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sábado, 3 de fevereiro de 2024

ETERNO ZÉ DE JULIÃO.

Por Rangel Alves da Costa

Ontem (quarta-feira), andejando pelos sertões de Poço Redondo e mais uma vez visitando as Pedras da Bastiana, local onde foi encontrado o corpo sem vida do político, ex-cangaceiro Cajazeira, e cidadão poço-redondense José Francisco do Nascimento, O ETERNO ZÉ DE JULIÃO.


Adquira este livro com o autor através deste e-mail: 


Ou através do e-mail abaixo, com Francisco Pereira Lima, o Ilustre professor Pereira, lá na cidade de Cajazeiras, no Estado da Paraíba:

 franpelima@bol.com.br. 

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FREI DAMIÃO, O OUTRO SANTO DO SERTÃO.

 Por Rangel Alves da Costa

A fita de Juazeiro é milagrosa, a rapadura de Juazeiro é abençoada, um retrato ao pé da estátua é motivo de orgulho e devoção. Por que assim acontece? Ora, o povo sertanejo cria os seus próprios santos. Não adianta, por exemplo, alguém negar a santidade e o poder milagreiro do Padim Pade Ciço. É o santo do sertanejo, do nordestino, do beato e da rezadeira. O Vaticano sequer precisa oficializar sua santidade. Santo já é. O mesmo vem ocorrendo com Frei Damião, o missionário capuchinho que hoje tem pedestal garantido nos casebres e casinholas, nas casas de fazenda, nos oratórios e nos corações sertanejos. E tanto Padim Ciço como Frei Damião operando milagres, pois até mesmo o milagre é mais fruto da crença e da devoção do que da ação prática transformadora de uma situação.

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RELEMBRANDO A CASA VELHA DO CURURIPE (E OUVINDO UMA IMPORTANTE LIÇÃO).

Por Rangel Alves da Costa

Eu nem imaginava que um dia construiria a Casa de Pedra nas proximidades, e já gostava de passear pelas terras da histórica Fazenda Cururipe, já na posse dos herdeiros de Seu Odon. Perante os meus passos e meu olhar, tudo ali era belo, instigante, convidativo ao conhecimento do mundo sertanejo. Ora, no passado pertenceu a Julião do Nascimento, pai de Zé de Julião, famoso ex-cangaceiro e político de Poço Redondo. No Cangaço, Zé de Julião foi apelidado de Cajazeira, e sua esposa Enedina continuando com o mesmo nome. Julião do Nascimento era um dos mais ricos de Poço Redondo, pois além do Cururipe também era dono da Maralina e de outras grandes propriedades. Após os anos 50 do século passado, o Cururipe passou a pertencer a diversos donos, até ser adquirida por Seu Odon, cujos herdeiros permanecem com parte de suas terras até os dias atuais. Mas a velha sede não existe mais. No local da velha casa apenas escombros, um monte de restos de telhas, madeira carcomida e retorcida e punhados de barro esfarelando. Logo abaixo dos escombros, de repente surge um velho candeeiro, um pedaço de foice ou facão, uma desgastada tira de um chicote. Quando ainda estava em pé, mesmo já se dobrando pelo peso dos anos, muitas vezes adentrei suas portas (sempre acompanhado por um dos filhos) atrás de relíquias e velharias. E muito consegui. Hoje, quem passa pela estradinha do Cururipe e avista outra velha casa na vizinhança da outra, logo imagina ser a mesma. Mas não é. Esta casa pertence a Zé Wilson, filho de Seu Odon, que mantém o local como relíquia familiar e para guardar mantimentos para o cuidado do gado, pois tem um curral bem ao lado. Esta casa também está tão velha que mais parece da mesma idade da outra já desabada. O segredo para que ainda se mantenha de pé me foi revelado pelo próprio Zé Wilson: “Aquela outra casa velha só foi desabando porque quase ninguém mais entrava lá dentro. E casa velha quando se sente abandonada, é como se fosse entristecendo, esmorecendo, e perdendo suas forças de vez, até desabar. E o mesmo vai acontecer com essa aí. No dia que eu fechar suas portas ou aparecer apenas de vez em quando, não demora muito e ela vai cair. Por isso que mesmo estando assim velhinha, todo dia sua porta é aberta e vai entrando e saindo gente. Parece que a casa sente. Parece que depende disso para continuar em pé”. Achei interessantíssima tal explicação. E ele tem plena razão: “Parece que a casa sente”. Sente mesmo! Na foto abaixo, eu na velha e já desabada casa do Cururipe.

