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segunda-feira, 1 de junho de 2020

CABACEIRAS NA ÉPOCA DO CANGAÇO ASSUNTOS DE ANTONIO SILVINO NA PRISÃO



Depois de passados alguns meses na prisão sobre os cuidados médicos, Antonio Silvino ficou totalmente curado e passou a se interessar pela opinião pública a seu respeito. Mas julgava-se vítima do “Governo” que lhe perseguia. Declarou que não matava ninguém por dinheiro. Afirmou que a sua consciência não lhe acusava dessa ordem de crime, porque nunca havia sido capanga de ninguém. Certo dia Antonio Silvino recebeu um repórter do Periódico Estado de São Paulo, que conseguiu entrevista-lo. Depois de longas conversas declarou ao repórter que não admitia ser chamado de bandido ou assassino. Na Casa de Detenção do Recife, o cangaceiro Antonio Silvino foi visitado por várias pessoas. Entre: amigos, médicos, religiosos, estudantes jornalistas, poetas escritores... Foi visitado até mesmo por pessoas filhos de seus inimigos. Mas que não guardaram ressentimentos de ódio ou de vingança, ao contrário admiravam a coragem e valentia ao seu respeito. (Antonio Silvino RN - Raul Fernandes).

O Senhor Seráfico Ricardo, neto do fazendeiro Ricardinho da fazenda Bravo município de Cabaceiras, ex-combatente aposentado, na época residente em João Pessoa, Capital da Paraíba, nos declarou em junho de 1989: “- Quando o cangaceiro Antonio Silvino estava preso, alguns cabaceirenses lhe visitaram na Detenção do Recife. Entre as pessoas Major Anselmo, Padre Inácio (ambos do antigo Conselho Municipal), Deusdedithe, Severino de Alcântara... Entre outros fazendeiros e comerciantes”. E uma das visitas chegou a declarar ao Capitão Manoel Martins Pereira de Barros que no tiroteio do Roçado da Serra na fazenda Corredor, ano 1912, havia deixados joias escondidas num oco de angico, entre duas pedras. Nesse local também havia deixado como marcação um punhal em pé.

Sobre os citados objetos visitamos o fazendeiro Juarez Lacerda, com quem se encontrava de posse do dito punhal. Encontrados na década de 1940, por Galdino, tio do Senhor Juarez Lacerda. Nos declarou que havia ganhado o tal objeto do seu tio. E que as joias foram encontradas por José Ambrosio Castro, na década de 1970, quando tirava casca de angicos para o curtimento de peles.

Para muitos cabaceirenses Antonio Silvino não era um bandido. Se bandido ele tivesse sido, muitas pessoas de bem não teriam lhe visitado na prisão. Pessoas de muitos lugares do país vinham lhe visitar. Hoje, quem das pessoas de bem visita um bandido na prisão? A não ser seus familiares?

De uma das páginas do documento de Raul Fernandes intitulado de “Antonio Silvino no RN”, doado por Geraldo Cesino, transcrevemos trechos do que foi registrado em relação ao cangaceiro: “... Câmara Cascudo o procurou diversas vezes, no período de 1924 a 28. E durante este período escreveu as características seguinte do cangaceiro Antonio Silvino: _... olhos castanhos, quase agatanhados, serenos, gestos lentos, com simpatia natural, asseado e cortês”. Mais adiante: “__ valente atrevido, arrojado, com gesto generoso e humano, respeitador de donas e donzelas, nenhum cangaceiro antes dele despertou maior interesse para os cantadores e poetas sertanejos, motivando um número incalculável de folhetos nas feiras”.

E assim sendo, depois do que descrevemos de Câmara Cascudo, deixamos uma pergunta para os nossos leitores refletirem: “Qual ou quais bandidos tiveram, ou têm essas descrições declaradas por um grande escritor”?

Baseado em: "Antonio Silvino RN - Raul Fernandes". E  depoimentos de Seráfico Ricardo e Juarez Lacerda.



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