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segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

O CAMINHEIRO

lerisvaldo B. Chagas, 2 de dezembro de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.018
B. CHAGAS, AO 72 ANOS. (FOTO: GUILHERME).
Deus resolveu dar uma caprichada no dia de hoje aqui no Sertão das Alagoas. Pintou o céu com nuvens de chuvas, mas nada de enviar o líquido precioso. Pareceu que o tal efeito estufa estufou mesmo o espaço, segurando forte o cabresto do vento. Foi um dia abafado em Santana do Ipanema sem arrego das frondosas árvores que refrescam a zona rural. Dia marcado para o Clero velho de guerra refletir no abrigo da caverna. 72 anos de estrada, escalando serras, vadeando rios, aspirando flores e arrancando espinhos. Para o velho a vida é curta, para o jovem, cumprida. Assim vai desfilando os arcanos nos mistérios infinitos mapeando os passos do caminheiro, suas dores, suas angústias e seus triunfos. E a reflexão da idade é boa ou ruim conforme o estado de espírito do navegante.
Estou agradecendo a Deus mais um ano de existência no privilégio da vida. E agradecendo também por não ter sido um inútil vindo a passeio ou revoltado querendo retorno. Sou grato aos milhares de ex-alunos que me deram sentido à existência. Sou grato aos milhares de leitores que seguiram comigo nos enlevos dos escritos. À infância feliz e cheia de interrogações que me forjaram para árduas e reluzentes jornadas. O clima da vida muda constantemente, assim como muda o tempo no dia atrás do outro. E quando as corujas crocitam nas noites mais escuras, é sinal que o galo logo anunciará a luz que ilumina o mundo. Para quem caminha à sombra do Mestre, não há o que temer. Assim vamos, matulão às costas, pisando as areias, a relva, o regato... Vista no horizonte, olhos nas estrelas.

Para quem passou a vida em desafio
Com suor na conquista do seu pão
Jorrando o amor do coração
Venceu da maldade o poderio.
Da bem-aventurança fez um rio
Para uso sem tempo e sem horário
As virtudes ganharam o campanário
        Elevando essa voz estremecida
        Se a vontade do Pai marcou-me a vida
Sou feliz em mais um aniversário

FIM.

ESTATUTO DO SERTANEJO

*Rangel Alves da Costa Republicado a pedido

O povo sertanejo, este compreendido como os habitantes da região semiárida do Nordeste brasileiro, numa extensão de 868 mil quilômetros, abrangendo o norte dos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, os sertões da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e uma parte do sudeste do Maranhão, inspirado por Deus na convicção de que na terra o homem é o dono do seu próprio destino e

Considerando que sobre a terra sertaneja todos nascem iguais em direitos e obrigações, sem distinção de origem, raça, sexo, cor, naturalidade e quaisquer outras formas de discriminação,

Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família sertaneja deve prevalecer sempre na consciência dos demais brasileiros e de outros povos, dos governantes, autoridades e gestores públicos,

Considerando ainda que “o sertanejo é antes de tudo um forte”, e nesta qualidade busca através do trabalho sua digna sobrevivência, através do respeito ao próximo sua pacificação social e através de suas lutas suas conquistas,
Convencionou o seguinte:

ARTIGO I

Denomina-se sertão toda a extensão semiárida de terra concedida por Deus ao homem nascido no lugar misturado às plantas e animais, tendo como limites ao norte o sol ardente da agonia, ao sul a esperança renovada com as nuvens carregadas que molham o chão, a leste o latifúndio improdutivo e a oeste as plantas que brotam do esforço do pequeno agricultor.
Denomina-se sertanejo o habitante desses limites, ser humano sem fronteiras na força e na coragem, ilimitado na sua constante busca por dias melhores em meio às intempéries da natureza e do abandono dos governantes.

ARTIGO II

Na sua condição de cidadão, deve ser finalidade de todo sertanejo praticar o bem e viver em paz, uns com os outros, como bons vizinhos, e unir as forças para manter respeitado o nome do sertão em toda e qualquer situação que possa haver desonra ao seu povo, sua história, sua geografia, seus aspectos econômicos e sociais, seus costumes, lendas, tradições e religiosidade.

ARTIGO III

O sertanejo desfrutará de todos os direitos gerais e inalienáveis relativos à pessoa humana enunciados na Constituição Federal do Brasil e nas demais legislações, garantindo-lhe o ideal comum do respeito à sua dignidade, integridade, educação, saúde, trabalho, moradia, segurança, previdência social, proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, ambiente sadio e preservação de seu patrimônio cultural, dentre outros.
O desrespeito a quaisquer desses direitos será tido como crime de lesa-pátria sertaneja e crime por omissão, considerando-se ainda a circunstância agravante do preconceito e discriminação.