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ALCINO E RANGEL NO MARANDUBA.

Por Rangel Alves da Costa

Em anos diferentes, nas terras históricas e cangaceiras do Maranduba, em Poço Redondo, e tanto o pai como o filho testemunhando a fascinante paisagem que em 32 foi cenário e palco de um dos maiores combates da história do Cangaço: o Fogo do Maranduba. Guarnecidos por sete umbuzeiros, com os cabras divididos nos sombreados e arredores de cada um, o bando de Virgulino Lampião fez o chão tremer e fragorosamente derrotou nada menos que duas das mais afamadas volantes, a comandada pelo pernambucano Mané Neto e a liderada pelo baiano Liberato de Carvalho. “Taca fogo, taca fogo!”, gritava Lampião, enquanto a bala zunia e o sangue da soldadesca espargia.

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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

FOTO DE UMA FORÇA VOLANTE COMBATENDO CANGACEIRO.

 Guilherme Velame Wenzinger (Moderador).

Foto original de uma força volante pernambucana encontrada por uma prima da jovem Francine Paula, na casa de sua tia-avó, "Mazinha", em Inajá(PE). Francine é dona de uma página no Instagram que fala sobre coisas do sertão. 

Essa foto foi doada pelo Tenente Pompeu Aristides de Moura ao avô de Francine. O Ten. Pompeu era tio do avô dela. A foto tem uma dedicatória escrita a Manoel Lacerda Lima.

Segundo Francine, o Ten. Pompeu é o segundo agachado da direita para esquerda.

Acervo: Francine Paula e família.

 https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/?multi_permalinks=2364924777049786

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ONDE, COMO E QUANDO ACONTECERAM AS MORTES DOS CANGACEIROS FERREIRAS.

 Por José Mendes Pereira

O primeiro Ferreira abatido em combate e que era irmão do ainda não capitão Lampião, foi o Levino Ferreira da Silva, o Vassoura, que era o segundo filho de dona Maria Sulena da Purificação, e primeiro do pacato José Ferreira da Silva.  

José Bezerra Lima Irmão e João de Sousa Lima.

Mas o escritor e pesquisador do cangaço José Bezerra Lima Irmão, garante em seu livro "Lampião a Raposa das Caatingas", que Antônio Ferreira da Silva era também filho de José Ferreira. 

Cangaceiro Antônio Ferreira da Silva.

Vamos apreciar o que disse o pesquisador e historiador do cangaço Geraldo Júnior, sobre a morte do então cangaceiro Levino Ferreira, o Vassoura: 

UM BREVE RESUMO SOBRE A MORTE DE LEVINO FERREIRA “VASSOURA” IRMÃO DE LAMPIÃO.


Por Geraldo Júnior

No dia 04 de julho de 1925, Lampião e seu bando chegam à Fazenda Melancia (Flores/PE) para um ajuste de contas com o proprietário de nome Zé Calú que estava sendo acusado por populares de molestar sexualmente suas próprias filhas.

Zé Calú previamente julgado e condenado por Lampião é violentado pelos cangaceiros que lhe impõe os mais terríveis castigos.

Nesse intervalo de tempo uma Força Policial Volante paraibana é acionada e parte em direção à localidade onde naquela ocasião encontravam-se os cangaceiros. 


A Volante comandada pelos Sargentos José Guedes e Cícero Oliveira chega à fazenda Melancias, e de lá parte em direção à localidade Baixa do Juá, no caminho passando por um Sítio chamado Tenório (Flores/PE) dá-se o encontro entre a Força paraibana e os cangaceiros. Um forte e violento combate entre Volantes e cangaceiros é travado e ainda no princípio do tiroteio o Sargento Cícero Oliveira é ferido mortalmente com um tiro na testa.

O confronto segue até o escurecer e durante a noite o tiroteio cessa. A tensão, a apreensão e o suspense se fazem presente nos dois lados. Gritos e insultos ecoam no silêncio da noite.

Ainda na penumbra da noite um cangaceiro do alto de uma pedra se expõe xingando e atirando contra os Soldados. Nesse momento um Soldado chamado Belarmino de Morais vendo apenas o vulto do cangaceiro devido o lusco-fusco atira contra o alvo e o bandoleiro é silenciado com um tiro certeiro. Sabe-se depois que o cangaceiro morto era Levino Ferreira “Vassoura”. Lampião sofre a primeira baixa da família em combate.


