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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A INTERIORIZAÇÃO DAS ACADEMIAS LITERÁRIAS E OS NOVOS CAMINHOS DA ASL

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa

Não me parece acertada essa tão propalada política de interiorização das academias literárias, ao menos da forma como está sendo estrategicamente incentivada pela Academia Sergipana de Letras - ASL. E assim afirmo porque pressinto outros objetivos - menos acadêmicos - por trás de toda essa preocupação de fazer com que os literatos sejam reconhecidos dentro de seus próprios limites regionais.

A princípio, em termos de produção intelectual, vejo como totalmente descabido utilizar-se de terminologias como a tal interiorização. A outra conclusão não é possível chegar senão a de imposição de distanciamento de um centro produtor maior. Desse modo, a força da intelectualidade aracajuana seria acolhida pela ASL, enquanto outros, perifericamente, seriam reconhecidos nas suas distâncias.

E a cultura, a literatura, o saber, o conhecimento, a pesquisa e a produção intelectual, possuem centros e margens ou devem confluir ao âmbito de uma cultura maior? A produção interiorana é diferente do fazer aracajuano, considerando-se que aqui está o centro e ali a margem, ou o interior? Ademais, o advento da interiorização logo passa a pressupor que a ASL tornou-se numa espécie de Academia Aracajuana de Letras, vez que as letras sergipanas perdem sua contextualização.


A interiorização é necessária sim, mas não como estratégia criada dentro dos salões da própria ASL. Deve-se interiorizar a produção cultural e literária no âmbito de cada município ou região, cabendo aos seus estudiosos e escritores o reconhecimento da necessidade de se criar uma entidade que os acolha. Ora, a produção intelectual de um município ou região tende a buscar força suficiente para mostrar sua pujança e ultrapassar seus limites.

Assim, a criação de uma agremiação que congregue os escritores, intelectuais, pesquisadores e estudiosos não deve ser algo impulsionado de fora para dentro, ou seja, não deve ser estrategicamente pensado na ASL para ser implantado nas regiões interioranas. Creio que os próprios munícipes visualizam melhor que qualquer outra pessoa acerca da necessidade e potencialidade para criação de suas academias.

Também não se fundamenta a alegação - acaso existente - de que a ASL apenas procura ajudar na organização, na criação do estatuto, repassando sua longa experiência no acolhimento dos imortais sergipanos. E não sob pena de as academias interioranas tomarem a feição de uma filial daquela, continuando à margem e quase sempre devendo obediência hierárquica aos seus expoentes.

Do modo como está sendo feito, com representantes da ASL sendo indicados para participar na organização das futuras entidades, passa a transparecer que, uma vez criadas e instaladas, as academias interioranas manterão vínculos de subsidiariedade à sua matriz, que continuará sendo a nata da intelectualidade aracajuana. E afirmei aracajuana exatamente para chegar ao ponto chave da questão.

Ora, não duvido que a intenção prevalecente entre determinados membros da ASL seja que a entidade, ao deixar os intelectuais interioranos nos seus devidos lugares, distantes do casarão da Rua Pacatuba, tentem transformar esta num centro exclusivo para expoentes da cultura local. Contudo, o pior é que elegendo pessoas que nem sempre possuirão as características exigidas pelo estatuto.

 Mas eleger pessoas sem o devido merecimento acadêmico nunca foi coisa do outro mundo para a imortalidade sergipana. Sem citar nomes para não ser injusto, mas muitas pessoas que realmente deveriam ter ali assento jamais foram ventiladas para usar o fardão. E, do mesmo modo, alguns foram escolhidos para sumo espanto dos deuses da sabedoria e do conhecimento. Porém, como afirma Jorge Amado em seu “Farda, fardão, camisola de dormir”, tudo é possível.


Creio, piamente, que a elevação cultural, artística e literária deve ser reconhecida pelo que foi produzido. Também creio que a ASL deveria receber em seus quadros apenas aqueles de reconhecido valor acadêmico e que tenham mostrado, ao longo de seu percurso, uma produção digna de abrilhantar meritoriamente o fardão. Contudo, nem sempre é assim que acontece.
Uma academia
 de letras - seja sergipana ou de qualquer outro lugar -, ainda que não acolha exclusivamente os expoentes das artes literárias, deverá, no mínimo, ter a credibilidade suficiente para que suas escolhas não sejam contestadas pela sociedade. E também não incorrer nas injustiças de acolher alguns por amizade ou lobby literário e deixar de fora tantos outros que diuturnamente cimentam o conhecimento.

E eis agora um problema maior a ser resolvido pela ASL. Com o incentivo à interiorização das academias, como as já surgidas em Nossa Senhora da Glória, Itabaiana, Lagarto e Laranjeiras, logicamente que os literatos interioranos ficarão abrigados nos seus silogeus. E a que nata acadêmica servirá a ASL? Com os limites redesenhados, as portas do velho casarão certamente que estarão abertas para a intelectualidade local.

Menos mal que realmente fosse para a intelectualidade local. Contudo, sempre haverá o temor que a ASL renegue de vez as letras do seu estatuto e, de vez em quando, se transforme numa mera casa de acolhimento de pessoas que simbolizam apenas a nata do compadrio e do poder político e econômico.
  
Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

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Aldenora Santiago

Por: José Mendes Pereira

Eu não tenho muito o que falar sobre Aldenora Santiago, mas tenho o dever de registrar a sua passagem aqui na terra, e principalmente a vida que levava entre os parentes e amigos em Mossoró.  

Esta senhora eu a conheci muito, não de conversar, de ter amizade, de contatos diários, mas pelo  talento que tinha, como uma grande cantora nos anos sessenta e setenta do século XX.

Aldenora Santiago era uma senhora morena, bem parecida, talvez 30 anos ou um pouco mais, e na época, residia bem próximo ao Ginásio Municipal de Mossoró, e tinha uma voz assustadora. 

Mas infelizmente, devido gostar de beber alguns goles, a cantora não recebeu apoio para chegar à fama artística.

pt.wikipedia.org

Até aparentava a cantora Elza Soares, fisicamente e voz eram iguais à famosa cantora.

