Por Gravel Sertão
https://www.youtube.com/watch?v=ojPhS5Gd-d4&ab_channel=GravelSert%C3%A3o
Nosso propósito: levar história, cultura e boa prosa através da bicicleta.
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
Por Gravel Sertão
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Por História e Cultura do Mundo - Fábio Murilo
A mulher mais
alta do mundo. É uma Sergipana! Dona Maria Feliciana!!! Amiga de circo do rei
do baião Luiz Gonzaga.
Raríssima
fotografia da mulher mais alta do Brasil... Amiga de Luiz Gonzaga o seu sonho é
conhecer Exú terra do rei do Baião.
Maria
Feliciana dos Santos (Amparo de São Francisco, Sergipe, 27 de maio de 1946).
Ela foi por
muito tempo considerada a mulher mais alta do mundo. Aos 23 anos ela já tinha
2,25 m.
História:
Filha única,
descendente de uma família marcada pela altura, ela tem 2,25 m. Seu pai Antônio
Tintino da Silva tinha 2,40 m; sua mãe Maria Rodrigues dos Santos, 1,80 m; a
avó paterna, 2,30 m; e uma tia paterna tinha 2,30 m.
Ela cresceu
normalmente até os 10 anos, quando seu crescimento disparou. Foi jogadora de
basquete, cantora e atração de circo. Suas primeiras apresentações públicas
foram em 1962, aos 16 anos. Aos 18 anos recebeu o título de Rainha da Altura,
no programa do Chacrinha.
Sob a
orientação de Antonio Freire de Souza, seu descobridor e empresário, ela se apresentou
em circos, cinemas e televisões. Numa dessas apresentações, conheceu José
Gregório Ribeiro, Josa, "O Vaqueiro do Sertão", que lhe apresentou a
Luiz Gonzaga, com quem chegou a viajar por quatro meses, numa turnê do cantor.
Foi por indicação dele que ela conseguiu se apresentar no programa do
Chacrinha, A Hora da Buzina.
Depois dessa
apresentação, o programa promoveu um concurso internacional para escolher a
maior mulher do mundo e ela foi a vencedora, sendo nomeada como a "Rainha
da Altura". A coroação contou com a presença de Luiz Gonzaga, que entregou
a coroa, e de Grande Otelo, que entregou a faixa. Entre as candidatas havia uma
americana com 2,15 m.
Começou a
jogar basquete aos 25 anos. Fez parte da Seleção Sergipana por dois anos,
seguindo depois para Porto Alegre, onde participou dos jogos da Confederação
Brasileira de Desportos Universitários. Participou ainda, em 1971, dos 22 Jogos
Universitários Brasileiros.
Durante 12
anos cantou no Trio Sergipano. Apesar de sua altura, pesava, na época, apenas
65 quilos e usava sapatos número 39. Deixou o trio quando conheceu Assuíres
José dos Santos, com quem se casou e teve três filhos: Charles, Shirlei, e
Cleverton, com 2,10 m, 1,65 m e 2,10 m, respectivamente. Em 1973, fez várias
parcerias com duplas sertanejas, quando realizou muitos shows pelo Brasil.
Em 1995 teve
que fazer uma cirurgia no pé, que não foi bem-sucedida, o que a obrigou a fazer
outras. Na última, o médico retirou ossos e cerca de um terço de seu pé. Isso
lhe impossibilitou de se firmar em pé. Para piorar ainda mais a sua situação, o
seu esposo faleceu num acidente de carro, em 1998. Com a morte dele, que se
tornara a única fonte de renda da família, aumentaram os seus problemas.
Mesmo assim
conseguiu fazer novos tratamentos no seu pé e conseguiu a cura. Passou, então,
a residir numa casa modesta. Hoje dona Maria vive em Aracaju muito doente e
precisando de ajuda por conta de vários problemas por conta do seu tamanho
gigante. Com seus 77 anos de idade e muita dor teve problemas sérios na coluna
e em seus pés por conta do seu tamanho.
Via Guilherme
Machado Historiador
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Por José Di Rosa Maria
Autor: José Di Rosa Maria Interpretação: Antônio Domingos & José Di Rosa Maria Acompanhamento & Arranjos: Bonedis Eduardo Apoio: Do professor Lucas Vinícius & Severino Inácio (Poeta)
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Por José G. Diniz
Meu amigo José Mendes
Eu tenho bonitas
glosas
Já não publiquei no
face
Não por serem
maldosas
Tenho umas colocações
boas
Mas existem pessoas
Que são
preconceituosas.
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Por Hélio Xaxá
Eita, muié braba!!
Passa o dia brigando
E a noite
ronronando...
Vira aquela baba.
De dia, só drama
E gritos nos ouvidos
De noite só gemidos
E choro na cama...
Durante o dia é leoa
Mas amansa, perdoa
De noite, é
gatinha...
Baixam os canhões...
Lambe os arranhões...
Amada é mansinha.
Por José Cícero da Silva - Aurora-CE>
Cel Isaias Arruda de Figueiredo
Por José Cícero - Aurora-CE.
Quando menino
fui um moleque tímido, mas um tanto perspicaz e curioso. Tinha receio até de
dizer meu nome em público. Em meu silêncio, contudo, quase estratégico, eu via
e ouvia muito mais que os outros. Foi o jeito que inventei para me inserir
