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terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

A IMPONENTE BORDA DA MATA E SEU COMANDANTE, ANTÔNIO CAIXEIRO


Fazenda Borda da Mata em Canhoba, Sergipe

Todas as andanças por entre os territórios pisados e vividos pelos reis das caatingas são preciosos. Cada cenário e; uns mais que outros; dependendo de seu peso e sua memória e o quanto contribuiu para o momento histórico se tornam emblemáticos. Chegamos em Sergipe, uma das "capitanias hereditárias" do rei do cangaço, Virgulino Ferreira da Silva em seu segundo reinado.

Era o dia 20 de janeiro de 2018, um sábado ensolarado e quente, partimos de Aracaju ainda pela manha, ao lado dos pesquisadores Archimedes e Elane Marques rumo ao município de Canhoba, a 125 km da capital sergipana, terra do enigmático e poderoso coronel Antônio Ferreira de Carvalho, ou: Antônio Caixeiro.

 Sob as bençãos do Cruzeiro da Borda da Mata, a imensidão das terras que um dia foram o feudo de Antônio Caixeiro
Manoel Severo e Archimedes Marques na Borda da Mata

Quem estuda cangaço e se debruça sobre a historiografia desse fenômeno no estado de Sergipe, terá em Antônio Caixeiro e seu filho Eronildes Carvalho, dois de seus mais destacados personagens. A partir de 1929 quando Lampião atravessou o rio São Francisco iniciando um novo ciclo em sua vida fora da lei, os contatos com a família e o poder dos Carvalho, de Canhoba, tendo a frente o patriarca Antônio Caixeiro vieram a ser determinantes para os novos rumos tomados pelo rei cego.

Não raramente vamos encontrar episódios marcantes acontecidos em terras abençoadas pelo potentado sergipano de Canhoba. Suas propriedades, notadamente as famosas fazendas, “Borda da Mata” e "Jaramataia" eram pouso comum dos vários grupos cangaceiros comandados por Virgulino Ferreira da Silva. Eram perto das 10 da manha quando enfim chegamos ao centro do município de Canhoba, dali mais quinze minutos em estrada de terra batida, aportaríamos na lendária e imponente fazenda Borda da Mata.

Coronel sergipano Antônio Caixeiro em foto do acervo de Lauro Rocha
No vilarejo defronte a fazenda Borda da Mata, a praia fluvial no São Francisco
 Ingrid Rebouças e a vista do rio São Francisco a partir de um dos cômodos da fazenda Borda da Mata

Vamos recorrer ao Mestre Alcino Alves Costa para entender a ligação de Virgulino Ferreira com Sergipe e seus coronéis: " Foi em Sergipe que Lampião alcançou o maior apogeu de sua vida bandoleira. Foi o coronel dos coronéis; foi soberano, temido, respeitado por todas as autoridades; amigo dos homens mais influentes do Estado. Poderosos senhores, tais como os coronéis Hercílio Britto; Antônio Caixeiro, que era o pai de governador de Sergipe, Eronildes de Carvalho; era amigo dos famosos fazendeiros da Serra Negra, Pinduca e João Maria, ambos eram irmãos do temido tenente Liberato de Carvalho, famoso militar do exército brasileiro que caçava tenazmente os grupos bandoleiros e fez parte do histórico “Fogo da Maranduba”, em janeiro de 1932; e muitos outros homens de enorme importância e influência na terra sergipana."

E continua Alcino:"O poder de Lampião era tão grande que ele teve a ousadia de dividir partes do Estado de Sergipe nos moldes das antigas sesmarias, colocando seus principais homens, como se fossem sesmeiros, à frente de vastas glebas de terras, por exemplo: na região que compreende os municípios de Frei Paulo, Carira, em Sergipe, e Paripiranga, na Bahia, o domínio de Zé Baiano; em Porto da Folha, Gararu e N. S. da Glória, o senhor daquelas terras era o cangaceiro Mariano, em Poço Redondo e Monte Alegre de Sergipe, o domínio era de Zé Sereno e em Canindé, o poder estava nas mãos de Juriti."

A imensidão das terras da Borda da Mata em Canhoba
 Nos detalhe da Borda da Mata o registro de uma época e sua gente...