Zé Maria Madrid é o de bigode - http://telescope.blog.uol.com.br

Quando o radialista Zé Maria Madrid criou  aos domingos às 9 horas da manhã, um programa de auditório no cine Caiçara com o nome Zy & 20 ela sempre participava, sendo aplaudida pelos seus fãs que tinham uma grande admiração pela futura cantora.

telescope.blog.uol.com.br

Aldenora Santiago sempre foi bem recebida pelos mossoroenses, mas infelizmente ela não passou disso, porque vivia um pouco ébria. 

Não tenho notícias de qual família ela pertencia, mas só sei que foi uma cantora, que com aquele vozeirão, aos domingos lotava o cine Caiçara de Mossoró.

Minhas Simples Histórias

Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixe-me pegar outro.
  
Fonte:
http://minhasimpleshistorias.blogspot.com

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Se você achar que vale a pena e quiser perder um tempinho, clique nos links abaixo:

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MOSSORÓ, TERRA DA RESISTÊNCIA: os mecanismos discursivo-argumentativos da notícia nos jornais impressos em 1927 - Parte II

Por: Ana Shirley de Vasconcelos Oliveira Evangelista Amorim

 

3. Os jornais impressos

A presença da imprensa em Mossoró tornou-se fator decisivo. Diante disso, os relatos são atualmente conhecidos e reconhecidos como documentos comprobatórios da presença de Lampião e seu bando no nordeste brasileiro. A cidade de Mossoró, especificamente, nas primeiras décadas do século XX, já dispunha de veículos comunicacionais como os jornais: “Commercio de Mossoró”; “O Mossoroense”; “O Nordeste” e o “Correio do Povo”. Com isso, as fontes de informação desse período foram essenciais na construção semântica dos relatos sobre os acontecimentos decorrentes das ações dos cangaceiros.
Essas fontes confundiam-se com as autoridades locais, ou melhor, representavam os interesses dos governos estaduais e municipais, e dos elementos de prestígio social, industriais, comerciantes, empresários, fazendeiros, entre outros. Dessa forma, as figuras mais expoentes do poder controlavam todo o discurso veiculado pela imprensa.
A seguir, realizaremos as análises do gênero selecionado para compor o Corpus desta pesquisa.
É importante ressaltarmos que a descrição dos discursos presentes na esfera jornalística e suas abordagens far-se-ão a partir da observação dos seguintes aspectos: as técnicas argumentativas utilizadas e as correlações entre essas, suas teses, os efeitos de sentido desejados e o gênero do discurso em questão.
3.1 O discurso da Resistência na mídia impressa
A batalha de Mossoró ganhou destaque local e nacional nos noticiários da época. As manchetes dos principais jornais do Rio de Janeiro, Recife, Natal e Paraíba dedicaram-se exclusivamente ao tema. Dentre os jornais locais, a segunda edição do jornal “Correio do Povo” do dia 19 de junho de 1927, anunciava em destaque a seguinte manchete:
Notícia 1
AVÉ! MOSSORÓ! Maior grupo de cangaceiros do Nordeste, assalta nossa cidade, sendo destroçado após horas de renhida lucta! À manchete seguem-se os subtítulos: A bravura dos nossos civis! As trincheiras heróicas. Os bandidos são chefiados por LAMPEAO, SABINO, MASSILON e JARARACA. Como morreu o bandido COXÊTE e como foi ferido e aprisionado JARARACA, o maior sicário do nordeste – Notícias e notas diversas.
Após a manchete o jornal publicou em sua primeira página a seguinte notícia:
A nossa ordeira, pacata, laboriosa e nobre cidade foi atacada e assediada pelo maior numero de bandidos do nordeste, sob a chefia de Lampeao, Sabino, Massilon, Jararaca, chefes de cangaceiros que se colligaram a effeito a empreitada terrível e sinistra de saquear Mossoró, a mais opulenta e rica cidade do Rio Grande do Norte. A immensa fama e o seu amor ao trabalho, á paz e á ordem despertaram no espírito de feras daquelles bandos, apetites vorazes de sangue e de sangue.
Os seus planos miseráveis, porém, foram frustrados. A população civil em cooperação com a polícia mostrou e afirmou a pujança de um Mossoró também aguerrido e marcializado, indômito e formidável de armas na mão, nas trincheiras e nas ruas.
Exceção das famílias que foram postas em lugares seguros, os homens de valor tomaram posições de combate em todos os quatro ângulos da cidade. Era a defesa não só da potência comercial e industrial, mas, sobretudo da honra, do sagrado nome mossoroense.
Foram quatro horas de luta heróica onde se cimentou com galhardia maravilhosa o tempo sacrossanto do novo poder que se levantou com um final de glórias e louros a atestar, pelos tempos em fora, a pujança do povo de Mossoró. Triunfou o direito sobre o crime, o dever sobre a violência, a ordem sobre a desordem e o heroísmo sobre a covardia!
A honra da pacata e obreira colméia riograndense foi, salva pelo heroísmo sobre a covardia! Ave! Mossoró! (Correio do Povo, 19 de junho de 1927, p.1).
O orador estrutura seu discurso no engrandecimento e louvor aos heróis da resistência e escárnio do grupo de cangaceiros. Nessa perspectiva, o discurso relacionado à defesa da cidade centra-se integralmente em focar os esforços das autoridades, em especial, do governo estadual, e destacar, principalmente, suas ações solidárias, mostrando, assim, um governo eminentemente preocupado com a defesa do território, sendo, portanto, merecedor de eternos agradecimentos.
Enveredando pelo caráter manipulatório da mídia, que faz uso do jogo de vozes, e desse modo, joga com estereótipos e apagamentos na construção de identidades, observamos que a questão da subjetividade perpassa todo o discurso da notícia, uma vez que o contexto linguístico, como já explicitamos, direciona-se para enfatizar o dizer do poder vigente. Nesse sentido, vemos assumido explicitamente pelo jornal, o discurso político-ideológico do governo local.
Nessa perspectiva, percebemos que o jornal, veículo da mídia impressa de caráter objetivo, torna-se predominantemente subjetivo, visto que o sujeito enunciador inclui-se no discurso como membro da comunidade mossoroense.
O título da manchete chama a atenção do auditório (leitor) para que se concentre no objeto do discurso: ele orienta o „caminho‟ que o público irá percorrer no discurso. No título, o orador apresenta seu alvo de críticas: os cangaceiros, e seu alvo de devoção, a cidade, por meio do vocativo religioso “Ave, Mossoró!”, e seu povo: “A bravura dos nossos civis!”. Nessa perspectiva, constatamos que o título apresenta palavras-chave do discurso, pois, a escolha das palavras que o compõem aponta para uma construção semântico-discursiva que irá defender um ponto de vista.
O procedimento e a criação do título têm caráter persuasivo, pois aponta e contextualiza o conteúdo discursivo. Guimarães (1990), afirma que o título constitui índice caracterizador ou modalizador do objeto do discurso, ou seja, ele é um resumo mais que condensado do teor discursivo. Assim, o leitor por meio dele, prevê o tom do discurso textual.
Além disso, devemos atentar para o fato de o discurso da resistência aparecer vinculado ao discurso religioso. Percebemos que a articulação desse discurso sugere como efeito de sentido a canonização da cidade, uma vez que “Ave! Mossoró!” nos remete à concepção doutrinária do catolicismo, por meio da alusão a oração da Virgem Maria, como argumento utilizado pelo orador no reforço da tese da qualificação positiva da cidade, materialmente visível no corpo do discurso.
Para iniciar seu processo discursivo, o orador constrói nas primeiras linhas do texto o ethos da cidade, ou seja, ele cria uma imagem positiva de Mossoró com o intuito de conseguir a adesão do auditório para a tese defendida.
Ainda no que se refere ao discurso religioso, podemos estabelecer uma relação dialógica entre esse e o modo como o discurso da resistência foi empreendido pelo jornal. Quando o orador traz à cena a cidade personificada e santificada por meio da exaltação e do patriotismo, percebemos sutilmente uma relação interdiscursiva entre ambos. Mossoró sobrepõe-se a imagem da Virgem cheia de graça. Da mesma forma que Maria, a cidade mossoroense também é detentora de graças através do seu progresso. Sendo bendita entre todas as cidades do Rio Grande do Norte, assim como a santa, também gerou frutos benditos.
Embora não tenhamos realizado um trabalho de recepção junto aos leitores afetados pelos discursos dos jornais impressos e dos cordéis de acontecido, afirmamos, conforme a memória coletiva do episódio, retratada nas análises, de que o discurso religioso, adaptado às intenções comunicativas do texto, deixa transparecer mais uma estratégia argumentativa que se fundamenta nos valores da liberdade e da honra previamente aceitos pelo auditório para reforçar a necessidade de defesa do território.
