Por Beto Rueda
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sexta-feira, 10 de janeiro de 2025
O CANGACEIRO QUE CHEGOU NO DIA DE NATAL
CABRAS
Acervo do Jaozin Jaaozinn
De fato, das
tantas passagens de Virgolino em tantos estados diferentes do Nordeste, sempre
há uma história diferente, um combate diferente. Há aqueles que o viram de
longe, há outros que o viram de perto. E, claro, há sempre aquele que
acompanhou o famigerado Ferreira por X motivos. De todas as paragens de
Virgolino nesse mundão de Deus, sempre vinham homens, de origens diferentes,
para engrossarem o grupo.
Dos nascidos
de Pernambuco vieram Luiz Pedro, Meia Noite e Sabino das Abóboras; dos da
Paraíba vieram Chico Pereira, Asa Branca e Passarinho; dos do Ceará vieram
Bronzeado, Bom-de-Veras (por alguns momentos) e Mormaço; dos da Bahia vieram os
primos Mané Moreno, Zé Baiano e Zé Sereno; dos de Alagoas vieram Gitirina e os
irmãos Velocidade e Atividade. Como frutos, davam no pé e, antes de
amadurecerem, já eram colhidos para satisfazer o paladar de quem agradasse.
Vinham às vezes dois, três, quatro ou dez de um mesmo lugar, de um mesmo
povoado.
Coisa grande,
mas não chegava nem ao total de cangaceiros que Poço Redondo/SE cedeu ao
afamado Lampião. Da sua passagem a Sergipe, as agressões e extorsão da polícia
contra os sertanejos (por acharem que eram coiteiros) aumentaram muito, gerando
indignação e raiva, eclodindo aí a sensação de revolta, os direcionando para o
caminho das armas. Segundo os pesquisadores, foi a região que mais contribuiu,
que mais "doou", que mais entregou seus filhos para as garras afiadas
e mortíferas do cangaço. Mais de 30 bandoleiros; muitos deles sendo parentes,
amigos ou conhecidos dos já integrantes do mesmo ou de outros bandos. Boa parte
desses entraram no sub-grupo de Zé Sereno, já que este perambulava com mais
frequência nos arredores. E não eram só homens, como também mulheres. Ou como
podemos dizer, meninas moças, quase crianças, com seus 13 ou 14 anos.
E são:
Sabiá,
Canário, Diferente, Zabelê (o último), Delicado, Demudado, Cuidado (ou
Coidado), Cajazeiras, Novo Tempo, Mergulhão, Marinheiro, Elétrico, Penedinho,
Bom de Vera (o último), Beija Flor, Moeda, Alecrim, Sabonete, Borboleta,
Quina-Quina, Ponto Fino, Cravo Roxo, Zumbi, Santa Cruz, Cajarana e Azulão. As
mulheres eram: Sila de Zé Sereno (irmã de Novo Tempo, Mergulhão e Marinheiro),
Adília de Canário (irmã de Delicado e prima de Penedinho), Enedina de
Cajazeiras, Dinda de Delicado, Rosinha de Mariano (segunda e última mulher do
mesmo), Áurea de Mané Moreno e Adelaide de Criança (irmã de Rosinha e prima de
Áurea), primeira mulher do bandoleiro. Como podemos ver, boa parte desses eram
parentes uns dos outros, virando, assim, um grupo familiar.
Desses muitos
cabras e cabroxas, somente 16 conseguiram sobreviver aos dias de calor, fome,
aperreios e fortes chuvas - tanto aquelas de água quanto aquelas de fogo -.
𝑭𝑶𝑵𝑻𝑬𝑺:
𝑩𝒍𝒐𝒈
𝒅𝒐
𝑴𝒆𝒏𝒅𝒆𝒔;
𝒁𝒆
𝒅𝒆
𝑱𝒖𝒍𝒊𝒂𝒐,
𝒂
𝑺𝒂𝒈𝒂
𝒅𝒆
𝒖𝒎
𝑪𝒂𝒏𝒈𝒂𝒄𝒆𝒊𝒓𝒐
𝒅𝒆
𝑳𝒂𝒎𝒑𝒊𝒂𝒐
- 𝑹𝒂𝒏𝒈𝒆𝒍
𝑨𝒍𝒗𝒆𝒔
𝒅𝒂
𝑪𝒐𝒔𝒕𝒂
𝒆
𝑴𝒂𝒏𝒐𝒆𝒍
𝑩𝒆𝒍𝒂𝒓𝒎𝒊𝒏𝒐;
𝑩𝒍𝒐𝒈
𝑪𝒂𝒓𝒊𝒓𝒊
𝑪𝒂𝒏𝒈𝒂𝒄̧𝒐;
𝑨𝒍𝒄𝒊𝒏𝒐
𝑨𝒍𝒗𝒆𝒔
𝒅𝒂
𝑪𝒐𝒔𝒕𝒂
(𝑖𝑛
𝑚𝑒𝑚𝑜𝑟𝑖𝑎𝑛).
