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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Agradecimento

Por: Kydelmir Dantas

A todo(a)s que nos desejaram Boas Festas e um Feliz 2013...  


Agradecemos e desejamos...

Como cuidar bem de você mesmo em 2013:


1. Caminhe de 10 a 30 minutos todos os dias e sorria enquanto caminha.

2. Ore na intimidade com Deus pelo menos 10 minutos por dia, em segredo, se for necessário.


3. Escute boa música todos os dias. A música é um autêntico alimento para o espírito.  
4. Ao se levantar de manhã, fale "Deus, meu Pai, Te agradeço por este novo dia".

5. Viva com os 3 "E": Energia, Entusiasmo e Empatia.

6. Participe de mais brincadeiras do que no ano passado.  
7. Sorria mais vezes do que o ano passado.   

8. Olhe para o céu pelo menos uma vez por dia e sinta a majestade do mundo que rodeia você.   

9. Sonhe mais, estando acordado.  
10. Coma mais alimentos que crescem nas árvores e nas plantas, e menos alimentos industrializados.  

11. Coma nozes e frutas silvestres. Tome chá verde, muita água e um cálice de vinho ao dia. Cuide de brindar sempre por alguma das muitas coisas belas que existem em sua vida e, se possível, faça em companhia de quem você ama.  

12. Faça rir pelo menos 3 pessoas por dia.  
13. Elimine a desordem de sua casa, seu carro e seu escritório. Deixe que uma nova energia flua em sua vida.  

14. Não gaste seu precioso tempo em fofocas, coisas do passado, pensamentos negativos ou coisas fora de seu controle. Melhor investir sua energia no positivo do presente.  

15. Tome nota: a vida é uma escola e você está aqui para aprender. Os problemas são lições passageiras, o que você aprende com eles é o que fica.  
16. Tome o café da manhã como um rei, almoce como um príncipe e jante como um mendigo.

17. Sorria mais.

18. Não deixe passar a oportunidade de abraçar quem você ama. Um abraço!
19. A vida é muito curta para você desperdiçar o tempo odiando alguém.

20. Não se leve tão a sério. Ninguém faz isto.

21. Não precisa ganhar cada discussão. Aceite a perda e aprenda com o outro.

22. Fique em paz com o seu passado para não estragar o seu presente.                                     

23. Não compare sua vida com a dos outros. Você não sabe como foi o caminho que eles tiveram que trilhar na vida.  

24. Ninguém está tomando conta da sua felicidade a não ser você mesmo.  
25. Lembre que você não tem o controle dos acontecimentos, mas sim do que você faz deles.

26. Aprenda algo novo cada dia.

27. O que os outros pensam de você não é de sua conta.
28. Ajude sempre os outros. O que você semeia hoje, colherá amanhã.

29. Não importa se a situação é boa ou ruim, ela mudará.

30. O seu trabalho não cuidará de você quando você estiver doente. Seus amigos sim. Mantenha contato com seus amigos.  
31. Descarte qualquer coisa que não for útil, bonita ou divertida.  

32. A inveja é uma perda de tempo. Você já tem o que você precisa.

33. O melhor está ainda por vir.    
34. Não importa como você se sente: levante, vista e participe.

35. Ame sempre com todo o seu ser.

36. Telefone para seus parentes frequentemente e mande emails dizendo: Oi, estou com saudades de você !  
37. Cada noite, antes de deitar, agradeça a Deus por mais um dia vivido.  


38. Lembre que você está muito abençoado para estar estressado.  

39. Desfrute da viagem da vida. Já que tem essa oportunidade, tire dela o maior proveito.  
40. Faça de tudo para ser mais feliz! J

Kydelmir Dantas

TIPOS POPULARES DO MENDES

Por: Clerisvaldo B. Chagas, 2 de janeiro de 2013. Crônica Nº 939

Lendo o artigo de José Mendes Pereira no seu blog no qual participo (com muita honra) e o acompanho, deparei-me com Pedro Leão. Pedro Leão era um personagem popular, comerciante com suas manias, com seu modo de vida diferenciado que, esquecido, caiu no resgate da perspicácia do Mendes no seu blog. (blogdomendesemendes.blogspot.com.br).

Imagem - Wikipédia: Da esquerda para direita 1 - Palácio da Resistência - 2 - Igreja de São Vicente - 3 - Rio Mossoró - 4 - Catedral de Santa Luzia - 5 Cidade Mossoró

Primeiro, é feita uma reflexão sobre os registros da história elaborada mais para elite, enquanto os atores secundários da vida vão passando e ficando esquecidos. Aqui, acolá surgem escritores, jornalistas, colunistas, preocupados com o cotidiano das ruas e passam a observar tipos curiosos da cidade que irão posteriormente para anotações. Na minha terra têm pessoas que resgatam esses tipos populares inusitados, o bêbado, o doido, a prostituta, o estudante, o comerciário que chamam a atenção pelo modo diferente de ser. José Mendes, lá para as bandas de Mossoró, teve sua atenção despertada para o comerciante de ferragens Pedro Leão e seu hábito de beber cerveja após o meio expediente. O modo de contar as cervejas bebidas e os tira-gostos trazidos para o lápis do garçom tinha mesmo que ser registrado por alguém. Como contabilizar os tira-gostos contando por apenas uma perna de cada rolinha digerida e, as cervejas, pelas tampas, ao invés de garrafas vazias? Somente lendo o Mendes no seu artigo “Pedro Leão”, de 17 de julho de 2011, o prezado leitor ficará sabendo.  

Todo o Nordeste é rico em historietas de personagens locais interessantes. Aqui em nossa terra, amigo José Pereira, certo comerciante não conseguia receber os fiados anotados em um caderno. Chamou, então, um sujeito, muito engraçado, músico e que gostava de contar passagens bonitas. Fez-lhe uma proposta de 50% do pagamento recebido dos fiados, se o músico conseguisse receber dos seus clientes. Fechado o negócio, o esperto, que se chamava Lourival Amaral, não deu tréguas aos devedores do comerciante. Recebia as dívidas de qualquer maneira: em dinheiro, em aves, bezerros, porcos, galinhas e assim por diante, mas nada de aparecer perante o dono do comércio.

