levantavam dados para a elaboração da Revista “Jesuíno Brilhante em História de Quadrinhos”, na Comunidade Saco dos Limões, na zona rural do município de Patu/RN, terra natal do Cangaceiro Jesuíno Brilhante (1844). A fotografia é datada do início do século passado e foi apresentada pelo neto José Alves Rodrigues, 60 anos, o mesmo membro da família Limão, que trinta anos depois, apresentou a fotografia do avô aos 100 anos (1963), para ser reproduzida pelo Escritor Epitácio de Andrade Filho.
Festa dos 100 anos do “Patriarca dos Limões” Reprodução: Epitácio de Andrade
No ano de 1963, a família Limão comemorou festivamente o centenário do Patriarca José Rodrigues de Barros, que nunca participou de atividades cangaceiras, mas teve a tarefa de proteger a família das possíveis recidivas do conflito, depois da morte de Jesuíno Brilhante, organizando inclusive, um esconderijo inexpugnável e recôndito, o “Saco dos Limões”. Na festa do centenário, o grande líder já não contava com sua companheira Maria Rosalina da Conceição, a Limão genuína, que faleceu com cerca de 50 anos, provavelmente no final da década de 20 para início dos anos 30 do século passado, e se encontra sepultada no cemitério de Catolé do Rocha, no vizinho estado da Paraíba.
Do casamento de Seu José Rodrigues Barros com Rosalina Limão, que moravam no Sítio Coroatá, na zona rural entre Patu e Almino Afonso, saíram vários filhos, entre homens e mulheres. O mais velho Antônio Limão migrou para o norte do país e lá permaneceu até a morte. Em 1888, nasceu Zé Limão, que foi fotografado por Emanoel Amaral aos 93 anos, no ano de 1981.
Zé Limão aos 93 anos  Foto: Emanoel Amaral - 1981
Em 1898, nasceu Luiz Limão ou Luiz Catonho que se casou com Anelita Alves Rodrigues, afilhada de Valdivino Lobo, o mais abastado dos fazendeiros inimigos de Jesuíno Brilhante e coiteiro dos Limões na região do Catolé do Rocha e Brejo do Cruz, na fronteira paraibana. Em 1981, o pesquisador Emanoel Cândido do Amaral também fotografou Luiz Limão.
Luiz Limão aos 83 anos Foto: Amanoel Amaral - 1981
José Alves Rodrigues, Zé Limão, é filho de Luiz Catonho com Anelita Alves Rodrigues, e em 1981, acolheu Emanoel Amaral e Alcides Sales para prestar informações sobre a família Limão e posar para uma fotografia nas adjacências do “Saco dos Limões”, com seus filhos Ângelo Márcio e Marcélio Alves, que na época tinham sete e três anos, respectivamente.
Zé Limão com filhos Marcélio e Ângelo Foto: Emanoel Amaral - 1981
Coincidentemente, no dia 15 de dezembro de 2011, data da visita a residência de José Alves Rodrigues, em Caicó, estava completando 28 anos da morte de Seu Luiz Limão, que faleceu em 1983, e se encontra sepultado, juntamente com seu pai, o “Patriarca dos Limões”, no cemitério velho do antigo povoado da Caiera, hoje Almino Afonso, no Rio Grande do Norte.
Luiz Limão aos 75 anos Reprodução: Epitácio de Andrade
Seu Zé Limão, aos 60 anos, está na terceira geração posterior ao cangaço da segunda metade do século XIX. O seu pai, Luiz Limão com os irmãos, compõem a segunda geração pós-cangaço jesuínico, e o casamento do “Patriarca” com Rosalina Limão é o representante da primeira geração, imediatamente posterior ao cangaço dos Brilhantes com os Limões. Esta seqüência geracional pode ser observada no álbum familiar, exposto na sala principal da casa de Seu José Limão, em Caicó/RN.
A família Limão tem uma consciência pela preservação da memória muito acurada. Mantem sob sua guarda um acervo de fotografias, apetrechos, moedas, cédulas e armas, que segundo José Limão “pertencia aos antigos”. Em 1981, quando foi fotografado por Emanoel Amaral mostrava uma espingarda de caça, que preserva até hoje. Mesmo informando que é um objeto de 40 a 50 anos, a preservação é, por ele, justificada como lembrança do momento da pesquisa e como símbolo de que “os Limões faziam suas próprias armas”.
Espingarda fotografada em 1981 no Saco dos Limões – Patu/RN  Foto: Epitácio Andrade
Contemporânea do período do Cangaço dos Brilhantes com os Limões (1870-1880), Seu Zé Limão apresentou uma faca, cujo cabo de madeira se desgastou ao longo de mais de uma centena de anos, sendo substituído por uma haste de aço, porém a grande lâmina de ferro fundido foi preservada.
Lâmina de uma faca do cangaço dos Limões Foto: Epitácio Andrade
Seu Zé Limão preserva uma cédula antiga, “do tempo do cruzeiro”, com a imagem de Duque de Caxias, para preservar a memória de que “os Limões resistiram ao recrutamento forçado para a Guerra do Paraguai”.
Cédula de Cruzeiro com imagem de Duque de Caxias Foto: Epitácio Andrade
O acervo de moedas cunhadas em 1870 preserva a memória da proteção dos comboios do comércio primitivo do sertão, que era promovida pelos membros da família Limão, depois da aliança com os Lobos e os Lobatos, controladores da economia loco - regional. Não seria desnecessário afirmar que os Limões foram agentes pró-ativos de importantes lutas sociais, e como afirma Alicio Barreto em “Solos de Avena”, “é possível que voltaram ricos do quebra-quilos”. 
Moedas do período do Cangaço jesuínico Foto: Epitácio Andrade
Com muita cordialidade e presteza o Aposentado José Alves Rodrigues (Zé Limão) e sua esposa Maria Emília Cordeiro Alves, que é da descendência de Jesuíno Brilhante, prestaram as informações solicitadas pelo pesquisador Epitácio Andrade e serviram café num bule datado do início do século passado.
Bule do início do séc. XX Foto: Epitácio Andrade
Igualmente gentil foi o filho de Seu Zé Limão, Ângelo Márcio, que tem total lembrança da visita feita por Emanoel Amaral e Alcides Sales no início dos anos 80 do século passado, ao “Saco dos Limões”.
Ângelo Márcio, Zé Limão e o Autor de “A Saga dos Limões” Foto: Josivaldo Araújo
Os próximos passos serão uma visita ao “Saco dos Limões”, na zona rural do Patu, ao Sítio São Francisco, no Catolé do Rocha, e uma entrevista com Manoel Catonho, para consolidar informações para a segunda edição ampliada de “A Saga dos Limões”.