ARTIGO IV

A propriedade da terra, de animais e outros bens que constituam o seu patrimônio, e deste possa usar, gozar, dispor e reaver, deve constituir o fruto maior do trabalho de quem luta de sol a sol, vencendo as dificuldades impostas e realizando-se com o pouco ou muito construído.
A posse da terra para nela morar, criar, plantar e colher, deve ser considerada verdadeira bandeira de luta do sertanejo excluído do poder de dispor desse bem maior que garanta o sustento próprio e de sua família.
Na luta pela terra, deverá ser abolida a mera detenção do bem em nome de outro ou sob instruções suas, de modo que o dono seja realmente aquele que nela trabalha e produz.

ARTIGO V

As secas e estiagens, ao lado de serem consideradas como fenômenos da natureza causados pela falta ou insuficiência de chuvas, devem também ser vistas como processos gerados pelo próprio homem, sertanejo ou não, que desmata desnecessariamente grandes extensões da vegetação nativa, destrói as matas ciliares, descaracteriza a geografia da região e interfere no curso natural das coisas em nome do progresso e do desenvolvimento.

ARTIGO VI

No cotidiano de convivência com as secas e estiagens e no combate aos problemas por estas causados, o sertanejo se valerá de suas próprias forças e das reservas que necessariamente faz para enfrentar situações de falta de alimentos e de água, e jamais será submetido ou deixará se submeter aos favores escusos dos ricos e às esmolas desmoralizantes dos políticos e governantes.

ARTIGO VII

O poder de votar e ser votado do sertanejo, na condição de cidadão no pleno exercício de seus direitos e deveres políticos, deve significar atuação ativa, crítica e consciente, e não expressão de submissão a partidos, grupos políticos ou candidatos.
O voto, enquanto instrumento democrático eletivo, sob hipótese alguma poderá ser objeto de troca por qualquer bem ou vantagem que seja entregue ou oferecida por candidato.
Deverá ser dada preferência de voto ao candidato que já tenha demonstrado ou efetivamente demonstre compromisso com a solução dos problemas que afligem a região sertaneja. Quem não possua esse perfil deverá ser expurgado da escolha do sertanejo.

ARTIGO VIII

Nenhum sertanejo poderá ser objeto de perseguição política no seu exercício profissional, ou em qualquer outra situação, em virtude de suas opiniões, preferências de voto, vinculação a grupos políticos ou filiação partidária.

ARTIGO IX

Fica decretado que doravante todo sertanejo deve ser o responsável maior pelo zelo e preservação do nome de sua região, denunciando situações de desvirtuamento dos fins da administração pública, prática da corrupção, enriquecimento ilícito, proliferação da violência e aumento da miséria e das degradantes condições de vida da população, dentre outros fatores que maculam ainda mais a imagem desse sertão já historicamente sofrido.

ARTIGO X

O presente Estatuto entrará em vigor na data em que cada sertanejo, livre e conscientemente, quiser acatar suas disposições.


Escritor
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NO TEMPO DE LAMPIÃO / NOVO GRUPO



Um Novo grupo de estudo e pesquisa sobre o Cangaço está surgindo no Facebook:

NO TEMPO DE LAMPIÃO - MEMÓRIAS DO CANGAÇO


Convido os amigos desta maravilhosa página Ofício das Espingardas, a conhecerem este novo espaço dedicado ao tema que fascina a todos nós, o fenômeno do Cangaço. Obrigado.

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2072501639506864&set=gm.1175360612628053&type=3&theater&ifg=1

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CHEFE DO GSI DIZ QUE BOLSONARO SOFREU NOVAS AMEÇAS NOS ÚLTIMOS 15 DIAS

IGO ESTRELA/METRÓPOLES

General Etchegoyen recomendou cautela na cerimônia de posse e disse que desfile em carro aberto ainda está sendo negociado

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Sérgio Etchegoyen, recomendou que o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), tenha “cautela” em toda a organização da sua segurança, inclusive em relação ao uso de carro aberto em sua posse.

Etchegoyen, depois de declarar que “até há 15 dias” novas ameaças foram feitas ao presidente eleito, e que elas continuam, disse que não está decidido se Bolsonaro irá ou não em carro aberto para o Palácio do Planalto. Segundo o ministro, “certamente, a segurança do presidente eleito, na nova administração exigirá cuidados mais intensos e mais precisos” e isso, na sua avaliação, “terá, como consequência”, o aumento do efetivo do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

“A segurança do presidente eleito exige mais cuidado? Certamente exige. Nós temos um presidente que sofreu um atentado, que vem sofrendo agressões frequentes, basta ver mídias sociais”, declarou Etchegoyen ao informar que a atual coordenação de segurança de Bolsonaro e a equipe de transição estão em contato com a equipe do Planalto, “negociando as condições” para o trabalho, no dia da posse.

