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domingo, 30 de abril de 2017

A IMPORTÂNCIA PRETÉRITA DO ALHO E DA CEBOLA PARA O MUNICÍPIO DE GOVERNADOR DIX-SEPT ROSADO/RN

José Romero Araújo Cardoso

          
O antigo termo de Passagem do Pedro, São Sebastião, Sebastianóplis, atual município potiguar de Governador Dix-sept Rosado, destacou-se de forma extraordinária, décadas atrás, na produção de alho e cebola.
          
A experiência pioneira de plantios teve inicio na década de setenta do século XIX na localidade de Gangorrinha, situada às margens do rio Apodi-Mossoró, onde os campesinos resolveram utilizar as vazantes do importante curso d´água para plantar espécies do gênero Allium, adubando-as com mufumbo macerado.
          
Logo a produção de alho e cebola passou a integrar indelevelmente a economia local, graças à excelência do valor comercial, devido ao tamanho dos bulbos, razão pela qual o atual município de Governador Dix-sept Rosado tornou-se conhecido como a “capital do alho”.
         
A zona urbana, quase por completa, foi tomada por tranças de alho e cebola, expostas para que os compradores de várias partes do Brasil escolhessem as melhores.    Vendedores de alho e cebola saiam em busca de melhores preços pelo interior do Estado do Rio Grande do Norte, bem como com destinos às unidades federativas vizinhas, ou mesmo distantes.
          
A chegada do trem, no ano de 1925, viabilizou o escoamento da produção, inicialmente com destino a Mossoró, e, a partir da expansão da linha férrea, em direção aos outros municípios potiguares que foram beneficiados com o percurso da Estrada de Ferro, tendo chegado no inicio da década de cinqüenta do século passado em Sousa, no vizinho Estado da Paraíba.
          
Quando o trem chegava em Governador Dix-sept Rosado, quando do período da safra do alho e da cebola, eram inúmeras as ofertas da produção farta e abundante, pois a estação ficava cheia de tranças à espera de compradores, bem como destinadas ao embarque.
         
Pequenos pedaços de vazantes à beira do rio Apodi-Mossoró eram valorizados de forma exponencial, pois a certeza de boas colheitas estavam garantidas pela fertilidade do aluvião, bem como das técnicas originais de adubação.
          
Festas em torno do alho e da cebola foram organizadas, contando com a coroação de rainhas com alusão aos produtos que faziam a fama do município potiguar, distrito de Mossoró até quatro de abril de 1963.
          
Gesso, algodão, cal, alho e cebola, consorciados com o plantio de batata-doce, eram os alicerces da economia dixseptiense há pouco tempo, época que mostrava-se favorecedora à qualidade de vida da população, a qual podia contar com importantes       recursos no processo de geração de emprego e renda.
          
Desestruturado na segunda metade da década de oitenta do século passado, o plantio de alho e cebola, vitima do mal-de-sete-voltas, praga que arruinou uma das bases da economia dixseptiense, tornou-se uma página virada na memória da população do aprazível município norte-riograndense.

José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor-Adjunto do Departamento de Geografia da faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.

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