*Epitácio de Andrade Filho é autor do livro "A Saga dos Limões – Negritude no Enfrentamento ao Cangaço de Jesuíno Brilhante”, Médico Psiquiatra e Pesquisador Social.
 Extraído do blog: "Lampião Aceso"

domingo, 4 de dezembro de 2011

Afinal: Lampião tinha um sósia perfeito?

Por: Sérgio Dantas

“Um debate sobre Antropometria, à sombra dos Buritis”
A História tem seus caprichos. Como se trata de um ramo no compartimento das ‘Ciências Humanas’, não se pode querer dela a precisão de um cálculo matemático. Em História, pode-se nunca atingir a verdade desejada em torno de um evento, mas, tão somente, a verossimilhança dos fatos vários que o geraram. Por tal, a presença de um mínimo de metodologia é necessária para narrar os fatos humanos da forma mais próxima ao real. Este seria o objetivo principal a perseguir.

No caso da reconstituição dos episódios ligados ao cangaço, claro, aplicam-se as mesmas regras utilizadas em História, já que aquele é um compartimento desta.
Mas, voltando aos caprichos desta Ciência, vamos recuar um pouco no tempo. Na manha de 28 de julho de 1938, quando as cabeças de Lampião, ‘Maria Bonita’ e mais nove cangaceiros chegaram a Piranhas, em Alagoas, foi um alvoroço. Após esteticamente arrumadas na escadaria da Prefeitura daquela cidade, e expostas à curiosidade pública, todos queriam ver de perto aqueles estranhos ‘troféus’ – principalmente, a cabeça de Lampião. O homem que parecia invencível, que possuía – na crença e no imaginário popular – o ‘corpo fechado’ para balas, que tinha poderes divinatórios e que reinava absoluto no sertão havia quase vinte anos, teve decepada a sua cabeça. Era difícil acreditar que tal um dia acontecesse.