CLIQUE NO LINK ABAIXO E LEIA A MATÉRIA COMPLETA

https://www.metropoles.com/brasil/politica-br/chefe-do-gsi-diz-que-bolsonaro-sofreu-novas-amecas-nos-ultimos-15-dias?utm_source=push&utm_medium=push&utm_campaign=push

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"NÃO SOU EU. É O SAXOFONE, EU SOPRO E SAI MÚSICA, ELE É A CHAVE PARA MEU COFRE DE MEMÓRIAS" #SAXSOPRANO

Cantora Francine Maria

"Não sou eu. É o saxofone, eu sopro e sai música, ele é a chave para meu cofre de memórias"
#saxsoprano

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O ENCONTRO DE PE CÍCERO E LAMPIÃO



Nova pintura do Aquarela Cangaço:

"A visita de Lampião a Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, em março de 1926, é um dos mais polêmicos capítulos do cangaço. Na ocasião, foi concedida ao “fora da lei” a patente de capitão do Exército." (Fonte: Diário do Nordeste).

Aquarela disponível pra venda
Para mais aquarelas sobre o Cangaço só seguir:



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domingo, 2 de dezembro de 2018

NO XAXADO COM LAMPIÃO A OCTOGENÁRIA ALZIRA MARQUES RECORDA OSBAILES ANIMADOS, ORGANIZADOS PELO REI DO CANGAÇO

Por Denize Guedes*
Noite de sábado para domingo, fim de setembro de 1936. Faltava só passar o pó no rosto, espalhar o perfume atrás da orelha e calçar as alpercatas. Cabelos negros e encaracolados na altura da cintura, dentro do seu melhor vestido, a menina de 12 anos, que, se os pais se descuidassem, trocava o estudo pela dança, estava pronta para o seu primeiro baile no alto sertão sergipano com o bando do cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.

Não havia escolha, só mesmo confiar na bênção da tia de criação antes de sair de casa engolindo o medo.

“Eles mandavam apanhar a gente. Vinha aquela ordem e tinha de cumprir. Se não, causava prejuízo depois”, conta Alzira Marques, que completa 86 anos em agosto. Ela lembra detalhes das incontáveis festas cangaceiras a que foi em fazendas que já não existem mais e que deram lugar à planejada Canindé de São Francisco, com o início da construção da hidrelétrica do Xingó, em 1987. Canindé Velho, como a sertaneja chama o local onde nasceu, à beira do Velho Chico, foi demolida por conta da usina, hoje fonte de renda para a cidade – atrai quase 200 mil turistas por ano com o Cânion do Xingó.

O auge de Lampião em Sergipe vai de 1934 a 1938, quando o cangaceiro foi morto ao lado de Maria Bonita e outros nove do bando, em 28 de julho, na Grota do Angico, município de Poço Redondo. “Este é o estado onde ele encontrava mais proteção, aliando-se aos poderosos locais, como o coronel Hercílio Porfírio de Britto, que dominava Canindé como se fosse um feudo”, explica Jairo Luiz Oliveira, da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço. “São os chamados coiteiros (quem dava proteção ao cangaço), políticos de Lampião. Melhor ser seu amigo que inimigo.”

Foi nas terras de Porfírio de Britto que Alzira mais arrastou as sandálias. “Na primeira vez, encontrei Dulce, que foi criada comigo em Canindé Velho e tinha virado mulher do cangaceiro Criança. Eles também eram de muito respeito e nunca buliram com gente minha. Pronto, não tive mais medo”, relembra. Temporada de baile era fim de mês, quando as volantes da Bahia e Pernambuco – as polícias mais algozes no rastro de Lampião – voltavam a seus estados para receber o soldo. “Aí os cangaceiros viam o Sertão mais livre para fazer festa”, diz.

Dia de dança, Alzira tinha de sair e voltar à noite para não levantar a suspeita dos vizinhos. Às 22 horas, punha-se a andar 2 quilômetros até o local onde um coiteiro escondia os cavalos. Outras meninas iam junto. Montavam e seguiam morro acima por uns 15 minutos. “Quando a gente chegava, ia direto dançar o xaxado, forró, o que fosse, até 4 horas da manhã.” Mesmo caminho de volta, chegava com um agrado do rei do cangaço: uma nota de 20 mil réis. “Era tanto do dinheiro, mais de 300 reais na época de hoje. Dava tudo para minha tia.”