naquele mundo cruel e capcioso. E assim esquadrilhava com meus olhos de lince e
meus ouvidos de cachorro matreiro as coisas que aconteciam ao meu redor.
Ninguém sabia disso. Eu fingia que estava desligado dos assuntos... Mas no
fundo, eu era um menino atento, cujo senso de curiosidade e percepção estava
muito além da maioria. Um ser estranho (eu
confesso), mas que sempre aprendia por trás do silêncio e do soturno aparente
que estavam em mim.
Coisas que
lembro até hoje. Eu tinha um medo tremendo de hospital, do posto de saúde e da
farmácia. Sim, de farmácia. Porque naquele tempo toda farmácia tinha seu
ambulatório onde se fazia aplicação das injeções que me causavam tanto medo. Na
época das vacinas era um Deus nos acuda. Eu queria mesmo era desaparecer... Mas
não havia escapatória. Estava condenado aos temíveis instrumentos tênues e
perfurantes de seu Otacílio, como igualmente de Zé Landim (o nosso bom
farmacêutico), Odaízio e Zé Brasil.
Mas recordo
que, malgrado o temor que eu tinha; terminei por encontrar uma maneira surreal
de me distrair e, assim, aliviar minha dor pela furada no músculo. Mirava meus
olhos num quadro modestamente emoldurado que havia na parede da farmácia. Uma
fotografia simplória em preto e branco de um sujeito pequeno de ar cansado ao
lado do seu jumento com duas ancoretas de água. Acho que às margens da rodovia,
bem ao lado da ponte na entrada da cidade que dava para o Juazeiro sob o
riacho. Imagino, lá pras bandas da antiga rua da várzea.
Nunca
perguntei a ninguém de quem se tratava aquele quadro na parede. Imagem típica.
Talvez feita pelas lentes de Seu Basílio, antigo e único retratista do lugar
naquele tempo. Nem sei ao certo, a razão daquela imagem ter mexido tanto com
aquele menino que era eu. Pois nunca me cansei de olhá-la. De observar aquele homem
sertanejo como que pousando com o seu jerico. Aliás, era o que eu primeiro
vislumbrava na farmácia, mesmo quando entusiasmado eu ia pegar de graça, a
revistinha – Almanaque Fontoura, contendo as estórias do Zeca Tatu do Monteiro
Lobato, que eu gostava. Inicialmente, pelas imagens ( minha leitura visual) já
que eu não estava completamente alfabetizado. Mas fui lendo devagarinho, sem
nenhuma pressa... Quem sabe, como o próprio caminhar daquele jerico da
fotografia.
E hoje, quase
quatro décadas depois é que vi a saber, de quem na verdade se tratava aquela
fotografia amarelada pelo passar dos anos. Coisas que o tal destino nos apronta
de vez em quando. Era Mosquito. O nome do tal homezinho da foto com seu jumento
Lopreu.
Mosquito - O
botador de água da cidade. O ser que dera de beber a tantos, mas que até hoje,
parecem não mais se lembrarem dele. Mosquito – o verdadeiro mito de um Prometeu
sertanejo, posto que passara sua vida inteira a exemplo de Chaim a carregar
água paras às residências dos ricaços em sua maioria. Quem sabe, o Hércules
Quasímodo como bem dissera certa vez Euclides da Cunha na sua obra seminal: Os
Sertões.
Mosquito - O
nosso herói esquecido. Perdido deste então nas brumas de um tempo ido a que
tudo mata, devora e apaga em nome do esquecimento total. Alimentando assim à
memória dos que passam a vida toda alheios ao essencial. Ocupados demais com
seus sonhos absurdos de poder e de dinheiro. Talvez agora nem mais sintam sede
estátuas que são de olhares fixos no nada, como mortos insepultos abraçados a
tal madame frigidaire.
https://www.facebook.com/josemendespereira.mendes.5
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As Mulheres na Segunda Guerra – O Duro e Perigoso Ofício das Enfermeiras de voo – Ferida em um Avião Derrubado na Alemanha Nazista – A Surpresa dos Soldados de Hitler em Capturar uma Mulher Vestida Com o Uniforme de Oficial do Exército Inimigo – Repatriada Através da Suíça Pela Cruz Vermelha – Volta aos Estados Unidos e Casamento – As Injustiças e a Sua Dura Batalha Contra a Burocracia Militar Para Conseguir Seus Direitos
Rostand Medeiros – https://pt.wikipedia.org/wiki/Rostand_Medeiros
Durante a Segunda Guerra Mundial normalmente os exércitos aliados não permitiam que mulheres que usavam uniformes atuassem na linha de fogo. A maior exceção foi no Exército Soviético, onde as mulheres atuaram com galhardia em várias ações de combate direto aos inimigos. Já nas forças armadas da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos e de outras nações Aliadas, a maioria das mulheres atuou principalmente nos setores da administração militar, para assim liberar mais homens para o combate nas linhas de frente. No geral, poucas foram as mulheres que serviram nesses exércitos que chegaram perto de áreas de combate e a maioria nunca levou ou recebeu tiros dos inimigos.
Mas ocorreram exceções.

