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domingo, 3 de junho de 2018

CASOS DE FAMÍLIA... A SEPARAÇÃO DE MARIA COM ZÉ DE NENÉM E O‘APROCHEGO’ COM O "REI DO CANGAÇO"

Por Sálvio Siqueira

Maria Gomes de Oliveira segunda filha do casal José Gomes de Oliveira, José Felipe e de dona Maria Joaquina Conceição de Oliveira, Maria Déa, como toda moça no desvirginar da adolescência, sonha em casar e ter seu ‘príncipe encantado’ ao seu lado por toda a vida.

Nos sertões nordestinos esses sonhos eram, na maioria das vezes, uma maneira de fugir, escapar, do modo, maneira, ao qual eram tratadas as meninas pelos pais.

A criação não era nada fácil para um casal de agricultores, vivendo exclusivamente do que a roça lhes oferecia. O maior temor de um pai, ou uma mãe de família, naquela época era ter sua filha vendendo seu corpo nos cabarés das cidades. Principalmente a mãe, pois o machismo reinante faziam-na exclusivamente culpada. Com esse receio, em vez de educar, mostrando o fato, como a coisa se dava, e assim ela própria teria tempo para construir uma forte ‘muralha’ como defesa, os pais faziam eram manter suas filhas como escravas, ensinando, quando ensinavam, como ser obedientes em tudo ao marido. Logicamente, como em toda regra tem exceção, nessa também teve a sua.

O Casório…

Como em toda adolescência faz-se os grupinhos de moças e rapazes, com particulares e ‘segredos’ entre eles, naquele tempo, também tinha. Nos anos que se seguiram, Maria foi ‘ganhando’ uma ruma de irmãos, e fazendo amizades com algumas primas e primos. Logicamente todo mundo teve sua, ou seu, confidente, e Maria Gomes, Maria de Déa, tinha sua prima Maria Rodrigues de Sá como tal. Nas festividades, sambas e forrós que tinham na região, nas cidades de Santa Brígida, Santo Antônio da Glória e Jeremoabo, todas no Estado baiano, as quais ficavam mais perto de seu lugarejo, Malhada da Caiçara, pelos cálculos da época, como suas primas e amigas, Maria de Déa arrumou namoricos com um ou outro rapaz. 

Quis o destino que Maria se apaixona pela primeira vez por um de seus primos chamado José Miguel da Silva, por todos conhecido como Zé de Neném, da mesma localidade em que nascera, na Malhada da Caiçara, tendo uma espécie de ‘atelier’, ou um quarto de trabalho, um local para trabalhar, em Santa Brígida, onde exercia sua profissão de sapateiro.

Zé de Neném

"(…) Zé de Neném era filho de Pedro Miguel da Silva conhecido por todos na região pela alcunha de Pedro Brabo e Maria Conceição Oliveira, apelidada de Neném. O parentesco do sapateiro com Maria de 'Déa' vinha por parte da sua avó, Generosa Maria da Conceição, uma senhora que era conhecida pelo apelido de Juriti e que era irmã de Zé Felipe, pai de Maria (…).” (“A trajetória guerreira de Maria Bonita – A Rainha do Cangaço” –LIMA, João de Sousa. 2ª Edição. Paulo Afonso, BA, 2011)

Foto da casa dos pais de Maria Bonita.

Como a família de Maria Gomes, a família de Zé de Neném era bastante grande. Naquela época não havia os meios contraceptivos atuais e, com toda certeza, fazer, fecundar, filho era como se fosse um investimento para o futuro, erroneamente pensavam assim os catingueiros. No futuro eles iriam ajudar os pais nas lidas diárias das fazendas, essa, e simplesmente essa, era a razão. Dentre as irmãs do sapateiro, destacamos Mariquinha Miguel da Silva, que, em determinada época, deixa seu marido, Elizeu, que era proprietário da fazenda Ingazeira onde moravam, e dana-se no mundo sombrio e incerto do cangaço com o bandoleiro Ângelo Roque, chefe de um dos subgrupos do bando de Lampião, que tinha a alcunha de ‘Labareda’.

Maria e José casam-se.

Não demoraria muito para que se começassem as incompatibilidades.

A Separação…

Maria era por demais ciumenta e seu esposo, Zé de Neném, um verdadeiro ‘pé de forró, não saindo dos sambas.

Certa feita, estando Zé em um dos vários botecos, bebendo com alguns conhecidos, chega Maria e arma o maior escarcéu. Zé se defendia das acusações de Maria até quando pode, porém, a baiana encontra em um de seus bolsos uma lembrança de uma ‘amiga’, um pente com o nome da mesma. Nisso o pau quebrou pra valer. E a já conturbada vida a dois entre Zé e Maria, pelo fato de Maria não engravidar, desmorona-se de vez.


Maria Bonita – Fonte – http://umas-verdades.blogspot.com

“(…) Maria encontrou um pente em um dos bolsos do marido, com o nome de uma moça gravado no objeto (…). Este tipo de discussão e separação tornou-se uma constante e marcou significativamente o relacionamento dos dois (…). O casal não chegou a ter filhos. Alguns amigos confirmam a esterilidade do sapateiro Zé de Neném, que não chegou a engravidar nenhuma das mulheres com quem viveu (…).” (Ob. Ct.)