Cansado de esperar o resultado, o comerciante procurou o músico e perguntou-lhe sobre o negócio. Este respondeu que tinha conseguido receber apenas 50%. “E aí, como ficamos?” “Bem ─ respondeu o músico ─ recebi apenas a minha parte, os 50% combinado, o restante eu desisti”.

Amigo José Mendes Pereira continue registrando esses fatos inéditos da terra que expulsou Lampião e enfeixe-os num livro de coisas engraçadas. Mossoró há de reconhecer o seu trabalho. Eu mesmo quero ler mais histórias dos TIPOS POPULARES DO MENDES.


CLERISVALDO B. CHAGAS – AUTOBIOGRAFIA
ROMANCISTA – CRONISTA – HISTORIADOR - POETA

Clerisvaldo Braga das Chagas nasceu no dia 2 de dezembro de 1946, à Rua Benedito Melo ( Rua Nova) s/n, em Santana do Ipanema, Alagoas. Logo cedo se mudou para a Rua do Sebo (depois Cleto Campelo) e atual Antonio Tavares, nº 238, onde passou toda a sua vida de solteiro. Filho do comerciante Manoel Celestino das Chagas e da professora Helena Braga das Chagas, foi o segundo de uma plêiade de mais nove irmãos (eram cinco homens e cinco mulheres). Clerisvaldo fez o Fundamental menor (antigo Primário), no Grupo Escolar Padre Francisco Correia e, o Fundamental maior (antigo Ginasial), no Ginásio Santana, encerrando essa fase em 1966.Prosseguindo seus estudos, Chagas mudou-se para Maceió onde estudou o Curso Médio, então, Científico, no Colégio Guido de Fontgalland, terminando os dois últimos anos no Colégio Moreira e Silva, ambos no Farol Concluído o Curso Médio, Clerisvaldo retornou a Santana do Ipanema e foi tentar a vida na capital paulista. Retornou novamente a sua terra onde foi pesquisador do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Casou em 30 de março de 1974 com a professora Irene Ferreira da Costa, tendo nascido dessa união, duas filhas: Clerine e Clerise. Chagas iniciou o curso de Geografia na Faculdade de Formação de Professores de Arapiraca e concluiu sua Licenciatura Plena na AESA - Faculdade de Formação de Professores de Arcoverde, em Pernambuco (1991). Fez Especialização em Geo-História pelo CESMAC – Centro de Estudos Superiores de Maceió (2003). Nesse período de estudos, além do IBGE, lecionou Ciências e Geografia no Ginásio Santana, Colégio Santo Tomaz de Aquino e Colégio Instituto Sagrada Família. Aprovado em 1º lugar em concurso público, deixou o IBGE e passou a lecionar no, então, Colégio Estadual Deraldo Campos (atual Escola Estadual Prof. Mileno Ferreira da Silva). Clerisvaldo ainda voltou a ser aprovado também em mais dois concursos públicos em 1º e 2º lugares. Lecionou em várias escolas tendo a Geografia como base. Também ensinou História, Sociologia, Filosofia, Biologia, Arte e Ciências. Contribuiu com o seu saber em vários outros estabelecimentos de ensino, além dos mencionados acima como as escolas: Ormindo Barros, Lions, Aloísio Ernande Brandão, Helena Braga das Chagas, São Cristóvão e Ismael Fernandes de Oliveira. Na cidade de Ouro Branco lecionou na Escola Rui Palmeira — onde foi vice-diretor e membro fundador — e ainda na cidade de Olho d’Água das Flores, no Colégio Mestre e Rei.  Sua vida social tem sido intensa e fecunda. Foi membro fundador do 4º  teatro de Santana (Teatro de Amadores Augusto Almeida); membro fundador de escolas em Santana, Carneiros, Dois Riachos e Ouro Branco. Foi cronista da Rádio Correio do Sertão (Crônica do Meio-Dia); Venerável por duas vezes da Loja Maçônica Amor à Verdade; 1º presidente regional do SINTEAL (antiga APAL), núcleo da região de Santana; membro fundador da ACALA - Academia Arapiraquense de Letras e Artes; criador do programa na Rádio Cidade: Santana, Terra da Gente; redator do diário Jornal do Sertão (encarte do Jornal de Alagoas); 1º diretor eleito da Escola Estadual Prof. Mileno Ferreira da Silva; membro fundador da Academia Interiorana de Letras de Alagoas – ACILAL.
Em sua trajetória, Clerisvaldo Braga das Chagas, adotou o nome artístico Clerisvaldo B. Chagas, em homenagem ao escritor de Palmeira dos Índios, Alagoas, Luís B. Torres, o primeiro escritor a reconhecer o seu trabalho. Pela ordem, são obras do autor que se caracteriza como romancista: Ribeira do Panema (romance - 1977); Geografia de Santana do Ipanema (didático – 1978); Carnaval do Lobisomem (conto – 1979); Defunto Perfumado (romance – 1982); O Coice do Bode (humor maçônico – 1983); Floro Novais, Herói ou Bandido? (documentário romanceado – 1985); A Igrejinha das Tocaias (episódio histórico em versos – 1992); Sertão Brabo CD (10 poemas engraçados).


Até setembro de 2009, o autor tentava publicar as seguintes obras inéditas: Ipanema, um Rio Macho (paradidático); Deuses de Mandacaru (romance); Fazenda Lajeado (romance); O Boi, a Bota e a Batina, História Completa de Santana do Ipanema(história); Colibris do Camoxinga - poesia selvagem (poesia).
Atualmente (2009), o escritor romancista Clerisvaldo B. Chagas também escreve crônicas diariamente para o seu Blog no portal sertanejo Santana Oxente, onde estão detalhes biográficos e apresentações do seu trabalho.

(Clerisvaldo B. Chagas – Autobiografia)

http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2013/01/tipos-populares-do-mendes.html

MORRE O HISTORIADOR UBIRATAN DE CASTRO ARAÚJO


Ubiratan Castro de Araújo foi mais um dos estudantes que realizou a sua formação acadêmica no período mais duro da ditadura militar brasileira, graduou-se em História pela Universidade Católica do Salvador (1970), e em Direito pela Universidade Federal da Bahia (1971). Meio ao turbilhão da época realizou o Mestrado em História na Université de Paris X, na, França.