Entre elas estava a importante tarefa de pilotar aviões saídos de fábrica para serem entregues aos esquadrões da linha de frente. Um trabalho que poderia se tornar perigoso muito mais por problemas mecânicos, ou alterações do tempo, do que serem abatidas por alguma aeronave hostil, fato que nunca ocorreu. Essas mulheres faziam parte do Women Airforce Service Pilots (WASP) e será que alguma delas passou por Natal e pousou em Parnamirim Field?
Outra exceção aconteceu na Grã-Bretanha, onde os bombardeios da Luftwaffe, a força aérea nazista, cobraram um alto preço as cidades e as suas populações. Nessas ocasiões várias britânicas atuaram de forma mais direta em combates, ao operarem poderosas baterias de canhões antiaéreos que buscavam derrubar as aeronaves inimigas. Mas elas disparavam em alvos a centenas de metros de altura e não chegavam a ver “a cor dos olhos dos oponentes”, como acontecia nas pelejas corpo a corpo dos soldados da infantaria.

Algumas poucas mulheres atuaram no escritório de serviços estratégicos dos americanos e no serviço de operações especiais dos britânicos, chegaram a saltar de paraquedas atrás das linhas inimigas para ajudar a resistência francesa e houveram alguns raros casos de combates.
Mas foi a enfermagem a atividade que mais levou mulheres militares dos exércitos Aliados na frente oeste da Europa a ficarem próximas de áreas de combate.
Fosse no atendimento de militares feridos, ou, como aconteceu em algumas ocasiões, estando em locais de atendimento clínico que foram atacados por disparos de artilharia e por atiradores de infantaria inimigos, muitas dessas mulheres testemunharam as terríveis crueldades da guerra. Inclusive o Brasil, um dos países Aliados, enviou para a Itália entre 1944 e 45 um grupo de 73 enfermeiras que se juntaram às tropas da Força Expedicionária Brasileira (FEB) e da Força Aérea Brasileira (FAB), para realizar seu trabalho de forma digna e honrada.

