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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Cartaz palestra Centenário Luiz Gonzaga


Por: Múcio Procópio

MEMÓRIA DA TV E DO CINEMA  ONG - CULTURAL DE RESGATE E PRESERVAÇÃO DE IMAGENS DA TV E CINEMA NO BRASIL

OBRIGADO, AMIGO!

COMO DEVE SABER TEMOS VÁRIOS DVDS RAROS COM O SAUDOSO "REI DO BAIÃO"..
LUIZ GONZAGA 1984 especial da tv  “MOSAICOS A LUZ DOS SERTÕES” - 1 dvd
LUÌZ GONZAGA  imagem amadora - dvd foi gravado em 1988 em Caruaru, o Luíz já estava doente, andando de moletas, então, alguns artista de pé de serra prestam uma homenagem ao rei do baião como o cantor Azulão e outros, e de vez em quando Luíz Gonzaga dá uma palhinha nas canções... no começo do dvd ha uma espécie de bastidores onde o ''rei do baião'' reunido com pessoas da alta sociedade da época,como o prefeito de Caruaru e outros... magobardo@yahoo.com DVDs raros
LUIZ GONZAGA SHOW DE DESPEDIDA  1 DVD
LUIZ GONZAGA “DANADO DE BOM” musical raro 1 dvd – você só acha aqui!!
LUIZ GONZAGA GLOBO REPÓRTER 1984 ESPECIAL RARO 1 DVD
LUIZ GONZAGA 1) 20 Anos da Morte – da série Arquivo N.    2) Seu Lula – da série Nomes do Brasil. 3) Uma Homenagem a Luiz Gonzaga – da série Globo News Especial (2008).                                                                                                             
LUIZ GONZAGA BAR ACADEMIA 1985
LUIZ GONZAGA – ESPECIAL "AQUARELA BRASILEIRA" (Band -1987)
LUIZ GONZAGA  AS SANFONAS DO LUA - DOCUMENTÁRIOS
LUIZ GONZAGA  (21/8/72 ESPECIAL “PROPOSTA”-TV CULTURA) – 1 DVD
LUIZ GONZAGA DOCUMENTÁRIO CAMINHOS DA REPORTAGEM - GONZAGÃO   
SOM BRASIL- GONZAGÃO    LUIZ GONZAGA      
LUIZ GONZAGA ARQUIVO N 
GONZAGÃO E GONZAGUINHA MUSICODRAMA 1 DVD
(VEJA EM FILMES NACIONAIS RAROS,ABAIXO,ALGUNS FILMES COM O “REI DO BAIÃO”)

TFA!
JC.'.

Parte acervo de DVDs raros para trocas 
http://memoriatvcinema.net46.net
 ALAN MOORE SENHOR DO CAOS-
http://alanmooresenhordocaos.wordpress.com

Enviado pelo capitão Alfredo Bonessi

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Livros sobre "Cangaço"


1938 - Angico

Autor: Paulo Medeiros Gastão


Lampião de A a Z


Autor: Paulo Medeiros Gastão

Os livros 1938 - Angico e Lampião de A a Z podem ser adquiridos através deste e-mail:
paulomgastao@hotmail.com
Diretamente com o autor (não está a venda em livrarias).
Preço por exemplar: R$ 20,00 (vinte reais+ frete).

A outra face do cangaço


Autor: Antonio Vilela de Sousa


PARA AQUISIÇÃO DO EXCELENTE  LIVRO:
A presente obra custa R$ 20,00 (Vinte reais) + frete a consultar. Tem 102 páginas, fotos inéditas e está sendo comercializado exclusivamente pelo autor
Via e-mail:
incrivelmundo@hotmail.com
ou telefones: (87) 3763 - 5947 / 8811 - 1499/ 9944 - 8888 (Tim)

Ivanildo Alves da Silveira
Natal-Rn

http://blogdomendesemendes.blogspot.com


Centenário de Manuelito Pereira, o fotógrafo número 1 (I)

Imagem 01 - Manuelito Pereira, 1942

Esta matéria é uma justa homenagem àquele, que através de suas lentes, por quase meio século, elaborou um registro visual inquestionável, e, de valor incalculável para a História da cidade de Mossoró-RN, o fotógrafo Manuelito Pereira, (17/08/1910-10/08/1980). O centenário de nascimento deste artista do clique e do flash:  17/08/2010.

Por meio de um arquivo disponibilizado pela Color Filmes de Mossoró-RN, acessei a esta pequena auto-biografia do fotógrafo, escrita numa linguagem simples, direta e coloquial, a qual transcrevo, na íntegra, e que apenas inseri mínimas correções para torná-la mais clara ao leitor.


Dados pessoais: "Meu nome é Manuelito Pereira dos Santos Magalhães Benigno, ou mais simplesmente Manuelito Pereira. Nasci em Fortaleza a 17 de agosto de 1910,  e cheguei a Mossoró no dia 4 de outubro de 1933, já como profissional da fotografia, a convite da família Escóssia, para trabalhar no Foto Escóssia, que na época, era o fino da cidade. Casado com D. Maria Silva Barbosa Pereira, também cearense, das macambiras de Canindé. Constituí uma família de 5 filhos, dos quais somente dois estão vivos,  e 6 netos,  todos estudando na capital do Estado, sendo que quatro deles já são acadêmicos de engenharia , em diversos ramos. Estou, portanto, aqui há quase 44 anos e com 47 de profissão."

