Transcrito por Geraldo Antônio de Sousa Júnior
O massacre do
sítio Almacega e o martírio do velho Salinas na tarde de 13 de maio de 1930 é
outro crime que estarrece pela brutalidade e fereza. Maneo Salina, modesto
sitiante, contava família composta de cinco filhos e duas filhas. Certo dia,
abordado por uma volante de policia, deu breves informes sobre os cangaceiros,
que já haviam passado dias antes.
Lampeão soube
pelo seu serviço diabólico de espionagem do pequeno incidente e mandou avisar o
velho de que se vingaria. Salina mudou-se para Geremoabo, certo de que a
punição não tardaria. Depois de certo tempo, no entanto, inativo como ficara,
não tinha mais o que dar de comer à família. Acabara a farinha e não havia
dinheiro. Pensou, então, em ir a "Almacega", onde tinha maduro
mandiocal, para fazer uma rápida farinhada. Chegaria alta madrugada, arrancaria
as raízes, enquanto os filhos as descascavam e as moças aqueceriam o forno.
De tal forma,
ainda no escuro da madrugada seguinte poderia estar de volta a Geremoabo.
Premido pela
necessidade, viu como certo o êxito, e partiu desprezando o conselhos daqueles
que lhe conheciam o plano. Pela tardinha do dia 13 (Treze) quando todos os
componentes da família trabalhavam com calor, Lampeão, avisado, aparecia no
terreiro, invadia a casa com sua malta e defrontava a pobre família sertaneja
apavorada e surpresa. Circulados todos pelos cabras, o terrível cangaceiro pega
um dos rapazes, amarra-o costas com costas com o pai. Depois dispara a
"Parabellum" na nuca, que caindo, arrasta na queda o velho. Lampeão separa-os
cortando com o longo punhal, os amarrios. Repete a cena com o segundo moço e o
velho. Faz o mesmo com o terceiro, fazendo com que embolasse seu cadáver com o
corpo vivo do velho Salina. O quarto filho milagrosamente, livre por fuga,
consegue atingir Geremoabo e mais tarde, incorporado a uma volante, matou um
dos sacrificadores de seu pobre pai, o bandoleiro Quixabeira, autor também, no
Raso da Catarina, autor da morte de seis caçadores.
Feito o
horrendo massacre dos três rapazes, tomam de novo o velho Salina: cortam-lhe as
duas orelhas, vazam lhe um dos olhos, quebram lhe os dentes e o castram.
Obrigam o
mártir sertanejo a montar e com ele se dirigem à casa do quinto filho, que
morava distante duas léguas. Chegando, Lampeão adverte Salina que vai bater e
chamar, mas que ele responderá, atraindo assim, à morte, o filho desprevenido.
Tudo se faz. O rapaz reconhecendo a voz do pai, abre a porta e cai com um tiro
a queima roupa no peito.
Assistentes do
extermínio bárbaro de quatro filhos, causador obrigado da morte do quinto. O
mártir rústico segue a cavalo com a malta.
Só sete
distante sete léguas de "Almacega", começo da tragédia, decidem matar
o velho Salina, abrindo-lhe o peito e arrancando-lhe o coração.
Fazem, depois,
com o cadáver presente, uma cachaçada diabólica.
Fonte: Jornal
A NOITE
Transcrito
por: Geraldo Antônio de Sousa Júnior
Obs: O texto
foi copiado obedecendo a ortografia utilizada a época.
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