Enfermeira de voo
Mas durante a guerra, o comando militar dos Aliados achou por bem desenvolver as enfermeiras um trabalho específico, onde elas realizavam sua nobre atividade em meio a perigos reais. Foi criada então a função de “Enfermeira de voo”.
As mulheres que desejassem seguir por esse caminho teriam de se voluntariar e a rotina de treinamento desenvolvida era dura e pesada. De saída elas deveriam fazer um forte treinamento militar durante seis a nove semanas, que incluíam a utilização de mapas em áreas de combate, camuflagem de sobrevivência, habilidades no transporte de feridos em aeronaves, preparação para pousos forçados, uso de paraquedas, muita ênfase para o condicionamento físico, uso de diversas armas militares e até a participação em treinamentos que simulavam ataques inimigos em aeródromos.

Essas enfermeiras voaram com muito mais frequência do que outras mulheres da sua profissão e precisavam aprender a cuidar delas mesmas. O treinamento foi projetado para tornar as enfermeiras amplamente autossuficientes durante o voo. Elas foram treinadas para tratar dor, sangramento e choque, atendendo os pacientes na ausência de um médico.
A Força Aérea do Exército dos Estados Unidos criou o primeiro programa de treinamento no outono de 1942. As primeiras 39 Enfermeiras de voo foram formadas em fevereiro de 1943 e muitas mais passaram pela nova escola de evacuação aérea em Randall Field, no estado do Texas. Na Grã-Bretanha, um programa semelhante foi estabelecido com voluntárias da Força Aérea Auxiliar Feminina e a Marinha dos Estados Unidos também criou uma escola semelhante na Estação Aeronaval de Alameda, no estado da Califórnia.

Esquadrões de evacuação aero médica dos Estados Unidos foram criados e divididos em equipes compostas de um cirurgião de voo, que comandavam outras seis equipes compostas de Enfermeiras de voo e vários técnicos cirúrgicos.
As Enfermeiras de voo americanas foram autorizadas a usar em seus uniformes as asas de voo, com um “N” na cor marrom, para “Nurse”, enfermeira em inglês. Mas ao contrário das forças armadas britânicas, todas essas enfermeiras do exército americano foram comissionadas como oficiais, para, no caso de serem capturadas, serem melhor tratadas pelos inimigos.

Como o trabalho dessas mulheres era prioritariamente ligado à evacuação de pacientes, elas utilizavam basicamente aeronaves bimotores de transporte Douglas C-47 Dakota e Curtiss C-46 Commando, modificadas internamente para acomodar várias macas. Esses aviões eram pilotados por aviadores especialmente treinados, enquanto as Enfermeiras de voo eram as principais operadoras das atividades de saúde a bordo. Elas comandavam um ou dois técnicos cirúrgicos, onde a equipe tinha de lidar com o uso de oxigênio e qualquer emergência médica que ocorresse durante o voo, incluindo pacientes em situação de choque, hemorragias, sedação e o que houvesse mais necessidade.