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VOCÊ CONHECIA?
Clerisvaldo B. Chagas, 10 de janeiro de 2025
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.166
O meu Sertão alagoano possui um vasto vocabulário e expressões que nos motivam cada vez mais a escrever:
Almocreve – Tropeiro, condutor de tropas de burros.
Arataca – Armadilha de madeira, para caçar aves, pássaros e roedores
Bambão – Talo forte e interno da jaca que congrega os bagos.
Bacurinho – Porco muito novo.
Barra – Foz, lugar onde o rio despeja suas águas.
Barrão – Porco reprodutor.
Berilo – Grampo para cabelo feminino.
Bica – Calha, geralmente de zinco para escorrer águas pluviais.
Bizunga – Beija-flor, Colibri.
Bodega – Lugar modesto onde se vende coisas para o lar como tempero, açúcar, confeito, sal, etc.
Boró – Cigarro de fumo de corda, grosso e mal feito.
Borrego – Carneiro muito novo.
Bozó – dado, pequena peça de jogo de azar numeradas nas faces de 1 a 6.
Cambão – Peça de madeira que liga a parelha da frente à parelha de trás no carro de boi.
Catraia – Mulher feia, velha e desarrumada.
Colchete - Armação de arame farpado e madeira, molenga, que serve de porteira, sustentado para abrir e fechar por arame liso na cabeça da madeira e de uma cerca fixa.
Divisão – Fronteira de municípios.
Enchiqueirar cabras – Prender os caprinos em curral específico ao cair da tarde.
Gamba, gandaia – Baixo meretrício.
Gamela – Objeto de madeira de forma comprida, Bacia, feita de madeira da árvore Gameleira ou Gameleiro.
Maturi – Caju novo, pequeno e ainda verde.
Mourão – estaca forte e gigante que serve para amarrar touros e reforçar cercas de estacas comuns.
Ribeira – Rio, riacho.
Tapera – Casa pequena e humilde.
Tangerino – Condutor de boiadas de um lugar para outro.
Toró – Chuva forte e rápida.
COLCHETE APOIADO NO MOURÃO
NOTA DE FALECIMENTO...!
É com muita dor no coração que noticio o falecimento do amigo CHICO DE LINA ocorrido hoje pela manhã.
THE SON OF THE BANDIT MANOEL DE CILILI
O VINGATIVO LAMPIÃO
Por José Mendes Pereira
quinta-feira, 9 de janeiro de 2025
BÊNÇÃO NA SIMPLICIDADE
Clerisvaldo B. Chagas, 8 de janeiro de 2025
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.164
No meu Sertão alagoano, vamos entrar no mundo do gado. Uma satisfação enorme que toma conta do homem simples que conduz o carro de boi, o arado puxado a garrotes, a compra na feira de uma junta para tarefas de responsabilidades. O sertanejo quer, na linguagem dele, uma parelha ou uma “pareia” para determinados fins. Uma “pareia”, significa dois garrotes ou dois bois adultos que sejam iguais no tamanho e na beleza. Pode ser um garrote preto com um garrote branco, vermelho, pintado... Desde que seja do mesmo tamanho, do mesmo formato, da mesma idade. Mas, a preferência mesmo é que sejam da mesma cor, tamanho, idade e formato. Isto é, que não sejam, mas pareçam gêmeos.
Pense na felicidade do homem humilde quando encontra a dupla que procurava, juntamente para as condições que seu bolso pode pagar. No Sertão é assim, uma apoteose interna quando surgem essas oportunidades, de quem vive do ramo e o valor imensurável para o descobridor da roça. E se aquela parelha comprada, estar na labuta da limpeza roceira, ou estreando no carro de boi, é de se imaginas os elogios dos entendidos que passam na estrada e param para apreciar. Entretanto, quem compra a “pareia” com todas as características físicas e à vista, pode até se frustrar com algo que lhe foge dos sentidos, porque só experimentando. É que um dos bois pode ser “ronceiro”. E boi ronceiro é aquele boi manhoso que se escora no cambão para que o peso do carro seja puxado quase totalmente pelo companheiro.