Nessa rede de diálogos que o texto oferece, verificamos outra técnica encontrada na notícia e que finaliza o texto de maneira enfática, é a técnica da repetição marcada linguisticamente pelo vocativo de louvor na referência à cidade para tornar mais presente na memória dos interlocutores a ideia que se pretende a adesão. Nesse caso, “[...] A repetição constitui a técnica mais simples para criar tal presença (no leitor) do ponto de que se quer chamar a atenção” (PERELMAN E TYTECA, 1996, p. 164). A utilização dessa técnica torna claro, também, para o público, o posicionamento assumido pelo produtor da notícia.
Notícia 2
A edição do jornal “O Nordeste” do dia 24 de junho de 1927, veiculou a seguinte manchete:
O bandido Lampeão e seu grupo: Terríveis contingencias – Assalto a esta cidade – A nossa vitória – Continuamos em pé de guerra – Lampeão derrotado.
Essa edição começou a noticiar os preparativos para o conflito. Ao longo do texto, em especial, por narrar o conflito, encontramos pequenas manchetes que apareciam como uma espécie de alusão a notícia principal: “Os bandidos surgem em São Sebastião”; “Retiradas das famílias. O povo se arma”; “Ultimatum, de Lampeão ao governo do município”; “O bando se aproxima...”, e, somente na terceira página do jornal vem a narração do conflito.
Começa a lucta
Foi um tiroteio formidável de parte a parte! As feras investiam e procuravam abri passagem. As trincheiras avançadas resistiam galhardamente. A do Coronel Saboynha, para não nos referirmos já a outras, de acção igualmente brilhante, por terem aquellas sustentados o ímpeto, desempenhavam-se galhardamente. A trincheira da barragem, sob o commando do Tenente Abdom, abria fogo. O bando se tinha dividido. Era preciso estar em toda parte, vigilante, activo, embora corresse perigo a vida, que poderia ser atingida pelo fogo dos nossos próprios amigos.
Cangaceiros surgem ao lado da Matriz, nas immediações do Telégrafo Nacional, e somem-se! Ah! O fogo rompeu pela trincheira dessa repartição. A torre attendia já a todos os lados,
perscrutando, atirando. A trincheira do Colégio Diocesano estava a postos, tiroteando também. A praça da matriz era uma fortaleza!
Os officiaes da Polícia Estadual, Tenente Laurentino, delegado de Polícia, Abdon Nunes e Ten. João Antunes, da cavallaria, eram incansáveis e bravos, attendendo aos postos mais fracos organisando a vigilância, patrulhando e Policiando as ruas, no intuito de sorprehender algum bandido que se insinuasse nos locaes mais desertos.
Há actos de verdadeira temeridade em toda parte, os quaes calamos para não commetter injustiças. Todos se mostram valorosos e dignos grandes e pequenos, ricos e pobres, autoridades e não autoridades. Os padres acompanham o movimento de defeza com extraordinário sangue frio.
Em toda parte, por todos os lados, todos andavam activos. Os bandidos recuavam, voltam ousadamente à carga e são novamente repellidos. Deixam mortos e feridos e organizam a fuga. É de notar que, no início do ataque, as sombras do nevoeiros se desfazem e a chuva cessa apenas deixando no ambiente uma temperatura agradável de uma tarde de inverno. Cessado o forte tiroteio, irrompe pelas ruas, o povo em delirantes brados de vivas a Mossoró, ao Prefeito, ao Presidente do Estado, ao chefe de Polícia, aos nossos soldados, desafiando Lampeão e os seus sequases: Sabino, Massilon e toda caterva de bandidos que fugiam diante de nossas armas victoriosas, sem o derrame de uma só gotta de sangue do povo citadino.
Reinava grande pavor entre algumas poucas famílias que não se haviam retirado: mas o estrépito dos vivas penetrava o coração de todos como um ardente sopro de victalidade inaudita. Gloria a terra de Baraúna, o herói de Payssandú! Toda a noite de segunda-feira foi de febril actividade; tiroteios aqui e acolá, descargas, etc. Foi uma hora de fogo renhido e cerrado!
Tendo em vista que “as notícias são distorções sistemáticas que servem os interesses políticos de agentes sociais bem específicos que utilizam as notícias na projeção da sua visão de mundo, da sociedade, etc” (TRAQUINA, 2005, p. 162), observamos que a notícia publicada pelo jornal é explicitamente marcada por informações que trazem em sua constituição elementos sígnicos (recursos) que representam um meio de manutenção do discurso político-social dominante. A subjetividade, como explicitada na primeira notícia analisada, permeia todo o discurso.
Nessa notícia, o sujeito enunciador ao afirmar que os “bandidos fugiam diante de nossas armas vitoriosas”, se inclui no discurso como um personagem pertencente ao universo narrado, ou melhor, ele se insere na população que lutou na resistência contra bando de Lampião.
Desse modo, podemos dizer que, de acordo com o ângulo em que a notícia é revelada ao auditório, observamos a semelhança entre a sua estrutura e a estrutura dos editoriais jornalísticos, notadamente, no que concerne à tomada explícita de posição sobre um determinado acontecimento. A narrativa do conflito, assim como os editoriais vem sem a presença de uma assinatura, expressando o ponto de vista do periódico, e “sem a obrigação de se ater a nenhuma imparcialidade ou objetividade” (PERFEITO, 2007, p.4).
O enunciador inicia seu discurso a partir da apresentação do assunto (começa a lucta) expondo fatos que descrevem a realidade do conflito sob sua ótica. A sequência de eventos que compõe o gênero notícia apresenta a história em forma de lide1, isto é, procura desenvolver os elementos do relato, colocando em ordem os elementos do enunciado (o que, quem, onde, quando, como e por que). Em contrapartida, observamos uma exploração do
1 Palavra aportuguesada do inglês Lead é a “cabeça” da notícia. Significa dizer que, o lide funciona como um sumário da notícia jornalística apontando as informações mais importantes do texto. O lide corresponde ao primeiro parágrafo de uma notícia jornalística impressa.
conflito dramático. A relação entre as personagens, as enumerações de lugares e de ações da trama conferem a narrativa uma leitura de construção artística, atribuindo ao discurso um caráter literário.
No âmbito da argumentação, destacamos no discurso a presença de recursos, como os modalizadores, por exemplo, que direcionam o posicionamento do enunciador a respeito do fato enunciado. Os modalizadores, segundo Koch (1999), apresentam argumentatividade no uso da própria língua. Desse modo, concebemos esses tipos de recursos como “elementos linguísticos ligados diretamente ao evento de produção do enunciado e que funcionam como indicadores de sentimentos e atitudes do locutor em relação ao seu discurso” (KOCH, 1999, p. 138). Como exemplo desses recursos, encontramos na notícia os pronomes na primeira pessoa do plural, os advérbios, os adjetivos e expressões com valor de adjetivos.
No que diz respeito aos adjetivos ou expressões com valor de adjetivo, podemos dizer que eles são extremamente modalizadores, pois qualificam verbalmente o que às vezes é apenas uma imagem, formalizando um conceito de verdade, dando um valor apreciativo ou depreciativo.
Com o uso desses qualificadores, o orador passa a indicar um modo de ser do substantivo, atuando como um predicativo. Nesse processo, os recursos trabalhados operam no sentido de atribuir um significado semântico determinado aos substantivos, “cidade e povo”. No viés discursivo, o uso desse mecanismo opera como estratégia argumentativa que ultrapassa as fronteiras da estrutura sintática e do significado semântico e articula os sentidos em um campo que interagem linguagem e sociedade, portanto, ideologias.
A exarcebação e sacralização da cidade e de seus heróis implicam na satanização da figura de Lampião e seu bando. Paralelamente, a exaltação da cidade e de seus defensores. Os textos acentuam as características e feitos mais brutais dos cangaceiros, com o intuito de associá-los à categoria do mal, da perversão, o que de fato culmina na demonização desses personagens.
Nessa perspectiva, atrelada aos modalizadores está à técnica da definição expressiva para embasar a posição ideológica do orador a favor da resistência e contra a empreitada do bando de cangaceiros. O sujeito enuncia de uma formação discursiva e de um lugar social de defensor da cidade.
Além disso, devemos atentar que a associação do fato (invasão) a ação da resistência em (a), nas primeiras linhas do texto, gera frames (esquemas) que irão orientar a construção dos modelos mentais a partir do foco de interesse do enunciador e de que ângulo ele quer que observemos o objeto, direcionando a opinião pública para um posicionamento contrário à invasão e favorável à resistência.

