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quarta-feira, 27 de maio de 2026

CHATÔ E CORISCO.

Por Antônio Corrêa Sobrinho

Assis Chateaubriand

“Corisco era seu irmão, era meu irmão, era a alma fraterna do meu mano Oswaldo Chateaubriand, e todos lhe vimos o cadáver, com os punhos crispados. Apunhala-se uma flor agreste daquela graça!” - ASSIS CHATEAUBRIAND
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Heuristicamente, compreendi, não apenas com o dizer supra em relação ao cangaceiro morto Corisco, mas com o que expressa, em HIDALGO, a seguir, texto trazido à luz no O JORNAL, do Rio de Janeiro, em 6 de junho de 1940, pelo jornalista, escritor, advogado, professor, empresário, político brasileiro, membro da Academia Brasileira de Letras e um dos homens públicos mais influentes do Brasil do seu tempo - ASSIS CHATEAUBRIAND, o grande magnata das comunicações, vulgo CHATÔ.

De passagem pela Bahia, comandando a esquadrilha de aviões do seu DIÁRIOS ASSOCIADOS, Assis Chateaubriand teve ocasião de ver, compungido, pesaroso, o cadáver do cangaceiro CORISCO, em relação ao qual, no dizer crítico de um jornal concorrente, fascinou-se pelo “panaché” de Corisco, com quem descobriu afinidades espirituais.

É texto rico, este HIDALGO, onde vemos um Chateaubriand como que atestar o fim de um tempo, dos regionalismos, do brasileiro autêntico, o sufocamento das vocações, a extinção do verdadeiro gaúcho, do nordestino. Ele diz coisas assim: “Augusto Comte dizia que a idade média exprime uma etapa de progresso sobre a antiga. Jagunços, cangaceiros, caudilhos são maltratados por toda a parte, quando eles assinalam potenciais de força, reservas de atividade anímica, que cumpre não deixar esgotar-se. Em Pernambuco, a burguesia assustada ou arrepiada, a mão crispada nos bolsos, há uma semana me interroga: ‘Por que você sustenta Agamenon?’ Retruquei-lhe: - ‘Por que ele é Vila Bela, e este gibão de couro cru, que é o sertão, tem algo ainda a fazer aqui com o presunçoso direito de propriedade’".
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O HIDALGO

SANTANA DO LIVRAMENTO, 3 – Onde encontrar gaúchos em Porto Alegre para mostra-los aos rapazes aviadores paulistas que viajam conosco? Da vez passada foi uma decepção. Maria da Matta, o diretor geral dos portos rio-grandenses, não estava na cidade, e eu fiquei sem uma guasca de remédio sequer para pôr diante dos olhos da equipagem da nossa esquadrilha de aviões que ia ao Sul. Depois de 18 horas de Porto Alegre, uma tarde, no Grande Hotel, Anesito Amaral e Ignácio Nogueira abriram os olhos radiantes e apontaram: vai ali um gaúcho! Ei-lo o “insalubre”, o “emboscado”.

A caça ao gaúcho durava havia dois dias sem resultado. Onde, fora do Café Belas Artes, no Rio, seria possível encontrar outra guarnição tão bem sortida de gaúchos quanto a que ali se posta como os derradeiros abencerragens do Pampa?

Meu amigo Armando Vidal, visitando Porto Alegre faz quatro anos, não me ocultou o seu desapontamento em face do que viu acabrunhado: uma população padronizada, sem “favores”, sem acento, sem botas, com chapéus de abas curtas, falando tal qual toda a gente, como os paulistanos e os cariocas, porque diluídas suas particularidades regionais num horrível cosmopolitismo nivelador. “Meu general, disse o antigo presidente do DNC, ao governador Flores da Cunha, verifico que, para encontrar gaúchos, é preciso não sair do Belas Artes, na Avenida Rio Branco”.

