Por Valdir José Nogueira de Moura.
Foi entre a Fazenda Massapê, em Santa Maria — na época pertencente ao município de Belmonte —, e a Fazenda Serra Vermelha, no município de Vila Bela, que se teceu a trama para o assassinato do Coronel Manoel Pereira da Silva Jacobina, popularmente conhecido como Padre Pereira. Apontados como mandantes do crime, o Major João Barbosa Nogueira, proprietário da Fazenda Serra Vermelha, e o major David Bernardino de Carvalho e Sá, senhor da Fazenda Massapê, viram-se no centro de uma tempestade política e familiar. Logo após o homicídio do coronel ocorrido no dia 15 de outubro de 1907, a família Pereira buscou mover a máquina da responsabilidade criminal contra os dois majores, ambos ligados à família Carvalho, identificando como executores materiais do atentado os homens de confiança Luiz de França, Manoel Tomé e Mariano Mendes de Moura. A partir de então, o clima na região azedou de vez: os Pereiras declararam publicamente que derramariam o sangue dos Carvalhos e Nogueiras até vingar a morte do Padre Pereira.
Entre os diversos indícios que pesavam contra a dupla de mandantes, sobressaíam-se os reveladores relatos de Vicente Gato, morador das imediações. Poucos dias antes do atentado, Vicente já estranhara a frequência incomum com que João Nogueira visitava a casa de David Bernardino. A tensão atingiu o auge no próprio dia do crime, quando o cangaceiro Mariano Mendes surgiu de surpresa na povoação de São Francisco e evaporou em seguida — um comportamento atípico para quem costumava passar o dia inteiro na vila durante as feiras. Vicente Gato contou ainda ter recebido em sua casa o cangaceiro Barra de Aço, que levava consigo duas cartas escritas com tinta encarnada, enviadas por David Bernardino a João Nogueira. Na oportunidade, Barra de Aço confidenciou que ia convocar o matador Luiz de França e avisou, com tom lúgubre, que em breve aconteceria uma tragédia em São Francisco capaz de fazer até as pedras chorarem. Não bastasse isso, soube-se que João Nogueira, ao retornar da Fazenda Massapê, recomendara à própria esposa — que, por ironia do destino, era sobrinha do Padre Pereira — que comprasse roupas pretas de luto. Na correspondência, David Bernardino pedia a João Nogueira os préstimos do seu afamado cangaceiro Luiz de França para se juntar aos seus próprios homens, Manoel Tomé e Mariano Mendes. Foi assim que, nos depoimentos que encorparam o processo, costurou-se a autoria intelectual e material do crime que abalou o sertão.
Valdir José Nogueira de Moura
Foto: lado esquerdo a secular casa da Fazenda Massapê zona rural de Tupananci, antiga Santa Maria, do lendário major David Bernardino de Carvalho e Sá. Do lado direito a capela da Fazenda Serra Vermelha, zona rural de Serra Talhada (Vila Bela) que pertenceu ao major João Barbosa Nogueira.
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ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!
"Um dia, um dos discípulos de Confúcio fez-lhe a seguinte pergunta:
- Mestre, devo eu pagar o mal com o bem?
E o mestre lhe respondeu:
- Nunca faça isto. O bem se paga com o bem, e o mal com justiça. Se você pagar o mal com o bem, com que você irá pagar o bem?".
Então, amigo leitor, o mal deve ser retribuído com a justiça, e o bem deve ser retribuído com o bem.
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