Ao amanhecer duas Volantes pernambucanas comandadas pelo Capitão José Caetano e pelo Sargento Higino Belarmino juntam-se à Força paraibana e o tiroteio novamente tem início.

Lampião e parte de seus comandados conseguem escapar deixando no campo de batalha três corpos sem as cabeças, pratica utilizada para dificultar a identificação dos cangaceiros mortos.

Levino Ferreira era apontado como o mais truculento, impulsivo e afoito dos irmãos Ferreira. Sua coragem e ousadia beiravam os limites da insanidade e foi justamente devido a sua imprudência que pagou com sua própria vida.

Lampião ainda seguiria no cangaço por pouco mais de treze anos. Seu ódio e desejo de vingança contra as polícias tomava grandes proporções e muitos ainda iriam sentir na pele o frio da lâmina de seu punhal.

Nas quebradas do Sertão.
Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador do Grupo).

O segundo Ferreira abatido foi o Antônio Ferreira da Silva. Vamos apreciar o que diz o escritor e pesquisador do cangaço João de Sousa Lima, sobre a morte do Antônio Ferreira:

A MORTE DE ANTÔNIO FERREIRA CHEGA AO CARIRI CANGAÇO FLORESTA

 Por João de Sousa Lima

João de Sousa Lima comanda a Caravana Cariri Cangaço no Poço do Ferro

 Dia 19 de abril de 2015, saí de Paulo Afonso na companhia dos amigos Josué Santana e Leide Soares, para nos encontrarmos com o casal de amigos Marcos de Carmelita e a professora Silvana, residentes na cidade de Floresta, Pernambuco, onde iriamos realizar uma visita técnica para registrar mais um dos pontos históricos que farão parte dos roteiros apresentados durante o evento Cariri Cangaço, encabeçado por seu curador, Manoel Severo. A pesquisa de campo teve como objetivo o mapeamento geográfico e histórico de um dos mais importantes fatos que marcam as histórias do cangaço na região pernambucana.

Um dos pontos mais visitados por Lampião e seus cangaceiros foi a fazenda Poço do Ferro, de propriedade do coronel Ângelo da Gia. A fazenda, na época do cangaço, pertencia a cidade de Floresta e hoje pertence a Ibimirim. A fazenda não teria tanta importância para os pesquisadores do cangaço se lá tivesse sido apenas mais um dos inúmeros coitos dos cangaceiros. Nessa fazenda o Rei do Cangaço perdeu seu irmão Antônio Ferreira. Dirigimo-nos para Poço do Ferro, sendo guiado por Marcos de Carmelita, porém sem conhecermos ninguém da localidade, assim como parentes que ainda residem por lá.

Quando avistamos a pequena placa com o nome da fazenda, paramos em uma cancela, abrimos e seguimos a estreita estrada. Mais a frente encontramos um casebre onde reside o senhor João David da Silva, sua esposa Maria das Graças e os filhos Joaquim e Graziela. O João David nos recepcionou, serviu água e nos levou ao lugar onde foi enterrado o Antônio Ferreira.

Uma pequena formação de pedras e uma cruz marca o local da sepultura. 

Marcos de Carmelita, João de Sousa Lima e Josué sendo recebidos pelos descendentes de Ângelo da Gia

Fizemos algumas fotos e fomos até a casa grande da fazenda, onde estavam  neta, bisnetos e trinetos de Ângelo Gomes de Lima, o Ângelo da Gia. Na casa grande fomos recebidos por Washington Gomes de Lima, bisneto do coronel. Um fato interessante é que disseram que não seriamos bem recebidos pela família e confesso que de todos esses anos de pesquisas e entrevistas, nunca tive uma receptividade tão calorosa como a que recebemos da família.

Travamos um diálogo em uma festiva roda de conversas, tendo por depoentes a neta do coronel e matriarca da família, a senhora Eunice Gomes  Lima e suas filhas Ruth Gomes Lima Laranjeira e Maria do Socorro Gomes Lima Cordeiro e ainda, do trineto João Vítor Gomes Lima. As histórias foram muitas mais sempre voltávamos ao episódio principal: a morte de Antônio Ferreira e a perseguição sofrida pela família e imposta pelas volantes policiais.

 Ângelo da Gia e a Caravana Cariri Cangaço na casa grande da fazenda...