Mas também podemos entrar no mundo dos repentistas, mesmo dos analfabetos, porque a poesia não depende de diploma. Um desses roceiros de veia poética, disse para um cidadão, em forma de repente e considerado uma sextilha simples, humilde, porém muito grande na criatividade:
Moço me dê um dinheiro
Pra comprar um boi pra eu
De dois que eu tinha no carro
Um veio a cobra e mordeu
Mas eu quero botar outro
No lugar do que morreu.
Dizer mais o quê?
‘PARÊIA (STOCK).
LUIZ GONZAGA GONZAGÃO DISCO DE VINIL
Por Cultura Popular Paranatama
OS CANGACEIROS MAIS ASSUSTADORES.
Saiu vídeo novo em nosso canal no YouTube. Veja uma lista com os cangaceiros mais assustadores.
COMERCIAL DO CORONEL CORNÉLIO SOARES.
Por Anildomá Willans
Edificação do tempo de VILA BELA. Estabelecimento comercial do Coronel Cornélio Soares, localizado na Praça da Concha Acústica, centro de Serra Talhada.
https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
GROTA DO ANGICO, ÚLTIMO REFÚGIO DE LAMPIÃO.
Por Luis Bento
quarta-feira, 8 de janeiro de 2025
A CABEÇA PERFEITA DE LUIZ PEDRO | CNL | 1133
Por O Cangaço na Literatura
SÃO JOSÉ DO BELMONTE: ESBOÇO DE SUA HISTÓRIA NOS ANTIGOS JORNAIS
Muitas
histórias podem ser contadas sobre São José do Belmonte, algumas mais vivas nas
memórias, outras mais documentadas nos papéis dos arquivos, outras ainda
imaginadas a partir de indícios mais ou menos eloqüentes. Semanalmente
transcreverei aqui relatos de nossa história urbana, social, econômica e
política, a partir das publicações nos antigos periódicos estaduais e nacionais
dos finais do século XIX e século XX.
BELMONTE:
CHUVAS E A ABSOLVIÇÃO DE CHICO CHICOTE
“Abundantes
chuvas vem há dias fertilizando o solo ressequido e esbrazeado onde até ontem
não medrava o mais insignificante vegetal. Com o advento do inverno promissor
tudo se anima: comércio, indústria e lavoura. Espera-se com ansiedade o tempo
da safra da borracha de maniçoba que este ano será extraordinária, excedendo as
raias do verossímil.
Esteve de
passagem por esta cidade, onde se demorou alguns dias em visita as suas
propriedades e respectivos maniçobais o simpático padre Olímpio de Mello,
virtuoso vigário de Belo Jardim.
A 29 do
corrente realizou-se a primeira sessão periódica do júri deste município,
presidindo os trabalhos no impedimento do juiz de Direito da comarca o dr.
Felisberto dos Santos Pereira, juiz Municipal.
Foram julgados
e absolvidos os réus Pedro Dâmaso e Manoel João, co-autores na morte do infeliz
Norberto de Souza, ocorrida há meses no lugar “Bola” deste município; Francisco
Pereira de Lucena, vulgo “Chico Chicote”, pronunciado no artigo 294 parág. 1º
do Código Penal, e os soldados do destacamento, José Alves de Siqueira e João
Galdino de Oliveira, responsáveis pela evasão do sentenciado Gabriel Pereira
Barbosa, fato ocorrido na manhã do dia 20 de dezembro transacto.
A 28 do
corrente chegou dessa capital o coronel José de Carvalho e Sá Moraes, chefe
político desta localidade, seguindo para ai nessa mesma data o coronel Luiz
Gonzaga Gomes Ferraz, abastado comerciante e fazendeiro.
Cogita o atual
prefeito municipal, major Francisco Alves de Carvalho Pires de antes do término
do seu governo, lançar os alicerces do Paço municipal. A idéia é digna de
elogios.
Belmonte, 1 de
abril de 1916.”
(Diário de
Pernambuco, quinta-feira, 13 de abril de 1916 – p.5)
Valdir José Nogueira de Moura
https://www.facebook.com/valdirjose.nogueira
http://blogdomendesemendes.blogspot.com

