CONTINUA...

Ana Shirley de Vasconcelos Oliveira Evangelista Amorim

Enviado pelo pesquisador José Edilson de Albuquerque Guimarães Segundo

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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Durvinha conta história do último casal do cangaço

Por: João Domingos - O Estadao de S.Paulo

Sobreviventes do bando de Lampião Durvalina e Moreno fugiram do cerco policial. Durvalina faleceu em 2008, e Moreno em 2010. 
Esta matéria foi publicada no Estadão no dia 01 de Dezembro de 2007 

Um ano depois da emboscada policial em Angicos (SE), em 1938, que resultou na morte de Lampião, Maria Bonita e nove cangaceiros, um bebê com 30 dias foi entregue ao padre Frederico Araújo, de Tacaratu, no sertão de Pernambuco, a cerca de 450 quilômetros a oeste de Recife. Um bilhete anônimo, ilustrado com garranchos que imitavam letras, identificava os avós e a mãe, Durvalina Gomes de Sá. Durvalina era Durvinha, cangaceira do bando de Lampião. Com a morte do chefe, caíra na clandestinidade. Fugia da polícia rompendo a caatinga, ora na Bahia, ora em Pernambuco, sempre ao lado do companheiro, Antonio Inácio da Silva, o cangaceiro Moreno.