Apesar de festeiro, não era sempre que o líder do bando dava o ar da graça. Quando ia, porém, não se fazia de rogado: no mato à luz de candeeiro, onde o arrasta-pé comia solto, brilhantina no cabelo, dançava com as moças do baile sem sair da linha. Média de 20 homens para 15 mulheres. “Ninguém era besta de mexer com a gente. Eles nos respeitavam demais. Lampião era o que mais recomendava: ‘Olha o respeito!’” Maria Bonita – que para Alzira “não era lá essa boniteza, Maria de Pancada era mais bonita” – não tinha ciúme.

O cangaceiro mais conhecido do Brasil gostava de cantar e levava jeito para compor. Quem não se embalou ao som de Olé, mulher rendeira / Olé, mulhé rendá? Ou de Acorda, Maria Bonita / Levanta, vai fazer o café? Alzira conta que era comum ele pedir ao sanfoneiro Né Pereira – outro intimado do povoado – para tocar essas canções, enquanto ele mesmo cantava. “Letra e música dele, além de ser um exímio tocador de sanfona”, confirma Oliveira.

Os bailes eram como banquetes. “Tinha comida e bebida de toda qualidade. Peixe, galinha, porco, carneiro, coalhada, bolo, cachaça limpa”, diz Alzira. Outro ponto que se notava era o aroma: os cangaceiros, que podiam passar até 20 dias sem tomar banho, gostavam de se perfumar. O coronel Audálio Tenório, de Águas Belas (PE), chegou a dar caixas de Fleurs d’Amour, da marca francesa Roger & Gallet, para Lampião. “Era perfume do bom, mas misturado com suor. Subia um cheiro afetado. A gente dançava porque era bom”, afirma a senhora, que se entrosava mais com Santa Cruz e Cruzeiro.

Mais de 70 anos depois, Alzira ainda sonha com aquelas noites e sente falta da convivência com os amigos: muitas festas aconteciam em Feliz Deserto, fazenda que Manuel Marques, seu então futuro sogro, tomava conta. Não raro, o brilho da prata e do ouro das correntes, pulseiras e anéis dos cangaceiros visitam sua memória, assim como a imagem de Lampião lendo a Bíblia num canto da festa. “Ele era muito religioso.” No seu pé de ouvido fica o xa-xa-xá das sandálias contra o chão, som que deu nome ao xaxado, segundo Câmara Cascudo, ritmo tipicamente cangaceiro que não se dança em par.

Testemunha de um período importante da história do País, conta que nunca teve vontade de entrar para o cangaço nem considerava Lampião bandido: “Não era ladrão, ele pedia e pagava, fosse por uma criação, por um almoço. Agora, se bulissem com ele, matava mesmo”. Na cidade é conhecida como a Rainha do Xaxado. No último São João, que antecipou as comemorações do centenário de nascimento de Maria Bonita (8/3/1911), foi uma das homenageadas.

Balançando-se na rede na entrada de sua casa, satisfeita com os dez filhos, 40 netos e 37 bisnetos, Alzira aponta para um dos locais onde dançou com Lampião: uns 100 metros adiante, a Rádio Xingó FM. “Continua lugar de música.” Mas e Lampião, dançava bem? “Ah, ele dançava bom.”

(Foto: Cesar de Oliveira)

*A repórter viajou a convite do Ministério do Turismo e da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa).

Publicado originalmente na coluna Brasilianas, edição nº 604 da essencial revista Carta Capital. 
link para conteúdo online: CLIQUE AQUI

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“LAMPIÃO NA PARAÍBA – NOTAS PARA A HISTÓRIA” É A MAIS NOVA E IMPECÁVEL CONTRIBUIÇÃO DE SÉRGIO DANTAS


Para adquirir esta obra entre em contato com o professor Francisco Pereira Lima através deste e-mail: franpelima@bol.com.br

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O BOTADOR DE ÁGUA DA FAZENDA ARACATI.

Benedito Vasconcelos Mendes 

Toda a água utilizada na casa grande (sede da Fazenda Aracati) vinha de uma cacimba cavada na areia do leito seco do Rio Aracatiaçu, que distava uns dois quilômetros da casa. Um lote de cinco jumentos graúdos e gordos da raça Pêga, três machos e duas fêmeas, cada um levando quatro ancoretas de paubranco, com capacidade para 25 litros cada, transportavam toda a água de beber e para o gasto (água para lavar louça, para banho, para dessedentar as aves domésticas (galinhas, perus, patos, capotes e marrecas) e para outras finalidades. 

