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terça-feira, 3 de abril de 2018

MERCADO PÚBLICO DE POMBAL

Por Verneck Abrantes

Em 1919, com o crescimento econômico e populacional da cidade, o então prefeito municipal, coronel João Vieira Queiroga, pensou em construir um Mercado Público, que oferecesse mais organização e conforto para a população local. O projeto foi artisticamente elaborado em modelo moderno para os padrões da época, não constava, no entanto, à parte elétrica, banheiros nem instalações hidráulicas, naturalmente, porque não existia estrutura para isso. A obra deveria ser iniciada com recursos da prefeitura e colaboração de fazendeiros abastados da região, visto as dificuldades do governo Estadual e Federal em repassar recursos financeiros para os municípios. 

A oportunidade, no entanto, foi frustrada, porque no ano de 1919 as chuvas de inverno não aconteceram, caracterizando-se uma grande seca na região. Com os recursos escassos, e não tendo outra opção, o prefeito fez um empréstimo de vinte contos de réis à municipalidade. Para efeito de comparação, naquele ano os cofres públicos renderam doze contos de réis e fração a Prefeitura, as rendas municipais eram, realmente, insignificantes. Em meio à seca estabelecida, os trabalhos do Mercado Público foram iniciados com a mão de obra ociosa dos trabalhadores rurais emergenciados, chamados de “casacos”, e parou quando os recursos terminaram. Depois de um longo período com as obras paralisadas, em 1926, no governo municipal de Odilon José de Assim, foi o trabalho retomado e, logo depois, por falta de recursos, novamente paralisado. Em 1932, o ano foi marcado por mais um período de escassez de chuvas, diante da situação, o então prefeito municipal, Dr. Janduhy Carneiro, aproveitando as verbas de emergência concedida pelo Governo Federal para sanar a calamidade pública local, realizou novos melhoramentos no Mercado Público, fazendo a cobertura de um dos pavilhões, incluindo-se a madeira respectiva. Em seguida, surge mais um longo período de paralisação, e novos melhoramentos só foram ocorrer na gestão do prefeito Francisco de Sá Cavalcanti, em 1940, mas a conclusão da obra ainda ficou pendente. Finalmente, assumi como Interventor Federal do Governo da Paraíba, o pombalense Dr. Ruy Carneiro, conhecedor da morosidade da obra, repassa recursos para o prefeito municipal, Dr. José Gregório Medeiros, que não medindo esforços, concluiu a tão sonhada obra em 1942, depois de 23 anos de impedimentos administrativos.


O Mercado Público está localizado em uma grande área do centro mercantil de Pombal, estrategicamente dividindo outros prédios com exclusividade comercial. Antigamente esses prédios tinham formas padronizadas em arte decorativa, uma influência que lembrava o modernismo da arquitetura de alguns prédios construídos na Europa. 

O Mercado Público no seu acabamento final estava composto dos pavilhões sombreados, destacando-se oito torres divididas por quatros portões de entradas, em madeiras de lei, com a inserção de grades e ferros fundidos. Na rusticidade de suas paredes construídas com tijolos prensados, sobressaia o frontispício, a modernização dos desenhos em alto relevo se harmonizava com arquitetura projetada, destacando-se também às clarabóias – que serviam para ventilação e entrada de luz.
O Mercado abria aos sábados, dia estabelecido por Lei Municipal para ocorrência da feira. A comercialização acontecia em sua na parte interna, quando se ofereciam os produtos básicos da produção agropecuária regional: arroz, feijão, milho, farinha de mandioca, batata doce, mel de abelha, rapadura, queijo, manteiga, fumo de rolo, banana, manga, pinha, cajá, cajarana, goiaba, caju, melão, melancia, coentro, cebola, cebolinha, alho etc. A falta de outro local mais apropriado, o Mercado ainda serviu para festas dançantes, na base de candeeiros, ao som da sanfona, triangulo e zabumba. Também, ali se brincou o carnaval. Nos anos de 1970, sem nenhum critério de preservação, o poder público municipal concedeu o direito de algumas modificações na estrutura do prédio. Em suas laterais foram abertos diversos pontos comerciais para parte externa, quebrando a beleza da sua originalidade. Na parte interna, suas dependências foram modificadas, a cobertura e os velhos portões alterados, indevidamente. Hoje, resta o conjunto estrutural do empreendimento e a lembrança de um espaço que foi orgulho dos pombalenses, um prédio majestoso, erguido na gestão de cinco prefeitos, fortalecendo os laços urbanos e rurais do nosso município. 

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

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