Voar era em si perigoso e muitas enfermeiras de voo salvaram suas vidas e de muitos pacientes durante terríveis emergências, enquanto suas aeronaves desciam no mar ou em terra. Existem casos em que elas retiraram com sucesso pacientes para botes salva-vidas em alto mar, ou de aeronaves em chamas após um pouso forçado no norte da África. Teve o caso de um avião que recebeu disparos de artilharia antiaérea japonesa na Birmânia e uma enfermeira de voo saltou de paraquedas com sucesso.

Houve o caso de um avião que se perdeu durante um voo e acabou fazendo um pouso forçado na Albânia, atrás das linhas alemãs, sendo os tripulantes contactados e protegidos por guerrilheiros desse país. Na sequência, unidades especiais aliadas saltaram de paraquedas para ajudar esse grupo. Mesmo com as patrulhas alemãs caçando-os por dois meses em áreas montanhosas durante o inverno, todos foram salvos.

Apesar das histórias de heroísmo e dedicação, dezesseis Enfermeiras de voo americanas foram mortas durante a Segunda Guerra Mundial.
Atribui-se que grande parte dessas ocorrências aconteceu porque a maioria das aeronaves britânicas e americanas envolvidas em voos de evacuação médica não eram marcadas com cruzes vermelhas, sinalização internacionalmente conhecida para o trabalho e transporte de feridos. Isso aconteceu para que essas aeronaves também pudessem ser utilizadas para transportar armas, suprimentos, munições, etc. Mas é claro que isso significava que a aeronave era legalmente um alvo para os hábeis aviadores de caça, ou os precisos membros das armas de artilharia antiaérea inimigas.

Um incidente pouco conhecido foi a história da única mulher do serviço militar aliado que foi feita prisioneira pelos alemães na frente oeste.
Queda do C-47 na Alemanha Nazista

Reba Zitella Whittle nasceu em Rock Springs, Condado de Edwards, estado de Texas, e estudou no North Texas State College, antes de frequentar a escola de enfermagem do Medical and Surgical Memorial Hospital, da cidade de San Antonio. Depois de se formar, Whittle se alistou no Forte Sam Houston, no Corpo de Enfermeiras do Exército em 10 de junho de 1941. Com o posto de segundo-tenente, foi designada para o hospital da Base Aérea do Exército de Albuquerque, estado do Novo México, onde atuou como enfermeira de serviço geral, sendo posteriormente transferida para Mather Field, Sacramento, estado da Califórnia.
Em 6 de agosto de 1943, Whittle foi aceita pela Escola de Evacuação Aérea da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos, para se tornar Enfermeira de voo. Em setembro chegou à escola em Bowman Field, no estado de Kentucky.
Whittle se formou com notas excelentes e em janeiro de 1944 partiu para a Inglaterra a bordo do navio RMS Queen Mary, com outras 25 enfermeiras de voo do 813º Esquadrão de Transporte de Evacuação Aero Médica, cuja sigla em inglês era 813º MAETS. Essa unidade ficou baseada na Royal Air Force Station Grove, ou RAF Grove, uma antiga estação da Força Aérea Britânica perto da vila de Grove, Oxfordshire, Inglaterra.

Entre janeiro e setembro de 1944 a enfermeira Reba Whittle realizou mais de 40 missões em aviões C-47, com 500 horas no ar, incluindo 80 em momentos de combate.
Na quarta-feira, 27 de setembro de 1944, ela embarcou em um voo ligando a Inglaterra até um campo de pouso na cidade belga de Saint-Trond. Mais uma missão de rotina. Três meses antes os Aliados haviam desembarcado na Normandia e desde então ocorriam intensos combates, com um elevado número de mortos e feridos.
Além da tripulação de voo, da enfermeira Reba e de um técnico cirúrgico, o avião carregava toneladas de suprimentos e retornaria com feridos em suas macas.