Em 1978 Ubiratan Castro de Araújo passou a lecionar na Universidade Federal da Bahia, ensinado as disciplinas Introdução ao Estudo da História, História Contemporânea, Historiografia, Pesquisa Histórica, História Moderna, História da África, História do Brasil e História da Bahia, dentre outras. Na pós-graduação Ubiratan Castro ensinou Temas Selecionados de História Política do Brasil, Temas Selecionados de História Social Brasileira, Métodos da História, História Social - Estruturas Sociais, Pesquisa Supervisionada, Temas Selecionados- Escravidão e Liberdade.

Entre 1988 e 1992 o Professor Ubiratan Castro de Araújo retornou a Paris, desta vez na Sorbonne, para fazer o seu Doutoramento em História, defendendo uma tese sobre economia esclavagista na Bahia, orientado pela professora Kátia Mattoso. Ubiratan Castro de Araújo exerceu ainda as funções de Coordenador do Mestrado em Ciências Sociais, do Mestrado em História, a direção do Centro de Estudos Afro- Orientais. Até que em 2003 foi convidado para a direção da Fundação Cultural Palmares, no Governo do Presidente Luis Inácio Lula da Silva.

À frente da Fundação Cultural Palmares, Ubiratan Castro de Araújo teve o mérito de acelerar as titulações de terras em caráter imemorial por parte das comunidades remanescentes de quilombo, apropriando-se da re-semantização do termo e viabilizando a aplicação do artigo 68 das disposições transitórias da Constituição de 1988, transformando-a em Lei.

Em 2007 o Professor Ubiratan Castro assumiu a Direção Geral da Fundação Pedro Calmon – Centro de Memória e Arquivo Público da Bahia. Por sua trajetória o Professor Ubiratan Castro de Araújo recebeu o prêmio Troféu Clementina de Jesus, conferido em 2001 pela União dos Negros pela Igualdade; A Medalha do Bicentenário da Restauração Portuguesa, Academia Portuguesa de História (2001)

Medalha Ordem do Mérito Zumbi dos Palmares - Grau Comendador, Governo do  Estado de Alagoas (2005) Insignia da Ordem do Rio Branco, Ministério das Relações Exteriores (2005)
Medalha Zumbi dos Palmares, Câmara Municipal de Salvador (2006) Doutor Honoris  Causa, UNI-American Universidade Corporativa das Américas (2007) Publicou seis livros, vários artigos em revistas acadêmicas e científicas, possui inúmeras participações em eventos de caráter científico, cultural e político. 

Tendo o Negro e a história Baiana como seus temas mais abordados. Por tudo isto a Fundação Maurício Grabois Homenageia Ubiratan Castro de Araújo, unindo-se a todos e todas em agradecimento a sua contribuição para a nossa cultura.

Fontes: Revista Dialética
http://uranohistoria.blogspot.com.br

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

CLEMENTINO QUELÉ: O CANGAÇO MARCOU SEUS PASSOS

Por: João de Sousa Lima

CLEMENTINO QUELÉ: O CANGAÇO MARCOU SEUS PASSOS

Clementino Francisco da Silva, “Quelé”, nascido em  Canindé do São Francisco, Sergipe, em  08 de novembro de 1914, filho de José Francisco e Júlia Alves, teve várias facetas de sua vida ligadas com o cangaço. Primeiro foi criado na fazenda Jerimum, sendo amigo de infância da cangaceira Dulce Menezes, a Dulce companheira do cangaceiro Criança.

A cangaceira Dulce ao centro - Criança à direita

Quelé estava em Canindé do São Francisco quando a cidade foi invadida pelos cangaceiros comandados por Lampião  tendo por companhia o perverso

O cangaceiro Zé Baiano

Zé Baiano que ferrou as irmãs Marques. Quelé viu os cangaceiros entrando na cidade e depois ouviu o clamor das mulheres que tiveram suas faces ferradas com as iniciais JB.


As irmãs ferradas por Zé Baiano

Quelé hoje reside no povoado Nambebé, em Paulo Afonso, Bahia. Mora justamente na casa de Pimba que era tio dos cangaceiros bananeira e Artur, era irmão de “Lixandrão”, grande coiteiro de Lampião.

Em uma das entradas de Lampião no Nambebé Pimba denunciou a passagem à polícia e Lampião ficou sabendo da entrega, voltando ao povoado com o intuito de matar o delator e só por pedido de Lixandrão que era um coiteiro respeitado e pai do cangaceiro Bananeira foi que Lampião não concluiu sua intenção.  Por castigo Pimba teve tatuado em sua testa uma cruz feita por Lampião, ferida aberta pela afiada lâmina de um canivete.

Quelé é casado com Maria Teixeira, filha do coiteiro Antonio Curvina. Antonio Curvina foi um ótimo artesão em couro e era quem fazia chapéus, cartucheiras, alpercatas, cintos e bandoleiras para Lampião e seus seguidores. Quando do combate da Lagoa do Mel onde morreram dezenove soldados e o Ezequiel (irmão de Lampião), um dos soldados que fugiu ao cerco, se perdeu dentro da mataria fechada e saiu justamente no povoado Nambebé. Com o alerta que ali era reduto de Lampião o soldado pegou Antonio Curvina e o menino Epiphânio de Félix como reféns e ordenou que eles o levassem até Santo Antonio da Glória. No trajeto, o soldado bastante cansado, entregou seus pertences ao Antonio Curvina para que ele o ajudasse a levar o material. Assim que eles saíram do Nambebé alguns cangaceiros que vinham no encalço do soldado chegaram ao povoado. Maria, esposa de Antonio, contou a história acontecida com seu marido e a falou da preocupação que estava passando por ver seu companheiro nas mãos do militar. Os cangaceiros seguiram por outro caminho que levava em um tempo mais curto até o povoado Salgadinho. Ganhando tempo os cangaceiros chegaram a um ponto e armaram emboscadas para pegar o soldado. Ao longe avistaram as três pessoas que seguiam uma vereda, Antonio Curvina vinha com os bornais e o chapéu do soldado. Os cangaceiros confundiram o coiteiro com o soldado e atiraram, o soldado correu, o garoto Epiphânio de Félix se emparelhou em uma árvore e nada sofreu, Antonio Curvina caiu morto. O soldado chegou ao povoado Salgadinho e justamente na casa da irmã da cangaceira Lídia que avisou a ele que ali era coito de cangaceiros. O soldado se negou a sair da residência. No encalço dos cangaceiros e do soldado, montado em um burro,  vinha o primo de Antonio Curvina, o jovem Lindo de Zezé. Lino encontrou o primo morto e saiu em perseguição ao soldado indo encontrá-lo no povoado Salgadinho. Lino pegou o soldado, amarrou-o, montou no burro e saiu arrastando o soldado, na subida da Serra do Padre Lino matou o soldado, pegou seu armamento e foi se apresentar ao cangaceiro Lampião que ouviu sua história e de imediato o aceitou em seu bando, passando Lino a ser chamado de Pancada, o famoso cangaceiro Pancada.