Efetivamente, o brado de alarma de Anesio e de Ignácio. Nogueira tinha fundamento. Entrara no salão um homem de calças bombachas e botas vermelhas. Precipitamo-nos a identificar o gaúcho Carlos Bizzini, diretor do “Diário de Notícias”, segue os rapazes, era o morigerado cirurgião fluminense Dr. Portugal, que veraneando, em Porto Alegre, vinha de uma partida de golfe. Em Porto Alegre não existe mais o gaúcho a caráter, rico de virtualidade. Salvo o matuto pernambucano Maria da Mata, que usa costeletas, chapéu largo à William Farnum e que é gaúcho 101%. Com o seu ar agressivo de cidade americana, gorda de arranha-céus, lençol de asfalto, faixa de cimento, arrabaldes, (...), círculos que ultrapassam, no gosto moderno, o Automóvel Clube de S. Paulo, e governador suíço, da branda tolerância do coronel Cordeiro de Farias – a metrópole rio-grandense guilhotinou o gaúcho. Ele não pode mais viver aqui, porque não existe ambiência para esta alma lírica, para este temperamento romântico, emancipado de preconceitos, e quase irreal dentro do prosaísmo da vida contemporânea.

Como um campeiro pode dar de cara com as chilenas, o laço, o poncho ou o pala, naquele nefando antro de pregresso que é a capital artificial do Rio Grande? É a mesma tragédia da Paraíba. Saltei na minha terra há oito dias, com uma equipe de paulistas, para fazê-los ver paraibanos, homens de barbicacho passado no pescoço, gibão de couro, no peito cabeludo, faca de ponta no colete, ar enfatuado, e um sorriso atrevido para o visitante.

l da Paraíba. A sua gente amena, urbana, de paletó de casimira e chapéu de massa, parecia estandardizada com os mineiros do Serro e Diamantina. Os amigos que ia encontrando, procurava-lhes na cava do colete as facas características da índole provocadora e turbulenta da gleba e, com espanto, nas axilas de nenhum se nos deparavam aquelas laminas que já traduziram nossa superioridade sobre o comum dos outros brasileiros. “Meninos, eu disse a Anesito Amaral e a Oscar Bindel, deixemos essa Paraíba monótona e vamos ver paraibanos em São Paulo, na Augusta, no perfil de Cesário Coimbra, e na Alameda Barão do Rio Branco, na figura de Silvio de Campos. Esses irmãos transplantaram gentilmente a Paraíba para São Paulo, pondo em Piratininga nossas fecundas bocas de sertão”.

No Norte só pude mostrar aos paulistas um jagunço: o Dr. Agamenon Magalhães. A família esplêndida está morta. Por toda a parte se descobre o fim dessa trindade espartiata: o caudilho, o jagunço e o cangaceiro. Agamenon Magalhães vem fazendo contra o meio hostil um esforço heroico. Assim como o Rio Grande sufocou o caudilho e o provisório, Pernambuco trucida barbaramente esta nossa individualidade telúrica que é o cangaceiro. O interventor de Pernambuco significa os últimos urros desesperados do animal bravio, que ainda é a poesia do nosso sertão. Corisco era seu irmão, era meu irmão, era a alma fraterna do meu mano Oswaldo Chateaubriand, e todos lhe vimos o cadáver, com os punhos crispados. Apunhala-se uma flor agreste daquela graça!

Pressenti o epílogo do jagunço e do cangaceiro desde que morreram politicamente Raul Soares e Artur Bernardes no Brasil. Uma noite Estácio Coimbra, que era também cangaceiro envernizado, chegou à porta do meu quarto, no hotel dos Estrangeiros e me disse que Raul Soares lhe dissera que era preciso agir em determinados setores de Minas, mediante a ação direta. “Que quer dizer isto?” interrogou-me Estácio Coimbra. – “O nosso bacamarte”, respondi-lhe. Vai você ver como funcionará daqui por diante em Minas esse delicado aparelho eleitoral”. Semanas depois Antero Botelho tratava um prelo cívico em Aiuruoca e o Serafim mandou fazer muitas cédulas, urnas hermeticamente fechadas e reposteiros verdes para os eleitores depositarem os pensamentos. Na véspera, Aiuruoca era ocupada policialmente por um pelotão da Força Pública, que entrava tocando corneta e batendo rufos a Raul Soares, já instalado no Palácio da Liberdade, punha em marcha a “ação direta”. E durante o seu consulado, com já sucedera no de Artur Bernardes, o sufrágio universal andou em cuecas. Minas progrediu bastante com o sertão instalado civicamente no Palácio da Liberdade e adjacências.

