Por: Ivanildo Alves da Silveira
Ivanildo Silveira e João de Sousa Lima
Encontraram o ex cangaceiro "Curió"
Pedimos ao leitor desconsiderar o trecho: "Preso, CURIÓ foi obrigado pelas volantes a cortar as cabeças de seu chefe, de Maria Bonita, Ângelo Roque e Vila Nova..." pois, não corresponde a VERDADE HISTÓRICA DOS FATOS.
Um abraço a todos
IVANILDO ALVES SILVEIRA
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC
Natal/RN.
IVANILDO ALVES SILVEIRA
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC
Natal/RN.
Para saber o destino do
"velho pássaro" não deixe
de ler este adendo de
Messier Rostand.
Procurei mais detalhes e descobri no "Diário de Pernambuco,, edição de domingo, 19 de Agosto de 1990, um dia antes, as 7:40, havia falecido no Hospital da Restauração, de embolia pulmonar, Marcos Alexandre da Costa. Ele tinha 88 anos, havia sido atropelado por um ônibus no Complexo de Salgadinho, no dia 16 de agosto de 1990.
Depois que foi solto em 1975, o então governador de Pernambuco, Moura Cavalcante lhe arranjou um emprego de marceneiro no Juizado de menores.
Margarida Krause e José Francisco de Moura Cavalcanti.
Ex-governador de Pernambuco
Morava na chamada Vila Popular, no bairro de Peixinhos, em Olinda. Havia residido anteriormente na Estrada da Caixa D'Água.
Do seu casamento, depois que foi solto, cuidou de três enteados, que lhe deram 26 netos e 22 bisnetos.
Segundo a reportagem, Curió havia nascido no dia 7 de maio de 1907, na cidade de Bom Conselho, Pernambuco.
Primeiramente, entre 2006 e 2007, eu estava trabalhando em Caicó-RN, onde conheci uma senhora que nasceu em Olinda e vivia (acho que vive ainda) na cidade potiguar e me falou que quando morava em Olinda conheceu "Seu Marcos". Passou-me algumas informações que foram corroboradas, em parte, pela reportagem. Ela comentou que sobre sua vida cangaceira, ele era extremamente reticente em comentar este assunto. Mas na região onde eles viviam todos sabiam quem foi Curió.
Rostand, João de Sousa Lima e Juliana Ischiara
Em 2007 postei
sobre este encontro com esta senhora na comunidade do Orkut "Lampião,
Grande rei do cangaço". Mas devido ao silêncio gélido "dos
gênios" que aqui comentavam sobre cangaço, achei melhor me resguardar para
depois não levar o nome de mentiroso.
A única pessoa
que se interessou e tentou encontrar alguma coisa sobre este cangaceiro em
Recife foi nosso amigo Jal Gomes. Mesmo infrutífera na sua busca, valeu pela
iniciativa maravilhosa.
Depois achei
este artigo no "Diário de Pernambuco", mas aí assunto já tinha
morrido. E agora vejo, de forma muito positiva, o amigo Ivanildo trazer este
artigo da Veja.
Lembrei-me de
outros detalhes: Se não me engano, na época em que Curió foi atropelado, a
senhora me comentou que a empresa proprietária do ónibus se chamava “Vera
cruz”, mas não tenho certeza. Que a família do ex-cangaceiro ficou revoltada,
cogitando até entrar na justiça.
Outra coisa
que ela me falou foi que em Peixinhos ele igualmente havia morado próximo a um
antigo local que foi um “matadouro”. Pessoalmente não conheço estes locais.
Seria legal nossos amigos de Pernambuco comentarem se estas informações
poderiam, ou não, terem sentido. È só o que recordo.
Analisando
esta questão do ex-cangaceiro Curió, percebemos que num primeiro momento ele
teve até sorte e sua saída chamou atenção da sociedade local. O próprio
governador pernambucano da época mandou buscá-lo em “carro oficial”, lhe
recebeu como “herói” no palácio, lhe deu emprego e o utilizou (mesmo sendo ele
analfabeto) como “garoto-propaganda” em uma feira regional de municípios.