Assim, naquela manhã de julho, os incrédulos – e não eram poucos – tiveram a oportunidade de ver perto a cabeça do cangaceiro famoso. Alguns até foram mais ousados, e levantaram a pálpebra do olho direito daquele resto humano, para constatar a existência do leucoma, a ‘pinta branca do olho’, que era um dos sinais marcantes do rei-do-cangaço: -“a prova está aí!” – muitos teriam dito.

A maioria reconheceu, naquele momento, a cabeça de Lampião. Houve, claro, um ou outro recalcitrante.

Afinal, discordar é próprio da natureza humana. Assim foi na cidade de Piranhas, na atual Delmiro Gouveia, em Santana do Ipanema, e em todos os outros lugares por onde passou a procissão macabra.
Naquele dia, porém, ninguém teve acesso a película cinematográfica feita pelo sírio-libanês Jamil Ibrahim Botto (o Benjamim Abraão). Ninguém, pois, pode fazer uma comparação direta entre alguns ‘takes’ do filme feito em 1936, com a cabeça que ali estava à mostra. A película, de efeito, havia sido confiscada pela polícia política de Getúlio Vargas e não fora divulgada como pretendia o aventureiro.

Todavia, décadas mais tarde, quando da edição do Cariri Cangaço 2011, eis que são apresentados novos fragmentos inéditos – e devidamente restaurados - da importante película histórica. Em certo momento, pois, vemos Lampião se dirigir contra a lente da câmera e, lentamente, tirar o seu chapéu de couro. Ali, naquele instante, tem-se uma visão plena do rosto do cangaceiro em 1936. Eis o fotograma:
Este quadro, em particular, nos chama a atenção para alguns detalhes. Em primeiro lugar, a calvície já acentuada do cangaceiro, bem marcada por falha na margem centro-direita da testa (do ponto de vista do observador). Apesar da má qualidade da imagem, observa-se também, por trás da lente dos óculos, o leucoma do olho direito. Vê-se o direcionamento dos cabelos, além da formação craniana, esta nitidamente dolicocéfala (largura frontal medindo mais ou menos 4/5 da altura do rosto).
A fim de instigarmos o debate, resolvemos lançar mão de ferramentas digitais de imagem para chegarmos a algumas comparações. Na imagem abaixo, através da aplicação da ferramenta de ‘contraste’, do programa ‘Corel Photo Paint’, conseguimos deixar mais evidente o leucoma, além de suprimir a parte inferior dos óculos, deixando o rosto mais livre para análise:
Em um passo além, elidimos praticamente toda a estrutura dos óculos, e demos realce à sobrancelha direita do cangaceiro. Com o número 01, marcamos o avivamento da referida sobrancelha:
Seguindo, marcamos no fotograma o número 03, para indicar a ausência de rugas de expressão neste ponto. Não há compressão da pele neste pedaço do rosto. Não a mínima evidência de sobrecenho carregado. E esta marcação servirá como comparativo em uma imagem mais abaixo. Vejamos:
A partir deste ponto, comecemos a fazer as comparações. Além do fotograma já aludido, vamos utilizar um detalhe da famosa foto das cabeças dispostas na escadaria da Prefeitura de Piranhas. O objetivo é comparar características contidas na cabeça do rosto do cangaceiro quando vivo, com outras existentes na cabeça exposta naquela manhã de julho de 1938.
As duas imagens estão postas lado a lado. De início, observem-se as numerações (a) e (b). Em comum entre as duas imagens, temos uma marca de calvície acentuada no terço médio esquerdo da cabeça, com marca incisiva em direção à parte posterior do crânio. Neste ponto, há um compasso simétrico entre as duas imagens, ao que nos parece.