Pois bem, nessa, como em tantas outras ‘separações’, Maria Gomes corria à procura dos braços acalorados e protetores de seus familiares, apesar de seu pai, Zé Felipe, não concordar com tais separações, ela assim procedeu por várias vezes.

E Chega Lampião!!!

Em uma dessas separações, já se indo alguns dias, mais ou menos quinze dias de Maria estar na casa de Déa, sua mãe, ela, por um acaso conhece o “Rei dos Cangaceiros”. Achamos, particularmente, que num ímpeto, Maria deixa aflorar seu ego, e permitiu que se falasse o cupido. Tanto Maria, quanto Lampião sente alguma coisa dentro deles de cara. A atração foi dupla e contagiante. Lampião, que tanto fez arapuca, tanta emboscada aprontou, caiu de quatro pela armadilha que o destino lhe fez. A morena da Malhada da Caiçara acabou de domar uma fera nascida e criada na região pernambucana do Pajeú das Flores. Não podendo mais esconder sua paixão, Lampião inventa de inventar uma encomenda, vários bordados em lenços de seda, simplesmente para ter a desculpa, de vindo ver se tinha algum lenço pronto, vir mesmo era Maria. Sabedora dos planos de Virgolino, Maria, logicamente aceita a encomenda e trata de, também, curtir aqueles raros momentos.


“(…) Era uma sexta-feira, Lampião pisou o batente da casa de Zé Felipe e Maria Déa. Odilon Café apresentou ao cangaceiro uma das filhas daquele casal, que no momento se encontrava ali, por estar separada do marido.

Novos sentimentos renasceram naqueles minutos seguintes. Depois de uma rápida conversa, lampião pergunta a Maria:

– Você sabe bordar?

– Sei!

– Vou deixa uns lenços pra você bordar e volto daqui a duas semanas pra buscar!

Este foi o primeiro diálogo realizado entre Lampião e aquela que seria a sua grande companheira e eterna paixão, até o fim da vida (…).” (Ob. Ct.) 



A partir de determinado tempo, ou de um dos encontros entre eles, não teve mais volta. O pai de Maria Gomes, Zé Felipe, não aprovava o namora entre ela e Lampião. Já por outro lado, sua mãe, Maria Déa, parece que até ‘cortar jaca’, cortou, para que eles se encontrassem.

Violência Policial Contra A Família De Maria Bonita

Naquele tempo, a casa que recebesse com maior constância visita de cangaceiro, com toda certeza, logo, logo receberia a visita de alguma das volantes que caçavam os grupos. Então, rastejando os vestígios dos cangaceiros, as volantes terminaram fazendo, também, várias ‘visitas’ a casa da fazenda do pai de Maria Gomes, Zé Felipe. Com o aperto que deram no velho patriarca, cacete nele e sua família, até Zé de Neném foi pra debaixo da madeira, Zé Felipe resolve mandar sua filha para casa de um parente na fazenda Malhada, nas Alagoas. Para que assim, as volantes os deixassem em paz. Ao saber disso Lampião vai e dá um ultimato para Zé Felipe, ou ele manda buscar sua filha em terras alagoanas ou ele destrói a fazenda com tudo que nela existia. Sem ter, novamente, uma saída, Zé Felipe manda alguém buscar Maria, sua filha.


Maria Bonita – Fonte – blogs.ne10.uol.com.br

Ao retornar, Maria Gomes percebe o quanto sua família estava envolvida numa encrenca desgraçada por seu romance com o ‘Rei do Cangaço’. Nesse momento, ela toma uma decisão importante que mudaria a vida de muita gente, principalmente a do pernambucano fora-da-Lei, para que a Força Pública deixasse seus familiares em paz. Quanto da localidade de onde Maria Gomes resolvera seguir com Lampião, não fora na fazenda onde nascera, a Malhada da Caiçara, e sim, numa outra localidade, onde cuidava de sua avó materna, Ana Maria, que estava enferma, denominada Rio do Sal.

Ao contrário do que pensou, planejou Maria de Déa, a Força Pública não se afastou da casa de seus familiares, pelo contrário, as visitas tornaram-se mais constantes e violentas, tendo como alvo principal o velho Zé Felipe, seu pai.

Estando já a não aguentar mais tanta pressão e cacete, Zé Felipe recebe a visita de um dos soldados da volante, que era seu amigo Antônio Calunga, dizendo-lhe que o comandante da volante recebera ordens superioras de acabar totalmente com a fazenda Malhada da Caiçara, matando todos que naquela ribeira moravam.

Zé Felipe, pai de Maria Bonita. 

Zé Felipe agradece ao amigo, junta sua família, desce rumo às águas do “Velho Chico” aluga uma embarcação, coloca todos dentro e passa para o solo alagoano. Vai montar residência no sítio chamado ‘Salgado’, no município de Água Branca. Porém, sua estada nele é curta. Pega suas trouxas novamente, levanta acampamento, junta seus familiares e parte rumo ao local denominado ‘Salomé’, o qual, hoje é a cidade de São Sebastião.

Nessa agonia, tendo de deixar suas terras por serem perseguidos e maltratados, constantemente, pela volante, um de seus filhos, conhecido como Zé de Déa, resolve juntar-se ao cunhado, Lampião. Lá estando, conta por tudo que seu pai, sua mãe, seus irmãos e irmãs passam. Lampião ordena que se façam as vestes, bornais, cartucheiras, em fim, toda a tralha de um cangaceiro para seu ‘cunhado’, e separar-se, também, as armas para o mesmo usar. No entanto, Maria sua irmã, não permite que ele use armas. Mesmo estando por mais ou menos oito dias no acampamento, Zé de Déa e sempre aconselhado pela irmã para não fazer parte daquela vida em que ela metera-se. Termina o irmão por ceder aos conselhos da irmã.