A imagem 01, de  1942, retrata o fotógrafo Manuelito, em seu próprio estúdio, localizado na Praça Vigário Antonio Joaquim, Mossoró-RN. . A autoria da imagem é desconhecida, é provável que venha ser de algum outro funcionário daquele estúdio.

Da iniciação na arte fotográfica: "Iniciei-me na arte fotográfica em Fortaleza-CE, era aprendiz do “Foto Sales”. Depois passei por diversos outros estúdios,  e,  em 1930,  já era considerado um profissional.
Recebi convite de Augusto da Escóssia para trabalhar no foto de propriedade de Louro da Escóssia e para aqui (Mossoró-RN) me desloquei fixando-me até hoje, (1977).

Depois do “Foto Escóssia”,  ainda trabalhei com José Otávio,  para finalmente instalar-me por conta própria.

Foi no ano de 1942, num sábado de carnaval, que inaugurei meu estúdio próprio, na praça Vigário Antonio Joaquim, onde está até hoje, com o nome de “Foto Manuelito”.  Consegui, ao longo dos anos,  ser considerado o “fotógrafo n° 1 da cidade” o que só me dá motivos de satisfação e orgulho. Até hoje, mesmo depois de arrendado o estúdio, continua com a mesma denominação, mantendo a tradição do nome feito com muito trabalho, sacrifício e amor e arte.

Também para mim é motivo de orgulho poder dizer que encomendei muito dos meus ex-empregados que hoje são donos de estúdios fotográficos, aqui (Mossoró-RN) e em outros lugares.

Este Foto realmente me envaidece, e faço votos que todos progridam e sejam felizes. Mesmo com a minha aposentadoria,  continuo sendo um amante da arte, pois a fotografia é uma coisa que empolga a gente,  e faz  gente gostar e se apaixonar pelo que ela pode dar e ensinar."

Imagem 02 - 1. Estúdio de Manuelito, em 1953

A imagem 02, de 02/07/1953, de autoria de Manuelito Pereira, mostra  o local do Foto Manuelito, cuja edificação está assinalada com o número 1, situada no prosseguimento da R. 30 de Setembro, na Praça Vigário Antonio Joaquim. Para realizar esta perspectiva aérea, é provável que o fotógrafo tenha escolhido o campanário da Catedral como ponto de tomada para a realização da imagem. Infelizmente, esta edificação histórica, de acordo com informações dos locais, a mesma está sendo demolida, e só Deus sabe que monstrengo irão construir neste espaço. Falar em destruição do patrimônio histórico edificado, é falar em Brasil .... triste aquele país que não preserva a sua memória.

A imagem 03, de 1949, mostra o local de residência do fotógrafo, na cidade de Mossoró, na R. Dr. Manoel Hemetério - Centro; sendo provável que deva ter sido a primeira residência. Deduz-se que a citada imagem seja de autoria do Manuelito Pereira.

 Imagem 03 - Casa de Manuelito Pereira, R. Dr. Manuel Hemetério. Mossoró, 1949.

Memórias: "Tenho muitas lembranças acumuladas de minhas atividades como fotógrafo nesta cidade, que quero, com muito carinho,  através de um arquivo de várias chapas que contam uma grande parte da vida de Mossoró.

Acompanhei, através da fotografia, o desenvolvimento social, político, cultural e econômico do município durante quase meio século.

Registrei a passagem de diversos Presidentes da República entre eles Juscelino Kubitschek, Getúlio Vargas, Eurico Dutra, Jânio Quadros, João Goulart, Costa e Silva, etc, Ministros de Estados, Governadores, Prefeitos, Políticos em geral, Misses e diversas personalidades do mundo artístico e cultural, pela terra de Santa Luzia.

Imagem 04 - Adalgisa Colombo, 1958.

Este artigo não tem preço porque faz parte da minha vida, e é a minha verdadeira memória oficial; não é em vão que dizem que a fotografia são os olhos da memória.

Fotografei a vida e a morte, alegrias e tristezas".  Manuelito - 1977.

A imagem 04, de 1958 e de autoria de Manuelito Pereira, comprova parte desta afirmação, pois, aqui, ele fotografou a vida desabrochada, a beleza, a alegria,  a Miss Brasil 1958 - Adalgisa Colombo, quando de sua visita a Mossoró-RN. A fonte de origem desta imagem: Blog de Josselene Marques.

Citarmos as fontes é respeitar quem pesquisou e dar credibilidade ao que escrevemos. Télescope. Autoria das  imagens 02,03 e 04: Manuelito Pereira, 1910-1980; Fonte dos arquivos fotográficos P&B 01, 02 e 03- Site Azougue. - Índice das Matérias Publicadas em Memória Fotográfica.

http://telescope.zip.net/arch2010-07-01_2010-07-31.html





segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

PROF. GILSON PEREIRA É CAMPEÃO MOSSOROENSE DE XADREZ DE 2012

Por: Honório de Medeiros
Professor Gilson Pereira

GILSON RICARDO DE MEDEIROS PEREIRA, 55, professor-doutor da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN) é o Campeão Mossoroense de Xadrez de 2012.


Mossoroense da gema, GILSON PEREIRA é neto de Manuelito Pereira, o histórico fotógrafo de Mossoró.

Fotógrafo Manuelito Pereira - http://telescope.zip.net

Após treze rodadas, com partidas acirradas e muito bem jogadas, o enxadrista Gilson Pereira sagrou-se vencedor invicto, com dez vitórias e dois empates, e uma rodada de antecipação.