Na cozinha ficavam duas cantareiras, uma com duas grandes jarras de boca larga e feitas de barro para guardar água para cozinhar e outra com dois pequenos potes de água de beber. No canto do banheiro, sobre um pequeno elevado de cimento, localizava-se uma grande jarra com capacidade para 4 latas (vasilhame de querosene de 18 litros) de água para banho. No fundo do alpendre, na lateral direita da casa, defronte à porta que dava para o quintal, situavam-se duas grandes jarras de água para abastecer os animais (aves, cachorros, gatos e as gaiolas dos passarinhos). Toda água que chegava da cacimba era coada em um pano de tecido de algodão (algodãozinho), com elástico. Cada pote tinha uma tampa de madeira, que era colocada sobre o pano de coar. A água para banho era retirada da jarra com o auxílio de uma cuité, a água para os animais, com uma cuia de cabaça grande e a água do pote de beber com uma caneca de zinco de borda dentada, para evitar que alguém bebesse diretamente na caneca. Sobre o pote, pendurado na parede, havia um porta copos, que mantinha as canecas de alumínio com a boca para baixo. Cada caneca tinha o nome da pessoa gravado, com a ponta de uma faca. No banheiro, o vaso sanitário não tinha descarga, sendo necessário despejar uma ou duas cuias grandes de água, para fazer a limpeza. A assepsia do ambiente era feita com creolina. 

O botador d’água era o Seu Galdêncio, irmão da mulher do vaqueiro Chicó, solteirão, que naquela época já aparentava uns 75 anos de idade e que toda vida morou na casa da irmã. Ele era muito vagaroso e seu único trabalho era abastecer a casa com lenha e água. Ele tangia os animais com as ancoretas vazias até a cacimba e lá, com o auxílio de um grande funil de zinco e uma cuia, enchia as ancoretas com água da cacimba e voltava para a casa do meu avô. Os jumentos eram muito mansos e afeitos a este tipo de trabalho. Cada animal carregava uma sinetinha de bronze no pescoço. Os jumentos eram milhados em mochilas de couro curtido de boi. O Seu Galdêncio usava um relho (chicote) de tanger burro, mas não batia nos animais, pois estes obedeciam o comando de voz e o estalo do chicote no chão. 

Seu trabalho de cortar e transportar a lenha era realizado uma vez por semana. Ele cortava a lenha no mato e depois ia buscar nos animais, com cambitos sobre a cangalha. Ele mantinha a foice e o machado bem amolados, pois ele os afiava em uma grande pedra de amolar, existente na sombra de um Juazeiro, no terreiro da casa. 

As roupas da casa de meus avós, roupa de vestir (calças, camisas, cuecas, lenços, pijamas, vestidos, anáguas, combinações, calcinhas, sutiãs e camisolas) e os panos de cama, mesa e banho (lençóis, redes, colchas de cama, toalhas de banho, toalhas de mesa, panos de prato e outros), eram lavadas com sabão preto (sabão da terra), sobre uma pedra no Rio Aracatiaçu. Depois de lavadas, as peças de roupa eram colocadas para corar no sol, estendidas sobre a areia do rio. Para levar e trazer as trouxas de roupa, da casa para o rio e vice-versa, a lavadeira, que era a irmã do botador d’água, usava os animais com as ancoretas que iam pegar água na cacimba, no leito do rio. As trouxas de roupa eram colocadas sobre as ancoretas. Dona Ritinha, quando ia bater (lavar) roupa no rio, levava para merendar um naco de queijo de coalho, um pedaço de rapadura e uma cabaça de água para beber. 

 Seu Galdêncio cuidava muito bem dos animais, tanto ofertando bons alimentos e boa água como evitando pisaduras (ferimentos) que pudessem ser provocados pela cangalha. A cangalha era colocada sobre uma esteira espessa de surrão de palha de carnaúba, cheia de junco (ciperácea que cresce nas lagoas). Nos cabeçotes da cangalha colocava-se dois ferros, um em cada cabeçote, para receber as aselhas das ancoretas. Cada jumento atendia por um nome e entendia o linguajar do Seu Galdêncio, principalmente o sinal auditivo para parar “aííí” e o estalo do chicote no chão, mandando iniciar a caminhada.


Enviado pelo professor, escritor e pesquisador do cangaço Benedito Vasconcelos Mendes

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LUIZ BACCI É INTERNADO PARA CIRURGIA DE URGÊNCIA E DEIXA O CIDADE ALERTA

Por Paulo Victor

O jornalista e apresentador Luis Bacci foi internado às pressas neste sábado (01) no hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

Apresentador do Cidade Alerta, na Record, Bacci teve uma crise de apendicite e precisou se submeter a uma cirurgia de urgência. Segundo informações do colunista Flavio Ricco, do Uol, o jornalista não tem previsão de alta.

“A operação transcorreu normalmente. Ontem eu não estava bem, achei que era virose. 

Agora dependo do médico para me liberar”, disse Luiz Bacci em entrevista.