O “Rei dos Cangaceiros”, através da sua malha de informantes, sabe da fuga do sogro e sua família, assim como tem o conhecimento da ordem e do nome do policial comandante incumbido da tarefa de matar toda a família de Maria, sua amada, que seria o tenente Liberato de Carvalho.

Recado de Capitão para Capitão…

Maria Bonita cangaceira

Certo dia chega à casa onde moravam Zé Felipe e sua família, uma volante policial. Começam a destruir as coisas, matam alguns animais que estavam soltos, mas, próximos a casa. Sem ninguém da família na casa para saciar a ira dos volantes, sobra para um morador das redondezas, que seria, segundo indicaram, um coiteiro, o qual é colocado debaixo de cacete e depois assassinado pela tropa.

“(…) Uma volante visitou a casa de Zé Felipe e não encontrando ninguém, quebraram as madeiras dos currais, destelharam e quebraram parte do telhado da residência, matando alguns animais. Menos sorte teve o coiteiro Manuel Pereira, conhecido como Manuel Tabó, que por não ter fugido acabou sendo espancado e morto pelos soldados (…).” (Ob. Ct.)

Lampião, sempre ardiloso, sabia que partir para enfrentar de cara a volante, indo a desforra, pelo que fizera nas terras da Malhada da Caiçara, usa de outra artimanha. Ordena a um de seus ‘cabras’’ que vá em determinado lugar, e peça a determinada pessoa para vir vê-lo. Essa pessoa já havia, em outras oportunidades, feito o mesmo que ele o enviaria para que fizesse.

Essa pessoa era conhecida pelo apelido de Tonico, e era irmão de Zé de Neném, ex marido de sua companheira Maria de Déa.


Atual Delegacia de Polícia Civil de Jeremoabo, o antigo aquartelamento dos tempos do Cangaço – Fonte – Rostand Medeiros 

Lampião escreveu uma missiva e determina que o jovem a leve ao Capitão João Miguel, em Jeremoabo, BA. Assim, o jovem após dar voltas e ter a certeza de não estar sendo seguido, parte rumo ao destino determinado. Lá chegando, procura o oficial no QG.

“(…) Tonico seguiu em direção ao quartel, sendo recebido por um sargento que fazia a guarnição e lhe perguntou:

- O sinhô qué fala cum quem?

- Com o Capitão João Miguel!

- Eu posso resolver?

-Não, tem que ser com o Capitão!

O sargento foi até a sala do capitão, retornou alguns minutos depois e pediu para que Tonico o seguisse até a sala do oficial (…).” (Ob. Ct.)

Tonico era frio, Lampião sabia escolher a pessoa certa para cada missão específica. E essa era bem difícil de ser cumprida, pois tinha que o colaborador entrar em um quartel militar. Chegando diante do capitão, esse dispensa o sargento e recebe o papel que lhe é entregue pelo portador.

“(…) O Capitão João Miguel, depois que leu o bilhete, falou: “Se você está numa missa dessa, não é preciso pedir segredo, pois você deve ser da confiança de Lampião”.

Os dois conversaram secretamente, trancados dentro da saleta. O Capitão João Miguel mandou a resposta: diga ao Capitão que pode mandar o sogro dele voltar, pois a partir de hoje não passará mais nenhum soldado na sua porta.  Na manhã seguinte, ao despertar, Tonico regressou da sua missão, trazendo consigo, a promessa positiva de que nenhuma volante iria mais importunar aquele pedaço de chão e sua gente V…).” (Ob. Ct.)

Vejam que Virgolino não só sabia manejar as alavancas das armas que usou, mas, também, com tinta, pena e papel, fazia suas defesas diante de uma guerra particular, imposta por ele mesmo, contra seus inimigos.

Uma das coisas que mais ocorreu no cangaço foi à traição, tanto do lado dos cangaceiros e coiteiros, como mesmo do lado daqueles que os davam combates. E essas atitudes, tomadas por dinheiro ou ‘favores’, foram mais um motivo para que Lampião prolongasse por quase vinte longos anos, seu reinado de sangue, lágrimas e mortes nas entranhas do sertão nordestino.

Fonte “A trajetória guerreira de Maria Bonita – A Rainha do Cangaço” – LIMA, João de Sousa. 2ª Edição. Paulo Afonso, BA, 2011. Foto Ob. Ct. Benjamin Abrahão

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OROBÓ: UMA COMUNIDADE INDÍGENA REBELDE NO ESPÍRITO SANTO


Por Luís Rafael Araújo Corrêa

“Anchieta e Nóbrega na cabana de Pindobuçu”, por Benedito Calixto (1927). Acervo do Museu do Ipiranga. A pregação de jesuítas como Anchieta e Nóbrega no Brasil foi uma inculturação recíproca entre a influência do cristianismo para as crenças e costumes dos nativos, utilizando elementos da cultura indígena como uma melhor forma de ensinar a doutrina cristã para eles.

Em meados do século XVIII, povoado capixaba serviu de exemplo de resistência para comunidades indígenas brasileiras que viviam a opressão jesuíta.