O segundo lugar ficou com Carlan Amorim que marcou nove pontos e meio e o terceiro lugar ficou com Márcio Barbosa que marcou oito pontos e meio.

http://honoriodemedeiros.blogspot.com.br

Lampião contra o mata sete


Autor: Archimedes Marques


Preço: R$ 50,00
BANCO DO BRASIL
Agência: 3088-0
Conta: 33384.0
Em nome de Elane Lima
Marques (Minha esposa).
E-mail
archimedes-marques@bol.com.br

http://blogdomendesemendes.blogsapot.com

Recado do Presidente

Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço

Caros Sócios e amigos


A diretoria da SBEC representrada pelo Presidente e Tesoureiro esteve presente nos dias 10 e 11 de dezembro em Vitória da Conquista/BA. Na ocasião definiu-se o cronograma de atividades e programação para o III Congresso Nacional do Cangaço que ocorrerá no periodo de 22 a 25 de outubro de 2013 nas dependências da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB e no Centro Cultural de Vitória da Conquista.

Participaram da reunião representantes da:

UESB - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia 

UNEB - Universidade Estadual da Bahia
IFBA - Instituto Federal da Bahia
CATROP - ONG - Carreiro de Tropa

A programação com informações/orientações de prazos para inscrições estarão a disposição no site do evento e das instituições parceiras a partir da segunda semana de janeiro de 2013.

Contamos com a participação e divulgação de todos os sócios e interessados.

O III Congresso Nacional do Cangaço terá como tema: Sertões: memórias, deslocamentos, identidades.


Saudações
Lemuel Rodrigues da Silva
Presidente

http://lampiaoaceso.blogspot.com

Frederico Lança Benjamim Abrahão, Entre Anjos e Cangaceiros Por:Narciso Dias


O GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço, esteve prestigiando no dia 13.12.2012 na cidade do Recífe o lançamento do lívro, do grande pesquisador e escritor, Frederico Pernambucano de Mello. Onde membros do grupo representados por Narciso Dias, Jorge Remígio e Jair Tavares; participaram da sessão de autógrafos. "Lá encontramos os amigos Paulo Brito (filho de João Bezerra), Fábio Menezes, Sandra Queiros e seu irmão José Ferreira Júnior (Netos de Dona Mocinha irmã de Lampião).

Frederico Pernambucano de Mello e Narciso Dias

O autor ao lado de Jorge Remigio

Paulo Britto e Jorge Remigio

Frederico elogiou a iniciativa do grupo em preservar a história na Paraíba,e mandou recomendações ao nosso curador do Cariri Cangaço Manoel Severo e ao presidente GECC nosso amigo Angelo Osmiro e ao pesquizador paraibano João Bezerra da Nóbrega, demonstrando satisfação com esses mantenedores da história. O evento foi realizado na livraria cultura do shopping RioMar.

Narciso Dias - Presidente do GPEC e

membro do Conselho Consultivo do Cariri Cangaço



http://cariricangaco.blogspot.com.br

Cem anos de Luiz Gonzaga

Por: João de Sousa Lima

ERA O DIA DO REI

Cem anos se passaram, chegou o dia de dezembro de 2012, nesse dia, se vivo, o cantor Luiz Gonzaga completaria cem anos de idade. Durante todo o ano de 2012 o Brasil se mobilizou em torno da figura e da grandiosidade do Rei do Baião. Trabalhos escolares, grupos teatrais, culturais e musicais, cantores repentistas, xilógrafos, escritores e radialistas homenagearam o cantor. Em universidades, teses, trabalhos de graduação e trabalhos de conclusão de cursos, tiveram por tema o artista e sua arte. Vários projetos foram finalizados enaltecendo Luiz Gonzaga. O Rei do Baião representa para o nordeste brasileiro a valorização dos nossos costumes, das nossas tradições, das nossas raízes culturais, artísticas e históricas.  A cidade de Paulo Afonso teve o privilégio de sediar vários shows de Luiz Gonzaga; Aqui ele cantou, encantou, fez amigos, foi querido e amado, recebeu titulo de cidadão Pauloafonsino, cantou em troca de alimentos para ajudar os sertanejos que enfrentavam a terrível seca de 1983. Aqui ele foi fotografado, cortejado, adorado, acolhido, venerado.

A música Paulo Afonso foi a maior prova de amor entre a cidade e o artista. Quando em 1989 o cantor faleceu, a cidade em peso chorou, hastearam a meio maestro suas bandeiras em luto; Referencias e comoções tomaram conta da cidade.  Agora, em seu centenário, realizamos algumas homenagens ao Rei do Baião. Eu escrevi um livro narrando a passagem de Luiz em nossa cidade, resgatando imagens e histórias acontecidas com nosso povo. Sebastião Carvalho que foi a pessoa encarregada pela loja Maçônica São Francisco para fazer o contato convidando Luis Gonzaga para fazer o show beneficente em 1983 prestou sua homenagem ao velho amigo e em seu Haras Estrada da Vida, colocou dezessete sanfoneiros tocando músicas do Rei do Baião. O evento que comportou cento e trinta convidados foi embalado pelo autêntico forró, regado a emoção e a lembrança do inesquecível cantor.