A publicação também destacou que Luiz Bacci apresentou o Cidade Alerta na sexta-feira (30) com sacrifício. Em recuperação, o apresentador desfalca o jornalístico, uma das maiores audiência da Record TV e que frequentemente tem batido a Globo na audiência.

https://portalovertube.com/2018/12/02/luiz-bacci-e-internado-para-cirurgia-de-urgencia-e-deixa-o-cidade-alerta/

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AGRADECIMENTO!


Por Wasterland Ferreira

Há cerca de uma semana tive a imensa satisfação de receber do meu queridíssimo amigo Aderbal Nogueira este documentário precioso: Angico, 80 anos depois.

O referido documentário foi inteiramente produzido por Aderbal, que é um dos maiores documentaristas do Brasil (certamente o mais importante documentarista do Nordeste), e dono da Laser Vídeo Produções, com sede em Fortaleza, Ceará.


Há uma semana Aderbal Nogueira deu-nos (a todos nós pesquisadores e estudiosos do Cangaço, e à todo cioso pela temática, enfim), a oportunidade de conferir a riqueza dos depoimentos colhidos por ele de alguns personagens históricos presentes no episódio funesto de Angico, onde morreram Lampião, Maria Bonita e mais 9 cangaceiros, além da morte do Soldado PMAL Adrião Pedro de Souza. Aderbal contou também com a colaboração de pesquisadores do quilate de um Jairo Luís de Oliveira, de Piranhas, Alagoas.


Desde quando o renomado historiador e escritor Frederico Pernambucano de Mello, tido como a maior ou uma das maiores autoridades no estudo histórico e científico do Cangaço no Brasil apresentou-se no programa Conversa com Bial (jornalista Pedro Bial), na Rede Globo de Televisão e divulgou seu novo livro intitulado "Apagando o Lampião. Vida e Morte do Rei do Cangaço", a ser lançado na próxima semana pela Global Editora, e mais, a revelação bombástica da identidade do suposto "matador do cangaceiro Lampião", e que seria o soldado Sebastião Vieira Sandes (integrante da tropa policial volante sob o comando do Aspirante PMAL Francisco Ferreira de Mello), e sobrinho-Neto da baronesa de Água Branca, Joana Vieira de Siqueira Sandes, reacendeu-se a antiga polêmica sobre a verdadeira identidade do militar que teria ganho os louros da glória de haver abatido o Rei dos cangaceiros e sobre como todos aqueles fatos inerentes a cuidadosa operação policial militar e que resultaram no extermínio a bala de parte da famosíssima quadrilha de bandidos realmente aconteceram.


Há quase 35 anos que li pela primeira vez sobre Lampião e o Cangaço, porém no início do próximo ano completarei exatos 30 anos de leituras, estudos e pesquisas sobre o assunto, e esse vídeo-documental de Aderbal Nogueira "abriu-me mais a mente" quanto ao que refere-se a morte do grande cangaceiro, e veio-me oportunamente poucos dias após visitar a Grota do Angico, em Poço Redondo, Sergipe, local que serviu de coito a Lampião e cenário da sua violenta morte.


Entretanto, ainda não me convenceu o fato exposto no documentário aludido pelo então soldado José Panta de Godoy (também integrante da Força Policial Volante sob o comando do Aspirante Francisco Ferreira), que foi o próprio Panta que ao atirar com um fuzil na cabeça de Lampião teria-o matado.


Contudo, parabenizo o grande amigo e Mestre Aderbal Nogueira pelo excelente trabalho desenvolvido e pelo ótimo documentário, quê é deveras esclarecedor. Muito obrigado, querido amigo!

Todavia, peço-lhe desculpas pela demora em posicionar-me aqui e isto volta-se aos afazeres e por toda uma gama de demandas pessoais e profissionais que tem-me afastado um pouco das Redes Sociais.

Aguardemos o novo livro de Frederico Pernambucano de Mello, meu Mestre maior e que já conheço-o há quase 25 anos.

Um grande, forte e fraterno abraço a todos.


https://www.facebook.com/search/top/?q=wasterland%20ferreira&epa=SEARCH_BOX

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ESPERANÇA BRASILEIRA: OS “BICUDOS” VOLTAM A CANTAR LIVRES NO HABITAT DA MATA ATLÂNTICA !!


Por Luiz Serra

Praticamente extinto, o pássaro Bicudo que teve destruído seu habitat, o Bicudo de canto célebre, mais parecido som de uma flauta, já está sendo observado nas matas de São Paulo, onde era considerado extinto.
Um grupo de pesquisadores do Ibama revelou que o pássaro criticamente ameaçado, teve cerca de 200 espécies soltas há dois anos, em trabalho do Museu de Zoologia de São Paulo.

