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domingo, 26 de março de 2017

ROBINSON CRUSOÉ, O CLÁSSICO DA LITERATURA INFANTO JUVENIL DE MUITAS GERAÇÕES, AGORA TAMBÉM É CORDEL.

Por Prof. Stélio Torquato Lima
Prof. Stélio Torquato Lima e o filho Davi

Robinson Crusoé, o clássico da literatura infanto juvenil de muitas gerações, agora também é cordel. Com versos sete-silábicos, o poeta Stélio Torquato Lima, ao adaptar para a poesia popular a obra de Daniel Defoe, desenvolveu sua narrativa poética em 172 estrofes de sete pés. 

A ilustração de capa é de Cayman Moreira. Esse é o terceiro folheto de cordel da caixa 02, da Coleção Obras Primas em Cordel, publicado pela Cordelaria Flor da Serra.

O autor desse clássico é o jornalista e escritor Daniel Foe (sobrenome alterado depois para Defoe) que nasceu em 1660, em Londres, onde também faleceu, em 1731. Pretendia seguir a carreira eclesiástica, mas acabou estabelecendo-se como comerciante. 

Com a falência dos negócios, passou a se dedicar ao jornalismo. Escreveu panfletos famosos, muitos deles favoráveis ao rei Guilherme III. Como dissidente, contrário ao rei católico Jaime II, participou da malograda rebelião de Monmouth, em 1685. Algumas Obras: Robinson Crusoé (1719), Capitão Singleton (1720), Moll Flanders (1722), Diário do Ano da Peste (1722), Coronel Jack (1722), Roxana (1724), Viagem por toda a ilha da Grã-Bretanha (1724-727) e Uma História Geral dos Piratas (1724-1728).

Robinson Crusoé, publicado em 1719, foi escrito a partir das memórias de alguns viajantes, principalmente a do marinheiro escocês Alexander Selkirk, um náufrago escocês que viveu durante quatro anos em uma ilha do Pacífico. O texto reflete o espírito da época, mostrando o herói como um empreendedor que, através da razão, consegue dominar a natureza hostil, ajustando-a aos seus interesses e produzindo riqueza.

Além de exaltar a capacidade empreendedora do homem, a obra apresenta várias reflexões filosóficas, incluindo o problema do relativismo cultural, principalmente nos trechos em que a personagem, condenando o canibalismo dos nativos da ilha, defende, perante o companheiro Sexta-Feira, a crença em um padrão de moralidade absoluta. 

O livro, tido por muitos como a obra fundadora do romance moderno, sofreu várias adaptações para o cinema, televisão, teatro, quadrinhos, etc. No cinema, vale a referência ao filme Náufrago, de 2001, dirigido por Robert Zemeckis. Com Tom Hanks no papel principal, o filme transporta para os dias atuais a história passada originalmente no século XVIII. A intensificação do drama psicológico do náufrago se revela em detalhes como a substituição de Sexta-Feira, personagem da obra original, por uma bola de voleibol.

Agora leia os versos iniciais da adaptação de Stélio Torquato e, para ler a obra completa, faça seu pedido pelo Email cordelariaflordaserra@gmail.com ou pelo WhatsApp (085) 999569091.


Você, que caminha ao largo
Desta minha sepultura,
Pare um pouco para ouvir
Uma incrível aventura
Que vivi em uma ilha.
Ouça. É uma maravilha,
Sou eu quem lhe assegura.

Fui Robinson Crusoé,
Filho de York, Inglaterra.
Vim de importante família
Da minha adorável terra.
Três irmãos, amigo, tive.
O irmão mais velho, inclusive,
Veio a morrer numa guerra.

Sendo eu o filho caçula,
Também fui o mais mimado.
Meu pai sonhou para mim
A vida de advogado,
Dizendo: “Ganhe dinheiro,
Pois problema financeiro
Torna o homem afobado.”

Pra tristeza de meu pai,
Bem outros eram meus planos:
Só pensava em viajar, 
Cortando os cinco oceanos,
Conhecendo outras culturas,
Vivendo mil aventuras 
Sem temer dores ou danos.

Preocupada, minha mãe,
Com frequência aconselhava
A seguir a trajetória
Que meu pai me apresentava.
Ela, chorando, implorou,
Mas, por fim, se conformou
Com o destino que eu buscava.

Também meu pai, percebendo
Que o seu conselho era vão,
Disse que eu podia ir,
Mas, por ele, a expedição
Não seria abençoada,
Afirmando: “Ela é fadada
À iminente perdição.”

E nem mesmo a intervenção
Da minha mãe tão querida
O fez estender-me a bênção
Antes da minha partida.
Mesmo sem o seu apoio,
Tomei parte num comboio
Que partiria em seguida.

No ano cinquenta e um
Lá do século dezessete,
Eu, com dezenove anos,
Vim a tornar-me um grumete.
Em primeiro de setembro,
Isso ocorreu, bem me lembro,
E contar-lhe me compete.

Logo após deixar o porto,
O veleiro em que eu me achava
Foi por ondas envolvido,
O que muito me assustava.
E durante toda a noite,
A tormenta, qual açoite,
De fustigar não parava.

Extremamente assustado
Devido àquele revés,
Jurei que, numa embarcação,
Eu jamais poria os pés. 
 De meu pai logo lembrei,
E, pra mim mesmo, falei,
Em um canto do convés:

“Sem a benção de meu pai,
Abandonei o meu lar.
Agi, assim, como Jonas,
Que pensava em se ocultar
Dos olhos do Deus bendito.
E, como o profeta, aflito,
Meu erro enfurece o mar...”

Porém, promessa de aflito
Não merece confiança.
E assim, quando a tempestade
Cedeu lugar à bonança,
Esqueci-me da promessa,
E segui, contente à beça,
Com o sopro da brisa mansa.


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

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