Augusto Comte dizia que a idade média exprime uma etapa de progresso sobre a antiga. Jagunços, cangaceiros, caudilhos são maltratados por toda a parte, quando eles assinalam potenciais de força, reservas de atividade anímica, que cumpre não deixar esgotar-se. Em Pernambuco, a burguesia assustada ou arrepiada, a mão crispada nos bolsos, há uma semana me interrogada: “Por que você sustenta Agamenon?” Retruquei-lhe: - Por que ele é Vila Bela, e este gibão de couro cru, que é o sertão, tem algo ainda a fazer aqui com o presunçoso direito de propriedade. Não o estamos maltratando como ele pensa, mas, apenas barbeando-o e penteando-o. o direito de propriedade nunca entrou, cá entre nós, em uma barbearia. Suas barbas eram hirsutas. Há que apará-las, pondo-o às voltas com fígaros, como Agamenon.

Aqui no Rio Grande o caudilho ou foi promovido a diplomata, ou vive no exílio, nostálgico e desenraizado. Oswaldo Aranha e Batista Luzardo como eram típicos de uma geração, a qual foi caçada na coxilha, ou a laço de seda, para a assassinarem nos salões de embaixadas, ou à ordem de embarque como Flores da Cunha, posto em sossego, no degredo de Pocitos! Oswaldo Aranha como era feiticeiro, há dez anos, desembarcando no Rio, apoiado em muletas, e desafiando Washington Luís com as chicotadas do minuano!

Mesmo quando o gaúcho faz literatura, que personagem rico de interesse humano não é ele, no seu ímpeto e na sua espontaneidade. Eu o admiro, porque ele é a natureza mais próxima de nós outros paraibanos. Nossa faca de ponta se cruza com a sua lança, e as duas se amam e se respeitam. Nossos utensílios de governo, que são esses gumes afiados, como se parecem no fuzilar das suas arrancadas!

O amor próprio do gaúcho é incompatível com uma sociedade que não o assimila, como a de Porto Alegre. Como o indivíduo de uma metrópole americanizada entenderá as hipérboles graciosas desse criador de ações magníficas, que á o companheiro do cavalo? A desenvoltura do homem de cavalaria que é o gaúcho, sua alma fosforescente de poesia, sua frescura de sensibilidade, serão incompreendidas pelo transeunte da urbe. O asfalto não entende a vereda. Para o homem do pneumático, a pata do ginete é um enigma. Quando estive em Montevideo, encontrei Batista Luzardo coagido a renegar a sua bomba, bebendo chá em xícara, pelas embaixadas e legações, a beijar a mão das senhoras, como um mundano de Petrópolis. Foi como se eu visse Uruguaiana destruída por um terremoto. O albatroz pousava as asas espalmadas num lago de jardim. E asfixiava, coitado! Para Batista Luzardo, que a 25 de outubro de 1930 encontrávamos na estação de Itararé, com dez anos de revolução e de conspirações, e trazendo no calcanhar de Aquiles as esporas de Bento Gonçalves – o Estado Nacional de 1937 significava a morte do seu próprio destino. Hercules ali estava, exangue, esmagado por um miserável compromisso com a Ordem.

Quando Oswaldo Aranha não era o rouxinol cativo, como se erguia soberbo à luz da ribalta, largando pela estrada trinados pitorescos! Beque arrancou das garras da sua família um notário. Este o interroga, com estupor: “Sois um homem de negócios, senhor?” – “Não, retrucou-lhe Beque. Sou um poeta”. Oswaldo Aranha desembarca no Rio, em 30, e brada em poeta aos outubristas: “A revolução não reconhece direitos adquiridos”. Era dos nossos. De instinto. Não de alma, nem de espírito. Mas saído das nossas entranhas. Pampa, terra de meridionais que se cozinham em colunas de lava, açoitadas pelo minuano! Esta gente não poderá ter passividade diante do destino. A totalidade da sua atitude só comporia o negro ou o vermelho. Oswaldo Aranha em 30 dramatizava a revolução, como convinha a um chefe perdido num itinerário de aventuras. Sua tirada galvanizou os que tinham fé na revolução, a qual não poderia ser a lei em marcha, mas a transmudação dos valores existentes pela força, que a crise subversiva carregava dentro de si.