Linda imagem

Parte dos animais foram doados por criadores e sobreviviam em cativeiro, nesta condição estima-se que haja milhares de Bicudos (em gaiolas e viveiros). Havia um consenso que somente a salvação do pássaro se daria por meio de criação em viveiros.

Primeiro foram dez casais libertados numa reserva protegida do Estado de São Paulo e passaram a ser monitorados por ornitólogos e protegidos pela polícia ambiental e guardas particulares.

O teste nos anos seguintes, saber se com a expansão a caça devastadora aos Bicudos não iria reaparecer.

Bicudo. Mata Atlântica SP. Bioma Legal

O motivo da caça, o canto especialíssimo que faz com que o pássaro seja vendido em média por R$ 80 mil chegando até a R$ 400 mil...

Tanto em São Paulo, quanto no Parque Nacional das Emas, Goiás, e ainda no sul de Mato Grosso, estão sendo observados “Bicudos” que já procriam no seu habitat natural.

Bicudo. Mata Atlântica SP. Bioma Legal

Para ouvir o canto do Bicudo em criatório: entrar no Youtube e teclar: “Bicudo Chumbinho Canto Flauta Goiano”.

No mais, é ler o poema de Mário Quintana:

Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!

https://www.facebook.com/luiz.serra.14?fref=pb&__tn__=%2Cd-a-R&eid=ARDAjoBSn_wRzecGPOQfeMomy-g2qV-MQOnjISU_DFTx6t93XXxxVnRUrQdVJkUyHubXRANZUYYgGHsv&hc_location=profile_browser

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VAMOS AJUDAR QUEM NECESSITA!



O Abrigo Amantino Câmara de Mossoró está precisando da nossa ajuda. Vá lá deixar alimento, material de limpeza..., ele funciona bem próximo ao centro de Mossoró, na Igreja São José, bairro Paredões.

Nº. da conta bancária para depósito: 
Banco do Brasil agência 4687-6. 
Conta corrente: 8088-8.
Faça a sua doação a partir de 10,00 Reais. 
O dinheiro cairá em favor do Instituto Amantino Câmara.


Os idosos agradecem a sua colaboração.

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O CANGACEIRO VULCÃO

Por José Mendes Pereira

Vulcão é um cangaceiro diferente dos outros. Está sempre sozinho, vivendo o seu “eu” da maneira que ele bem pensa. Não gosta de conversa, e sempre procura não se entrosar com ninguém. Leva a sua vida isolada e pensativa, e até mesmo a sua aparência física, não se assemelha com ninguém. Diz Alcino Alves em seu “Lampião Além da Versão Mentiras e Mistérios de Angico” que Vulcão tinha uma cor morena, de corpo meio atlético, alto, corpulento e não é obeso, de cabelos lisos...

Como bom estrategista e observador o rei Lampião está de olho nele, e faz tudo para o Vulcão não perceber que ele está prestando atenção no seu comportamento. O rei precisa conversar com alguém sobre o comportamento daquele seu comandado. E chama o compadre Luiz Pedro e participa sobre o que vem tentando descobrir com urgência, o porquê do cangaceiro Vulcão está tão quieto, num lugar sem querer conversa com ninguém: E olhando para o Luiz Pedro diz:

- Compadre Luiz Pedro, eu não sei o que Vulcão está imaginando. Ele não fala com ninguém, não se entrosa com os outros e está sempre sozinho e pensativo.

- Eu vou ficar sempre de olho nele compadre Lampião, e logo direi o porquê de não querer se relacionar com os outros.

- Certo! Não desgruda o olho. Quero uma confirmação sem muita demora! – disse o compadre Lampião ao Luiz Pedro.

Neném do Ouro e Luiz Pedro

Assim que sai da barraca do capitão Luiz Pedro vai tentar vê-lo, mas foi inútil. O cangaceiro não está ali por perto. Sai procurando-o por todos os aglomerados de cangaceiros que se divertem jogando cartas, palestrando, brincando, mas infelizmente o cangaceiro Vulcão não se encontra por ali. Depois de percorrer todos os grupos Luiz Pedro vai até a barraca do cangaceiro Pancada e pergunta se por acaso não viu o Vulcão. A resposta é sempre negativa. Luiz Pedro  volta até a barraca do rei e diz que o cangaceiro Vulcão desapareceu do coito. Agora o que o rei deve fazer é ordenar que alguns cangaceiros fossem a procuras do fugitivo. Rapidamente  Lampião ordena que Luiz Pedro e outros vão atrás do Vulcão humano.