Quelé chegou a Paulo Afonso ainda na década de 1940. Com o começo das obras da CHESF Quelé derrubava a golpes de machado, frondosas árvores que eram utilizadas pela companhia para fazer as pontes para os caminhões passarem transportando material para a construção das usinas. Hoje, aos 99 anos de vida, Quelé ainda é lúcido e bom de conversa residindo no povoado Nambebé onde todos os dias uma numerosa família senta-se ao seu redor para ouvir suas histórias de vida e seus ensinamentos de homem justo, correto e trabalhador. Lutando contra um problema de próstata, sempre de olho na sonda que lhe acompanha, o velho senhor enumera seus passos que coincidiram com as passagens do cangaço e entre um misto de orgulho e de dono do seu tempo, ele conta histórias, encanta, recita versos, declama histórias completas aprendidas nos cordéis, relata fatos, emociona e emociona-se, considera suas andanças nas ásperas veredas que o sertão lhe impôs. Sábio cavalheiro de um tempo que tem perdido a oralidade dos fatos pela idade dos períodos corridos.

João de Sousa Lima
Historiador e escritor


João e Seu Quelé no terreiro de sua casa, no povoado Nambebé, reduto de Cangaceiros.


Sebastião Carvalho, Quelé e João de Sousa Lima. As histórias de Quelé são ricas em detalhes. A casa era onde morava Pimba.


Escombros da casa do coiteiro Lixandrão, pai dos cangaceiros Bananeira e Artur, povoado Nambebé, Paulo Afonso, Bahia.


Escombros da casa do coiteiro Lixandrão, pai dos cangaceiros Bananeira e Artur, povoado Nambebé, Paulo Afonso, Bahia.


Escombros da primeira casa de Pimba


Maria, filha de Antonio Curvina e esposa de Quelé


Quelé e sua identificação


Enviado pelo escritor e pesquisador do cangaço João de Sousa Lima

www.joaodesousalima.com

BONITA MARIA DO CAPITÃO


BONITA MARIA DO CAPITÃO

O livro editado por Vera Ferreira, com a história dos avós, Maria Bonita e Lampião, ganhou o premio de melhor projeto gráfico da Biblioteca Nacional. Autora: Germana Alves de Araújo (Sergipe)

Fonte: ALMANAKITO (Maria Rosário Caetano) - SEXTA-FEIRA - 28-12-12

Enviado pelo poeta, escritor e pesquisador do cangaço:

Kydelmir Dantas
MOSSORÓ - RN
Fone: (0xx - 84) - 3323 2307 

JERÔNIMO ROSADO – O PARAIBANO QUE MUDOU MOSSORÓ

Por: Rostand Medeiros

Jerônimo Ribeiro Rosado, o dono da farmácia que levava seu nome, nasceu em Pombal-PB, aos 8 de dezembro de 1861, era filho de Jerônimo Ribeiro Rosado e Vicência Maria da Conceição Rosado. 

Jerônimo Rosado
Jerônimo Rosado

Formou-se em Farmácia no Rio de Janeiro, onde atuava como fiscal da iluminação pública. Voltou ao seu Estado natal em 1889, quando abriu a primeira botica em Catolé do Rocha e desposou Maria Rosado Maia, a Sinhazinha.

Na página de anúncios do periódico natalense A Republica, de, 21 de março de 1901, vemos uma propaganda da farmácia que Jerônimo Rosado possuía em Mossoró
Na página de anúncios do periódico natalense A Republica, de, 21 de março de 1901, vemos uma propaganda da farmácia que Jerônimo Rosado possuía em Mossoró

O casal teve três filhos: Jerônimo Rosado Filho, médico, farmacêutico e poeta, morto aos 30 anos; Laurentino Rosado Maia, que morreu 15 dias depois do nascimento, e Tércio Rosado Maia, farmacêutico, odontólogo, advogado, poeta, pioneiro do cooperativismo brasileiro, comerciante de livros usados, professor universitário.

Sinhazinha partiu em 1892, pouco depois do último parto, vítima de tuberculose. No leito de morte, conforme relata mestre Luís da Câmara Cascudo, pediu “que o marido a fizesse sepultar no Catolé do Rocha, na terra onde nascera”. E casasse com sua irmã Isaura, para que seus filhos não tivessem madrasta.

Nesta mota do jornal carioca Gazeta de Notícias, de 19 de janeiro de 1887, vemos o jovem Jerônimo como estudante no Rio de Janeiro
Nesta mota do jornal carioca Gazeta de Notícias, de 19 de janeiro de 1887, vemos o jovem Jerônimo como estudante no Rio de Janeiro

Reivindicações atendidas: o corpo de Maria Amélia foi sepultado o viúvo, de 32, casou-se com a cunhada, de 17 anos, em 1893. A noiva se mudou para Mossoró, onde o marido residia e para onde transferiu os negócios em 1890, a convite do médico e líder político Francisco Pinheiro de Almeida Castro, patrocinador da drogaria.

Em Mossoró, a principal cidade do interior potiguar, Jerônimo abriu sua farmácia e, em 40 anos, gerou 21 filhos. Foi uma figura central na construção histórica e política do chamado eufemisticamente como “País de Mossoró”.

Do segundo enlace advieram 18 rebentos, nem todos chamados “Jerônimo” e nem todos numerados. Diferentemente do que reza a lenda, nem todos receberam nomes franceses. Do terceiro até o décimo, a inspiração para os nomes era o latim. A partir do 11º, e só com a exceção do 12º filho, todos levaram nomes inspirados nos numerais franceses. 

Foram ao todo 12 homens e nove mulheres. A maioria recebendo Jerônimo ou Isaura como primeiro nome.