O menino - primeiro dos seis filhos do casal - foi registrado como Inácio Carvalho Oliveira, sobrenome da família que o adotou quando estava com 6 anos, após a morte do padre. Adulto, Inácio mudou-se para o Rio. Entrou para a Polícia Militar.

Tornou-se segundo tenente. Em 2005, com 66 anos de idade e já reformado, soube enfim que os pais estavam vivos e formavam o último casal sobrevivente do cangaço. Moravam em Belo Horizonte e se chamavam Jovina Maria da Conceição e José Antonio Souto,nomes registrados em carteiras de identidade e com os quais buscaram afastar os fantasmas do passado.

Toda esses fatos foram contados ontem por parte dos protagonistas, no encerramento do 1º Congresso Nacional do Cangaço: Cultura e Memória, realizado no Museu da República, mais um prédio futurista projetado por Oscar Niemeyer na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

Durvinha, de 92 anos, estava lá, para narrar seus feitos; Moreno, de 96 anos, sofreu uma queda pela manhã e teve de ser levado para o Hospital de Base. "Me sinto tão culpada. Ele caiu porque foi pegar um sapato meu. Nós dois já não enxergamos quase nada." A informação do hospital é de que Moreno está bem e deve ser liberado hoje.

O crachá da cangaceira registrava o nome da identidade, Jovina Maria da Conceição. Inácio, porém, não a chama assim. Para ele, é Durvalina ou Durvinha. Do pai, nem conseguiu se lembrar o nome todo na identidade. "Acho que é José Antonio, e tem um sobrenome aí que não sei. Para mim, ele é o Antonio Inácio da Silva ou o Moreno." Inácio disse ter por hábito visitar Tacaratu quase todo ano.

FUGA

Durvinha nasceu em 1915 no povoado de Arrasta-pé, em Curral dos Bois, hoje Paulo Afonso (BA). Ainda mocinha abandonou a casa dos pais para correr atrás do cangaceiro Virgínio, cunhado de Lampião. Não sabe quantos anos tinha. "Não havia registro. Era tudo na bruta. A gente se juntou. Não chegamos a ir ao padre". Disse que teve dois filhos com Virgínio, dos quais nunca mais teve notícias depois dos tempos do cangaço.

Virgínio foi morto em 1936. "No bando não podia haver viúvas. Pelas leis lá, ou elas se casavam com outro cangaceiro ou eram mortas. Moreno se propôs a ficar comigo", disse Durvinha. Com ele teve outros seis filhos: Inácio, que só conheceu há dois anos, e outros cinco, todos morando em Belo Horizonte. Durante as fugas pela caatinga, o jeito era pegar um pedaço de rapadura aqui, um punhado de farinha ali, driblar a fome e a polícia. "Morria de medo de ser degolada, como Lampião."

No filme Baile perfumado (1996), direção de Paulo Caldas e Lírio Ferreira, aparecem imagens do bando de Lampião feitas entre 1935 e 1936 pelo libanês Benjamin Abrahão. Numa delas, Durvinha dança com Moreno, embora estivesse na companhia de Virgínio. Noutra, avança sobre a câmera com o revólver na mão. Durante os combates, ela levou um tiro na coxa esquerda. "A carne rasgou de fora a fora. Os cangaceiros me salvaram jogando um litro de pimenta." Durvinha disse que só teve uma razão para aderir ao cangaço: a paixão por Virgínio.

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,durvinha-conta-historia-do-ultimo-casal-do-cangaco,88841,0.htm

Informação do blogdomendesemendes:  O casal de cangaceiros já faleceu. Durvinha em 2008 e Moreno em 2010.

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Virgínio Fortunato da Silva

Virgínio Fortunato da Silva é o segundo da esquerda pára direita

Segundo alguns pesquisadores afirmam que Virgínio Fortunato da Silva, o cangaceiro Moderno, nasceu no ano de 1903, na cidade de Alexandria, (mas não comprovado), no Estado do Rio Grande do Norte. 

Virgínio era conhecido como o "capador oficial" do bando de cangaceiros chefiado pelo seu cunhado Lampião.


Foi casado com Durvinha/Durvalina com quem teve dois filhos. Liderou um bando próprio por muito tempo, até que foi assassinado no ano de 1936.

Virgínio está no centro da foto, e a sua  esquerda está Durvalina.

Após a sua morte - o cangaceiro Moreno passou a ser o chefe do seu grupo, que acabaria se casando com Durvinha em 1936.


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“O Cangaceiro Sabino em Cajazeiras (O Herói)”

Por;  Marilda Sobreira Rolim

Publicado no Jornal "O Norte", edição de dezembro de 1996

O cangaceiro é considerado um injustiçado. Mas eu pergunto qual foi o crime cometido pela Justiça por não tê-lo julgado?


O que os cangaceiros fizeram foi juntar um número considerável de homens que não queriam trabalhar e que saíam tomando para se manter. Chegando a ocasião, naturalmente matavam, estupravam e assim iam de um Estado para o outro, sempre a cavalo. Para eles, a lei era o fuzil. Chegavam a uma propriedade com toda autoridade de dono, e se alguém não obedecia ali ficava no chão, “comendo terra”, como diziam.


Sabino cangaceiro (foto), quando imaginou atacar Cajazeiras, convidou Lampião, que respondeu: “O Padre Cícero me passou ordem de nunca ir a Cajazeiras, porque ele foi aluno do Padre Rolim e não queria vê-lo sofrer”... Então o cangaceiro Sabino foi sem Lampião.
   
Para o místico D. Moysés Coelho, foi uma noite de aflição. O Colégio Padre Rolim ficou cheio de famílias que queriam ficar à sombra do pastor, que só fazia rezar e pedir a todos que tivessem calma, que Deus tudo resolveria.
  
A cidade sem nenhuma defesa, os cajazeirenses pacatos e confiantes não acreditavam que o bando tivesse ousadia: atacar Cajazeiras!
  
Os poucos soldados foram para São João do Rio do Peixe. Os homens que armas ainda deram uns tiros à toa, Marechal Sobreira Cartaxo, Romeu Cruz, e Raimundo Anastácio.

