Por José Mendes Pereira - (Crônica 04)
O dono de uma pequeninha lanchonete precisava se ausentar do seu comércio, e ao sair, disse ao seu empregado:
- Eu tenho que resolver algumas coisas na feira, e talvez eu não volte mais hoje. Se você ouvir falar que o tal do Manelão está no lugarejo, dê por encerrado o movimento de fregueses. Cuida logo de baixar as portas, e não se demore, faça fiapo em busca de casa.
Mas assim que o dono da lanchonete saiu, infelizmente, um homenzarrão chegou pelas laterais da quitanda. E Alguém que já corria pelas avenidas, gritou:
- Pelo amor de Deus! Corram que o maldito Manelão já se aproxima por aí!
E foi aquela correria. Mulheres perderam filhos no meio do movimento. Um velho sapateiro que cochilava em uma espreguiçadeira de frente à rua, ao ver o homenzarrão, e ao se levantar, caiu lá embaixo da calçada.
No alvoroço, querendo se salvar das enormes mãos do homenzarrão, o empregado enrolou-se a uma cadeira ginga-ginga, e foi ao chão. E enquanto tentava se levantar do chão, ao levantar a vista, viu o valentão entrando com seus passos longos e desajeitados.
- Me dá uma cachaça aí logo, sua peste!
- E lá veio o empregado correndo com a garrafa de cachaça às mãos.
O valentão não esperou que o empregado a abrisse. Arrebatou-a das mãos, quebrou o gargalho sobre o resto do balcão que ainda teimava ficar em pé, e bebeu tudo de uma vez só, não ligando para pedaços de vidro.
- O senhor quer outra? - perguntou o empregado procurando agradá-lo, já se desmanchando em mijo e outras coisas estranhas.
- Não, sua peste! Deus me livre! Num dá tempo não!
- Mas por que não dá tempo? - quis saber o empregado, mesmo trêmulo.
- Não dá tempo porque o Manelão vem aí!
O homenzarrão saiu do bar, cuspiu fortemente, pigarreou, pôs uma enorme masca de fumo na boca, montou-se no seu touro bravo e tome espora, e se mandou com medo do Manelão que estava para chegar no lugarejo.
O homenzarrão não era o Manelão que o lugarejo esperava contra vontade. Só tinha tamanho. Medroso ao extremo.
Quando estiver no trânsito, primeiro, lembre-se de lembrar que tem que se lembrar deste lembrete, para não passar por coisas desagradáveis no trânsito.
Muito chato para você me ver sempre chamando a sua atenção. Mas é para o seu bem.
Cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, desculpa-o, faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional. Você poderá ser vítima.
As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado!
Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo dentro de um caixão.
Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância, e depois que o bicho é criado, o mais difícil é matá-lo.
Imagina bem, o sujeito diante de uma arma sem ter como se livrar dela, hein? Possivelmente irá morrer.
Uma confusão criada entre dois ou mais indivíduos no trânsito, muito difícil de ser apaziguada.
Cada um quer ter razão, e uma arma poderá surgir entre eles, e alguém apertará o gatilho, e outro irá morrer.
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