Mais que em
livros, artigos e matérias especiais, a resistência mossoroense ao bando de Lampião
está gravada na memória da última testemunha viva do episódio: Dionísio Pereira
da Silva. Aos 111 anos de idade e residente no Abrigo Amantino Câmara há 18
anos, o senhor de olhos azuis apertados pelo tempo exibe uma memória melhor que
a de muitos colegas décadas mais jovens.
“Eu já dei entrevistas para muitos jornalistas de outros estados e até dos Estados Unidos. Na época que o bando entrou na cidade eu tinha 23 anos e lutei com Rodolfo Fernandes na Igreja São Vicente. Eu lembro que era umas 16h do dia 13 de junho quando eles chegaram. Aquele dia ficou tudo na minha memória”, conta.
Seu Dionísio ressalta que Lampião, o mais famoso cangaceiro da história do Brasil, não chegou a entrar na cidade, fato registrado em cantiga que, segundo ele, os mossoroenses entoavam nas ruas após a expulsão do bando.
“Olê mulher rendeira,
Olê mulher renda
Na trincheira de Rodolfo,
Lampião não pôde entrar”
Já em relação
ao desenrolar do conflito entre a população e o bando, Dionísio Pereira afirma
que os mossoroenses não se intimidaram e impuseram importantes baixas no bando,
ferindo também figuras importantes entre os cangaceiros.
“Daqui saíram feridos Massilon, Menino de Ouro e outros. Jararaca não conseguiu escapar, as pessoas o trouxeram, amarraram-no e ele foi morto no cemitério com três punhaladas do próprio punhal (rever). A população estava com muita revolta contra ele também porque diziam que ele tinha matado uma criança com aquela faca em outra cidade”, narra o centenário.
Perguntado sobre o segredo da longevidade, Dionísio Pereira conta que não tem receita e que a única coisa que nos orienta a seguir é viver com simplicidade. Ele revela que a avó, dona Joana, morreu aos 110 anos de idade e afirma que pretende viver ainda muitos anos, sempre agradecendo a Deus pelas conquistas.
“Minha avó dizia que para tudo o que vamos fazer devemos pedir a permissão de Deus. Hoje as pessoas vivem com muita pressa. Antigamente as coisas eram diferentes. O que sinto mais falta dos meus tempos de juventude eram as músicas, muito mais bonitas que as de hoje, e do futebol. Cheguei a jogar no Flamengo, América de Natal e em Fortaleza. Guardo tudo aqui e espero lembrar ainda por muito tempo”, explica Dionísio.
Fonte: facebook
Página: Lucinete Tagliary
Pereira
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
Importantíssimo texto cara Lucinete e amigo Mendes, este que relata os 111 anos do senhor Dionísio Pereira. Parabéns pessoal por descobertas e mais descobertas,
ResponderExcluirAntonio OLiveira - Serrinha