A tardinha o grupo chegou. Logo na entrada da cidade matou dois agricultores, um soldado e um paralítico, que, na sua ingenuidade, gritou enaltecendo os "heróis”. A casa dos Barbosa, na Rua Dr. Coelho, foi incendiada, nunca se soube o motivo.


Sempre atirando e gritando, iam em direção à casa do Major Epifânio Sobreira Rolim (foto, onde hoje funciona a Secretaria Municipal de Educação). O Major, muito calmo, de fuzil na mão, brincando, dissera para sua esposa dona Terezinha: “Tanta munição e eu não dou nenhum tiro” Nisso ouviu se as pisadas dos homens rodeando a casa. Tomaram seus lugares e tudo começou. Tanto atiravam como gritavam: “vamos te pegar, velho, te prender de cabeça para baixo e furar tua garganta, como se faz com um bicho”.

A família toda dentro de um quarto, crianças, moças, filhos adotivos, ao todo dezoito pessoas A porta da frente que dava para o jardim foi aberta a coice de rifle A trave caiu; a pancada no assoalho juntou-se ao som do ferro de zincado. Até o piano ressoou. A dor na nossa cabeça uniu se ao medo; a oração ficou paralisada na garganta. Ouvíamos os gritos dos bandidos ''venham que tem uma porta aberta. ‘Vamos pegar o velho “na unha’”.

A porta aberta do casarão guardava a família do major, num grande desafio. O lutador não teve calma foi até o meio da sala, atirou e voltou baleado. No mesmo instante chegou o vaqueiro José Inácio, homem rústico e de tremendos bons sentimentos. Foi um amigão para o patrão. A experiente e desvelada esposa que orientava o major no combate, mudando de armas para confundir, notou que ele estava manquejando e baleado.

Cheia de ansiedade pediu ao esposo para saírem, mostrando lhes os perigos. Depois de muita insistência ele cedeu. Nesse momento ouvimos um tiroteio estranho. Era o motor da luz, causado por falta de água. Os cangaceiros, pensando ser reforço, se retiraram. Isso foi ideia de José Sinfrônio.

A nossa saída foi perigosa, mas deixou o alívio de ver o plano do cangaceiro Sabino não ser realizado, que era levar o major preso, de porta a fora, para conseguir dinheiro dos parentes e amigos. Já imaginaram que humilhação? Voltaram os bandidos cabisbaixos, sem o som dos gritos da vitória nem o eco das risadas, somente levando nos ombros a derrota aumentada pelo medo.

Marilda Sobreira Rolim

Relembrando fatos do passado, eu vejo o testemunho de minha história e, nessa vida em pedaços, lamento o conceito sobre o que é ser herói.

Pedir aplausos para esses figurados heróis, que foram no passa do o desassossego dos velhos e crianças, a aflição dos necessitados e o terror do Nordeste? Isso, jovens, não é ser herói!

Quando os nomes de Luiz Padre, Lampião ou Sabino eram pronunciados, o silêncio era ouvido, a alegria fugia e o medo envolvem aqueles que pensavam em seus familiares.

Marilda Sobreira Rolim é escritora, residente em Cajazeiras.

http://historiacajazeiras.blogspot.com.br/2013/02/o-cangaceiro-sabino-em-cajazeiras-o.html

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Sergipanidade: conversa com Alcino Alves Costa

Vídeo adquirido no YouTube






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Show em Missão Velha - CE - (Cigarro de Cem Contos!)

Contribuição: Cícero Quesado

Foi quando eu era menino, nos idos da década de 1960.

Em minha terra natal, Missão Velha, o Luiz Gonzaga foi fazer um show e o local era o Cine São Luiz, de propriedade do Sr. Raimundo Freire, conhecido também, na região, como “Seu Mundico”.

Lá pelo meio do show o Sr. Raimundo pede para Luiz Gonzaga cantar a famosa "Asa Branca" e que, por isso, ele pagaria a Lua mais cem contos de reis.

Daí, Luiz Gonzaga disse:

- Seu Mundico, uma nota de cem contos de reis em enrolo e faço um cigarro! Se preocupe não, Seu Mundico. Estou brincando com o senhor... Vou cantar "Asa Branca" agora, em sua homenagem, sem lhe cobrar mais nem um tostão por isso!

Bom, não sei se isso é verdade, mas que o povo conta, conta.

Só sei que foi assim!!!

Contribuição: Cícero Quesado


http://www.luizluagonzaga.mus.br

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Juazeiro do Norte e a festa de Abertura do Cariri Cangaço 2013 !

Mesa de Abertura das Conferências Cariri Cangaço 2013

O Memorial Padre Cícero, em Juazeiro do Norte recebeu a primeira noite de Conferências do Cariri Cangaço 2013. Para um público atento e qualificado, onde despontavam mais de 140 pesquisadores de todo o Brasil, a antropóloga e professora Luitgard Cavalcanti Barros proporcionou aos presentes uma verdadeira aula de nordestinidade e de amor ao sentimento e à alma da cultura nordestina.

A noite teve seu início com as homenagens e entrega de Certificados aos municípios de Lavras da Mangabeira, representado por sua Secretária de Cultura, Cristina Couto e Nazarezinho, na Paraíba  como "Cidades Sedes do Cariri Cangaço". Em suas palavras o curador do evento Manoel Severo, ressaltava o papel importante desses municípios no desenvolvimento de uma nova "feição do Cariri Cangaço, que são as Avante-première na consolidação deste que é um dos maiores eventos, do gênero, no Brasil".

 

A mesa de abertura solene contou com as presenças da SBEC, através do diretor Rubinho Lima, do GECC através de seu presidente, Ângelo Osmiro e do GPEC, com Narciso Dias, numa autêntica demonstração de união entre as entidades que pesquisam a temática. Para o Presidente da Fundação Memorial Padre Cícero, Shessman Alencar "Ter o Cariri Cangaço em sua abertura no nosso Memorial é uma grande honra para todos nós, e a conferência da professora Luitgarde foi simplesmente sensacional".