No dia 13 de dezembro, nesse dia, Eu, Sebastião e Carlos Galindo acordamos com o raiar do sol e seguimos para os festejos em Exú, Pernambuco, lugar onde nasceu Luiz Gonzaga. Cruzamos Petrolândia, Floresta, Salgueiro, Bodocó e chegamos à terra do Rei do Baião. Uma multidão aglomerava-se no Parque Aza Branca e no centro da cidade. Na entrada do parque o cantor Alcimar Monteiro gravava programa para um canal de televisão. Mais na frente encontramos o comediante e maior imitador de Luiz Gonzaga, João Cláudio Moreno. Fizemos algumas fotografias com João e com ele nos dirigimos ao mausoléu do Rei do Baião. Dentro do mausoléu João Cláudio entrou em profundo silêncio, encostou a cabeça no mármore frio da lápide e em oração se emocionou e chorou. Eu e Sebastião ficamos de longe olhando a cena e depois deixamos João Cláudio em seu momento intimo. À tarde, várias autoridades civis e militares chegaram ao parque onde aguardavam o governador Eduardo Campos. Uma orquestra militar tocava músicas do Gonzagão. Entre as autoridades destacava-se Joquinha Gonzaga, sanfoneiro e sobrinho de Luiz Gonzaga. Quando começou o protocolo Joquinha Gonzaga foi agraciado com a comenda de Cidadão Pernambucano, recebendo o Titulo das mãos do governador Eduardo Campos. Depois o governador inaugurou uma estátua dourada de Luiz Gonzaga em frente ao Museu.

Com o cair da noite, lateral ao palco principal surgiu um cinema ao ar livre. Nas cadeiras lotadas ouvimos um discurso emocionado e emocionante do governador que tão justo falou da importância de Luiz Gonzaga para a cultura do Brasil. A casa da moeda do Brasil lançou a medalha em homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga nas versões ouro, para e bronze. Consegui para meu acervo a versão em bronze e Sebastião Carvalho adquiriu as versões em prata e bronze. Em público o governador quebrou as cunhas das moedas. Os correios lançaram um selo em homenagem aos cem anos de Luiz Gonzaga. Mesa das autoridades desfeita começou a obra de arte do cineasta Breno Silveira: Gonzaga, de pai para filho. O filme traça um perfil das turbulências afetivas entre Gonzagão e Gonzaguinha, sem perder a ternura jamais. A película é de uma emoção pouco vista nas telas brasileiras, um verdadeiro retrato do que se passa no mais profundo sertão, sentido nos corações de dois grandiosos artistas ligados por uma áurea divina.

Depois do filme ouvimos o show de João Silva, um dos parceiros de Luiz Gonzaga. Algumas músicas mais e fomos procurar um local para descansarmos do dia estafante. Percorremos os quilômetros que separam Exú do Crato, pois em Exú os hotéis e pousadas estavam lotados. No Crato ficamos no hotel pasárgada, de onde saímos cedo, depois de um fato café matinal. Visitamos o Horto e o Museu do Padre Cícero Romão Batista. Muito próximo a estátua do padre Cícero cruzava em vôos rasantes um avião azul, depois ficamos sabendo pelo próprio piloto, o sanfoneiro Waldonys, que ele tinha ido lá, em suas acrobacias, tomar benção ao famoso Padre.
    
Retornamos a Exú e ainda cedo, na antiga residência de Luiz Gonzaga, vimos uma aglomeração e seguimos até lá; Na entrada da casa estava exposto um veraneio verde que pertenceu a Luiz Gonzaga. Dentro da casa pessoas fechavam um circulo ao redor de uma pessoa. Entrei com Sebastião e descobrimos que no meio daquela gente toda estava o Mestre Dominguinhos. Velhos e crianças cercavam o herdeiro musical do Velho “Lua”. Dominguinhos sorridente e ao mesmo tempo visivelmente abatido atendia todos com a simpatia que sempre dedicou a seus fãs e que fez parte de sua carreira artística. Com Dominguinhos estava Paulo Wanderley, um amigo que fiz em Fortaleza quando realizava palestra sobre o cangaço para o festival de Cinema daquela capital. Tiramos algumas fotos ao lado de Dominguinhos e seguimos a casa de Joquinha Gonzaga. Na casa de Joquinha deixamos alguns presentes com ele e seguimos para o lugar onde nasceu Luiz Gonzaga. Na antiga residência onde morou Januário, pai do rei do Baião, podemos degustar um carneiro na brasa e conhecermos o dono do restaurante, o senhor Junior. Junior nos levou para vermos o local do nascimento de Luiz Gonzaga. Fotografamos o lugar e seguimos até a  casa  da heroína Bárbara de Alencar. Da casa de Barbara fomos até a outra casa onde Luiz Gonzaga morou e que fica vizinha a casa do Barão de Exú. Na casa do Barão encontramos seu trineto Francisco, que muito educadamente se deixou ser fotografado com sua mãe e nos proporcionou a oportunidade de visitar os cômodos da antiga mansão que ainda mantêm móveis e utensílios de época. No pátio na frente do casarão situa-se a majestosa igreja que também foi construída pelo Barão. Lateral a igreja uma roda de sanfoneiros chamou nossa atenção. O sanfoneiro Amazan gravava o programa “Sala de Reboco” e desfrutamos de uma tarde memorável ouvindo Targino Gondim, Robertinho do Acordeom, Erivaldo de Carira e Joquinha Gonzaga.
    
Muitas músicas depois e chegou a hora de retornarmos. Carro na estrada e nas lembranças uma Asa Branca clareando os pensamentos; No coração a satisfação de ter ido lá, de ter prestado essa ho0menagem ao inesquecível Luiz Gonzaga e de ter participado desse momento histórico. Nas terras do Rei do Baião vivi emoções, senti pulsar nas veias o sangue nordestino dos homens invencíveis que se quebrantam na musicalidade e no aboio do vaqueiro, na canção que ecoa daquela sanfona branca que eternizou a bandeira em canto que influencia gerações e se torna marco indestrutível nas estradas cravadas com a arte de Luiz Gonzaga. Pela maestria de Luiz o transformamos no “Embaixador do Nordeste”, cujo canto é paz, é vida, alegria e emoção. Na felicidade de ter vivido tudo isso, deixei minhas preces em cada canto desses cantos que passei e que foram motivos de inspirações que saíram em forma de músicas nos acordes das teclas daquela sanfona branca e que hoje vaga no imaginário de uma nação que derrama em prantos a saudade deixada por Luiz Gonzaga do Nascimento, o eterno Rei do Baião.