Uma das informações importantes nos forneceu Washington que contou que dois dias depois da morte de Antônio, uma volante chegou na fazenda Poço do ferro, descobriu o túmulo do cangaceiro morto, desenterrou-o e cortou a cabeça e colocou em uma estaca da porteira do curral do casarão do coronel. Quando a polícia saiu o coronel mandou enterrar a cabeça no antigo cemitério da família. Antônio Ferreira tem, portanto dois túmulos, sendo um para o corpo e outro pra cabeça.

Virgolino e Antônio Ferreira

Em janeiro de 1927, Antônio Ferreira, Jurema e mais alguns cangaceiros estavam jogando baralho na fazenda Poço do Ferro, enquanto Luiz Pedro descansava em uma rede. Antonio pediu pra ficar um pouco na rede pois Luiz já fazia tempo que estava deitado. Quando Luiz Pedro tentou levantar da rede apoiando a coronha do mosquetão no chão, apoiou com força e na batida a arma disparou atingindo mortalmente Antônio. Lampião estava na Serra Negra e quando foi avisado correu pra saber da verdadeira história. O próprio coronel Ângelo da Gia contou que a morte havia sido de “SUCESSO” (termo que servia para designar um acidente). O cangaceiro Jararaca queria matar Luiz Pedro e os outros que estavam no lugar, Lampião não aceitou e por isso discutiram e Jararaca deixou a companhia de Lampião e seguiu outro rumo.

Locais onde foi morto Antônio Ferreira e porteira onde sua cabeça foi exposta...

Fala-se que foi aí o juramento que Luiz Pedro fez dizendo que seguiria Lampião até sua morte. Se verdade ou não a promessa, eles morreram juntos na fria manhã do dia 28 de julho de 1938. Na fazenda Poço do Ferro ainda restam as velhas pedras escuras que circundam covas das pessoas de várias gerações da família e duas dessa simbolizam a passagem do cangaço em suas terras. 

No final da conversa nos convidaram para um farto almoço regado a galinha cabidela, bode assado, arroz e feijão de corda. Porém o que mais me marcou nessa visita foram os sorrisos dos membros da família, que mesmo tendo sofrido os abusos e as injustiças de uma época tão marcada pela violência, não perderam suas essências de sertanejos valorosos e, sabem como poucos, receber calorosamente, aos que buscam os filetes de suas memórias históricas... Dona Eunice, Washington, Ruth, Maria Socorro e João Vítor, Deus proteja sempre vocês.

João de Sousa Lima, Historiador e escritor

Membro da ALPA- Academia de Letras de Paulo Afonso

Membro da SBEC- Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço

Conselheiro Cariri Cangaço

http://cariricangaco.blogspot.com/2015/04/a-morte-de-antonio-ferreira-chega-ao.html

O terceiro Ferreira abatido, foi Ezequiel Ferreira da Silva. Vamos apreciar o que diz o escritor e pesquisador do cangaço Âmgelo Osmiro, sobre a morte do Antônio Ferreira da Silva:

A MORTE DE EZEQUIEL FERREIRA (PONTO FINO) IRMÃO DE LAMPIÃO.

Por: Ângelo Osmiro (Fortaleza-CE)

Ezequiel Ferreira era exímio atirador, daí o apelido de " Ponto Fino". Irmão mais novo de Lampião, seria o último a entrar no cangaço, isso por volta de 1927, com menos de 18 anos de idade, permanecendo, até por volta de 1931.

Ezequiel Ferreira da Silva

A volante comandada pelo tenente ARSÊNIO, tendo obtido informações de que os cangaceiros estariam numa fazenda próxima à sede do município de Jeremoabo/BA, segue para as imediações com cerca de 15 homens. Chegando lá, entram em contato com um morador da região conhecido por Manoel Preto, esse após longa conversa, diz que os cangaceiros estão por perto.

O tenente em virtude do cansaço da viagem, da sede e da fome da tropa, resolve, ali mesmo, perto de uma cacimba, matar a fome e a sede que os estão desfalecendo.

Alguns soldados desarreiam e ficam despreocupados, aguardando para pegar os inimigos de surpresa. Escutam o tilintar característico de CHOCALHOS, mas nada desconfiam, pois pensam tratar-se de alguns animais aproximando-se para beber água, na verdade, ERA MAIS UM DOS ARDILOSOS PLANOS DE LAMPIÃO, aproximando-se dos inimigos com chocalhos, FAZENDO-OS CRER QUE UM REBANHO ESTAVA CHEGANDO PARA BEBER ÁGUA.

