Por: Geraldo Maia do Nascimento
Em 14 de abril
de 1931 morria, em Alagoa Grande/PB, a professora, musicista, poetisa e
jornalista Maria das Mercês Leite, que se tornou conhecida com o pseudônimo de
Cordélia Silva. Mossoró prestou-lhe uma homenagem gravando seu nome em uma
artéria da cidade.
Maria
das Mercês Leite, ou Cordélia Silva, nasceu em Mossoró no dia 11 de novembro de
1888, num belo dia de Domingo. Era filha legítima de Tomé Leite de Oliveira e de
Maria das Mercês Leite.
Sua
infância deu-se em Mossoró, sua terra natal, onde iniciou os seus estudos. A
família mudou-se para Macau e depois para Alagoa Grande, na Paraíba, em 1902. E
é nessa cidade paraibana que a nossa futura poetisa fez o seu curso de
humanidades e música. Foi também em Alagoa Grande que começou a sua vida
profissional, lecionando por vários anos. Em 1908 fundou a revista “O Batel”,
que circulou por vários anos. Foi colaboradora de vários jornais e revistas da
época, entre os quais podemos citar a revista “A Estrela”, de Aracati/CE, que
era dirigida por sua amiga Francisca Clotilde, além dos jornais “Jornal do
Comércio, de Recife/PE, “O Nordeste” e a “Imprensa” de João Pessoa/PB e em
outros periódicos sulistas.
“Foi
Cordélia Silva de uma dedicação exemplar ao desenvolvimento cultural da mulher,
dando prova exuberante de sua privilegiada inteligência, como fundadora e
diretora de uma revista, em colaboração com Célia Adamantina, que era o
pseudônimo de Rita de Miranda Henrique”, nas palavras de Lauro da Escóssia.
O
historiador Raimundo Soares de Brito em suas “Notícia Biográfica de Alguns
Patronos de Ruas de Mossoró, assim se expressa sobre a personalidade de
Cordélia Silva: “Descendia dos troncos ilustres, que em Mossoró tiveram suas
origens no Sargento-Mor José de Oliveira Leite, a primeira autoridade da então
ribeira de Santa Luzia de Mossoró. Seus pais foram: Tomé Leite de Oliveira,
também mossoroense e dona Maria das Mercês Leite, cearense da cidade de
Pereiro”.
Causava
admiração, na época, o fato de duas moças, numa pequena cidade do interior,
conseguir sustentar por tanto tempo uma revista literária, quando na capital
todas as publicações desse gênero tinha vida curta, como nos informa ainda o
historiador Raimundo Soares de Brito. Tinha também predileção pela música,
deixando alguns interessantes trabalhos.
Em
dezembro de 2000, a POEMA – Poetas e prosadores de Mossoró – lançou, através da
Fundação Vingt-un Rosado, o livro “100 Poetas de Mossoró”. Trata-se de uma
antologia aos poetas da cidade. E como não podia deixar de ser, a nossa poetisa
em foco, Cordélia Silva, se fez presente com o poema intitulado “O Batel”, um
dos mais bonitos de sua criação. A própria autora gostava muito desse poema,
tanto é que foi com esse nome que batizou a revista que criou em 1908.
Cordélia,
como tantas outras mulheres mossoroenses, destacou-se por suas atuações
empreendedoras, numa época de puro machismo. É mais uma a figurar na galeria das
grandes personalidades mossoroenses.
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Autor:
Jornalista
Geraldo Maia do Nascimento
Fontes:
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