Logo que se chega ao vilarejo do distrito, sendo acompanhado pelas margens do São Francisco se avista de longe a imponente "Borda da Mata" que se agiganta sobre uma pequena e estratégica elevação, de onde certamente seu mandatário mantinha as terras e os homens sob sua vigilância inconteste. A atmosfera do lugar é simplesmente espetacular, sob o testemunho do grande rio e a brisa forte típica da caatinga, estávamos pisando um solo sagrado da historia nordestina.

A edificação hoje em ruínas ainda mantém seu glamour e sua força. A Casa Grande reflete o poderio econômico dos Carvalho, os cômodos se sucedem cheios de detalhes de decoração nas antigas paredes, arcos e fachadas principais, permitindo-nos viajar no tempo e voltar aos idos dos anos 20 e 30 quando de Canhoba a dinastia Carvalho, de Antônio Caixeiro e seu filho, Capitão de Exercito, médico e depois interventor do estado, Eronildes de Carvalho, mandavam em Sergipe.  

Eronildes Ferreira de Carvalho é um dos filhos mais de ilustres de Canhoba.Nasceu na Borda da Mata em abril de 1897. Formou-se pela Faculdade de Medicina da Bahia em 20 de dezembro de 1917, filho de Antônio Caixeiro e interventor de Sergipe.


De pé: Ezequiel, irmão de Lampião, Calais, Fortaleza, Mourão e o menino Volta Seca. Sentados : Lampião, Moderno, Zé Baiano e Arvoredo.

O pesquisador Kiko Monteiro nos auxilia e traz o escritor cearense Nertan Macedo que entrevistou o interventor Eronildes de Carvalho justamente quando da primeira passagem de Virgulino ainda em 1929 na Borda da Mata ao lado de 20 homens e foram "anfitrionados" pelo poderoso coronel. "Lampião conhecia “os Carvalho” desde a sua juventude. Quando percorreu a maioria dos caminhos que viria a fazer mais tarde como bandoleiro. Revendendo nas fronteiras de Alagoas e Sergipe, como simples almocreve conheceu a família. E agora já como poderoso chefe cangaceiro, aproveitou para visitar o Coronel. Sabendo do poder do grande comerciante Lampião pediu abrigo e comida, sendo prontamente atendido, onde lhe foi autorizado o abate de rezes etc, mas que seus moradores e contratados não fossem molestados por seus homens."
E continua Kiko Monteiro "Eronildes foi apresentado a Lampião em agosto de 1929, durante os dias em que se restabelecia de uma enfermidade na fazenda Jaramataia propriedade de seu pai no município de Gararu. Algumas biografias dão conta de que esse encontro se deu “antes” de ele estar com Caixeiro. Outras que foi numa visita do interventor até a Borda da Mata. A ordem dos fatores… Em ambas há um mesmo parágrafo: Trocam cumprimentos e o Dr. faz a Lampião uma indagação que entrou para galeria das “máximas cangaceiras: – “Então, como devo chamá-lo, capitão ou coronel? Porque eu também sou capitão e deve haver aqui uma hierarquia – como oficial do exército não posso ser comandado pelo senhor”. Lampião compreendeu a malícia e replicou– “Pois desde já o senhor está promovido a coronel”.
Uma das fotos clássica do Rei dos Cangaceiros, usada muitas vezes como "salvo conduto" foi feita na fazenda Jaramataia pelas lentes de Eronildes Carvalho.
 Neste chão pisaram os poderosos de Sergipe e suas sombras...cangaceiros 
Imagens de uma das partes internas da Casa
A visita à fazenda Borda da Mata ciceronizado por uma das maiores autoridades sobre a historiografia do cangaço em Sergipe; o pesquisador e escritor Archimedes Marques; foi um grande presente para mim, havia muito tempo que desejava conhecer as famosas terras de Antônio Caixeiro e seu filho Capitão Eronildes, fato me proporcionado pelo querido casal Archimedes e Elane. 
Sem dúvidas quando somos privilegiados com momentos como esse não se pode negar o tamanho da emoção e de todas as sensações que nos invadem. Sergipe o menor estados do Brasil em território foi sem dúvidas um dos territórios onde o Rei do Cangaço mais se sentia em casa, perpetuando a partir dali mais 9 anos de vida cangaceira. Para entender melhor a presença do cangaço em Sergipe, teremos no próximo Cariri Cangaço a se realizar em Fortaleza no mês de abril, o lançamento do segundo volume da obra de Archimedes Marques, o magistral "Lampião e o Cangaço na Historiografia de Sergipe". 
Manoel Severo, 20 de Janeiro de 2018 Canhoba-SE

ARMAS.