Pegando a volante (policiais) de surpresa, a fuzilaria foi geral, caindo mortalmente feridos vários soldados. O tenente ARSÊNIO que na ocasião portava uma metralhadora hot kiss, foi rápido na reação, evitando um desastre ainda maior, conseguindo atirar e, devido à rapidez dos tiros, assustam-se os cangaceiros, mas a metralhadora enguiçou, e o tenente, é obrigado a correr, mesmo assim tira o engate da arma, deixando-a sem utilidade.

Na rajada de metralhadora disparada pelo Ten. Arsênio, foi ferido mortalmente EZEQUIEL, o irmão de Lampião, sendo varado várias vezes pelas balas da volante, fato esse presenciado pelo cangaceiro ÂNGELO ROQUE, o mesmo Labareda, tendo dito:

- " Eu garanto que vi o oio bom de Lampião chorando. Nisso, cumpadre Lampião falou:

- "Perdi o gosto de ser cangaceiro. Mataram meu irmão " - Disse Lampião.

Os valores que EZEQUIEL carregava (dinheiro, joias etc...) Foram doados por Lampião a uma namorada do morto, que segundo informações estava grávida do mesmo, naquela ocasião.

Mas aí não termina a história. No ano de 1984, surgiu em Serra Talhada, um senhor de idade avançada, hospedado na casa do Sr. Genésio Ferreira, primo de Lampião, dizendo ser EZEQUIEL, e que teria ficado no grupo até julho de 1938, quando Lampião fez uma reunião, para comunicar aos companheiros que abandonaria o cangaço, e com ele, fugiram disfarçados: o próprio Ezequiel; Luiz Pedro e mais Félix da Mata Redonda, tendo Ezequiel permanecido no Estado do Piauí, enquanto Luiz Pedro e Lampião tomaram o destino de Goiás, onde esse teria morrido no ano de 1981.

Segundo o Sr. Luiz de Cazuza, com quem tivemos a oportunidade de conversar algumas vezes, em sua casa, na Fazenda São Miguel/Serra Talhada, ele estava com EZEQUIEL na casa de Genésio Ferreira. Em uma dessas conversas com ele, achava mesmo que se tratava do irmão de Lampião, pois respondeu algumas coisas que lembrava com precisão, embora a respeito de outras, não lembrasse, o que o deixou em dúvida. Mas, o Sr. Luiz de Cazuza contou-nos fatos que somente eles presenciaram e foram lembrados pelo velho com riqueza de detalhes, deixando-o ainda mais intrigado. Seria Ezequiel?

O escritor e pesquisador Hilário Lucetti também esteve com o suposto EZEQUIEL, e disse não ter dúvidas de que se TRATAVA DE UM IMPOSTOR.

Essa é mais uma polêmica que divide os pesquisadores do cangaço.
Particularmente, acredito que EZEQUIEL morreu no combate travado com o Ten. Arsênio no interior da Bahia.

Adendo: Ivanildo Silveira (Natal-RN).

COMPAREM AS FOTOGRAFIAS E DEIXEM SUAS OPINIÕES.

Fonte: facebook

Página: Geraldo JúniorO Cangaço

O último Ferreira abatido, foi o capitão Lampião, quando atacado pelas volantes comandadas pelo tenente João Bezerra da Silva, na madrugada do dia 28 de julho de 1938, na Grota do Angico, na cidade de Porto da Folha, atualmente Poço Redondo, no Estado de Sergipe. 

https://www.youtube.com/watch?app=desktop&v=f3Vdxy8P8iw

Lampião e seus comparsas estavam se levantando das suas barracas, quando foram surpreendidos pela grande quantidade de tiros saída da metralhadora e fuzis, sem nenhuma chance de reagir contra os seus perseguidores. 

João Ferreira dos Santos - http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2023/09/joao-ferreira-irmao-de-lampiao.html

Mesmo não tendo sido cangaceiro em nenhum momento, dos Ferreiras só sobrou o João Ferreira dos Santos, o qual, obedeceu o pedido de Lampião, que ficasse cuidando das suas irmãs.

https://www.youtube.com/watch?v=ISn1AzuERc8&ab_channel=OCanga%C3%A7onaLiteratura

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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

O BATISMO DE LAMPIÃO

 Por Fatos na Histórias

https://www.youtube.com/watch?v=A1-vZKiimos&ab_channel=FatosnaHist%C3%B3ria-Canga%C3%A7oeNordeste

Narrativa sobre a ocasião do batismo de Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião. Referências:

"Batismo de Lampião", por Paulo Lampião - Via blog "Cariri Cangaço" Imagens:

Cariri Cangaço

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CONHEÇA COMO ACONTECEU O CASAMENTO DE JOSÉ FERREIRA E MARIA LOPES, PAIS DE LAMPIÃO...