Em algum momento durante o voo foi cometido um erro de navegação que colocou o C-47 cerca de 70 quilômetros fora de sua rota, quando foi atingido pela precisa artilharia antiaérea alemã.
Reba Whittle estava dormindo na parte de trás do avião, mas repentinamente foi acordada por uma detonação incrivelmente alta dos projéteis alemães explodindo ao redor do C-47. Lá fora um dos motores estava pegando fogo, enquanto o avião descia rapidamente para um difícil pouso forçado em um campo nevado. O C-47 pousou a cerca de quatro quilômetros da cidade de Aachen, a maior área urbana mais ocidental da Alemanha, junto à fronteira com a Bélgica e a Holanda, e era um lugar fortemente defendido.
O seu técnico cirúrgico, o sargento Hill, tinha ferimentos por estilhaços em um dos braços e uma das pernas. Um dos pilotos morreu, o outro ficou gravemente ferido com lesões múltiplas e a própria enfermeira Whittle sofreu uma concussão e lacerações no rosto e nas costas.

O C-47 estava queimando e os sobreviventes rastejam para fora dos destroços, quando viram que vários soldados se aproximavam. Inicialmente eles pensaram que eram britânicos, mas logo descobriram que eram alemães e estes ficaram vividamente surpresos ao encontrarem uma mulher com uniforme militar e a patente de oficial.
Prisioneira de Guerra
Passada a surpresa, um deles enrolou um curativo em volta da cabeça da enfermeira Whittle, que sangrava profundamente. Na sequência os feridos foram colocados em um caminhão alemão e conduzidos para a aldeia mais próxima para um tratamento médico mais adequado.

Depois houve então uma longa viagem a bordo de um outro frio e sujo caminhão do exército alemão, com passagens frequentes em aldeias e cidades para refeições, ou discussões sobre o que fazer com aquela prisioneira. Os alemães não tinham certeza de como tratar uma prisioneira aliada, que além de tudo era enfermeira e oficial do exército. Todo o sistema alemão de prisioneiros de guerra havia sido projetado para cativos do sexo masculino e as únicas mulheres aliadas prisioneiras eram cidadãs civis de nações inimigas, detidas em campos de internamento especiais, sendo a maioria localizados em castelos antigos.
Reba e o resto da tripulação foram enviados para Auswertestelle West (Escritório de Avaliação Oeste), o principal centro de interrogatório da Luftwaffe em Oberursel, ao norte de Frankfurt, onde todas as tripulações inimigas capturadas eram interrogadas antes de seguirem para um campo de prisioneiros.

Após um interrogatório educado, os alemães separam Reba Whittle do resto de sua tripulação e ela ficou alojada no Hohemark Hospital, que era parte de Auswertestelle West e projetado para fornecer ajuda imediata a prisioneiros feridos.
Consta que após algum debate os alemães decidiram que a enfermeira americana poderia ser usada para ajudar os soldados aliados. Então Reba foi transferida para um hospital militar para prisioneiros de guerra, administrado por uma equipe médica britânica, sendo parte do campo de prisioneiros Stalag IX-C, perto de Bad Sulza, um lugar entre as cidades de Erfurt e Leipzig, na região da Turíngia, centro da Alemanha. Em 19 de outubro, ela foi transferida para outro hospital de prisioneiros de guerra, nas proximidades da cidade de Meiningen, onde trabalhou com pacientes queimados e no centro de reabilitação para amputados.

A captura de uma mulher oficial do Exército dos Estados Unidos chamou a atenção dos representantes suíços do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, que regularmente inspecionavam os campos de prisioneiros alemães. Reba deu detalhes de sua situação e de sua patente a esse pessoal.
Os membros da Cruz Vermelha por sua vez notificaram o Departamento de Estado, como é conhecido o Ministério das Relações Exteriores dos Estados Unidos, que começou a negociar sua libertação através da troca de prisioneiros.
Para alguns pode parecer esquisito, mas durante a Segunda Guerra ocorreu regularmente entre os Aliados e os alemães a repatriação de vários prisioneiros considerados muito doentes, ou psicologicamente incapazes de serem ainda úteis para o esforço de guerra. Evidentemente que a enfermeira americana não se enquadra nesta situação, pois estava totalmente sã e lúcida, podendo retomar ao seu trabalho para o esforço de guerra dos inimigos dos alemães.