Crédito da imagem: Surplus Rifle Forum - www.surplusrifleforum.com.

Em alguns artigos do Fabio Carvalho, ele nos apresenta que a partir da metade dos anos 20, Lampião é convidado a combater a Coluna Prestes, recebendo a patente de capitão e armamentos. Segundo o nosso autor, a atitude do governo de fornecer armamentos modernos, foi responsável por mais uma década da permanência do cangaço no agreste nordestino. Segue uma imagem dos fuzis de fabricação alemã e belga, fornecidos para os militares brasileiros e presenteados para o grupo de Lampião.


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CANUDOS E ANTÔNIO CONSELHEIRO: BATE-PAPO COM BRUNO PAULINO


Fonte: You Tube
Canal: Blog do Felipe Nunes

"É impossível passar por Canudos
sem ler Euclides"
Bruno Paulino

Bruno Paulino; poeta, pesquisador e escritor
Presidente da AQUILETRAS
Coordenador do Cariri Cangaço em Quixeramobim

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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

GECAPE REALIZA REUNIÃO ORDINÁRIA EM RECIFE E EXIBE O FILME "CANGACEIRO GATO".


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Aconteceu na manhã do último dia 15 de fevereiro mais uma reunião do GECAPE- Grupo de Estudos do Cangaço de Pernambuco. Foi a 6a.reunião ordinária no auditório da Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco, e nesta oportunidade assistimos o excelente filme documental intitulado Cangaceiro Gato. Um rastro de ódio e de sangue, seguido de um interessante debate a respeito do personagem central do filme e bem como da própria produção apresentada. O filme aqui exposto foi dirigido e produzido pelo historiador, pesquisador e escritor João de Sousa Lima, a maior autoridade no que toca a participação feminina no universo cangaceiro e uma das grandes referências nacionais no estudo do tema.Em seguida demos continuidade à pauta da reunião, onde discutimos os assuntos de sumo interesse do Grupo.
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 Reunião do GECAPE em Recife 
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Nota de agradecimento:

A Presidência do GECAPE- Grupo de Estudos do Cangaço de Pernambuco agradece a presença de todos que participaram (alguns tiveram sua ausência muito bem justificada), e de modo especial agradecemos ao confrade Ailton Mattos, pela confecção e cessão do lindo banner, em cuja estampa há uma bela foto da Grota do Angico (local da morte de Lampião e Maria Bonita...), sob o nome do nosso Grupo de Estudos - GECAPE. Portanto, Ailton, muitíssimo obrigado! Nossos agradecimentos especiais também seguem aos novos membros do GECAPE: o Dr. Herbert, e o Dr. Armando Umbelino. Sejam muito bem-vindos!

Agradecemos também ao confrade, Dr.Evandro Duarte de Sá, professor-titular da UNIVISA - Universidade de Vitória de Santo Antão, pela doação do livro biográfico Benjamin Abrahão. Entre Anjos e Cangaceiros, 1a.edicão 2012, pela Escrituras Editora, e de autoria do historiador e escritor Frederico Pernambucano de Mello. A obra doada é destinada a compor a biblioteca do GECAPE. Não podemos deixar de agradecer a tamanha gentileza da administração da insígne BPE em sempre nos ceder o espaço às reuniões e de nos suprir de toda a logística necessária. Segue nossos sinceros agradecimentos aos funcionários Hélio (gestor da BPE); Roberta Alcoforado (gestora da BPE); Sandra Veríssimo (chefe do departamento de eventos culturais) e André, quê hoje nos deu plena assessoria. A todos estes, nosso muito obrigado. Finalmente, muito gratos somos a todos os amigos confrades e confreiras do nosso GECAPE- Grupo de Estudos do Cangaço de Pernambuco.

Wasterland Ferreira Leite.
Presidente do GECAPE.


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DUITE - O HOMEM DO CHOCALHO - POR ONDE ANDA?