 Por José Mendes Pereira


Se você quiser saber como aconteceu o casamento de José Ferreira da Silva e Maria Sulena da Purificação, ou simplesmente, dona Maria Lopes, pais do capitão Lampião, adquira com urgência esta grande obra escrita por José Bezerra Lima Irmão, um trabalho de alto nível, com 11 anos de pesquisas e uma grande demanda. É o maior livro sobre cangaço que já foi organizado e publicado aqui no nosso Brasil. 

Cabeleira ou José Gomes foi o primeiro cangaceiro do nordeste brasileiro, que teria nascido no ano de 1751 e foi .

Uma obra completa, que fala sobre o mundo cangaceiro, desde José Gomes, até os últimos dias do cangaceiro Corisco. E muito mais histórias fantásticas você irá encontrá-las neste livro. 

O cangaceiro Corisco - Morreu no dia 25 de maio de 1940. 
Foi o último cangaceiro do nordeste brasileiro.

José Gomes, o Cabeleira considerado como sendo o primeiro cangaceiro do nordeste brasileiro, teria nascido no ano de 1751, em Glória do Goitá, pertencente à Vitória de Santo Antão, cidade da zona da mata pernambucana. Juntamente com os seus comparsas o Cabeleira casou e batizou em sua região nordestina.

Afirmam que no dia 1º. de setembro do ano de 1773, Jose Gomes ao lado do pai Joaquim Gomes, e outro delinquente de nome Teodósio, tiraram o sossego do Estado de Pernambuco, usando a covardia com assaltos e mortes, mais o roubo de armazém. 

O sanguinário foi um dos mais notórios bandidos do fim do século 18, e era famoso por causar mortes e realizar assaltos no estado de Pernambuco ao lado do pai.

Quem mais escreveu sobre o bandido Cabeleira foi o escritor e folclorista Franklin Távora, que lançou seu livro "O Cabeleira no ano de 1876. Posteriormente, sua vida passou a ser escrita através de poesias por João Cabral de Melo Neto.

"Os crimes de Cabeleira chegaram aos ouvidos das autoridades portuguesas, que foram contatadas pelo governador José César de Menezes em comunicado oficial sobre a situação social de Pernambuco.

Sua trajetória de crimes acabou quando, fugindo da polícia, se esconde num canavial em Paudalho, na zona da mata, e foi capturado. Na justiça, foi condenado à forca pelos assassinatos e roubos, sendo executado no Largo das Cinco Pontas, dentro da capital". 

Adquira já através deste endereço eletrônico: franpelima@bol.com.br.

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CORDELIZANDO COM DIDEUS SALES #121 PARA VOTAR CONSCIENTE

 Do acervo do poeta e repentista José Di Rosa Maria

https://www.youtube.com/watch?v=m1gzQYZhZIA&ab_channel=DideusSales

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A CANGACEIRA SILA E O SEU AFLHADO MACACO

 Por Alfredo Bonessi

Quando vi Sila pela primeira fez, fiquei um bom tempo olhando para ela. Ela me mostrou uma foto quando ainda era jovem, no tempo do cangaço. Olhei atentamente a fotografia e disse a ela: a senhora era muito bonita, se eu estivesse por lá roubava a senhora do Zé Sereno. Ela se virou de lado e respondeu: óooooooooooóh.
Sila cangaceira
Depois mostrei a ela algumas fotos do bando de Lampião: ela  não soube me dizer quem eram os cangaceiros da fotografia. A impressão que me causou era que escondia algo. Notei um certo nervosismo em  seu comportamento. Aparentando calma e muito desconfiada, falava pouco  e não respondia a quem se dirigia a ela.  Em um jantar em uma churrascaria de Fortaleza, quando o GECC a recepcionou, estava  na mesa mais de 25 pessoas e mais de duzentos ouvintes ao redor de nós, ela ficou todo tempo perto de mim e da minha esposa, e após o jantar,  quando roncou o fole de  uma sanfona,  falei:
-Vamos dançar madrinha! 
Ela me respondeu na bucha e secamente:                                 
- Vá dançar com a tua mulher!                                                
Foi o que eu fiz.                                                                
Outros encontros se sucederam na mesma semana.
Quando eu chegava e pedia a bênção a ela:                                    
- A bênção, madrinha!                                                                   
Ela respondia:                                                                            
- Jamais pensei que fosse ter um afilhado macaco.