 Com o sinal “\/”, marcamos a saliência do osso esfenóide direito, característica que também nos parece igual em ambas as imagens. A largura do rosto também não foi desconsiderada, de modo que a marcamos em uma escala 01_______02, a qual é rigorosamente igual nas duas fotos, como se vê na ‘régua’ colocada abaixo de ambas. Também se nota a INEXISTÊNCIA das rugas de expressão – ou enrugamento da pele -entre as sobrancelhas. O fato se verifica em ambas as imagens.
Agora, em mais uma etapa, ‘importamos’ a imagem do rosto sem vida, e o aplicamos no fotograma de 1936, usando o sentido de A para B, como indicado pela seta. O encaixe da imagem, sem sombra de dúvida, parece perfeito. Não há sobras ou excessos pela inserção.
O único ponto que não mostrou simetria seria a parte inferior do rosto; o ‘queixo’. Veja-se que as marcações 03 e 03A mostram esse descompasso. No entanto, neste particular havemos de nos valer da história. De efeito, ainda na Grota do Angico, um soldado (possivelmente José Panta Godoy) disparou um tiro de fuzil na cabeça do cangaceiro, quando este já se encontrava morto. A prova de tal fato está na imagem de número 05, lado direito, onde se percebe - ao lado esquerdo de quem olha -, grande quantidade de massa encefálica no orifício de saída do projétil.
Com o tiro disparado contra a cabeça, indubitavelmente, foram lesionados os ossos ‘temporal’, ‘esfenóide’ e ‘zigomático’, cedendo os ‘malares’, no sentido ‘de baixo para cima’, horas mais tarde, quando a cabeça foi colocada no batente da escadaria, em Piranhas. O rosto cedeu, sendo comprimido em função da quebra da estrutura óssea. Assim, o queixo um tanto proeminente outrora, deixa de existir e, em seu lugar, encontramos uma espécie de ‘dobra epitelial’, logo abaixo da boca.
E em relação a esta (a boca), note-se que, em ambas as imagens, apesar de apresentar sentidos diferentes (côncavo em uma; convexo em outra), a medida da boca é rigorosamente a mesma. Na imagem abaixo, destacamos em um retângulo a boca na imagem do cangaceiro vivo (c), e, em seguida, a recortamos e a aplicamos embaixo da fotografia da cabeça já decapitada (d). A simetria é rigorosa; as medidas são literalmente iguais.
Repetindo a imagem - agora sem a marcação na imagem da esquerda - para que a comparação possa ser feita de forma livre.
Desta forma, como deixei claro no início deste modesto artigo, fica aberto o debate em torno da certeza – ou não – se a cabeça exposta na escadaria da Prefeitura de Piranhas seria realmente a de Lampião. Sabendo de histórias que recrudescem aqui e ali, dando conta de uma sobrevida do rei-do-cangaço – após 1938 - em Goiás, em Mato Grosso, em Minas e até na Paraíba, cabe, então, a pergunta:
“Teria Lampião sido substituído por um sósia rigorosamente igual? Um sósia perfeito? Fica lançada a questão!!"
Saudações!
Sérgio Augusto de Souza Dantas
Natal, RN
Bacharel em Direito, pesquisador independente e autor dos livros “Lampião e o Rio Grande do Norte” (2005), “Antônio Silvino: O Cangaceiro, O Homem, O Mito” (2006) e “Lampião: Entre a Espada e a Lei” (2008). Clique aqui e confira uma entrevista com SD
Extraído  do blog: "Lampião Aceso", do amigo Kiko Monteiro

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Resgate de fotografias "2"


         O C.S.I Bahia tem um novo agente especial que está revirando os baús e pastas das antigas redações de jornais daquele Estado. Vocês já o conhecem é o Rubens Antonio. Que nos traz mais uma canja do material que está sendo escaneado e postado nas comunidades do Orkut Lampião, Grande Rei do Cangaço e Cangaço, Discussão Técnica.

 Uma bela cabrocha

             Essa é SEBASTIANA, que viveu com o cangaceiro Moita Brava, após o mesmo, ser sido traído por Lili. Assim aparece no "A Tarde" de 7 de dezembro de 1938.

 O ex cangaceiro Bezouro

 Flagrante das entregas, Novembro de 1938.