Izaura Rosado (com z)
Laurentino Rosado Maia (homônimo do segundo)
Isaura Sexta Rosado de Sá
Jerônima Rosado, que tem como apelido o nome de “Sétima”
Maria Rosado Maia, que tem como apelido “Oitava”
Isauro Rosado Maia, que tem por apelido “Nono”
Vicência Rosado Maia, que como apelido o nome de “Décima”
Laurentina Rosado, que tem como apelido o nome de “Onzième”
Laurentino Rosado Maia, que tem como apelido “Duodécimo”
Isaura Rosado, que tem como apelido o nome de “Trezième”
Isaura Rosado, que tem como apelido o nome de “Quatorzième”
Jerônimo Rosado Maia, que tem como apelido o nome de “Quinzième”
Isaura Rosado Maia, que tem como apelido o nome de “Seize”
Jerônimo Rosado Maia, que tem como apelido “Dix-sept”
Jerônimo Dix-huit Rosado Maia
Jerônimo Rosado Maia, que tem como apelido o nome “Dix-neuf”
Jerônimo Vingt Rosado Maia
Jerônimo Vingt-un Rosado Maia.

Entre outras notícias publicadas pelo jornal carioca Gazeta de Notícias, de 3 de novembro de 1925, vemos o relato da morte de um dos filhos de Jerônimo Rosado
Entre outras notícias publicadas pelo jornal carioca Gazeta de Notícias, de 3 de novembro de 1925, vemos o relato da morte de um dos filhos de Jerônimo Rosado

Numeração

Ninguém sabe ao certo o que levou o patriarca a numerar os filhos. Talvez influência dos tratados farmacêuticos da época, todos escritos nas duas línguas, ou algum tipo extremo de obsessão pela ordem. O que se sabe é que o velho Jerônimo Rosado era fanático pela educação dos filhos e dos netos. Tão fanático que, certa vez, quando um de seus netos decidiu que não iria mais estudar, ele não pensou duas vezes. Mandou fazer uma engraxateira para o menino, deu-lhe um macacão de engraxate e ordenou que começasse a trabalhar. Sugeriu, até, que ele nem precisava sair de casa, já que a família era grande e ali mesmo ele teria uma boa clientela. Logo, logo o menino voltou para a escola.

O velho Rosado ensinou os filhos, ainda, a serem solidários. Se houvesse apenas uma fruta para comer, ela era dividida igualmente entre todos. Estimulava as crianças a conversar com estranhos, levando-as consigo, sempre, a encontros ou jantares. Não fazia distinção de sexo: meninos e meninas deviam acompanhar o pai. Tratava todos da mesma maneira. Queria vê-los trabalhando e estudando. Em razão disso, fundou a primeira escola exclusivamente feminina de Mossoró: o Externato Mossoroense.

Tese

Em sua tese de doutorado sobre a família Rosado, o professor José Lacerda Alves Felipe defende a ideia de que essa forma de educar adotada por Jerônimo Rosado tinha como objetivo formar o núcleo de uma oligarquia. Nela, cada filho teria uma função econômica. Felipe trata Jerônimo Rosado como o “herói civilizador” de Mossoró. Uma espécie de grande criador, de instituições sociais, elementos culturais, mitos. O objetivo não declarado era sempre, ele diz, conquistar o poder político.

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Cada vez que um filho se aproximava da maturidade, o velho Rosado o chamava para uma conversa em particular, em que tentava convencê-lo a entrar para a política. Os Rosado desmentem isso. Alguns mossoroenses afirmam, contudo, que essa foi uma das revelações feitas por Dix-Huit em seu leito de morte. Verdade ou mito? O que se sabe é que, apenas 18 anos depois da morte do patriarca, um Rosado abraçou, de fato, a carreira política. Em 1948, Dix-Sept Rosado Maia, em uma campanha na qual pela primeira vez se usaram trios elétricos, foi eleito prefeito de Mossoró.

O Mito Rosado

Dix-Sept governou a cidade durante quatro anos. Tornou-se, depois, governador do estado, mas morreu, em um acidente aéreo, seis meses depois da posse. Virou um mito. No País de Mossoró, há uma estátua de Dix-Sept, em bronze e tamanho real, na principal praça da cidade. Sob ela, podemos ler: “Nele se conjugaram idealismo e ação, espírito público e solidariedade humana, capacidade de resistência e destino de comando [...]”. Logo abaixo, em letras enormes, a assinatura: “Homenagem do povo”. A estátua foi construída pelo irmão Vingt, que, em 1954, o sucedeu na prefeitura de Mossoró.

O 17º filho foi, de fato, a raiz política dos Rosado. Irmãos, sobrinhos e netos o sucederam como prefeitos da cidade, vereadores, deputados e até senadores. Entre eles, destacam-se Dix-Huit e Vingt Rosado. Depois de algum tempo, os dois irmãos romperam. Diz-se em Mossoró que a briga entre eles não passou de uma jogada política para conservar, em definitivo, os Rosado no poder. Desde então, Rosado é oposição de Rosado. Não importa o vencedor: a família sempre leva. O sobrenome Rosado batiza, hoje, muitas ruas, praças e até estabelecimentos comerciais de Mossoró.

Nota do jornal carioca Gazeta de Notícias, 1 de julho de 1922, mostrando a atuação política de Jerônimo Rosado
Nota do jornal carioca Gazeta de Notícias, 1 de julho de 1922, mostrando a atuação política de Jerônimo Rosado

A cultura, porém, ficou nas mãos do 21º, Vingt-un, a quem coube realizar os sonhos educacionais do pai. Desde cedo, ele se empenhou para contar a história de Mossoró, registrar tudo que levasse o nome de sua terra natal e gerar e publicar a produção intelectual dos mossoroenses. Foi por isso que nos anos 1960 ele idealizou e fundou a Escola Superior de Agronomia de Mossoró (ESAM), onde organizou encontros e seminários e fez amizade com grandes intelectuais. Vingt-un Rosado foi uma espécie benigna de fanático.

A biografia completa do pombalense Jeronimo Rosado foi escrita pelo historiador Luiz da Câmara Cascudo, no livro “Jerônimo Rosado: uma ação brasileira na província de Mossoró(1861-1930)”.