Por José Mendes Pereira
Foto do Relembrando Mossoró

Em anos remotos, quando a Prefeitura Municipal de Mossoró patrocinava o carnaval de Mossoró npelas avenida do centro da cidade este senhor Duíte conhecido como "O Homem do Chocalho" ele saía no meio dos fuliões apelas com este chocalho atado na cintura e, assim ficou sendo conhecido como o homem do chocalho.

Eu mesmo nem sabia se ele ainda era vivo, mas informa Relembrando Mossoró que atualmente ele está com a saúde abalada e mora no bairro Bom jardim. E informa ainda que dos colegas ferroviários vivos, ele é um dos mais idosos, juntamente com Dionísio Bento (Carneiro) maquinista aposentado. O mais Idoso era um senhor chamado de João Firmino que faleceu a 14 dias aos 102 anos.

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FALECE EM MOSSORÓ ANTONIO BATISTA IRMÃO DE ZÉ DA VOLTA



A escritora e jornalista Lucia Rocha nos informa que Antônio Batista dos Santos irmão de Zé da Volta, morador do Conjunto Vingt Rosado faleceu hoje em Mossoró. Ele era um fiel colaborador do irmão, inclusive, quando trabalhou nos Correios, na Volta do Fio, de onde veio o nome Posto da Volta. 

O velório será a partir das 13 horas na SEMPRE, em frente ao Tiro de Guerra. Em breve informaremos sobre o enterro, porque depende da chegada de familiares. 


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Por Antônio Corrêa Sobrinho

AMIGOS,

O “Jornal de Recife”, na sua edição de 25 de fevereiro de 1926, transcreveu a matéria (abaixo) publicada dias antes, em 13 de fevereiro, pelo jornal “Gazeta de Juazeiro”, onde lemos uma entrevista concedida por Lampião a um senhor chamado Francisco Xavier, na localidade Poço Brejo dos Santos, quando este cangaceiro e seus comandados viajavam para o Juazeiro Norte, no Ceará, para estar com Padre Cícero, encontro que de fato ocorreu nos dias iniciais de março daquele 1926.

Causou-me espécie o fato desta publicação não ter sido divulgada pela imprensa em geral, salvo, dos que eu tive acesso, por este diário pernambucano; tampouco foi sequer mencionada pelos pesquisadores e autores do Cangaço. Ao contrário da entrevista dada por Lampião ao senhor Otacílio Macedo, nos dias 5 e 6 de março, já em Juazeiro, alardeada pela imprensa nacional.

Teriam sido as causas apontadas por Lampião, nesta entrevista, as que levaram Lampião ao poderoso Padre Cícero, qual seja, a de formar na região um exército a fim de declarar guerra aos estados de Pernambuco e Paraíba, e, com isso, no final, conseguir ser anistiado?

Leiam a reportagem e fiquem à vontade para expor o que acham a respeito, afinal de contas este é um grupo criado com o propósito de estudar o cangaço.


OS CANGACEIROS NO CEARÁ
O JORNAL DO PADRE CÍCERO FORNECE INTERESSANTE INFORMAÇÕES SOBRE “LAMPIÃO” E SEU BANDO.

O CÉLEBRE BANDOLEIRO ANDA FARDADO DE CORONEL. O SEU ESTADO-MAIOR. – TAMBÉM ESPERA ANISTIA! – INTERESSA-SE PELA LEITURA DOS JORNAIS

O BANDITISMO NOS SERTÕES



Da “Gazeta de Juazeiro” transcrevemos a seguinte notícia sobre o bandido Lampião e seu bando:

Tem chegado a Juazeiro levas e levas de imigrantes vindos de Pinhacó e outros pontos da Paraíba, corridos pelos bandos de malfeitores que têm devastado aquela região matando, roubando, lançando o terror por toda a parte.

PEDINDO A PROTEÇÃO DO PADRE CÍCERO

Todos vêm pedir a proteção do padre Cícero e se obstinam em permanecer no Juazeiro, único ponto onde se julgam a salvo do banditismo.

Os grupos que têm operado na região acima citada são os de Lampião, de Araújo e Sabino, confederados num total de 45 homens, os quais de volta de Aurora, penetraram na Paraíba e depois das mais terríveis depredações, voltaram ao Ceará para, em seguida, internar-se nos sertões do Pajeú, Pernambuco.