Presenças de 17 estados da federação marcarão a abertura do Cariri Cangaço 2013, numa autêntica festa do Brasil de Alma Nordestina. Nos próximos dias todas as informações, os links das conferências e tudo o que aconteceu e acontece em seu Cariri Cangaço 2013.

Este segundo dia de Cariri Cangaço 2013, terá Barro como cidade anfitriã, a programação inicia com as visitas; logo mais à fazenda do padre Lacerda em Mauriti, de Cel. Domingos Furtado em Milagres, a Casa das André em Barro, as fazendas onde estiveram a família Pereira e Sinhô Pereira, o santuário de Santo Antônio, onde foi sepultada Dona Chiquinha Pereira e termina com a noite solene na fazenda do Major Zé Inácio.

Bem vindos ao Cariri Cangaço 2013 !

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MOSSORÓ, TERRA DA RESISTÊNCIA: os mecanismos discursivo-argumentativos da notícia nos jornais impressos em 1927 - Parte I

Por: Ana Shirley de Vasconcelos Oliveira Evangelista Amorim

(Departamento de Estudos da Linguagem - UFRN)

Esta pesquisa tem como objetivo investigar o processo discursivo de construção da linguagem em uso na esfera jornalística, a fim de perceber como o gênero notícia é constituído nesse campo de atividade social, bem como analisar os processos argumentativos que estruturam os discursos escritos sobre o episódio da resistência ao bando de Lampião em Mossoró no ano de 1927. O corpus da pesquisa é constituído pelo noticiário da época veiculado nos jornais impressos Correio do povo e O Nordeste, ambos de Mossoró/RN. A análise dos textos teve como suporte teórico a Análise do Discurso; A Teoria da Argumentação e os estudos sobre Gêneros do Discurso. Metodologicamente, esta é uma pesquisa de cunho documental, uma vez que faz uso essencialmente do documento escrito. No que tange à natureza dos dados, a pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de base interpretativista. As análises revelaram-nos o modo como foi realizada a abordagem do episódio na construção discursiva do texto midiático. Na análise, consideramos as técnicas argumentativas adotadas na defesa da tese, os efeitos de sentido sugeridos e o gênero abordado, o que nos revelou a maneira como o episódio foi veiculado pelos jornais. Assim sendo, a construção discursiva aponta determinados padrões de repetição, visto que o contexto linguístico caracteriza-se no campo jornalístico por assumir, em primeira instância, uma expressão local.
Palavras-chave: Resistência. Notícia. Técnicas argumentativas. Produção de sentido.

1. Considerações iniciais

A presente discussão é parte de um estudo mais amplo, realizado no mestrado, no qual examinamos a literatura de cordel, enquanto exemplo de jornalismo por ser considerada uma das primeiras manifestações de jornal impresso a que o homem teve acesso, visto que “atuam como jornal do sertão, líder de opiniões, interpretador dos acontecimentos do país e do mundo” (CAMPOS, s.d, p.22). Admitimos, desse modo, que tal gênero configura-se em valiosas fontes de pesquisa, de informações de interesse histórico, etnográfico, linguístico e sociológico.

Propomos, para este momento, uma leitura dos discursos subjacentes ao episódio de Lampião em Mossoró no ano de 1927. Sendo assim, nosso estudo tem como objetivo investigar as relações interdiscursivas no processo de construção da linguagem em uso na esfera jornalística, a fim de perceber como o gênero notícia é constituído nesse campo de atividade social, bem como, analisar os processos argumentativos que estruturam os discursos escritos sobre o episódio da resistência ao bando de cangaceiros.
Por conseguinte, considerando que a concepção dos gêneros do discurso defendida por Bakhtin, implica em conceber as diferentes esferas sociais como critério para a organização desses gêneros, tendo em vista que cada esfera de utilização da língua “elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados (BAKHTIN, 2000, p.279)”, direcionamos nossas reflexões acerca do enquadre dado à notícia na perspectiva discursiva da memória sócio-histórica construída nos jornais a partir de valores ideológicos (político, econômico, religioso) que passam a ser elemento fundamental na constituição da imagem da resistência.

Para tanto, adotamos como universo de investigação o noticiário da época veiculado nos jornais impressos Correio do povo e O Nordeste, ambos de Mossoró/RN. Conforme acontece em toda pesquisa, as delimitações do objeto, dos objetivos e de outros aspectos que estão relacionados a essa moldura de produção científica foram se tornando imprescindíveis. As questões que se ressaltavam nos discursos produzidos e circulantes nos jornais nos conduziram à procura de aportes teóricos que pudessem dar conta delas. Logo atentamos para a necessidade de articular diferentes áreas do conhecimento a fim de realizar uma apreciação do Corpus.

A análise dos textos teve como suporte teórico, dentre os diversos paradigmas de pesquisa, a triangulação dos pressupostos da Análise do Discurso Francesa (AD), com o eixo paradigmático da Teoria da Argumentação de Perelman e Olbrechts-Tyteca (1996), tomamos como fundamento de análise: o conceito de argumentação e as técnicas argumentativas presentes no discurso com o intuito de aumentar a adesão do auditório à tese defendida pelo orador. Além dos estudos sobre Gêneros do Discurso, no qual priorizamos o olhar bakhtiniano (2000), pois enseja uma melhor compreensão nas respostas às questões de pesquisa.

Admitindo que a concepção da linguagem como prática social constitui o eixo norteador da nossa análise, tornou-se imperativo o desenvolvimento de uma metodologia de cunho qualitativo e base interpretativista, tendo em vista que a pesquisa qualitativa trabalha com “o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis” (MINAYO, 1995, p. 21-22).

E interpretativista, pois trabalhamos com os múltiplos significados que perpassam os enunciados produzidos pelos poemas e jornais sobre a(s) realidade(s) do episódio. Assim, Moita Lopes (1994, p. 331) entende que “o significado não é o resultado da intenção individual, mas de inteligibilidade interindividual”, ou seja, o significado é construído socialmente.

Sequenciando o processo de construção, seleção e delimitação do Corpus, a nossa investigação configura-se como um estudo do tipo arquivista, pois seu universo de análise é formado a partir de um conjunto de documentos relacionados a um assunto. Entendemos que sejam documentos escritos “quaisquer materiais escritos que possam ser usados como fonte de informação sobre o comportamento humano” (LUDKE, 1986, p.38).