Fonte de fotos – Autor do Blog Tok de História

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Extraído do blog do historiógrafo e pesquisador do cangaço:
Rostand Medeiros

http://tokdehistoria.wordpress.com

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

A cangaceira Sila



Ilda Ribeiro de Souza, a ex-cangaceira "Sila", ex-esposa do cangaceiro Zé Sereno na sua obra "Angicos, Eu Sobrevivi", quando se propõe a relatar a sua história e a das mulheres do cangaço, nos transmite através de um relato franco e forte fatos provados e interessantes, repletos, acima de tudo, de drama humano na vivência de sua cultura singular. As breves transcrições estão marcadas de sangue e suor daquela que viveu na própria pele a realidade de uma época.

O PRIMEIRO ENCONTRO COM CANGACEIROS

(SILA): Algum tempo depois eu estava no mato com meu irmão João, quando de repente vimo-nos em meio a quatro ou cinco homens vestidos com roupas estranhas e armados com fuzis: era o grupo do cangaceiro Zé Baiano. Levamos um susto tremendo. Zé Baiano fez algumas ligeiras perguntas e, logo em seguida, seguiram viagem deixando-nos em paz.
Fiquei na Casa dos Sete Umbuzeiros em companhia dos meus irmãos. João não queria que eu ficasse lá, pois havia um boato que os cangaceiros levavam moças para o cangaço. João tinha receio de que eles aparecessem e me carregassem. Algum tempo depois ele me disse:
- Sila, você não vai ficar aqui; vou levá-la para casa de Tia Marieta. É mais seguro.
Eu respondi:
- Os cangaceiros não vão me carregar, porque ninguém fala mais neles. Eles devem ter ido longe – respondi-lhe. – Será que eu não posso mais morar com vocês?
No outro dia, cedinho, passaram em nossa casa sete cangaceiros: Zé Baiano (primo de Zé Sereno), Zé Sereno, Manoel Moreno e outros. Tive oportunidade de vê-los. Meu irmão tremia de medo. Então um deles, Zé Baiano, aproximou-se de João e disse-lhe:
Faça comida e vá levar para trás da casa, perto do riacho, onde estão os outros cangaceiros. Leve a moça para lá.
Eu disse a João que não iria. João insistiu:
- Você vai, porque se não for será pior; bem que eu lhe disse para que não ficasse aqui.
Resolvi então acompanhá-lo.
Amedrontados, com as pernas tremendo, seguimos até o local indicado pelo cangaceiro. Eu, bastante assustada, perguntava a mim mesma o que poderia nos acontecer, pois o medo era tanto que não podíamos nos controlar.
Chegamos e nos deparamos com aqueles homens de aspecto selvagem, sujos e maltratados. Foi quando Zé Baiano me disse:
- Não tenha medo, menina; não vamos fazer nada com você.
Não esperava por uma coisa dessas. As pernas tremiam-me e eu mal me mantive de pé. Eles ficaram me observando. Por fim, retomei o fôlego e perguntei ao meu irmão:
- Viche Maria, Mãe de Deus, o que esse homem quer comigo?
- Sei não – tornou a falar João -, mas voismicê já adivinha. Tá lhe querendo na certa!
Sai correndo sem parar e entrei em casa desesperada, como uma louca. Madrinha Marieta foi atrás de mim e segurou-me pelo braço, querendo saber o que se passava. Aos soluços, cortada pela dor, contei-lhe tudo o que meu irmão me transmitira. Madrinha fechou a cara e afastou-se para o fundo do quintal. Ia pensar, naturalmente, refletir sobre a nova situação. Aquilo de forma alguma poderia agradá-la. Entrei no quarto, passei a tranca na porta e joguei-me na cama, profundamente aborrecida. Não houve pensamento ruim que não me passasse pela cabeça naquele momento. Nesse dia, um dos que acompanharam Zé Baiano era seu primo – Zé Sereno -, que ficou de olho em mim, embora não tenha manifestado o menor interesse aparente. O tempo passou, e após alguns meses desse encontro ocasional Zé Baiano foi morto por um pequeno grupo de caatingueiros, residentes próximo ao lugar conhecido como Alagadiço. Zé Sereno já tinha seu grupo e resolveu arranjar uma companheira. Mandou avisar-me que dentro de quinze dias haveria um baile em determinado lugar, e que eu deveria estar presente, porque dali sairia para viver em sua companhia.
Entregue ao meu desespero, vi as horas passarem em branco. Por fim fui colocando os pensamentos em ordem, e já podia refletir. Mas, à medida que o tempo escoava, eu não via como mostrar ao cangaceiro que não pretendia ser um deles. E dizia a mim mesma que melhor seria morrer que viver no cangaço.
Uma vez em casa eu disse a João que queria passar uns dias em casa de Maria, nossa irmã, em Serra Negra. Chegando lá, soube que havia uma festa em casa de família, nossos antigos amigos.
Pedi então a Maria que me deixasse ir àquela festa, mas ela não me permitiu. Eu então lhe disse:
Maria, essa é a última festa que eu vou.
Por quê? – ela estranhou.
Nada respondi. Ela ficou preocupada, e eu não quis mais falar sobre a festa. Meu pai me dizia para obedecê-la, que era minha irmã mais velha.
Passei três dias com Maria, muito triste e calada; parecia mesmo uma despedida. Aproximava-se o dia em que eu me separaria de todos, e isto não saia de minha cabeça. Era horrível viver esta grande incerteza. Eu não podia nem pensar em me separar da minha família, ainda mais na situação de sair sem rumo, sem saber o que me ocorreria. E mais: sem poder dizer nada a ninguém. E os dias se passavam.
Resolvi ir à igreja e pedir a São João Batista proteção e orientação diante da situação que se apresentava em minha vida. Depois disto notei que fiquei mais destemida, mais forte para enfrentar tudo. Em silêncio, entreguei tudo a Deus.
À tardinha, embora mais calma, eu continuava pensando em tudo que estava por vir, em companhia de meus irmãos, que já haviam chegado do trabalho. De repente ouvimos pisadas fortes.
Eram os cangaceiros, meu Deus! O que fazer?
Então Zé Sereno chamou João, dizendo-lhe que o acompanhasse até uma quixabeira, perto da casa, numa fazenda que pertencera a meu avô; eles estavam lá arranchados.
No caminho Zé Sereno pediu-lhe também que arranjasse um concertista, com pandeiro e viola, e juntasse as moças para a festa que ele pretendia dar.
João seguiu para a cidade e providenciou tudo.
À noitinha, eu, meus irmãos e minhas primas dirigimo-nos à festa, e lá conhecemos os cangaceiros Balão, Manuel Moreno, Ponto Fino, Criança, Sabonete, Luís Pedro e sua esposa Neném. Eles levavam sempre para as festas uma cangaceira, para dar mais força a moçada. Todos estavam muito alegres; bebiam e dançavam.
Enquanto isso, eu e minhas primas estávamos sobressaltadas, e nem sequer conversávamos uma com as outras.
Durante o baile dancei bastante com Luís Pedro, mas pouco com Zé Sereno, evitando assim aproximar-se muito dele, na inútil tentativa de tirar da sua cabeça a idéia de levar-me consigo.
Os cangaceiros beberam a noite toda; Balão sempre presente tocando sua gaita de boca, muito alegre e sorridente.
Já às seis horas da manhã, Neném aproximou-me de mim e disse-me:
- Agora você vai embora, Sila. Zé Sereno mandou lhe dizer que é para você ir agora, assim, do jeito que você está.
Saí com todos, só com a roupa que vestia. Sentia-me como que suspensa no ar, numa horrível sensação de medo, pavor, incerteza e ainda a saudade imensa da minha casa, dos meus irmãos, enfim, de todos. Imaginava o que devia acontecer, se me deixassem no mato, ou em algum lugar que eu não conhecia. Caminhávamos pelo mato afora, todos calados.
Em verdade, há quinze dias Zé Sereno já estava decidido a levar-me. Do jeito que estava decidi arrumar uma oportunidade para dirigir-me a ele e falar-lhe. Fiz questão de não me arrumar. Entendia que, quanto pior me apresentasse, melhor seria. Nenhum cuidado especial. Mal passei o pente no cabelo; nos pés um par de alpercatas velhas e um vestido surrado no corpo. E lá fomos nós.
No caminho atravessamos um riacho que, devido às fortes chuvas da época, estava muito cheio. No meu nervosismo, caí na corrente pelo menos duas vezes. Caía e levantava-me cada vez mais desconsolada. Mas, ao mesmo tempo, satisfeita por achar que agora sim iria causar má impressão ao cangaceiro. Parecia até um pinto molhado ao final da caminhada.
- Ó xente muié, voismicê tá toda ensopada! Num tá chovendo! Tu caiu no ribeirão?