A “Gazeta” colheu impressionante reportagem a respeito de Lampião, chefe dessa confederação de bandidos, ao passar com o seu bando por Brejo dos Santos, na direção de Pajeú.

Estava o Sr. Francisco Xavier no seu sítio Poço Brejo dos Santos, quando apareceu ali numeroso grupo de bandidos pedindo-lhe pousada. Vinham todos a cavalo e estavam armados até os dentes.

O Sr. Xavier não pôde deixar de dar pousada aos estranhos hóspedes que se mostraram desde logo sem cerimônia, tomando conta da casa.

Como era natural, entabulou-se conversação entre o dono da casa e os bandidos.

LAMPIÃO FAZ A SUA APRESENTAÇÃO

Lampião fez a sua apresentação nestes termos:

- Eu sou o coronel Lampião, o homem mais valente do Brasil.

Em seguida, apresentou os principais do bando.

- Aqui o meu estado-maior: major Horácio Neves, meu secretário... capitão fulano... tenente sicrano.

De fato estavam fardados como verdadeiros militares, cada um apresentando as divisas dos seus imaginários postos.

Coronel, que anda fazendo por aqui com sua tropa? – perguntou Xavier, em tom respeitoso, dirigindo-se a Lampião.

RECRUTANDO GENTE PARA A GUERRA

- Ando recrutando gente para a guerra...

Xavier não compreendeu bem a resposta e Lampião se pôs a conversar desembaraçadamente expondo todos os seus planos com desassombro.

- Por ora somos 32 homens, 32 que você está vendo e mais 20 que mandei a uma diligência (incendiar as propriedades de um fazendeiro na Paraíba). Vim ao Ceará somente recrutar gente para a guerra. Pretendo agora no Pajeú completar uma força de 200 homens para atacar uma cidade importante de Pernambuco, a fim de aumentar o número de homens a 1000. E dizendo isto mostrou uma porção de rifles e munição que levava de sobressalência para distribuir com os novos recrutas. As condições do engajamento eram as seguintes: Lampião daria um rifle com munição, fardamento e 100$000 em dinheiro ao recruta e este então que fizesse pela vida daí por diante.

- E para que o coronel quer tanta gente? – indagou Xavier curioso.

- Não lhe disse que é para a guerra? – tornou Lampião. Quero juntar 1000 homens para declarar “guerra oficial” aos Estados da Paraíba e Pernambuco. Hei de fazer uma guerra tão violenta a estes Estados que o meu nome ficará na História.

- E não tem medo do governo federal?

Lampião riu ironicamente.

À ESPERA DE ANISTIA

- Nós não sabemos o que é medo. O meu plano é resistir como um leão até o governo nos conceder anistia.

Xavier estava de queixo caído. Todavia, Lampião prosseguiu:

Agora vou lutar a descoberto. Estou aborrecido de caminhar por veredas. Só andarei agora pelas estradas e faço questão de encontrar-me com os “macacos” do governo.

As pessoas que nos deram estas informações são as mais respeitáveis possíveis, e nos significaram que esta atitude inesperada de Lampião está com o seu caráter profundamente modificado, talvez devido à celebridade que o seu nome tem ganho.

Nas horríveis depredações da Paraíba, era dos chefes o mais generoso e moderado, na expressão do “O Rebate” de Cajazeiras que, na edição de 7 do andante, noticiou os ataques aos sítios Cipó e Catingueira.

AS SIMPATIAS DE LAMPIÃO PELO CEARÁ

No Ceará deu 500$ para o conserto de uma capela, deu mais 100$ de esmola a uma velhinha e obrigou um dos seus bandidos a restituir 60% que roubara a um pobre lavrador.

A primeira selvageria de Lampião parece diminuiu um pouco. A preocupação de deixar o nome na História, a vaidade que o leva a arquitetar “planos políticos” o tornaram mais humano.

Uma farda de coronel do Exército, meias de seda, camisa palha de seda, lenço também de seda ao pescoço, passado num anel de brilhante, relógios, pulseira nos dois punhos, bornal e cartucheira ataviados com moedas de ouro, chapéu de abas largas, ao modo dos bandidos do cinema.