Mas todos que se debruçaram sobre o tema são unânimes em afirmar que os alemães se sentiram muito incomodados com a presença daquela oficial e, para surpresa de muitos, preferiram mandá-la de volta.
O retorno ocorreu em 25 de janeiro de 1945, quando Reba Whittle foi transportada em um trem com um grupo de repatriados para a Suíça e de lá ela foi capaz de embarcar em um avião para a Inglaterra e depois para os Estados Unidos.
Injustiça
A Enfermeira de voo Reba Zitella Whittle recebeu várias condecorações por sua provação como prisioneira, pelas feridas recebidas no acidente, por suas 41 missões em aviões C-47 evacuando os feridos e também foi promovida ao posto de primeiro-tenente. A enfermeira recebeu um telegrama do presidente Franklin Delano Roosevelt, agradecendo a ela por seu serviço e reconhecendo sua provação como uma prisioneira de guerra dos alemães por quatro meses.
Mas a concussão que ela sofreu no acidente a deixou com problemas duradouros, principalmente fortes dores de cabeça. Mesmo assim ela retornou ao serviço ativo na Estação Número 2 de Redistribuição da Força Aérea do Exército, em Miami Beach, Flórida. Depois foi transferida para trabalhar como enfermeira em um hospital do exército na Califórnia até o final da guerra.
Em 3 de agosto de 1945 ela se casou com o tenente-coronel Stanley W. Tobiason e em seguida solicitou dispensa do serviço ativo. Ela foi dispensada com todas as honras em 13 de janeiro de 1946.
Sua vida pós-exército foi marcada por vários problemas físicos e psiquiátricos. Ela buscou uma indenização da Administração dos Veteranos e iniciou uma série de apelos para a aposentadoria médica militar. Apesar dos diagnósticos de encefalopatia pós-traumática, reação crônica de ansiedade grave e artrite lombossacral precoce, seus apelos foram negados.
Finalmente, em janeiro de 1954, o Conselho de Apelação de Deficiência Física do Exército concordou que ela foi dispensada do serviço ativo por motivo de deficiência física e, portanto, elegível para benefícios de aposentadoria. Mesmo com sua deficiência sendo classificada como “ocorrida em combate”, ela foi retroativa apenas ao momento de sua inscrição, abril de 1952, e não ao período da guerra, o que lhe gerou um grande prejuízo financeiro e emocional. Reba realizou vários apelos, mas seu processo não foi reconhecido e acabou indeferido. Alguns dos seus biógrafos acreditam que sua condição de mulher pesou nessa equivocada e injusta decisão.
Ela e o Coronel Tobiason tiveram dois filhos, um dos quais se tornou Aviador Naval e serviu na Guerra do Vietnã.
Reba Whittle Tobiason morreu de câncer em 26 de janeiro de 1981, aos 62 anos.
Em abril de 1983, o Coronel Tobiason escreveu ao Exército, afirmando que o Departamento de Defesa e a Administração dos Veteranos não conheciam nenhuma outra militar americana que tenha sido feita prisioneira pelos alemães durante a Segunda Guerra na Europa.
Em 2 de setembro de 1983, Reba Zitella Whittle finalmente recebeu o status oficial de prisioneira dos alemães, mas somente em 1997 ela foi agraciada postumamente com a Medalha dos Prisioneiros de Guerra.
FONTES
https://www.tshaonline.org/handbook/entries/tobiason-reba-zitella-whittle
https://blog.theveteranssite.greatergood.com/reba-whittle/
https://www.memorialflightclub.com/blog/c-47-dakota-za947-75th-birthday
https://tokdehistoria.com.br/2023/03/22/mulher-de-coragem-a-historia-da-unica-enfermeira-militar-americana-capturada-pelos-alemaes/
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