O medo me fez perder a voz; não conseguia pronunciar uma só palavra. O coração parecia querer saltar do meu peito.
Alguns dos homens fizeram cara de riso. Zé Sereno olhava-me hipnotizado. O vestido molhado colara-se ao meu corpo e desenhava minha silhueta. Eu não sabia onde ocultar minha face, tal a vergonha que sentia.
- Óia mocinha – disse ele -, eu num sou onda pra mode tá cumendo gente! Voismicê pode ficar a vontade. Ninguém vai lhe fazer mal argum. Nóis só tamo cunversando. No meio da gente só tem muié decente. Tudo pessoa de valor: Dona Maria Bonita, Dona Dadá de Curisco, Neném de Luís Pedro, Enedina e outras.
Via-se claramente que ele procurava manter a calma. Mas estava aborrecido. Levantou-se e foi até a sua barraca. De alguns bornais retirou alguns anéis de ouro e dois vidros de água de cheiro.
Ali, deu início a uma cerimônia que, sem dúvida alguma, era uma simpatia. Mandinga, feitiço, quem sabe? Passando-me uma sandália sua, deu-me ordem para que a calçasse no meu pé esquerdo. Atendi-o em silêncio, e, mesmo não entendendo a razão daquilo, fiquei desconfiada. Em seguida, obedecendo sua determinação, acompanhei-o até uns umbuzeiros que ficam a meia distância da casa. Ali Zé pronunciou algumas palavras ininteligíveis, enquanto aplicava passes em minha cabeça e ao longo do meu corpo.
O que significava toda aquela cerimônia? Jamais o soube, pois nunca falamos sobre isso.
* * *
Luís Pedro levantou-se meio escabreado, sacudiu Neném e mandou-a levantar-se. Neném acenou-me em cumprimento e, percebendo o meu vestido, perguntou-me se eu pensava em viajar daquele jeito. Respondi-lhe que só possuía vestidos na bagagem. Ela foi até as suas coisas, tirou de lá um culote e entregou-o a mim, dizendo:
- Voismicê é do meu tamanho. Um pouco mais magra, é verdade, mas do mesmo tamanho. Tome aqui. Vista até que seu homem lhe compre um pano bonito, pra mode voismicê costurar o seu.
Saímos todos pelas veredas quase fechadas da caatinga, aparentemente sem destino. Todos caminhavam calados.
Sentia-me como em outro mundo – triste, isolada de minha família, desiludida e amedrontada. Por não conhecer toda aquela gente estranha, sentia vontade de chorar. Apenas prestava atenção a tudo que se passava ao meu redor.
Dessa forma andamos o dia todo a pé. Ao meio dia eles assaram carne e a comeram com farinha de mandioca. Eu não me alimentei; não tinha fome, estava desolada.
À tardinha Neném aproximou-se de mim para conversar. Diante da situação tive uma súbita reação: uma crise de choro tomou conta de mim. Ela então me disse:
- Não chore que é pior.
Procurei inibir meu choro, esperando que Zé sereno dissesse algo – mas ele não se manifestou.
Com a chegada da noite, Zé tratou então de arranjar uma coberta; estendeu-a no chão e deitamos sobre ela. Tive de obedecê-lo e dormir com ele. Assim foi a primeira noite.
Este lugar onde dormimos ficava perto de Pinhão, no Estado de Sergipe.
De manhã caminhamos mais um pouco, até chegarmos a uma fazenda, da qual nunca soube quem era o proprietário. Lá os cangaceiros prepararam a comida. Neném chamou-me e disse:
- Menina venha comer, que assim, andando, sem se alimentar, ficará fraca e vai adoecer...coma alguma coisa.
Novamente começamos caminhar mato adentro. À medida em que andávamos, alguém ficava para trás e ia desmanchando os rastros, recolocando no seu lugar, inclusive, cada pedra que porventura fosse deslocada. Admirada perguntei:
Por que estão fazendo isso?
Para não deixar pistas pros macacos – Neném respondeu-me.
Que macacos? – perguntei.
Os macacos são os soldados, que perseguem os cangaceiros para porem fim ao cangaço. Nós os chamamos de macacos.
Esta foi minha primeira lição.
* * *
O café ficou pronto. Arroz tropeiro, rapadura, farinha e um pedaço de bode constituíam a refeição matinal. Preparavam-se para longa caminhada a pé e só esperavam comer na segunda metade do dia.
No cangaço havia o costume de os homens cozinharem, e às mulheres cabia a costura de roupas, de bornais e outras peças. No mais, davam a impressão de estarem ali como adorno.
"Eu confeccionava bornais e camisas; costurava bem e com bom gosto. Da primeira vez que vi Lampião, ele gostou tanto de um bornal que eu havia feito para Zé Sereno, que logo me encomendou um. Cumpri o seu desejo e, daquele dia em diante, passei a costurar todas as suas capangas." (Sila)
Marchávamos pela caatinga há horas. No céu, o sol quente de verão parecia querer torrar-nos. De vez em quando, porém, uma leve brisa vinha acariciar-nos o rosto, suavizando o ardor que nos queimava a pele.
Passos apressados, éramos doze seres de Deus. Mulheres, apenas duas: Neném e eu. Novo Tempo, Mergulhão e Marinheiro eram os três novos cangaceiros que integravam o grupo sob comando de Zé Sereno, todos eles meus irmãos consaguíneos . Acredito mesmo que entraram no cangaço para não me deixarem sozinha. Assemelhava-se a guarda-costas meus.
Os apelidos era uma das marcas registradas do cangaço. Sila conta que o seu apelido vem desde a sua infância em Poço Redondo, dado por seu pai. Já seus irmãos Manoel (chamado "Du"), Gumercindo e Antônio Paulo receberam, respectivamente, os apelidos de Novo Tempo, Mergulhão e Marinheiro de Zé Sereno, na ocasião que ingressaram no seu bando e consequentemente no cangaço.
Vestindo culote verde, bornal da mesma cor, chapéu de aba virada e cravejado de medalhas – presente de Zé -, sendo a do centro de ouro maciço, eu já tomava ares de cangaceira. Além do chapéu, tinham-me entregue um Mouser e um punhal de tamanho médio, bordado a ouro e prata. Trajada daquele jeito, fazia figura bonita e agradava ao grupo. Era evidente a alegria que sentiam em contar comigo no bando. Eu, porém, não estava bem. Volta e meia, atrasava o passo e punha-me a chorar baixinho. Zé Sereno, numa dessas vezes, aproximou-se e disse-me, como consolo;
Óia, menina, o que tá feito num se pode desfazer. Ninguém vorta mais atrás. Seca os óio e guarda sua dor pra mais tarde.
Enchi-me de coragem e retruquei raivosa:
- Os óio são meus e choro o quanto quiser.
Zé deu de ombros e continuou a caminhada. Por largo tempo manteve-se calado. "Que ficasse com as suas birras", deve ter pensado.
Em coluna dupla o bando atravessava a caatinga. À frente viajava Luís Pedro, por ser o mais experiente dos homens. No fundo, as mulheres e, cerrando fila, Zé Sereno. Cabia a ambos evitar surpresas tanto à frente quanto na retaguarda.
Meus irmãos pareciam nervosos. Cada um deles levava um fuzil, mas nem sabiam como manejá-los. Eu, de minha parte, nem mesmo tinha idéia de como segurar a Mouser. Zé garantiu que, tão logo chegássemos ao coito, nos daria a primeira instrução de manejo de arma.
Volta e meia Zé Sereno aproximava-se de mim, mas, em princípio, não dizia nada. Ora trazia-me um cantil com água, ora um pedaço de rapadura ou um punhado de farinha. Calado sempre. Parecia estar efetuando reconhecimento de terreno – sondando-me.
A viagem prosseguia e o sol já ia alto no céu.
Já perto do fim da tarde chegamos a uns juazeiros; deu-se ordem de parada, indicando que passaríamos a noite ali. As tralhas de cozinha foram retiradas do lombo do burro e logo o fogão fumegava.
Enquanto isso Neném chamou-me para um banho na fonte. Estranhei a existência de uma fonte por ali, pois não vira sequer um fio de água no decorrer do dia. Distava uns trezentos metros de nosso acampamento. Luís Pedro mandou que um de seus homens mais experientes nos acompanhasse para proteger-nos.
Ao final sentia-me mais leve; havia tirado a poeira e o cansaço do corpo.
De volta perguntei a Neném:
- Vosmicê num tem medo de ser espiada no banho por um desses home, não?
Ó xente, e eles são doidos? – retrucou Neném – Só se quiserem perder a cabeça. Luís atira no meio dos óio do cabra da peste pra gastá uma bala só. Adispois, no cangaço, temos muito respeito pelos companheiros. Home ou muié.
Comemos à vontade, pois a comida era farta e a pinga saborosa. Naquela noite conheci o sexo. Experiência ruim. Lua de mel tão amarga quanto as amarguras sofridas por mim nos dois anos seguintes vividos no cangaço.