João de Sousa Lima
Paulo Afonso, Bahia, madrugada do dia 15 de dezembro de 2012.


João de Sousa Lima, João Cláudio Moreno ( comediante e imitador de Luiz Gonzaga ) e Sebasteão Carvalho.


Sebastião e João de Sousa Lima no veraneio que pertenceu ao Rei do Baião.


João de Sousa Lima, Sebastião e Carlos Galindo na estátua de Luiz Gonzaga inaugurada pelo governador Eduardo Campos.


Sebastião, a filha do cantor Josa Vaqueiro do Sertão, João de Sousa Lima e Edilson do Acordeom.


João de Sousa Lima, o cantor Waldonys e Sebastião.


O cantor Joquinha Gonzaga, sobrinho de Luiz Gonzaga, recebeu das mãos do Governador Eduardo Campos, o Título de Cidadão Pernambucano.


A casa de Januário guarda suas características originais.


O local exato da casa onde nasceu Luiz Gonzaga.
Na foto:  João de Sousa Lima, Sebastião,  Carlos e Júnior (proprietário das terras onde fica o marco de identificação da antiga residência)


A segunda casa onde morou Luiz Gonzaga.


Enviado pelo escritor e pesquisador do cangaço: 
João de Sousa Lima

http://www.joaodesousalima.com










Ao Chefe de Polícia de Pernambuco, em 28/08/1927

Por: Rubens Antonio

Telegramma, em 28 de agosto de 1927.

“As ordens que vossencia me transmittiu no telegramma do dia 15, foram pontualmente executadas, sendo continuo e prompto para cumprir as instrucções de vossencia, sem, neste particular, medir a consequencia. Conforme scientifiquei a vossencia, em telegramma da mesma data tinha incumbido o tenente Hygino de effectuar uma diligencia para captura dos bandidos José Torto, vulgo “Caneta”, e José Rosa, vulgo “Candinho”. 

O dito official, incansavel no cumprimento do dever e das nossas determinações, acaba de chegar a esta cidade. O resultado da empresa que fôra confiada excedeu a minha espectativa, na importancia pois, capturou os  bandidos seguintes: “Caneta”, “Candinho”, João Torto e Nicodemos Cordeiro de Moraes, vulgo “Nico”, todos pronunciados por morte em Taracatú, Alagoas, conforme a exposição de vossencia, e mais Bezerra vulgo “Luiz Helena” e Manoel Luiz, vulgo “Manoel Helena”, criminosos de morte, este no municipio de Marcos; Gaudencio Sá, vulgo “Maçarico” criminoso de morte em Triumpho, afora os crimes praticados em outros municipios, o que vou syndicar, Querino Neto, criminoso de morte no municipio de Flores, sendo assim ao todo oito scelerados.

É mais uma prova do interesse excessivo dos nossos auxiliares, no intuito da completa extinção do banditismo na zona sertaneja de acordo com os desejos de vossencia, 

Major Theophanes Torres

O tenente Hygino informa que a na zona do Riacho do Navio não existe o menor roteiro do grupo do famigerado Lampeão. Major Theophanes Torres, de Villa Bella.

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço:
Rubens Antonio

http://cangaconabahia.blogspot.com

domingo, 16 de dezembro de 2012

Momentos de Fé e Oração no Cangaço

Por: Guilherme Machado
Guilherme Machado e o escritor João de Sousa Lima

Regimento sobre ordem do chefe. 
Lampião Virgulino Ferreira da Silva de joelhos - cabras da peste. É hora de agradecer a Deus e ao meu Padim Padre Ciço.


Sempre às 12 hs e às 18 hs, era hábito forte e certeiro de  Lampião parar a cabroeira para fazerem suas  orações  habituais, no meio da caatinga ou em frente a uma capela de um vilarejo, ou até mesmo em frente a um cemitério, ou qualquer cruzeiro, covas de defuntos  de beira de estrada.

Apesar de ser um homem que manobrava bem as armas, nunca deixava um dia sem suas orações. Ele mesmo era quem rezava o terço diante da sua respeitada malta de cangaceiros. 

http://portaldocangaco.blogspot.com

O Armazém da Cultura lança - O “beabá” do sertão na voz de Gonzagão

Por: Arievaldo Viana

Nos 100 anos de nascimento de LUIZ GONZAGA, o ARMAZÉM DA CULTURA lança uma expedição exploradora ao universo do sertão gonzagueano, capitaneada por Arlene Holanda e Arievaldo Viana e enriquecida pelas cores e formas de Suzana Paz.


Embora escrita a quatro mãos, O “beabá” do sertão na voz de Gonzagão é obra singular. Arievaldo e Arlene captam nas rimas e ritmos do cordel todo o múltiplo universo cultural nordestino presente na obra magistral de Luiz Gonzaga, o rei do baião. O límpido texto em prosa, contextualizado à obra de Gonzagão, descreve os costumes, a sabedoria, a cultura e a lida da gente nordestina. O livro é um verdadeiro be-a-bá do sertão em verso e prosa.