Em uma viagem cultural a cidade de Maranguape-Ceará, quando ela foi recepcionada pela população em um ginásio de esportes, onde havia mais de trezentos espectadores,  ela queria falar e não podia, a platéia  não fazia silêncio,  ela perdeu a calma e falou diretamente a população comprimida   e inquieta que olhava para ela:
- Que povo mal educado, eu nunca vi um povo tão mal educado que nesse esse!
As palavras dela  soaram como um raio -  foi como se dessem uma chicotada na multidão. Um estrondo e um vozerio  tomou conta da platéia. Tomei o microfone da mão da Sila e gritei para ela:
- Madrinha !  cuidado!  -  eles matam a gente aqui!!!!
Pegando da palavra, agradeci a presença de todos, elogiei a população do Ceará e principalmente a de   Maranguape, dei uma ensaboada e passei a palavra para  a Sila. A Secretaria de Educação do Município  se levantou da platéia e veio em minha direção, pouco menos de 3 metros de distância,  e cochichou para mim:
- O senhor falou em boa hora, se não as coisas iam  se complicar aqui, ia ser uma  brigaiada na certa.
Todas as vezes que eu estive com a Sila  foi o mesmo silêncio por parte dela com relação ao cangaço e eu sabendo do sofrimento que ela tinha passado  não perguntei mais nada, mas guardei bem as queixas que ela sempre fazia do marido
Zé Sereno cangaceiro esposo da Sila
Zé Sereno, dando a impressão que ela  nunca gostou dele. Também pudera, a menina fora levada de casa com 14 anos de idade, na marra, segundo ela, mas as vezes a gente tinha a impressão que ela foi a convite dele mesmo,  porque no cangaço se encontravam três irmãos.  Ela alega que se não fosse, o  Zé Sereno podia matá-la, ou tomar uma represália contra a sua família, coisa que eu não acredito. Sila entrou no cangaço porque quis, embarcou na vida cangaceira para uma aventura que nem as outras mocinhas sertanejas de sua época, movidas pela curiosidade em ver aquela  gente armada, com dinheiro no bolso, alegres, festeiro  e prepotentes.
Grupo de cangaceiros de Sila e Zé Sereno
Após ser levada por Zé Sereno, já no dia seguinte, foi estuprada por ele em cima de uma pedreira -  começava aí o seu sofrimento.  A mulher foi feita para ser amada, acariciada,  e não para ser  violentada, possuída como um objeto  de prazer – essa foi a vida de Sila ao lado de Zé Sereno, até a morte desse. Daí as suas mágoas e queixas pelo comportamento  bruto e violento da parte dele.
Em dois anos de cangaço Sila  presenciou umas quatro brigadas com a polícia, e nesse período por quatro vezes  esteve na presença de
Maria Bonita e Lampião
Lampião e de Maria – é muito pouco de quem se exige muito para contar. Nem mesmo Zé Sereno revelou a ela os segredos do cangaço, os coitos, os coiteiros, os fazendeiros amigos,   os vaqueiros em que se podia confiar,  mesmo os paradeiros de outros cangaceiros, mesmo porque  Zé Sereno sabia somente aquilo que era para saber, mas o grande segredo de tudo estava com Lampião e os cangaceiros mais velhos como Juriti e Luiz Pedro.
Juriti cangaceiro 
Nos encontros com o bando de Lampião Sila ficava na  tolda dela a espera pelo marido, algumas vezes Maria do Capitão a chamava para comer na mesma barraca do chefe e saiam às vezes ali por perto para fumar um cigarro. Maria já era veterana no cangaço,  fazia mais de seis anos que acompanhava o capitão, era agarrada com ele, obedecia a ele e  dependia dele para sobreviver no cangaço,  bem diferente de Dada, a outra cangaceira,  que contrariava as ordens de Corisco, alterava os planos feitos pelo marido,  mudava o rumo do deslocamento do grupo, e tomava a frente na luta quando era  necessário. 
Sila era uma criança quieta, educada,  tristonha, não sabia nada e o que mais gostava era quando os grupos de cangaceiros  se reuniam ao redor das fogueiras para comerem   carne assada, tomarem  café e baterem uma prosa alegre e divertida.