Uma ameaça comparável ao Quilombo de Palmares. Era assim que o Conde das Galvêas, então vice-rei do Brasil, expressava em uma carta a sua preocupação com o conflito que deu origem a comunidade indígena rebelde de Orobó, em meados do século XVIII. Constituída por índios dissidentes da aldeia de Reritiba, Orobó, localizada ao sul do atual estado do Espírito Santo, tornou-se um exemplo de subversão à política missionária no Brasil colonial, uma vez que os seus moradores, outrora aldeados, viviam da maneira que queriam, sem seguir os ensinamentos dos padres jesuítas. Como se não bastasse, havia um grande temor por parte das autoridades coloniais de que a comunidade de Orobó servisse de inspiração aos índios de outros aldeamentos, o que poderia vir a ser um risco para a própria colonização. O objetivo deste artigo é investigar a resistência dos grupos indígenas por meio do breve resgate da história desta comunidade.

Festejo, levante e conflito: o surgimento de Orobó

Orobó tem a sua história ligada a uma revolta ocorrida no século XVIII em Reritiba, célebre aldeia capixaba onde o padre José de Anchieta (1534-1597) viveu os seus últimos anos. A missão, que sempre se destacou como uma das principais da capitania, cumprindo papel importante como centro de onde partiam expedições que visavam o descimento de índios dos sertões, viveu momentos turbulentos desencadeados por um episódio aparentemente banal.

No dia 29 de setembro de 1742, o que era para ser um festejo transformou-se em um levante. Durante a celebração do dia de São Miguel, que costumava ocorrer em Reritiba todos os anos, uma briga começou após um estudante da Companhia de Jesus, Manuel Alves, ter repreendido o índio Fernando Silva (1) em virtude de seu “comportamento inconveniente” durante a solenidade.

A rusga inflamou os ânimos dos aldeados, que tomaram partido do índio Fernando. Na tentativa de apaziguar a contenda, os missionários do aldeamento foram substituídos por outros missionários, vindos da região dos Goitacazes. A recepção dos índios em relação aos novatos, porém, foi hostil, obrigando os padres recém-chegados a se refugiarem na fazenda jesuítica de Muribeca. Diante do impasse, a situação foi momentaneamente solucionada com a intermediação de Antônio Siqueira de Quental, arcediago (2) do Rio de Janeiro, que conseguiu convencer os índios a aceitarem os novos missionários. Sem oposição, eles assumiriam suas funções no dia 24 de janeiro de 1743.

Este não seria, no entanto, o fim do conflito. Nas entrelinhas dos documentos disponíveis sobre o episódio, as razões das tensões em Reritiba revelam-se mais complexas, sugerindo que a revolta ia muito além de um mero desentendimento. Embora o desgaste na relação entre os missionários e os aldeados fosse o suficiente para gerar tensões em Reritiba, disputas internas entre os índios e o interesse de pessoas de fora do aldeamento contribuíram para a retomada da revolta na região – inclusive podemos perceber pistas de tensões entre colonos e jesuítas. Com o apoio de moradores de Guarapari, um grupo liderado pelo índio Manuel Lobato, tinha ido se encontrar no calor dos acontecimentos com o ouvidor-corregedor do Espírito Santo, Paschoal de Veras, na vila de São Salvador. Lá eles receberam o aval do ouvidor-corregedor do Espírito Santo, interessado em reduzir a influência exercida pela Companhia de Jesus em sua jurisdição, para expulsar os jesuítas e assumir funções de mando na aldeia (3).

O bando retornou à Reritiba dois dias após a posse dos novos missionários. Dispostos a fazer valer as ordens que receberam do ouvidor-corregedor, o grupo chefiado por Manuel Lobato deixou a aldeia em pé de guerra. Um violento confronto se sucedeu no local, dividindo os índios entre aqueles que se mantiveram leais tanto aos jesuítas, quanto às lideranças indígenas já estabelecidas, e os que apoiavam as pretensões do bando de Lobato. Mesmo diante da intervenção das autoridades, o conflito se arrastou até 1746. Após diversas mortes e a prisão de alguns líderes do levante, incluindo o próprio Manuel Lobato, deportado para a colônia de Sacramento, a situação chegou a ser controlada em Reritiba a partir de ações autorizadas pela Coroa portuguesa e os missionários puderam retornar. Contudo, a sedição dividiu de vez o aldeamento: insatisfeitos com a volta dos padres e com os rumos dos acontecimentos, um grupo significativo de índios desertou da missão, fundando a comunidade indígena de Orobó (4).

A comunidade “rebelde” de Orobó

Orobó estava a apenas 9,6 quilômetros de distância de Reritiba e as tensões que levaram ao surgimento do novo povoado continuaram existindo. Segundo os documentos informam, os índios da comunidade rebelde, afeitos ao rompimento definitivo com os missionários, realizavam ataques, roubos e ciladas frequentes contra o aldeamento jesuítico, um verdadeiro incômodo para a atividade de evangelização. De nada adiantando as tentativas de paz e entendimento entre as duas comunidades, o padre superior de Reritiba mandou vir duas peças de artilharia da vila de Vitória para garantir a defesa da aldeia. O conflito estava armado.