(Texto Transcrito da Obra: Angicos Eu Sobrevivi – Oficina Cultural Mônica Buonfiglio – 1997 – Pags. 24 a 32)

http://www.luizalberto.com.br/l05.html

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

HOSPITAL SANTA JOANA

foto memorial fachada emerg1 Hospital Santa Joana trabalhe conosco

Dominguinhos tem quadro estável, diz boletim médico

O cantor foi internado no último dia 17 para tratar uma infecção respiratória e após apresentar um quadro de arritmia cardíaca.


O quadro de saúde do cantor e compositor José Domingos de Moraes, o Dominguinhos, é estável, "sem alteração no tratamento antimicrobiano e antiarrítmico", segundo o boletim médico divulgado nesta segunda-feira (31) assinado pelo coordenador do Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Santa Joana, área central do Recife, Odilon Barbosa da Silva.

Dominguinhos foi internado no último dia 17 para tratar uma infecção respiratória e após apresentar um quadro de arritmia cardíaca. Ele ainda respira com a ajuda de aparelhos, e, segundo o hospital, não há até o momento previsão para a retirada dos equipamentos.

Publicado hoje, dia 31 de Dezembro de 2012

http://www.grzero.com.br/hospital-santa-joana-trabalhe-conosco

Aos leitores(as), amigos(as) Feliz 2013

Recados

São os sinceros votos de José Mendes Pereira


http://blogdomendesemendes.blogspot.com