O resultado são 100 páginas em cordel, prosa, formas e cores, abordando os seguintes temas: forró, seca e inverno, feira, ofícios, folguedos, cangaço, fauna, flora, costumes, crenças.

Enviado por: Arievaldo Viana
www.acordacordel.blogspot.com.br

Lampião morreu envenenado ou não?


O cangaceiro Zé Sereno, em entrevista ao Correio da manhã, do Rio de Janeiro, a 28 de julho de 1971, caderno Anexo, recor­dando a tragédia de Angico, assim se exprime: 

— "O, coiteiro (Pedro Cândido) chegou com os alimentos envenenados a man­do da volante, menos três litros de pinga que, normalmente, ele próprio, o coiteiro, deveria ingerir em pequenas doses para pro­var sua confiança (...) minha suspeita com Pedro de Cândido confirmou-se depois que ele se foi (...). Apanhei um LITRO DE VERMUTE Cinzano e notei um pequeno buraco na rolha, pro­vavelmente feito por uma seringa. Chamei Lampião e disse-lhe: 


“O SENHOR É CEGO DE UM OLHO, MAS PODE VER QUE ESTA BEBIDA ESTÁ ENVENENADA"'.

O cangaceiro Zé Sereno nasceu no dia 22 de agosto de 1913, na  Fazenda dos Ingrácias, zona rural de Chorrochó, município situado no norte do estado da Bahia. José Ribeiro Filho, este era o nome de pia do cangaceiro Zé Sereno. Filho de  Dona  Lídia Maria da Trindade e José Ribeiro.

O cangaço corria no sangue de Zé Sereno, sua mãe era irmã dos cangaceiros dos  Ingrácias: Cirilo, Faustino (Mão de Onça) e  Antonio. Faustino era pai do terrível cangaceiro Zé Baiano, o ferrador oficial do bando de Lampião.

O distinto andava com um ferro de ferrar animais nas indumentárias, com as iniciais "jb"  José Baiano. Ferrava homens e mulheres, de preferência, no rosto. Zé Baiano era primo  dos cangaceiros Mané Moreno e Zé Sereno. No bando de Lampião, Zé Sereno sempre esteve na companhia da cangaceira Sila, até o dia do massacre da Grota do Angico, em Canindé do São Francisco, Sergipe, durante a madrugada  do dia 28 de julho de 1938, onde mataram 11 cangaceiros sobre o comando do tenente  João Bezerra. 

Zé Sereno e sua companheira Sila, sobreviveram ao massacre ilesos. O cangaceiro Zé Sereno, levou sua vida para mais adiante, tendo ido morar na cidade de Campinas, no estado de São Paulo. 

Veio a falecer naturalmente, no dia  16 de fevereiro de 1981. Com direito a sepultamento e uma cova digna,o contrário do que ocorreu com os companheiros de cangaço.

http://blogsolvermelho.blogspot.com.br

Uma cantoria de cangaceiros - 1927

Por: Rubens Antonio
https://lh4.googleusercontent.com/-wWqg12EhanM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACWo/yj8_diVa8ns/s250-c-k/photo.jpg

Em um combate, em 1927, no Município de Flores, em Pernambuco, a cantoria dos cangaceiros foi anotada pelos policiais:



O tenente Pedro Malta
Já pedio demissão
Tá com medo do galope
Do rifle de Lampeão

Côro
Ai! mulher rendê.
Ai! mulher rendá.
Que chora por mim não fica
Soluço vae no “borná”


As meninas de Villa Bella
São pobres mais tem acção,
Botam queijo e rapadura
No “borná” de Lampeão

Côro
Ai! mulher rendê.
Ai! mulher rendá.
Que chora por mim não fica
Soluço vae no “borná”


Minha mãe quero dinheiro
P’ra comprar um cinturão
Para sustentar o rifle
Do valente Lampeão

Côro
Ai! mulher rendê.
Ai! mulher rendá.
Que chora por mim não fica
Soluço vae no “borná”


O riacho do Navio
Já encheu e já vazou
O tenente Frederico
O diabo carregou

Côro
Ai! mulher rendê.
Ai! mulher rendá.
Que chora por mim não fica
Soluço vae no “borná”


O meu rifle não engasga
No cangaço, sou doutor
Amadeu é vingativo
“Manél” Gome é corredor

Côro
Ai! mulher rendê.
Ai! mulher rendá.
Que chora por mim não fica
Soluço vae no “borná”

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço:
Rubens Antonio

http://cangaconabahia.blogspot.com

LUIZ GONZAGA – 100 ANOS DO MAIOR ARTISTA DA CULTURA NORDESTINA

O Meste Luiz

Em 2012 Luiz Gonzaga faz 100 anos!
Mas aí me perguntam “Mas como, se ele morreu?”
Pode ter morrido para os tolos. Pois este gênio nordestino não morrerá jamais.
Luiz Gonzaga Nascimento, nasceu em uma sexta-feira, no dia 13 de dezembro de 1912 , numa casa de barro batido na Fazenda Caiçara, povoado do Araripe, à 13 quilômetros de uma longínqua cidade sertaneja chamada Exu, no extremo oeste do Estado de Pernambuco.
É apontado pela crítica como um dos nomes mais importantes da música popular brasileira de todos os tempos. A importância de Luiz Gonzaga deve-se à abrangência que sua obra tem em todo o território brasileiro.
Era filho de Ana Batista de Jesus, conhecida como Mãe Santana, ou simplesmente Santana, uma dedicada agricultora e dona de casa, e de Januário José dos Santos, afamado tocador de sanfona de 8 baixos na sua região e que também concertava este tipo de instrumento musical.