MANIA PELOS JORNAIS

Nas pousadas, enquanto um toca harmônica e os outros jogam moedas de ouro no chão onde se espalham como tapete as mantas dos cavalos, o major Horácio Neves lê as últimas notícias dos jornais para o coronel Lampião que o ouve atentamente, interrompendo-o aqui e ali para fazer os seus comentários sempre galhofeiros.

A última mania de Lampião são os jornais. Gosta de ver o seu nome em letra de forma e interessa-se especialmente pelas notícias relativas aos revolucionários de Isidoro aos quais vota um verdadeiro culto de admiração.

A evolução do bandido se completa. Depois de tentar contra a segurança do Estado.

Quando terminará no Nordeste a vergonha do banditismo?

Do “Correio do Ceará”, 13.02.1926
Jornal de Recife - 25.02.1926


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VÍTIMAS DO CANGAÇO.



Dona Anália Ferreira Costa, hoje com 97 anos de idade, natural de Água Branca em Alagoas, atualmente residindo em Araçatuba no estado de São Paulo, relembra o dia em que teve a casa de seus pais invadida e saqueada por cangaceiros.

Em um depoimento exclusivo que foi gravado recentemente para o canal (YouTube) CANGAÇOLOGIA, dona Anália Ferreira conta em detalhes os fatos que sucederam naquele dia em que ela e sua família passaram por momentos de medo e tensão, quando estiveram nas "mãos" dos cangaceiros do bando de Lampião.

São histórias como essa que ainda hoje me impressionam e me "transporta" ao cenário e momento dos acontecimentos.

Garanto que vale muito a pena conferir.

Até lá.

Cortesia: Mazinho Quevedo (Programa "Estação Viola brasil (Band Mais).



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A VACA DE MEU AVÔ PAI CHICO


Por Veridiano Dias Clemente

Eu tomei leite da vaca
Daquela vaca de pai Chico
Há muito tempo tô rico
De tanto ter sabedoria
Quando abria a porteira
Vinha a vaca na carreira
Com o chocalho da alegria

Eu chamei a minha tia
Pra apear a danada
Ela deu uma pontada
A titia caiu no chão
Veio gente pra socorrer
A tia querendo morrer
E eu morrendo de risão

Tiramos dez garrafadas
Da bela vaca holandesa
Leite gostoso beleza
Tomei logo uns dois goles
De leite fresco na horinha
Pedi benção a madrinha
Com pai Chico ninguém bole

Chame o povo toque o fole
E vamos para o São João
Vai ser festa com emoção
Para a vaca lavandeira
Vai ser na base do whisky
Gosto e bebo sempre disse
Começo na sexta feira

Poeta Verí de Caruaru
malabarista de palavras


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O CANGACEIRO DELFINO


Por Por Washington Luiz de Araújo, jornalista

Outro dia, minha irmã Tania me pediu que enviasse pelo zap uma foto de família constante num livro. Procurei, revirei nos meus desorganizados guardados e não encontrei a tal imagem. Depois, lembrei que o livro poderia estar com nossa mãe, Inez, pois eu o teria deixado com ela desde a época em que meu pai, Luiz, estava vivo. Sim, estava. Mas encontrei outro exemplar com meu amigo, fotógrafo Américo Vermelho.

Bom, o tal do livro é “Iconografia do Cangaço”, organizado por Ricardo Albuquerque. E qual o interesse de minha família por esta obra? Simples. Meu tio avô, José Delfino, está numa foto juntamente com dezenas de amigos. Ele fazia parte do bando de Lampião.

E vejam que meu tio avô materno está bem na foto, a um “cabra” do Lampião. Ele é o número três, que está com uma corneta na mão. E teve sorte o cangaceiro Delfino, pois não perdeu a cabeça como a maioria do bando, inclusive o próprio Lampião.

Minha mãe conta que seu pai, meu avô Manoel Delfino, foi até o bando certo dia, tirou o irmão de lá e o escondeu na casa de uns parentes.

Desta forma, Delfino pôde se casar, ter filhos e filhas, morrer de doença, já velhinho e não jovem e degolado.
Eta família arretada e de sorte!

OBS-1: Foto pescada no Google.

OBS-2 - O interessante nessa matéria, era que nenhum pesquisador/escritor, sabia qual teria sido o "FIM' , desse famoso cangaceiro. Agora, está explicado, por um neto do mesmo/jornalista.