Os rebeldes, agora liderados por Manuel Lopes, índio que se envolveu desde o início com o motim e perdeu dois de seus filhos nos conflitos ocorridos em Reritiba, eram um péssimo exemplo aos aldeados. Orobó tornou-se um espaço onde os indígenas viviam segundo as suas próprias vontades, sem a influência dos padres. Insubmissos, os habitantes impediam a entrada de qualquer autoridade no local. Tanto os emissários ligados à administração colonial quanto o Bispo, que buscava oferecer-lhes a crisma, foram recebidos com armas prontas para atacar. Além disso, sem contar com a direção espiritual católica, os índios de Orobó também não seguiam a doutrina cristã ou os sacramentos, mas apenas a liderança de Manuel Lopes.

Os únicos que tinham acesso à Orobó eram certos colonos, provavelmente se tratava dos mesmos que apoiaram a revolta no seu início. Enquanto alguns forneciam produtos aos que viviam no lugar, outros deviam tirar proveito do trabalho dos índios recrutando-os para as suas fazendas, sendo esse o principal interesse que levou os colonos a incentivarem a desobediência entre os índios – numa forma de disputa com os jesuítas na busca por mão de obra. De acordo com os relatos, a povoação de Orobó se tornou também um esconderijo para criminosos, talvez também para escravos fugidos.

De fato, a localização geográfica de Orobó favorecia a sua função enquanto refúgio. Estabelecida em um vale cercado por morros, a região permitia aos rebeldes o controle do espaço e dos diferentes acessos que conduziam até a comunidade. Como se não bastasse, os caminhos até Orobó eram de difícil percurso, o que exigia a presença de índios da aldeia de Reritiba, práticos daqueles matos, para guiar as autoridades ou emissários que se dirigiam até lá (5).

Para o vice-rei, o Conde das Galvêas, a comunidade de Orobó era um desastre para os interesses da colonização. Além de ser um entrave para a evangelização dos nativos e privar a Coroa portuguesa dos inúmeros serviços que os aldeados prestavam, ela representava algo mais perigoso: um exemplo a não ser seguido. O Conde temia que os demais aldeamentos, até então ordeiros e pacíficos segundo ele, seguissem o mesmo caminho iniciado em Reritiba, espalhando conflitos pela América portuguesa. Em seu receio, ele chegou inclusive a admitir a possibilidade de que os aldeados em revolta se aliassem aos muitos índios que viviam nos sertões, contrariando uma das principais funções dos aldeamentos: ser “os antemuros do gentio bárbaro” (6). Orobó deveria, então, ser sufocada urgentemente.

Modelo para outras aldeias

As notícias sobre a rebeldia no sul do Espírito Santo se espalharam como rastilho de pólvora nas aldeias circunvizinhas, justificando o medo das autoridades. Em uma consulta do Conselho Ultramarino, em 1746, consta que os índios das aldeias de Reis Magos, no Espírito Santo, e São Pedro de Cabo Frio, no Rio de Janeiro, lembravam do exemplo de Orobó quando os padres tentavam repreendê-los ou castigá-los. O motim havia se tornado de fato uma inspiração para os indígenas, de modo que, enquanto a sua memória permaneceu viva, o caso de Orobó foi explorado pelos aldeados em suas negociações cotidianas com os missionários.

Contudo, a complexa relação entre índios e jesuítas, agravada pelo surgimento da comunidade rebelde, propiciou mais do que ameaças. Em 1752, a aldeia capixaba de Reis Magos seguiu o exemplo de Orobó: liderados por um índio chamado José da Rocha, os aldeados expulsaram os missionários, bem como os oficiais indígenas que participavam da condução do aldeamento. Na ausência da supervisão dos jesuítas, os índios passavam a maior parte do tempo nas fazendas dos colonos, transgredindo a vida regrada que os padres tentavam fazer valer nas missões. Alguns anos depois, no Rio de Janeiro, o reitor do Colégio dos jesuítas, Félix Xavier, informava com preocupação que os índios das aldeias de São Lourenço, São Barnabé, São Pedro de Cabo Frio e São Francisco Xavier de Itaguaí desobedeciam aos missionários e fugiam em grande número para as propriedades dos moradores vizinhos, razões pelas quais estes aldeamentos se encontravam em franca decadência. O medo das autoridades havia se tornado realidade.

O destino de Orobó

Assim como os das rebeldias que a seguiram, o destino de Orobó perde-se diante das lacunas dos documentos e da ausência de mais informações. O mais provável é que elas tenham sido contornadas após a expulsão dos jesuítas da América portuguesa, em 1759, e a adoção da política indigenista elaborada durante a administração do Marquês de Pombal. Em um novo contexto no qual visava-se integrar os índios à sociedade como súditos indistintos aos demais, estimulando a interação e o casamento com os colonos, é possível que uma reconciliação dos rebeldes de Orobó com Reritiba, convertida em vila segundo os moldes da lei do Diretório, tenha sido facilitada, visto que as referências à comunidade praticamente desaparecem nos documentos. Seja como for, o caso de Orobó torna claro o protagonismo dos índios frente à política de aldeamentos, comprovando que os aldeados, mais do que objetos da dita política, foram capazes de agir conforme os seus próprios interesses e motivações.

Notas

1 Vale observar que os índios aldeados recebiam nomes portugueses como parte do processo de evangelização e ressocialização que vivenciavam nos aldeamentos.

2 Cargo eclesiástico que era encarregado pelo bispo de exercer os poderes junto dos párocos e curas de uma parte de determinada diocese.