Nessa condição, compreendemos os jornais impressos enquanto atos de fala que ecoam vozes sociais, produzindo discursos, e consequentemente, efeitos de sentidos sobre inúmeros acontecimentos do mundo real.

2. A produção de sentidos na notícia jornalística

Desde os gregos, uma preocupação constante que persegue a mente humana, é a indagação que atravessa gerações sobre o nosso acesso à realidade e pelos modos de construção do conhecimento. Em outros termos: como aprendemos e apreendemos algo como sendo algo? De acordo com Marcuschi (2007, p. 82), as soluções encontradas variaram imensamente, desde os sofistas, para os quais era impossível o conhecimento, até os nossos dias, quando se postula que a ação comunicativa é uma das bases para a construção do conhecimento e produção de sentido. A construção do conhecimento é, essencialmente, uma produção discursiva.

Nessa perspectiva, o texto, mais precisamente, o discurso jornalístico, em especial, o noticioso, vem permanecendo mais que nunca na agenda de análises linguísticas, sociológicas, etnográficas e de estudiosos dos fenômenos midiáticos que têm procurado, em diferentes épocas, definir precisamente o que é notícia, e seu grau de influência na sociedade.

O discurso midiático revela-se „ilusoriamente‟ como neutro e objetivo, assumindo uma posição de realidade completa e absoluta, livre de subjetivações, procurando enfatizar os relatos dos acontecimentos por uma única lente, dessa maneira, estabelecer um sentido único, hegemônico. Dessa forma, a notícia jornalística quase sempre é compreendida como um texto expositivo no qual os fatos se apresentam por ordem de relevância.

Todavia, apesar da comunidade jornalística partir da importância dos fatos que devem alcançar seus leitores e/ou ouvintes, e consequentemente, definir o grau de noticiabilidade com base em critérios de valoração capazes de catalisar a atenção do público, a notícia, não deve ser pensada apenas como um conjunto de informações explícitas na materialidade linguística do texto, mas como um espaço necessário para a articulação discursiva, a fim de empreender os sentidos edificados sem se deter a aspectos puramente estruturais. Nesse sentido, é preciso ultrapassar os limites textuais e considerar os fenômenos contextuais, sociais e ideológicos imprescindíveis e reveladores da construção semântica do texto jornalístico, o que implica dizer, segundo Gomes (2007, p. 7), “que o discurso da mídia revela particularidades que estão além da notícia”.

Nessa ótica, a palavra assume papel primordial, pois é a partir dela que o sujeito se constitui e é constituído. Essa, compreendida como signo ideológico é parte integrante de uma realidade seja ela social ou não. Com isso, a palavra, em situação de uso, é um espaço de produção de sentido. Dela emergem as significações que, consequentemente, se fazem no espaço criado pelos interlocutores em um contexto sócio-histórico dado. Por ser espaço gerador de sentido, controla e é controlada, por meio dos mecanismos sociais.

A palavra está imersa numa situação social determinada e carrega consigo conteúdos e sentidos ideológicos subjetivos. Diante disso, há o que chamamos de determinismo social, ou seja, dependendo do interlocutor, da situação de uso, o falante determina qual a melhor palavra a ser utilizada.
Como afirma Bakhtin (1981 p. 113), as palavras que se pronunciam ou são inscritas numa materialidade linguística, são verdades ou mentiras, coisas boas ou más, importantes ou triviais e produzem reações de ressonâncias ideológicas.

O autor, em seus estudos, observa que as palavras penetram literalmente em todas as relações entre os indivíduos. Elas são tecidas a partir de uma multidão de fios ideológicos e servem de trama a todas as relações sociais, em todos os domínios. Para ele, nesse aspecto, a palavra constitui o indicador mais sensível de todas as transformações sociais. “Realizando-se no processo da relação social, todo signo ideológico e, portanto, também signo linguístico, vê-se marcado pelo horizonte social de uma época e de um grupo social determinados” (BAKHTIN, 1988, p. 113).

Com base nesse entendimento, percebemos que quando o sujeito narrador prioriza relatar uma coisa „x‟ ao invés de „y‟ ele conscientemente vê, à maneira de Bakhtin, a palavra como algo que mostra e oculta, que veste e ao mesmo tempo desnuda algo. Comungando com essa reflexão Stella (2010) examina além da capacidade de funcionamento e circulação da palavra como signo ideológico, em toda e qualquer esfera, a neutralidade da palavra no sentido de que recebe determinada carga significativa a cada momento de sua utilização.


É possível, portanto, entender que a palavra adquirida no meio sócio-institucional e internalizada pelo sujeito, retorna ao seio da sociedade por processos de interação, porém, numa forma diferenciada, alterada. Apresenta marcas ideológicas que denunciam as suas condições de produção, em razão de elementos sociais e históricos, pelas quais perpassam tanto os sujeitos envolvidos quanto as próprias palavras. Entretanto, somente ao acontecimento enunciativo será atribuído sentido, e as palavras, assim produzidas, carregarão valores.

Ana Shirley de Vasconcelos Oliveira Evangelista Amorim

CONTINUA...

Enviado pelo pesquisador José Edilson de Albuquerque Guimarães Segundo

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Luiz Gonzaga - Sertão das Muié Séria e dos Home Trabaiadô

Contribuição: Kydelmir Dantas
veja.abril.com.br

Coincidências acontecem e 'causos' como este também. 

Em Alexandria-RN, num show em praça pública, quando Gonzagão cantou a mesma canção, "A volta da Asa Branca" a qual tem este verso: SERTÃO DAS MUIÉ SÉRIA E DOS HOME TRABAIADÔ, o sr. Antonio Emídio, farmacêutico, fez este comentário: 

- Faz muito tempo que este 'nêgo véio' não vem ao sertão! 


Você encontrará várias informações sobre o cantor Luiz Gonzaga neste livro, escrito pelo o poeta, escritor e pesquisador do cangaço Kydelmir Dantas.

Fonte: LUIZ GONZAGA E O RIO GRANDE DO NORTE, 2012. Mossoró - RN - Autorizado pelo o autor deste livro - Kydelmir Dantas

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