Abs!


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domingo, 16 de fevereiro de 2020

MISSISSIPI COM JAINE - PARA DESOPILAR


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GECC PROMOVE REUNIÃO EM FORTALEZA


Sob o comando do pesquisador e escritor Angelo Osmiro Barreto o GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceara, realizou na noite desta última terça-feira, 11 de fevereiro de 2020, mais uma reunião ordinária, na residência do cientista Melquiades Pinto Paiva. 

A pauta da reunião, além de informes sobre os novos lançamentos de obras sobre o cangaço e assuntos ligados ao tema, contou com o lançamento do cordel.

"Chuva de bala no país de Mossoró que expulsou o Rei do Cangaço Virgulino Ferreira Lampião" do poeta Matheus da Silva, cearense da cidade de Jaguaruana. A referida obra  já havia sido lançada em 2019 na feira do livro em Mossoró. 


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VEM AÍ O ESPETACULAR "COMO VIVEM OS BRAVOS" - HOW THE BRAVE LIVE

Por Manoel Severo

Realizado pela STORYKNIGHT Audiovisual Entertainment Enterprise em associação com a Toque de Midas Produções, Ogunté Arte Cultural Produções, Ipalma, MV Moises Veloso Studios, Instituto Icapuí Filmes e JLS Comunicação e Editora, em parceria com a Prefeitura Municipal de Palmácia/CE através da Secretaria Municipal de Cultura em ação conjunta com a Casa da Cultura e Escola de Artes Casulo, o longa-metragem cearense do gênero Nordestern intitulado COMO VIVEM OS BRAVOS (2020) - precedido por ONDE NASCEM OS BRAVOS (2017) - é o segundo capítulo da "Trilogia do Silêncio" sobre a saga do pistoleiro Mumbaca e do cangaceiro Alfinete, dando continuidade em QUANDO MORREM OS BRAVOS (2021).
COMO VIVEM OS BRAVOS teve sua avant première em exibição aberta ao público na Praça 7 de Setembro (Paço Municipal), cidade de Palmácia, Estado do Ceará, no dia 21 de dezembro de 2019.

Gravado em formato Digital 4K e com recursos limitados, sem apoio de leis de incentivo, editais ou patrocínios, COMO VIVEM OS BRAVOS foi possível através de parcerias e da colaboração de diversos atores e técnicos. As gravações, na sua maioria, foram realizadas em 2017 no Sítio Olival e noutras regiões do município de Palmácia/CE. Em 2018 retomou as filmagens na Fazenda Pinhão, onde estão localizados os estúdios da STORYKNIGHT Audiovisual Entertainment Enterprise, no município de Quixeramobim/CE, e no Sítio Jardim do Éden, em Icapuí/CE, nos estúdios do Instituto Icapuí Filmes. Em 2019, encerrou a produção na Fazenda Serrote do município de Caridade/CE, contando com o apoio logístico da Prefeitura Municipal.

Apresentação de "Onde Nascem os Bravos" no CineTeatro São Luiz dentro do Cariri Cangaço Fortaleza 2018; com Jonas Luis da Silva,de Icapuí; 
Manoel Severo e Daniel Abrew.

No dia 28 de abril de 2018, o Cariri Cangaço apresentou a seus convidados , a exibição em grande estilo do primeiro capítulo da trilogoa; a noite foi com a película Onde Nascem os Bravos, de Daniell Abrew; ator, cineasta, roteirista e produtor. Daniell é cearense de Quixeramobim e aos 7 anos de idade iniciou seus primeiros trabalhos cinematográficos em curta-metragem na fazenda do avô localizada no interior do Ceará, em Quixeramobim, onde passou a maior parte de sua infância. Em 2005 foi diretor de Centopeia, o primeiro longa-metragem do gênero ficção-científica do Ceará lançado nas salas de cinema em 2008 e relançado em 15 de janeiro de 2010 no próprio Cine São Luiz.


A apresentação naquela noite foi precedida por um debate tendo como mediador e mestre de cerimonia, Manoel Severo; curador do Cariri Cangaço; além do cineasta e produtor Jonas Luiz da Silva, de Icapuí, e io próprio diretor, Daniell Abrew. Em suas palavras, Jonas Luis falou da trajetória de Daniell Abrew desde os tempos iniciais de um sonhador espetacular até os dias de hoje como consagrado cineasta de uma nova geração de cineastas cearenses, para logo em seguida o próprio Daniell Abrew dá as boas vindas aos convidados do Cariri Cangaço em Fortaleza.