Interessante
como estes acontecimentos apontam a mudança de percepção da sociedade
pernambucana, e por tabela a brasileira em geral, em relação ao cangaço.
Se em 1975, a
saída de um ex-cangaceiro da prisão gerava toda esta notoriedade, se ele
tivesse sido solto no final da década de 1950, certamente Curió buscaria
inicialmente o anonimato, pois seria muito mais fácil ele ser execrado
pela população como “marginal”, “bandido”, ou levar uma bala de algum desafeto.
Aparentemente,
apesar da sorte inicial, sua vida posterior deve ter sido de muitos
apertos.
Comento isso
analisando as várias fontes apresentadas neste tópico, pois mesmo com o seu
emprego de marceneiro no Juizado de Menores, ele deve ter ralado muito o
ex-cangaceiro. Vemos que primeiramente passou a residir na “Favela do Córrego
do Euclides”, em Casa Amarela, depois aparentemente na “Estrada da Caixa
D'Água”, seguindo para a “Comunidade de Peixinhos”, onde viveu próximo ao
antigo “Matadouro”, ou na “Vila Popular”. Além disso, teve de cuidar da mulher,
três enteados, vários netos e bisnetos.
Detalhe; Não
sei se procede (os colegas de Recife podem me corrigir), mas pelo que sei,
estes locais que Curió morou na Região Metropolitana de Recife, são (ou eram)
locais de alta periculosidade, de ocorrência de tráfico de drogas, etc. Mas,
pelo menos até onde se sabe o ex-cangaceiro não se envolveu com nenhum
tipo de problema envolvendo a marginalidade.
Não sei, mas
creio que Curió foi o último cangaceiro a deixar vivo (e na época
totalmente lúcido) um ambiente prisional no Brasil. Será?
Perda
de oportunidade
Fosse por que
Curió não gostava de falar, ou talvez por que em 1975 os estudiosos do assunto
“cangaço” tinham “material de sobra” para pesquisar (ainda haviam muitos dos
velhos coronéis, ex-perseguidores, ex-coiteiros, etc). Fosse por que estes
estudiosos entendiam que naquela época não valia à pena perder tempo com um
cangaceiro que, talvez, não fosse considerado “importante”, ou no bando era
apenas um "lavador de cavalos”.
Fossem por
estas ou outras razões, sei de uma coisa, para aqueles que gostam do assunto,
faltou naquela época alguém ir até este Senhor e “furar” a sua barreira de
prevenção em relação a falar sobre o seu passado.
Pesquisador e escritor João de Sousa Lima
Faltou alguém ter tido a oportunidade de ao menos tentar conseguir dele a sua memória sobre este período. Faltou naquele tempo um “batalhador da história”, como um João de Sousa Lima, que trouxe a bela a rica saga de Moreno e Durvinha.
Vemos que este ex-presidiário só ganhou notoriedade pelas suas andanças no cangaço. Provavelmente a reportagem da Veja, edição de Novembro de 1975, gentilmente postada por Ivanildo, foi publicada a partir de algum “furo” conseguido por algum correspondente da revista lotado em Recife, ou através de notícias publicadas nos jornais recifenses.
Se ele não tivesse sido o cangaceiro "Curió", a morte do aposentado Marcos Alexandre da Costa seria uma simples notinha de rodapé da cronica policial recifense.
Um abraço.
Ivanildo Alves Silveira
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
Agradecido ao João de Sousa, ao Dr. Ivanildo, ao companheiro Mendes e demais pesquisadores que com dedicação buscam e publicam informações tão necessárias para a história do cangaço. EU, QUE PEGO A CARONA DOS GRANDES PESQUISADORES, SÓ TENHO A AGRADECÊ-LOS.
ResponderExcluirAntonio Oliveira - Serrinha