3 Arquivo Histórico Ultramarino, Espírito Santo, cx.03, doc.241.

4 Arquivo Histórico Ultramarino, Espírito Santo, cx.03, doc.253.

5 Arquivo Histórico Ultramarino, Espírito Santo, cx.03, doc.300.

6 Arquivo Histórico Ultramarino, Espírito Santo, cx.03, doc.241.

Referências Bibliográficas

CORRÊA, Luís Rafael Araújo. A revolta dos índios de Reritiba: conflitos e disputas políticas em um aldeamento do Espírito Santo (1742-1758). In: Revista de História da UEG, Porangatu, v.6, n.1, p. 24-49, jan./jul. 2017.

LAMEGO, Alberto. A Terra Goitacá à luz de documentos inéditos. Rio de Janeiro: Livraria Garnier, 1913.

LEITE, Serafim. História da Companhia de Jesus no Brasil. Tomo VI, Rio de Janeiro, Belo Horizonte: Itatiaia, 2000.

PENNA, Misael. História da província do Espírito Santo. Rio de Janeiro: Typographia de Moreira, Maximino& C., 1878.

RUBIM, Braz da Costa. Memórias históricas e documentadas da província do Espírito Santo. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, Rio de Janeiro, tomo XXIV, 1861.

Luís Rafael Araújo Corrêa é professor efetivo do Colégio Pedro II e coordenador de História do campus Duque de Caxias. Doutor e mestre em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF), tem experiência na área de História, com ênfase em História Moderna, atuando principalmente nos seguintes temas: Colonização na América Portuguesa, Povos Indígenas, Aldeamentos Indígenas, Companhia de Jesus, Processos de Mestiçagem, Diretório dos Índios, Micro-História e Inquisição portuguesa.

Como citar este artigo

CORRÊA, Luís Rafael Araújo. Orobó: uma comunidade indígena rebelde no Espírito Santo (artigo).  In: Café História - história feita com cliques. Disponível em: www.cafehistoria.com.br/comunidade-indigena-rebelde/ Publicado em: 17 abr. 2018. A-cesso: [informar data].

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"JEREMOABO, CENTRO DE OPERAÇÕES MILITARES NA CAMPANHA CONTRA LAMPIÃO"


Por Renilson Soares

Fonte: Revista O Cruzeiro, Ano 1932, Ed. 0018, p. 27


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sábado, 2 de junho de 2018

APRENDER A LER

*Rangel Alves da Costa

O ato da leitura, do entendimento e da decifração das palavras, é muito mais difícil do que se imagina. Difícil por que a leitura não é só saber o que está escrito. Difícil por que a leitura sempre quer dizer além do que está escrito.
Difícil também pelo fato de que uma simples frase ou mesmo um texto pode ser lido de diversas formas. Significa que as palavras formam não só a intencionalidade de quem a escreveu como a ou as intencionalidades de quem a lê e a decifra.
Explico. Vejam uma frase simples e corriqueira: “Maria ama João”. Num breve olhar sobre a frase, todo mundo vai compreender que Maria possui afeto por João. Sim, a conclusão que se terá é que Maria gosta de João, que possui um sentimento diferenciado por ele.
Mas somente isso? Tal leitura se basta para compreender apenas o amor sentido por Maria com relação a João? Ou será que tal leitura pode ser feita de diversas formas e maneiras? Sim, Maria ama João, eu sei. Mas o pensamento pode ser estendido para indagar: Será que João também ama Maria?
Desse modo, aquela simples leitura logo se amplia, pode alcançar outros universos. E quanto mais a pessoa busca compreender o amor sentido por Maria também vai querer saber que tipo de amor, vai mentalmente indagar se é amor duradouro ou passageiro, se é amor verdadeiro ou apenas para demonstração.
Assim o mundo da leitura. O que se lê nunca se contenta em ser apenas aquilo que foi lido. Se alguém escreve, por exemplo, que a população brasileira é escravizada pelos governantes, certamente que não está dizendo que o povo vive em senzala, amarrado no tronco e levando chibatada.
Escreveu de uma forma e quis dizer muito mais. Quis dizer que a população é vítima de abandono pelos governantes, que o povo é massacrado pelos impostos cobrados pelo governo, que a sociedade vive pisoteada pela omissão do governo na saúde, na educação, na segurança, etc. E principalmente que vive sacrificada por aqueles que deveriam ser os responsáveis pelas melhorias de suas vidas.


Vejam a seguinte frase: O homem deve sempre estar preparado para a guerra. Será que quem a escreveu quis dizer apenas que o homem deve sempre estar armado para enfrentar o inimigo ou que deve procurar se defender perante os ataques? Logicamente que uma leitura despretensiosa, só pelo ato de passar os olhos sobre as palavras, poderá até levar à conclusão que se trata realmente de uma escrita falando em guerra, em conflito armado, em confronto de inimigos.
A leitura que deve ser feita, contudo, pode levar a horizontes muito mais realistas. O autor não quis falar em guerra de armas e trincheiras, em tiros e estampidos, mas no intuito de dizer que o homem deve sempre estar pronto para enfrentar as dificuldades da vida, que o homem sempre deve estar apto para saber enfrentar as ventanias e as tempestades da existência.
Tempestades e vendavais? Sim, mas num sentido figurado, metafórico, para significar os percalços e os tormentos que cada ser humano está propenso a enfrentar. Desse modo, esse cuidado com a decifração das palavras, tornando-as o seu entendimento ajustado ao próprio pensamento, é a melhor forma de se praticar a leitura.
Outro aspecto importante diz respeito à leitura como ato de desvirtuamento do que está escrito. Isso ocorre muito quando o senso crítico da pessoa busca forjar uma leitura que lhe traga algum proveito pessoal. Neste caso, não importa o que está escrito em si, mas a serventia que a escrita pode passar a ter.
Exemplificando o que foi dito acima, toda escrita, por mais inocente que seja, passa a ter uma função crítica. E muitas vezes política mesmo. Se alguém lê “Trabalhadores, uni-vos!”, logo a leitura captará somente que os trabalhadores devem estar unidos contra as injustiças, contra o capitalismo, contra todas as formas de exploração.
Daí a força e o maravilhamento que é a leitura, ou as leituras que se possa fazer de uma só escrita. Tudo depende de cada um. Poucas letras e a multiplicação segundo o mundo que se deseja produzir a partir de uma única frase.


