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sexta-feira, 26 de novembro de 2021

CANGACEIROS FORAM OBRIGADOS A CAVAR AS PRÓPRIAS SEPULTURAS

 

Legenda: O local onde os cangaceiros foram enterrados está abandonado - Foto: Antonio Rodrigues

OS IRMÃOS

"Telegramas recebidos ontem nesta capital informavam que os mesmos bandoleiros haviam atacado o estafe dos Correios no lugar Baixios, a meia légua do Crato, tendo roubado, no mesmo local, cerca de 30 pessoas que se dirigiam para a feira do Crato", detalha o jornal "A Ordem", do dia 7 de setembro de 1927. Os Marcelinos praticavam pequenos assaltos, sobretudo nas cidades de Jardim, Barbalha, Crato e Cariri-Mirim (PE).

Eles entram na vida de cangaço quando o mais velho, João Marcelino, até então vaqueiro, é humilhado pelo delegado Ioiô Peixoto, no meio da feira de Serrita (PE). Ele resolve se vingar e, com ajuda de seu irmão, Manoel, começa a perseguir até matar o policial. "Aí não teve mais sossego, vendeu tudo que tinha, comprou arma e foi ser cangaceiro na Chapada do Araripe", conta Napoleão Tavares.

Manoel e João Marcelino começam sua vida de banditismo pela região, por volta de 1923. O caçula, Raimundo, mais tarde se une, ganhando a alcunha de Lua Branca. Os três servem por um tempo o bando de Lampião, inclusive, Manoel, ganha dele o nome de Bom de Veras, e passa a ser respeitado pelo sertão, por sua agilidade, coragem e destreza com as armas.

"Virar cangaceiro, naquela época, era a coisa mais fácil do mundo. Se olhar a colonização do Brasil, em 400 anos, a tônica é a imposição do terror, a violência. Se sobressaia socialmente aquele que era mais violento, quem manejava melhor as armas de fogo ou brancas, porque não existia o Estado, não chegava em todos lugares. Para defender sua terra, propriedade, sua família, tinha que lançar mão da violência contra índio, contra ladrão, polícia, onça, contra tudo", explica Leandro Cardoso.

Os Marcelinos optam por não seguir o bando de Lampião e praticar seus pequenos crimes no Cariri, como assaltos e roubos. Chegam a matar pessoas inocentes, como o agricultor Joaquim Guida, residente no Baixio do Muquém, em Crato. Sem piedade, ele é assassinado pelo grupo, que não leva nada dele, nem mesmo a feira e seu dinheiro.

Mas o momento mais marcante dos Marcelinos é a invasão de Barbalha para matar o coronel Antônio Xavier. Na calada da noite, se escondem nos arredores do casarão do rival, que dá um jantar para familiares e amigos. Avistando o alvo da janela, os cangaceiros atiram, acertando um espelho e não o coronel. Percebendo o fracasso, fogem dos capangas do poderoso homem.

"Os cangaceiros Marcelinos não tiveram uma representatividade grande, como os Curisco, Labareda. Eles fizeram pequenos assaltos aqui. Não foram de grande importância na historiografia do cangaço. Talvez, a coisa mais importante é a maneira brutal como foram mortos", acredita Leandro Cardoso.

Por outro lado, a morte dos Marcelinos teve destaque em página inteira no jornal de Fortaleza "A Ordem", do dia 7 de janeiro de 1928, descrevendo ação da Polícia que matou João 22 e capturou Lua Branca.

"O Cariry vai agora dormir sossegado, livre de seu pesadelo sinistro. A ação policial contra os bandoleiros, até agora considerada nula, determinou o ânimo do povo em um estado psicológico de completo desalento", narra o periódico.

https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/regiao/cangaceiros-foram-obrigados-a-cavar-as-proprias-sepulturas-1.1875250

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