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domingo, 12 de julho de 2026

O RIFLE DE OURO EM BELMONTE

Por Valdir José Nogueira de Moura

​Uma crônica sobre o tempo, a lei e o sertão de Antônio Silvino
​O sertão tem dessas coisas: guarda o silêncio das pedras, mas ecoa, eternamente, o barulho dos tiros que outrora rasgaram suas tardes de sol escaldante. Muito antes de Lampião reinar soberano pelas caatingas, um homem já desenhava com pólvora e astúcia a lenda do cangaço. Chamava-se Manuel Batista de Morais, nascido em 1875 na histórica Afogados da Ingazeira, no ventre generoso do Pajeú. Para a história, contudo, ele despiu-se do nome de pia e vestiu a armadura mítica de Antônio Silvino — o temido, respeitado e eterno "Homem do Rifle de Ouro".


​Durante quase duas décadas, entre 1895 e 1914, as fronteiras de Pernambuco e da Paraíba foram o cenário de suas andanças quixotescas e violentas. Silvino não era apenas um bandoleiro; era uma força da natureza que desafiava a ordem coronelista, caminhando na linha tênue entre a brutalidade e o heroísmo popular, o que acabou por inspirar poetas de todas as estirpes, do cordel popular à erudição de Ariano Suassuna, que mais tarde cantaria:
​“Ai! Eu não vim ensinar > Filho do sol do deserto, > Sou dono do meu destino, > Meu canto é o rifle de ouro > Que foi de Antônio Silvino!”
Mas o destino dos homens valentes também se curva diante do tempo. No primeiro dia de dezembro de 1914, o cerco finalmente se fechou e as portas pesadas da Casa de Detenção do Recife trancaram a liberdade do célebre cangaceiro. Carregando nas costas o peso de 26 processos, foi condenado a uma pena quase bíblica de 239 anos e 8 meses de prisão. Destes, cumpriu pouco mais de duas décadas, até que o olhar político do presidente Getúlio Vargas, em 1937, lhe concedeu o indulto que o devolveria ao mundo dos homens comuns, vindo a falecer anos mais tarde, em 1944, na cidade de Campina Grande.
​Contudo, anos antes de ver o sol nascer quadrado no Recife, Antônio Silvino e seu bando cruzaram o solo de Belmonte. Era agosto de 1912 quando a poeira subiu alta e o eco do chumbo cruzado assustou a caatinga. A notícia, grave e urgente, cruzou o país e foi parar nas páginas do tradicional jornal carioca O Paiz, na edição número 10161, datada do primeiro dia daquele mês. O registro impresso, que atravessou o século, relata o encontro com contornos dramáticos:
​“Um destacamento do regimento policial do Estado, comandado pelo alferes João Luiz de Carvalho, teve no município de Belmonte um encontro com o bando chefiado por Antônio Silvino. Do forte tiroteio que se travou, resultou a morte do cabo de polícia Silvino de Barros, e ficou ferido gravemente um dos soldados. Os cangaceiros, internaram-se pelas fronteiras do Estado do Ceará não sendo mais encontrados, e o destacamento, abandonando a perseguição, seguiu para Triunfo.”
​O relato seco da imprensa da época não esconde o impacto daquele combate. A morte do cabo Silvino de Barros e o ferimento grave do soldado testemunharam a ferocidade do bando. Diante da resistência, a polícia viu-se forçada a recuar, deixando que os homens do "Rifle de Ouro" desaparecessem na vastidão que ligava Pernambuco ao Ceará, buscando refúgio onde as leis dos homens urbanos não conseguiam alcançar.
​Passagens como a de Belmonte moldaram o imaginário do Nordeste. Antônio Silvino deixou marcas profundas na terra e na memória de seu povo. Entre a fumaça do rifle e o silêncio do exílio na prisão, sua figura permanece gravada na história brasileira como o retrato vivo de um tempo em que o destino se decidia na ponta do cano e a vida valia o preço de uma bala.

https://www.facebook.com/valdirjose.nogueira

ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!

Quando estiver no trânsito, primeiro, lembre-se de lembrar que tem que se lembrar deste lembrete, para não passar por coisas desagradáveis no trânsito. 

Muito chato para você me ver sempre chamando a sua atenção. Mas é para o seu bem.

 Cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, desculpa-o, faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional. Você poderá ser vítima. 

As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! 

Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo dentro de um caixão. 

Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância, e depois que o bicho é criado, o mais difícil é matá-lo.

Imagina bem, o sujeito diante de uma arma sem ter como se livrar dela, hein? Possivelmente irá morrer.

 https://www.metropoles.com/distrito-federal/na-mira/policial-civil-atira-na-perna-de-motociclista-apos-briga-de-transito-video 

Uma confusão criada entre dois ou mais indivíduos no trânsito, muito difícil de ser apaziguada. 

Cada um quer ter razão, e uma arma poderá surgir entre eles, e alguém apertará o gatilho, e outro irá morrer. 

http://jmpminhasimpleshistorias.blogspot.com

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