Escritor
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CIDADE JUNINA


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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O SOL DO NORDESTE, A LITERATURA DO CANGAÇO, SURGIU COM FRANKLIN TÁVORA

Por Luiz Serra

Um livro pioneiro na cultura brasileira de 1876. O Nordeste se fez literatura no âmago da Academia. O romântico Franklin Távora rompeu com o privilégio da narrativa brasileira advinda do Sul, e refletiu no seu “O Cabeleira” a história de um proto-cangaceiro.

Estante Virtual

A imagem do sertão nordestino enfim se conheceu nas páginas do romance primordial no cenário regional, escola literária do século XIX, que foi seguida nos anos trinta por José Lins do Rego, Graciliano Ramos e Raquel de Queiroz.

Franklin Távora ...Patrono Acervo ABL

João Franklin da Silveira Távora nasceu em Baturité, Ceará, tornou-se advogado, jornalista, político, romancista e teatrólogo brasileiro. Em 1844 transferiu-se com os pais para Pernambuco. De formação a Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco em 1863. Em 1874 transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como funcionário da Secretaria do Império.

Faleceu em 1888 no Rio de Janeiro. Tornou-se patrono da Cadeira número 14 da Academia Brasileira de Letras, cujo fundador foi Clóvis Bevilaqua.

Sertão nordestina - a seca ... Nova Historia

TRECHOS DA IMPRENSA DA ÉPOCA NA VIRADA DO SÉCULO XIX

Além de advogado Franklin Távora tornou-se atuante político, sendo eleito Deputado Provincial. Foi célebre a sua acerba campanha contra José de Alencar, por discordar com seu idealismo romântico. Considerado um dos iniciadores do Realismo e do Naturalismo no Brasil, mesmo que sejam manifestas tantas características inerentes ao Romantismo em suas obras.

Fez uso de um pseudonimo de Semprônio para redigir as “Cartas a Cincinato”, na qual insinuou diminuir a imagem de José de Alencar, dando início à campanha a favor da literatura regionalista. Nesta era sua crença residir a verdadeira nacionalidade para ser expressada como nova reflexão por meio da literatura brasileira.

No conjunto de sua obra é notado o sentimento nacionalista e regionalista, contrariamente a maioria dos demais autores românticos. Foi acadêmico do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, além de ser distinguido como patrono na Cadeira 14 da Academia Brasileira de Letras, por escolha do próprio fundador, Clóvis Beviláqua.

Curiosidade de haver, ao final de sua vida, desiludido da literatura e da política, queimado alguns textos inéditos. Faleceu na cidade do Rio de Janeiro-RJ, no dia 18 de Agosto de 1888.

Para o teatro escreveu, ainda, “Um mistério de família” (1861) e “Três Lágrimas” (1870).

Uma de suas obras mais marcantes O Cabeleira, romance passado em Pernambuco do século XVIII.

Obras a ressaltar:

Da fase recifense:

Trindade maldita (contos, 1861); Os índios do Jaguaribe (romance, 1862); A casa de palha (romance, 1866); Um casamento no arrabalde (romance, 1869); Um mistério de família (drama, 1862); Três lágrimas (drama, 1870).

Fase carioca:
Cartas de Semprônio a Cincinato (crítica, 1871); O Cabeleira (romance, 1876); O matuto (crônica, 1878); Lourenço (romance, 1878); Lendas e tradições do norte (folclore, 1878); O sacrifício (romance, 1879).

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NOVIDADE NA PRAÇA ANILDOMÁ WILLANS, LANÇA EM SERRA TALHADAMAIS UM LIVRO SOBRE LAMPIÃO


O pesquisador e escritor Anildomá Willans de Souza, um dos maiores conhecedores do cangaço do Nordeste, lança na próxima sexta-feira, 25, mais um livro sobre o tema. A publicação “Lampião e o Sertão do Pajeú” vai ser apresentada em evento no Museu do Cangaço, na Estação do Forró de Serra Talhada, a partir das 19h30.

O livro expõe a saga de Lampião no contexto do Sertão do Pajeú, entre o período em que ele ingressou no cangaço, em 1920, até a travessia do Rio São Francisco, em 1928, para atuar nos estados do Sergipe e Bahia.

Nas páginas estão depoimentos de ex-cangaceiros e ex-volantes, bem como declarações de pessoas que presenciaram algum fato ou passagem de Lampião e seu bando. Os leitores terão acesso a histórias sobre invasões de cidades, vilas e fazendas, tiroteios, os protetores do cangaceiro, matérias de jornais da época e telegramas.