É do gaúcho “aquele acento que morde”, e a mordida é às vezes mais deliciosa que um beijo, porque dá sangue e depois mel. Misto de ibérico e sarraceno, brilha na sua flama e no colorido da sua imaginação este esplendor de luz africana, que lhe banha as fontes de vida e a substância do seu sentimento como da sua inteligência.

Ó manes de Honorio Lemos, de Felipe Portinho, de Gumercindo, como vossas memórias fulgidas sobreviverão nessa morna atmosfera de legalidade nacional? O Ceará, governado por um suave professor público, a Paraíba por um bacharel sagaz, o Rio Grande por um coronel ordeiro, são adúlteros da sua própria vocação, do seu matrimonio com o fogo central da terra nossa. Solos como o do Rio Grande, pelo seu vulcanismo intente, são organismos de fermentação, caldos ricos, onde deveremos fazer a cultura das ideias e dos princípios de renovação. Eles encerram, nas suas metamorfoses, algo de vitalizador.

Vejo, por isso mesmo, comprometido o futuro das ideias-forças no Brasil com os últimos golpes desfechados no caudilhismo, o qual é o introdutor pouco diplomático, reconheço, porém, indispensável dos novos mitos de que se nutrem as liberdades públicas. Venho de atravessar o Rio Grande, desde o Guaíba até aqui a Santana, onde Abreu Fialho pretendo apresentar-nos o fim do caudilho como a suprema sabedoria dos homens. Percorro as ruas de Santana com a alma agradecida aos gaúchos turbulentos de seiva, passionais e cruéis, inquietos e tempestuosos, que lavaram de sangue estas pedras para que o mundo não terminasse sempre mediocremente por um compromisso. Ei-lo que passam de bombachas, lenço no pescoço, atormentados na aparente indolência de olhar, e sonhadores na predestinação do seu caráter específico. Como sem eles teríamos produzido outubro de 1930? Hidalgos da coxilha, conquistadores do pampa! Sancho Pança é a força sedentária, que nutre o preconceito; é o tato hermético, cristalizado. Dom Quixote, a torrente, o rio. Nessa paisagem móvel há “e que fomenta a vida”.

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ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!

Perdoe qualquer agressão, para não se sentir culpado ao tirar a vida de alguém. E entenda que perdoar é devolver ao outro o direito de ser feliz.

Quando estiver no trânsito, primeiro, lembre-se de lembrar que tem que se lembrar deste lembrete, para não passar por coisas desagradáveis no trânsito. 

 Cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, desculpa-o, faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional. Você poderá ser vítima. 

As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! 

Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo dentro de um caixão. 

Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância, e depois que o bicho é criado, o mais difícil é domá-lo.

Imagina bem, o sujeito diante de uma arma sem ter como se livrar dela, hein? Possivelmente irá morrer. 

Não se faça de valente, só porque está com a sua namorada ou esposa e não quer que ela sinta o seu fracasso. Ela não te quer como herói, te quer simplesmente como namorado ou esposo vivo. 

É melhor vivo medroso do que  morto valente.

 https://www.metropoles.com/distrito-federal/na-mira/policial-civil-atira-na-perna-de-motociclista-apos-briga-de-transito-video 
"O site acima diz que este rapaz condenado a morrer não morrei, mas foi baleado por este ignorante".

Uma confusão criada entre dois ou mais indivíduos no trânsito, muito difícil de ser apaziguada. Cada um quer ter razão, e uma arma poderá surgir entre eles, e alguém apertará o gatilho, e outro irá morrer.

Muito chato para você, sempre me ver lembrando isso. Mas é para o seu bem. 

http://jmpminhasimpleshistorias.blogspot.com

http://sednemmendes.blogspot.com

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

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