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http://tokdehistoria.wordpress.com/2012/12/10/luiz-gonzaga-100-anos-do-maior-artista-da-cultura-nordestina

Quem foi Lampião?

Por: Capitão Alfredo Bonessi

Alto, magro, moreno escuro, quase pardo, esguio, meio corcunda, ágil, saudável, resistente a fadigas, manco do pé direito por causa de bala - segundo quem lhe conheceu - por causa de calos no pé segundo declarações dele mesmo, em estado espiritual, a um programa de televisão, com belida no olho direito, um leucoma, assim era o corpo de Virgulino Ferreira, vulgo Lampião.

De personalidade alegre, disposto, temperamento inconstante, sujeito a crises de fúria e descontrole, místico, religioso, rezador, intuição apurada, perspicaz, agudeza de raciocínio, inteligente, líder nato, exímio atirador de armas curtas e longas, fazendeiro, domador de animais de montaria, vaqueiro campeão, amante de bebidas finas, cigarros, charutos e mulheres, excelente trabalhador em couro e tecidos, narcisista, jogador de baralho sem sorte, impiedoso, cruel, vingativo, justiceiro - falso moralista, abusou sexualmente de algumas mulheres, embora, hoje, não sabemos se eram esposas ou filhas de inimigos. – mesmo assim são fatos lamentáveis e inaceitáveis para qualquer época de uma geração.

Desconfiado, prudente, calculista, infiel mas respeitador das opiniões da companheira, maleável até certo ponto, principalmente em algumas decisões a ponto de alterar as ordens dadas por interferências dela, respeitado, temido, considerado, perigoso, astuto, inquisidor, julgador, músico, dançarino, corajoso, amigo, leal, acreditava nas pessoas, perfeccionista, gostava de tudo o que era bom, rico, comerciante, artífice, laborioso, habilidoso e estrategista.
            

Lampião foi um homem notável para o seu século. Não existiu até o presente momento ninguém mais do que ele, igual a ele, em mesmas circunstâncias, fazer o que ele fez em um ambiente hóstil, carente de meios e desprovido de tudo, por tanto tempo assim – mais de vinte anos - acossado por centenas de volantes policiais.

A impressão que se tem pela fotografia acima, é que em 1928 – na visita a Pombal, possuía um relógio de pulso no braço esquerdo.

Não sabemos até hoje como conseguiu gravar o seu nome e o de sua mulher no interior das alianças que ambos portavam e que simbolizavam a paixão que um nutria pelo outro. Gostava de tudo que brilhava, que reluzia. Quem o avistasse pela primeira vez ficava impressionado com aquele homem impecavelmente trajado de azul, ou brim caqui, apetrechos ricamente ornamentados de variadas cores e matizes, armas luzidias nas mãos prontas para o uso, tez da cor de cuia, olhar firme, voz rouca, sons profundos que calavam fundo na mente de quem o ouvia – de repente a pessoa, em seu intimo, sentia um arrepio, um frio, um medo, um temor – sentia a impressão que estava correndo um grande perigo, e aguardava, apavorada, a qualquer momento o bote daquela fera perigosa, de punhal em riste, e com a ponta do aço duro cutucar a veia jugular na tabua do pescoço, sangrando a vítima em questão de segundos.

O pavor que os nordestinos sentiram quando estiveram frente a frente com Lampião, sentiram também os homens que outrora conviveram com pessoas diferentes e superdotadas, como por exemplo, quem esteve nas presenças de Alexandre, O Grande, Julio César, Nero e Napoleão Bonaparte. – personagens da História, grandes personalidades em suas diferentes épocas, alguns líderes excepcionais, guerreiros, vencedores, que sucumbiram pela vontade do destino, dono absoluto da vida das pessoas importantes. Quem os visse, a princípio, sentiam-se admiradas diante de tanta beleza, depois de contemplá-los por alguns instantes sentiam um respeito profundo pelo que viram, depois eram possuídas por um temor inexplicável que lhe arrebatavam a alma e que lhes causavam calafrios, palidez nas face, suor frio e tremores nas pernas.

Não se pode desejar que lampião nasça em outro lugar, em outro país, em classes mais abastadas. Lampião nasceu e se criou no lugar exato em que todo o homem valente deseja nascer e ser criado - uma terra de homens corajosos, valorosos, que não tem medo de nada e de ninguém. Homens acostumados a vida dura, difícil, onde só o destemido, o persistente, o audacioso, os corajosos sobrevivem, tiram raças e prosperam em cima do solo duro, pedregoso, domando o gado hostil - animais bravios - em meios a serpentes venenosas, como a cascavel e rodeado de mata espinhenta por todos os lados.

Quem visita o lugar onde Lampião nasceu sente a alma envolta por um romantismo inexplicável, o ar circundante é adocicado pelo aroma das flores silvestres. Ainda pode se escutar o gorgeio livre da passarada ao amanhecer e ao entardecer; pode-se sentir o cheiro natural que brota da terra estrumada; pode-se ouvir o guizo da cobra oculta; pode-se escutar ao longe o mugido do gado na invernada; pode-se imaginar o fogo aceso, panelas ferventes, chiando nas trempes, o prato de bolinhos feitos pela Dona Jacosa, sua avó, o café fumegando na caneca, e as suas mãos ágeis enfeitando o couro dos arreios, o seu semblante concentrado mas feliz pela alegria que sentia de viver e de trabalhar, o prazer de tudo e por tudo, o gosto pelo que é bom.