Em Angico Sila ficava em sua barraca como tantas vezes ficara em outros lugares. Conversava com alguma mulher de vez em quando e na maioria das vezes esperava pelo marido. Não tomava parte nos planos dos cangaceiros,  não falava nada a esse respeito, não sabia nada, e assim não podia opinar sobre esse ou aquele assunto ligado ao bando. Via algum cangaceiro  não muito perto, de alguns sabia o nome, de outros  apenas via sem saber quem era e o que fazia, nem para onde ia.
Volante policial do tenente João Bezerra
Iniciado o tiroteio na manhã de 28 de julho de 1938, sonolenta se levantou e custou a entender o que estava ocorrendo. Daí saiu correndo em uma direção. Outros vieram atrás dela. Alguns caíram pelo caminho. Ela por fim saiu do cerco e se encontrou com alguns cangaceiros fugitivos. Não sentia as dores dos lanhos  que a caatinga impiedosa rascou em suas pernas e  braços. Estava apavorada, horrorizada e por fim chorou muito as mortes acontecidas daquele dia, como um desabafo de quem passara por  momentos de muita angustia e aflição.
Veio as entregas para as autoridades,  seguiu   destino incerto com o companheiro, e  por fim  rumou  para a cidade  grande,  onde começaria nova vida – nova vida de sofrimento – de dor – de noites mal dormidas, trabalho com  cansaço, a criação dos filhos,  as  brutalidades por parte  do marido - quase um selvagem, a labuta diária  em uma  capital enorme,  o custo de vida caro e cada vez mais exigente movido pela ganância do ser humano  em ganhar dinheiro custe o que custar, doa em que doer, em cima de quem for. Sila acabara de vir  de um meio  hostil, onde a sede e a fome assolava a natureza de uma maneira geral. No cangaço o maior perigo era cair nas garras das volantes-  ela mesma sabia se defender  das balas da polícia  que derrubavam  paus a sua frente, mas vivendo  na cidade grande pouca coisa podia fazer. As noites aflitivas e mal dormidas  eram as mesmas,  a doença dos filhos,  o compromisso de chegar no horário no emprego,  bandidos de toda sorte, sem identificação, desconhecidos, sem uniformes, estavam por todos os lados,   perigos no trânsito,  nos deslocamentos para o trabalho. Mesmo assim, essa vida louca das grandes cidades era bem melhor que a vida  do cangaço, pelo menos se podia recorrer a algum médico para tratamento,  podia se viver  com higiene e banhos diários, podia se comer sossegado,  podia se receber o calor e o carinho da família,  tinha-se um lugar para  viver e para morrer e  havia um cemitério para descanso do corpo morto, coisa que na caatinga, quando muito,  poucos felizardos  tinham o direito  de  receber  uma  tosca cruz como indicativo de sua sepultura. 
A maioria das respostas dadas por Sila era o silêncio  ou então não sei. Bem diferente  de não conheço, não vi, não vou dizer.
Depois de sessenta anos passados,  não se pode exigir que uma senhora idosa e em avançada idade, se lembre daquilo que nunca viu, que fale o que não saiba,  pois  na época de meninice não entendia como se passavam aquelas  coisas, como funcionava  a sistemática do bando, que rumo tomar e como sobreviver naquela vida desgraçada.
Escreveu três livros revolvendo o seu passado agitado e tenebroso – cada um diferente do outro.  Sila era uma linda flor do nosso sertão, que mal amada  e incompreendida,  como tantas outras mulheres sertanejas na época,  veio fazer parte dessa vida atribulada do cangaço, mas  sem perder a beleza  e a sensualidade, coisa que para cangaceiro isso pouca importância tinha -   morreu  de velha, na cama, quando muitas de suas amigas cangaceiras  foram  mortas a tiros, apunhaladas, mortas a pauladas,  executadas na maioria das vezes pelos próprios cangaceiros.
Quando se lembrarem da Sila, por favor se lembre dela  com muito amor, com muito carinho, com muitas alegrias -  pois ela em vida passou bem longe da felicidade.
A Bênção Eterna  Minha Querida Madrinha. Do seu  afilhado macaco - Alfredo Bonessi - Capitão do Exército Reformado  SBEC - GECC
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Capitão Alfredo Bonessi