A obra com 210 páginas já pode ser adquirida no Museu do Cangaço, localizado na Estação do Forró; na Casa da Cultura, no bairro São Cristóvão e através dos números (87) 3831 3860 e (87) 99918 5533.

Da redação do Blog Alvinho Patriota

http://lampiaoaceso.blogspot.com/2018/05/novidade-na-praca.html

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O CANTOR JOÃO MOSSORÓ FARÁ SHOW (HOJE DIA 02 DE JUNHO DE 2018, NO RIO DE JANEIRO.


O cantor João Mossoró fará show hoje 02 de junho de 2018, no Rio de Janeiro, no bairro Benfica, no "Mercadão Cadeg". Uma festa portuguesa, no "Cantinho das Concertinas".

 
Será uma festa bastante animada, quando o artista cantará as mais lindas canções. Você que mora no Rio de Janeiro prestigie o artista, participando do seu show. 

Para quem não sabe João Mossoró é um dos fundadores do Trio Mossoró, que fez muito sucesso nas décadas passadas, mas lembrando ao leitor que o Trio Mossoró está apenas adormecido. Vez por outra, os irmãos Carlos André, Hermelinda Lopes e João Mossoró fazem shows por este Brasil afora. Se eles ainda cantam juntos os antigos sucessos, podemos dizer que é o  "Trio Mossoró" em ação.

https://www.youtube.com/watch?v=Hxu76ddt9Yg

https://www.youtube.com/watch?v=T12qpv4eAtA

Clique sobre o vídeo e ouça uma bela música interpretada pelo João Mossoró

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COMUNICAR, COMUNICAR O QUE ?


Ivone Boechat
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É um grande perigo a comunicação mal usada. Com tantos recursos e instrumentos de comunicação, a responsabilidade do educador se amplia. Quem escuta, vê e lê o que se fala ao vivo, olho no olho, é uma coisa. Tem entonação, sinais faciais, nuances, ritmo, timbre, gestos, emoção e tudo isto é poderoso para dar o tom, a direção, a intenção, a compreensão. Quando se passa uma mensagem virtual, o que recebe, dá a interpretação dele, jamais igual a que saiu, porque ao chegar lá é travestido pelo olhar cultural, não mais do próximo, mas do outro.
 
A Era da metainformação que se iniciou no Éden sempre foi e será uma faca de dois gumes. Depende de quem a usa… O que se vê hoje é a mesma apologia do mal; do feio; do indigno; das compulsões, do transtorno, também generalizado na tv a cabo do mal e usado para solapar, para semear a dúvida e tirar a esperança. Pode-se reverter pela educação. Não com a educação adotada para emburrecer e encurralar. De modo quase comum é assim: faltam eleitores no curral? Então, mãos à obra para produzir mais… As metodologias que compliquem a alfabetização, roubam a possibilidade de aprender a ler qualquer coisa. Os espertos e mal intencionados leem para a vítima.

Deve-se ensinar a comunicação simples, sem trejeitos, sem  o discurso subjetivo das sobrancelhas, das entrelinhas, para que o outro leia com objetividade e sem a chance de desconfiar e dizer: o que tem por detrás disto?

As aulas e as mensagens pela tv, pela Internet, passam pela revisão da percepção visual do ouvinte e chegam à racionalidade totalmente filtrados pela emoção. As emoções estão aos farrapos! A simplicidade de tudo o que se comunica pode ajudar a reverter muitos conflitos pessoais/digitais/virtuais.

Com a força e a sedução da comunicação e a necessidade social de modelos, a comunicação deita e rola por cima dos conceitos morais e religiosos de cada um. Ela faz e desfaz contextos. Ela usa tanto e tão bem o espaço, que deixa a impressão de que desajustado é aquele que não adotou o que ela dita como regra. Muitos se culpam e se discriminam como um ser fora de moda, ultrapassado/ conservador, fundamentalista, quadrado, porque não se enquadrou nas discrepâncias morais, sociais, religiosas, educacionais imperativas da minoria.

Esta é a Era da mentira! Que também começou no Édem. O pai da mentira todo mundo sabe quem é! Não sabe? Ele é dissimulado, insistente, mascarado, iluminado, se apresenta como “um anjo de luz” para enganar, perverter e conquistar, se pudesse “até os escolhidos” O escolhido é você, somos nós, premiados para viver “num país tropical, abençoado por Deus”, fantástico, lindo, mas, infelizmente, com graves erros na educação.

 A geração que está chegando agora, com a agenda, a mochila e a bolsa de fraldas para a matrícula numa escola, com alguns meses de vida, precisa urgentemente de educadores para iniciar a obra educacional já com atraso. O Brasil estampou uma estatística ridícula de todos os tipos de analfabetismos que pesa nas costas da sociedade, porque o resultado do fracasso respinga em todos os setores. Se a educação é abaixo da crítica… o que dizer da autocrítica?

Há esperança, mas falta coragem. Lares, igrejas, escolas, ongs do bem, precisam tomar a posição na dianteira para afastar minorias do mal, barulhentas, mas empreendedoras que pretendem ocupar o vazio da falta de diálogo em casa, das regras equivocadas em nome da religião, do currículo distorcido das universidades, das propostas indecentes e do assédio imoral da pedagogia de certas escolas. “Sobram” professores, faltam educadores!

Enviado pela autora Ivone Boechat

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