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quinta-feira, 9 de julho de 2026

TIA JACOSA, AVÓ MATERNA DE LAMPIÃO

 

Esta senhora não é a avó de Lampião. É tia dele, irmã de Dona Maria Sulena da Purificação, sua mãe.

A 15 de agosto de 1921 foi Lampião ao Poço do Negro, riacho próximo à casa de D. Jacosa, para visitas de cumprimento à avó materna, em seu aniversário natalício. 

Tia Jacosa, como era conhecida por seus familiares, no arrasto dos oitenta e tantos, tinha a cabeça encanecida e, desatados do cocó, fios de cabelo flocavam ao capricho da aragem matutina e doce, finos quiném algodão-seda, empoados de luz, com parença de auréola de santa... 

Quedou-se Virgulino, do lado de fora da casa e sem ainda ser notado, contemplando, por alguns instantes, aquela figura-símbolo de uma geração que alicerçou a economia doméstica sertaneja e lhe deu fama: a Mulher Rendeira!

A viveza do menino, agora crescido, sempre havia atraído as predileções da avó e madrinha. Assim, ao inteirar os cinco anos de idade, conseguiu ela levar o menino para a sua casa, aliás ali perto, a cento e cinquenta metros da casa paterna. 

A influência educativa dos pais, que não cessou, acrescentou-se a desta senhora - a "Mulher Rendeira" - a quem o menino embasbacado admirava quando ela, com incrível rapidez das mãos, trocando e batendo os bilros na almofada e mudando os espinhos nos furos, tecia rendas e bicos de fino lavor. Uma festa, a sua presença. Encontro braiado de contentamento e pesar no coração de todos: alegria de se reverem e mais ainda naquele dia feliz do aniversário de Tia Jacosa que não se cansava, toda ancha e enlevada, de espiar para Virgulino, seu filho de criação e neto de estimação; tristezas e lágrimas com as notícias das trágicas mortes dos pais e o expatriamento, sem destino, dos irmãos menores... 

Quando Virgulino, todo dolero e distinto, relatava outros assucedidos e as alentadas brigas que tivera, Tia Jacosa, sentada bem de perto na frente dele, teve uma visão -"um sonho acordado", conforme ela mesma declarou:

- "Nunca vi Virgulino tão grande!
Ele crescia...crescia...
Parecia o sertão interim!..."

Realmente, ali estava o próprio sertão encarnado num gigante da raça para dar resposta de protesto às injustiças dos poderosos e às condições miseráveis da terra abandonada. Tocado no momento seu espírito artístico por um lampejo de inspiração, prometeu Virgulino fazer uma música bem bonita em homenagem à sua querida avó.

Cinco meses depois, precisamente em 22 de fevereiro de 1922, estava outra vez Lampião no Poço do Negro. Desta feita trazendo uma grande novidade - a canção "Mulher Rendeira", música e letra de sua autoria - prometida homenagem à sua estremecida Tia Jacosa.

Não se teve de emoção a boa velhinha ao ouvir, pela primeira vez cantada e na voz de Virgulino, a sua canção. Comovida e admirando sem cessar a habilidade - "a arte" - de seu neto, disse:

- "Não é que ele aproveitou as palavras que eu costumava dizer a ele quando, menino reinador e desesperado, começava a embirrar com suas teimas?: 

"- Chorou? pru mim não fica,
saluçou? vai pru borná"

E repetia:

- "Ele nunca deixou de fazer arte!
Espie essa agora..."

"Ô, Ô, Mulé rendêra!
Ô, Ô, Mulé rendá!
Chorou? pru mim não fica;
Saluçou? vai no borná".

A alegria explodia de todos os peitos, todos cantando e aplaudindo com palmas e vivas, pois, mais do que da primeira visita, a casa estava cheia.

Tia Jacosa chegou mesmo a ensaiar, com Virgulino e devagarinho, uns bons passos trêmulos de dança que, no momento, inspiraram ao neto a criação da famosa dança cangaceiresca do Xaxado. Os demais, em roda, esquentavam o ambiente, cantando a canção e batendo, em ritmo, o pé e as palmas das mãos.

Em seguida, recordou ela, com saudade e entusiasmo - parecendo naquele momento ter rejuvenescido - seus tempos de mocidade... Dia inesquecível para toda a família, memorável pela apresentação dessa canção que se tornou hino de guerra do sertão e hoje pertencente ao cancioneiro popular nordestino e difundida internacionalmente. A famosíssima composição funcionava como condão mágico nas gestas lampeônicas. A seus acordes os cangaceiros vibravam, inflamantes, nos combates. E seu canto ressumava, entusiasta, nas vitórias alcançadas.

Tia Jacosa ainda viveu pouco mais de dois anos ouvindo sua canção divulgada por todo o sertão e fazendo seu neto crescer cada vez mais como "homem" e na "arte".

ADENDO: José Mendes Pereira


Dona Jacosa seria esta que está sobre todos os outros que aparecem no desenho.

http://www.midiaindependente.org/pt/red/2010/12/482597.shtml
http://blogdomendesemendes.blogspot.com

ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!

Perdoe qualquer agressão, para não se sentir culpado ao tirar a vida de alguém. E entenda que: Perdoar é devolver ao outro o direito de ser feliz.

Quando estiver no trânsito, primeiro, lembre-se de lembrar que tem que se lembrar deste lembrete, para não passar por coisas desagradáveis no trânsito. 

 Cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, desculpa-o, faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional. Você poderá ser vítima. 

As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! 

Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo dentro de um caixão. 

Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância, e depois que o bicho é criado, o mais difícil é domá-lo.

Imagina bem, o sujeito diante de uma arma sem ter como se livrar dela, hein? Possivelmente irá morrer. 

Não se faça de valente, só porque está com a sua namorada ou esposa e não quer que ela sinta o seu fracasso. Ela não te quer como herói, te quer simplesmente como namorado ou esposo vivo. 

É melhor vivo medroso do que  morto valente.

 https://www.metropoles.com/distrito-federal/na-mira/policial-civil-atira-na-perna-de-motociclista-apos-briga-de-transito-video 
"O site acima diz que este rapaz condenado a morrer não morrei, mas foi baleado por este ignorante".

Uma confusão criada entre dois ou mais indivíduos no trânsito, muito difícil de ser apaziguada. Cada um quer ter razão, e uma arma poderá surgir entre eles, e alguém apertará o gatilho, e outro irá morrer.

Muito chato para você, sempre me ver lembrando isso. Mas é para o seu bem. 

http://jmpminhasimpleshistorias.blogspot.com

http://sednemmendes.blogspot.com

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