Toda essa vida boa, doce, tranqüila, prazeirosa, o destino ingrato retirou dos caminhos de Lampião, menos a fé em Deus e o amor puro que nutria pelos seus familiares. Mesmo nas horas mais difíceis de sua vida atribulada a paixão pela Virgem Santíssima nunca se arrefeceu de seus pensamentos ardorosos, forjados por uma fé inquebrantável – sentia um amor infinito e incompreensível pela Santa, a ponto de sempre rezar em sua homenagem, ao deitar, ao levantar, ao meio dia e as seis horas da tarde.


Lampião queria viver bem e feliz. Queria ser o melhor em tudo e por tudo, de acordo com o que Deus lhe dera. Por ser portador de qualidades inerentes a poucos seres humanos, foi invejado, odiado, perseguido, traído e levado a morte, embora tenha feito de tudo para que isso não acontecesse, pois era um amigo leal e de confiança, era muito bom para quem fosse bom para com ele – Lampião era um homem de palavra e não se apossava das coisas alheias por ser ladrão vulgar, salteador de beira de estrada, fazia o saque por necessidade de manter o bando de cangaceiros e por esse fato pedia sempre dinheiro as pessoas mais abastadas, por carta, bilhetes ou mensageiros, ou simplesmente tomava delas.

Lampião a frente de seus homens mantinha uma rede de informantes pagos a peso de ouro. Aliciava policiais e pessoas influentes, e quando não conseguia demover o perseguidor por bons modos, difamava-os, inventava historias cômicas sobre eles, dava-lhes apelidos depreciativos, contava piadas que fazia brotar risos na turma acampada aos redores das fogueiras, sobre esse e aquele oficial. Era temerário, mas não poderia ter negligenciado a capacidade combativa de Bezerra - o oficial que o matou- segundo Lampião, dito por ele mesmo, não tinha medo de boi brabo, quanto mais de bezerra...o descuido, esse erro de avaliação foi-lhe fatal e custou-lhe a cabeça naquela manhã de 28 de julho de 38.

Criou para si e para seu bando sinais, códigos e gírias que significavam algo entre eles, que conheciam a chave para decodificação, como por exemplo o L formado pelo indicador e o polegar da mão direita que devia ser mostrado quando se aproximavam das sentinelas do grupo. A três pancadas nos troncos das árvores - mas não eram pancadas comuns, elas tinham intensidade, ritmo e freqüência, que só os do bando sabiam executa-las.

A manutenção dos esconderijos, os depósitos escondidos nos interiores dos troncos das arvores, de dinheiro, munição e armamento; a ocultação do cadáver do seus comandados, o sumiço dos rastros, a camuflagem, a dissimulação, a finda, o drible, a manobra audaciosa, o descarte dos dejetos dos acampamentos, a busca pela água e pelos alimentos, - o lampejo na mente iluminada pela escolha da decisão mais acertada, na hora certa e diante de grande perigo - fizeram o bando sobreviver por longos anos, diante de volumoso número de perseguidores, graças ao tirocínio de seu comandante, de sua visão combativa, de seu planejamento bélico, do seu sentido de direção, de seus objetivos previamente ajustados e na maioria das vezes bem sucedidos, e por esse fato granjeava a admiração e o respeito dos seus seguidores, a ponto de sempre confiarem nele e o considerarem invencível. Seu bando nunca andava a ermo, sem um roteiro estabelecido, se um objetivo, sem uma missão a cumprir. Seus deslocamentos sempre tiveram início, meio e fim.

Lampião morreu no tempo certo e na hora certa. Morreu no apogeu da vida e da saúde. Morreu em combate. Após o mortífero impacto da bala que lhe pôs por terra, enquanto pode, enquanto tinha uma pouco de energia, tentou ficar de pé, não conseguiu, se contorceu até que o tiro final esgotou todas as possibilidades de vida. Um espírito muito forte retornava a sua morada divina.

Lampião pode ter sido o que seja, mas um dia voltará para cumprir a sua missão terrena em uma nova chance dada pelo criador. Esperamos que tenha mais sorte desta vez. Analisando a vida de grandes malfeitores podemos dizer que Lampião não teve as mesmas chances e as oportunidades de fazer o bem que tiveram Reis, Rainhas, Religiosos e Políticos da Nova Era. – pelo contrário – foram até muito pior do que ele. As centenas de pessoas que caíram pelo aço de seu punhal ou pelas balas de suas armas nem de longe se comparam aos milhões de mortes causadas pela inquisição religiosa e nos porões das masmorras ideológicas. Talvez seja por isso que Lampião mereça uma nova chance nesse mundo de pecado.

Alfredo Bonessi. (Foto: Coroné Severo)
Estudante Pesquisador – Membro da GECC -

Grupo de estudos do cangaço do Ceará e
SBEC - Sociedade Brasileira de estudos do cangaço.

Transcrito do Blog:
"Lampião Aceso", do amigo Kiko Monteiro

LUIZ GONZAGA E O RIO GRANDE DO NORTE


Autor: Kydelmir Dantas


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Telegramma. 26 de novembro de 1926

Por: Rubens Antonio

Telegramma. 26 de novembro de 1926

Villa Bella, 26

As forças alcançaram os bandoleiros no logar Morada distante daqui sete leguas.

Desde as nove horas rompeu cerrado tiroteio já havendo diversos feridos.

Lampião e Maria Bonita ao centro

As 13 horas ainda continuava a luta.
Sigo urgente, conduzindo medicamentos e munições.

Assig. 
Theophanes Torres, capitão.

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço:
Rubens Antonio

http://cangaconabahia.blogspot.com