           
          Chegam de Jeremoabo os cangaceiros entregues... alguns já em trajes civis... outros ainda "cangaceirados"... nesta foto ordem aleatória encontra-se: Zé Sereno, Criança, Balão, Jurity, Novo Tempo, Pernambucano, Laranjeira, Candeeiro, Ponto Fino, Quina-quina, Marinheiro, Cacheado, Beija-Flor, Devoção, Borboleta, Chá Preto, Penedinho, Cuidado, Azulão.

 jornal "Estado da Bahia", de 08 de novembro de 1938

Quando Corisco se foi...

       Sargento Senna e Zé Rufino, após o sepultamento, prestam homenagem a Corisco tirando suas coberturas...


            Zé de Rufina ou Zé Rufino à direita... Pelo que percebi, nas fotos, nessa carreira do cangaço, quando ele já estava mais avançado perto de 1940, usava chapéu, não quepe. Quepe... parece que só usava em fotos mais "oficiais", ao lado de superior(es)... e o chapéu ficava para o trabalho de volante em campo.
             Mas o que me impressionou e comoveu, de verdade, nesta foto, é o ponto do inimigo-bandido que pode ser também respeitado. Inclusive, conforme depoimento do próprio Zé Rufino, quando um soldado ofendeu a já derrubada Dadá, recebeu a devida bronca e foi afastado as proximidades da mesma.
            É uma sepultura providenciada pelos próprios militares, logo após a morte do já então ex-cangaceiro, apenas um foragido. Observe-se o arranjo floral e a cruz...

            Pena que os médicos de Salvador estragaram esse evento, impondo aos militares a inumação do cangaceiro e a sua decaptação.. além da retirada de um braço.

Zé Rufino, aspirante, 1938
Dadá ferida

Dadá, na chegada a Salvador.

Abraços 
Rubens Antonio 

Trasladado do Blog "Lampião Aceso"

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Uma foto, uma legenda, um mistério.

Por: Kiko Monteiro

Gostaria que os amigos reparassem a fotografia abaixo.


            Esta imagem foi publicada originalmente no jornal baiano "Diário de Notícias" em 07 de Março de 1929 e reproduzida no livro "Lampião e os interventores, pág 175 do confrade Luiz Rubens, como sendo Antonio Ferreira irmão de Lampião.

Luis Rubens

             A única informação que dispomos é esta, não se sabe do que a manchete trata, se identifica Antonio como um dos cangaceiros atuantes em recente episódio ou se é uma retrospectiva da vida de Lampião até aquela data.

Lampião

            A segunda opção seria mais adequada pois Antonio morreu por "acidente" com arma de fogo em 1927.

             A questão vem a tona pois esta é um das imagens resgatadas pelo pesquisador Rubens Antonio em sua garimpagem pelos jornais da Bahia. Foi postada na comunidade do Orkut Lampião Grande Rei do Cangaço e dividiu opiniões de vários pesquisadores e colecionadores.

              Eu particularmente acredito que o único imbróglio seja na matéria do jornal, um total desencontro de informação. Prática nociva e muito comum da imprensa desde os tempos remotos quando se trata de cangaço.


Bando de Lampião no Juazeiro

            Resta saber em que ocasião esta foto foi tirada. Rubens sugere com muita pertinência que tenha sido na mesma oportunidade da visita de Lampião a Juazeiro do Norte em 1926. Virgulino e seu braço direito posaram para fotos individuais.

Eis a reunião da família Ferreira.


Antonio está sentado sendo o 1º. da esquerda
Não queremos induzi-los, mas reparem atentamente nas fotos abaixo.


            Cliquem para ampliar e percebam as semelhanças anatômicas e estéticas.
            Apesar da primeira está ligeiramente de perfil e mais aproximada dando uma impressão de um homem mais gordo enquanto que a segunda é de pose frontal notem o músculo orbicular da boca (abaixo do lábio inferior).

1º. -  Os ilhoses da testeira e do barbicacho.
2º. - Uma única correia cruzando o tórax.
3º. -  Esta é pra fechar a nossa conta de evidencias
"uma mesma marca de ombro do uniforme do cangaceiro".


Indicados pelas setas

Tirem suas conclusões.

Abraçando


Kiko Monteiro

Extraído do blog: "Lampião Aceso"