O motivo do desaparecimento do cangaceiro Vulcão é porque ele imagina outra maneira de viver no cangaço e de repente viu que não tão bom quanto ele imaginava. Estava enganado. Uma situação terrível de viver fugindo da polícia, matando, roubando, e isto não era para ele. Ia deixar aquela vida e voltar para a companhia dos seus pais, irmãos, parentes e amigos. Só tinha que enfrentar a suçuarana humana quando ele dissesse que não mais iria participar do cangaço.

E vendo que o Vulcão não está mais ali o certo é mandar cangaceiros à sua procura. Agora o Luiz Pedro, Zé Sereno e outros facínoras partem em busca do desconfiado com ordem do capitão. Luiz Pedro tem plena certeza para onde ele vai, e depois de andarem bastante, chegam à casa de um conhecido e perguntam se ele viu o cangaceiro Vulcão. Mas é negativa a resposta, que ninguém passou por ali antes deles. E logo adiante, ao encontrarem um viajante, esse afirma ter passado por um indivíduo assim, assim, assado muito diferente e que ia entrando em Canindé Velho de Cima. Sem se demorarem, os cangaceiros partem rumo ao local indicado pelo home desconhecido. A viagem tinha que ser rápida, porque caso eles se demorassem o Vulcão iria pegar transporte (balsa ou canoa), e não mais eles o alcançaria.

Vulcão continua fugindo ao destino que ele escolheu e depois de muito andar finalmente chega a Canindé Velho de China e vai para o porto e lá aguarda uma embarcação. Mas por sua infelicidade o barco não aparece e ele passa a sentir medo, coisa que fazia tempo que não tinha medo de nada. O Vulcão sabe muito bem do seu destino e se por acaso ele cair nas mãos dos perversos de Lampião que não são mais seus amigos, e sim inimigos, está lascado.

A noite chega e o Vulcão não está bem. Sente medo  e põe-se a pensar o que seria dele se os seus ex-comparsas o encontrassem por ali. Sabia muito bem que o seu final seria devastador. Está impaciente, com receio  de um possível encontro com os facínoras. Nenhum barco aparece para fugir o mais rápido possível dali. O seu destino negou-lhe a Presença da sorte ali por perto.

Uma voz conhecida diz com autoridade que ele está preso. O Vulcão tenta reagir de todas as maneiras, mas não consegue, porque são alguns cangaceiros que o seguram. Em seguida o Vulcão humano foi amarrado. A ponta de uma corda os cangaceiros amarraram o fugitivo, e a outra ponta foi amarrada em um dos seus cavalos. Vulcão não tem mais chance de se livrar daquela desgraça. A viagem até a presença do capitão Lampião é sofredora, porque os cangaceiros não têm um tico de dó do ex-companheiro.

Vulcão já está cansado e cai. Mesmo assim o cavalo é ordenado que siga. É a partir daí que o sofrimento do Vulcão começa. O corpo do miserável já está todo rasgado, sangue vivo sai pelas aberturas do corpo. Na caminhada vai ficando pedaço de pele do infeliz nos bicos das pedras, paus...

Lá mais adiante os malfeitores chegam a uma casa, a mesma que tinham passado antes e receberam respostas negativas. Lá está havendo um forró, e os facínoras bebem e dançam. O infeliz Vulcão já quase morto é amarrado com os braços para cima, temendo uma possível fugida, e voltam ao forró. Vez por outras alguns saem do forró e com a ponta do punhal furam o quase falecido. Vulcão não tem mais resistência nem para pedir que não o maltratem mais. Está com cheiro de velório. 

À noite para o Vulcão é terrível. Mas o Vulcão não vai ser morto ali. O capitão Lampião precisa do cabra em sua frente. Pela manhã, já todos cheios de pingas chegam com o miserável ainda vivo. Lampião está ali, aguardando a sua chegada. Mas ele ordena que o matem sem nem fazer uma revista no miserável. Os facínoras chicoteiam o cavalo que sai sem rumo arrastando aquele infeliz pelas terras do sertão sofrido. O estado que o Vulcão fica é triste se ver, porque o sangue sai por todas as partes do corpo. O cangaceiro Luiz Pedro quando percebe que o animal para, mande uma criança, "Hercílio Feitosa", que estava com eles ir buscar o animal.

Mesmo Vulcão tendo resistido todo este sofrimento, só morreu porque o Luiz Pedro o matou com um tiro de pistola. 

Hercílio Feitosa a criança que foi buscar o cavalo que arrastava "Vulcão", por ordem de Luiz Pedro, muitos anos depois, é quem narra esse triste e cruel fato ao pesquisador Alcino Alves Costa.

Fontes de pesquisa:

 “LAMPIÃO ALÉM DA VERSÃO – Mentiras e Mistérios de Angico” – COSTA, Alcino Alves. 3ª Edição. 2011

Sálvio Siqueira - http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2017/01/a-morte-de-um-desertor.html

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