Imperdível:
Como Vivem os Bravos
 (How The Brave Live) 
PRÉ-ESTREIA - CINETEATRO SÃO LUIZ
18 de Fevereiro de 2020
19H - Entrada Gratúita

http://cariricangaco.blogspot.com

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VEM AÍ A SEGUNDA EDIÇÃO DO CONCURSO LITERÁRIO "ANTÔNIO, O CONSELHEIRO DO BRASIL" AQUILETRAS E CARIRI CANGAÇO


A Academia Quixeramobinense de Letras, Ciências e Artes (AQUILETRAS), em parceria com o Instituto Cariri Cangaço, realizará a segunda edição do concurso literário "Antônio, o Conselheiro do Brasil".

Conforme o edital, poderão participar alunos do 1º, 2º e 3º anos, devidamente matriculados em escolas públicas ou privadas em 2020. Neste ano, o tema será "A história que não se rendeu: As lutas de Antônio Conselheiro nos dias atuais", devendo obedecer às regras de um texto dissertativo-argumentativo (artigo de opinião). A entrega dos trabalhos deve ser feita até o dia 04 de março, na Associação Luz e Vida à pessoa com câncer, na Avenida Dr. Joaquim Fernandes, Nº 706, no Centro, das 9h às 17h. O resultado será divulgado no dia 06 de março, e as premiações, que variam conforme as colocações, serão entregues em sessão da AQUILETRAS alusiva ao evento Conselheiro Vivo.
Premiações:

1º lugar

R$ 200,00, medalha e certificado, assim como o professor orientador também ganhará medalha e certificado. A escola do vencedor receberá placa de congratulação.

2º lugar

150,00 R$, medalha e certificado, assim como o professor orientador receberá medalha e certificado.

3º lugar

100,00 R$, medalha e certificado, assim como o professor orientador receberá medalha e certificado.


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EM JUNHO A EMOÇÃO DO CARIRI CANGAÇO PAULO AFONSO 2020

Por Manoel Severo

Nunca um cenário foi tão místico e desafiador...Do Lendário Raso da Catarina; da nação Pankararé; às belezas da Malhada da Caiçara; berço da Rainha do Cangaço, do Brejo do Burgo a Lagoa do Mel, da bela Serra do Umbuzeiro às ruínas da Casa de Generosa... da magnifica Angiquinho às estonteantes turbinas de Paulo Afonso... Esse chão é cheio de história, memória e tradição:

Bem vindos ao Cariri Cangaço Paulo Afonso
11 a 13 de Junho de 2020.
Nem pense em perder.

Realização: Cariri Cangaço, IGH Instituto Geografico e Histórico de Paulo Afonso e Prefeitura Municipal de Paulo Afonso.
Apoio: SBEC - ABLAC - GECC - GPEC

Manoel Severo - João de Sousa Lima


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ESTA ARMA ERA REAL.

Do acervo do pesquisador do cangaço José João Souza

Punt gun era o nome da descomunal arma, A punt gun foi inventada no século 19, era uma escopeta gigante. Podia ter até 3 metros de comprimento - grande demais para um indivíduo carregá-la sozinho ou atirar do ombro. Era preciso atirar a partir de uma base, geralmente um bote especialmente adaptado.

E suas vítimas não eram – até onde se tem notícia – humanos. Ou mesmo animais grandes, como ursos ou elefantes. O alvo eram prodigiais patos. E, para eles, era uma arma de destruição em massa. Mais de 50 aves podiam tombar a cada disparo - era capaz de lançar meio quilo de chumbinho e liquidar uma revoada inteira de patos selvagens de cada vez.

Ela foi bastante comum nos Estados Unidos até 1890, quando a maioria dos estados aboliu a prática para evitar a extinção dos animais. Em 1918, a caça comercial de animais selvagens foi banida por uma série de leis federais.

Do site: AH - AVENTURAS NA HISTÓRIA


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FREI DAMIÃO EM TAPEROÁ-PB NO ANO DE 1969(INCRÍVEL)


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